As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Era uma vez...


Mardalena Tricânico e Leda Coletti, as mais novas Contadoras de Histórias
(fotos de Ivana Altafin)

Momentos do evento na Biblioteca

Grupo das Contadoras de Histórias


Um Mundo de Fronteiras


Ruth Carvalho Lima de Assunção

No palco da vida passamos sempre representando e, conforme o papel que nos cabe, vamos sempre trocando, isto é, substituindo as máscaras das quais precisamos.
No berço, o pequeno ser já se socorre dos artifícios para conseguir vantagens: ora ri, ora chora e suas máscaras se renovam no dia-a-dia. Em determinadas situações a máscara mal usada começa a pesar.
Por mais que o usuário se esforce para se manter bastante normal, em dado momento, ele se mostra aos olhos do outro como se estivesse apenas representando Ele não é ele. Está aparentando o que não é.
Como são dignos de admiração esses artistas talentosos que vestem a camisa de tantos personagens e precisam voltar ao que são, colocando as próprias máscaras, retratando, na verdade, nem sempre o que são.
É complicado. Cada um querendo ser fiel, enganando os outros que fingem que estão sendo enganados.
Com o correr dos anos a imagem que fazemos de nós mesmos vai se alterando, permanecendo o que ficou para trás sem formas definidas.
As pálidas conclusões que fazemos de nós entram em choque com as que os outros têm a nosso respeito.
Ao nascer, a princípio, parecemos despidos de vontades, mas nosso mapa físico e intelectual já traz os traços de nossa individualidade, registrados na herança genética que sofre acréscimos e diferenças com o contato social que melhora talentos ou acentua deficiências.
Neste mundo global, onde hoje se intensificam as descobertas e a tecnologia avança a passos largos, o homem e a mulher recebem da mídia informações, as mais diversas, e se descobrem cativos das novas implicações, sujeitos às mudanças em seu comportamento e valores.
Então, aos nossos olhos, as transformações que se sucedem nos encantam, e passamos a viver um conto de fadas, um faz de conta. Levados à cegueira, curtimos a vida do momento, sem nos preocupar com o dia de amanhã, com a sustentação do mundo, com suas maravilhas doadas por um ser supremo, para a nossa fruição.
Que estamos fazendo com nossas florestas, com nossos rios, com nossa riqueza animal?
Temos o direito de deixar como herança às próximas gerações um vasto deserto onde os rios secaram, as poucas aves emudeceram e a poesia da natureza é apenas uma memória?
Cobramos e somos cobrados. O valor do ouro grita mais alto. O poder é o alvo, a força mais evidente que derruba direitos, governos e posições.
O poder e o não poder. O luxo sustentado pela miséria.
E dessas confrontações despontam os magos da arte que, com seu lirismo, trazem alegria e conforto às nossas inquietações.
Chico Buarque de Holanda, crítico, observador e humano, retrata em seus versos momentos de dramaticidade, faz das pedras, estrelas, e nos comove com seu apurado talento artístico.

terça-feira, 28 de junho de 2011

CONVITE


Duas integrantes do GOLP, Leda Coletti e Madalena Tricânico serão diplomadas na Arte de Contar Histórias. 
Parabéns às novas Contadoras de Histórias!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Desejo de matar



Eloah Margoni

Já era idosa, com oitenta e dois anos. Lúcida, alta e forte porém, mas um pouco surda e os joelhos inchados de artrose reclamavam do corpo por demais robusto. Nordestina, fazia lindas rendas (de bilro creio), pelas quais ninguém se interessava muito ali no bairro, tanto mais que eram caras e até, no contexto, fora de moda... O marido, mais avançado em anos que ela, sofria de um câncer no aparelho respiratório; estava em fase terminal, com cuidados paliativos.
Ambos viviam em três cômodos pequenos, nos fundos da casa de um dos filhos. Tudo muito acanhado, mas plantavam verduras em pneus e latas e as colocavam em toda parte, até no telhado, o que amenizava bem o local. Além disso, havia uma pequena árvore no jardim...Deixavam, contudo, um pobre jabuti aprisionado e abandonado perto de águas sujas, embasados pela crença de que os quelônios melhoram males dos pulmões; porém isso em nada contribuiu para a melhoria do seu esposo, garanto. Ela cuidava constantemente dele naqueles cômodos malcheirosos e sem sol, onde também era nossa obrigação entrar, e o fazíamos com luvas máscaras.
O paciente acordava muito sufocado à noite, com secreções, que ela aspirava com a ajuda de um aparelho. A olhos vistos, aquela mulher idosa se desdobrava.
Esse quadro se arrastou por bom tempo, até que o doente faleceu. Continuei visitando-a no domicílio periodicamente; um dia ela me contou a seguinte história:
Ainda jovens viviam noutro Estado do país, na zona rural. Tudo era diferente na época. O marido tinha uma amante, segundo ela. Quando voltavam da missa ou vindos da casa de parentes, ele a mandava por um caminho e seguia por outro, para encontrar a amante, no seu entender. Sua mágoa ao me contar isso, parecia bem viva. Parece que o caso durou tempo. Ela teve e criou filhos, porém refere que amante também ficou grávida, e uma noite, quando essa criança teria nascido, ele não veio para casa. Dizia ela que conhecidos lhe traziam tais notícias; também contaram que o bebê nasceu morto. Confessou-me, com um sorriso estranho e malicioso, que gostaria de saber que a mulher, a ex, também já teria morrido! Isso me surpreendeu, pois ela mesma já era bem adentrada em anos, o marido falecido, tudo ia longe, e dava a impressão de que haveria mais com que se preocupar de qualquer forma... O ocorrido era por demais antigo. Mas quem pode dimensionar um coração feminino realmente ferido?
Sei que deveria indagar bem mais detalhes do caso, mas o pudor me impedia. Ou será que foi temor? Tive medo de perguntar-lhe se ela amava o marido e cuidara dele com afeto, ou se, no passado, presa a dificuldades e limitações sociais, emocionais e outras, nunca o pudera deixar nem demonstrar seu rancor. Vê-lo frágil no final, dependente dela, resolvera parte de seu malquerer? Seria isso? Agora, uma notícia da morte da ex- amante deste coroaria totalmente seu êxito!? Faltou-me coragem para destilar toda a situação, faltou-me.
-Muito Machado de Assis, dizia eu para mim mesma, pensativa. Muito Machado...

sábado, 25 de junho de 2011

Espaço Poesia - SILÊNCIOS

SILÊNCIO
Newman Ribeiro Simões


Silêncio
é a metáfora escondida
no verso.


MIGUEL ANGELO


na Pietà
o silêncio
do mármore
comunica
a dor


HAICAI
Francismar Prestes Leal


Breve silêncio...
O telefone toca,
Ansiedade volta.


SILÊNCIOS QUE CURAM
Carmen Maria da S.F Pilotto


Noite límpida
de lua esplendorosa
acalenta minha mente
sedenta de contemplações


Lá fora, o ruído contemporâneo
ensurdece o homem urbano
que negou a sua própria alma
a possibilidade de sonhar...


OUVIR SILÊNCIOS
Ivana Maria França de Negri


A polifonia flui
em todas as coisas
desde o raiar dos tempos


Águas rasgam-se nos vãos das rochas
e discursam caladas


O vento sussurra
na mansidão das campinas
e eleva-se pelas colinas


Florestas rogam por socorro
sob o jugo do machado
e da serra inclemente


Bocas amordaçadas,
gargantas cortadas,
anseiam pelo grito de liberdade
que jamais ecoará


Enquanto olhos esbugalhados
desprovidos de palavras
fazem sermão eloquente


Silêncios voláteis
falam sob as tumbas
ressoam pelos umbrais
e nas torres das catedrais


Nas masmorras,
nos porões,
vozes emudecidas
imploram por suas vidas


Tudo fala
tudo berra
tudo grita
Mas só uns poucos eleitos
têm ouvidos de ouvir silêncios...


SILÊNCIO
Patrícia Neme


No canto do silêncio há dores tantas,
gemidos, desespero, desamor...
E o pranto, que vagueia nas gargantas
dos que, sequer de um pão, sentem sabor.


De quem não conheceu mãos meigas, santas,
no gestual que à alma traz calor;
e deu-se às vãs mentiras... Muitas... Quantas...
Que mostram ser loucura amar o amor.


No canto do silêncio... Quem o escuta?
Quem ouve o sussurrar da humana luta?
Quem ouve o genocídio, o medo, a guerra?


Quem ouve a sombra triste que há no rio
e escuta os animais, com fome e frio?
Canta o silêncio... E implora: paz na terra!


BRUMAS DO SILÊNCIO
Gisele F. da Silva


Nas brumas do silêncio, vi o rosto teu.
Bem definido em seus traços sutis e, ao mesmo tempo fortes.
Carregavas consigo, a bonança no olhar e um sorriso pacífico.
Devaneios e delírios de uma tarde sem sentido, e num ambiente de intensa luminosidade, um relicário diamante dependurava-se em um dos supercílios.
Naquele horizonte um sopro de intenso gozo, vertiginou os pensamentos angustiantes para bem longe, distante de casa.
E, feito bruma, tua imagem se apagou como o passar do tempo, restando apenas o silêncio, de um belo sonho que findou.


SILÊNCIO
Dirce Ramos de Lima


Teus lábios nunca disseram
Palavras de amor...
Tens em todos os gestos
Um melancólico silêncio
Que também às vezes me entristece
Quando sorris.
É teu sorriso
A única resposta para meus anseios


És todo feito de silêncio
Porém
É ao teu lado que vibro e canto,
Como se todo o teu ser
Emanasse luz de vida,
Luz de amor,
Luz de paixão!


Não falas!
Sozinha imagino
Todas as palavras que quero ouvir,
E se, carinhosamente,
Meu rosto junto ao teu peito escondo
Ouço um coração que ruidosamente bate,
E, ouvindo-o, suponho
Que adivinhando meus mudos desejos
Num mútuo silêncio
Teu coração ao meu
Palavras de amor vem repetir
E então
Ouço tudo o que quisera ouvir...


SINOS SILENTES
Lino Vitti


Sinos madrugadores, onde estais?
Que é feito dos badalos cristalinos,
mandando para além sublimes hinos,
convites religiosos ou sociais?


O silêncio baniu-vos, já não mais
vos ouço badalar brados divinos.
Morrestes como todos os destinos,
é por isso que, agora, vos calais?


Ao vir do sol, ao despedir do ocaso,
tanger das torres era encanto até
(nessas saudades a minha alma abraso).


Os sinos estão mudos mas por que é?
Estão mortos os sinos por acaso,
ou estaria morta a nossa Fé?


SILÊNCIO
Jaime Leitão


Preciso de um grito
para reforçar o silêncio.
Para revitalizá-lo.


SILÊNCIO
Maria Cecília Machado Bonachella


Tédio antecipado
vazio enorme.
O Silêncio dorme
dentro e fora
do ser.


Sobre todas as cousas,
naturezas vivas,
mortas e semi-mortas,
o Silêncio dorme.
E o Silêncio tem sentido, conforme
a posição da cousa
na qual ele dorme.


Dentro de um grão pequenino
o Silêncio é um menino
que dorme tranqüilo
sonhando um destino.


Dentro de um mar enorme
ele dorme
embalado pelo
marulhar uniforme
de uma orquestra
bem regida.


Dentro do peito incansável
do poeta
que interpreta
com grande virtude
- a quietude –
ele deveria dormir
toda a vida...



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Amor Além da Vida


Dandara Lima Ribeiro - 8ºA

Mariana era uma garota que nasceu com cegueira, passou toda a sua infância sem aproveitar das belezas da natureza e do lugar onde vivia.
Um belo dia descobre que seu problema poderia ter cura se fosse realizado um transplante de retina em seus olhos.Vai ao médico e fica na enorme fila de espera para doação de retina.
Quando estava com 18 anos, conheceu um belo rapaz que se chama Henrique. Os dois se apaixonaram, e ela sem saber como era seu rosto, e mesmo assim isso não impediu que se apaixonasse cada dia mais pelo o belo rapaz.
Ao ver todo o problema que sua namorada enfrentava por não ter a visão, resolveu ser doador de órgãos assim poderia ajudar outras pessoas com um tipo de problema semelhante ao da sua namorada.
Após uns três anos, resolveram ficar noivos e fazer uma pequena festa para a família. Tudo ocorreu muito bem. Henrique voltou para sua casa muito feliz dizendo que mais um ano e eles iriam se casar.
Durante o trajeto para sua casa, um carro desgovernado bate no seu e joga-o no poste. Henrique morreu no local.
Sua córnea é doada para sua amada que volta a enxergar.
Para vocês verem, o amor remove montanhas e com amor muitos problemas são resolvidos, neste caso, com mais sofrimento para Mariana.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Botão e o Sobretudo

Elda Nympha Cobra Silveira


Eu posso ser um botão que enfeita roupinhas de bebê e, por isso, posso ser como uma borboletinha, um bichinho qualquer e viver cercado de cheirinho de talco, fragrâncias suaves de lavanda e sabonete. Seja como for, estarei sempre envolto por abraços, beijos e carinhos mil. Se estiver num vestido de noiva, serei forrado de cetim e enfeitarei as costas de lindas moças, que adentram as naves das igrejas, circundadas de flores, ao som da marcha nupcial tocada pelo sonoro órgão, num espetáculo de religiosidade e sonho. Mas quando estiver na camisola da noiva na noite de núpcias, onde o romance atinge o clímax, não poderei contar nada, porque estarei jogado em cima da poltrona, aos pés da cama, ou no chão.
Sou um botão grande e redondo que se ajusta muito bem na casa de um sobretudo de lã de cor sóbria, que agasalha um homem charmoso e bonito, que gosta de passear pelo Central Park todos os dias. E lá vou eu com ele! Pela qualidade do casaco e pelo preço pago por ele num magazine de luxo já se pode imaginar a vida que vivo.
Eu e meu dono vamos aos teatros da Broadway, aos restaurantes famosos e aos cassinos onde a roleta gira, muitas vezes sem resultado, e em outras, com a bolinha saltando até cair no número dez, no sete, no treze. Nestas vezes em que ele está com mais sorte, ganha algumas boladas em dólares e mais dólares. E assim, ele vai apostando, enquanto os rostos tensos torcem, esperançosos pela vitória.
Até que um dia a sorte muda e esse homem, jogador inveterado, perde tudo: dinheiro, posses, amigos e mulheres! Assim sua vida vai decaindo, aos poucos, ao ponto até de alguns botões, meus companheiros caírem, deixando nosso convívio.
Por causa do aperto financeiro, assoberbado pelas dívidas, se obriga a vender seu sobretudo para um brechó e ele fica pendurado por um mês num cabide, à espera de um comprador. Um dia me lavaram, me passaram, pregaram os botões caídos, e lá fui eu para lugares muito inferiores aos quais estava acostumado. Acabaram-se os restaurantes luxuosos, os espetáculos de teatro, os passeios em carros do ano e as jogatinas nos cassinos... E consequentemente, fugiram as mulheres também.
Tanto eu como o sobretudo estávamos esfolados e desbotados. Meu novo dono trabalhava à noite como guarda-noturno e eu já não aguentava mais o cheiro de comida que exalava de sua marmita. Fico deprimido vendo seus sapatos tão surrados, com um buraco em uma das solas, que ele tapa, de dentro para fora, com folhas de papelão, para não sentir o chão gelado.
O pobre homem, não suportando o frio do inverno rigoroso, morreu na longa caminhada de volta para seu abrigo,  nem posso chamar de casa aquele quartinho improvisado, debaixo da escada de um prédio. Pessoas retiram o sobretudo do cadáver e o levam para uma casa assistencial. E lá vou eu junto novamente, afinal faço parte dele!
Todos que chegam desviam o olhar daquele sobretudo, desprezado e inútil, pendurado no cabide da arara. Como ele, estou também mais velho, e até lascado de um lado. Os dias passam, semanas, meses... Como ninguém nos quis, acabamos dobrados e esquecidos num canto.
Num sábado modorrento e muito frio, senti de repente um calor gostoso! Era um cãozinho de pelo macio que se deitara sobre nós e ali dormiu tranquilamente. Fiquei feliz, pois trocamos um calorzinho amigo e confortante.
Agora, na minha idade, só quero calor, sossego e companhia...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

À procura de um violão


Lucas Medeiros Raphael - 8ºB

Olha só o que aconteceu comigo tudo por causa do dom que minha irmã pensava ter. Eu e minha irmã fomos ao centro da cidade. Ela dizia que tinha o dom e que iria aprender a tocar violão,
Então fomos atrás desse bendito violão em todas as lojas de instrumentos musicais, subimos e descemos ruas até que ficamos cansados, minha irmã já andava até cabisbaixa, quando de uma hora para outra encontramos um panfleto do Ponto Frio com promoção de violão.
Como eu não conhecia a cidade, não tinha um GPS ou sequer uma bússola, resolvi confiar em minha irmã que dizia “conhecer a cidade”.
Andamos novamente, descemos e subimos ruas, com muito orgulho. Sequer perguntamos a alguém onde ficava essa rua .
Voltamos novamente ao mesmo lugar onde encontramos o panfleto, até que por uma grande sorte ou melhor azar, fui atingido por uma secreção odiosa vinda de um pombo, acho que ele deve ter mirado em mim, naquele momento olho para cima, e vejo um letreiro enorme escrito PONTO FRIO.
Penso então, quanto tempo e trabalho teríamos poupado se o orgulho não prevalecesse e também não teria sujado a roupa.
Concluindo, compramos o violão e o engraçado é que depois de um tempo minha irmã enjoou e nem aprendeu a tocar, então resolveu vendê-lo.

domingo, 19 de junho de 2011

Escritores Selecionados no Mapa Cultural Paulista (Piracicaba) em Literatura 2011/2012



Carmen Pilotto

Carla Ceres
  


Leda Coletti
  

Luzia Stocco e Camillo Quartarollo

Ivana e Cassio de Negri

A seletiva Municipal do Mapa Cultural Paulista 2011/2012, na modalidade literatura, teve como jurados, Carmelina Toledo Piza, André Bueno Oliveira, ambos de Piracicaba e Otacílio Monteiro, da cidade de Limeira.
Foram selecionadas 16 (dezesseis) obras - sendo 06 (seis) poemas, 06 (seis) contos e 04 (quatro) crônicas.
Poemas: Debaixo das Tílias, da escritora Leda Coletti ; Clepsidras, da escritora Carla Ceres; Das areias palmilhadas na infância invasivos habitantes de nossos calçados de adultos, da escritora Carmen Pilotto.
Crônicas: De Ostensílio a Tecnofóssil Vivo, da escritora Carla Ceres; Minhas Mãos,da escritora Ivana de Negri; Ossos do Ofício, do escritor Camilo Irineu Quartorollo.
Contos: A Colecionadora de Ovos, da escritora Luzia Stocco; O Velho Médico,do escritor Cássio de Negri; A sétima Escultura, da escritora Carla Ceres.
Estes são os representantes de Piracicaba na Fase Regional do Mapa Cultural Paulista 2011/2012, na modalidade Literatura.

sábado, 18 de junho de 2011

Teatro da Natureza

Leda Coletti

Observar um cantinho da natureza, só nos torna românticos e agradecidos ao Senhor, por enxergarmos tanta poesia nos seus personagens.
Neste momento o cenário é de flamboyants vermelhos, acácias amarelas, paineira rosa, canelinha verde, rosas rubras, flores do campo douradas, todas rodeando a casa da sede da fazenda.
Aquela andorinha que passou tão célere, saiu do ninho ricamente arquitetado no galho das glicínias que cobre o terraço da casa. Certamente, foi buscar alimento para os seus filhotes que esperam com os biquinhos abertos. Passou rente ao beija-flor de “rabo” branco, que beija um mimo ainda orvalhado. Colibrís verdes- reluzentes disputam espaço para procriarem, bem próximos às grades de ferro de um vitrô, no galho de um arbusto. Não faço maus presságios, mas temo pela sorte das avezinhas quando tentarem alçar vôos e se por infelicidade, o gato preto de pelo liso estiver por perto... O mesmo poderá acontecer com o ninho do tico-tico, o qual foi mais uma vez logrado pelo malandro do “chupim”. Este desapareceu, mas colocou os seus três filhotes para o tico-tico criar.
Os fios da rede elétrica, servem de balanço e suporte para a chegada de pintassilgos, correntinos, sanhaços e rolinhas. Divirto-me com os tizius saltitantes que se exibem nos mourões das cercas de arames, dando trinados acompanhados de um pulo. Foi nesse instante que ouvi um barulho ao lado. Virei-me na direção dele e só pude perceber a gata cinzenta, com a pobre rolinha, que na euforia do pega-pega com as demais companheiras, trombou contra a parede. Logo ouve-se o choro sentido do parceiro. Essa lamentação é abafada pela invasão das maritacas, que aos bandos fazem um estardalhaço no alto do abacateiro. Por possuírem as mesmas cores,verde e amarela, se fazem passar por ruidosos papagaios.
Nosso olhar agora se prende no topo do flamboyant vermelho, onde um casal de pombos do mato faz amor. Em outro ângulo do cenário, vemos doce cena do flerte daqueles sabiás. Ambos nos galhos da murta coberta de flores brancas perfumadas, trocam olhares apaixonados, seguidos de belos gorjeios dialogados.
Como pano de fundo desse teatro, além da chaminé do extinto engenho de pinga, cantam as seriemas. É um canto triste. Isso sem falar dos “més” dos carneiros, comendo o capim no pasto, que começa a ficar de novo verdinho, por causa das chuvas de verão.
Daqui da rede no terraço, nesse final de tarde com um solzinho tímido, após ter chovido gostoso, estou aguardando a próxima cena chegar. Logo mais virá a noite e com ela esses artistas irão repousar, dando lugar à orquestra da saparia, dos grilos, curiangos, urutaus. Por certo nesta negritude haverá a lua, que torcemos para ser cheia e também os vaga-lumes que irão iluminar novos atos artísticos desse teatro vivo da natureza.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

EXERGANDO A SI MESMO, ATRAVÉS DO OUTRO


Ivana Marisa Altafin


Eu me lembro das mulheres e dos homens de antigamente: meus avós, meus pais e meus tios. Como os valores eram diferentes!
O trabalho era o princípio de tudo, era o que importava! Era pelo trabalho que construíam seu patrimônio. Roupas, sapatos, carros, não tinham importância em suas vidas. Eles não tinham estudo,  quase nenhuma instrução, mas tinham sim, muita sabedoria. Importante era a formação dos filhos, sua educação, seu estudo. Naquela época as mulheres não trabalhavam fora, seu trabalho era no lar, como esposa e mãe.
O conhecimento empírico é fundamental, passado de geração em geração, o que somos deve-se em parte ao que nos foi passado pelos nossos pais, avós, tios e outros familiares que convivemos desde pequenos. Sábio é aquele que valoriza e usufrui da vivência dos mais velhos.
Penso que não é o grau de escolaridade que faz uma pessoa, pois existem muitas sem formação acadêmica, mas com uma sabedoria diferenciada, que nos cativam e nos atraem.
Embora seja notável sua emancipação, galgando a cada dia mais espaço em diversos segmentos da sociedade, ainda vemos nos dias de hoje, muitas mulheres distantes de assuntos de relevância mundial, como meio ambiente, família e outros que envolvem a sociedade como um todo. Quem teve a oportunidade de estudar, deveria usar seus conhecimentos acadêmicos atuando de maneira eficaz em prol de uma sociedade mais justa.
Muitas mulheres fazem das suas roupas, das suas bolsas e dos seus sapatos, não o assunto predileto, mas o único de suas vidas. Claro que comprar uma bolsa, um sapato, uma roupa, é bom. Sentir-se bonita (o) é importante, faz bem para a auto-estima, mas antes de buscarmos a felicidade em coisas materiais, precisamos encontrá-la dentro de nós. Como em tudo há um lado positivo, devemos ser gratos a essas pessoas, pois é nelas que temos a oportunidade de nos enxergar.
Quanto mais observamos, mais nos conhecemos, aprendemos e crescemos. Somos humanos, com imperfeições, e, por meio dessas imperfeições diárias do nosso convívio, temos a oportunidade de mudar pois é também no outro que enxergamos nossos defeitos e nossas qualidades.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PROTOPLASMA, admirável base da vida

Ruth Carvalho Lima de Assunção

A claridade amarelada de uma lâmpada de 60 w inundava o cômodo 05 x o4 daquela casa situada no centro da pequena e hospitaleira Piracicaba que guardava o fascínio de suas origens e a certeza de que descortinaria num próximo momento um lugar ao sol. Deixaria de ser o fim de linha, a última estação.
A um canto da sala, sentada ao pé da máquina Singer, mamãe costurava, consertando as roupas da meninada, seus filhos que já freqüentavam o antigo ginásio.
Ao lado a caçula, a menina que completara seis anos e ansiava entrar para a escola para ler todos aqueles livros que o pai sempre lhe trazia. Folheava todos e ia lendo as figuras que lhe contavam histórias de cães, gatinhos abandonados e criancinhas perdidas na floresta.
- Tenha um pouco de paciência, logo você completará seus sete anos e já poderá ir para a escola aprender a ler e escrever. Aí então você poderá ler todos esses livros e vai entender bem melhor essas figuras que você vê.
- Falta muito mamãe, estou com pressa.
Mamãe empurrou para o lado a calça que estava costurando e falou:
-Não sei o que seu irmão faz, vivo só consertando as suas roupas, mas ele é mesmo um moleque sem jeito.
-Mamãe, conte uma história.
- Vou lhe contar, mas é uma história de verdade.
-Sabe filha, nasci em São Pedro de Piracicaba, todos meus irmãos são de lá. Éramos nove, mais papai e mamãe. Uma família bem grande. Que saudade de minha mãe. Ela parecia uma formiguinha, trabalhava sem parar, e além de trabalhar em casa, ainda costurava para a elite de São Pedro. Eram vestidos requintados, maravilhosos, com preguinhas, rendas, bordados e miçangas. Nas festas era quando ela trabalhava mais porque as encomendas aumentavam. Nessas ocasiões eu ajudava a minha mãe nos trabalhos mais fáceis e assim aprendi um pouco a costurar.
-As moças usavam espartilho, uma peça que apertava e deixava a cintura
bem fininha. As moças ficavam muito elegantes, muito charmosas naqueles ricos vestidos. Eu também tinha um espartilho. Guardei muito bem guardado, mas só como lembrança.
- A senhora também usou esse espa...
- Espartilho, filha, eu também usei, até tenho um retrato em que eu estava de espartilho.
- Eu nunca vi.
- Sabe filha, a vida era muito mais difícil. Agora eu posso costurar à noite,
Antigamente não podia, não tínhamos a lâmpada elétrica, ficava tudo muito escuro, a gente ia dormir bem cedo.
-Então mamãe, de noite a gente não enxergava nada?
-Quem tinha a lamparina ainda levava uma vantagem. Ela nos livrava da escuridão completa. Numa garrafinha a gente punha o querosene mais um cordão, acendia a tocha de pano ou cordão e tínhamos uma luz bem fraca que pelo menos nos livrava da escuridão completa. Agora, se naquele tempo tinha caixinha de fósforo eu não me lembro, mas sei que no fogão de barro estavam sempre pedaços de madeira queimando e muita brasa.
O fogão de lenha nos dava a claridade e o calor, a lamparina nos deixava com o nariz preto. Graças a Deus os homens descobriram outros meios para termos a luz.
Nas noites frias todos ficavam conversando ao pé do fogo. Eram muitas histórias. E cada um contava uma, só histórias de dar medo. Então a gente rezava para espantar o demo.
Certa vez apareceu um rapaz que era amigo de seu tio Zeca e mudou as nossas conversas. Por um bom tempo deixamos de contar histórias de arrepiar.
-A gente dizia que o Robertinho era muito inteligente e sabido.
-Não é nada disso, é que eu leio muito e estou sempre acompanhando tudo o que acontece aqui no Brasil e no mundo.
- Você que sabe tudo, diga de onde vem o querosene, gritou minha irmã Isabel.
- O querosene vem de muito longe, é preciso atravessar o mar, viajar muito para comprá-lo lá nas terras dos árabes.
- Mas a dona Nhanhã me disse que o seu tio tira o querosene lá do fundo de seu quintal. Ele faz um buraco bem fundo, desce por uma corda e pega o querosene, retrucou a sabe tudo, a Isabel, sua tia
- Pode até ser que um dia isso aconteça, disse o Roberto sorrindo.
- Outro dia eu li num jornal, lá em São Paulo que o Sr Monteiro Lobato, aquele homem que escreve histórias para crianças, que aqui no Brasil tem petróleo, tem muito petróleo.
-Mas nós precisamos do querosene, ora bolas, respondeu a Mariinha.
-Acontece que o querosene é um produto do petróleo.
- O moço continuou contando muita coisa que a gente não sabia.
- Mamãe, peça para o papai me trazer um livro desse homem que escreve história para crianças.
-Sim, eu vou falar para o seu pai, mas agora vamos dormir que já é tarde.
-Bença mãe, estou morrendo de sono.


Adenize Maria Costa

Se tem uma graça que peço diariamente a Deus é o dom da fé.
Não dá pra saber se minha fé é grande, pequena, se tenho muita ou pouca... Interessante é que Deus se utiliza das outras pessoas para que eu aprenda a respeito desse dom e o queira cada vez mais.
Essa história de Dona Nazaré é igual a outras tantas e me ensinou muito a respeito da Fé:
Dona Nazaré tinha três filhos. O mais velho e a filha já são casados têm filhos e levam a vida, como todos nós, com muito trabalho, algumas dificuldades, mas com esperança de dias melhores... O filho caçula, infelizmente, perdeu a esperança na vida. Ninguém, e nem mesmo Dona Nazaré sabia por que.
Dona Nazaré, muito religiosa, uma pessoa muito boa e caridosa, criou os filhos com o mesmo amor. Mas o filho caçula se perdeu no mundo das drogas.
Penso que nenhuma mãe merece essa desgraça... Nenhuma mãe merece ver o filho nessa situação, a margem da vida, a margem da sociedade...
Dona Nazaré sofria, mas nunca desistiu desse filho, mesmo sabendo que a batalha era difícil... Ainda assim não deixou de sorrir e nem ficava chorando pelos cantos a sua dor. Rezava o rosário diariamente, em horários fracionados: às seis da manhã, ao meio-dia e às seis horas da tarde. Não perdia uma missa na comunidade.
Quando um dos filhos mais velhos reclamava do irmão, ela retrucava com autoridade:
”Não fale assim! É seu irmão e eu já entreguei ele à Deus e à Nossa Senhora e que seja feita a vontade de Deus”.
Nessa fé e nessa esperança passaram os meses e passaram-se os anos... Uma noite o pior aconteceu... O filho mais novo de Dona Nazaré fora assassinato por causa de uma divida. Os dois filhos mais velhos receberam a notícia quase que ao mesmo tempo, ficaram apavorados, mas resolveram não contar imediatamente para a mãe. Optaram por deixar pra dar a notícia assim que o dia clareasse, dessa forma seria poupada do cansaço, porque certamente passaria a noite toda no velório, sentada, chorando a morte do filho.
E assim foi feito. Quando, na manhã seguinte o filho mais velho foi falar com Dona Nazaré, já a encontrou em pé porque estava se preparando para rezar o terço das seis horas. Quando viu o filho chegando, Dona Nazaré sentiu como um arrepio o percorrer-lhe todo o corpo. Abriu a porta, olhou nos olhos do filho e sabia que havia muita dor ali, o abraçou e choraram juntos por uns dez minutos. Logo em seguida pediu ao filho que esperasse mais um pouco que iria se aprontar e que agora de nada adiantaria ter pressa.
A essa altura o telefone da casa começou a tocar, quase que sem parar, eram os familiares querendo saber como Dona Nazaré estava e ela mesma atendia aos telefonemas e consolava as pessoas.
Perto das nove horas, Dona Nazaré chegou ao velório de seu filho. Aproximou-se do caixão, fez um carinho no rosto do filho morto e chorou silenciosamente. Todos os que lá estavam, ficaram preocupados em Dona Nazaré sentir-se mal, desmaiar, ou gritar a plenos pulmões por causa da dor que sofria naquela hora.
Para a surpresa de muitos e espanto de outros, assim que conseguiu conter as lágrimas, Dona Nazaré olhou ao redor e disse, com serenidade: “Hoje sinto um vazio aqui” colocando a mão no ventre. E levando a mão na altura do coração disse: ” E aqui parece que me foi arrancado. Agradeço a cada um de vocês que estão aqui para dividir comigo um pouco dessa dor”.
Todos choravam em silêncio. Dona Nazaré levou a mão no bolso de sua blusinha de lã, pegou o terço e começou: “ Eu creio em Deus, Pai, Todo Poderoso. Criador do céu e da terra...”

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Língua Judiada

Pedro Israel Novaes de Almeida

Não será fácil erradicar alguns atentados à língua pátria, pois os erros já fazem parte do dia-a-dia da população, inclusive de sua parcela letrada.
Políticos são especialistas em conclamar os pares a evitarem as cadeiras. Vivem, com orgulho, propondo que todos sentem na mesa, para conversar.
A omissão de uma simples crase pode transformar um prefeito assistencialista em pedófilo, caso o anúncio oficial noticie que o prefeito deu de comer as crianças. No português corrente, é comum o lamento pelas percas, que ocasionaram menas disposição para produzir.
Nas receitas culinárias e conselhos domésticos, é comum a existência de utilidades embriagadas, pois, não raro, é sugerida a utilização de panos de prato embebedados em álcool. São muitos os plenários municipais onde os oradores confessam que vévem auxiliando o povo.
No trânsito, a utilização de termos indevidos pode soar estranha, se o cidadão alegar que foi atropelado enquanto passava pela faixa de pederastas. O novo modismo envolve o afetuoso beijo no coração, procedimento fatal.
Existem casos em que não há maltrato à língua, mas ofensa ao senso. Assim, portar uma mensagem de que Deus é fiel é como bradar que a água é molhada.
Vez ou outra, algum entendido resolve declarar que alguma expressão que usamos, à exaustão, não é correta, e não é fácil modificar um antigo hábito. Assim, sempre dissemos que há risco de vida, quando na verdade o risco é de morte.
Grande parte dos brasileiros busca fortalecer o sentimento de grupo, e acaba atropelando a língua, com expressões do tipo “a gente vamos”. Algumas colocações sempre deixam dúvidas, como a notícia de que determinada pessoa suicidou-se. Ora, o suicídio só pode ser contra si próprio.
Os corretores de textos, automáticos nos computadores, mais corrigem que ensinam, e continuamos escrevendo errado, na certeza de que haverá a providencial correção. Outrora, em presença de dúvida quanto à grafia correta de Bahia, mudávamos a história para o Paraná, e os corretores de texto aboliram tal martírio.
É enorme a distância entre o idioma escrito e a língua falada, e todos estranhamos o cidadão que fala da mesma maneira que escreve. O correto seria nossos ouvidos estranharem o português mal manejado, mas, em nossa ignorância, tendemos a considerar pernóstica a boa fala.
Mal falávamos o português do Brasil, e trataram de modificá-lo, buscando igualá-lo ao utilizado por outros povos. A medida é estressante e desnecessária, pois força a derrocada de antigos hábitos, já presentes em nosso dia-a-dia.
Enquanto professores de português buscam desmistificar o idioma, diversas emissoras de rádio e TV tratam de cultivar erros grosseiros. Enquanto isso, o MSN cuida de popularizar tais erros, em versão abreviada.
Não somos versados no idioma, e, quando alguém diz haver comprado a vista, ficamos em dúvida se adquiriu um olho ou fez alguma compra em parcela única. Certo ou errado, o idioma acabou salvando o articulista, em semana sem assunto.