As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Parabéns Piracicaba que adoramos tanto, cheia de flores e de encanto, pelos 254 anos!

 


O RIO

Ludovico da Silva

 

Absorto e parecendo sonhar, me chamou a atenção uma voz macia e doce que me despertou para a realidade à minha volta.

Estava sozinho naquele abandonado espaço vazio e onde meus olhos alcançassem nada me detinha, como na alegre paisagem que ficou, mas vislumbrava uma profunda e infinita tristeza.

Seria um fantasma a provocar um sentimento no fundo de minha alma?

Vi fios grossos e escuros escorrendo pelos vãos das pedras, exalando odor que manchava os ares. Observei as margens e o leito mutilados.

Custou-me acreditar. Mas esse não é o rio do meu passado.

 


Instituto de Educação Sud Mennucci

Cássio Camilo Almeida de Negri


Houve um tempo em que a escola Sud Mennucci era a melhor de Piracicaba.

Para cursá-la, havia até uma prova chamada de exame de admissão, uma espécie de vestibular para entrar no ginásio após o quarto ano de estudos primários. O curso do ginásio ia até o científico, clássico ou normal. Durariam sete anos se o
aluno não fosse reprovado. O estudo era rigoroso e disciplinado.

Os professores eram bem formados, exigentes, e não titubeavam em dar nota baixa ou reprovar quem não soubesse a matéria.

Professores como Arquimedes Dutra, Benedito de Andrade, Salles, Evaristo, Mellita Brasil, Rossini Dutra, Zelinda, Costinha, Argino, Demosthenes, Godoy e tantos outros, aos quais devo muito e agradeço.

As chamadas orais nos faziam ficar ansiosos e torcendo para que nosso número não fosse sorteado.

Deixaram saudades as feiras científicas do professor Demosthenes. Tempo em que tínhamos mais deveres e menos direitos, e hoje agradeço por ter tido tantos deveres.

Quantas saudades! Não sei se do Sud Mennucci ou de minha juventude...

O Rio onde o peixe para...



Lídia Sendin

Se o peixe para é porque quer ver a beleza do rio, eternamente renovada pelas borbulhas deslizando para o mar. O rio entorta no caminho do sol. Parece ser o seu fim, mas antes de sumir deixa ver suas beiras sinuosas e árvores encarapitadas, arredondadas, volumosas. Tudo fica laranja no fim da tarde.

O por do sol emoldura o concreto pintando de ouro o céu de anil, em suas margens as árvores despejam suas flores tecendo tapetes de vários tons, mostrando que o equilíbrio ainda é possível.

As ralas e transparentes nuvens do poente deslizam no horizonte. É o lugar onde o rio de ouro do céu encontra as águas amarelas do rio dourado.

 O sol não arde mais, suas réstias de luz que aqueceram a tarde mergulharam na Curva do Rio e suas águas guardarão esse tesouro.

 

UM MOMENTO HISTÓRICO

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas de Piracicaba

 


Pára. Contempla o salto. Oh! Que deslumbramento!

Final feliz de um sonho, aliado a uma esperança.

Findava a viagem, sim. Que histórico momento!

Capitão Povoador! Piracicaba, criança!

 

Seu olhar percorreu as colinas. O vento

Sussurrou-lhe : “é aqui, Sem mais tardança,

Funda  nova cidade;  olha o céu que portento!

Olha o salto, olha tudo, que abastança!...”

 

Histórico momento. A Noiva da Colina,

Foi ao salto buscar seu véu tão lindo,

Beijou o Capitão como feliz menina.

 

Cresceu... Meus parabéns. Teu povo vai seguindo

Tudo quanto de bom Deus lhe destina...

Ela faz anos hoje,  e , certo, está sorrindo...

     1º DE AGOSTO

Andre Bueno Oliveira

 


Noiva: neste teu aniversário,

O teu “Salto” me lembra o Calvário

Irrigado por uma ribeira...

Venho hoje em teu dia de festa,

Acalmar meu rancor que protesta,

Dar-te um beijo na face e na testa,

Agradar-te da melhor maneira!

Com todo meu carinho, te abraço,

Orgulhoso por ter um espaço

Lá no fundo do teu coração.

Isso mesmo! Apesar de nascido

Num recanto no mapa perdido,

                                     Aqui tenho meu lar, meu rincão.

LIRACICABA

Silvia de Oliveira

 

De repente

um orgulho danado

de ser de Pira

de ser caipira!

 

Em direção ao rio

todo olhar se fia-

pura mescla

de peixe-espuma

e porto-poesia

 

Quando longe

a saudade pia...

há o som da viola,

do vento na plantação...

 

Em teu peito, minha terra,

povoa dor e alegria,

avanço e retrocesso,

desde sempre és a lira.

 

Orgulho danado

de ser tua filha!

 

TIMIDA CAPELA DE MONTE ALEGRE

Marilda de Luccas Sampronha

              




                   

Tímida, tu moras bem no alto,

onde ainda não chegou o asfalto,

porta e janelas pequenas, um projeto divinal.

És tu uma capela perfeita, não conheço outra igual.

 

Cá embaixo, o jardim tristonho,

parece acordar de um sonho,

não há casais, crianças, nem velhinhos conversando...

Uns bancos descorados, um lago e flores secando!

 

Duas estátuas de bronze, simbolizavam o poder!

Para onde as levaram, não se sabe...

Restaram lugares vazios, onde só a saudade cabe,

pobre jardim sem vida, por que vieste  a morrer?

 

Sob o céu límpido e sereno,

tu, capelinha fechada, pareces estar preocupada.

O sino está esquecido, o coral emudecido, já não há ninguém a rezar,

os bancos estão vazios, nem há velas em seu altar.

 

Vem capelinha querida, desce e vem até mim!

Empresta as asas dos anjos, vem pousar no jardim.

Faremos uma caminhada, uma pequena procissão...

Atrás de nós, virá o jardim deixando marcas de saudade pelo chão....

 

1767
Esio Antonio Pezzato

O cocar na cabeça e nas mãos rija lança,
E um Paiaguá caminha esta tão fértil Terra.
O Salto regurgita em hinos de esperança,
No mato uma araponga estridulante berra.

Quebra-se a calmaria e tem final a dança.
Desconhecido olhar frente à paisagem erra.
Um destemido passo a mata adentro avança,
A tribo toda se une e arma-se para a guerra.

Sobre a calma do Rio as pirogas audazes
Chegam rapidamente à barranca portuária
Conduzindo em seu bojo homens fortes, capazes.

- "À margem, à direita!" A voz é poderosa.
E com forte comando e paixão visionária,
Neste chão planta os pés o Povoador Barbosa!

 





RIO DE PIRACICABA

Esther Vacchi Passos

 

Eu quero

Nosso rio mais limpo

Sem cheiro de poluição

Aves em pedras sem limbo

Chegando a ser atração

 

Eu quero

Na piracema ver os peixes

Saltar em água límpida

E as borboletas multicores

Em volta de flores lindas

 

Eu quero

Carícias de sua brisa

Envolvendo-me em frescor

O véu branco da noiva deslizando

Unindo-se nas águas sem odor

 

Eu quero

Junto ao rio céu azulado

Sem poluição de queimada

Deixando o poeta inspirado

Fazendo versos para a sua amada.

 


PIRADO POR PIRA

Julio César S. Rosa

 

Sempre pirado por Piracicaba

Aqui moro, aqui sempre vivi

Sou muito apaixonado por ti

Enamoro porque te adoro

Só aqui me acabo

                       

 

RUA DO PORTO

Sonia Amaral

 

Com suas antigas moradias

A Rua do Porto

Vem mostrar o encanto

Que a todos irradia.

 

A bela chaminé

Da saudosa olaria

Traz muita lembrança

E também muita alegria.

 

Os modestos restaurantes

Fazem seus pratos com capricho

Acolhem o povo com amor

Demonstrando simpatia.

 

SEU NOME: RUA BOA MORTE

Leda Coletti

 


Como é bonita esta rua!

Já teve bonde ziguezagueando nos paralelepípedos,

que chegavam até à estação do trem, lá na Paulista,

cenário de partida dos soldados

da Revolução Constitucionalista.

Rua que acolhe e educa estudantes

nos Colégios Piracicabano e Assunção,

que tem na área central

Santo Antonio na Catedral,

protetor dos namorados,

em 13 de junho comemorado.

Do alto dos seus prédios, vê-se à tardinha

reflexos dourados do sol no rio Piracicaba,

se despedindo atrás das colinas.

À noite, a lua cheia esplendorosa,

rodeada de estrelas meninas,

com seu brilho, a faz mais formosa.

E, Nossa Senhora da Boa Morte

com seu manto azul celeste

abençoa a cidade e lhe dá muita sorte!

 

DESABAFO DE UMA CAIPIRA

Daniela Daragoni Alves

 




Carrego comigo o sotaque

Do lugar que nasci e me viu crescer

O mesmo sotaque das pessoas que mais admiro

Pessoas que me deram a vida e lições que jamais vou esquecer

 

Carrego comigo esse sotaque caipira

Marca de um povo simples e batalhador

Sotaque de um lugar que leva o mesmo nome de um rio

Que tem à sua margem a casa do povoador

 

Cidade  de gente humilde e feliz

de lugares inesquecíveis, como a Rua do Porto, o Engenho Central

Terra de uma tranquilidade ímpar

Que nunca vi igual

 

Carrego comigo esse sotaque que muitas vezes é confundido

Com falta de instrução e até de inteligência

Um caipira muitas vezes é julgado injustamente

Por pessoas que o consideram uma pessoa boba, fácil de enganar e cheia de inocência.

 

Carrego comigo esse sotaque simples

Fui muitas vezes motivo de piada

Por pessoas que se acham “inteligentes” o bastante para rir do meu povo

Mas que escolheram a minha linda cidade para construir suas casas

 

E se para ser respeitada por essas pessoas

Eu tiver que negar as minhas raízes e o lugar que me viu nascer,

Continuarei sendo o que sou, caipira de Piracicaba

Por toda a vida...até morrer!

 

ORAÇÃO A PIRACICABA

Hugo Pedro Carradore

 




Bendita, oh! Terra Minha, de filhos ilustres e tradições gloriosas,

Piracicaba, hino de amor, emoção e promessas ditosas...

Amo-te pelo esplendor de tua beleza,

pelo teu rio que serpenteia e cai em cachoeira de espuma branca,

onde o arco-íris nasce num véu de tanta pureza.

Amo-te pelo riso de tuas crianças, pelo encanto de tuas avenidas,

Pelas tuas paisagens e pelos teus amores.

Amo-te, pelas gotas de orvalho, lágrimas das noites piracicabanas,

Caídas nas pétalas das tuas flores.

Amo-te, pelo sangue de teus filhos derramado, mortos na luta de 32,

heróis venerados do berço pátrio.

Amo-te, quando levanto os olhos para o céu,

e vejo lá no alto do Bom Jesus, de braços abertos,

o Cristo  abençoando teus filhos que penetram o sagrado átrio.

Amo-te, pelo verde magnífico dos teus canaviais,

pela tua indústria, que é uma sinfonia de progresso.

Amo-te nos versos dos teus poetas

E na saudade de teu filho egresso.

Recebe, oh! Cidade terna, esta singela oração!

Mãe e noiva, que as palavras cheguem a ti, como a serenata de um violão,

nas madrugas brindadas pelo beijo das estrelas.

Noiva eterna namorada, pelo teu resplandecente véu,

Que eu expire em paz, sob o teu sagrado chão, tendo como mortalha o teu céu.

Amém.

 

ENCANTOS DA MINHA TERRA

Ivana Maria França de Negri

 

Piracicaba dos ipês róseos e amarelos

Da Esalq e do Engenho, tão belos

Das cascatas formosas

E das pamonhas famosas

Terra da boa gente

E da pinga ardente

Do engraçado linguajar caipira

Carinhosamente chamada de “Pira”!

 

O PIRACICABA DOS PAIAGUÁS

Francisco de Assis Ferraz de Mello

 

Quanto crime ante Deus, de pensar me comovo:

Agoniza este rio que alimentou meu povo.

Quem pode imaginá-lo, um dia, colossal,

Bufando na floresta de um sol tropical?

 

Quem pode imaginar que, um dia, em suas margens,

Dos mansos animais até as onças selvagens

Foram beber sua água, enquanto a passarada

Ensaiava uma orquestra ou partia em revoada?

No salto ele rolava altivo, encapelado, sobre o basalto negro, alteando um forte brado

Que acordava o sertão de séculos atrás.

 

Abaixo, no remanso ou, então, nas corredeiras,

Passavam as canoas em bandos, ligeiras,

Levando para a guerra os índios paiaguás.

 

PIRACICABA, O ESPÍRITO DO LUGAR
Carmen M.S.F. Pilotto

 


As águas recortam odores e paisagens

de uma cidade que incorporei em minha alma

no lusco-fusco da ponte pênsil

nas ribanceiras apinhadas de pescadores

na chaminé do Engenho que rasga a Urbanidade

 

Na pracinha os velhinhos com os carrinhos de passeio

transportam guris, empresários do futuro

e as pombas arrulham histórias das dinastias

entremeadas com o metalúrgico que ali caminha.

 

Mas é nos bares que a cidade se revela

nas caninhas sorvidas em meio às angústias

nos chopes compartilhados com amigos

nos petiscos que marcam sabores e veleidades.

 

Somos partículas do ambiente em que vivemos

força viva do planeta que coabitamos.

Nosso espírito está tatuado no espaço

virtualmente presente nos fluídos cósmicos.

 

RUA DO PORTO

 

Aracy Duarte Ferrari

 

 


 


Íntimo ardente

Noite enluarada

Avenidas luzentes

Árvores resplandecentes...

 

Os pássaros chilreando

Recompõem a melodia.

A prosa, a poesia

Atingem o seu clímax.

 

O rio circunda

A cidade e o coração.

As águas correm...

Rutilantes ao reflexo da lua.

 

Ondas abundantes

Observadores atentos

Inspirados na quietude

Reflexões distantes.

 

Uma estrela cadente

Risca, de repente

O firmamento

Para meu sobressalto.

 

 

 Cidade linda!

       Sônia Amaral

 



Como é maravilhoso falar de Piracicaba.

Cidade que acolhe a todos que aqui chegam.

Piracicaba que cresce dia a dia

Expandindo os bairros em todos os pontos:

Norte, Sul, Leste e Oeste.

Onde o rio que corta a cidade

Mesmo com pouca água

É o ponto querido por todos.

Rua do Porto continua exuberante.

Amo Piracicaba!

Parabéns ,por mais um aniversário

sábado, 17 de julho de 2021

O PORTA-RETRATO




Luzia Stocco

Um porta-retrato choroso
Chorava de solidão
Portava uma foto há anos
Única no salão
A mesma
Um homem de fino bigode.
Um dia chegou
Outro porta-retrato
Àquele sorriu
Viu a foto de uma
Senhora sentada e concluiu:
-O meu dono tá apaixonado
E agora eu tenho alguém
Ao meu lado.

terça-feira, 22 de junho de 2021

AMOR À VIDA



Lídia Sendin

 

Repleto de luz meu coração transborda.

Enchente de ventura,

Forma ondas de ternura

E alisa mansamente

As areias da minha alma.

 

Como chuvas de prazer

O amor me faz crescer

Pra colheita do carinho.

 

Numa safra perenal,

Colho frutos, colho flores

E enfeito meus amores

Como noiva virginal.

terça-feira, 8 de junho de 2021

SENTIMENTO




Paulo Ricardo Sgarbiero


O que é amar

Que tanto já se quis falar

Tantos se expressaram

E quantos ainda o farão

 

Sobre o sentimento amor

Que é tão próximo da dor

Por estar longe de alguém

Ou por não se ter ninguém

 

Por alguém que vive na lembrança

Ou por quem não deu esperança

É certo por uma criança

De um jeito ou de outro, uma dança

 

Dança de tantos sentimentos

Atrelados ao estupor do momento

Em que o amor atinge o peito

Qualquer que seja o seu jeito

 

O que é amar?

Um verbo, uma ação, uma emoção?

É o viver, plena e totalmente

Qualquer que seja a inspiração.

sábado, 5 de junho de 2021

Acordes do Coração

 



    Dulce Fernandez

 

O amor é uma sinfonia que embala

E o fundo da alma estremece,

Quando chega, melodia

Rubra, escarlate, romã...

Colheita farta de emoções;

O coração enlouquece.

 

Quando toca os sentimentos

Acariciados pelo luar ardente:

Aleluia! Vibra, samba, acontece.

Momentos inesquecíveis de magia...

 

Quando parte, ... música amarga!

Despojada das vestes do encantamento

Catando caquinhos de vivência

Molhados de lágrimas:

Sangra, cai em pétalas doloridas...

Desafina,

Emudece.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

AMOR CONJUGADO

 


Lídia Sendin

 

Amar é verbo composto,

Sem conjugação normal,

Se não se usa é desgosto,

Seu tempo é o condicional.

 

Sem presente indicativo,

No futuro é conjugado

E acabado o atrativo

Vira um perfeito passado.

 

O verbo amar é engodo.

É diamante na lama,

É brilho em poça de lodo

Que ao coração sempre chama.

 

Porém a frase sem verbo,

É difícil de compor

Então na vida conservo

Sempre um canto para o amor.

 

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Tempos difíceis



Lídia Sendin

Já foi o tempo...

Que sulcava a terra,
O homem simples, com o seu suor.
Agora tudo está mais para guerra
E é difícil pensar no melhor.

Neste tempo...

Será que ainda existe
Um lugar pro canto
Neste mundo triste
Onde medra o pranto?

Não...já foi o tempo...


quinta-feira, 20 de maio de 2021

Quando chega a Primavera



Léa Paiva

 

Quando chega a primavera

Minha alma engrandece ao Senhor

Meus olhos contemplam a terra toda enfeitada de flor

Seja no campo ou na cidade

Seja onde for...

Existe uma diversidade de enorme formosura na divina feitura de nosso criador.

Passando debaixo do pé de ipê

Olhei para o alto, vi o céu todo florido

Olhei o chão, um tapete com as mesmas flores

Tive a sensação naquele momento que o mundo inteiro

Era um lindo canteiro.

Momentos mágicos que nos encantam

Momentos de primavera

Onde pensamos: quem dera

Que a vida fosse sempre assim,

Que os ventos soprassem só bonança,

Mas é preciso que tenham outras estações,

Para haver comparações

Tiramos novas lições

Não perdermos a esperança.

Tudo passa, vai e vem.

A vida é feita de quatro estações,

Digo com toda convicção

Se plantarmos a semente do amor no cotidiano,

No terreno das nossas ações,

Teremos o ano inteiro

Eterna primavera em nossos corações.

A FONTE



Elda Nympha Cobra Silveira

Não sabia que iria nascer e irromper pela fissura da terra na montanha. A mãe Terra se abriu e devagarzinho, como se fosse despejar um dejeto de suas entranhas lentamente, aos poucos, mais forte, mais forte, foi surgindo como uma nascente.
Deslizando e dando os primeiros passos, foi se espalhando meio titubeante, até com o tempo tornar-se um regato. Transpôs vales e matas verdes e sombreadas onde somente havia paz e sossego. O corpo líquido era fresquinho e transparente. Aos poucos peixinhos nadavam acompanhando a massa de água nessa viagem prazerosa, margeando vales, prados e matas, quando saciava a sede dos animais que vinham à sua procura e ganhavam seu retrato ao se debruçarem nas suas margens, através do reflexo de suas cabeças e corpos. Depois de saciados, se afastavam pisando firme empolgados com suas belas imagens refletidas naquele cristalino espelho.
Outros ribeirões se juntaram e engrossaram o regato, que passou assim à categoria de rio. Por causa de seu caudal transportava barcos de passeio e de pesca e todos  amavam, aquela bonita corrente de água, que era muito útil para o transporte de víveres. Os barcos e iates grã-finos desciam e subiam aquelas águas e iam ouvindo durante à viagem todo gênero de conversa, desde os causos do pescador, do trabalhador rural, do fazendeiro ou do turista, cada um dentro do seu tipo de assunto e vocabulário.
Com tanta experiência de vida, aquela massa de água começou a sonhar com o seu destino e descobriu que um dia encontraria o mar, onde haveria outros tipos de peixes, de pessoas, transatlânticos de luxo e as margens seriam de outros países que nunca havia visto.
Ansiando por esse destino começou a correr cada vez mais, e mais, deslizando, formando cascatas, como se empurrasse um tobogã, naquelas alturas vertiginosas. Ufa! Enfim, o rio e o mar se tornaram um só e eles conheceram juntos centenas de seres marinhos e as conchas recheadas de perolas. Então, misturado com as águas marinhas, descansou nas areias amarelinhas, e cheias de crianças e jovens lindas, que tomavam sol e acariciavam as ondas que quebravam nas praias de muitos países.
Em alguns momentos aquela corrente de água doce, além de se sentir muito maior, tinha momentos de mau-humor, por causa da lua, que lá no céu, bem longe,  insistia em brigar com ele. O caudaloso rio transformado em mar convivia também com as estrelas que não eram do céu, mas do mar. Pensava que naquelas lonjuras, tudo era muito diferente do tempo em que ele tinha margens, onde os pássaros eram outros muito diferentes das aves marinhas que voavam acima daquele rio que agora era parte do mar... Mas ninguém deixa de pensar no passado e sentir saudades do tempo em que ele era apenas um regato inocente, a procura de novas experiências.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

ANEL





Maria Madalena Tricanico de Carvalho

A música era animada e muito antiga. Todos cantavam ou tentavam cantar acompanhando os músicos ou a capela mesmo.
Sentei ao seu lado e ela me olhou sorrindo. Eu também sorri. Ela olhava para mim e para o anel fantasia, mas nada discreto, em seu dedo como se quisesse que eu notasse logo, imediatamente,
- Que  anel charmoso! Bonito né!
- Ganhei do meu namorado! Quer conhecer ele? É aquele ali!
Olho para o rapaz que ela  me mostra e vejo que é um dos cuidadores ainda bem jovem em relação a divina plateia  de idosos.
- Sabe, quando eu era moça gostava muito de namorar. Namorava moço bonito e bem  apanhado!
Apanhado!  Que eu saiba não tem arvore de namorado para que se possa apanhá-los!
- Não boba! Apanhado é bem apessoado!
- Ótimo! Entendi, agora é mauricinho!  Então você era chegada num namoro quente, cheio de abraços e beijos.
- Não! Vou explicar  como era o namoro no meu tempo de moça: íamos no jardim do centro e os homens davam a volta pelo lado de fora e nos mulheres pelo lado de dentro e trocávamos olhares. Quase sempre eram assim. Teve colegas minhas, que namoravam rapazes e as vezes eles nem sabiam.
Ah! Entendi quando ela me mostrou seu namorado que tinha lhe dado o anel. Isto era mesmo “em algum lugar do  passado”.
-Quando você permitia que o rapaz se aproximasse  para conversar o namoro ficava sério e era para casar, por isso tenha que pensar bem para não ficar falada.
- Então você teve vários namorados de olho no olho e nada mais? E sobre casamento? Com quem você casou?
- Não quero falar sobre isso. Meu namorado é ciumento.
A música alegre envolvia todo o salão e os cuidadores iam preparando os idosos para voltarem para seus aposentos e depois iriam almoçar.
-Está bem! Não vamos falar do passado. Você gosta de morar aqui no Lar junto com os idosos?
-Gosto! Gosto muito! É muito alegre e divertido! Posso rezar, se eu quiser, cantar,  passear só um pouco com ajuda do meu namorado....
Enquanto eu prestava atenção nesta velhinha simpática e de bem com  vida ia observando os acolhidos saindo do salão de acordo com suas possibilidades: com suas próprias  pernas, apoiados  por cuidadoras,  em cadeiras de rodas...Minha amiga ficava ali  tranquila sentada em sua cadeira e para surpresa minha o cuidador, seu namorado, chegou e com todo o respeito perguntou:
- Quer ir agora? Ajudou-a a se levantar, deu o braço e ela com dificuldade foi andando amparada pelo braço forte e jovem do seu namorado secreto  e me olhando  atrevidamente “vou com meu namorado e você?”,  como se eu fosse uma de suas companheiras da comunidade.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Rosa é rosa... Mãe é mãe...



Lídia Sendin

Mesmo rosas, que são muitas,
Em forma, perfume e cor,
Sendo várias, não são múltiplas,
No sofrer por seu amor.

Rosas não vivem em escombros,
Nem escondem sua beleza,
Mães vivem cheias de assombros,
Entre ânsias e incertezas.

Flores nunca se desdobram
Para um seu botão voar,
Pelos filhos as mães choram
Sonhando em vê-los voltar.

Num coração sem tamanho,
Que pra abrigar se distende,
Pra mãe não há filho estranho,
É cria, é luz simplesmente.

Rosas se prendem com laços,
Mas murcham ao sol nascer,
As mães envolvem em abraços
Que não se pode esquecer.


segunda-feira, 12 de abril de 2021

CONSELHOS DA VOVÓ

 



Elda Nympha Cobra Silveira

 

Os anos foram chegando inadvertidamente ou sorrateiramente, sem que eu me desse conta e espero que quando estiver bem velhinha , não digo agora,  porque não sinto esse estado em que me enquadram.

Gostaria que meus filhos e netos se quedassem um pouco para ler oque escrevo agora,  como não sei se lerão isso pelo jornal,  vou deixar dentro de um envelope. Não precisei sofrer muito para aprender errando, mas sei que sofri por amar demais (será que se ama demais?). Não, amar sempre faz bem, quem usufrui é o sujeito do verbo amar. Porque o coração fica repleto, sem nenhum cantinho que se mostre desocupado.

Seu coração  comanda tudo, o cérebro  é apenas o condutor das prazerosas emoções.

Como ainda sou jovem, pelo menos dentro  desse cérebro, com muitos descontos, claro! Porque minha alma é saudável ainda, não quero me limitar com percursos no caminho de discrepâncias como colesterol, triglicérides, diabetes que são chatices.

Sem muitas marcas de idade, se for por comparação, obvio.

Para ser feliz é preciso acreditar em sí mesmo, não pergunte para ninguem sobre você  o que interessa mesmo é a sua própria análise, porque você está dentro de si mesma.

Seu coração é a sua estrada.Ele sempre (a, o)  está abastecendo e conduzindo.

Escolha seu melhor caminho, o mais satisfatório e prazeroso, tenha desejos reais.

Deixe, se possível, uma prole para poder viver com continuidade passando suas raizes, talentos, e princípios que marcaram sua existência senão sua passagem neste planeta será em vão. Não precisa ser um Einstein, um Beettoven, ou um Papa, apenas seja integro!

Não viva dizendo que “ no meu tempo era melhor”. Era nada, também havia guerras,  violências, mau governo, falcatruas, se bem que um fio de bigode valia como aval, e hoje me parece que seria uma insensatez quem se fiasse nisso. Será que houve uma decadência de moralidade? E o sexo?

Há, claro havia isso mas com qualidade mais pitadas de amor, romance e esperança, ilusão. Deixe seu coração bater descompassado como se fosse protagonista de um filme, de uma história de amor escrita num bom livro cheio de romance e drama.

Procure escolher seu marido que ama de verdade e que seja recíproco. Cante, dance, pinte, escreva, toque um instrumento, goste de cinema, televisão, não seja chata!

Procure entender seus pais quando não concordam com você porque eles (a o ) amam e são seus verdadeiros amigos e sua origem é ser um pedaço deles e  há um elo de amor.

Não queira se auto-afirmar contrariando-os porque você não tem a experiencia de vida que eles têm, mas tenha sua vida própria mas arque com seus erros e aprenda.

Cada ano vivido vem com experiências de vitórias e derrotas que ao longo da existência

 vai perceber que  cresceu e ganhou um enriquecimento de maturidade sem igual.

A vida é bela para quem sabe vivê-la, e nem sempre o dinheiro é a tônica, lembre-se!

A saúde é necessária para que a vida seja prazerosa, com alegria e satisfação.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Aquela que pega a enxada


Luzia Stocco

Aquela que pega a enxada
Prega os panos
Revira os sonhos
Os sonhos, reavalia
É mãe, mulher
Arrimo de família
Larga o facão
Pra parir mais um varão
É casta, vadia
Quando vai à caça
Não disfarça, cria
Varre, passa, limpa, cozinha
Limpa, varre, esfrega, passa
Sem passatempo
O tempo a espera!
Dirige o caminhão
Sobe às montanhas
Escapa da solidão
Canta, dança, nada, corre
Pra pegar o trem das nove
Em novembro, tem casamento
Acorda de madrugada
Que é onde começa o dia
As estrelas no céu
São sua companhia
Nas noites frias
Não se confessa
Abranda seu coração
Ria, mas chora quando parte um filho seu
Destemida
Teme a guerra
Já foi rainha
Em outra existência aqui
Foi vassala, fiel
Delicada e charmosa
É ela mulher gentil
Que proclama
Aos quatro cantos
Que se ama, com razão
Enfrenta mil gigantes
Pra cair aos pés de um anão
Quem é esta mulher
Que lhes conto, então?

Podem me indagar, curiosos
Eu não entrego o nome
Pois nascida das estrelas
Gerada por sua mãe

Aquela que pega a enxada...