As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Joia dos meus Sonhos

 


Leda Coletti

 

Joia dos meus sonhos !... Deixo escapar em voz alta minha admiração e a musa me sorri tão bonita!! Como que embalada pelas palavras acariciantes, desliza nas águas de um caudaloso rio suavemente. Parece mesmo sumir numa densa névoa de esplendor. Vou ao seu encalço mas, ela num rodopio gostoso, desaparece nas águas claras e profundas.

Fico estático, olhando fixamente para o ponto onde sumiu. Sua impressão deveras forte continua a ocupar o espaço a minha frente. Acompanho sua trajetória até o fundo do rio, e consigo enxergá-la na paisagem embaçada, recostada ás outras companheiras. Seu colorido se sobressai sobre as de diferentes matizes, lembrando ouro, esmeraldas. Nelas se recosta tranquila  e soberana.  No silêncio  se impõe

Sou mesmo um felizardo, pois  vou ao seu encontro e candidato-me a embalar seu sono repousante e velar pela sua proteção. Construo para ela um nicho incrustado de diamantes, safiras, ouro. Nada quero em troca. Só o puro prazer do êxtase.

E, nessa magia de deslumbramento, acordo sobressaltado, com o tilintar de algo próximo a  mim. O despertador era, pois eu conhecia muito bem o  seu som estridente e mais demorado.

Procurei o objeto do barulho, causador da interrupção do sonho inesquecível.

Qual não foi minha surpresa ao constatar que se tratava da aliança de ouro de minha mulher, que a deixara no criado-mudo. Acredito que devo tê-la derrubado ao solo com o meu braço direito, ávido em tocar a musa dos meus sonhos. Apanhando-a, observei sua parte interna, onde estava meu nome gravado. Olhei enternecido para  a mãe dos meus dois filhos que dormia sossegada, e sussurrei-lhe ao ouvido: -“mulher, você é joia mais linda que possuo na vida!”

*Cartas de Amor

Ivana Maria França de Negri

            As novas gerações jamais vão sentir a emoção que os mais antigos vivenciavam ao receber uma carta. Principalmente as de amor, tão ardentemente aguardadas.

            Numa época em que não existiam redes sociais e e-mail, o correio era a única forma de se corresponder. A telefonia ainda estava engatinhando e raras pessoas possuíam aparelhos telefônicos. Hoje em dia, trocam-se mensagens instantâneas com pessoas de qualquer parte do planeta!

            O carteiro era aguardado no horário habitual. Quando trazia uma carta, havia todo um ritual. Abrir com cuidado para não rasgar, sentir o perfume - os namorados sempre davam um jeito de perfumar as cartas ou colocar dentro pétalas de rosas ou pedacinhos de mata borrão com o perfume que usavam. Depois, ir para algum cantinho sossegado e saborear cada palavra, ler e reler tudo para captar o que o outro dizia nas entrelinhas porque as cartas eram muito respeitosas e formais, e muitas passavam pelo crivo dos pais mais rígidos.

            Eu sempre soube da existência daquela caixa vermelha amarrada com fita de cetim na casa dos meus pais. Sabia que continha correspondências de quando foram namorados, mas nunca tive a curiosidade de lê-las.

            Quando minha mãe faleceu, a caixa ainda ficou esquecida numa gaveta por doze anos, até que meu pai partiu também para encontrar-se com seu grande amor. Arrumando as coisas da casa, a caixa reapareceu. O que fazer com aquelas cartas?

            Ao abri-la, encontro um bilhete com a letrinha da minha mãe: “Lindas cartas de amor! Podem ler à vontade, são cartas sinceras como quem as escreveu. Um dia devem ser queimadas, quando o casal não mais existir”.

            Foi então que comecei a ler, já que havia autorização de um dos autores. Emoções começaram a fazer minha vista embaçar. Cartas escritas entre 1942 e 1950. Transporto-me para aquela época. Cada carta é um testemunho histórico daquele tempo. Meu pai contava as últimas notícias da guerra, das viagens que fazia nas jardineiras, uma aventura, ainda mais quando chovia e a estrada de terra fazia a jardineira atolar. Todos desciam e ajudavam a desatolar. As viagens eram demoradas e cansativas. Não havia lugar reservado. Vendiam mais passagens do que havia lugares e muitos ficavam horas e horas em pé, e o transporte era precário e balançava muito!

            Dentro de várias delas, santinhos, cromos, desenhos, coraçõezinhos vermelhos, marcas de batom... Como não se emocionar?

            Minha mãe, jovem professora do Grupo Moraes Barros, contava sobre seus amados aluninhos, e numa delas, sobre uma visita solene do governador Ademar de Barros na escola, quando ensaiou seus alunos para se apresentarem. Ela mesma inventava os figurinos, as danças e as canções.

            Fernando Pessoa disse certa vez que “todas as cartas de amor são ridículas”, mas ele se enganou, são maravilhosas! As palavras que mais aparecem em todas as cartas são “saudade” e “amor”.

            Eu ficaria aqui horas escrevendo minhas impressões sobre elas.  Falavam sobre as músicas que ouviam, dos sonhos que sonhavam, da contagem dos dias que os separavam para estarem juntos e todas essas doçuras que o amor coloca no coração dos apaixonados.

            Depois se casaram e viveram felizes por quase sessenta anos!

            Agora, a dúvida cruel...Queimo ou não queimo???...


*Texto publicado na Gazeta de Piracicaba

 



 











sábado, 20 de fevereiro de 2021

Silêncio


Elisabete Bortolin

Silêncio quer dizer interiorizar-se.

Aprofundar-se, mergulhar no âmago do seu ser.
EU SOU o silêncio da alma ouvindo a voz de Deus.
EU SOU a plenitude manifestada no silêncio.
EU SOU o silêncio do nascer do sol.
EU SOU o silêncio do entardecer na Ave-Maria.
EU SOU realizada no silêncio conquistado na mente.
EU SOU imaculada no silêncio da pureza.
EU SOU o silêncio da velocidade da luz.
EU SOU o silêncio desvendando mistérios.
EU SOU o silêncio da noite nas profundezas do ser.
EU SOU a Presença manifestada no silêncio do olhar.
EU SOU a meditação no Silêncio.
Silêncio!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Minha língua em sua vida


 


Olivaldo Júnior


Para o "Anjo de Lisboa"

 

Minha língua em sua vida

não importa nem um pouco,

mas eu driblo a despedida,

marco um gol e acabo rouco...

 

Uno as línguas que há no mundo

numa língua condoreira,

que, ao morrer no mar profundo,

funda a língua brasileira...

 

Feito um santo do pau oco,

canto versos para um "anjo"

que me deixa quase louco...

 

Anjo luso, de asas rubras,

traga paz a este marmanjo

e esta língua redescubras!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Motemas



Irineu Volpato


quantas eram as cadeiras na calçada
aos sábados à tarde em nossa porta
- amigas de mamãe amavam celebrá-la

era tão pobre nossa vida ali roça
que havia uma só lamparina em nossa casa

quando voltarão as tardes de nuvens derrubadas
comboiando-se ocaso-sol ?

naquela hora em que sol fica cochilando
sua preguiça despedindo-se do dia

vamos rezar pelos que insistem

enfeitar a vida

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

MESTRE



Shirley Brunelli Crestana

 

Inigualável Mestre

meus olhos já percorreram

o infinito espaço sideral

e já passei

pelas encruzilhadas de muitas vidas...

Revesti-me de muitas formas

ao longo dessa milenar jornada

e vazias continuam minhas mãos

nada tenho para te ofertar

nesse Natal.

Ainda assim

vou te fazer um pedido

algo que afete toda a Criação...

Jesus

silencia o mundo

e coloca

no coração do ser humano

a compaixão!

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Retrospectiva da Literatura em 2020



 O ano de 2020 foi um ano diferente. Com a quarentena e o “fique em casa”, muitos lançamentos, reuniões e comemorações tradicionais, foram cancelados ou adiados  para depois da pandemia.

Mas mesmo assim, o segmento  Literatura esteve ativo com muitos lançamentos virtuais.

26 de Janeiro

Lançamento do livro de Jairo Ribeiro de Mattos " Anos de Minha Vida e Cidade Geriátrica'.

Jairo veio a falecer em julho deste mesmo ano.




Fevereiro 

Falece o escritor Olivio Alleoni

 O vereador Pedro Kawai concede Moção de Aplausos para a página Prosa & Verso, pelas mil edições, Organizada pelas escritoras Carmen Maria Fernandez Pilotto e Ivana Maria França de Negri. E também concedeu homenagem póstuma a Ludovico da Silva, um dos idealizadores do projeto. A Tribuna, através do seu editor Evaldo Vicente, também recebeu a Moção de Aplausos.

1 de março

Lançamento do livro infantil bilíngue “Edmundo o Gafanhoto Arteiro e Serafina a Baratinha Assanhada” de Carmen Pilotto e Ivana Negri no Espaço Pipa do Engenho. Tradução de Fernanda Bacellar e ilustrações de Renato Fabregat. Parte da renda foi revertida ao Espaço Pipa que trabalha em projetos de inclusão e capacitação de crianças e adolescentes com Síndrome de Down.

 


14 de março

Lançamento do livro “De Tudo Um Pouco” de Toshio Icizuca no Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

 Inauguração da Sala Thales Castanho de Andrade no Instituto Beatriz Algodoal onde ficará o acervo da Academia Piracicabana de Letras.


 Abril, Maio, Junho e Julho 

Foram meses em que não tivemos reuniões, encontros  festivos e  lançamentos de livros por conta da pandemia que isolou as pessoas em casa para não propagar o vírus. Nesse período foram apresentadas muitas lives culturais com entrevistas, música e outras apresentações virtuais.

Carmen Pilotto participou como jurada para seleção de projetos que serão apoiados pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

1º de Agosto

Lançamento virtual do livro infantil “Lenda da Noiva da Colina de autoria de Ivana Maria França de Negri e ilustrações da Ana Clara de Negri Kantovitz. O livro que integra a coleção “Lendas de Piracicaba” tem prefácio de Valdiza Capranico e teve o apoio do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

 


Carmen Pilotto inaugura uma Exposição Virtual de fotos de poemas de sua autoria

 Lançamento virtual do livro de poesias da poetisa  Maristela Negri “A Rosa Selvagem não é uma Miragem”

Lançamento virtual do livro “A Sapucaia da Paz” que conta a saga da sapucaia para crianças, da escritora e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, Valdiza Maria Capranico.

 


Lançamento do livro virtual de Barjas Negri: “Piracicaba Políticas Públicas e Sustentabilidade”


Carmelina Toledo Piza retoma o seu programa semanal Balaio Trançado de Histórias e o primeiro entrevistado é o presidente da Academia Piracicabana de Letras, Vitor Vencovsky,  que falou sobre a vida e obra de Thales Castanho de Andrade,  pelos 130 anos de seu nascimento no mês de Setembro.

 


As acadêmicas Ivana Maria França de Negri e Carmelina de Toledo Piza foram juradas do Concurso de Microcontos de Humor realizado pela Semactur.

 

Os acadêmicos Carmen Pilotto, Ivana Negri, Andre Bueno Oliveira ,Vitor Vencovsky e Valdiza Capranico foram jurados do I Concurso Literário da Rede Birdwatching, Cantos e Encantos das Aves de Piracicaba.


Leda Coletti classificou-se em primeiro lugar com a poesia: “ A noite vai...O dia vem...”

Ésio Antonio Pezzato ficou em segundo lugar com a poesia: “ Coral das Aves”

 

Setembro

A Academia Piracicabana de Letras realiza um evento no Instituto Beatriz Algodoal conferindo o Diploma Thales Castanho de Andrade a três jovens que se destacaram na literatura e ilustração de livros: Ana Clara de Negri Kantovitz, Tiago Betti e Heitor Barbosa Previtalli.

É inaugurado o busto e o site de Thales Castanho de Andrade (www.thalesdeandrade.com.br).

Carmen Pilotto teve sua crônica: De como almas se encontraram e se fundiram num dueto de uma bizarra crônica poética”, feita a partir do Poema Sujo de Ferreira Gullar, selecionada para publicação na Revista Toró em homenagem ao poeta na Semana Ferreira Gullar.

O jornalista Edilson Rodrigues de Morais lançou o livro “Tu és Sacerdote para sempre” sobre a vida do Monsenhor Jorge Simão Miguel

Outubro

Ivana Negri e Carmen Pilotto lançam  o seu livro infantil bilíngue “Serafina e Edmundo” na Amazon, plataforma digital de livros.

 Fran Camargo publicou o livro “Paixão pela Fotografia”, onde expõe 170 fotos que tirou dos últimos cinco anos. São belíssimas  imagens de lugares icônicos do mundo.

A escritora Valdiza Maria Capranico recebeu no dia 22 de outubro, do Rotary Club de Piracicaba Engenho, o Prêmio Geiss  pelos feitos em prol da Cultura e Meio ambiente do município de Piracicaba, sendo o idealizador deste prêmio, Luís Fernando Rebel Machado.

 

Um vídeo com a fala da professora, historiadora e acadêmica Marly Therezinha Germano Perecin, sobre os 250 anos de Piracicaba, circulou nas redes sociais.

 



Novembro

Lançamento do livro “A Passagem da Cidade – Uma Piracicaba que poderia ter sido”, de Francisco Ferreira, autor também do livro “Noites de Pira – O sonho da Boemia Piracicabana”.

Dezembro

O escritor Rafael Gonzaga lança o livro infanto juvenil A jornada de Pablo, uma história de amizade, ficção inspirada em Pablo Picasso.

O historiador Armando Alexandre dos Santos apresenta seu livro em lançamento virtual “Dom Luis na Grande Guerra”, com prefácio do Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança

 


Cecílio Elias Netto lança o livro “Rua do Porto – Pia Batismal de um Povo”, aos 80 anos, um canto de amor à sua cidade natal.



Otacílio Monteiro, poeta e escritor, através de uma live, com poesia e música, apresentou seu novo livro, “Arapuca”.

A escritora e poetisa Dulce Ana da Silva Fernandez lança seu livro “ Folhas de Outono” com contos, poesias e ilustrações da própria autora.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Pra onde, o bonde?

 



José Ochiuso

 

Aceito o convite da manhã

 Na companhia fresca do sereno,

à praça chego a preguiçosas passadas

À Catedral, alta, imponente, clara, envolvente

Às três portas e um altar

Santo Antonio no nicho de Cristo

 Fiéis, véus, devotos

Hinos e salmos inundam a nave

Escuto a palavra, sinto a palavra, emociono-me

O trânsito distrai-me pela porta lateral

A Boa Morte carrega a vida lá fora

Beatos choram a morte do Redentor cá dentro

Não dou ouvidos, duvido e peco, peço licença e avanço

Avança a manhã que me trouxe

Praça a fora recebo o Sol, o céu, o seio da cidade

Árvores, pombos, aposentados, carros de praça e burburinho

Politeama, fechado

Passarella, fechado

O último boêmio tropeçando em bancos

O primeiro sinal do bonde

 Pra onde?                          

 

Aceito o convite da tarde

Na companhia pegajosa do calor,

ao rio chego a suadas passadas

A luz reta embeleza o banco do barco

 que a doce água beija e balança

Barrenta, a água sobre as pedras arrebenta

Saltam do salto peixes à mancheia

Fios invisíveis descem de caniços e penetram a água

Fieiras prateadas reluzem

 e em bolos luminosos se transformam

Corpos adultos musculosos se misturam

 a mirrados moleques mal-alimentados

Que descem o rio agarrados a bóias

Bares, burburinho, bebidas

O velho pescador na soleira

Cigarro de palha e já a garrafa

Cães, vassouras e bolas

O nariz escorrendo, a barriga inchada

A ponte que une as margens

A ponte por onde passa o bonde

Pra onde?

 

Aceito o convite da noite

Na companhia excitante da esperança,

ao salão chego a ansiosas passadas

Vestidos longos varrem o São José engalanado

Ternos improvisados circulam pelo foyer desbotado

 Lancaster e Gardênia, bandejas e garçons

Alguém fuma e começo a sonhar

Bola de cristal rasga a meia-luz

Corpos rodam no salão

Os passos da dança (um, dois, três)

O ensaio dos beijos (um, dois, mais)

O tesão da carne, o tesão do amor, o tesão

A mão a acariciar seios e nuca, o convite pra depois

Tudo roda, tudo em volta, tudo envolve, tudo engolfa

Lábios, línguas, lindas promessas e a última música

O fim do baile, o salão aceso, os pais, a mesura

O amor no bonde

Pra onde?

 

Aceito o convite da madrugada

Na companhia barulhenta dos boêmios,

ao Mercado chego a famintas passadas

Pastel, garapa, Caracu, bom-dias e boxes

Peixes, olhos de peixes, cheiro de peixe

Canários, periquitos, aves gorjeiam como só cá

Envolvem os corredores silvos e sons

Vermelho, verde, amarelo, dos balcões transbordam cores

Cheiro molhado, cheiro doce, cheiro-verde

Balbucio breves sílabas e brinco na branca manhã

Marrom, a Metodista se ergue e diz as horas

O dia se abre ao bonde

Pra onde?

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

Lançamento de livro _ Dulce Ana da Silva Fernandez

 A escritora e poetisa Dulce Ana da Silva Fernandez lançou seu livro “ Folhas de Outono” com contos, poesias e ilustrações da própria autora. Com prefácio de Ivana Negri.

Dulce Ana me pede um prefácio para seu novo livro. Aceito prontamente o convite me sentindo muito honrada, e ela agradece. Mas sou eu quem tem de agradecer tão delicioso presente! Ainda mais sendo genitora da minha melhor amiga, companheira de viagens e de projetos literários!

Doce Ana, como seu próprio nome diz, é uma pessoa doce e  incrível, que ama a Vida! Sempre animada e cheia de energia. E sua alegria é contagiante.  Mulher de múltiplas qualidades, escreve em prosa e em verso, pinta quadros, desenha, e em tudo coloca um temperinho mágico: o AMOR!

E ela tece sua teia de histórias, fala da avó italiana, do marido espanhol, de suas raízes fincadas em terras diversas, da amada Tietê de tão gratas lembranças. As histórias da infância revivem a menina que foi, e ainda mora na sua essência.

Fala de natais, de luares, de estrelas, moinhos, rios, cerejeiras, pescadores, jardins, flores, e encerra o livro com desenhos que alunos fizeram dela. Quanta delicadeza e ternura em cada traço.

A saga da blusa luminosa é fascinante! Quem nunca teve uma blusa ou vestido de brilhos e paetês e nunca encontrou o momento certo de vesti-los?  Objetos dos mais ardentes desejos,  mas fadados a ficarem eternamente confinados numa gaveta.

O conto do terço de pérolas descreve fielmente as ansiedades infantis. Como é bom relembrar avós, pais, casas, ruas e praças da nossa infância e dos amigos que sumiram nas brumas do tempo...

E ela continua a tecer suas teias encantadas e a nos envolver nelas. Entramos nas histórias e as vivenciamos junto com ela.

Obrigada Dulce Ana, por nos trazer momentos tão belos, de pura magia e encantamento.

Este livro é um presente, uma preciosidade. Deve ser degustado como fina iguaria de um lauto banquete. Saboreiem cada verso, cada conto, cada palavra! Bon appétit!

 

Ivana Maria França de Negri

Escritora piracicabana, membro da Academia Piracicabana de Letras, Centro Literário de Piracicaba, Grupo Oficina Literária de Piracicaba e Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba


terça-feira, 29 de dezembro de 2020

ABANDONO


Plinio Montagner

A vida, após a perda de uma pessoa querida, fica insuportável. O céu, a terra, o mar, nossa casa, o quarto, a mesa do café da manhã, a sala de visitas... tudo se transforma num deserto.
Aprendemos, mas esquecemos, que quando tudo vai bem não percebemos nem valorizamos esse tesouro.
Nossos pais, nossos filhos, nossa saúde perfeita, nossa casa, tudo que é maravilhoso muitas vezes ignoramos, e tendemos evidenciar o supérfluo, o banal, ou o deslize de um amigo.
 Percebendo ou não, não há lenitivo que acalme a dor de quem fica da ausência de quem foi embora.
Os que ficam, ficam à procura às cegas, no vazio, do nada, e nada tem sentido. A lembrança cruel não dá trégua.
Amigos ajudam, e muito, por isso buscamos neles um tipo de salvação. Mas, por que deixá-los tristes também; eles têm suas vidas e seus problemas.
A presença dos familiares às vezes faz piorar a melancolia; frases relembram fatos e imagens de momentos maravilhosos, e, nos espaços embaçados vislumbramos semblantes disformes de quem amamos.
Merecemos, talvez, essa provação, esse castigo, é o que parece.
Mas quem foi, e não se sabe para onde, que culpa teve para ser sacado da vida, ser punido, enquanto bandidos ficam zombando dos bons e dos inocentes?
Se Deus existe, acho que Ele não é justo.
E agora? Com quem vamos comentar o filme, o que aconteceu durante o dia, revelar a beleza de um lugar, contar o capítulo da novela e a última fofoca?
Sair sem destino é uma alternativa, mas qualquer caminho não leva a lugar algum.
Abrir gavetas e rever anéis e colares; guarda-roupas para lembrar os bailes; as fotos nos álbuns... é bom, mas é triste - abre feridas.
Casamento é uma prisão consentida, mas de que vale a liberdade sem o a presença do amor?



terça-feira, 22 de dezembro de 2020

NATAL NA ALMOFADINHA

 





                                                                                           Madalena Tricânico

 

                           Viajar e observar os costumes de cada lugar é um mundo encantador. Quem já descobriu procura distribuir com entusiasmo.

                        Foi o que aconteceu quando nossa protagonista viajou para a Europa. Percebeu em vários lugares a imagem do Menino Jesus acomodado artisticamente em uma almofadinha. Acostumada a ver a imagem sempre em uma manjedoura, procurou saber o motivo de tão drástica mudança.

                        - A história nos assegura que o Menino Jesus nasceu em uma manjedoura e não em uma almofadinha de veludo!

                        - A senhora tem toda razão Ele nasceu mesmo em uma manjedoura, mas agora Ele é o Aniversariante e bem acomodado nesta almofadinha poderá participar da Festa do Natal no  aconchego da família.

                        - Que interessante... geralmente ele fica debaixo da àrvore ou lá no presépio...por favor me conta como é na sua família?

                        - Nas nossas famílias Ele vem para a mesa da Ceia do Natal! Depois que todos tomam seus lugares uma das criança entra com o Menino Jesus e todos cantam a canção Noite Feliz, só a primeira estrofe, e na hora da sobremesa o parabéns a Você Jesus. Se a família não tem criança a pessoa mais idosa ou os anfitriões…

                        - Ah! Tem mais...se a ceia não for de lugares sentados, Ele é colocado em destaque na mesa dos pratos salgados ou  de sobremesa,  o ritual é o mesmo.

                        Muito emocionada a viajante agradeceu e saiu pensando que não poderia  deixar passar esta oportunidade de agradecer tão maravilhosa viagem.

                        O tempo passa e ela continua colocando o Menino Jesus em almofadinhas artisticamente decoradas, como o Aniversariante merece, para todas as pessoas que entenderam o significado do Natal.

                        - Como nossa protagonista, Ele já viajou por quase todo o Brasil e alguns voltaram para a Itália nas malas de brasileiros macarrones!!!  

Toalha de Natal

 


Leia Paiva

A toalha de linho bordada à mão,

Mão que há muito já se desfez debaixo da terra,

Mas deixou um legado tão rico e delicado quantos os ramos

Esmeradamente bordados.

Olhando a toalha de linho, viajo no tempo e imagino

Quantas mesas ela já cobriu?

E ainda faz lembrar, com amor e gratidão, quem já partiu.

É herança à primogênita da família,

Quantas noites festivas, em vigília, esta toalha assistiu?

Hoje ela está em minha mesa,

Com certeza, futuramente, na mesa de minha filha.

É Natal! Bendiga esta toalha branca,

Símbolo de paz, união, continuação.

Bendigo a mais um natal que ela está conosco.

A mesa farta, a antiga fruteira de prata com amêndoas, nozes, bolas coloridas

Enfeitando a mesa e a vida,

É Natal! Aniversario daquele

Que nos dá vida

E vida em abundância!

Enche-nos de esperanças, de luz, nosso Amado Jesus!

Estou feliz, há um doce perfume no ar,

Perfume de frutas, cheiro de Panetone,

Cheiro de abraços, de encontros, comidas gostosas,

Mensagens pelo telefone

Há um eco de risadas, de felicidade!

Que esta toalha possa dar muitas alegrias e inspirações

A muitas outras gerações.

Que Jesus derrame sobre nós a santa unção,

Que a paz, a união, o amor, sobrepuje, hoje e sempre

Em nossos corações!

Feliz Natal


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

NATAL DA MINHA INFÂNCIA

 



Elda Nympha Cobra Silveira

 

Lembro-me de uma sala improvisada dividida por um biombo, onde estava montado um pequeno presépio feito com toda singeleza pela minha irmã mais velha, mas que para mim e minhas amigas era uma beleza! Patinhos nadando num pedaço de espelho rodeado de areia e serragem colorida de verde, para parecer grama, naturalmente. Uma manjedoura com Jesus Menino, ao lado seus pais, José e Maria, os animais da estrebaria e uma estrela de papel brilhante pendurada por uma linha de carretel usada para fazer pipas, encimada na frente da gruta.

Jesus pareceu-me tão sozinho, mesmo com seus pais ao lado, tão pequeno e disseram para mim que Ele veio para salvar o mundo. Mas como poderia ser, se ele era tão pequenino? Então pensei:

-- Se Ele pode, talvez eu e todos os outros pudessem também! Mas como? Disseram-me que Ele morreu por nós ! Ah! Eu não teria essa coragem não! Mas não haveria outra maneira de agradá-Lo? Perguntei a minha mãe.

 Ela disse-me que quando eu fosse fazer o catecismo iria aprender.

-- Mas diga-me  agora mamãe, não quero esperar tanto assim!

-- Está bem! Siga os dez mandamentos que você vai aprender com a catequista, mas por enquanto lembre-se deste: “Amar aos outros como a ti mesmo!”

Naquele momento compreendi o que Jesus Menino queria de mim! Ganhara vários brinquedos e um deles com certeza não iria me fazer falta e que alegria teria ao dá-lo para uma amiguinha que não iria receber nada naquele Natal! Esse foi o Natal mais perfeito e construtivo da minha vida e até achei que o Menino Jesus sorriu para mim... Ele não estava mais sozinho naquela pobre manjedoura, eu estava com Ele!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Guiandas ou bolachas

 

                                                                                                  (imagem do Google)


Madalena Tricanico

 

Deixe o espirito do Natal

Envolver todo o ambiente...

Deixe voltar aquela criança

Escondida, mas latente...

Não importa se nos reunimos para

Fazer guandas  de tradição dos italianos

Ou  bolachas de gengibre motivados

Por tantos  filmes americanos.

Montar a árvore no primeiro domingo

Do Advento e batizá-la com um lindo

Presépio de muitas peças coloridas,

Faltando só o Jesus Menino que

Chegará na abençoada Noite Feliz,

Mas vive todos os dias nos nossos

Corações...então é Natal!