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quinta-feira, 6 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Álbuns de Figurinhas de Futebol
ÁLBUNS DE FIGURINHAS DE FUTEBOLLudovico da Silva
No tempo do futebol romântico, mesmo quando passou a ser profissionalizado, mas jogado com espírito amador, dificilmente um atleta trocava de clube com tanta facilidade como acontece nos dias atuais. Escolhia o clube do seu coração e de lá não saía mais, a ponto de muitas agremiações erguerem em seus recintos estátuas como merecida homenagem. Hoje é muito raro acontecer isso.
Bem a propósito, naquelas priscas eras havia a publicação frequente de álbuns de figurinhas de craques do futebol, sobretudo dos dois maiores centros, São Paulo e Rio de Janeiro, que reuniam as maiores figuras do esporte das multidões, atletas consagrados e nomes certos para as seleções brasileiras.
Em razão do interesse e curiosidade que despertavam os álbuns eram disputados entre os garotos, que se reuniam para a troca de figurinhas divulgadas em número maior, que satisfazia os dois lados, ou em disputa no “bafo”, tão renhida como os próprios jogos em que os craques se enfrentavam. Havia, também, a figurinha carimbada, tão difícil de ser encontrada na distribuição que se fazia e que valia uma nota alta para quem quisesse completar o álbum. Não raras vezes, isso só acontecia quando se completava a coleção, que merecia prêmios. Daí a valorização como uma jogada de bolsa de valores. Mas valia a pena para quem colecionava, pelo orgulho de poder guardar a riqueza que se constituía o desfile de notáveis craques daqueles tempos.
Parece-me que hoje a garotada não se interessa muito pelo assunto. Aliás, com certa razão, porque, ao contrário de outrora, os craques não esquentam cadeiras nos clubes, atraídos pelo dinheiro que rola lá fora entre os clubes milionários.
Antigamente, o campeonato brasileiro era disputado entre seleções dos Estados e sempre havia renovação de valores que ganhavam destaque todos os anos. Não como agora, naturalmente, dado que se dedica mais atenção aos jovens, desde as categorias menores até a profissional. Claro que igualmente o fato de haver maior número de clubes e campeonatos facilita essa tarefa. Ademais, hoje, desde tenra idade, os meninos contam com as chamadas escolinhas de futebol, com mais facilidades para ganhar orientação e se dedicar à prática do futebol.
Elencar craques que faziam parte desses álbuns de figurinhas seria registrar uma lista enorme de nomes, mesmo porque anualmente a editora que se dedicava a essa finalidade sempre renovava a relação, o que era bom e despertava mais interesse entre os afeiçoados do futebol. Citar Oberdã Cattani, Leônidas da Silva, Teleco, Araken, Telê Santana, Zizinho, Domingos da Guia, Jair da Rosa Pinto, Ademir Menezes e outros é pouco e deixar fora Pelé, Rivelino, Tostão, Gerson, Didi, Nilton Santos e outros craques que lhes sucederam seria uma enorme injustiça.
Claro que muitos garotos que acompanham o futebol hoje nunca viram esses craques em ação e, talvez, pouco ouviram falar. Mas eles deixaram nos anais do futebol brasileiro uma história digna de registro, só possível conhecê-la através de raros livros publicados ou matérias que, vez ou outra, saem em programas de televisão, jornais ou revistas. Se tive que recorrer rapidamente à memória para citar tão pequeno número de craques devo ter cometido injustiça, não me lembrando de outros que rodaram por muitos clubes. Afinal, não daria mesmo para citar algumas centenas de futebolistas que tiveram seus nomes registrados e fotos publicadas em álbuns de figurinhas a que me refiro neste breve texto. Em vista disso, provavelmente, poderei estar magoando alguns afeiçoados de outros atletas que ficaram de fora deste registro. É uma pena, mas sei que serei perdoado.
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Texto de Ludovico da Silva
terça-feira, 4 de maio de 2010
Há Poesia na Guerra?...
Há poesia na guerra?...Ivana Maria França de Negri
Prometi a mim mesma que não escreveria sobre guerras...Deixaria o caminho livre para os estudiosos em questões militares, para os doutores em estratégias de guerra, para os mestres em relações internacionais, os formadores de opinião muito mais tarimbados do que uma simples poetisa. Afinal, não há poesia alguma numa guerra...
Mas nesta noite, eu não conseguia pegar no sono. Meu coração ora ficava apertado, ora parecia querer saltar pela boca batendo descompassado. Pensava no que estava por vir e na tenebrosa tragédia prestes a se abater sobre o mundo. Não pensava no poderio americano, nem no petróleo do Iraque, na alta ou baixa do dólar, nas oscilações da bolsa resultantes desses acontecimentos todos. Pensava unicamente no desespero das mães tentando proteger suas crianças, no pavor dos pequeninos com as bombas estourando sobre suas cabeças, em seu choro abafado e inocente, muitos sendo atingidos e tendo partes do corpo mutiladas, sentindo dores terríveis. Pensava na destruição, em segundos apenas, de casas que levaram anos para serem construídas com o suor do trabalho. Nos belos sonhos caindo por terra, casais apaixonados sendo apartados de seus pares, esposas perdendo maridos, mães chorando por filhos, avós clamando pelos amados netos, corações dilacerados pela dor da perda.
O que consigo enxergar são só as nuvens negras sobre a paz...Que mundo é esse que ainda precisa das malditas guerras? De que adiantam artefatos de última geração, invenções mirabolantes, se as mentes continuam pensando como em eras pré-históricas?
Onde estão os super-heróis com seus superpoderes para salvar o planeta? Onde estão as fadas, os anjos e arcanjos, as varinhas de condão, os defensores do Bem, da Verdade e da Justiça, os anéis encantados, os magos, as criaturas poderosas? Onde se esconderam? Por que fugiram nesta hora crucial?
Não, meus amigos, não sou entendida em guerras, não compreendo e nunca vou compreender o que leva o ser humano a matar seu semelhante, seja em nome de que causa for. Não consigo entender porque inocentes precisam derramar seu precioso sangue por causas que não abraçaram, pela prepotência de governantes enlouquecidos. Não comungo com idéias destrutivas que precisam da violência para conseguir a paz, não quero presenciar o cenário dantesco, o solo tingido de sangue inocente, soldados obrigados a matar ou morrer por causa da insanidade de alguns.
A história do mundo pode ser mudada a qualquer momento. E nós todos somos coniventes quando consentimos que mentes obscuras comandem os destinos do planeta...
Não vou discorrer sobre a supremacia de um país sobre outro, sobre ditadores intransigentes, terrorismo, estratégias, sobre a Organização das Nações Unidas esmorecida, desacreditada, deixo isso aos doutores, aos que sabem argumentar e ser racionais.
Para uma poetisa, que usa a emoção ao invés da razão, uma guerra jamais será justa. Nela nunca haverá vencedores. Todos saem derrotados, todos perdemos...
Gostaria que tudo não passasse de um horrível pesadelo, e que eu fosse acordar pela manhã radiosa com o canto dos passarinhos, com o sol abençoando a vida, com as flores orvalhadas se abrindo e saudando mais um dia, com a esquecida paz reinando soberana...
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Texto de Ivana Maria França de Negri
Há Poesia na Guerra?

Há poesia na guerra ?
Carmen M. S. F. Pilotto
(glosando o mote proposto por minha amiga Ivana Negri)
Carmen M.S.F. Pilotto
Carmen M. S. F. Pilotto
(glosando o mote proposto por minha amiga Ivana Negri)
Carmen M.S.F. Pilotto
O coração de um poeta se estraçalha em perceber que a violência tem sido a grande tônica no mundo contemporâneo. O poeta, de coração benevolente, gostaria de compartilhar de um mundo esteticamente perfeito. Devemos compreender que a guerra faz parte de um processo depurativo que o ser humano necessita para sua evolução.
Valendo-se de citações sobre o que significa poesia podemos adentrar aos mais profundos pensares: "A poesia é a arte de comunicar a emoção humana pelo verbo musical", (René Waltz, apud Massaud Moisés, A Criação Literária - Poesia, Ed. Cultrix). "A poesia é a expressão natural dos mais violentos modos de emoção pessoal", (J. Middleton Murry, apud Massaud Moisés, op. cit.) “A poesia é o "extravasar espontâneo de poderosos sentimentos", (William Wordsworth, prefácio à segunda edição de Lyrical Ballads, 1800). Basil Buting, poeta inglês contemporâneo afirma que a grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível.
Complementando, o palestino Mourid Barghouti afirma que "Há lugar na poesia tanto na guerra quanto na paz", poeta de mais de 14 livros de poesias publicados, pertence ao país ocupado por Israel, conhecido por seu valor literário, fora do mundo árabe. Ele afirma que: “os poetas palestinos lutam para manter a beleza estética que a poesia demanda e um equilíbrio entre essa beleza estética e as questões atuais dos dias de hoje. E a poesia árabe palestina está atualmente num posto muito alto no contexto da poesia moderna. Acho que há lugar para a poesia, na guerra como na paz, nas tragédias, calamidades e desastres. A poesia nunca vai desaparecer. Basta observar quantos poemas foram escritos nas prisões em toda a história. Ou quantos poemas foram contrabandeados em países que estão sendo bombardeados. Poesia não é entretenimento feito em tempos de paz, mas é uma companhia para nossas almas, enquanto vivermos. Não tenho medo que isso pareça poético. O que tenho medo é do desaparecimento dos poetas, do ruído dos Apaches e dos tanques passando por cima das pessoas”.
Lembrando a última palestra de Ferreira Gullar em Piracicaba, ocorrida em 2008, o grande poeta brasileiro, exilado em seus afãs de contestador social, afirmou que a poesia é a dor transformada em beleza estética que faz sorrir o poeta após a catarse, sentimento que compartilho plenamente.
Em minha opinião, o poeta que descreve guerras assume um papel de mea culpa, tentando expor seu estranhamento pelas atitudes de seus pares. O que choca deve ser sangrado em ferida para tentar acordar o mundo de sua inércia. Trata-se uma arma chamada palavra que pode, numa última cartada, alertar os que ainda possuem algum resquício de senso de compaixão. São os exércitos de escritores que usam mensagens subliminares para resgatar os verdadeiros valores. Para mim aí está a força da poesia.
Lembro de alguns poemas com a idéia proposta, como Rosa de Hiroshima de Vinícius de Moraes ou do livro Sentimento do Mundo de Carlos Drumond de Andrade entre outros.
Quisera, também, como poeta só poder declamar o poema de Thiago de Mello, cujo Artigo I resume toda nossa intenção de humanidade:
“ Fica decretado que agora vale a verdade,
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira”
Mas a vida, cara amiga, não é feita só por decretos de poetas pacifistas; conforme resume minha sogra, uma grande sábia:
“A vida é o que se apresenta”...
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Texto de Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Miniconto
MINICONTO
Ana Lúcia Paterniani

Era uma vez uma mulher malvada que não queria dar a separação para o marido que não mais a amava.
O marido engaiolado, por sua vez, lançou uma praga pra amante não dar certo com nenhum outro namorado...
E assim, foram todos infelizes para sempre...
Ana Lúcia Paterniani

Era uma vez uma mulher malvada que não queria dar a separação para o marido que não mais a amava.
O marido engaiolado, por sua vez, lançou uma praga pra amante não dar certo com nenhum outro namorado...
E assim, foram todos infelizes para sempre...
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Minicontos - Ana Lúcia Paterniani
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Coração de Mãe
Coração de mãeDirce Ramos de Lima
Havia um música que ouvia sempre mas era criança e mal entendia.
Era uma história de terror antigo e ao mesmo tempo de amor, muito amor de mãe.
O cantor? Vicente Celestino, "o vozeirão".
A amada pediu-lhe ( ao contrário das mulheres de hoje que pedem jóias, viagens caras, cirurgias plásticas, etc...) o coração da mãe. Arrependeu-se do pedido, é claro, era brincadeira!
Mas, o camponio apaixonado (ou era um sociopata simplório?) já tinha saído correndo consumar a tragédia.
Encontrou a mãezinha rezando, rasgou o peito,arrancou o coração e voltou na mesma ansiosa velocidade.
Será que ele queria um beijo?
Bem, na corrida louca, tropeçou e o coração caiu no chão.
Então , a voz da eterna mãe, que tudo perdoa disse:
-Vem buscar-me, vem, ó filho meu, vem buscar-me que ainda sou teu...
Lindo final pra tão horrível acontecimento!
Tudo isso já foi encenado em teatros e circos. Nem sei onde assisti. Cinema? TV? Sei lá. Era criança e crianças esquecem tudo: datas, lugares, pessoas... Só me lembro da música. Num domingo desses ouvi no programa do Fabio Monteiro.
E, ainda hoje comove-me ao extremo compreender esse amor incondicional:amor de mãe... É o maior, o mais puro, o mais sincero...e o mais infeliz!
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Escritores amigos - Dirce Ramos de Lima
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Lançamento do Livro do Artesanato do Povo Juruna
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FOTOS
Quero morrer sem saber que morri
Quero morrer sem saber que morriPlínio Montagner
Que desejo estranho é esse. Quem morre, é claro que não sabe que morreu. (Ou sabe?). E é certo também que ninguém gostaria de saber quando vai morrer. Pelo menos eu não quero. Credo! Algumas pessoas otimistas que minimizam a morte dizem que existe o lado "bom": vão se encontrar com o seu Deus, as dores e as angústias terminam - e as dívidas ...Mas... será que é bom só porque os sofrimentos acabam e não tomamos mais remédios? Ninguém sabe o que há do lado de lá; todo mundo "chuta".Outra coisa - se acabam as coisas ruins, não acabam também as boas? Ora, então é melhor ficar por aqui mesmo. Não dá nem para imaginar ficar sem a companhia e o afeto de nossos pais, filhos, netos, esposa, marido, avós, amigos. E mais, como abandonar nossos discos e livros, nosso jardim; não ouvir mais O Trem das Onze, Besame Mucho, Brasileirinho, Moonlight Serenade, e Lupicínio, Chico, e Choppin...? Dá arrepios. Que se dane a morte. Vou morrer contra minha vontade, eu sei, e quando chegar o dia não quero saber que morri; não quero álbuns nem flores nem a bandeira do Corinthians. Inferno? só faltava essa, além de perder coisas boas daqui ainda precisamos tomar cuidado para não passarmos algum tempo no inferno? Caraca! Seja lá para aonde a gente for (se formos mesmo), acho que as belezas do céu serão bem diferentes das daqui. É claro que não tem praia, barulho de chuva, flores, pastel, pudim de queijo, cerveja e a beleza feminina. Então, vai ter o quê?Querem saber? vamos nos esforçar para permanecermos vivos o mais tempo possível, mesmo com chefe ruim, salário de fome, um monte de impostos, pobreza e dorzinhas aqui e ali. Não inventaram até essa máxima? - "Se morrer é descansar, prefiro viver cansado".Hoje vi no quintal do meu vizinho o que sobrou de um imponente pé de jaracatiá. Agonizante, seco, galhos caídos, tronco cheio de formigas e outros bichos. E ainda, sem nenhuma cerimônia, um pica-pau tirando proveito. Tuc-tuc-tuc! Toc, toc, toc!O francês Lavoisier estava certo: tudo se transforma: nada se perde, nada se cria, nada permanece nem fica do mesmo jeito. Um dia seremos um corpo à disposição dos bichinhos que a gente vê nos microscópicos.Infelizmente valorizamos meio tarde a família, a paz e a saúde. E só percebemos quando nossos créditos estão acabando, a diabete se instala, o coração muda de ritmo e outras doenças aparecem. Isto lembra a história do cesto de jabuticabas. Quando está cheio, os frutos menores, feios, defeituosos são deixados de lado; mas na medida em que vai se esvaziando são saboreados devagarzinho, até o caroço. Nesses momentos os ateus desaparecem do mapa. Acreditam em tudo, em todos os deuses e santos. Dizem que quando um avião está caindo não existe nenhum ateu dentro dele...Não é fácil identificar o essencial. Por isso desperdiçamos tempo valorizando o supérfluo e vitórias bobas. Uma companhia de qualidade é o que vale; a boa cepa é que é o essencial, não o rótulo, não a taça nem o guardanapo.
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Escritores amigos - Plínio Montagner
Sobre a Morte e o Morrer
Sobre a morte e o morrerRubem Alves
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto…¿
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa…¿
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei…”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto…¿
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa…¿
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei…”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
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Escritores consagrados - Rubem Alves
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Os Cafés de Paris
Os Cafés de Paris
Ana Marly de Oliveira Jacobino
A luminosidade se alonga e se espreguiça nos céus nos verões em Paris. No Sena os bateaux-mouches navegam sonolentos. Os odores rasgam o ar quente para serem aspirados pelas narinas dos passantes desavisados. Odores que nada lembram as ruas fétidas de Paris de dois séculos atrás.
O cheiro do café parecia entoar um hino de alegria! Brasileiro que se preza não fica sem um café. Os Cafés pululam pelas esquinas de Paris. Ricardo acaba de sair do Museu do Louvre. Na altura da 6 rue de L'Amiral Coligny em frente ao Louvre algo lhe chama a atenção. Um prédio charmoso o envolve. O seu estilo londrino destoa do estilo francês; mas, não tira o seu charme.
Um bar, café, restaurante com uma biblioteca de sacudir o coração e o cérebro de um amante da leitura; para, bem a frente do moço. Um café com gosto de literatura! No happy hour fica difícil encontrar uma mesa. Consegue uma mesa ao lado de uma janela.
O interior de Lê Fumoir revela no seu longo balcão de madeira escura um clima de mistério. Suas luzes amareladas fazem um jogo de claro e escuro intimista. Os espelhos refletem a vidraria expondo os copos, como se estivessem iluminados.As prateleiras repletas de livros adicionam um visual litero-gustativo aos fregueses. As luminárias pendentes do alto das prateleiras aquecem o ambiente. Lustres parecem cair dos tetos por sobre as mesas trazendo aos olhos do leitor, a facilidade da leitura.
Ricardo ouve o som de contrabaixo na sua barriga. Fome! Acaba de lembrar que tomou o café de manhã, e, depois não comeu mais nada. Nada! Senta-se à mesa perto da janela, com um livro nas mãos. Recebe o cardápio de um garçom nada sorridente.
A fome o impeliu e a escolha foi rápida: um suco de manga, laranja e abricot. O garçom trás a mesa uma tigela, com uma água quente, galhinhos de alecrim, pétalas de rosa e salsinha seca.
“Nossa! Que sopinha rala. Tenho certeza, que não pedi.”
O estomago ronca. O jovem olha a tal sopinha sem graça. Coloca mais sal e a toma com sofreguidão.
Volta a olhar o cardápio e escolhe uma sopa de mâche. Tenta descobrir; qual é o tipo de folha da composição da sopa? Não consegue!
“Essa tem mais sustância!”
Ainda com fome faz outro pedido em seu francês- aportuguesado para o garçom mal humorado.
“Une tartine de saumon fumé, crème, fromage de chèvre et de tranches de carottes."
Como as porções são pequenas, a fome não se aplaca. Levanta a mão para o garçom e pede uma salada acompanhada de sanduíches e patês.
“Accompagné d'une salade de sandwichs et des patês, s'il vous plaît”.
Satisfeito pede a conta.
A demora o assusta. Lembra que não prestou atenção no preço dos pratos do cardápio. A fome embaçou a sua razão.
O garçom entrega a conta. Ele parece entrever um sorriso maroto nos lábios do bendito.
Corre os olhos pela conta: entrada: 30 euros. Soupe: 12 euros. jus : 5 euros. Plat principal: 50 euros. Tipping: 15%: O cérebro soma com uma rapidez estonteante: 97 + 15% da gorjeta=111, 55 euros?
“Nossa! Como? Quanto? É demais!”
Embasbacado, revisita a conta para conferir. Tudo certo. Ricardo pensa que a sopa aguada é que faz a conta crescer.
Um casal sentado a mesa ao lado, também, recebe a tal sopinha de galhos e pétalas. Antes de chamar o garçom para perguntar o preço da tal sopa, algo inacreditável , acontece!
Os franceses lavam as pontas dos dedos na sopa e os enxugam nas pontas dos guardanapos.
O Olho do Golfinho
O olho do golfinhoCassio Camilo Almeida de Negri
O entardecer mostrava um céu azul escuro, que no horizonte parecia uma cúpula fechando o sol vermelho sobre o esverdeado do mar.
O verde quase tudo cobria e sob o reflexo do poente, se transformava em um leito de brilhos metamorfoseantes, dançando entre tons alaranjados.
Entre a areia da praia e o quebrar das ondas, uma faixa de água avermelhada, cor de sangue.
Eu passava por ali, sem saber porque aquela praia da Birmânia estava com uma faixa rubra.
Intrigado, pensava se não seria coloração devido a algas.
À distancia vi um objeto tentando rolar para o mar, mas sempre sendo jogado de volta à areia. Era escuro e redondo com mais ou menos seis centímetros.
Fui me aproximando, os pés mergulhados na água ate os maléolos, e tomei nas mãos a pequena bolinha e quando a olhei, ela também me olhou.
Olhamo-nos por alguns segundos.
Observo então que era um olho com a pupila dilatada, parecendo congelado em um momento de terror. Noto bem no seu fundo, um rosto gravado como em uma fotografia.
Na sua retina estava fixado um rosto humano, com um facão na mão, e ao redor, muitos golfinhos mortos, corpos decepados, cérebros esmigalhados, olhos arrancados.
Devolvo o olho ao mar e bem longe, para que não mais volte e sem entender, retorno ao hotel.
À noite, vendo o noticiário da televisão, fico sabendo que ali era costume exterminar com facões os delfins que ficavam presos nas redes,para que não voltassem a atrapalhar a pesca. Por isso a água se tingia de sangue.
No dia seguinte, voltando à praia, a água estava verde de novo e além da arrebentação, um golfinho saltava feliz.
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Texto de Cassio Camilo Almeida de Negri
Convite
Prezados amigos,Com grande satisfação comunico o lançamento do livro Kanamãi 'a'ahã dju'a papera - livro do artesanato juruna', patrocinado pelo convênio ABRALIN- IPHAN, de que faço parte com o projeto "Para um inventário da língua juruna". Trata-se do primeiro livro bilíngue juruna-português, escrito e ilustrado por professores e alunos juruna, e organizado e traduzido por mim. Será vendido ao preço de R$20,00, mais as despesas de frete.O lançamento ocorrerá em 30 de abril, sexta-feira, às 19:30 horas, no Museu Histórico e Pedagógico "Prudente de Moraes", situado na Rua Santo Antônio, 641 - Centro - em Piracicaba, São Paulo. Na ocasião também será feita a abertura de uma exposição de arte e fotos dos juruna, sob minha curadoria (as peças são do meu acervo pessoal, muito representativo de toda a cultura material desse povo, e as 50 fotos ampliadas são de minha autoria). Todos os visitantes da exposição ganharão uma revistinha com informações sobre o povo e atividades lúdicas, inclusive envolvendo a língua indígena.
Será uma satisfação poder contar com sua presença!
Cordialmente
Cristina Martins Fargetti
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Convites
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Tempo, passatempo, contratempo
Tempo, Passatempo, ContratempoAracy Duarte Ferrari
Se eu pudesse escrever tudo que intenciono utilizaria várias folhas. Registro de histórias do tempo passado-presente, projeções, sonhos, entremeados de passatempos.
Referir-se às passagens altruístas bem coloridas e matizadas sendo algumas intrigantes, envolvendo amigos e amores. Todas as pessoas de idades diferentes ao acompanharem o texto, ficarão emotivas porque com elas ocorreram semelhantes envolvimentos. Irão sorrir, levando pequenos sustos e emitirão gestos espontâneos de surpresas… pura emoção!
Idealizo também pintar uma tela com pontos gravados: interrogação, exclamação, vírgula, ponto final, ponto e vírgula em cores vibrantes amenizadas com perguntas e respostas em tonalidades claras, as quais em conjunto formarão uma figura.
Estranho! Figura? De quem?
A minha encontra-se no meu relicário, a sua, abra o seu e cuidado! Ao abri-lo, o coração pulsará descompassadamente, porém os envolvimentos amorosos passados ou atuais darão conta de acalmá-lo, tornando-o feliz e ritmado.
E, tudo no seu tempo exato, como os fenômenos naturais acontecem segundo as regras precisas da física, nós também, para que ocorram as assertivas, devemos ser sensíveis: enviar cumprimentos à alguém e se possível com gotículas de amor junto ao vento; festejar datas comemorativas, aos sons de baladas, valsas, boleros, tangos, sambas, axés… juntos cantar, cantar, cantar. Enviar palavras coerentes, estimuladoras a quem precisa elevando a auto-estima, e se preciso usar palavras diretas, firmes, estilo olho-no-olho.
Também confrontamo-nos com contratempos necessários na rotina diária, sendo importante de cada situação extrair os pontos positivos eliminando os negativos e seguir.
Concomitante a todas estas passagens, não esquecer da importância dos entretenimentos necessários para enriquecer e fortalecer o viver e dar vazão às fantasias.
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Texto de Aracy Duarte Ferrari
Lembranças...
LEMBRANÇASElda Nympha Cobra Silveira
As circunstâncias ou as pessoas podem nos tirar as nossas posses materiais, podem levar o nosso dinheiro e podem levar nossa saúde, mas ninguém pode nos tirar as posses mais valiosas que temos, que são nossas lembranças.
Muitas vezes a vida deriva para uma série de desenganos, de desilusões e mesmo frustrações, com a negação dos anseios para uma vida realizada onde os sonhos sempre imperaram, desde o começo da juventude e talvez até da sua infância, muitas vezes por sua própria culpa, porque os sonhos eram ilusórios demais e sem consistência pratica.
Muitos desejam mas não se esforçam para a concretização do seu ideal, seja financeiro, amoroso, de saúde ou intelectual.
Então as lembranças chegam paulatinamente à flor da pele, quando ao se recordar dos tempos idos, na época da juventude, tinha-se um futuro alvissareiro se descortinando todo pela frente.
As mulheres ou os homens estavam à mão, porque nada ofuscava o charme, beleza, juventude e auto segurança.Essas lembranças vão chegando muitas vezes com uma ponta de orgulho misturada ao de frustração ao constatar que a realidade do hoje é bem outra do ontem.
Muitos que adquiriram muitos bens e os perderam por qualquer infortúnio, se sentem saudosos dos tempos áureos vividos.
Os que foram atletas e talvez até consagrados, revivem com alegria seus vitoriosos lances e na contemplação dos troféus adquiridos, mas é um misto de frustração por se sentirem ultrapassados e decadentes no seu vigor.
Os que gozavam de grande saúde, pela imprudência, pela falta de uma vida saudável onde os vícios prevaleceram, se sentem frustrados e impedidos de ter ilusões para ter uma vida mais longa, se deprimem porque seu tempo de vida é curto.
Aqueles que não fizeram uma boa escolha no casamento ou na vida afetiva para uma convivência plena e feliz a dois, amargam por se sentirem sós e infelizes e ainda tendo problemas familiares a serem resolvidos.
Portanto ninguém nos tira nossas lembranças que são únicas e só nossas, dependendo do ritmo e caminho que demos as nossas vidas.
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Texto de Elda Nympha Cobra Silveira
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