As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Os corações mais altos


Olivaldo Junior

            Era uma vez uma grande árvore que ficava no meio do bosque que se chama Solidão (lembra-se da cantiga?).
Nesse bosque, a mais bonita árvore era aquela. No entanto, em vez de frutos, nela havia corações. Grandes, médios, pequenos, mais claros e mais escuros que o vermelho sangue, próprio dos músculos que suportam nossas almas, eles, os corações da grande árvore do bosque, se pendiam dos galhos frondosos, que insistiam para que alguém os visse. 
            Na parte mais alta da árvore, a mais difícil de alcançar, estavam os corações mais duros, mais antigos e mais queridos, sedutores, que todos os outros. Eram os corações de quem cultivou poesia durante a vida. Não “apenas” a escrita, mas a que se vive ao correr dos dias, em pequenos hábitos que nos fazem crer na beleza infinda do mundo. Poetas não são somente autores, nem sempre escrevem. São bem mais que  isso. Poetas são pessoas que se voltam para ouvir os que têm algo a dizer e, com o que escutam, tecem poemas, palavras em si.

            Frágil, cada galho da grande árvore sustentava muitos corações, e, caso alguém se atrevesse a subir para pegar os corações mais altos, sentiria o peso de querer demais o que não se deteve quando estava ali, a dois passos de um abraço, perto do peito aberto, que se fecha aos outros, sem compaixão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O amor que canto em prosa e verso


Elisabete Bortolin

Brota da relva úmida
Existente no jardim do coração
Fazendo de cada dia uma canção.

As estrelas, a lua e o céu
Equilibrados em harmonia
Sondam o caminhar dos chelas
Que irradiam luzes belas.

Toda luz e alegria sem fim
Emana da presença EU SOU
Trazendo bem-aventurança
Paz, amor e esperança

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Retrospectiva Literatura 2015/Piracicaba



Retrospectiva  Literatura 2015

JANEIRO
Mari Sbravatti Fantazia lançou o livro digital “Idas e Vindas”

FEVEREIRO
A professora Márcia Barbosa de Souza lançou os livros infantis “Dona Baratinha com Dengue” e “A Gata Diferente”

MARÇO
Cecílio Elias Netto autografou seu livro “Piracicaba que amamos tanto” no salão nobre da Câmara de vereadores de Piracicaba.

ABRIL
Dia 10 - Elda Nympha Cobra Silveira lançou “E...A vida passa” na Escola de Mães Branca Motta de Toledo Sacks

Jornalista Henrique Inglez de Souza lançou o livro “Pequeno Cemitério de Insetos” pela editora Equilíbrio com 50 contos.

MAIO
Gatão - trajetória de um vencedor  de autoria de Adolpho Queiroz e Pedro Sakr

JUNHO
 Lançamento do livro “Sabrina - Oh Vida de Bailarina!”  de Renata Schiavon 

Dia 25 - LAR BETEL lança livro de receitas “Sabor da Vida”, reunião de receitas que fazem parte da história das pessoas da entidade.

JULHO
Dia 5 - Claudinei Pollesel lançou a biografia, “Madre Celina Testemunha da Alegria”, uma das fundadoras do Mosteiro das Concepcionistas de Piracicaba

Dia 10 - Lançamento da Antologia “Saga de Palavras” das escritoras do CLIP na Casa do Médico. Autoras do livro: Ana Marly Jacobino, Carmen Pilotto, Ivana Maria França de Negri, Leda Coletti, Lidia Sendin, Loudinha Piedade Sodero Martins, Madalena Tricânico e Raquel Delvaje.

Dia 22 - Pedro Caldari lançou o livro “Memória da Vila III”com apoio do IHGP – Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, no Recanto dos Livros (Lar dos Velhinhos de Piracicaba)

Dia 27 – Barjas Negri lançou o livro “Piracicaba:novos tempos, novos caminhos II” na Câmara de Vereadores de Piracicaba

AGOSTO


Dia 14 - Lançamento do livro “Jubileu Áureo da Criação da Paróquia de Santa Cruz e São Dimas por Geraldo Ermo Fischer

Dia 16  - Lançamento do livro “Paixão de Cristo em Piracicaba” da autora Maria Teresa Silva Martins de Carvalho

Dia 22  – Sermo Dorizotto lança o livro “Documentos Interessantes” (cartas e registros dos séculos XVIII e XIX)

SETEMBRO
Dia 12  Irineu Volpato autografou seu livro “Efêmeras” na Casa do Povoador

Dia 19 - lançamento do livro “Dois lados de um coração” de Marcela de Luca

Dia 18 – Daniel de Carvalho autografou seu livro “O Francês” na Nobel do Shopping Piracicaba


OUTUBRO
Dia 23 – Lançamento do livro “Acessando Memórias de Vidas Passadas” de Gilberto Pompermayer

NOVEMBRO
Dia 13 lançamento da revista da Academia Piracicabana de Letras com textos dos acadêmicos

Dia 14 Isaltino Degaspari autografou o livro “A Água Santa: Histórias da cana-de-açúcar, imigrantes italianos e um bairro de Piracicaba/SP” na Nobel do Shopping

DEZEMBRO
Luzia Stocco relança seis livros de sua autoria


Geraldo Victorino de França lança o livro “Aprendendo com o Voinho volume 4”, mais um da série “Aprendendo com o Voinho” comemorando os 90 anos de vida!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

POSSIBILIDADE


Amanda Fleury

Intuições pedem para seguir em frente
 há um mistério a ser revelado.
Talvez muros invisíveis impeçam o destino
Ele carrega desertos silenciados dentro de si.
Ela, palavras mudas que a sufocam.
Talvez, um dia, em algum lugar,
Nesta ou noutra vida,
Se reencontrem...
Ou apenas restarão lembranças
De um futuro não vivido,

porém desejado...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

SONHO OU PESADELO


Maria Madalena Tricânico C. Siqueira


- Amiga, você  não  vai  nem  acreditar! Sonhei  que  era  uma  tartaruga. Em  uma  de  minhas  divagações  fiquei  pensando  que  horror  seria  se  eu  tivesse  nascido  uma  tartaruga. Não  que  eu  não  goste  do  bichinho  porque  é  lerdo!  Acho  até  engraçadinha,  mas,  como  tenho  horror  em  ficar  com  os  pés  sujos  de  terra,  jamais  eu iria me  acostumar.  Talvez  seja  por  isso  que  ela  sempre  que  for  possível,  procura  água  para  banhar-se,  coisa  que  não  é  muito  comum  com  os  outros  animais.
            - Sabe  qual  é  o  seu  problema  Mayara,  você  pensa  muito,  medita  e  divaga  em  vez  de  se  divertir.
            - Ah...Bruna,  você  não  sabe  o  que  é  isso...bem  que  eu  gostaria  de  ter  um  botão  na  minha  nuca  para  controlar  meus  pensamentos.
            - E a  casca  dura  então?  Não  estou  falando  de  “casca grossa”,  de  gente  sem  educação.  Falo do  casco  mesmo  da  coitada.  Logo eu  que  adoro  passar  creme  hidratante,  não  iria  mesmo  me  adaptar.
            - Não posso  nem  lembrar   quando  no  sonho,  ainda  bem  que  acordei  imediatamente,  alguém  que  estava  passando  no  jardim  colocou  o  pé  sobre  mim  pensando  que  era  uma  pedra,  logo  eu  que  sou  tão  sensível!
            - Pare  com   isso!  Foi apenas um  sonho,  você  já  está  acordada  e  se  continuar  falando  vai  sonhar  novamente.
- O  quê  me  entristece  é  pensar   que    nossa  amiga  tartaruga, ah,  esqueci  de  te  contar,  ela  tinha   nome,  a  zeladora  do  zoológico   que   colocou;   tinha   registro   e   tudo  mais.  Seu  nome  era Tata Tais. 
- Tá...pensar  o  quê,  continua...
- Que tartaruga não nunca  vai  poder  sentir  a  sensação  de  carregar  uma  tartaruguinha  na    barriga  e  amamentá-la,  que  é  a  suprema glória  de  ser  mamífera...Coitadinha  ela  bota  ovos,  cobre  com  a  areia  e  quando  eles picam....picam?  será.....  saem  correndo  para  o  mar...
- Chega  de  sofrer  Mayara!  Só há  um  jeito  de  você  resolver  suas  angustias.
- Me  fala  amiga.
- Deita  mais  cedo  para  sonhar  mais  um  pouco.   

            Hoje  quero  ser  um  rio 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

TROVA - Justiça



TROVA
Leda Coletti

A justiça clama aos céus
quando há violência, opressão,
e os justos tornam-se réus
de algozes sem coração.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

VAI NASCER UM NOVO ANO!


Olivaldo Júnior
 
A cegonha ganha o céu,
já não pode ser engano...
Vou pegar o meu papel,
vai nascer um novo ano!
 
Nessa folha, de caderno,
eu escrevo assim, à mão,
que desejo mais fraterno
todo amigo que é irmão.
 
Amanhã, ninguém é réu,
nem juiz, nem defensor;
gira em fúria o carrossel,
 
que a cegonha, por amor,
logo cumpre o seu papel:
traz o 'Ano Novo' em flor!
 

sábado, 26 de dezembro de 2015

DESEJOS PARA O ANO NOVO


Plínio Montagner

Adeus Ano Velho... Feliz Ano Novo... Que tudo se realize no ano que vai nascer: - muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender...
É! Tudo isso é bom, mas muito pouco para quem já viveu muito, trabalhou, sofreu.  Portanto, desejemos que o futuro seja perdulário. Que se abram caminhos e haja mais festas, mais carinhos, mais amizades sinceras, e até novas paixões para abrandar a contemplação do infinito e de refletir sobre o nada.
            Imploremos então, supliquemos, façamos promessas até, para que no Ano Novo estejamos novamente cantando e dançando. Chega de pensar no futuro, basta de trabalhar para os outros. Importemo-nos menos com datas de aniversários.
As dores? Elas vêm e vão. Então, não vamos falar mais de cirurgias, internações, arritmias, tristezas. E não vamos dar bola às indiferenças. Estamos velhos e sozinhos e ninguém gosta de compaixão.
Numa noite de insônia assistia a um filme antigo - “Zorro e a Cidade de Ouro Perdido”. No início me entusiasmei com um diálogo delicado e sutil, entre um idoso e uma linda mulher:
- Não estou importunando?  Dizia ela.
- A senhora é um colírio para os olhos cansados de um velho!
- Nenhum homem é velho quando sabe fazer elogios a uma mulher...
Disto é feita a vida. De momentos. Não importa quantas vezes copiamos frases de poetas.  Quando se sente que nosso tempo útil está acabando é hora de viver intensamente o momento do agora.  Colher o dia, “carpe diem”. O tempo foge.  “Tempus fugit”.
 O crepúsculo da vida chega para todos. Queiramos ou não, nesse momento tomamos consciência do apito final do jogo da vida, que com muita sorte será prorrogado.
Nesses momentos, quem não amou - não viveu. Quem não pediu perdão - vai chorar! Quem não perdoou... nem é bom pensar.
Num capítulo sobre a velhice, o escritor Rubem Alves –“Ostra Feliz Não Faz Pérola” – lança um diálogo com a plateia numa palestra:
- “Senhoras e senhores, vocês estão chegando finalmente à idade em que podem se dar ao luxo de ser totalmente inúteis”...
Após um início de confusão e protestos, continuou, com o propósito de explicar a metáfora de seu discurso:
- “Uma sonata de Mozart é inútil, não serve para nada. Mas uma vassoura é muito útil. Vocês preferem a companhia das vassouras à companhia da música de Mozart?”
“Uma poesia de Fernando Pessoa não serve para nada, é inútil, mas o papel higiênico é muito útil. Vocês acham o papel higiênico mais importante que a poesia do Fernando Pessoa”?
Boa comparação entre a aparente inutilidade da idade da reflexão e a utilidade do óbvio, do banal. Os velhos, sábios ou não, têm permissão e licença para a contemplação, mas sem exagero, que a vida continua, e têm o direito perene de se deliciar com sua falsa inutilidade como um livro fechado numa estante, de ficar sentados numa cadeira de balanço - ou de rodas - ou da maneira que quiserem.
 Nada é ensinado sobre a velhice. Todas as atenções são para a infância, à adolescência e à juventude.
O foco do interesse da sociedade segue as linhas de produção de utilidades e inutilidades. Nenhum projeto contínuo existe para atender as necessidades dos homens da “terceira idade” (eufemismo: velho, idoso, doente, solitário...). Nas escolas não se ensina como cuidar do homem improdutivo.
A velhice não e o destino de todos nós? Então por que os idosos são tratados com menos zelo? O Papai Noel que se cuide. A velhice sempre foi será responsabilidade da família. Sorte de quem tem.
 A sociedade se interessa pelo produto e pelo retorno financeiro. Retorno humano zero! Quem não produz ou não for útil de algum modo à sociedade (ou aos seus cuidadores)  é tratado como uma bola de futebol suja e furada ou a um grampeador quebrado que vai para  o lixo.  É a vez do pragmatismo. O que deixa de ter utilidade perde a identidade, é enjeitado e dá seu lugar ao novo.
Idosos, fiquem com seus próximos, que são os únicos que os amam!
Feliz Ano Novo! Tomara!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Haicais para o Natal



 Olivaldo Júnior

Um menino brinca e canta
entre a rua e eu;
é Jesus que brinca e canta.
"Virgem Mãe de Nazaré"
olha e não me diz;
mais aumenta minha fé.
Sem a neve, lá do "Norte",
dos países ricos,
tendo chuva, temos sorte.
Cada pingo d'água vívido
que nos mata a sede
cede a todos ouro líquido.
A menina está sem ninho
só pra ver seu pai
se vestir de bom velhinho.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

25 de dezembro


       Sonia Amaral

Noite de luz e esplendor
Nasce o nosso Salvador.
Quanta tristeza Maria passou
Ao não encontrar abrigo
Para seu filho querido.

Dois mil anos depois
Ainda encontramos
Muitas Marias
No final dos corredores.

Não vamos esmorecer
Pois Jesus nos faz crescer
Dia a dia com amor
Tudo irá se resolver.
Amemos Jesus!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Confraternização dos grupos literários - RECANTO DOS LIVROS

 Aracy Duarte Ferrari declamando uma poesia
 Contadora de histórias Carmelina de Toledo Piza encantando a todos
 Carmen Pilotto organizando as apresentações
 João Nassif abrindo o evento
 Claudio Costa no acordeon e Rodrigo ao violão abrilhantaram o evento com músicas natalinas
 A presença das crianças trazendo  alegria 
 João Athayde e sua mensagem

 Lourdinha Sodero lendo seu poema
 Madalena Tricânico e suas lindas histórias 
 A despedida do voluntário mais querido do Recanto dos Livros, Tomas Bacchi, que vai morar na Alemanha por um tempo, mas continua a morar nos corações de todos que com ele conviveram 
Vera Nassif, coordenadora do Recanto e sua mensagem

A Grande Alegria


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Alguns dias no Chile

       

Eloah Margoni

      Em adolescente não aprendi direito geografia.  Aliás, nada. Mapas em papel e linhas coloridas ou pretas mostrando estradas, mares ou rios, vistas numa sala de aulas, nunca me disseram bulhufas. Daí a vontade de ir aos locais, para verificar aquilo que as pobres linhas não me podiam mostrar. 
     Digo-lhes que, no passado, para viajar, sem exagero fiz verdadeiras loucuras, considerando-se minha idade à época, a limitada grana que possuía e meu sexo. E mesmo mais recentemente as fiz.
     De tudo isso me lembrava ao sobrevoar os Andes. E  em relação aos Andes em si tenho a dizer da minha decepção . Sempre achei que os picos seriam nevados durante o ano todo... Nos verões, de agora ao menos, não o são. Dar de cara com uma cadeia de montanhas muito áridas, desoladas, era assustador.  Perder-se ali, em qualquer época, há de ser acontecimento mortal.
    Vi rochas absurdamente grandes, antes e depois desta viagem, mas tanta falta de vegetação, tal ausência de plantas e a própria constituição das mesmas confrangiam-me o coração, inspirando medo. Não têm aspecto vulcânico aquelas montanhas e nada semelhante a negras, lisas pedras gigantescas, como as que se veem na Ilha da Madeira ou como numa cidade da Grécia chamada Meteora e em diversos outros lugares. Eram inóspitas ondulações calcárias amareladas, prontas para se deixarem lixiviar devagar, por águas que possam passar por ali, tingindo-as com seus detritos, lembrando-me mesmo, vistas do alto, as corcovas de uma infinidade de camelos imensos, aglomerados, parados, como se não tivessem porque nem para onde ir. Não se parecem nada com os Alpes ou com Apeninos tampouco aqueles montes.
   A aridez confirmou-se ao chegarmos à cidade. Muito baixa umidade do ar, e fazia bastante calor naquela época do ano; era fevereiro.  Acontece que nós mesmos, abominando a secura que tomava conta da região sudeste de nosso país em pleno verão antes chuvoso, não ficamos felizes com isso; mas Santiago em si descortinou-se muito arborizada e bonita. Metrópole de sete milhões de habitantes, porém com uma organização muito diferente das nossas grandes cidades, se bem que simpaticamente poluída, igualmente. Pode-se observar bem isso do alto Cerro de San Cristobal. Dali vê-se uma cortina opaca pairando sobre a cidade.
     Trânsito equacionado, limpeza das ruas amiúde, solicitude das pessoas em geral, certa calma e ordenamento da metrópole, bairros bonitos com fontes pequenas nas esquinas, muitos bancos cuidados nas ruas e em avenidas para que as pessoas possam sentar-se, e transportes públicos abundantes chamam atenção.
    Pela arquitetura apaixonei-me completamente. O lado moderno da cidade mostra arrojo, criatividade, harmonia e beleza.  Fachadas cheias de plantas. Voltei odiando mais do que nunca os feios caixotes, pouco imaginativos que são os prédios por aqui.
     A catedral de Santiago, é preciso mencionar, mostrou-se deslumbrante! Mais bonita do que Santa Maria Maior, que é a segunda igreja mais importante de Roma. E há outra igreja que se deve mencionar, a de São Francisco. Bem antiga essa última, mantendo paredes originais de pedra. E fica numa rua central, bem popular e movimentada.
     Nos arredores da cidade, sempre rodeada pelos Andes, surgem-se aqui e ali vinícolas, nichos de plantações, que são oásis no meio da aridez. O oceano Pacífico, muito agitado por sinal, com seus rochedos onde leões marinhos gritam de modo impressionante não nos deixa indiferentes, nem a famosa cidade de Viña Del Mar, onde se planejou o terrível golpe militar que sacrificou e fez sangrar o país, com a morte de Allende. Também nos afeta a estranha Valparaíso, áspera e nua, onde as queimadas anuais acabam com os arvoredos...  Ainda em Valparaíso, na parte portuária, uma placa adverte: região de tsunamis.

    O espanhol é uma língua que me encanta, possivelmente por se parecer tanto com a nossa. Gostaria de conhecer-lhe as variadas cadências de muitos países das Américas, porém esses países, pobres muitas vezes, com moedas mais fracas ainda que a nossa, têm custo de vida muito caro. De assustar. Então, por essas e outras, a gente, quando pode viajar e optar, nem sempre os escolhe para visitas... Pena (eu acho).