As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

terça-feira, 31 de agosto de 2010

1o Concurso Literário Guemanisse de Crônicas, Cartas e Trovas


1º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CRÔNICAS, CARTAS E TROVAS / 2010

http://www.guemanisse.com.br/
editora@guemanisse.com.br
concursoliterario@guemanisse.com.br

Objetivando incentivar a literatura no país, dando ênfase na publicação de textos, a GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA. promove o 1º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CRÔNICAS, CARTAS E TROVAS, composto por três categorias distintas:

a) Crônicas – Narrativa breve, sobre a vida cotidiana, podendo ser informal, intimista, familiar, etc.

b) Cartas – Textos reais ou imaginários em forma de missivas.

c) Trovas – No estilo tradicional (composta de estrofes de QUATRO versos, com sete sílabas poéticas, rimadas em ABAB).

o qual será regido pelo seguinte

REGULAMENTO

1. Podem concorrer quaisquer pessoas, de qualquer país, desde que os textos inscritos sejam em língua portuguesa. Os trabalhos não precisam ser inéditos e a temática é livre.

2. As inscrições se encerram no dia 10 de SETEMBRO de 2010. Os trabalhos enviados após esta data não serão considerados para efeito do concurso, e, assim como os demais, não serão devolvidos. Para tanto será considerada a data de postagem (correio e internet).

3. O limite de cada CRÔNICA ou CARTA é de até 4 (quatro) páginas e as TROVAS se prendem ao estilo tradicional. Os textos devem ser redigidos em folha A 4, corpo 12, espaço 1,5 (entrelinhas) e fonte Times ou Arial.

4. As inscrições podem ser realizadas por correio ou pela internet da forma seguinte:

a) Via postal (correio): os trabalhos podem ser enviados em papel, CD ou disquete 3 ½ para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. CAIXA POSTAL 31.530 – CEP 20780-970 - Rio de Janeiro – RJ;

b) Internet: os trabalhos devem ser enviados, em arquivo Word , para o e-mail concursoliterario@guemanisse.com.br (com cópia para) editora@guemanisse.com.br

5. Os textos devem ser remetidos em 1 (uma) via, devendo, em folha (ou arquivo, no caso de Internet) separada, conter os seguintes dados do concorrente:

a) nome completo;

b) nome artístico, com o qual assina a obra e que será divulgado em caso de premiação e/ou publicação;

c) categoria a que concorre;

d) data de nascimento / profissão;

e) endereço completo (com CEP) / e endereço eletrônico (e-mail).

6. Cada concorrente pode realizar quantas inscrições desejar.

7. Para as categorias CRÔNICAS e CARTAS, o valor de cada inscrição é de R$ 30,00 (trinta reais), podendo o autor inscrever até 2 (dois) textos por inscrição. Para a categoria TROVAS, o valor de cada inscrição é de R$ 30,00 (trinta reais) podendo o autor inscrever até 5 (cinco) textos por inscrição. Os valores devem ser depositados em favor de GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA, na Caixa Econômica Federal, Agência 2264 – Oper. 003 – Conta Corrente Nº 451-7

8. A remessa do numerário referente à inscrição, quando feita do exterior, deve ser efetuada através dos correios;

9. Os comprovantes de depósito (nos quais os concorrentes escreverão o nome) devem ser remetidos para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. pelo correio, pela internet (escaneados) ou para o fax (21) 3734-2005. Nenhum valor de inscrição será devolvido.

10. Os resultados serão divulgados pelo nosso site www.guemanisse.com.br, pela mídia e através de circular (por e-mail) a todos os participantes, no dia 11 de OUTUBRO de 2010.

11. Cada Comissão Julgadora será composta por 3 (três) nomes ligados à literatura e com reconhecida capacidade artístico-cultural. Ambas as Comissões podem conceder menções honrosas ou especiais.

12. As decisões das Comissões Julgadoras são irrecorríveis.

13. Para cada Categoria (CRÔNICAS, CARTAS e TROCAS), a premiação será nos seguintes valores:

a) Premiação em dinheiro:

1º lugar: R$ 3.000,00 (três mil reais) e publicação do texto em livro;

2º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais) e publicação do texto em livro;

3º lugar: R$ 1.000,00 (mil reais) e publicação do texto em livro.

b) Premiação de publicação em livro:

Os textos premiados, inclusive os que forem agraciados com MENÇÃO HONROSA e/ou MENÇÃO ESPECIAL, serão publicados em livro (sem ônus para seus autores, inclusive de remessa postal) e cada um destes autores receberá dez exemplares, a título de direitos autorais. Os direitos autorais subseqüentes a esta edição são de propriedade dos seus autores, não tendo a Guemanisse nenhum direito sobre os mesmos. Esta edição específica não poderá ultrapassar a tiragem de 2.000 (dois mil) exemplares, e os livros restantes desta edição serão preferencialmente distribuídos por bibliotecas e escolas públicas.

14. A inscrição no presente concurso implica na aceitação plena deste regulamento.

Meninos Cotidianos

MENINOS COTIDIANOS
Carlos Moraes Junior

Impossibilidade de ser... Quando o subjetivo se distorce e o objetivo vai derretendo no meio da lava do egoísmo. Impossibilidade de ser como aquelas pessoas que andam de noite pelas ruas, tiritando dentro do pouco de roupa que tenta cobrir um tanto de gente enjoada de viver, carente de ser. E na verdade eles são tão pouco! Pobres. Somente pobres, inexistentes, invisíveis, porque o dinheiro só dá para matar a fome. Pobres somente que matam a vida em qualquer lugar: embaixo das pontes e dos viadutos.
Meninos mal-vestidos que amanhecem nas ruas fumando crack, mulas humanas cansadas, catadores de papelão, que puxam até tarde seus carrinhos, para poderem juntar uns centavos para comprar pão com mortadela. Impossibilidade de ser, de ter sem nada ser. Utopia dos jogos de loteria e daqueles tênis espantosos brilham nas vitrines das lojas.
Meninos de narizes esborrachados na vitrine só podem ver, sem sentir, sem a possibilidade de concretizar o sonho. E a vida sem presente e sem futuro, a vida sem vida, a morte em vida faz deles poderosos vingadores, que não temem nada porque são heróis que tentam fugir desse moto-contínuo, mas terminam sempre no mesmo lugar e do mesmo jeito.
Meninos que têm hora marcada para nascer e para morrer. Meninos de vida insana, insensata e curta. Meninos pobres que descobrem muito depressa que é o homem e não Deus, quem tem o poder de marcar seu destino e seu tempo final. Meninos pobres, pobres meninos habitantes de um universo sem sentido. Vida vibrante, dissociada e curta. Vida de menino pobre que chegará sempre no mesmo lugar e do mesmo jeito. Enquanto o redor assiste esta representação mal-feita, mal ensaiada e sem talento da violência do nosso cotidiano.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os três nomes do gato


OS TRÊS NOMES DO GATO (*)
Lázaro Barreto

Dar nome aos gatos não é tarefa fácil nem fútil. Muitas vezes quando digo que o gato deve ter TRÊS NOMES DIFERENTES, olham-me de novo, julgam-me biruta.
Mas assim é, por mais que estranhem e gozem. Primeiro o nome corrente, de uso da família, que pode ser Poetinha, Alípio ou Conceição.
Depois o escolhido de pessoas refinadas (extravagantes ou mesmo sóbrias), como Menelau, Polonaise ou Pixinguinha. Por último o mais íntimo e solitário, que ele mais necessita para manter o orgulho e esticar os bigodes, enrodilhar-se na cadeira ou pular o muro como num voo - e que pode ser Diadorim, Caracóia ou Ana Lívia Plurabelle, que nenhum outro gato deste mundo ostenta.

Mas além desses e acima de tudo e de todos, há um nome especial de sua preferência
e esse ninguém sabe e nunca saberá. É o nome que nenhuma pesquisa humana pode descobrir e que só o próprio gato sabe, mas que nunca dirá a ninguém.
Assim, quando se vê um gato em profunda meditação, os olhos abertos e cegos, as unhas em inocente repouso, saiba que a razão é sempre a mesma: sua mente está ocupada na contemplação de seu misterioso e inescrutável e singular NOME.

(*) Paráfrase de Um Poema de T. S. Eliot

domingo, 29 de agosto de 2010

A Bolsa

A bolsa (e continua caindo)
Gabriel Araújo dos Santos

Meu irmão, mais velho que eu — tem 85 anos — mora lá nos confins das Gerais, mil quilômetros daqui. Além de tudo, somos compadres, mas ele nunca me liga.

Sozinho no casarão da fazenda, ele mesmo côa o seu café adoçado com rapadura, e prepara o guisado — como se fala por lá.

Não é ignorante. Um desapegado.

Não consegue lidar com as teclas do telefone que os filhos deram de instalar na fazenda, no intuito de amenizar-lhe a solidão, que ele não sabe o que é isso.

“O duro é a sodade” — às vezes me confidencia — a saudade da companheira de tantos anos...

Nos fins de semana, lá da rua — cidade — vem o filho e vem a nora, e também as duas netas, meninas ainda, suspiro de sua vida, costuma dizer.

Quando liguei pra ele, dei de enveredar para os assuntos da bolsa de valores, ao que ele entendeu que a alça da minha bolsa havia se arrebentado, ou escapulido.

“Pode ficá sussegado, sô, que eu tenho aqui um couro todo ispicial, que curti nem sei mais quando, e na hora cocê vié aqui traz ela, que vou dá um jeito, e tenho até uma fivela, daquelas de prata, e vai ficar uma tetéia, uma belezura!”

Limitei-me a aceitar sua oferta, que era sincera demais, com o que se sentiu todo animado, e está lá, com certeza já aprontando a alça para a minha bolsa e aguardando minha chegada, que não sei quando.

Não me atrevi a corrigir-lhe o engano, enchendo-lhe a mente das balbúrdias do mundo financeiro, logo ele, que às sete da noite já se recolhe para rezar, e dedilhando tranquilo as contas do terço contempla os mistérios da Virgem Mãe de Deus.

Lá fora, na curralama, o gado esterca e muge, ruminando macaúba, enquanto o monjolo retumba forte e grosso, pilando os punhadinhos de arroz para o consumo diário.

Embalado pela sinfonia de sapos e rãs que habitam os brejais, vara sem temor à noite que ali é mais espichada, enquanto o resto do mundo clama por mais tempo, tempo de perdas e ganhos, conquistas e derrotas, poucos ou nenhum sonho realizado, eis que não dormem, e às vezes nem tempo de amar lhes sobra, tais os atropelos e as artimanhas do mundo dito globalizado...

sábado, 28 de agosto de 2010

A Vida é Bela!

A vida é bela!Maria Cecilia Graner Fessel

Domingo! Bom! Ele só acordou com os ruídos que a mulher fazia na cozinha,
preparando o café. Sem a zoeira das crianças chegando à escola defronte a sua casa,
o silêncio acalentara seu sono. Espreguiçou-se. Percebeu que chovera durante a noite, ainda dava para sentir o cheiro de terra molhada. Ficou imóvel alguns minutos, apreciando os odores estimulantes que vinham da cozinha, do café e dos pãezinhos quentes entrando por suas narinas.Sua boca salivou antevendo o prazer da manteiga derretida sobre o pão. Levantou-se e enfiou os dedos nus no carpete, sentindo sua maciez. Lavou-se, passou as mãos pelo rosto, percebendo o contraste entre a pele das faces e a áspera barba crescente. Sorriu. Domingo. Que bom!.
Foi andando descalço até a cozinha, e teve um arrepio com o frio do piso de cerâmica na sola dos pés descalços. Beijou a mulher e, antes de sentar-se, abriu a porta que dava para o gramado interno. Aspirou deliciado o ar matinal: - “Meu bem, a laranjeira floriu, sinta que delícia de perfume!”. Caminhou pela grama ainda molhada, deu uma topada no pé, xingou e comentou :- “Precisamos limpar o gramado , ficou cheio de galhos e folhas secas da ventania de ontem!”Nisso começou o agudo desafio entre os bentevis das árvores da calçada, cada qual improvisando sua própria melodia.
A mulher se aproximou por trás dele, abraçou-o rindo e ele sentiu-lhe o corpo quente e curvilíneo encostado no seu, os cabelos crespos cheirando a xampu roçando em seu pescoço. Um sol forte, ardido, tocou seu rosto e seus braços. Então ele levantou a cabeça, voltando para o céu os olhos cegos, e exclamou:
-“Como a vida é bela!”.

Definindo a Saudade

Definindo a Saudade
Maria Iraci Pinto

Saudade é um cheiro de flor, misturado ao perfume de alguém que está longe.
É o som de uma música que ecoa na lembrança junto com uma voz que só nosso coração ouve.
É a presença constante de um olhar, um gesto, um sorriso, e de um corpo tatuado em nossa pele e em nossa mente.
Saudade é o que sinto de você, meu amor, sempre tão unipresente em minha horas de solidão.
Definição de saudade para mim é a sua ausência em meus dias.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Aprendendo com os Ipês

Aprendendo com os Ipês
Adenize Maria Costa

A florada dos ipês está de encher os olhos... É um convite encantador para a vida! De vez em quando, no ônibus, a caminho do trabalho, escuto alguém reclamando da vida... Da falta de chuva... Do tempo seco... Do calor atípico para essa época do ano... Olho pela janela e vejo os Ipês, em toda a sua majestade, não estão nem aí com o tempo que está fazendo, nem aí com a falta de chuva, nem aí com o tempo seco. Parecem estar numa competição: “Concurso da mais bela copa”. Os passarinhos fazem festa! Imagino os beija-flores, acho que ficam perdidos com tantas flores, com tanta fartura de néctar!
Hoje, mais uma vez, a caminho do trabalho, fiquei apreciando e aprendendo com a beleza dos ipês. Olhei com outros olhos para essa explosão de beleza. Quero a cada dia, trazer esse aprendizado para a minha vida: não importa se está calor ou se está frio, se chove muito ou pouco, se o tempo está seco demais ou úmido demais, quero essa beleza! Viver a vida com todas as dificuldades, os desafios diários... Com simplicidade, com alegria. Alegria que vem de dentro, que vem do Alto... Aprender com as “podas da vida” a florescer n tempo certo do jeito certo!
A florada dos ipês está mesmo de encher os olhos, mas muito mais, o coração!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Alma gêmea


Alma gêmea
Eloah Margoni


Assim como Dora Carrington e Lytton Strachey me sinto em relação a você. Isso sem ser eu pintora nem você gay, e mesmo morando em cidades separadas há tantos anos; às vezes, residindo também em países diferentes... Dentre diversas, várias pessoas tão queridas e chegadas, essenciais em minha vida, você aparece como fonte d` água, uma luz primordial. Não me lembro, e acho isso muito engraçado, do dia ou da hora nem da circunstância na qual nos conhecemos, talvez porque tenha sido algo natural e complementar, ou quem sabe porque você estava metamorfoseado, disfarçado e não o reconheci de imediato. Por outro lado, não nos identificamos por razões sexuais nem eróticas. Penso até que seria impossível vivermos juntos, mesmo só dividindo espaços. Trata-se a ligação importante que tenho com você, de falarmos a mesma linguagem, ou melhor, você traduziu para mim mesma, há tantos anos, desde que era eu jovem, minha própria voz! Tudo o que eu sabia silenciosamente, o montante com o que sonhava, as questões que intuía em relação ao planeta ou tudo que viria a ser como filha deste. Sintonia com a Terra, você a decodificou em mim e a alimenta ainda.

Na época em que o conheci era eu humanista. Depois, com o tempo, percebi que tinha de fazer A Escolha de Sofia. Todos nós, os sensíveis, temos de fazê-la de certa maneira, mas o lado para o qual caminhei foi com sua bússola, seu norte, com seu sextante, seu GPS ou seja lá o que for, modernamente falando.

Incrível que nunca tenhamos sequer discutido, nem nos anos em que convivemos bem amiúde! Mas o discípulo não discute com o mestre. Como pessoa, posso ver-lhe defeitos variados, assim como eu os possuo, mas isso não interessa.

Da última vez em que nos encontramos, foi num setembro um pouquinho friorento, num dia brusco com um ventinho triste e irritante. Jamais eu vira um setembro assim naquela cidade de clima aprazível e quente, mas as mudanças climáticas que tanto anunciamos e lutamos para evitar, finalmente chegaram, e aqui, abro um parêntesis para dizer que, ao constatá-las, bem como à espoliação dos recursos naturais, o que previmos e procuramos, desde há décadas, prevenir, nos está enlouquecendo. Fecho parêntesis.

Naquele dia ao qual me referi acima, sua casa tão querida para você e familiar para mim, agora usada como estúdio ou centro de estudos, me pareceu um pouco desolada. Grande, de boa construção, mostrava-se meio largada e estranhei que a deixasse assim até a desvalorizar enquanto imóvel, mas isso não importava porque você lá estava! A grande biblioteca, cheia de estantes atulhadas de livros de cima a baixo, colocada fora da casa, apertada no seu espaço limitado, me fazia indagar porque a mesma não fora transferida para outros cômodos da residência, que se mostravam quase vazios, mas não era relevante na verdade, pois você se achava entre os livros, numa mesa sem grande conforto ou dimensão, ao lado do computador. De pé, entre as estantes, esperei por você quando o telefone tocou e era uma mulher que tentava seduzi-lo e o aborrecia. Você, que sempre foi amado das mulheres, repelia zangado a insistência daquela, mas ao fazê-lo demorava-se na conversa e até lhe dava, assim, em sua ênfase negativa, certa atenção. Particularmente achava aquilo esquisito, aguardando-o emparedada pelos livros, mas isso pouco me incomodava, pois você permanecia ali. E assim lhe peço agora, encarecidamente, meu amigo e mestre, que aí permaneça por muitos e muitos anos, e definitivamente enquanto eu ainda existir!

Concurso "Arte pela Paz"


“ BARCOS DE TODOS OS TEMPOS ”
Projeto Internacional “Arte pela Paz” - 13ª edição


http://www.amarsp.org.br/amar/8_BTT_BARCOS_DE_TODOS_OS%20TEMPOS.pdf

Movimento Infanto-Juvenil Crescendo com Arte
( The Youth and Child Movement Growing with Art )

Centro Cultural da Marinha em São Paulo

Em novembro de 2010 será realizado o concurso de arte para crianças e jovens do Brasil e do Mundo com idade entre 04 e 16 anos
Professor(a) - Instituição: Realize uma pesquisa com seus alunos sobre o tema, tendo como objetivo o conhecimento da arte e
a importância da construção dos barcos como elementos da paz.
A humanidade deve se desenvolver nas ciências e nas tecnologias, sem esquecer da evolução dos valores de solidariedade,
generosidade e compaixão pelos semelhantes e por todos os seres responsáveis pela existência da vida na Terra. Tais valores,
reformulados a cada geração, constituem a maior tradição de um país que, junto às manifestações populares baseadas no
respeito à vida e à dignidade, mantêm a esperança na conquista da paz entre todos os povos do planeta.
Os barcos, desde os tempos mais remotos, foram responsáveis pela expansão e desenvolvimento das civilizações.
Há muita arte em cada tipo de embarcação: canoas, botes, jangadas, caiaques, caravelas, dracares, galeras, veleiros, escunas,
lanchas, iates, navios, rebocadores, petroleiros, etc...
Sugestões de assuntos que podem ser abordados:
1. A construção de barcos e a navegação levaram ao conhecimento de novos continentes e às trocas entre os povos, fazendo o
mundo se expandir.
2. Barcos utilizados nos esportes, no turismo, no lazer, no comércio, no atendimento às comunidades ribeirinhas e praieiras
isoladas, no salvamento de pessoas e de animais.
3. Barcos dos povos primitivos, barcos das diversas civilizações dos períodos da humanidade, barcos famosos, barcos históricos.
4. Barcos usados em manifestações culturais e folclóricas.
5. Barcos que transportam as mercadorias que cada país produz.
6. Barcos da Marinha de cada país, construídos para garantir a segurança, atuar em salvamentos e fazer pesquisas científicas.
7. Barcos utilizados para alertar e proteger animais e a natureza contra a exploração e a crueldade.
8. Relevante lembrar,que todos os barcos devem ser projetados para o bem-estar da humanidade,para a conservação da natureza
e, atualmente, mesmo que construídos para a defesa de cada país, os barcos devem ser sempre colocados a serviço da paz.
9. A Marinha do Brasil possui barcos para garantir os direitos e os interesses sobre as águas dos mares, rios e lagos
brasileiros, utilizando barcos, também, para o atendimento médico e social às comunidades ribeirinhas e praieiras.
Regulamento
1. Escolha um tipo de barco e represente-o em seu trabalho;
2. Envie apenas 01 (um) trabalho por participante com idade entre 04 e 16 anos;
3. Técnica: Livre - desenho, pintura, sucata, mosaico, dobradura, criações no computador, etc.;
4. Utilizar papel no tamanho A4 ( 21 x 30cm ) colando-o numa base de papel-cartão (ou similar) colorido de tamanho 30 X 40 cm;
5. Na parte de trás da base de papel-cartão, escreva em letra de forma/imprensa o título do trabalho, nome completo (não
abreviar) do autor, idade, endereço e e-mail da instituição ou do participante (quando o trabalho for enviado individualmente);
6. Cada escola/instituição poderá enviar até 30 trabalhos;
7. A instituição deverá juntar uma lista com todos os títulos dos trabalhos, nomes completos dos autores e idades (modelo
anexo) e também o nome completo (sem abreviatura) da escola/instituição ;
8. Serão aceitos trabalhos realizados e enviados individualmente;
9. Não serão aceitos trabalhos realizados por mais de um participante;
10. Não serão aceitos trabalhos que representem barcos que causem, na atualidade, ações de crueldade contra seres humanos,
animais ou qualquer outro integrante da natureza, ou que representem barcos atuando direta ou indiretamente em ações ilícitas.
Seleção
1. Haverá uma seleção prévia para qualificação dos trabalhos que irão compor a mostra/exposição;
2. A seleção será feita por um grupo de professores, psicólogos e artistas;
3. Todos os trabalhos recebidos, quando não selecionados, terão direito a “certificados de participação no projeto”;
4. Todas as instituições, que enviarem trabalhos de seus alunos, também receberão um “certificado de participação no projeto”;
5. Os trabalhos qualificados para a mostra receberão “certificados de participação na mostra”;
6. Para a mostra, haverá uma nova comissão julgadora, composta por profissionais de várias áreas culturais. A essa comissão
caberá escolher, dentre os trabalhos qualificados, aqueles que receberão “menções ouro, prata e bronze” e “menções honrosas”;
7. A decisão do júri será tomada com base nos seguintes critérios: adequação ao tema e materiais discriminados no
regulamento, originalidade e criatividade;
8. A aceitação deste regulamento implica no reconhecimento da soberania da decisão das comissões julgadoras, podendo as
mesmas, não conferir a premiação. Das decisões não caberão quaisquer tipos de recursos.
9.Todos os autores dos trabalhos concordam, assim como seus responsáveis (pais ou tutores) e respectivas
instituições/escolas, por força deste regulamento, em ceder sua imagem e de sua obra em divulgações relacionadas ao evento,
sendo garantidos os direitos autorais, mas sem receber qualquer remuneração pelo uso dessas imagens.
10. Os trabalhos não serão devolvidos e poderão ser usados em outras mostras.
Data limite para recebimento dos trabalhos - 22 de outubro de 2010.
Enviar para este endereço:

Centro Cultural da Marinha em São Paulo
Avenida Nove de Julho, nº 4597
Jardim Paulista
São Paulo - CEP : 01407-100
Brasil
art.mica@ig.com.br
ccmsp@ig.com.br

SAUDADE

SAUDADE
Elda Nympha Cobra Silveira

Ele era o mais famoso, o mais genial de todos os artistas plásticos que conheci. Não poderia ser somente meu amigo, porque estes encontros costumam ser marcados com antecedência, por quem já se conheceu há muitas gerações passadas. Essa gente religiosa diz que as cores, em certos dias de chuva, irisam como num passe de mágica e passeiam por longos minutos acima do seu túmulo. Pode ser que esse fenômeno seja uma reverberação das atividades que ele continua exercendo no além. Talvez, na sua sabedoria infinita, Deus o tenha contratado para melhorar o aspecto das nuvens, para colorir algumas regiões do espaço, ou até para realçar as cores do arco-íris!
Ele era o mais amigo, o mais sincero amigo de todos os que já tive. Tomávamos muita caipirinha juntos, nos botecos sem nome da vida. E batíamos longos papos, filosofando sobre a vida, sobre o mundo e os rumos da arte, tão desprestigiada em nossos tempos. Se ele estivesse vivo, com certeza, seria um dos escolhidos para decorar o muro do cemitério, com sua arte colorida, ressaltada de sentimentos e de grande solidão. A solidão que juntos repartíamos. A solidão de sermos duas pessoas diferentes num só corpo. Uma pessoa fadada a ser genial e a ter o seu dom marcado para sempre nas telas do universo, e a outra fadada a sofrer os revezes da vida, a miséria e o preconceito, a indiferença e o desprezo dos artistas mais afamados.
Mas ele, na sua finitude pessoal, no seu desespero cotidiano, era na sua pobreza, na miséria que o rondava, maior que os de renome, majestoso frente à majestade dos poderosos. Grande, imenso na sua humildade negra.
E foi por isso que convivi com ele até a sua morte precoce, sentida, sofrida e inútil.
Pela sua cor escura sempre foi execrado do convívio social, da elite em que fazem parte muitas vezes os que pouco têm para dar, mas lutam para se sobressair pisando naqueles que verdadeiramente tem seus próprios méritos e talentos.
Certo dia estando juntos num enterro e andando pelas ruas do cemitério, com passadas contidas pelo féretro, ele foi destilando sua amargura:
-Tempos atrás nem aqui eu poderia ser enterrado, se fosse no tempo da escravatura. Perceba como as pessoas se afastam de mim, mesmo sendo do mesmo nível intelectual e talento artístico. Não é só a cor mas também a pobreza. Elas são divisoras de águas numa sociedade.
E lagrimas rolaram pelo seu rosto destacando-se na pele escura, era um misto de sofrimento pela perda de um amigo e pela sua desdita, pela sua incapacidade de ser aceito por uma sociedade elitista.
Todos podem dizer que a morte é oportuna, digna e necessária, mas eu digo que ela é uma passagem sofrida, absurda e amarga. E quando entro num cemitério e vejo tanta ostentação, tanta ânsia de engrandecer os mortos, num culto mórbido e doentio, fico pensando se vale mesmo a pena cultuar alguém depois que morre elevando-o com honrarias e homenagens, se ele foi tão vilipendiado, humilhado e ofendido quando vivo.
Mas esse amigo não sabe, ou melhor pode até estar vendo, que nesse cemitério mandei colocar sobre seu túmulo a escultura que ele havia esculpido, onde um anjo negro carrega uma criança branca.
Bem, mas como a vida é cheia de mistérios!
Aquela escultura beirando a guia da calçada, começou a atrair todos que passavam. O olhar daquele anjo negro direcionado para aquela criança em seus braços, diferia dos demais anjos da necrópole, traduzia um infinito amor, despojado de preconceitos onde o pleno amor altruísta se manifestava naquele velar constante pela criança desfalecida em seus braços.
Grandes mestres das artes sentiram toda a força do talento extravasar daquele mármore frio mas esculpido com tanto carinho, parecendo até que foi aquecido por mãos hábeis.
Seu nome agora reconhecido foi catalogado como um gênio do cinzel e das telas. Ficaram sabendo que durante dias e noites o escultor se esfalfou com grande sacrifício, numa ânsia sempre crescente, para vê-lo terminado. Parecia que tinha urgência, e tinha-a mesmo, pois logo após vê-lo pronto, esgotado pelo cansaço deu por terminado também seus dias.
Na ocasião de sua morte, não houve choro nem vela, somente eu e alguns vizinhos fizemos seu enterro. Sempre o achei um homem solitário mas ali sozinho no caixão com as mão calejadas cruzadas no peito, dentro de uma sala vazia, tive noção do que é a solidão, a indiferença, o ostracismo angustiante de se sentir desprezado, um pária na vida .
O anjo negro de olhar pungente começou a atrair o povo do lugar, pois sentiam
a empatia emanada daquele olhar e começaram a pedir graças para saúde das crianças adoentadas.
Deus em sua grande misericórdia deu-lhe notoriedade após sua morte.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Maria 2010

MARIA 2010
Carmen Maria Fernandes Pilotto

Abraçou as pernas na poltrona esmaecida. Circundou os olhos pelo ambiente em tons pastéis. Premia trocar as cores do estar. Urgenciava-se mudar a rotina. Era necessário repensar a vida.
Jogou o tricô já adiantado e as agulhas metálicas na cestinha do banheiro. O som do estalido causou-lhe uma satisfação ímpar.
Parou em frente ao espelho vaidosa, ajeitou o coque de cabelos ralos, abriu a gaveta e tentou encontrar algum batom que realçasse os lábios descarnados e revigorasse sua alma desvalida. Decididamente, retocou com atenção o rosa esmaecido do contorno da boca.
Reavivada, pegou a sacola com desenhos de margaridas, armou-se de seus oitenta anos e saiu para a aula de hidroginástica.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nos confins do mundo

Nos Confins do Mundo
Leda Coletti

O título acima é de um livro exposto num painel da biblioteca, onde me encontro, em companhia dos colegas da Oficina Literária. Retornamos hoje, após longo recesso. O grupo decidiu escrever tema livre. Bati os olhos nos diferentes títulos e optei por este.
Quando criança ao ouvir as pessoas usarem o termo: “confins do mundo”, pensava num lugar muito distante e também em fatos diversos, aos que vivenciava. Decorridas mais de seis décadas, sendo telespectadora diária dos jornais, que transmitem desde notícias regionais, nacionais e internacionais tenho a impressão de que tudo ficou perto. Pela própria semelhança dos acontecimentos, quer catastróficos, como terremotos, tufões, desastres, acidentes, ou comportamentais, como violências de ordem moral, sexual, racial, religiosa, anomalias mentais, e outros, parece não ter mais sentido essa designação.
Só para citar a questão do tempo por causa da distância, posso usar exemplo pessoal. Na minha infância e adolescência morava na zona rural, perto de Rio Claro e a estrada utilizada para ir até àquela cidade, era a mesma que nos trazia para passeios em Piracicaba. Pelo fato dela ser de terra e cheia de curvas e outros acidentes geográficos, demorávamos de carro, mais de hora e meia para chegarmos à Noiva da Colina. Atualmente, o motorista mais ousado faz esse trajeto em vinte minutos. E o que dizer das viagens aéreas, ligando continentes e outros países? Quando viajamos à noite, dormimos e acordamos de manhãzinha o outro lado do mundo.
Pelos e-mails que recebo, vejo muitas diferenças nas paisagens, nos traços culturais, nas línguas, religiões e, pela nitidez das imagens, remeto-me mesmo à distância, para aqueles lugares desconhecidos.Tenho a gostosa sensação de estar girando dentro da bola-mundo, e sob o forte impacto das cores.
Aqui cabe uma reflexão: quando me deparo com mensagens que mostram só a maldade humana, mesmo com estampas coloridas, a bola-mundo fica escura, nos “confins do mundo;” quando trazem a mensagem da paz, visualizo-a azul e clara. Ao invés de pensar as pessoas em torrões longínquos, sinto-as bem próximas e em sintonia harmoniosa.
Termino essa crônica com alguns versos de uma poesia minha, a qual expressa o desejo de que esse planeta Terra seja realmente um lugar feliz para se morar.
Imensidão deve ser nosso mundo/ Não é o universo/ uma grande,/ uma fantástica bola?/ E bola tem:/ portões de ferro,/ grades pontiagudas,/cercas de arame farpado?/ É tão só roda, / sempre rodando/ girando esvoaçante/ plena, vibrante!

Gênio!?

Gênio!? (miniconto)
Ana Marly de Oliveira Jacobino


Refleti sobre a função dos gênios na sociedade. A racionalidade de uns, com a subjetividade de outros. Razão versus Emoção! Pirei!Quero a Jeannie é um Gênio pra mim! Tenho direito a três pedidos!? Primeiro...

domingo, 22 de agosto de 2010

Eu fui às Touradas em Barcelona

Eu fui às Touradas em Barcelona *
Ferreira Gullar

"O último golpe atingiu-lhe o coração. Estrebucha e morre. Indignado, resmungo: "Coisa bárbara!"


O PARLAMENTO da Catalunha aprovou lei proibindo as touradas na região, mais precisamente em La Monumental, a praça de touros de Barcelona, onde, pela primeira e única vez, assisti a uma tourada.
Até então, de touradas, só sabia o que vi no filme "Sangue e Areia" (1941), com Tyrone Power, que assistira, ainda menino, com meu pai, no cinema Olímpia, em São Luís.
Nele, as touradas eram apenas parte de uma história romântica. Mais tarde conheceria algumas gravuras de Picasso que, em vez do romantismo do filme, mostrava o que há de brutal nas corridas de touros.
Assim que, tourada de verdade, só vi mesmo em Barcelona, em companhia do poeta João Cabral, que era então cônsul do Brasil na Espanha. Convidou-me para almoçar naquele domingo e, em seguida, irmos assistir a uma tourada.
Aceitei o convite com muito interesse, na expectativa de viver uma experiência única, já que, por iniciativa própria, eu jamais entraria em uma "plaza de toros".
Fomos. Mal me sentei na arquibancada, fui tomado por uma espécie de euforia, diante daquela arena ainda vazia onde haveria de desenrolar-se um espetáculo de vida e morte.
Enquanto isso, João Cabral me informava acerca das touradas, contando-me que o touro era mantido por dois dias num cubículo escuro sob as arquibancadas, donde seria trazido, ao começar a tourada, para a arena.
Foi então que homens montados a cavalo entraram, sob o soar de clarins, um "frisson" percorreu aquela massa de espectadores e eis que de um dos portões sai um touro negro aos galopes.
Invade a arena mas logo se detém, como que surpreso diante daquela situação inusitada. Não estava entendendo nada: "que faço aqui, diante de tanta gente?" -terá ele se perguntado, sem imaginar que, de fato, havia sido posto ali para morrer.
Como hipnotizado, eu o seguia com os olhos, temendo pelo que haveria de ocorrer. Os homens montados nos cavalos correm agora em direção ao touro que se mantém parado, indeciso, perplexo talvez.
Tenta afastar-se mas é cercado e decide reagir: acomete sobre um dos cavaleiros, que o atinge com uma bandarilha, no dorso, à altura do cangote. Ele, enfurecido, volta-se contra o agressor mas é atingido por outra bandarilha, lançada pelo outro cavaleiro. O sangue desce-lhe das feridas. Assisto àquilo, chocado, com pena do animal.
Não me lembro se, àquela altura, o toureiro já estava presente na arena. De qualquer modo, vejo-o agora aproximar-se do touro e desafiá-lo.
Provoca-o, agitando a capa vermelha, onde traz escondida uma espada. O animal, sangrando muito, encara-o e parece hesitar, se avança sobre ele ou não. Talvez não saiba direito quem o feriu, bem pode ter sido aquele sujeito que parece bailar a sua frente.
Está furioso, atordoado e certamente não entende por que o agridem daquela maneira, se nenhum mal lhes fez.
Detém-se e o encara. Menos cauteloso, agora, ataca-o, tentando atingi-lo com os chifres, mas vê que se enganou, investiu contra a capa com que se protege e o engana. "Hijo de puta!" Deveria balbuciar, se falasse espanhol e touro não fosse, mas gente. Igual àquela gente que se diverte com seu desespero.
Recua estrategicamente e tenta atingir o toureiro, numa investida fulminante e vã: sente uma dor funda, a vista se lhe turva, perde forças e cai sobre as patas dianteiras, soltando golfadas de sangue.
O último golpe de espada atingiu-lhe o coração. Estrebucha, estica as pernas e morre, diante da multidão que aplaude entusiasticamente o toureiro. Este, sorridente, saca de uma faca, aproxima-se do touro morto, corta-lhe uma das orelhas e a exibe, vitorioso, para o público, que então delira. Indignado, resmungo: "Coisa bárbara!".
João Cabral, surpreso com minha reação, defende a tourada, que seria a vitória da inteligência sobre a força bruta. "Nada disso", respondo. "É a vitória da covardia e do sadismo sobre um animal indefeso".
A esta altura, estamos de novo em sua sala. João me acha demasiado ingênuo para compreender a significação das touradas.
Sirvo-me de vinho, e ele, usando a toalha da mesa como uma capa de toureiro, movimenta-se na sala, a desafiar a fúria de um touro imaginário. Era o poeta acostumado a tourear palavras.
* Texto extraído do jornal A FOLHA DE SÃO PAULO

VI Concurso de Contos e de Crônicas


http://www.unimep.br/

8º UNICULT
VI Concurso de Contos e Crônicas

Regulamento

1 - OBJETIVO
O objetivo do concurso, organizado pelo NUC - Núcleo Universitário de Cultura, é
promover o gosto pelas modalidades e revelar talentos nos gêneros.

2 - DA PARTICIPAÇÃO
Poderão participar todas as pessoas interessadas, com trabalho inédito em língua
portuguesa.

3 - DA INSCRIÇÃO
As inscrições serão gratuitas e deverão ser feitas no site da UNIMEP, na página
da 8ª Mostra Acadêmica.
3.1 - Cada escritor poderá inscrever até três contos ou crônicas, com, no máximo,
13.000 caracteres (com espaço);
3.2 – Os trabalhos inscritos devem conter o pseudônimo como identificação;
3.3 - O período para inscrições será de 15 a 30 de agosto de 2010.

4 - DO JULGAMENTO
4.1 - A avaliação dos trabalhos será feita por cinco pessoas de reconhecida
capacidade artística e intelectual, as quais serão reveladas no último dia da
Mostra Acadêmica, quando da entrega de prêmios aos melhores contos;
4.2 - Serão observados, na análise dos contos e das crônicas, o estilo e o uso
adequado de linguagem própria dos gêneros;
4.3 - Os contos e crônicas chegarão aos membros do júri apenas com o
pseudônimo do autor;
4.4 – A decisão da comissão julgadora é irrecorrível.
5 - DA PREMIAÇÃO
1º lugar: publicação parcial do trabalho no Jornal Acontece editado pelo
Departamento de Comunicação da Unimep e publicação na integra no site da
Mostra Acadêmica/2010. Publicação em Jornal da cidade de Piracicaba do
trabalho na integra, em 2010, data a ser confirmada e assinatura do mesmo
Jornal pelo período de um ano (se o vencedor não for de Piracicaba, poderá
indicar alguém para receber a assinatura), mais 5 livros, à livre escolha, entre as
publicações da Editora Unimep.
2º lugar: publicação parcial do trabalho no Jornal Acontece editado pelo
departamento de Comunicação da Unimep, mais 4 livros, à livre escolha, entre as
publicações da Editora Unimep.
3º lugar: 3 livros, à livre escolha, entre as publicações da Editora Unimep.
4º lugar: 2 livros, à livre escolha, entre as publicações da Editora Unimep.
5º lugar: 1 livro, à livre escolha, entre as publicações da Editora Unimep.
Do sexto ao décimo lugar serão conferidos diplomas de Honra ao Mérito.
Aos demais selecionados, serão conferidos certificados de participação.
5.1 Aos classificados não será paga taxa monetária a título de direitos autorais.
6 - DO ENCERRAMENTO
O encerramento do concurso se dará com a cerimônia de entrega dos prêmios, no
encerramento geral da 8ª Mostra Acadêmica, a ser realizado no dia 28/10/2010.
7 - DA COMISSÃO ORGANIZADORA
A Comissão Organizadora tem poderes para resolver questões não contempladas
no regulamento, o qual passa a ser considerado aceito pelo participante no ato da
inscrição.

sábado, 21 de agosto de 2010

O Homem Cúbico


http://clubedosescritores.no.comunidades.net/

O HOMEM CÚBICO
Carlos Moraes Júnior

Eis que se fez a versão zoomórfica do homem cúbico, ordenado em colunas iguais, frias e prosaicas. Edifícios aleatórios que formam um verdadeiro caudal de prisões individuais, gaiolas personalizadas, nas quais se quedam, impiedosamente, os prisioneiros da mesmice do cotidiano. Uma prisão regular, entremeada de laivos de liberdade vigiada, pelos olhos famélicos da violência, pelos sussurros soturnos dos dizeres misteriosos, que sempre seguem o prisioneiro falsamente liberto, em horas estudadas, legalmente estruturadas para que seu penar seja longinquamente suportável.
E tudo, para que, depois do anoitecer, ele se sinta aliviado e seguro, novamente, dentro de sua gaiola de ferro e vidro. Gaiolas que encerram seres tão diversos, sentimentos tão desconexos e comportamentos estranhos e mesmerizados. Gaiolas de prazer, que levam seus ocupantes às torrentes apaixonadas e mecânicas do sexo, da televisão, da pipoca e do chocolate. Prazeres ocultos no fast-food, na pizza e no catchup! Gaiolas de ilusão, que levam milhares e se debaterem dentro dos carros ensangüentados, nas praias emporcalhadas e no interior de outras gaiolas luminescentes, coloridas e perfumadas. Gaiolas das baladas ou gaiolas das loucas madrugadas, das estonteantes noitadas regadas à uísque, ecxtasy, mulheres seminuas e risos falsos da alegria reprimida. São gaiolas de loucura, que levam a planetas desconhecidos e inóspitos, numa viagem sem volta que convida ao grito e à taquicardia!
Gaiolas do saber, nas quais, enclausurados e atentos, os pequenos autômatos repetem as palavras e conceitos, que devem servir para diminuir o desgaste e o pavor impostos pelo meio, e mais, para tentar definir, interpretar e inventar resposta para o vazio gerado pelo cotidiano. Gaiolas de escravidão, com turnos severos e iguais de oito horas, revezadas entre dias e noites sempre intermináveis. Trabalho intenso que não leva a lugar nenhum, não traz prazer e nem riqueza. Somente a certeza de que um autômato nasceu para ser desta forma e morrerá ouvindo as mesma surradas e idiossincrásicas verdades, herdadas de outros iguais, que repetiram, sem questionar, o mesmo modus vivendi.
Gaiolas de castas, amontoadas como coisa inservível, penduradas acima das gaiolas onde sorriem os ricos cada vez mais ricos. Gaiolas da maioria cor de quase noite, massacrada pelo ódio social, acossada por mazelas de toda sorte, a provar que não existe lugar neste mundo para aqueles que pertencem à casta dos pobres, a não ser, quem sabe, num trabalho insalubre e desumano, com carimbo de escravidão, que levará ao desespero e à certeza de continuar cada vez mais miserável.
Gaiolas de incerteza, de dúvidas sem respostas. Cubículos de dois metros quadrados onde dormem, fedem e agonizam centenas de maltrapilhos, chaga que todos querem esquecer, estatística resultante de outra estatística maior, egocêntrica e insolúvel. Gaiolas de solidão, de falta de humanidade. Gestos de repulsa, de neurose e de estertor. Gestos que levam a comportamentos inusitados, que fazem, de vez em quando, um autômato com um parafuso a menos, talvez, resolver experimentar a distância até o chão. A falta de lógica para tal ato tresloucado, faz dele o próprio sentido da existência, na busca da morte para encontrar a vida. A parecença desse vôo será porventura a fuga da ave cativa de sua gaiola, na esperança de experimentar, ilusoriamente, em outro plano, a tão sonhada liberdade.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Falando aos Pássaros

Falando aos pássaros
Donald Spoto *

Em tempos em que se fala a respeito de meio ambiente, ecologia, mundo sustentável, pensamos em quantas criaturas no mundo já nos exemplificaram a importância de viver em harmonia com o meio ambiente.
Mesmo porque nós, criaturas humanas, fazemos parte desse meio. Lembramos de Francisco de Assis que, no Século XIII tinha cuidados extremos com os animais.
Animais selvagens, maltratados por outras pessoas, costumavam fugir para junto dele. Em sua presença, encontravam refúgio.
Frequentemente libertava cordeiros da ameaça da morte porque sentia compaixão. Chegava a retirar minhocas da estrada para que não fossem esmagadas pelos passantes.
Ele chamava a todos os animais de irmãos e irmãs.
Narram seus biógrafos, com leves alterações de forma e conteúdo, que certa feita, regressando a Assis, parou na estrada a uns dez quilômetros da cidade.
Estava aborrecido com a indiferença de muita gente. Anunciou que provavelmente seria ouvido com mais respeito pelos pássaros.
Ele viu uma multidão de pássaros reunidos: pombos, corvos e gralhas.
Foi em sua direção, deixando seus companheiros na estrada. Quando estava bem perto das aves, saudou-as:
Que o Senhor vos dê a paz.
Surpreendeu-se porque os pássaros não voaram. Mexeram e viraram seus pescoços e ficaram ali, esperando.
Cheio de alegria, Francisco lhes pediu que ouvissem as suas palavras. E discursou:
Meus irmãos pássaros, vocês devem louvar seu Criador. E amá-Lo sempre.
Ele lhes dá penas para vestir, asas para voar e tudo de que necessitam.
Deus lhes dá um lar na pureza do ar. E, embora vocês não plantem, nem realizem colheitas, Ele mesmo os protege e cuida.
Os pássaros abriram as asas e os bicos e continuaram olhando para ele.
Francisco passou por entre eles, indo e vindo, tocando suas cabeças e corpos com sua túnica.
Ao finalizar sua fala, os abençoou e lhes deu permissão para que voassem a outro lugar.
Alguns dirão que isso é lenda. Mas é de conhecimento geral que certos homens e mulheres possuem um vínculo singular com animais.
Pessoas sem qualquer treinamento especial, muito frequentemente, parecem saber os gestos ou tons de voz que são tranquilizadores.
E os animais sentem a simpatia, a delicadeza, a boa vontade e reagem a isso de maneiras consideradas, por vezes, maravilhosas.
O que ressalta do fato é que com sua atitude, Francisco ensinava que todas as criaturas na Terra merecem respeito.
Lecionava o amor pela natureza e que podemos estabelecer laços com todos os seres viventes.
Pensemos nisso pois já aprendemos que tudo em a natureza se encadeia por elos que ainda não podemos apreender.
E apoiemos, quanto possível, os movimentos e as organizações de proteção aos animais, através de atos de generosidade cristã e humana compreensão.
Lembremos: a luz do bem deve fulgir em todos os planos.

*do livro Francisco de Assis, o Santo relutante

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Coisas de Madame


Coisas de Madame (in Tardes de Prosa)
Raquel Delvaje

Todos os empregados acordaram muito cedo. Havia um corre-corre pela casa. Desciam e subiam escadas organizando os últimos preparativos. A ansiedade tomava conta de todos.
Gertrudes, a governanta, queria tudo perfeito. Por inúmeras vezes, penteara as franjas dos tapetes e lustrara o corrimão da entrada principal. E as almofadas eram apalpadas compulsivamente.
Tudo deveria estar perfeito. A governanta decidiu: daria tudo de si para que nada saísse errado.
Os preparativos haviam sido iniciados no dia anterior. Os empregados da casa foram chamados e Gertrudes, com seu ar autoritário e imponente, aproveitou para dar as ordens e tirar todos da “boa-vida”, pois assim os intitulavam. E, mesmo contrariados, todos obedeciam.
Deveriam as camareiras deixar o quarto impecável, pois chegaria o filho caçula de Dona Esmeralda, da “patroinha”, como todos a chamavam. O cozinheiro deveria preparar um banquete com todas as pompas e o jardineiro retocar os jardins.
O motorista recebeu ordens para fazer novos uniformes e lustrar os sapatos. Todos estariam muito ocupados até a chegada do tão esperado filho da “patroinha”.
Uma das camareiras, um pouco mais atenta, observou como uma mulher tão mais velha poderia ter tido filho, pois antes de viajar não possuía nenhum.
– Psiu! Não estamos aqui para questionar nada. E sim para trabalhar – retrucou a outra.
E continuaram seus trabalhos.
Dona Esmeralda não viria. Estava na Europa há mais de dez anos. A governanta não podia perder a oportunidade de exercer seu poder. Nunca esteve tão enérgica!
Pois bem! Chegou a tão esperada hora. Foram todos para o porto.
A chegada do navio estava marcada para as onze horas da manhã. Gertrudes se colocou a postos, juntamente com todos os empregados, às dez horas, e não deixou de fazer a última vistoria em todos. Estava tudo um luxo; aproveitou para tirar um pelo do uniforme do motorista e consertar uma gola da blusa da camareira. E como se não bastasse, ajeitou a touca da outra camareira e lhe tirou uns fios de cabelo da testa. Olhou tudo com muito orgulho, como um artista contemplando sua obra de arte.
Suavam naquele sol forte, mas estavam todos ali, firmes em suas posições.
Enfim chegou o navio. Somente uma hora atrasado. Que satisfação para a governanta que aguardava ansiosa a chegada do tão esperado visitante. Cada pessoa que descia, seus olhos seguiam-na e o coração palpitava. E ela percebia que não era quem tanto esperava.
Quando todos desceram, meio confusa, Gertrudes perguntou sobre o filho da Dona Esmeralda. O capitão, segurando uma lista enorme nas mãos, perguntou se era o Peter. Ela balançou a cabeça aliviada, dizendo que sim. O capitão pediu para que o acompanhasse. Desceram até o convés e pararam defronte a uma caixa com uma grade na frente e um pequeno cachorro, exausto de tanto latir.
Não é preciso dizer da cara de mau humor com que a governanta chegou em frente dos empregados, segurando aquela caixa na mão. E o Peter abanava o rabinho feliz, cumprimentando a todos com uma deliciosa lambidela.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Convite Cultural



Convite do
CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS
Rua Boa Morte, 1257 - Centro
Piracicaba - SP - CEP: 13.400-140
Tel. (19) 3124-1889
VISITE WEBSITE: http://www.unimep.br/ccmw

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Prosa & Verso (em linguagem de ficção)

PROSA & VERSO
Camilo Irineu Quartarollo

O velho carpinteiro esquecia os óculos pela oficina, sobre as bancadas e cantos escusos. Depois que criou Pinóquio sua vida ficou mais cheia, agora o menino estava na escola aprendendo as primeiras letras e que as aprendesse mais que ele, um primário leitor de jornal. Granjeava os carinhos do filho de madeira, devido ao esforço e mimos em criá-lo. Sempre pedia sua atenção, mesmo quando ocupado com a carpintaria, com os acabamentos mais precisos e delicados, o chamado do menino o tirava da concentração cotidiana. Pai Gepeto! E lá vinha com seu calçãozinho azul, camiseta laranja e o boné verde a fazer perguntas.
O carpinteiro descobriu o problema do pouco rendimento nos estudos, os olhos que lhe dera. Agora careciam de um par de óculos. Bem, tal pai, tal filho – Gepeto também os usava. À noite, numa luz artificial os dois se debruçavam para as lições de casa. Aos poucos a vela ia se apagando nas lentes do pai em lusco-fusco e o estudante em silhueta caía sobre a bancada, dormente, no sonho dos bonecos, dali era carregado pelo velho até sua cama improvisada num canto da oficina. Gepeto aprendia junto do menino e depois que este dormia, ele pegava seu jornal velho e o livro de carpinteiro debaixo do martelo, que segurava do vento, e lia um pouco ali a só antes de se deitar.
Acordava antes de Pinóquio, aos seus cuidados e de quem obtivera a guarda e registrou em seu nome, não mais como invenção, mas como filho. Um filho de madeira, mas que obtivera status de gente. Que falava, e muito mais nessa idade da razão, tanto que diziam que mentia, criava histórias e para se safar da responsabilidade lançava mão desse vício. Mas Gepeto sabia que todas as crianças imaginam bastante e depois de velho talvez mais, porque ajuntam as histórias de menino com as da velhice. Os desejos e as frustrações. Quem quer ser gente, tem esses problemas. O velho sabia e entre uns puxões no nariz do filho, dava outros leves por desconto, puxado pelos próprios brios.
Aos sábados, pegava o menino no colo durante o café, para ler o jornal. A sessão de prosa & verso. O estudante precisava desenvolver-se espiritualmente e as informações de primeira página ficariam para depois. O menino punha os óculos e lia para o pai, entre perguntas.
- Pai, por que ler poesia? Eu vou ser engenheiro, não quero ser escritor. – O velho ignorava o descaso e punha mais uma estrofe para o menino ver.
- Pai, essas rimas, essa métrica, por quê? – Sem saber a resposta o carpinteiro de formação primária saía de forma escusa e mantinha a estrofe, recitando o lido pela parte inferior dos óculos, em suas lentes de aumento. Foi, até que o sábio educador disse a Pinóquio:
- Filho, para ler prosas ou versos é preciso tirar os seus óculos e por vezes, é preciso mesmo fechar os olhos.
(Homenagem aos escritores da sessão e paginadores-escritores de Prosa & Verso)

domingo, 15 de agosto de 2010

Por que as avós não são restauradas?

Por que as avós não são restauradas?
Silvia Trevisani

Ela era uma heroína. Não havia Saci-Pererê, Mula sem Cabeça, Lobisomem, assombração, cobras que engoliam gente viva ou qualquer outro ser desses que deixam o coração de criança pulando igual a um macaco, que ela não enfrentasse. Não corria e não tinha medo de nada.
Naquela época, poucas famílias possuíam internet, computador ou vídeo game, não existia essa concorrência que roubasse à atenção dos pequenos, no entanto, tínhamos a vó Rita, e ela era um orgulho para nós, pois, nenhuma criança na redondeza tinha uma avó com uma alegria tão viva, assim, como um “brinquedo” animado que nos causava um sei lá de contentamento.
Vó Rita era magrinha, sem nenhum dente, as rugas disputavam espaços naquele rosto tranquilo, mas que hoje, entendo o quanto era sofrido. Destacava-se por um par de olhos azuis, comparados às bolinhas de gude que brincávamos na rua. No entanto eram brilhantes como as estrelas. Lembro-me que ela usava vestidos florais coloridos e rodados para disfarçar a magreza.
Vó Rita era viúva e morava um pouquinho na casa de um filho, um pouquinho na casa de outro filho e assim, ela levava sua vidinha.
Quando chegava a época em que ela vinha para nossa casa, era esperada com muita alegria. Ela trazia na memória a beleza dos rios e das fazendas, enveredada nas lendas do Saci-Pererê, da Mula sem cabeça, do Lobisomem e assim, conhecemos o folclore e todas as fantasias, através das histórias que ela contava. E cá pra nós, até hoje, estou convencida que ela viveu tudo o que contava, tamanha a realidade que ela colocava nas coisas que falava.
Após o almoço, ela sentava-se na poltrona da nossa casa humilde e transformava aquilo em um grande teatro, tudo ficava colorido na imaginação infantil. As crianças sentavam-se a volta dela e ninguém mais cochichava, nem cochilava. Pequeno é bichinho que corre de lá pra cá de cá pra lá, mas quando a vó abria a boca e começava uma história, ninguém mais se mexia, e os olhinhos nem piscavam porque a qualquer momento o Saci poderia sair debaixo da cama ou detrás da porta e assoviar no ouvido da gente. Ficávamos todos atentos, esperando por ele, e por incrível que pareça sempre tinha um que jurava que o tinha visto. A cada dia uma história nova, e quando ela terminava tinha moleque roendo as unhas e com medo de voltar para casa.
Até o dia em que a vó Rita foi se entristecendo, disfarçando a dor, mas não controlando os gemidos, na mesma poltrona que serviu de palco para a contadora de história. Ouvi meu pai falar para minha mãe, que o estômago dela estava tomado por uma doença horrível, e pensei confiante:
— Por que ela não faz com a doença horrível o que fazia com o Lobisomem e não põe a doença para correr? Porém, o câncer impiedoso a venceu. E numa manhã ela encerrou a sua turnê aqui na terra e nunca mais vimos o brilho nos lindos olhos azuis.
Ela foi convidada para contar histórias no céu e nunca mais voltou.
Hoje meus filhos pediram para levar o computador para formatar e pensei:
Por que as avós não são restauradas? — E chorei de saudade!

sábado, 14 de agosto de 2010

O silêncio de nossas ruas

O silêncio de nossas ruas...
Gabriel Araújo dos Santos

Entra ano, sai ano, ainda não me conformei com o silêncio de nossas ruas. Com o silêncio de vozes, em especial e, sobretudo, vozes de crianças... Nem de dia, nem de noite.

Há barulho de carros, que passam velozes. E dos cães, confinados em espaço exíguo. Quando não, o barulho ensurdecedor dos alarmes que disparam.

Ausência de transeuntes, a não ser os atletas solitários. Uns, jovens esbeltos. Outros, de meia idade, barrigudos. E aqueles já bem chegados, de andar moderado. Nem bom dia, boa tarde ou boa noite, têm pressa de chegar.

Ainda bem que o novo vizinho tem duas crianças. Às vezes, do lado de cá do muro eu chamo por elas. Ou então, tento um proseio quando as vejo — o que é raro — no pequeno jardim de frente da casa.

Na casa mais de cima também tem crianças, igualmente duas. Ausentes o dia inteiro, chegam bem de tardezinha das escolas onde passam o dia.

Nas demais casas, só gente adulta, todos já de idade, como aqui em casa, que até há poucos anos era um santo sufoco, as duas netas esparramando alegria e ânimo pela casa e quintal afora.

As histórias que eu contava, os causos, elas querendo saber como foi minha infância, de que e com quem eu brincava.

Falei do pegador e das cantorias de roda. Boca de forno e tatu-passa-aqui. Dos cavalos de bambu, dos barcos e aviões de papel. Dos papagaios de duas corres, os rabos enormes, aquilo subindo às alturas, acima das nuvens, quem sabe até à morada de Deus...

Falei dos cavalos em pelo, do nadar pelado nos corgos e no calabouço do monjolo. Da fugida pelas matas, pelos pastos e pomares dos vizinhos.

“Vô, o que é monjolo?”.

Foi aí que montei um no jardim, com água e tudo, e ele socava que socava, para deleite das meninas, que se molhavam que só vendo, a vó preocupada com a gripe e os resfriados.

Fiz carrinho de direção, coisa que ninguém mais conhece. Na trazeira está escrito (ainda o conservo): “Eu era feliz e não sabia...” Mas no meu tempo, falei pra elas, eu era feliz, e sabia!!!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Chuva rósea!?

Chuva Rósea!?
Ana Marly de Oliveira Jacobino

Uma chuva rosácea acelera o movimento matutino. A abelha some na flor e assim amada e amante se lambuzam sem pudor. Leva o beijo do ipê no ventre para fazer amor com a colmeia!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cupido Sui Generis

Cupido Sui Generis - in Tardes de Prosa
(Uma linda história de amor)
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins


Eu o conheci há cinquenta e três anos, quando nasci.
Esbelto, bonito, expressivos olhos verdes a mostrar semblante suave e bom caráter. Orgulhoso por sua mais recente conquista, a paternidade, declarava-se por meio de gestos e palavras, duplamente apaixonado. A primogênita era naquele momento, seu segundo grande prêmio. O primeiro, um verdadeiro amor ao primeiro olhar, o qual lhe assegurou uma vida plena, era ela, minha mãe, sua querida “patroa” como a designava, so¬licitando-lhe a participação ininterrupta nos pequenos e grandes feitos familiares.
A história, que desde pequena ouvia dos seus lábios, me atraía. Segundo ele, meu contador de causos, tudo começara em 1939, numa escola rural de Ibitiruna, estado de São Paulo.
Recém formada pela Escola Normal “Sud Mennucci” de Piracicaba, à busca de realizar seu sonho como educadora, para lá se dirigira a bonita e tímida normalista, enfrentando as alegrias e obstáculos naturais na vida de professora naqueles idos. Mais ainda em se tratando de uma escola isolada e distante.
Como num quadro pintado por consagrado artista, cercada por muito verde, à frente de um convidativo goiabal, ficava a Escola Caiada com suas janelas curiosas, permitindo a cada um dos usuários maravilhar-se com a natureza em flor. Numa daquelas oportunas janelinhas debruçara-se a jovem mestra, de sorriso acanhado e olhar angelical, a fim de apreciar junto a seus alunos, como por obra do destino, a bela cena campestre: imensa e valiosa boiada, conduzida por distinto e simpático tropeiro.
Por sua vez, o condutor da boiada jamais pudera imaginar que, ao atravessar tão grande extensão de terra, depararia a pouquíssima distância com quem, naquele simplíssimo educandário, viria a ser seu desejado amor, a companheira por toda sua vida.
Uma luz divina tocou a ambos. Houve reciprocidade e seus olhares se encontraram à procura de um sentimento maior. Seus corações acelerados reagiram. Nascera, naquele instante, às 8:45 de uma manhã clara de abril, um verdadeiro amor. Deus o abençoou enfeitiçando a alma daquele solteirão que até então, aos quarenta anos, não encontrara a mulher dos seus sonhos. Pois lá estava ela, como sempre pedira aos céus: tímida, delicada, olhar expressivo e amendrontado ao mesmo tempo. Algo naquela jovem o conquistara fortemente. Seria o jeito singelo gracioso, sua meiguice com os alunos ou a tônica do seu olhar? A partir daquele momento suas vidas se comprometeram, passaram a ser tomadas por sonhos... Ele armazenando ideias montado em seu cavalo baio, ela a tecer seu humilde e bonito conto de fada. Era uma história de vida e amor acontecendo entre o boiadeiro solitário e a jovem e delicada professora.
Iniciou-se o romance que teve dois anos de duração, idílio este vivido com muita cautela e seriedade. Casaram-se em cerimônia simples, ele aos quarenta e dois, ela aos vinte e quatro anos de idade. A feliz união entre eles permitiu-lhes “saudável ninhada de sete filhotes”.
Até hoje entre seus descendentes sente-se o efeito do amor vivido por seus pais, nascido em 1939, forte e consistente por quarenta e sete anos, quando Deus convidou para Sua companhia o bondoso patriarca que soube honrar seu lar e família e como legado deixou o nome digno e o carimbo da escola que fundou: a do amor.
Ela, a dócil viúva, honra-me com sua grata presença e distrai-me com as lembranças amorosas vividas por ela e seu fantástico esposo desde aquele furtivo encontro abençoado, quando, bem à frente da escola mágica, como se fosse um sábio cupido, surgira aquele enorme rebanho contando dois mil, duzentos e cinquenta bois...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quinhentas Edições de Prosa & Verso


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QUINHENTAS EDIÇÕES DE PROSA & VERSO
Ludovico da Silva

Prosa & Verso atinge hoje o expressivo número de quinhentas edições semanais ininterruptas, registrado em seu décimo primeiro ano dedicado a divulgar a literatura, sobretudo, a produção de autores piracicabanos.
Primeiro, em três colunas de alto a baixo, aos poucos foi se firmando como uma seção que estava não apenas concentrada em assunto importante para os escritores piracicabanos, como, principalmente, pela simpática acolhida junto aos leitores. Daí ampliada para uma página inteira, com espaço generoso propiciado pela A Tribuna Piracicabana.
Inicialmente, esta página divulgava as atividades do Grupo Oficina Literária de Piracicaba, como justificativa à proposta de seus integrantes, mas aos poucos houve a necessidade de ampliar seus objetivos, para acolher merecidas colaborações.
Quinhentas edições não deixam de ser um número apreciável de publicações e seus produtores têm procurado sempre ter como meta contribuir com o que de melhor possa valorizar as atividades literárias locais, sobretudo, oferecendo espaço a todos que se enveredam pela arte de escrever. Difícil chegar à perfeição, mas nem por isso se justifica afastamento dos objetivos visados. As críticas são bem vindas. Se contrárias ao que é feito servem como observações à melhoria de conteúdo. Se favoráveis são incentivos ao prosseguimento de uma tarefa baseada nas boas intenções.
Nesta oportunidade cabem sinceros agradecimentos ao Evaldo Vicente, diretor deste matutino, pela acolhida quando procurado para o lançamento desta seção, bem como ao Erich Vallim Vicente, com quem os redatores da página mantêm contato direto, e ao diagramador Camilo, sempre atento à melhor visualização na distribuição das matérias. Aos leitores que manifestam com muito carinho a simpatia por este trabalho.
Por fim, fica a promessa da continuidade de Prosa & Verso e o interesse em oferecer um espaço literário que alcance os objetivos propostos.

O fim do P.S. ( post-scriptum)

http://gazetadepiracicaba.cosmo.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1700133&area=26010&authent=545507467534476110741222010212

O FIM DO P.S. (post-scriptum)

Edson Rontani Júnior

Pouca gente se deu conta. A geração atual talvez nem o tenha conhecido. Mas, a era digital acabou há tempos com ele. O P.S. já não faz parte de nossa escrita há anos, ao contrário de seu parente mais próximo o "obs.", ou observação, que escrevemos nos ofícios ou no e-mail para chamar a atenção do receptor de nossa mensagem.

O P.S., ou post-scriptum (escrito depois) no latim, teve por muitas décadas a função de corrigir esquecimentos humanos em cartas, artigos de jornais e memorandos empresariais. Foi um recurso utilizado pelos datilógrafos ao concluir seus escritos. Com o uso da máquina de escrever, era trabalhoso ter de datilografar um conteúdo novamente do início ao fim. Utilizava-se, então, um adendo ao seu final, na intenção de corrigir lapsos de memória. Ou até mesmo para demonstrar que foi realizada alguma correção ou atualização no conteúdo principal.

Com o uso de computadores, o simples ato de copiar e colar, ou ainda, salvar um novo teor sobre o antigo arquivo, possibilitou a interação propícia para alterar em qualquer momento aquilo que se escreve.

Quem usou a máquina de escrever sempre agradeceu a esta invenção da escrita humana. O P.S. servia para corrigir falhas, enganos e tinha o sobrepujante papel de dar destaque diante de todo o conteúdo da carta ou o qualquer coisa que fosse datilografada. E para as cansadas mãos de quem dedilhava sobre o teclado, um "ufa!" para não ter que escrever tudo de novo. Em certos documentos era deixado um espaço, ao final, para observações posteriores a fim de complementar seu total teor.

Ao longo da história, o P.S. deixou seu ar nostálgico, conforme é visto nos cinemas, quando a abandonada mocinha lia a carta de despedida do namorado dizendo que ia para a guerra e "p.s.: eu te amo!". Foi muito utilizada nas citações de políticos, do mundo corporativo, e principalmente nas cartas (as quais não existem mais!) ... Na música, os Beatles enunciarem seu amor com o sucesso "P.S. : I Love You".

A invenção do P.S., pode se dizer, foi feita na modernidade. Não se sabe quando ou quem foi o seu autor. Apostam que Guttemberg tenha sido seu inventor, durante o processo das prensas. Mas, estudos indicam seu uso muitos séculos antes, até mesmos pelos escribas egípcios ou pela igreja durante a propagação do conhecimento religioso, ou até pelas tragédias gregas. Mas foi durante o Império Romano que se propagou.

Há de se convir que foi um modismo aproveitado em todo o mundo, independente do dialeto ou da grafia utilizadas. Nas cadeiras acadêmicas, o P.S. foi substituído pelas "notas de rodapés", recurso também utilizado pelos jornais ao longo dos anos no século passado, porém com a denominação de "errata", que possuía o mesmo fundamento do "post-scriptum", corrigir falhas ou lapsos.

Talvez para muitos, sua ida não cause uma lacuna emocional na escrita humana. Para outros, foi uma invenção que, até certo tempo, ajudou muito na expressão da língua.

P.S.: Creio ter expressado tudo o que pensava, não necessitando de um "post-scriptum". Mas, para não perder o hábito ...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A VIDA


A VIDA
Leda Coletti

Dizem que a vida é uma balança, ora oscilando para o bem ora para o mal. O difícil é o homem equilibrá-la no centro, o que supõe praticar a justiça.
Há sempre uma serpente no caminho, mostrando a liberdade fictícia, ou melhor, instigando o ser humano a buscar meios ilícitos que o conduzem à prisão. Esta não precisa ser necessariamente de grades de ferro, lembrando uma penitenciária, já quase inteiramente depredada pelos próprios presidiários. Pode ser a cadeia do “eu” interior, a que mata devagarinho, pois a pessoa se enrosca na teia do próprio emaranhado.
Mas para tudo há esperança, mesmo que seja em proporções diminutas. Torna-se importante apoiar-se numa força maior, tentar transpor os pequenos obstáculos e acalentar aspirações que promovam não somente sua pessoa, mas também bem a do próximo.
A alegria dessa primeira vitória, será reforço para outras mais, pois trarão no âmago, a mensagem de que podemos e devemos lutar para alçar voos cada vez mais altos e não temer o Infinito.

sábado, 7 de agosto de 2010

A meu pai


A meu pai
Ivana Maria França de Negri

Se há uma pessoa que amo e admiro muito , essa pessoa é meu pai!
Sei que muitos enaltecem os valores das pessoas apenas depois que elas partem, machucando ainda mais os familiares que ficam. Meu pai, graças ao bom Deus, está com muita saúde.
Engenheiro agrônomo e professor da gloriosa Esalq, trabalhou muitos anos no Departamento de Solos. Pessoa estimada por todos que conviveram e convivem com sua presença. Admirado por sua extrema simplicidade e inteligência brilhante, sempre pronto a ajudar quem precisasse ou ainda precise de suas sábias orientações.
Seus ex-alunos da pós graduação, de outras cidades e até de outros países, continuam a escrever cartas e a mandar cartões de Natal, numa demonstração clara de apreço e carinho pelo ex-professor e orientador.
Nunca teve grandes pretensões quanto a interesses monetários. Sua maior riqueza sempre foi a família: esposa, filhos e netos. E agora, as bisnetinhas.
Sempre teve muita paciência com crianças. Nos embalava nos braços até dormirmos em seu colo, o mesmo fazendo com todos os netos, cheio de ternura, e agora com as bisnetas que chegaram para enriquecer ainda mais a família.
Todas as conquistas dos filhos e netos o deixam extremamente orgulhoso.
Quando eu era criança, tinha um verdadeiro fascínio por aqueles pacotinhos de terra de diversos tons que ele trazia para casa. Mamãe dizia: “não mexam! são amostras de terra para serem analisadas!” Mas eu e meus irmãos morríamos de vontade de abri-los para sentirmos a textura, mas não nos atrevíamos, pois aquelas porções de terra coloridas faziam parte do trabalho dele e pareciam ter uma importância muito grande.
Lembro de suas botas, sempre empoeiradas, quando chegava cansado, fruto das andanças pelas fazendas.
Quando papai teve que se ausentar para um curso no exterior, fez muita falta a todos nós naqueles três longos meses de ausência, principalmente a mamãe, que escrevia cartas todos os dias. E meu irmão caçula que na época era quase um bebê.
Quantas recordações! Quantas coisa boas para lembrar, não é paizão?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Prosa e Verso - 500 edições!!!


PROSA E VERSO

A página literária Prosa e Verso, editada pela TRIBUNA PIRACICABANA semanalmente, completa hoje ( 6 de agosto) 500 edições ininterruptas.

Criada inicialmente para levar aos leitores a produção dos integrantes do Golp - Grupo Oficina Literária de Piracicaba, estendeu-se a todos os poetas e escritores de Piracicaba e outras cidades, até de outros estados ou países.

São dez anos engrandecendo a literatura e a poesia.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Curiosidade mata!


Curiosidade mata
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto


“Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniquidades: como fardos pesados excedem as minhas forças.” Salmos 38:4

A bolsa caiu bruscamente no chão, através do zíper entreaberto rolou um caderninho de endereços. Capa de papel machê multicolorido, esfarelada pela ação do tempo. Débora nem se apercebera do ocorrido, apanhou a bolsa e tomou afobada o táxi deixando parte de si.
Robson acompanhou a uma distância de cem metros o fato. Admirou os lindos cabelos da garota e o corpo bem torneado. Mais do que depressa, olhou dos lados e, disfarçadamente, se abaixou colhendo a relíquia colocando-a dentro da maleta.
Mordia-se pela curiosidade de folhear ali mesmo, naquela rua movimentada, o pequeno tesouro, como se fosse o último desejo de sua vida. Quarentão, atlético, cabelos iniciando fios grisalhos, sorriso franco e gestos afáveis. Casamento desfeito, um caso aqui, outro ali, nada que o prendesse. Vivia de aventuras, sem querer saber de compromissos. Pressentiu que aquela gata, de coxas roliças prometia um bom programa.
Terça-feira aziaga, carro quebrado. O recurso foi tomar um táxi. Pela manhã lamentara o ocorrido, mas naquele final de tarde a aventura estava se transformando em um delicioso happy hour inesperado.
Rapidamente chegou ao Shopping. Pessoas entravam e saíam. Sentou-se na cafeteria de costume e abriu avidamente a maleta. Ao ser abordado pela garçonete, dirigiu o olhar para cima.
– Ah? Sim. Por favor, um café expresso. Mas que saco de interrupção, ruminou.
Tomou o café aos borbotões e saiu. Paciência. Tremia de excitação. Parou num banco próximo a praça de alimentação. A maleta preta melada de ansiedade.
Nova retomada. Quando manuseava a primeira página...
– Robson querido! Passeando aqui no Shopping? Há quanto tempo não nos encontramos?
Não era possível! Tia Zenilda circulando por ali? Era demais. Comentou a contragosto:
– Olá titia. Nem diga! Faz muito tempo mesmo, afinal desde que mamãe morreu não reunimos mais a família.
A tia setentona tagarelou por horas a fio: sobre os primos, sobrinhas, ex-esposa e todos os que lhe desfilavam pela lembrança. Infeliz acaso. Seria cômico se não fosse trágico. E o caderninho de volta para a bolsa. Queimando!! Purgavam os seus pecados:
– Será que matei muitos passarinhos?
Dez horas. Fome. Irritação e cansaço. O Shopping já se esvaziara. Noite de inverno e todos se recolhem cedo. Beijos melosos e promessas de reencontro...
Arfante, Robson tomou a preciosa carga debaixo do braço e saiu para a rua. Tão absorto em seus pensamentos que nem se apercebeu do garoto encapuzado. Atônito ouviu um disparo. Levou as mãos ao tórax. Num impulso mecânico, soltou bruscamente o que tanto zelara. O caderninho desfolhou-se pela guia da calçada embebido do rubro sangue de sua curiosidade...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Concurso Literário


1º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CRÔNICAS, CARTAS E TROVAS / 2010

http://www.guemanisse.com.br/

editora@guemanisse.com.br

concursoliterario@guemanisse.com.br

Objetivando incentivar a literatura no país, dando ênfase na publicação de textos, a GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA. promove o 1º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CRÔNICAS, CARTAS E TROVAS, composto por três categorias distintas:

a) Crônicas – Narrativa breve, sobre a vida cotidiana, podendo ser informal, intimista, familiar, etc.

b) Cartas – Textos reais ou imaginários em forma de missivas.

c) Trovas – No estilo tradicional (composta de estrofes de QUATRO versos, com sete sílabas poéticas, rimadas em ABAB).

o qual será regido pelo seguinte

REGULAMENTO

1. Podem concorrer quaisquer pessoas, de qualquer país, desde que os textos inscritos sejam em língua portuguesa. Os trabalhos não precisam ser inéditos e a temática é livre.

2. As inscrições se encerram no dia 10 de SETEMBRO de 2010. Os trabalhos enviados após esta data não serão considerados para efeito do concurso, e, assim como os demais, não serão devolvidos. Para tanto será considerada a data de postagem (correio e internet).

3. O limite de cada CRÔNICA ou CARTA é de até 4 (quatro) páginas e as TROVAS se prendem ao estilo tradicional. Os textos devem ser redigidos em folha A4, corpo 12, espaço 1,5 (entrelinhas) e fonte Times ou Arial.

4. As inscrições podem ser realizadas por correio ou pela internet da forma seguinte:

a) Via postal (correio): os trabalhos podem ser enviados em papel, CD ou disquete 3 ½ para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. CAIXA POSTAL 31.530 – CEP 20780-970 - Rio de Janeiro – RJ;

b) Internet: os trabalhos devem ser enviados, em arquivo Word, para o e-mail concursoliterario@guemanisse.com.br (com cópia para) editora@guemanisse.com.br

5. Os textos devem ser remetidos em 1 (uma) via, devendo, em folha (ou arquivo, no caso de Internet) separada, conter os seguintes dados do concorrente:

a) nome completo;

b) nome artístico, com o qual assina a obra e que será divulgado em caso de premiação e/ou publicação;

c) categoria a que concorre;

d) data de nascimento / profissão;

e) endereço completo (com CEP) / e endereço eletrônico (e-mail).

6. Cada concorrente pode realizar quantas inscrições desejar.

7. Para as categorias CRÔNICAS e CARTAS, o valor de cada inscrição é de R$ 30,00 (trinta reais), podendo o autor inscrever até 2 (dois) textos por inscrição. Para a categoria TROVAS, o valor de cada inscrição é de R$ 30,00 (trinta reais) podendo o autor inscrever até 5 (cinco) textos por inscrição. Os valores devem ser depositados em favor de GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA, na Caixa Econômica Federal, Agência 2264 – Oper. 003 – Conta Corrente Nº 451-7

8. A remessa do numerário referente à inscrição, quando feita do exterior, deve ser efetuada através dos correios;

9. Os comprovantes de depósito (nos quais os concorrentes escreverão o nome) devem ser remetidos para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. pelo correio, pela internet (escaneados) ou para o fax (21) 3734-2005. Nenhum valor de inscrição será devolvido.

10. Os resultados serão divulgados pelo nosso site www.guemanisse.com.br, pela mídia e através de circular (por e-mail) a todos os participantes, no dia 11 de OUTUBRO de 2010.

11. Cada Comissão Julgadora será composta por 3 (três) nomes ligados à literatura e com reconhecida capacidade artístico-cultural. Ambas as Comissões podem conceder menções honrosas ou especiais.

12. As decisões das Comissões Julgadoras são irrecorríveis.

13. Para cada Categoria (CRÔNICAS, CARTAS e TROCAS), a premiação será nos seguintes valores:

a) Premiação em dinheiro:

1º lugar: R$ 3.000,00 (três mil reais) e publicação do texto em livro;

2º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais) e publicação do texto em livro;

3º lugar: R$ 1.000,00 (mil reais) e publicação do texto em livro.

b) Premiação de publicação em livro:

Os textos premiados, inclusive os que forem agraciados com MENÇÃO HONROSA e/ou MENÇÃO ESPECIAL, serão publicados em livro (sem ônus para seus autores, inclusive de remessa postal) e cada um destes autores receberá dez exemplares, a título de direitos autorais. Os direitos autorais subseqüentes a esta edição são de propriedade dos seus autores, não tendo a Guemanisse nenhum direito sobre os mesmos. Esta edição específica não poderá ultrapassar a tiragem de 2.000 (dois mil) exemplares, e os livros restantes desta edição serão preferencialmente distribuídos por bibliotecas e escolas públicas.

14. A inscrição no presente concurso implica na aceitação plena deste regulamento.