As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

SEGUIDORES

MEMBROS DO GOLP

MEMBROS DO GOLP
FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

GOLP

GOLP
Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

GOLP

GOLP
Reunião na Biblioteca
Mostrando postagens com marcador Histórias Infantis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórias Infantis. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Lançamento de livro infantil

No próximo dia primeiro de Março acontece o lançamento do livro infantil "Edmundo o gafanhoto arteiro e Serafina a baratinha assanhada", das autoras Carmen Pilotto e Ivana Negri
É um livro bilíngue, com tradução para o inglês de Fernanda Bacellar.
As ilustrações são de Renato Fabregat





quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Histórias Infantís

O cavalinho, a menina e o sonho ...
Ivana Maria França de Negri

A vida, para ele, era só girar, girar e girar...
Todos os dias, alegres crianças de bochechas rosadas, cabelos ao vento, escolhiam um cavalinho para cavalgar. Havia o malhado de olhos verdes, o ruivo de olhos cor de mel, o negro de olhos de fogo, e ele, que era todo branco e de olhos azuis.
Eram momentos sempre mágicos. A escolha, a escalada ao dorso, e o girar, girar e girar, até ficarem ambos, cavalo e cavaleiro, tontos e exaustos.
As crianças davam gritinhos de prazer, gargalhavam e se agarravam às crinas emaranhadas dos pequenos corcéis.
Com o passar dos anos, a brincadeira se tornou monótona. O cavalinho branco via ao longe os campos verdejantes a se perder de vista. E a pradaria se unia no horizonte a um céu muito azul, pontilhado de nuvens que pareciam flocos de algodão. Imaginava as montanhas, os vales, rios e mares que sua visão de cavalinho de madeira com olhos de vidro, não alcançava, enquanto girava sem sair do lugar.
Desejava ardentemente sair dali e correr o mundo, conhecer cidades e países diferentes. As crianças cresciam e não vinham mais. Outras mais novas apareciam e todas agiam da mesma forma. Às vezes reconhecia em algum adulto uma dessas crianças que o montaram em outros tempos. Ele os reconhecia pelo brilho no olhar que denotava a saudade da infância perdida.
No carrossel da vida, tudo girava incessantemente, e ele sempre ali, enraizado, fincado fortemente no chão, sem poder fugir, só girando, girando e girando.
Havia dias em que ficava mais angustiado e fazia muita força para se soltar, mas os parafusos e porcas que o prendiam eram muito resistentes.
Certa vez, uma linda menina, de olhos azuis como os seus, escolheu-o para voltear. Mas havia algo nela dizendo que naquele dia tudo seria diferente. Pressentiu isso assim que a garotinha delicadamente o montou e sussurrou ao seu ouvido:
-“Vamos voar, lindo cavalinho branco!”
O cavalinho pensou:
-“Finalmente chegou o momento de realizar meu sonho!”
Fechou os olhos, concentrou-se com todas as suas forças e iniciou o galope. Isso mesmo, não estava girando e sim galopando! Conseguira libertar-se da roda do eterno girar. As patas, antes fixas, moviam-se rapidamente. A menina não cabia em si de felicidade e ele parecia estar numa outra dimensão. Tudo o que pensava, a menininha adivinhava. E ele também conseguia ler os pensamentos dela. Era como se fossem um só naquela cavalgada. Em frêmitos, subia montanhas, descia pelos vales, atravessava rios e densas florestas. Sentia o calor do sol aquecendo seu lombo e até as refrescantes gotinhas de chuva que pingavam nele.
Num momento de maior arrebatamento, conseguiu sair do chão. E como se fosse o lendário Pegasus, levantou voo. Possuía asas invisíveis e voava bem alto com a amiguinha agarrada ao seu pescoço. Por breve momento, avistou lá embaixo o parque de diversões e os outros cavalinhos que continuavam presos, girando, girando e girando, sem sair do lugar.
Pensou consigo:
-“Será que essa menina é uma fada?” E ela, adivinhando-lhe o pensamento e sorrindo docemente respondeu:
-“Não, meu querido cavalinho branco, sou apenas uma menina que sonhou o mesmo sonho que você... E meu pai falou que quando dois sonham o mesmo sonho, ele se realiza!”

domingo, 27 de setembro de 2009

Histórias infantís


O arco-íris fujão
Ivana Maria França de Negri

Sempre que chovia, Mariana ficava na janela esperando a chuva passar. Sabia que logo, logo, o rosto gordo e amarelo do sol vinha espiar por entre as nuvens. E aí, apareceria o arco-íris. Sete cores em arcos atravessando o céu de ponta a ponta. Coisa mais linda de se ver!
Alguém contou a ela sobre uma lenda que dizia existir um pote de ouro, muito bem guardado por dois duendes, escondido lá onde acaba o arco-íris. Mariana ficava encantada com a idéia.
Naquele dia, depois da chuva, o sol espiou, espiou, e espiou de novo...Mas, cadê a belezura do arco-íris?
Mariana ficou triste porque o céu estava cinzento e feio, coberto por uma fumaça preta e melequenta.
-“Cadê o arco-íris?” ela perguntava para todo mundo e ninguém sabia responder. Até que seu avô, um homem muito sábio, disse que o arco-íris havia sumido por causa da tal da poluição.
-“Polu o que, vovô?” queria saber Mariana, já ficando preocupada com o sumiço do arco-íris.
-“Poluição, Mariana, a fumaça que as chaminés das fábricas cospem no ar, a que se solta dos escapamentos dos carros e também a fumaça preta e fedorenta que sobe das queimadas.
Mariana perguntou ao avô o que as crianças da cidade poderiam fazer para que o arco-íris fujão voltasse a aparecer no céu depois da chuva. E o avô falou que elas deveriam procurar o prefeito, lá na prefeitura.
E não é que o prefeito ouviu as crianças e imediatamente baixou um decreto proibindo as queimadas e criou uma lei para as indústrias? As fábricas só poderiam trabalhar a todo vapor se colocassem filtros em suas chaminés.
Determinou também que as pessoas só podiam sair de carro quando fosse extremamente necessário. Deveriam andar a pé, de bicicleta ou de ônibus.
De tanto andar a pé e de bicicleta, os moradores da cidade que andavam meio gordos, ficaram até mais magros e saudáveis. A poluição diminuiu e quase acabou.
E teve um dia que choveu bastante. Mariana, na janela, aguardava ansiosa pela visita do sol. E ele espiou uma vez, espiou outra, e mais outra... e de repente o arco-íris fujão apareceu no céu todo pomposo, explodindo de tanta cor!
Tinha vermelho-cor-de-fogo, laranja-cor-de-cenoura, amarelo-cor-do-sol, verde-cor-de-árvore-da-floresta, azul-cor-dos-olhos-da-Mariana, anil-cor-do-céu-quando-está-escurecendo e violeta-cor-de-suco-de-uva, uma enxurrada de cores M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A-S!
Um viva para as crianças, para o prefeito, e claro, para o vovô sabe-tudo!

Histórias infantís


O LIVRO MÁGICO
Maria Emília Leitão Medeiros Redi

Menino esperto esse Ivan! Tem uma energia incrível. Joga futebol. Nada como um peixe! Solta pipas com os amiguinhos. Anda de bicicleta. Enfim, inventa milhares de brincadeiras. A vida para ele é uma festa sem fim!
Mas, quando está com fome, ninguém o segura - tem um apetite de leão!
Aí , Ivan corre azucrinar a pobre da Amelinha (a incansável ajudante dos afazeres do lar):
- Ameliiinha! Ameliiinha! Estou com fome! Cadê minha comida?
Amelinha faz uns pratos deliciosos que são de dar água na boca!
- Hum! Hummmm... Que delícia!
Ivan adora brincar com os joguinhos de computador. Fica um tempão se distraindo com eles... Mas, quando é hora de estudar?! Ivan inventa mil e uma desculpas.
Se tem que ler um livro, o bicho pega! Ele enrola, enrola...Ivan não gosta nem um pouquinho de ler. Só quer saber mesmo é de brincar.
Dias destes, entrou correndo na biblioteca do avô atrás de uma bola fugitiva, quando...
CRASH!!! A bola ligeira e esperta ricocheteou, bateu na parede e veio com tudo sobre a estante de vidro...
Além dos cacos, diversos livros se espalharam pelo assoalho. Entre eles, havia um, de capa de couro marrom, “muiiito” especial - tinha o poder de transportar as pessoas que o abriam para um lugar qualquer dos quatro cantos do mundo. Era um Livro Mágico!
Quando caiu no chão, abriu-se bem ao meio. De dentro dele começou a jorrar uma luz intensa... que foi se concentrando numa força luminosa, girando... girando e feito um redemoinho enlouquecido envolveu Ivan sugando-o num – Vapt Vupt!
Ivan, muito assustado, sem ter tempo de reagir, fechou bem forte os olhos.
Quando os abriu, surpreendentemente, encontrou-se numa densa Floresta Tropical, em algum canto do mundo...
- Uau ! Que árvores gigantescas!
Em seus vãos caiam longos cipós, por onde uns macaquinhos atiravam-se de galho em galho, numa brincadeira contagiante.
Eram Macacos-Aranha! Moviam-se com grande rapidez por entre os ramos das árvores. Quando viram o Ivan sacudiram as pontas dos galhos, algumas vezes os quebrando e os atirando para baixo, dando uns gritos de satisfação que soavam como latidos. Tudo isto, só para chamarem a atenção do menino.
Ivan não acreditava nesta cena! Muito menos, quando surgiram uns indiozinhos arrastando pela mata uma grande Onça - Pintada, fortemente amarrada com cipós...
Ivan arregalou os olhos e beliscava-se sem parar.
- Será que estou sonhando?
Mais adiante, avistou um rio. Era tão grande que mais parecia um braço de mar!
Nunca tinha visto tantas águas assim... Ficou encantado com as enormes flores que deslizavam sobre elas:
- Ah! Vitórias-Régias? Que Maravilha!!!
Ao descer pela margem do rio, notou que as águas se avolumavam formando várias cascatas. E, nas espumas branquinhas, os raios do sol refletiam um maravilhoso e colorido Arco- Íris! Ivan ficou extasiado!
Mas, bem ali, na margem do grande rio, surgiu um jacaré enorme e faminto que vinha lentamente na sua direção.
- Uai !!! Como vou sair desta?
Ivan sentiu um calafrio na boca do estômago.
Neste instante, uma linda indiazinha, segurando-se num cipó muito longo, voou rente ao Ivan e segurou-o forte! E os dois foram parar na outra margem do rio.
Ivan ficou aliviado e muito feliz com a nova amizade.
Mas, para sua surpresa, reparou que não havia uma árvore sequer deste lado do rio.
– Onde estão todas as árvores? Perguntou, angustiado, para sua mais nova amiga.
– Chegaram uns homens maus e, com as motosserras, cortaram milhares e milhares de árvores, respondeu a menina com os olhos cheios de lágrimas.
– Aqui está parecendo um deserto. Que coisa mais triste! É de cortar o coração.
Ivan começou a chorar de tristeza - pelas árvores cortadas, pelos animais desabrigados, pela natureza destruída...
De repente, ouviu uma voz conhecida a chamá-lo:- Ivan, Ivan!
Como num passe de mágica, viu-se de novo na biblioteca do avô - era ele que o estava procurando.
Ivan deu um abraço forte no avô. E, já com saudades das aventuras que acabara de viver, pediu, quase suplicante:
- Vovô, me empresta um livro sobre a Floresta Amazônica?
Deste dia em diante, Ivan tomou gosto pela leitura, encontrando em cada livro – um novo mundo de encantamento!
Além do mais, tornou-se amigo e grande defensor da Natureza!

Histórias infantís


O PASSEIO DE JOÃOZINHO
Leda Coletti


Joãozinho era aluno de uma das escolas de Ipeúna. Naquele ano escolar fez bastante progresso, passando para o ano seguinte sem recuperação. Por essa razão, seus pais aceitaram o convite dos tios, para que fosse passar alguns dias das férias escolares, no sítio de sua propriedade, que ficava apenas a 3 quilômetros da cidade.
Joãozinho gostava muito dos tios Jorge e Ana, além dos primos Bruno e Amanda. Ir ao sitio Paraíso foi seu melhor presente de final de ano.
Logo no dia seguinte, o tio o levou para ver três nascentes, no capão de mato existente em suas terras. Joãozinho ficou surpreso ao saber que daqueles pequenos pontos, onde nascia uma corrente d’água, surgira aquela linda represa do sítio e mais adiante a cascata, que jogava suas águas no rio Passa-Cinco. Ficaram de ir tomar banho naquelas águas no dia seguinte. Que gostosura brincar com os primos em suas águas límpidas!
Após o passeio, com muita sede, foi ao filtro d’água. Não deixou de comentar:
- Que delícia de água! Ela vem do rio Passa-Cinco, tia?
-Não meu querido. Você não foi passear com seu tio na trilha das nascentes? Pois bem, essa propriedade é um cantinho abençoado por Deus. Ele nos deu muitas nascentes e essa água que você está bebendo vem de uma delas, localizada num vale a uns dois quilômetros daqui. Nós a filtramos para garantir a sua qualidade, sem risco algum para a saúde.
Seu primo Bruno completou:
-Você viu o quanto são cristalinas as águas das nascentes e também do rio Passa-Cinco? Sem aguardar resposta foi logo explicando:
- Isso acontece porque pela preservação dos bosques e reservas florestais elas conservam o frescor e não secam. Na trilha que beira o rio, nós caminhamos dentro da mata ciliar, ou seja, na vegetação natural. Não sei se você notou, mas nosso pai plantou centenas de árvores nativas nos terrenos próximos para garantir a umidade do solo.
- É verdade que o Rio Passa-Cinco vai engrossar as águas de outro rio, de nome Cabeça, que por sua vez desemboca no rio Corumbataí, que joga suas águas no Rio Piracicaba?
- Sim Joãozinho, respondeu a tia. Mas antes quero lhe fazer algumas observações. O rio Passa-Cinco é um dos poucos que tem as águas menos poluídas. Dias atrás fui a Piracicaba, e passando pela ponte mais antiga e depois pela pênsil, fiquei muito triste ao ver tanta espuma e até peixe morto. Está tão diferente do tempo em que meus avós moravam lá. Suas águas eram limpas e havia muito peixe. O salto era um verdadeiro cartão postal. Nós éramos crianças e nos encantávamos com os peixes que tentavam subir na cachoeira e não conseguiam. Era o tempo conhecido como época da piracema.
- Eu fiquei sabendo disso. Nossa professora contou que ele e outros rios brasileiros estão feios e doentes por causa dos esgotos e lixos que recebem, tanto das indústrias, como das próprias residências.
- E pensar que nós homens somos os maiores responsáveis por esse estado tão lamentável! diz a prima Amanda.
Chegou a vez do tio Jorge entrar na conversa:
- Vocês já ouviram alguém dizer: “uma andorinha sozinha não faz verão”? Isso significa que se cada um de nós fizer a sua parte com exemplos e palavras, estaremos valorizando a natureza. E ela agradecida, nos dará o que sempre teve e tem prazer em nos oferecer: flores, frutos e sombra amiga.
- Sabe tio, vou procurar defender a vida dos nossos rios, pois sem água não podemos viver.
Joãozinho voltou para sua casa e em cada atitude diária no lar, na escola, nos lugares que freqüenta, demonstra o seu modo inteligente de tratar o meio-ambiente. Procura deixá-lo em condições ideais para todos viverem com saúde e bem-estar.
Ele está fazendo a sua parte. Vamos fazer a nossa também!

Histórias infantís


Dragões & Cia
Carmen Maria S. Fernandez Pilotto

Dragomar era um dragãozinho muito travesso. Estava sempre conectado com todos seus coleguinhas ao redor do mundo. Adorava informatiquês. Suas escaminhas chegavam a ficar embaçadas por tantas horas que passava no computador. As asas, sempre recolhidas, já estavam se esquecendo de como era voar.
Tinha criado um blog legal. Conversava pelo orkut com seus amiguinhos draconianos de toda parte. Toda noite se plugava animado:
- Oi, galera ! Digam o que acham do assunto, e blá,blá,blá passava horas conversando com dragos de todas as partes do planeta. Papo ia, papo vinha, dragos novos nas rodadas, e seguiam sempre contatos super-legais.
Na China, seu amiguinho Drag Yan Lung estava muito ocupado com os preparativos das próximas Olimpíadas. No Egito, Drag Ramsés cuidava das pirâmides que estavam se estragando por causa do efeito estufa. Nos Estados Unidos, John Green Drag distribuía na Disney folhetos para convencer as crianças do cuidado com o uso da água.
Com a esperteza de Dragomar, notou que o mundo andava de pernas pro ar, todos queriam preservar seus reinos encantados.
Já imaginaram... O ecossistema global ameaçado: a terra, a água o ar e a floresta correndo um grande perigo?
Como era super-ligado, começou a ficar preocupado e a perceber que a Terra só tinha línguas diferentes, mas que os sentimentos eram os mesmos em todos os cantos. E que nosso planetinha estava uma meleca.
Era realmente um grande problema...
Tomou uma decisão:
- Já sei! Vamos fazer uma conferência dos dragões para salvar o Planeta... Resolvido.
Passou uma mensagem em inglês para todos os coleguinhas e marcaram a reunião urgente na face oculta da lua, quando a lua nova chegasse.
Começou a receber e-mails de todos os cantos; até o Dragão de São Jorge ofereceu seu castelo para receber os amigos. Na Alemanha, Siegfried Drag fazia questão de organizar a noite de abertura do encontro com uma dancinha animada. Enfeitaram com estrelas multicores todo o castelo.
No dia combinado estavam lá. Cada um soltava uma chaminha da hora. De asinhas esvoaçantes e escaminhas lustrosas todos tinham gravatinhas ou lacinhos com as cores de suas pátrias.
Dragomar, Dragoaldo, Dragiselda e Draliana organizavam tudo, recebiam os visitantes com palavrinhas agradáveis, caprichavam no inglês:
- Hello (Olá).
- Hi (Oi).
- Good morning. (Bom dia)
- Welcome (sejam bem-vindos)
Um outro grupo da Colômbia, fazia, no capricho, uns sanduichinhos naturais que estavam uma delícia. Hum! que pimentinha naturalmente gostosa...
O grupo japonês entregava sacolinhas de pano que poderiam ser usadas para compras, explicando que o plástico polui o planeta. Já imaginaram... Que exemplo de atitude!
As palestras foram lindas... Todos estavam antenadíssimos com as mensagens. Mostraram os rios de suas cidades e como é necessário cuidar deles.
Outra reunião ensinou a separar o lixo de todo o dia. Oficina de papel reciclado criando lindas dobraduras que formavam animaizinhos divertidos. Como fazia diferença realmente!
Sabem que percebi, que todos juntos poderíamos salvar o Planeta.
Dragomar estava radiante.
- Vamos lá galera. Todos se sentaram em volta da grande cratera do lado oculto. Straussdrago, que viera da Áustria, começou a tocar uma alegre cantiga para agitar o pessoal.
- Vejam amigos, acho que será legal construir o varal do meio-ambiente e colocar todas as fotos dos lugares de onde viemos e que teremos de cuidar.
- Coleguinhas, chamou a bela Draliana, peguem papel e lápis. Vamos participar da gincana do lixo. Cada equipe montou um enorme quebra-cabeça com desenhos de um mundo com menos lixo, uma belezura de futuro. Nada de espuma, isopor, sacolinhas plásticas, pilhas e outros.
Tudo terminou com a Feira da Sucata e da Barganha, quando todos puderam trocar lembranças de suas terras natais.
Após tanta conversa, resolveram, que pelo bem do planeta, ficariam morando no castelo de São Jorge definitivamente, em constante atividade de magia. Como senhores dos ventos e das tempestades, alertariam sempre o bicho homem que o planeta está precisando de cuidados.
Quando o vento quente é mais suave, parece que ouvimos uma musiquinha misteriosa que traz o som daquela turminha:
A lua cheia, com as bochechas redondas, falou:
Êpa !
Opa !
Coloquem os parafusos nos lugares...
Reduzir
Reciclar
Reutilizar
Reinventar
Temos que aprender a mudar.
Para nascer um novo tempo
E tenho dito...

Histórias infantis


Joselito, o gatinho que queria voar...
Ivana Maria França de Negri

Ele não era um gatinho comum, desses que afiam as unhas nas poltronas e que ficam dormindo por horas seguidas em fofas almofadas ou nas camas macias dos seus donos. Joselito gostava mesmo era de subir no parapeito das janelas e ficar olhando o céu azul, os pássaros, e a dança das borboletas. Sua dona dizia: “Saia já daí gatinho desobediente, quer se esborrachar lá embaixo? Você não é pássaro, nem borboleta, e muito menos um super-homem – quer dizer, super-gato”. Ele descia, mas logo voltava e subia naquele lugar perigoso - para quem não tem asas.
E lá vinha sua dona ralhar com ele de novo: “- Gato não voa, sabia? Gato não é pássaro, nem inseto e nem avião. Desce já!”.
Só que havia uma coisa que ela não sabia. Ele tinha asas, sim! Só que eram invisíveis, uma espécie de asas pra dentro, que não dava para ver. Só pessoas muito especiais, as que possuíam olhos-de-ver-dentro sabiam que ele tinha asas.
Joselito era todo amarelinho, com enormes olhos verdes que pareciam duas esmeraldas. Nascera perto do mar, mas não gostava de água, essa era a verdade. Viera morar no interior, e desde então, tornou-se gato de apartamento. Não é que não gostasse dessa vida, pois tinha cama quentinha, comida boa e muito carinho, mas era uma vida monótona, não podia correr pelos campos ou subir em árvores. E o seu sonho secreto era mesmo voar.
Naquela cinzenta manhã de chuva, como sempre, foi espiar na janela. O peitoril estava molhado e escorregadiço. Não sabia porque, mas acordara muito ansioso naquele dia. Seu pêlo lustroso dançava ao vento e os olhos verdes refletiam o brilho de um sol ausente. Sentiu-se poderoso, forte, e com muita coragem, saltou no espaço em direção ao infinito...
Planou por alguns instantes e logo se viu num lugar maravilhoso e soube de imediato que era o céu dos animais. Lá podia voar à vontade, como as aves no céu, como as borboletas. Tinha asas sim! Podia voar! Queria mostrar à sua dona, que o amava tanto, como estava feliz. Mas não conseguia entender o desespero dela olhando pela janela vazia, e o motivo de suas lágrimas despencando como gotas de chuva lá embaixo.

* Esta é uma história verdadeira, escrita em homenagem ao Lito, um gatinho amarelo e travesso, que um dia pensou ter asas como as borboletas. Mas eu tenho certeza de que agora, ele pode voar, além da ponte do arco-íris, lá longe, muito longe, noutra dimensão, onde fica o céu dos animais.
Mas ele não foi sozinho, levou um pedaço do meu coração...