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Reunião na Biblioteca
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Epitáfio para um poeta (ou o pouco que sobrou)
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Recanto dos Pássaros - Piracicaba
Ivana Maria França de Negri
Um recanto mágico dentro da área de lazer
da rua do Porto chama a atenção de quem caminha pelo circuito.
Como gosto de
fazer caminhadas, acompanhei desde o início o andamento desse projeto. Eu sempre
via um homem solitário de botas e chapéu, munido de pá e enxada, plantando
mudas. Ele as trazia, fazia a cova e ia plantando. Havia uma nascente e um
pequeno córrego ali. Podia ser um dia lindo de sol, ou nublado, ventando, frio
ou calor, e até chuviscando, mas ele estava lá.
Com o tempo eu via
o espaço crescendo, cada dia mais plantas, muitas se transformando em árvores, pedras
formando caminhos, e um comedouro foi instalado para atrair pássaros.
Descobri
que o idealizador se chamava Luís Osório Bonassi Filho, buscando transformar seus sonhos em realidade. Sei que
sempre fez esse trabalho voluntário, por amor à Natureza.
Lembrei
de Walt Disney, um incorrigível sonhador visionário, que conseguiu criar um
reino mágico gigantesco, concretizando seus devaneios. E hoje, milhares de
pessoas do mundo todo podem vivenciar a fantasia de Disney indo visitar esse lugar
encantado.
No Recanto dos Pássaros, cada muda, cada flor,
antes de ser plantada, foi alvo de estudos. Foram plantadas as que atraem
diferentes espécies de pássaros e para isso, Luís teve vários colaboradores,
que por não os conhecer, não posso citar nomes. Até a prefeitura está apoiando,
pois um projeto desses é digno de louvor.
Como
nada nesta vida se faz sem recursos financeiros, os amigos, os admiradores da proposta,
os que amam a natureza e alguns empresários, colaboram para que o projeto seja
ampliado. Já tem bancos e um cantinho instagramável onde as pessoas podem tirar
fotos e postar em suas redes sociais.
Na semana passada,
eu e minha irmã, sentamos num dos bancos enquanto admirávamos as flores, e
começamos a conversar. Minha irmã se encantou com uma árvore e pediu uma
mudinha, o que prontamente foi atendida pelo Bonassi. Ficamos conhecendo o
projeto mais a fundo e a necessidade de expansão para que se torne um ponto
turístico dentro do parque.
Os olhos do
sonhador brilhavam enquanto ele discorria sobre as inovações que ainda pretende
instalar lá. Canalizar a água que escorre para formar um laguinho e colocar
peixes. Criar um ambiente para leitura, trazer livros para que as pessoas
descansem no oásis verdejante ao som dos gorjeios e trinados e das águas
canoras.
Adquirimos canecas lindas que são vendidas para obter fundos e
prosseguir com as ideias que jorram fartas, mas para colocá-las em prática
precisa de recursos.
Quem quiser
colaborar, é só passar no Recanto e conversar com o Luís. E além das canecas
tem camisetas, sacolas e outros itens à venda.
Cada um que passa
por ali se torna um admirador e também um colaborador, como a Eliana, fotógrafa,
que identificou 114 espécies de aves e cedeu fotos para colocar nos expositores
que são educativos para as crianças e ficam bem próximos do parquinho infantil.
As pessoas são
convidadas a deixar frutas frescas na bancada para servir de chamariz para as
aves. Vi outro dia até um saruê se deliciando com as frutas também.
Por mais sonhadores
milagreiros para embelezar nossa cidade, enriquecer nossa cultura, e zelar pela
nossa fauna e nossa flora!
Piracicaba, meu torrão amado
Felisbino de Almeida Leme
Berço consagrado
Terra onde nasci
Longe choro calado
De tanta saudade de ti!
Do sonho à realidade
Lágrimas são consumidas
Amo esta cidade
Das alegrias vividas.
Recordando com saudade
Sou filho abençoado
Digo com sinceridade
Piracicaba meu torrão amado!
domingo, 26 de julho de 2026
Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz
(foto Arquivo Nacional)
Memórias
que permanecem: Ermelinda Ottoni e o sonho que atravessou gerações
por Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Algumas memórias
vivem em fotografias antigas, em cartas amareladas ou em objetos guardados ao
longo dos anos. Outras continuam vivas porque permanecem transformando pessoas.
Caminham pelos corredores de escolas, atravessam gerações e seguem produzindo
futuros. A história de Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz é uma dessas memórias.
Ermelinda nasceu
no Rio de Janeiro, em 1856, em uma família culta e influente. Desde muito jovem
conheceu diferentes lugares do mundo, viajando pela Europa, Estados Unidos e
Ásia. Aprendeu idiomas, observou culturas e descobriu que o mundo podia ser
muito maior do que os limites que a sociedade de seu tempo costumava impor às
mulheres.
Em 1880, casou-se
com Luiz Vicente de Souza Queiroz. Mais do que marido e esposa, os dois
tornaram-se companheiros de sonhos. Em uma época em que muitas mulheres
permaneciam em silêncio diante das decisões dos homens, Ermelinda caminhava ao
lado de Luiz. Participava das viagens, acompanhava projetos, compartilhava
ideias e ajudava a construir objetivos que os dois acreditavam em poder
transformar a realidade ao redor.
O casal desejava
uma cidade mais desenvolvida, humana e preparada para o futuro. Participaram de
iniciativas importantes para Piracicaba, contribuindo para melhorias que
mudariam a vida das pessoas. Mas existia um sonho ainda maior: criar uma escola
que ensinasse muito mais do que técnicas agrícolas. Queriam formar pessoas,
criar oportunidades e abrir caminhos para gerações que ainda nem haviam
nascido.
Movidos por esse
ideal, viajaram em busca de referências, estudaram modelos educacionais e
adquiriram a Fazenda São João da Montanha, local escolhido para o projeto da
futura escola agrícola. Em 1892, fizeram algo extraordinário: doaram a
propriedade ao governo com a condição de que ali surgisse uma escola dedicada
ao conhecimento e ao desenvolvimento do país.
Mas a vida nem
sempre acompanha os planos no tempo que desejamos. Em 1898, Luiz de Queiroz
faleceu antes de ver o sonho realizado. Poderia ter sido o fim daquela
história. Poderia ter sido apenas mais um projeto interrompido pelo destino.
Mas Ermelinda
escolheu continuar...
Entre a saudade e
a promessa feita ao companheiro de uma vida inteira, ela manteve acesa a chama
daquele propósito. Seguiu em frente levando consigo não apenas a memória de
Luiz, mas também a responsabilidade de proteger algo que pertencia aos dois.
Em 3 de junho de
1901, ela assistiu à inauguração da Escola Agrícola Luiz de Queiroz. Naquele
momento, não se inaugurava apenas uma instituição. Materializava-se um sonho
construído por duas pessoas que acreditaram que a educação poderia mudar vidas.
Ermelinda assinou o livro de inauguração da escola, sendo a única mulher.
Hoje a Esalq é uma
referência internacional, como centro de excelência em ensino, pesquisa e
extensão universitária.
Quem atravessa os caminhos da Escola talvez veja árvores, prédios e estudantes. Mas existe algo que não aparece imediatamente aos olhos. Em cada espaço permanece a memória silenciosa de uma mulher que recusou ocupar apenas o lugar que sua época lhe reservava. Ermelinda compreendeu algo que continua verdadeiro: sonhos podem sobreviver às pessoas e, quando cultivados com coragem e generosidade, tornam-se heranças capazes de atravessar o tempo.
O legado do casal
Queiroz se transformou em um sonho compartilhado que sobrevive por mais de cem
anos!
Ermelinda, uma mulher
especial que fez a diferença como protagonista de nossa história!
Ermelinda, uma mulher
especial que fez a diferença como protagonista de nossa história!
Ermelinda apresenta a seu esposo o
resultado de seu sonho
As rendas da minha avó
(Memórias afetivas)
Não tive muito contato com minha avó
materna, que faleceu quando eu contava apenas cinco anos de idade. Mas através
de minha mãe, eu e meus irmãos, ouvíamos atentos as sagas familiares que ela
ouvira desde criança.
Minha avó aportou no Brasil, recém-casada,
vinda da Itália, aos dezoito anos. Nunca mais retornou ao seu país de origem
que ficou guardado na memória e nas lembranças de infância.
Uma mulher muito bonita e determinada que
enfrentou inúmeras dificuldades num país estranho, costumes e língua bem
diferentes, e a saudade que teve de amargar pelo resto da vida da sua terra
natal.
Os filhos foram chegando. Treze ao todo,
mas vingaram dez.
Quanto trabalho, peças para cozer, tachos
de doces, compotas, roupas para lavar, engomar, num tempo de dinheiro escasso. Mesmo
com tantas crianças para cuidar, ainda sobrava-lhe tempo para bordar, tricotar
e fazer crochê
Naquela época não havia empregadas, nem
eletrodomésticos. Tudo era feito manualmente e em casa. As frutas e verduras
vinham diretamente da horta do quintal, orgulho do meu avô.
Na última gestação, que foi gemelar, teve
um parto complicado, sendo que naquela época os partos eram feitos em casa por
parteiras e sem recurso algum que não fosse a experiência delas. Devido a
complicações, por causa de uma hemorragia, ficou com as pernas fracas. E por
conta desse problema, minha avó ficava sentada a maior parte do tempo enquanto
as filhas mais velhas ajudavam a cuidar dos mais novos.
Começou a fazer rendas de crochê. Tecia
metros e metros de delicadas peças, utilizando agulhas e linhas bem fininhas.
Eram trabalhos lindíssimos que ela
produzia sem parar. Fios entrelaçados habilmente e as rendas prontas eram
enroladas em pedaços de papelão. Entre os muitos metros de rendas brancas,
havia também as azuis, cor de rosas, amarelinhas, verdes, algumas mesclando
mais de uma cor, num arco-íris de encher os olhos.
Repartia os rolos de renda entre as filhas
prestes a se casar para que aplicassem nas peças do enxoval, toalhas de mesa,
de banho, panos de pratos. E mais tarde, para enfeitar os cueiros e mantas dos
bebês que iam chegando.
Outro dia, entre os guardados de minha mãe
já falecida, encontrei uma caixa repleta de rendas que para ela, eram
verdadeiros tesouros.
As de cor branca estavam amarelecidas pela
ação do tempo e as coloridas, um tanto desbotadas. Coloquei as brancas de molho
ao sol e voltaram à brancura original, e as de cor, tiveram seus tons
reavivados.
Ainda não decidi onde vou aplicá-las.
Penso que ficarão lindas nos vestidinhos das minhas netas, a quinta geração da
família.
Enquanto admiro o trabalho perfeito, fico
imaginando no que pensava minha avó enquanto tecia as rendas. Numa época em que
não existiam distrações e nem televisão, as mãos se ocupavam enquanto os
pensamentos voavam. No que pensaria minha avó?
A cada laçada, um suspiro, e o coração
cheio de amor, apesar das dificuldades.
Momentos de dor, de felicidade, de
saudade, todas as emoções afloradas e impregnadas nas tramas de cada peça, uma
diferente da outra.
E eu revejo minha avó ora sorrindo, ora
chorando, em seus metros e metros de sonhos tecidos à mão...
Herdei parte dessas rendas e costurei
vestidinhos enfeitados com elas para minha filha. Ela cresceu, se casou, teve
suas filhas, e pude ver minhas netas gêmeas usarem os mesmos vestidinhos,
quinta geração de mulheres da família.
Gratas memórias que guardo como um tesouro
no meu coração.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
POETISAS QUE SE DESTACARAM EM PIRACICABA (In Memoriam)
Piracicaba recebeu o apelido de "Florença Brasileira" e também "Ateneu Paulista", devido à sua rica herança artística, efervescência cultural e por ter sido o berço e refúgio de grandes nomes das artes. O título faz referência à cidade italiana de Florença, um dos maiores berços culturais do mundo. O principal motivo dessa comparação é o grande número de artistas plásticos, escritores, poetas, pensadores, desenhistas, cartunistas, músicos, cantores, atores, contadores de histórias que emergem nessa terra. O apelido foi eternizado no livro Piracicaba, a Florença Brasileira do jornalista e escritor Cecílio Elias Netto, que documenta a riqueza das artes piracicabanas.
A cidade destacou-se no cenário nacional desde cedo. O renomado pintor Almeida
Júnior, um dos maiores nomes da pintura brasileira, viveu e produziu obras
marcantes no município. Outros artistas locais, como Alfredo Volpi e também as
poetisas:
Marina Tricânico , Maria Cecília Machado Bonachella, Dulce Ana da Silva
Fernandez e Virginia Pratta Gregolin, todas “in memoriam”. Vou citar um poema de cada, que dentre tantos
outros, fizeram delas grandes poetisas. Elas nasceram e/ou se destacaram em
Piracicaba com suas obras, reforçando o título de berço das artes, que muito
honra nossa cidade.
(foto álbum de formatura Sud Mennucci colorizada por Ivana Negri)
MARINA TRICÂNICO
AQUELA MESA...
Aquela escrivaninha onde eu
sonhava,
Aquela mesa amada e pequenina.
Era só nela em que me refugiava
Para compor meus versos de menina.
E, debruçada sobre ela, eu ficava
Envolta pela noite peregrina.
Cheia de sonho, ingênua, acreditava
Na cigana que lera a minha sina...
Ah! Se eu pudesse achar aquela
mesa,
— Minha ternura— tenho bem certeza,
Ao começo da vida voltaria...
E chorando qual tímida criança,
Eu dela cobraria uma esperança,
E a volta dos meus sonhos, pediria...
MARIA CECÍLIA MACHADO BONACHELLA
DECISÃO
Não vou mais escrever, é minha
escolha.
Hei de deixar os meus papéis em
branco.
- tirem da minha frente – agora!
– a folha
Ou eu mesma a rasgo, ou então, a
arranco.
Qual garrafa ao mar tendo presa a
rolha
Ou caramujo enrolado, eu me
tranco.
Esta mágoa não mais meu peito
molha
Estou sendo sincera, o gesto é
franco.
Já nem mais quero rimas, ser
poetisa;
O verso se despede e agoniza
Sem remorso. É o que a alma
determina.
Não tem lugar no peito, nada
inspira.
Não, nada existe: amor, ódio ou
ira.
Apenas se extinguiu, secou a mina.
DULCE ANA DA SILVA FERNANDEZ
Quando?
Já não sei
Quando sou:
A mulher vaidosa,
Mãe carinhosa,
Vovó coruja,
Esposa-amante,
Ou uma simples poetisa.
Já não me importa saber
Qual delas eu sou,
As vantagens de ter mais
De oitenta anos de idade,
É poder ser todas
Ao mesmo tempo.
É não ter medo
De num triste dia nublado,
Ouvir cantos gregorianos,
Olhar ao espelho
E não enxergar mais,
Nenhuma delas.
VIRGINIA PRATTA GREGOLIN
PREMEDITAÇÃO
Se tudo fosse
premeditação,
Nada aconteceria por
acaso,
Nós não teríamos tanta
intuição
Para elaborar o nosso
próprio vaso.
Fazer valer nossa
predileção
No cultivo da flor, se
for o caso.
Quem premedita terá o seu
quinhão,
Felicidade sem nenhum
atraso!
Vai longe o pensamento
comandando,
Do coração a rédea, já
sem freios,
Como as ondas do mar se
vão rolando.
Se tantas causas
justificam os meios,
200 anos da Festa do Divino de Piracicaba
Elisabete Jurema Bortolin
Minha Experiência Vivida
na 197ª Festa do Divino Espirito Santo de Piracicaba
Os fogos de hoje, mesmo
que sem estampidos, são para lembrar as fogueiras do passado. Lembrando que foi
o então prefeito Viegas Muniz que instituiu o encontro dos barcos no Rio
Piracicaba, pela primeira vez, na festa de 1826.
Quando
a Bandeira escolhe seus guardiões
Ao lado do professor
Adolpho Queiroz, passamos a ser festeiros do Divino. E, sem que eu pudesse
imaginar, iniciava-se uma das mais profundas peregrinações da minha própria
vida.
Foi
a Bandeira quem me ensinou.
Levamos a bandeira a 70
lugares que conduziu meus passos por ruas antigas, bairros, igrejas, casas
simples, estabelecimentos comerciais e lugares onde a fé permanecia silenciosa,
mas viva. Em cada porta aberta, um olhar emocionado. Em cada abraço, uma
história. Em cada oração, a certeza de que o Espírito Santo continua
encontrando morada onde existe esperança.
Neste ano, a grande
atração do leilão foi uma Imagem de Nossa Senhora Aparecida, doada pelo cantor
Daniel, aliás José Daniel Camilo, que saiu de Brotas para encantar o Brasil, que
foi o maior arremate já conhecido na história da festa. Superando, em muito, os
lances dados para a compra das leitoas e outras prendas ofertadas.
O
encontro dos barcos
A experiência de ter ido
no Barco dos Irmãos do Rio de Cima, para encontrarmo-nos com os barcos dos
remadores, representando os Irmãos de Baixo, foi inesquecível.
Quando embarquei levando
a Bandeira-Mãe, compreendi que algumas experiências não cabem nas palavras.
O Rio Piracicaba parecia
guardar, em suas águas, a memória de quase duzentos anos de fé. Das pontes, das
margens e das embarcações surgiam aplausos, orações, lágrimas e sorrisos. A
cidade inteira parecia respirar no mesmo compasso.
No barco seguiam três
bandeiras. A tradição dizia que apenas a Bandeira-Mãe deveria navegar. Naquele
dia, porém, duas outras a acompanhavam.
Enquanto as observava
balançando ao vento, uma compreensão silenciosa tomou conta de mim. Não
procurei explicações. Apenas senti.
Ali estavam, para meu
coração, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
A Trindade navegava sobre
as águas do velho Piracicaba, restando apenas uma paz profunda.
No
ritmo da Congada
Após a missa da passagem
da bandeira para o próximo casal festeiro, acontece a Congada. Ver as
senhorinhas e senhorzinhos vestidos com traje oficial da festa. Roupa Branca,
com fitas vermelhas, gravatas cheias de medalhinhas, boina branca com o símbolo
da Irmandade, sapatos brancos e meias brancas. Um cuidado nas vestes que demonstram
o carinho, o amor pela festa de fé e tradição.
Nos passos
compassados dos congadeiros, nos bastões marcando o ritmo e, sobretudo, na
alegria serena estampada no rosto de homens e mulheres que mantêm viva uma
tradição secular.
Participei junto com o
pessoal quando foi aberta a roda para todos participarem. Ritmo suave, gostoso,
batida forte e firme.
Ser festeira
do Divino foi, para mim, muito mais do que uma honra. Foi uma convocação da
própria história de Piracicaba para que eu pudesse compreender, enfim, que a fé
também se escreve também se canta e também se navega.
Desde então,
a Festa do Divino deixou de ser um acontecimento do calendário.
terça-feira, 23 de junho de 2026
"Eu só sei que nada sei"
“Eu
só sei que nada sei”
Ivana Maria França de Negri
Essa frase
antológica é atribuída a nada mais nada menos do que a Sócrates, um dos maiores
filósofos que a humanidade conheceu.
Passava noites em claro estudando, lendo, tentando desvendar enigmas
complicados. Entrava em estado de arrebatamento
e sua mente efervescia.
Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse fazendo,
ficava imóvel por horas, meditando sobre algo que pretendia decifrar. Certa vez
o fez descalço sobre a neve, segundo os escritos de Platão, sem perceber que
seus pés estavam congelando.
Num desses
momentos de transe, Sócrates criou a célebre frase “eu só sei que nada sei”,
pois quanto mais se aprofundava nos estudos, via o quão pequeno era diante da
grandeza da Sabedoria Universal, das verdades atemporais. Sua sabedoria
despertou a inveja dos poderosos que o acusaram de corromper os jovens e foi
condenado a beber cicuta, potente veneno, sua pena de morte.
Quando vejo
pessoas que, por terem algum estudo, se acham num patamar acima das outras,
penso que essa arrogância denota que nada aprenderam. Os maiores sábios da
humanidade eram extremamente humildes.
Essa é a prova de que são realmente sábios, a humildade.
Lembro
perfeitamente de quando eu tinha sete anos, já alfabetizada, sabendo ler, escrever e fazer contas, na minha tola e
pueril arrogância, pensei que já sabia tudo, e achava que nos tantos anos
escolares ainda pela frente, nem teria mais o que aprender! Só quando os anos
vão passando é que a gente reconhece nossa imaturidade e ingenuidade e o quanto
ainda temos de aprender. Até o último dia de vida, estaremos aprendendo.
Ninguém sabe mais
do que ninguém, apenas estão em estágios diferentes de aprendizado. E não são
apenas os bancos escolares que ensinam, a Vida ensina muito mais! Se não
aprendemos pelo amor, teremos de aprender através da dor. A dor, sábia mestra, faz
a vida parar, e todas as coisas inúteis passam para segundo plano. É a hora do
despertar, quando a pessoa passa a se olhar por dentro, procura sua essência e
quer se encontrar, decifrar os porquês da existência, e por isso ela cresce e
evolui.
Os maiores sábios
da história, Jesus, Buda, e santos como São Francisco, eram humildes, mesmo com
sua vasta sapiência.
Se formos
comparar, sempre haverá alguém que sabe mais e alguém que sabe menos do que a
gente. O que ainda está na ignorância, vai aprender mais cedo ou mais tarde,
pelo amor ou pela dor. É a Lei Universal da evolução. E a cada passo do saber
que se dá, não se volta mais ao anterior.
A poetisa Cora
Coralina muito aprendeu com a vida e é a autora da frase:” Feliz aquele que
transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Ela via a educação como uma troca
enriquecedora, pois quem ensina não apenas transmite conhecimento, mas aprende
também, ao interagir com o outro.
E concluo que não
importa o quanto sabemos e sim o que fazemos com o saber. Jesus ensinava
através de parábolas, historinhas que chegavam ao coração daquelas pessoas
simples, histórias que falavam de semeadores, de pescadores, de tudo o que eles
entendiam. Platão era discípulo de Sócrates e Aristóteles foi discípulo de
Platão, santo Agostinho adaptou a filosofia de Platão para a doutrina cristã; e
assim, sucessivamente, a sabedoria universal foi sendo repassada para as
gerações. Quem sabe e guarda para si é egoísta, e toda sabedoria que adquiriu, será
inútil e desperdiçada.
Sonho Possível
Maria de Lourdes Piedade Sodero
Martins
(Trovas por uma ACADEMIA, Versos à
CASA DA PALAVRA!)
Sonhada
sede queremos
para
nobre Academia!
Nós
a glorificaremos
com
toda a autonomia!
Quem
sabe, já a caminho
um
espaço acolhedor!
Registrado
em pergaminho,
sonho
de grande valor!
Mentes
sensíveis, radiantes,
abertas
ao bom e belo
farão
ofertas brilhantes
atendendo
nosso apelo!
quarta-feira, 13 de maio de 2026
A busca da luz
Paulo Ricardo
Sgarbiero
Por
que o inseto procura a luz?
O
que busca?
E
nós? Que “luz” buscamos?
Quem
/ O que / Onde é a luz de nossa vida?
Por
vezes, buscando minha luz, viajo no tempo . . .
Relembro
pessoas, relembro momentos.
Foram
dois casamentos que acabaram, que me deram um casal de filhos lindos e uma neta
maravilhosa.
Deram-me
muitas histórias, alegres e tristes, boas e ruins, mas assim é nossa trajetória
em busca de nossa luz.
Mas
. . . me veio a mente agora, outra forma de entender. Certo! Errado! Não sei.
Mas
precisamos SER a nossa luz!
Buscar
alegria na vida, sustento, saúde, amor . . . tudo o que nos aprouver.
Quando
formos luz, enxergaremos o caminho para buscar outras luzes que nos completem.
domingo, 10 de maio de 2026
Mães Brasileiras
Aracy Duarte Ferrari
Mãe:
Palavra docemente pronunciada
sonhos acalentados
personificados sentimentos.
Essência do belo
a suprir desejos
e expectativas…
Mãe! Na alma e no espírito
o instinto materno,
familiar e harmonioso.
Prudência, equilíbrio terno,
bom senso no desenrolar de
sequências e consequências
a conquistar espaços.
Alma e pensamentos femininos:
bem brasileiros, maternais,
unem os filhos no maior abraço
mais que as mães de outros povos,
bem mais!























