As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

CONFUSA


                           Lídia Sendin

 

Procuro em musas

Pingos de sabedoria,

Não cai em mim

Uma poesia.

E assim

Chovem palavras

Não conectadas.

Secam ao sol, evaporam leves.

Têm vidas breves.

Queria mel, me vem o pólen,

Queria pão, dão-me farinha,

E no papel

A letra, em vão,

Se descaminha.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

SECRETA





Lídia Sendin

 

A lua é mulher que encanta,

Tem o seu lado de santa

Brilhando no arco do céu.

Mas tem para quem procura

A face também escura.

Metade que ninguém vê.

 

Na outra face da lua

Mulheres guardam segredo,

Escondem um lado negro

Com uma senha secreta

Não dada nem ao poeta

Que é quem nela mais crê.

 

Mulher, essa bela lua

Sabendo que é só sua

Velada, sombria zona

Que mora na escuridão,

Jamais deixa vir à tona

Segredos do coração.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

PONTE DE LUZ


 


Lídia Sendin

 

Bem ao longe, a neblina clara e fria

Vai subindo da terra mansamente

Anunciando o raiar dum novo dia

E a esperança, ainda, de um sol quente.

 

Escondido entre nuvens amoitadas,

O sol parece que não se dá conta

Que sua presença é tão esperada,

Quando no céu, enfim, ele desponta.

 

Pouco a pouco, porém, ele aparece,

Rasgando a neblina do horizonte,

Que humildemente assim desaparece.

 

Quando entre nuvens seu fulgor irrompe,

Manda pra terra a luz que nos aquece

E entre o céu e a terra faz a ponte.

 


terça-feira, 13 de junho de 2023

Imaginando a Viagem

 



Lídia Sendin

 

Muito mais do que a viagem

O melhor é esperar por ela,

Arrumar mala e bagagem

E sonhar com a janela.

Esperar num canto sentado,                                                              

Observar quem cochila

No banco de tão cansado

Recostado na mochila

Pelo sono carregado.

 

Gente com cara ansiosa

Num rosto sem expressão

Que esconde receosa

Seu medo do avião.

O viajante atrasado

Cheio de preocupação,

Conferindo com cuidado

O bilhete em sua mão.

 

Gente com medo de enjoo,

E de uma turbulência

Confere a hora do voo,

Perdendo quase a paciência.

Enfim, é nesse ambiente,

Que começam os sonhos meus,

Onde vozes diferentes

No abraço dizem adeus.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Alvorece



Lídia Sendin

 

O cedo espiou pela janela

Amanhecendo vida.

Luz não espera

Cumpre sua jornada

Sol arredondando o céu

Explode e brilha.

Dia tirando o véu

Segue agora sua trilha

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Quadrinhas da Saudade




Lídia Sendin

 

Saudade não se mata

Nem de fome, nem de tédio,

A saudade não acaba

Com terapia e remédio.

 

Nada acabará com ela

A distância fortalece.

Quanto mais se foge dela,

Bem menos dela se esquece.

 

Saudade é mais fiel

Do que um amor ausente

E, como ele, é cruel,

Só que está sempre presente.

 

A saudade é como a morte:

Eterna e companheira.

Ela é sempre ombro forte

Ao seu lado a vida inteira.

 

Saudade é doce dor

Que não pede lenitivo,

Só a saudade do amor

Poderá deixá-lo vivo.

 

As palavras que conheço

Não conseguem exprimir

A saudade que eu mereço

Só por tanto amor sentir.

 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

PLANTA QUE A DOR ESPANTA



Lídia Sendin

Era manhã bem cedinho, ainda madrugada, o jovem agricultor caminhava pela estrada de terra rumo à lavoura. Algumas poças d’água, resultado da chuva da noite anterior, pontilhavam o chão.

Enquanto tentava se desviar dos buracos ele percebeu que a lua se multiplicava a cada pequeno espelho molhado. Suspirou e apoiado na enxada, pensava na lua cheia que emoldurou sua serenata bruscamente interrompida pela chuva repentina e na janela rapidamente fechada antes mesmo de o jovem poder se declarar.

Agora, esperando o sol, lá estava ela, brilhando prateada e soberba a rir-se do malfadado projeto de conquista do rapaz. A lua foi ficando pálida aos poucos e o cheiro da manhã, banhada pelos primeiros raios de sol, já tomava conta do caminho.

Assim, sabendo que essa rotina seria sua companheira por mais uma semana, antes de uma nova tentativa de conquista, colocou a enxada no ombro e partiu para a roça, tendo como companheira somente a esperança no coração sofredor, ansioso de que a semente plantada no coração da amada germinasse mais rápida do que as sementes lançadas na pequena roça de hortaliças.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus...



Lídia Sendin

Certamente Cristo não conhecia os políticos brasileiros quando fez essa afirmação. Cada dia que passa a gente pode constatar como César não sabe gerenciar o que recebe. Nós damos a César bem mais de 10% dos nossos salários. Com esse dinheiro (que não é pouco) César não providencia educação (temos que pagar escolas particulares), nem saúde (pagamos planos privados), nem segurança (somos roubados diariamente se não providenciarmos nós mesmos cercas e alarmes). César não nos dá boas estradas e não cuida com sucesso dos necessitados, pois temos que fazer constantes doações a entidades sociais. César não faz nada para melhorar nossa vida nos poucos anos que aqui vivemos. Deus nos pede apenas 10%, ou o dízimo, e se cumprirmos apenas duas regrinhas: amar a ele e ao próximo, pois tudo se resume nisso, ele nos dará paz de espírito e o paraíso, para sempre.



sexta-feira, 27 de maio de 2022

PRA SEMPRE, ENQUANTO DUROU...



Lídia Sendin

Hoje eu levantei com um verso na cabeça,
Cheio de saudade e pleno de paixão.
Escrevo agora para que ninguém se esqueça
Das tantas coisas que nos doem no coração.

O toque sonoro ecoando pela rua.
Oh! Como era bom o coreto do jardim.
Como testemunha uma clara e branca lua:
Sua mão está na minha, até que enfim!

E no banco azul de madeira envelhecida,
Nós sentamos com as promessas de amor,
Mal sabia o tempo que tudo nesta vida,
Tem começo, fim, alegria e muita dor.

A eternidade nos foi interrompida
Pela mão severa do tempo que passou
E a felicidade um dia pretendida
Foi como um momento que a gente só sonhou.

Esta dor maior é do que ficou ausente,
Que saudade eu tenho daquilo não vivido,
Como um desejo a morar eternamente
Na minha lembrança sem nunca ter partido.

Mas quando lembro que sonhos são fugazes,
Embalo na alma essa dor inevitável,
Penso nas conquistas de que fomos capazes
E já não me importo com o que não foi durável.




sábado, 21 de maio de 2022

“SOFRÊNCIA”


Lídia Sendin

É um medo que agonia,
É a dor que não vai embora,
Nem mesmo a doce poesia
Faz rir o rosto que chora.

Tristeza pega na gente
Sem motivo, sem razão.
E mesmo que não se aguente
Não passa essa aflição.

É uma estranha amargura
Que o universo não explica,
Não há direção segura,
Não se vai e nem se fica.

Só nos resta o desejo
De uma ajuda da ciência,
Outra solução não vejo

Pra acabar com essa sofrência.

domingo, 20 de março de 2022

INDIFERENÇA



Lídia Sendin

A lua está no céu!
Por que me espanto?
Se posso vê-la
Vagando ao léu.
Se no céu flutua
Sua eterna sina
E se insinua
Entre a neblina.

O sol, tal qual um rei,
Faz seu caminho e não se importa
Com meu sorriso ou se chorei,
Se estou viva ou estou morta.

Com alegrias ou com tristezas
O mundo gira sem conhecimento
Do que não sabe ou das certezas,
Do superficial ou do mais profundo,
Da felicidade ou do lamento,
Dos bons ou maus que moram no mundo.

terça-feira, 22 de junho de 2021

AMOR À VIDA



Lídia Sendin

 

Repleto de luz meu coração transborda.

Enchente de ventura,

Forma ondas de ternura

E alisa mansamente

As areias da minha alma.

 

Como chuvas de prazer

O amor me faz crescer

Pra colheita do carinho.

 

Numa safra perenal,

Colho frutos, colho flores

E enfeito meus amores

Como noiva virginal.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

AMOR CONJUGADO

 


Lídia Sendin

 

Amar é verbo composto,

Sem conjugação normal,

Se não se usa é desgosto,

Seu tempo é o condicional.

 

Sem presente indicativo,

No futuro é conjugado

E acabado o atrativo

Vira um perfeito passado.

 

O verbo amar é engodo.

É diamante na lama,

É brilho em poça de lodo

Que ao coração sempre chama.

 

Porém a frase sem verbo,

É difícil de compor

Então na vida conservo

Sempre um canto para o amor.

 

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Tempos difíceis



Lídia Sendin

Já foi o tempo...

Que sulcava a terra,
O homem simples, com o seu suor.
Agora tudo está mais para guerra
E é difícil pensar no melhor.

Neste tempo...

Será que ainda existe
Um lugar pro canto
Neste mundo triste
Onde medra o pranto?

Não...já foi o tempo...


quinta-feira, 6 de maio de 2021

Rosa é rosa... Mãe é mãe...



Lídia Sendin

Mesmo rosas, que são muitas,
Em forma, perfume e cor,
Sendo várias, não são múltiplas,
No sofrer por seu amor.

Rosas não vivem em escombros,
Nem escondem sua beleza,
Mães vivem cheias de assombros,
Entre ânsias e incertezas.

Flores nunca se desdobram
Para um seu botão voar,
Pelos filhos as mães choram
Sonhando em vê-los voltar.

Num coração sem tamanho,
Que pra abrigar se distende,
Pra mãe não há filho estranho,
É cria, é luz simplesmente.

Rosas se prendem com laços,
Mas murcham ao sol nascer,
As mães envolvem em abraços
Que não se pode esquecer.


terça-feira, 23 de março de 2021

A PASSAGEM: Páscoa



Lídia Sendin

 

Eram tempos de escuridão,

De um povo subjugado:

Cada homem com seu grilhão,

Cada vida com seu pecado.

 

O sangue pintou cada porta,

A Páscoa marcou a passagem.

E Moisés ao povo exorta:

Começou a grande viagem.

 

Também veio pôr sua marca,

Jesus Cristo, o Redentor,

Mas o ódio o mundo abarca:

Coloca na cruz o Senhor.

 

Um sinal, porém, foi deixado,

O Senhor não está mais na cruz,

Foi da morte ressuscitado,

Abrindo a passagem pra luz.

terça-feira, 16 de março de 2021

LAVRANDO LETRAS



Lídia Sendin

Lavrando letras como o homem lavra
A terra fofa ao amanhecer,
Busco minhas rimas em cada palavra,
Vendo na linha meu verso nascer.

Revolve a terra rústico peão,
Enquanto revolvo a minha memória.
Da terra boa vem a ele o pão,
Da branca folha vem a minha história.

Todas as folhas que lhe são paridas,
Todos os frutos que pode colher,
São quais metáforas pra mim nascidas
Gerando versos que posso escrever.

Cada semente que da terra brota
E lhe parece como um filho seu,
É como rima que a poesia adota,
Nascendo um verso que é um filho meu.





segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Conto do Eterno Natal


Conto do Eterno Natal
Lídia Sendin
Quando se cruzam os ponteiros bem no meio do relógio
E tempo de bem louvar. O que fez o novo dia
Para ser tão especial?
É uma história bem antiga, mas eu posso lhe contar:
É um conto de Natal.
Lembra o simples nascimento de um menino em Belém.
Ele era diferente. Era rico sem vintém.
Ele amava toda gente mesmo quem não tinha amor.
Era pobre e repartia, para o servo e pro senhor.
Diferença não fazia, cada um era especial,
Estar com Ele todo dia era dia de Natal.
Enquanto Ele crescia em estatura e em graça,
Ganhava sabedoria. E ainda hoje onde passa,
Espalhando sua luz, há esperança e alegria,
Pra quem encontra Jesus!



terça-feira, 29 de setembro de 2020

A música do Tempo



Lídia Sendin

Onde eu estava quando houve a luta
Entre as notas e a sinfonia?
Em que arpejo houve esta disputa,
Onde está a minha melodia?

Cada um indica o músico e o recruta
Para a canção de sua autoria,
Põe-se à frente e pega a batuta
Ou se recolhe dentro da coxia.

Regendo a vida com suas mãos de aço.
Tocando a nota que você escolhe,
O tempo é o maestro do compasso.

Se for tocada eu jamais desfaço
Essa sonata que embala e acolhe,
Ou nos empurra pra total fracasso.  


terça-feira, 22 de setembro de 2020

O Dono da Vida






Lídia Sendin

 

Sendo o homem que planta e que rega

O alimento que tem pra comer

E a mulher que no ventre carrega

A criança que espera nascer;

 

E orgulhosos do que tudo sabem.

Esses homens que lançam a semente,

Ou então elas quando em si concebem

Novo ser a crescer em seu ventre.

 

Mas se o sangue que corre nas veias

E o caule que conduz rica seiva,

Parecem tudo a vida trazer,

 

Não se enganem mortais criaturas,

É preciso ler nas Escrituras

Que é só Deus quem faz tudo viver.