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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Falecimento

Faleceu a poetisa Maria de Fátima Rodrigues que muitas vezes foi publicada na Prosa&Verso e neste Blog literário
Que esteja em paz poetando em outras paragens

domingo, 5 de fevereiro de 2017

PROFECIAS



Maria de
Fátima Rodrigues

Revelastes
o que será,
Senhora de Fátima.

E o que já está...
Fostes enfática.

Proclamastes a bondade,
sem restrição.

Já caiu a grande Nação,
não tem volta,
a verdade ressoa:
a paz só estará presente
no coração.

Quem viver verá!

domingo, 31 de agosto de 2014

É VERÃO...


Maria de Fátima Rodrigues

No Verão da Vida os sorrisos são sinceros.
A alegria de não ser mais adolescente tem algo de vitória, de liberdade, não sabemos nada ainda sobre saudade.
Tem altas colinas que sonhamos em subir, e sem medo de cair, iniciamos os primeiros passos destemidos...
Seremos diferentes, não cometeremos os mesmos erros de “gente” que não entende de estratégias, de médias, de rainhas, de reis. Nem sabem jogar xadrez!
O tempo anda devagar, o vento sopra a favor.
O que entendemos de dor?
Nosso corpo é quente, sempre está calor.
No verão da Vida não temos pressa, no caminho paramos para descansar, jogamos  “conversa fora”, não nos importamos se a fila não anda, e na gente ninguém manda, nem adianta tentar!
O sol não vai sair do lugar, para que se estressar? Onde está o bom humor? O negócio é ter calma, nada de preocupação... pai está lá, mãe sempre desculpa, tia dá umas broncas, irmã empresta aquela roupa.
O emprego não é bom, sai de lá. O namorado é chato, tem nada não, para encontrar o cara certo tem ainda tempão.
 Somos fortes, o mundo poderá ficar em nossas mãos! Alguém duvida? Paga então prá ver então.
Nada sabemos das outras estações, a Primavera nem foi importante, o presente é eterno, nós ficaremos velhos? Tem certeza?
Ah, que é isso,  nunca fugirá de nós a beleza.
Teremos serenidade para enfrentar o outono, leveza.
Existem pedras na estrada, tiramos do caminho. Chegamos de madrugada, aquele sono não vai nos fazer falta, teremos tantos créditos.
O que é errado, o que é certo?
No verão da Vida pensamos que tudo é eterno...

Mas, o amanhã... estará logo ali, ao virarmos a esquina do tempo.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Elas não sentem...



Maria de Fatima Rodrigues

Eu posso escrever palavras
de aço,
de papel,
de flor.

Palavras que
matam,
afagam,
e até palavras de amor.

Posso
esquecê-las com o tempo,
jogá-las num canto...
... elas não sentem dor!


sábado, 5 de abril de 2014

Solidão

Maria de Fátima Rodrigues

... é tudo que tens.
Porque só fazes o quer,
o que lhe convém.

Continua,
vá em frente.

Eu paro por aqui,
ao meu coração,

também sei dizer não.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O SANTO

                         Maria de Fátima Rodrigues


Olho para a escultura
do soldado romano.
Apenas humano,
demasiadamente humano.
Fez  o medo de morrer
se calar,
e colocou a coragem
no altar!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

EU SOU ASSIM



Maria de Fatima Rodrigues

... meio destrambelhada,
num dia triste,
no outro encantada.
Eu sou o que quero hoje,
o que não deveria ter sido ontem,
mas com certeza nunca mal amada.

Vou sempre com sede ao pote,
em qualquer situação,
e verifico depois,
que mesmo que ninguém note,
fiz “das tripas” ... coração.

Tudo tem importância,
a palavra, o silêncio,
a amizade, o amor,
o gesto, o olhar...

Por isso, agora
penso, penso,
antes de falar.

domingo, 25 de agosto de 2013

Ventos de agosto


Maria de Fatima Rodrigues

... que trouxeram
sementes
de flor,
de fruta,
de amor.

... que levaram,
folhas secas
de mal
de mágoas
de dor.

... deixe ficar
o perfume,
a alegria.

E do beijo,

o sabor.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

TEUS OLHOS...



Maria de Fatima Rodrigues

... amendoados,
distantes,
serenos,
pequenos...

Misteriosos,
silenciosos,
doces.

Na noite,
no momento,
de repente.. num instante
arderam!

domingo, 24 de março de 2013

PÁSCOA, CRISTO, CHOCOLATE e COELHO

Maria de Fátima Rodrigues


Quem foi aquele
de longos cabelos,
descendente dos essênios
Uma seita tão secreta
existente há milênios ...
Um judeu nazareno,
seu voto era
o da perfeita pureza
da abstinência e castidade...
e por isso mesmo
tantas vezes desmascarou
os fariseus e suas maldades.

Quem foi aquele
Que refletia nos olhos a simplicidade
E proferia eternas verdades...
da alma e do “espírito que vivifica”
não das aparências
e das palavras que matam.

Quem foi aquele
que desafiou os escribas ...
orgulhosos secretários dos reis de Judá
doutores se achavam das leis de Moisés.
Aquele que ousou enfrentá-los
nas Sinagogas
e apesar de tão jovem,
menos da metade de suas idades,
o fez tão brilhantemente
e com tanta autoridade!

Aquele foi um verdadeiro Homem
de nome Jesus
com a energia de “Cristus”,
a “Grande Luz”.

E é por causa desse Homem,
temido pelos samaritanos e saduceus
e tão amado pelos defensores
da LEI de Deus,
que comemoramos a “Paschoa”.
Antigamente uma festa anual dos hebreus,
em memória de sua saída do Egito ...
E hoje nossa Páscoa
está escrito,
é em memória de um rei!

O rei de uma história
de FÉ, AMOR, LUZ e LIBERDADE.
Uma comunhão coletiva
de nossa própria identidade!

Mas ... existe outra versão desta festa,
dos filhos desta geração...
Pergunte a uma criança
o que é a Páscoa ?
Ela responderá a você:
- Tem gosto de chocolate
   Que pode ser Garoto, Lacta ou Nestlé...
- Tem cara de coelho...
   de pelos cinzas ou branquinhos,
   de olhos pretos ou bem... vermelhinhos!


segunda-feira, 4 de março de 2013

NÃO VENTE VENTO...



Maria de Fátima Rodrigues

Daquilo que eu sei,
nada quero acrescentar,
não é hora...
Espere-me tempo.
Não vente vento.
Ainda estou aqui...
no AGORA!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

PERDAS NECESSÁRIAS



Maria de Fatima Rodrigues

“Em meu voo incansável aprendi muitas coisas, e quando minhas asas fraquejaram, pousei nas montanhas, criando forças para novamente voar!”  (filosofia budista)

Existe um momento em nossas vidas em que acredito, tenhamos de imitar as águias.
Elas precisam trocar seus bicos já arqueados pelo tempo, pois não conseguem prender uma presa, precisam trocar suas unhas, porque já muito compridas, não conseguem segurar a caça, e suas penas velhas e pesadas,  pois não conseguem alçar voo. Têm a sabedoria de isolarem-se no alto de uma pedreira, e sentindo dor e fome, começam a bater os bicos nas pedras até que eles caiam e sejam substituídos por bicos novos, leves e fortes; depois passam a arrancar as unhas para que venham novas e afiadas, e exaustas, porém não podem se entregar, ainda têm que arrancar as penas, para que novas plumagens venham cobrir seus corpos. Então, só assim estarão prontas para continuarem a viver, talvez mais vinte anos!!
Nós não podemos mudar nada em nossos corpos, pelo menos que estejam de acordo com a Natureza, pois, mesmo fazendo plásticas não adianta em nada. É claro que fazer correções melhora um pouco o aspecto, mas não nasce nada novo.
O pior é que, nesse processo de envelhecimento, as maiorias das pessoas estacionam também seus pensamentos. Como se o corpo pudesse inibir o espírito, a alma, ou até a mente. Mas... nossa mente pode reverter isso.
 Acredito que todas as perdas que vão aparecendo no decorrer de nossas vidas são NECESSÁRIAS.
Não as aceitamos plenamente, e muitas vezes nem é a perda da juventude, da energia, e da elasticidade do corpo, mas da importância que tínhamos para as pessoas, do status na sociedade, do poder, do discernimento para resolver problemas.
 Muitas pessoas não querem nem aposentar, eu acho isso um absurdo, mas conheço muitas pessoas assim.
Bom, é claro, que muitas querem continuar trabalhando porque se não o fizerem, o valor que passariam a ganhar em suas aposentadorias seria muito pouco em relação à qualidade de vida que possuem. Mas, mesmo neste caso, a vida também é sábia, porque em inúmeros casos a pessoa era provedora de outras que se aproveitavam de sua generosidade, mas como não poderão mais disso usufruir, se afastam, e isso é bom, daí haverá uma verdadeira seleção natural de pessoas que viviam ao redor.
Em muitos casos a revolta é consigo mesma, por não viajarem mais vezes como antes, não podem mais comprar roupas tão caras, enfim limites não só físicos, mas financeiros. A não aceitação  aos limites fará com que uma pessoa inevitavelmente procure a espiritualidade, seja como for, dependendo de seu grau de instrução.
No entanto, como dizem os conselheiros espirituais, a aceitação dessa realidade de uma forma serena só fará bem, pois o caminho de “volta” exigirá de nós muito mais do que o de “chegada”.
Quando “chegamos” (nascemos), tivemos que nos adaptar aos limites do corpo, às regras sociais, estudar, trabalhar para comer, ter um teto. Lutarmos pela sobrevivência, e o que aprendemos a ganhar, teremos que aprender a perder...
Assim como tivemos que aprender a nos apegar ao material para o bem viver, teremos que começar a nos desapegar novamente!
E para isso, nada melhor do que a sutil linguagem “criptográfica” das Leis da Natureza, visto que o corpo, as fortunas e os bens, não poderemos levar conosco.
Então, quaisquer que sejam as perdas que estivermos dando tanto valor no momento, podemos vê-las como o início da transformação para um Novo Ciclo!
Portanto, por que não criarmos novos hábitos, de acordo com nossa realidade? Podemos tentar afastar medos, aprender coisas novas, mudar conceitos, e quem sabe, aqueles mais corajosos, darem um novo rumo à suas vidas, um novo sentido.
Assim, mesmo que tenhamos que sofrer um pouco para, assim como as águias  que sofrem muita dor por mais ou menos uns seis meses trocando seus bicos, as unhas e as penas para viverem bem por mais vinte anos, podemos mudar o que for necessário, para também vivermos bem ainda neste mundo por mais uns vinte anos!!
É assim que compreendo o porquê da necessidade dos desapegos... será mais fácil, pois quando estivermos em outra dimensão não sofrermos tanto, e seguirmos em frente rumo à plenitude...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O BEBÊ DA CRIS



Maria de Fatima Rodrigues

... veio sorrateiro,
tiquinho que quer ser gente.
Não vai demorar nadinha,
e logo vamos saber:
será ninhinha ou nininho?

- Mamãe Cris, não fique “baba”,
não vou te dar trabalho.... prometo!

Quero nascer neste mundo,
ue tá complicado... êpa, êpa.

Mas, nem tudo está perdido
neste planeta,
Tem nosso Criador,
que tudo conduz,

Só vou te levar Luz,
muita Luz!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

2013!



Maria de Fátima Rodrigues


Ainda é tempo
da reflexão,
filtrar pensamentos,
redirecionar  ações.

Repensar valores,
delimitar fronteiras.

Para que sonhos
sem eiras nem beiras?


Tudo que há de vir... virá.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A professora Marly e... Ana Bolena



Maria de Fátima Rodrigues

Tive ótimos professores, tanto no primário como ginásio e colegial que fizeram a diferença em minha vida, e gostaria de escrever sobre todos eles, mas decidi começar  por uma professora que admirava muito, onde estudei no Instituto Estadual de Educação Sud Mennucci, em Piracicaba-SP, durante sete anos, ginásio e colegial. Minha admiração por ela era por vários motivos: seu modo peculiar de lecionar e pela sua, digamos, “exuberante” personalidade e inteligência... minha professora de História Geral, Marly T. Germano Perecin! Hoje é historiadora proeminente nessa cidade, e com vários livros publicados.
... “Primeiro dia de aula de História Geral, da quarta séria ginasial: entrou na sala uma senhora elegante, de cabelos negros, pele alva e com uma bolsa lindíssima. O detalhe de um lenço de seda delicadamente nela enlaçado, era fantástico. Usava um batom vermelho, e o que mais me chamou a atenção foi seu anel no dedo, que era um relógio.
Imaginem um anel relógio? Alunos costumam prestar atenção na maneira de vestir de seus professores! É claro, que há diferença entre as observações das meninas e dos meninos! rs.
Apresentou-se, fez a chamada e disse à classe:
- “Não adotarei nenhum livro em especial, pois vocês é que o escreverão, porque prefiro consultar vários autores. Não quero que decorem a história, mas tenham o prazer de ouvi-la, tenham a curiosidade de saber como e por que os protagonistas tomaram essa ou aquela atitude. Tenham vontade de saber seus costumes, e anotem o que acharem interessante, os nomes, as datas, não só porque lhes será perguntado nas provas, mas para se situarem na época. E, ao ouvirem o nome deles, saibam em que eles contribuíram para a história da humanidade, mesmo que tenham realizado obras boas ou más, certo? Espero conseguir esse intento.”
E assim foi. Eu gostava de suas aulas, mas houve uma que nunca esqueci, pela maneira ousada com que relatou a história, e não “perdoou” nada sobre o rei, o bispo, a rainha, ninguém mesmo! Naquele dia ela estava inspirada:
- “ Hoje vamos falar sobre o rei Henrique VIII da Inglaterra, de sua corte, suas 300 esposas e mais 200 amantes! (nós sabíamos que era só “força de expressão”, é claro), e seu injusto e corrupto reinado e sua amante, que depois se tornou sua esposa, a qual, acredito eu, a que mais amou: ANA BOLENA.
 Ah! Quando ele se apaixonou por ela, coitada de Catarina, sua atual esposa, que morreu não se sabe como, nem de que... Bom, o bispo deveria saber, mas deixa prá lá!
Como definirei Ana Bolena: ela era solteira, mas não fanática ” (achei aquela definição, a maneira mais sutil e criativa de falar sobre uma mulher, para aquela época, muito independente. Nós rimos muito, com certeza!).
E continuou contanto a história, não só de sua trajetória como esposa de Henrique VIII, mas também das injustiças da administração do rei, descrevendo como viviam os pobres ingleses, do poder que a Igreja Católica tinha sobre a corte, etc... mas ele se decepcionou com Ana porque ela não conseguia ter um filho homem, é, acho que foi isso. Então, infelizmente alguém, se encarregou de arranjar um adultério para que o rei “não a perdoasse” e fosse condenada a morte. Acho que foi mais ou menos assim!
Sim, professora Marly, a senhora conseguiu seu intento: inspirou-nos a querer saber e compreender a História, e mais ainda, nos ensinou como contar uma história, pois se não fosse isto, eu não teria conseguido contar em apenas uma hora e meia para uma colega de classe, a Ivete, um livro de 600 páginas: “Quo Vadis?”,  de um escritor judeu, de um nome tão complicado que nem sei escrever direito, o qual nos foi solicitado ler para uma prova oral, para a nota mensal, e justamente para a matéria História Geral.
 Ela fazia parte de meu grupo, que eram cinco alunas, e contou-me que não tinha lido o livro, nem uma linha sequer, nem sabia do que se tratava a história, e teríamos uma prova oral de História Geral na última aula sobre do dito cujo. O que fizemos? “Matamos” duas aulas anteriores e eu tentei contar-lhe “meio estilo professora Marly”, e não é que deu certo?
Bom, chegou à última aula e a professora Marly “sorteou” os nomes,  para apenas um representar, portanto responsável pela nota do “grupo todo”. Adivinhem quem foi “sorteada”? Ela mesma, a IVETE!
Ela quase teve “um treco”, mas eu disse: vai lá e responda só o que tiver certeza, não “chute”! Pois ela conseguiu responder 60% das perguntas e sua, ou melhor, nossa nota foi 6,5 e a professora Marly, ao final, perguntou:
“- Ivete, só por curiosidade, por que você ficou olhando o tempo todo para a Maria de Fátima, quando respondia as perguntas?”
Ela deu um sorriso sem graça, e respondeu: -“Sei lá, acho que foi nervosismo, então olhei só para uma pessoa e me concentrar, só isso.”
Pois bem, professora Marly Therezinha Germano Perecin, depois de 34 anos a senhora ficou sabendo a verdade! rs.
E a Ivete teve que saber quem foi Nero, porque disseram que ele colocou fogo em Roma, quem foi Ligia, Marcus Vinicius, Caio Graco e Brutus. O que era um gladiador, qual o símbolo ou a “senha” dos cristãos (um peixe), e quando e onde Jesus disse:
 - “Quo Vadis Pedro?”
Tenho certeza de que esse foi o livro que a Ivete nunca leu... rs, e o qual jamais esqueceu, e nem eu!
Professora Marly, obrigada pelas suas prazerosas e “peculiares” aulas e exemplo de criatividade, como grande educadora que foi, e hoje historiadora que é.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SER CRIANÇA




Maria de Fátima Rodrigues
.
... não tem nada de inocente,
nem de brando,
nem de cálido,
são apenas seres humanos inexperientes.

... são gente “nova no pedaço”,
que não têm ainda noção de espaço,
nem de perigo,
saíram de um lugar tão quentinho.

... daquele cordão generoso,
que vinha alimento tão gostoso,
só sobrou um furinho...
o umbigo.

- “Tem nada não gente “gande”,
esperem só prá ver,
quando eu  “quescer”...
vou mandar em todos vocês!!”

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

FALANDO DE MONTE ALEGRE...



Tributo à Capela de São Pedro...

Maria de Fátima Rodrigues

A realização do sonho de um grande empreendedor, que sentia saudade de sua terra. O Comendador Pedro Morganti, quando mandou construir na Usina Monte Alegre, em Piracicaba, uma capelinha no mesmo estilo da Capela de São Frediano, em Lucca na Itália, não poderia imaginar que um dia ela seria tão reverenciada.
A Capela de São Pedro ainda está lá, imponente, respeitada e amada! É, e sempre será, o símbolo não apenas de um bairro, mas de toda uma cidade.

A Capelinha de Monte Alegre, fotografada, copiada, citada, musa de pincéis ansiosos para reproduzirem emoções, estética e estilo, nas telas, paredes, e até em um simples papel... “com cinco ou seis retas é fácil fazer” a Capela!

Contada em versos, em prosa, por poetas e escritores que nela foram batizados, tiveram suas primeiras lições sobre a Criação, confessaram seus segredos, coroaram a senhora das Graças, juraram fidelidade, disseram suas secretas mágoas.

 “... a Virgem parece sorrir, sinto-a pertinho de mim,
solto a voz, parece que não vou alcançar...
Termino o canto, deslizo os dedinhos, coloco a coroa...
... a igreja fica vazia, mas um canto ao longe ecoa,
rainha, formosa e boa, é Monte Alegre quem vos coroa!” (MARILDA DE LUCCAS SAMPRONHA)  julho/2011- trecho do poema “Coroação”.

“Lembro-me ainda menino,
Quando minha mãe colocou uma fita branca
em meu braço,
e me mandou para a Igrejinha,onde ainda hoje tenho laços...”  (VINÍCIUS CARLOS RODRIGUES) maio/1999 - trecho do poema “Mãe”.

Quantas melodias foram nela entoadas, principalmente por um de seus mais diletos “tenores”, meu pai... Venésio Clemente Rodrigues: Ave Maria de Gounod ou de Somma, os noivos podiam escolher!

Tatuada por um jovem artista plástico, o qual lhe deu abrigo, espaço e tempo, para assim delinear, expressar e descobrir seu verdadeiro talento: ALFREDO VOLPI.

Ela chama a atenção, tem luz própria.

O que muitas pessoas não sabem é quem se preocupou com sua preservação como patrimônio histórico. Um jovem que, vindo trabalhar na Usina, na empresa Monte Belo S/A - Açúcar e Álcool, de propriedade do Grupo Ometto na época, mais ou menos entre 1976 e 1977, se apaixonou por ela, pela sua arquitetura, e notando a exuberância de seus afrescos, teve uma surpresa: eram de Alfredo Volpi.
Que fascinante descoberta para ele: Eduardo Pacheco Giannetti, um grande amigo de trabalho, que já tinha essa preocupação maior com o coletivo. Não era de muito falar, mas agir, e o fez.

 Ávido por preservar sua memória, foi em busca de sua mais remota história. Escalou  montanhas de burocracias, procurou comprovar sua originalidade com outros artistas plásticos ou críticos de arte, tendo como álibi a marca registrada do artista: as figuras geométricas dos barrados de suas obras. E, já muito distante dessa “terrinha” conseguiu seu objetivo: o Tombamento deste ícone remanescente de um tempo que não volta, mas que será preservado para sempre!

Ela, a Capela, está lá, sempre estará, mas só, completamente só. Sua aura ainda resplandece. As vozes em preces emudeceram, mas ninguém dela se esquece.

Seus moradores, os antigos ou os novos, querem acordar aos domingos e ouvirem o ressoar dos sinos. Não querem relembrar apenas passados, e sim ouvirem os sinos no presente! Querem cantar as Aves Marias novamente!

Monte Alegre quer renascer! Seu passado glorioso pode ser transmutado, e tem que ser reiniciado por ela, a Capelinha quem sabe!

E, gostaria de terminar esse tributo, citando um texto que há pouco tempo vi e gostei do que li... na Revista Virtual MONTE ALEGRE em sua primeira edição, escreveu seu diretor Bruno Fernandes Chamochumbi:

Justamente o neto do Sr. Eduardo Fernandes Filho, que também fez sua parte nessa história, e que surpresa agradável, pois percebi o empenho de seu neto, em desejar reconstruir esse pedacinho de paraíso:

“... nossas páginas falam de um Monte Alegre que cresce sem precisar aumentar de tamanho, que se desenvolve sem agredir a vida, que harmoniza tecnologia com meio ambiente, e história com futuro...”

Que assim seja feito.
AVE Capela de São Pedro... Ave

domingo, 5 de agosto de 2012

Que livro você está lendo?


Escritora Maria de Fátima Rodrigues

Livro: “O Efeito SOMBRA” Autores americanos: Deep Chopra, Debbie Ford e Meriane Williamson - Editora: Texto Editores Ltda
Este livro, escrito por três dos maiores guias espirituais da atualidade, em cujas obras abordam um tema em comum: a sombra que existe em cada um de nós, a qual Carl Jung chamava de sparring, “parceira de treino de box”, pois em nossa dualidade ela representa a oponente que expõe nossas falhas, no entanto aguça nossas habilidades. É a nossa treinadora, o guia que nos apóia no descobrimento de nossa verdade interior.
Dizem que a sombra não é um inimigo e nem um problema a ser vencido, mas um campo fértil a ser cultivado...
Os autores “esculpem” a sombra, cada qual à sua maneira e peculiar às suas profissões e experiências de vida, mas chegando a um consenso inteligente, é claro, e ao mesmo tempo fácil de compreender como conviver com ela. Não tentarmos ignorá-la. Conduzem-nos e nos ensinam que a dualidade é inerente à nossa personalidade, somos bons e maus, e nunca conseguiremos ser apenas bons ou apenas maus, jamais.
Se não conseguirmos enxergar nossa sombra, temos que procurá-la, pois se esconde nos becos de nossas ilusões.
Ter um lado sombrio não é possuir uma falha, mas ser completo! Estamos todos vivendo com destroços de idéias fracassadas que um dia pareceram soluções perfeitas. Sob a névoa da ilusão, não vemos nossos piores impulsos autodestrutivos. Eles são irresistíveis, até divertidos...
A consciência Superior se apresenta como resposta a inúmeros movimentos espirituais, e é a resposta, única e duradoura, ao lado sombrio da natureza humana. Mas, não é a resposta que nos falta – é a sua aplicação!
O primeiro passo para derrotar a sombra é abandonar todas as expectativas de derrotá-la. A ilusão na qual recaímos é pensar que a vida nos força a escolher entre o bem e o mal. Na realidade há um terceiro caminho: Ser Pleno. Da perspectiva da plenitude, podemos equilibrar a escuridão e a luz sem se nos tornarmos escravos de nenhuma delas!
Não sejamos leais à dualidade, paremos de rotular, culpar e julgar. Deveríamos abrir mão de fantasias de querer mostrar “ao mundo” que nós estamos certos e os outros errados. A plenitude não será real até que os conflitos ocultos de nossa vida sem resolvidos.
Minha opinião: Ainda estou na metade das 250 páginas desta interessante leitura e fascinante tema, e por enquanto, o que mais me chamou a atenção, foi justamente essa terceira opção...
Então, continuarei minha leitura e avidamente tentar aprender “passo a passo” como atingir essa plenitude. Não para derrotar minha sombra, mas saber identificá-la quando for necessário fazer escolhas, e assim deixar de cometer os mesmos erros, por ela direcionados... 

terça-feira, 19 de junho de 2012

A SUPREMA ARTE



Maria de Fátima Rodrigues

Saber falar, ser um orador é uma arte, mas também um dom, assim como tudo que conseguimos aprender com facilidade, e o fazemos com prazer. Acredito que seja porque já o possuímos em nosso âmago, e muitas vezes somente descobrimos estes dons quando necessitamos executá-los para uma tarefa, seja na escola, no trabalho, ou até mesmo doméstica. Cantar, dançar, escrever, cozinhar, esculpir, desenhar, pintar, administrar, fazer rir, representar, enfim, todas as artes que possamos imaginar, muitas delas já estavam ali, bastando uma oportunidade para “aflorar”!
Mas, existe algo inerente a todo ser humano que pode ser despertado: saber ouvir! Não estou me referindo a escutar para aprender algo, mas ouvir alguém a lhe contar algo, a desabafar um problema, uma dúvida, a lhe contar como fez para resolver! E, incluo os profissionais que estudaram para isso, como os psicanalistas, psiquiatras, psicólogos, terapeutas, assistentes sociais, porque eles tiveram que aprender também, se é que realmente o conseguem, há exceções, mas são poucos, esta que considero a mais complexa das Artes!
Ouvir não é julgar atitudes ou dar conselhos. Ouvir, não é nem deixar o outro terminar de falar e começar a contar outra história parecida que aconteceu consigo. Ouvir é uma arte que exige sabedoria, equilíbrio emocional e acima de tudo amor incondicional ao próximo. Exige experiência de vida e cicatrizes na alma! Ouvir é escutar o outro sem julgamentos, pois cada um tem uma história de vida e suas atitudes foram ou são tomadas de acordo com seus valores, não podemos fazer comparações com nada e com ninguém.
É esquecer seus próprios problemas e compromissos naquele momento, esquecer seu próprio ego, porque como escreveu Khalil Gibran”... há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas.”
A arte de ouvir... só poderão utilizá-la, aqueles que aprenderam a ficar em “estado de graça”, e está ali apenas com seu Deus Interior presente, e anular sua própria personalidade para estar receptivo à do outro. Apenas isto, nada mais!
A humanidade está necessitando mais do que nunca de pessoas que pratiquem esta Arte... e mais uma vez citando Gibran:“... há aqueles que dão sem sentir pena nem alegria, e sem pensar em sua  própria virtude,  assim como o mirto espalha sua fragrância, e pelas mãos de tais pessoas Deus fala e através de seus olhos, Ele sorri para o mundo.”
Acredito que saber ouvir seja a Suprema Arte...o bálsamo para a ferida daqueles que precisam de cura física, mental e espiritual!“Audi et alterem partem!” (ouça o outro lado)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

DESUMANA


                        

Maria de Fátima Rodrigues
   
Meu tempo
não é o de Zeus...
o Olimpo não
é minha morada.

Meus sonhos
são humanos...
sonhados,
anos e anos.

O que há
de errado então...