As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

segunda-feira, 12 de abril de 2021

CONSELHOS DA VOVÓ

 



Elda Nympha Cobra Silveira

 

Os anos foram chegando inadvertidamente ou sorrateiramente, sem que eu me desse conta e espero que quando estiver bem velhinha , não digo agora,  porque não sinto esse estado em que me enquadram.

Gostaria que meus filhos e netos se quedassem um pouco para ler oque escrevo agora,  como não sei se lerão isso pelo jornal,  vou deixar dentro de um envelope. Não precisei sofrer muito para aprender errando, mas sei que sofri por amar demais (será que se ama demais?). Não, amar sempre faz bem, quem usufrui é o sujeito do verbo amar. Porque o coração fica repleto, sem nenhum cantinho que se mostre desocupado.

Seu coração  comanda tudo, o cérebro  é apenas o condutor das prazerosas emoções.

Como ainda sou jovem, pelo menos dentro  desse cérebro, com muitos descontos, claro! Porque minha alma é saudável ainda, não quero me limitar com percursos no caminho de discrepâncias como colesterol, triglicérides, diabetes que são chatices.

Sem muitas marcas de idade, se for por comparação, obvio.

Para ser feliz é preciso acreditar em sí mesmo, não pergunte para ninguem sobre você  o que interessa mesmo é a sua própria análise, porque você está dentro de si mesma.

Seu coração é a sua estrada.Ele sempre (a, o)  está abastecendo e conduzindo.

Escolha seu melhor caminho, o mais satisfatório e prazeroso, tenha desejos reais.

Deixe, se possível, uma prole para poder viver com continuidade passando suas raizes, talentos, e princípios que marcaram sua existência senão sua passagem neste planeta será em vão. Não precisa ser um Einstein, um Beettoven, ou um Papa, apenas seja integro!

Não viva dizendo que “ no meu tempo era melhor”. Era nada, também havia guerras,  violências, mau governo, falcatruas, se bem que um fio de bigode valia como aval, e hoje me parece que seria uma insensatez quem se fiasse nisso. Será que houve uma decadência de moralidade? E o sexo?

Há, claro havia isso mas com qualidade mais pitadas de amor, romance e esperança, ilusão. Deixe seu coração bater descompassado como se fosse protagonista de um filme, de uma história de amor escrita num bom livro cheio de romance e drama.

Procure escolher seu marido que ama de verdade e que seja recíproco. Cante, dance, pinte, escreva, toque um instrumento, goste de cinema, televisão, não seja chata!

Procure entender seus pais quando não concordam com você porque eles (a o ) amam e são seus verdadeiros amigos e sua origem é ser um pedaço deles e  há um elo de amor.

Não queira se auto-afirmar contrariando-os porque você não tem a experiencia de vida que eles têm, mas tenha sua vida própria mas arque com seus erros e aprenda.

Cada ano vivido vem com experiências de vitórias e derrotas que ao longo da existência

 vai perceber que  cresceu e ganhou um enriquecimento de maturidade sem igual.

A vida é bela para quem sabe vivê-la, e nem sempre o dinheiro é a tônica, lembre-se!

A saúde é necessária para que a vida seja prazerosa, com alegria e satisfação.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Aquela que pega a enxada


Luzia Stocco

Aquela que pega a enxada
Prega os panos
Revira os sonhos
Os sonhos, reavalia
É mãe, mulher
Arrimo de família
Larga o facão
Pra parir mais um varão
É casta, vadia
Quando vai à caça
Não disfarça, cria
Varre, passa, limpa, cozinha
Limpa, varre, esfrega, passa
Sem passatempo
O tempo a espera!
Dirige o caminhão
Sobe às montanhas
Escapa da solidão
Canta, dança, nada, corre
Pra pegar o trem das nove
Em novembro, tem casamento
Acorda de madrugada
Que é onde começa o dia
As estrelas no céu
São sua companhia
Nas noites frias
Não se confessa
Abranda seu coração
Ria, mas chora quando parte um filho seu
Destemida
Teme a guerra
Já foi rainha
Em outra existência aqui
Foi vassala, fiel
Delicada e charmosa
É ela mulher gentil
Que proclama
Aos quatro cantos
Que se ama, com razão
Enfrenta mil gigantes
Pra cair aos pés de um anão
Quem é esta mulher
Que lhes conto, então?

Podem me indagar, curiosos
Eu não entrego o nome
Pois nascida das estrelas
Gerada por sua mãe

Aquela que pega a enxada...

sábado, 27 de março de 2021

AMIGO É...

 



Plinio Montagner


 

“Amigo é coisa para se guardar dentro do coração, no lado esquerdo do peito”.

Amigo é personagem do passado, do presente e do futuro. Não importa a idade, o sexo, a cor, os bens que ele tem ou o time do seu coração. A amizade é uma relação efetiva que nasce na escola da vida, e não termina seja qual for a distância e a extensão do tempo de convívio.

Amor e amizade são afetos parecidos que envolvem afetos, mas são diferentes na questão liberdade e exclusividade.  No amor nada pode ser dividido. É um mais um, e a posse é privativa, enquanto na amizade o compartilhamento é livre, não aprisiona, não gera explicações, não pede licença, não existe egoísmo, nem ciúme nem inveja. Se se desgasta, eventualmente, por descuido ou vontade, o afeto não acaba, logo surge a conciliação e o culpado é absorvido e tudo é esquecido.

Amigos há de todos os tipos: o amigo, o grande amigo e o amigão. E seguem outras fontes: amigo de infância, de faculdade, de trabalho, de igreja, de internet, de clube, de orações, de pescaria, de viagens, de bagunça, de bar, de confidências, de vizinhança, e também os amigos dos amigos. O que não pode existir é o amigo mais ou menos, amor mais ou menos e amizade mais ou menos.

Amigo, amigo mesmo, não é muito cerimonioso, não tem cargo, hierarquia, qualificação, categoria, beleza, feiura, bens, poder. Eles não têm lado B, estão no mesmo nível, nem mais nem menos ricos, nem mais nem menos sábios. Amigo não se gaba, não alardeia, não abusa, não aproveita.

Amigo é o cara que lembra alguma frase que você disse há anos, lembra uma piada sua, momentos bons e tristes, sua música preferida, a marca de seu carro, seu hobby, aparece em sua casa sem avisar, se não avisar ou não vier, tanto faz, será sempre bem-vindo.

Amigo pode esquecer a data de seu aniversário, conhecer ou não sua família; perdoa, entende o outro, e tem o direito de até não rir de sua piada sem graça. Ele tira fotos de onde está e envia para você, tem segredos guardados a sete chaves.

No entardecer da vida é que eles são mais lembrados, e que não tê-los seria tão ruim quanto uma doença, ou mais.

Como viajar sozinho, comer um espaguete, uma pizza, tomar um chope, um vinho, sozinho? Nada pode ser celebrado sem amigos. Como não ter alguém ao lado num leito de hospital?

Certa vez um pai dizia ao filho que ia casar:

“Filho, nunca esqueça seus amigos! Eles serão mais importantes em sua vida à medida que você for envelhecendo. Independente do quanto você ame sua família, os filhos, que porventura venha a ter, você sempre precisará de amigos. Cuide deles. Lembre-se de vez ou outra ir a lugares com eles, fazer coisas com eles, telefonar para eles”.

            Com o passar do tempo o filho compreendeu que seu pai sabia o que falava. Percebeu que o tempo e a natureza realizam mudanças nos homens e que sempre chega a hora em que os sonhos se tornam realidades, e que, de repente, ficamos sozinhos. Nesses momentos os amigos são mais importantes do que todas nossas conquistas e nossos bens. A distância separa, os filhos crescem, os amores ficam frouxos, as pessoas não fazem o que deveriam fazer, as carreiras levam os filhos para longe e seguem suas vidas,  embora nem sempre como os pais gostam.

Amigos verdadeiros sempre estão presentes, não importa o tempo e a distância, mas nunca estarão mais distantes do que o alcance de nos esperar de braços abertos.

Não existe papo mais gostoso do que o dos velhos amigos. Histórias, recordações, viagens, amores, tudo pode ser lembrado ao aconchego de uma varanda, à mesa de um restaurante, conversando, não com um desconhecido, mas com os velhos amigos.

“Quando iniciamos nossa aventura chamada VIDA não sabíamos das incríveis alegrias e tristezas que estavam adiante, nem o quanto precisaríamos uns dos outros”.

terça-feira, 23 de março de 2021

A PASSAGEM: Páscoa



Lídia Sendin

 

Eram tempos de escuridão,

De um povo subjugado:

Cada homem com seu grilhão,

Cada vida com seu pecado.

 

O sangue pintou cada porta,

A Páscoa marcou a passagem.

E Moisés ao povo exorta:

Começou a grande viagem.

 

Também veio pôr sua marca,

Jesus Cristo, o Redentor,

Mas o ódio o mundo abarca:

Coloca na cruz o Senhor.

 

Um sinal, porém, foi deixado,

O Senhor não está mais na cruz,

Foi da morte ressuscitado,

Abrindo a passagem pra luz.

terça-feira, 16 de março de 2021

LAVRANDO LETRAS



Lídia Sendin

Lavrando letras como o homem lavra
A terra fofa ao amanhecer,
Busco minhas rimas em cada palavra,
Vendo na linha meu verso nascer.

Revolve a terra rústico peão,
Enquanto revolvo a minha memória.
Da terra boa vem a ele o pão,
Da branca folha vem a minha história.

Todas as folhas que lhe são paridas,
Todos os frutos que pode colher,
São quais metáforas pra mim nascidas
Gerando versos que posso escrever.

Cada semente que da terra brota
E lhe parece como um filho seu,
É como rima que a poesia adota,
Nascendo um verso que é um filho meu.





segunda-feira, 8 de março de 2021

MULHER



Ludovico da Silva

 

            Alguém já deve ter visto uma caricatura em que uma mulher é arrastada pelos cabelos por um brutamontes, em direção a uma caverna.

Era assim que a mulher era tratada. Como uma verdadeira escrava.

            O homem era o seu dono e  podia dispor dela como que quisesse e bem entendesse.

            Esse tempo já passou.

            Hoje, a mulher se situa, merecidamente, em igualdade de condições com o homem.

            Essa posição não foi alcançada ao sabor da luz do sol ou da mudança da lua.

             É preciso um recuo até a década de 50 do século XIX, quando mais de uma centena de mulheres de uma indústria têxtil, da cidade norte-americana de Nova Iorque, entrou em greve, por melhores condições de vida. Pagaram com suas próprias vidas, mas seus gritos ecoaram pelos anos futuros e pelo mundo afora.

            Essas mulheres fizeram história e hoje merecem ser reverenciadas pelo que conquistaram.

            Aos poucos, foram alcançando vitórias, quebraram tabus, garan-tiram direitos e continuam desafiando e reivindicando sempre posições legítimas, na sociedade como um todo.

            E tem mais. Tudo isso, sem se afastar da sagrada missão materna.

Projeto Poema na Caixa

 

Concepção gráfica: Fernanda Napoleao Gilioli Oliveira  

 

Todo ano, o Centro Literário de Piracicaba distribui de centenas de poesias nas praças, shoppings, bibliotecas, hospitais, lares de idosos e outros logradouros, em comemoração ao Dia da Poesia.

Neste ano, por conta da Pandemia, não dá para organizar eventos presenciais.

A escritora Silvia Oliveira, através de um contato de Santa Catarina, o poeta  Dino Gilioli, recebeu o convite para que os grupos literários de Piracicaba - Centro Literário de Piracicaba, Academia Piracicabana de Letras e Grupo Oficina Literária de Piracicaba, aderissem ao projeto Poema na Caixa, que consiste em deixar pequenos poemas nas caixas postais das casas com uma breve explicação do que se trata.

Se quem receber um poema em sua caixa postal quiser participar também, pode fazer cópias das poesias que recebeu, ou imprimir suas próprias e deixar em outras caixinhas de correio.

Vale poesia ilustrada, com gravuras, desenho, colagem, digitadas, escritas à mão, tudo o que a imaginação criar.

Mãos à obra!


 

 

domingo, 7 de março de 2021

A FORÇA da MULHER

 



Aracy Duarte Ferrari

 

Palavra fortemente

Enunciada,

Sonhos acalentados

Personificados

Em sentimentos…

 

Essência do belo

A suprir desejos

E expectativas!

 

Mulher! Na alma e no espírito

O instinto materno,

Familiar e harmonioso...

 

Prudência, equilíbrio terno,

Para conquistar espaços.

E bom senso no desenrolar das

Sequências e consequências!

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Joia dos meus Sonhos

 


Leda Coletti

 

Joia dos meus sonhos !... Deixo escapar em voz alta minha admiração e a musa me sorri tão bonita!! Como que embalada pelas palavras acariciantes, desliza nas águas de um caudaloso rio suavemente. Parece mesmo sumir numa densa névoa de esplendor. Vou ao seu encalço mas, ela num rodopio gostoso, desaparece nas águas claras e profundas.

Fico estático, olhando fixamente para o ponto onde sumiu. Sua impressão deveras forte continua a ocupar o espaço a minha frente. Acompanho sua trajetória até o fundo do rio, e consigo enxergá-la na paisagem embaçada, recostada ás outras companheiras. Seu colorido se sobressai sobre as de diferentes matizes, lembrando ouro, esmeraldas. Nelas se recosta tranquila  e soberana.  No silêncio  se impõe

Sou mesmo um felizardo, pois  vou ao seu encontro e candidato-me a embalar seu sono repousante e velar pela sua proteção. Construo para ela um nicho incrustado de diamantes, safiras, ouro. Nada quero em troca. Só o puro prazer do êxtase.

E, nessa magia de deslumbramento, acordo sobressaltado, com o tilintar de algo próximo a  mim. O despertador era, pois eu conhecia muito bem o  seu som estridente e mais demorado.

Procurei o objeto do barulho, causador da interrupção do sonho inesquecível.

Qual não foi minha surpresa ao constatar que se tratava da aliança de ouro de minha mulher, que a deixara no criado-mudo. Acredito que devo tê-la derrubado ao solo com o meu braço direito, ávido em tocar a musa dos meus sonhos. Apanhando-a, observei sua parte interna, onde estava meu nome gravado. Olhei enternecido para  a mãe dos meus dois filhos que dormia sossegada, e sussurrei-lhe ao ouvido: -“mulher, você é joia mais linda que possuo na vida!”

*Cartas de Amor

Ivana Maria França de Negri

            As novas gerações jamais vão sentir a emoção que os mais antigos vivenciavam ao receber uma carta. Principalmente as de amor, tão ardentemente aguardadas.

            Numa época em que não existiam redes sociais e e-mail, o correio era a única forma de se corresponder. A telefonia ainda estava engatinhando e raras pessoas possuíam aparelhos telefônicos. Hoje em dia, trocam-se mensagens instantâneas com pessoas de qualquer parte do planeta!

            O carteiro era aguardado no horário habitual. Quando trazia uma carta, havia todo um ritual. Abrir com cuidado para não rasgar, sentir o perfume - os namorados sempre davam um jeito de perfumar as cartas ou colocar dentro pétalas de rosas ou pedacinhos de mata borrão com o perfume que usavam. Depois, ir para algum cantinho sossegado e saborear cada palavra, ler e reler tudo para captar o que o outro dizia nas entrelinhas porque as cartas eram muito respeitosas e formais, e muitas passavam pelo crivo dos pais mais rígidos.

            Eu sempre soube da existência daquela caixa vermelha amarrada com fita de cetim na casa dos meus pais. Sabia que continha correspondências de quando foram namorados, mas nunca tive a curiosidade de lê-las.

            Quando minha mãe faleceu, a caixa ainda ficou esquecida numa gaveta por doze anos, até que meu pai partiu também para encontrar-se com seu grande amor. Arrumando as coisas da casa, a caixa reapareceu. O que fazer com aquelas cartas?

            Ao abri-la, encontro um bilhete com a letrinha da minha mãe: “Lindas cartas de amor! Podem ler à vontade, são cartas sinceras como quem as escreveu. Um dia devem ser queimadas, quando o casal não mais existir”.

            Foi então que comecei a ler, já que havia autorização de um dos autores. Emoções começaram a fazer minha vista embaçar. Cartas escritas entre 1942 e 1950. Transporto-me para aquela época. Cada carta é um testemunho histórico daquele tempo. Meu pai contava as últimas notícias da guerra, das viagens que fazia nas jardineiras, uma aventura, ainda mais quando chovia e a estrada de terra fazia a jardineira atolar. Todos desciam e ajudavam a desatolar. As viagens eram demoradas e cansativas. Não havia lugar reservado. Vendiam mais passagens do que havia lugares e muitos ficavam horas e horas em pé, e o transporte era precário e balançava muito!

            Dentro de várias delas, santinhos, cromos, desenhos, coraçõezinhos vermelhos, marcas de batom... Como não se emocionar?

            Minha mãe, jovem professora do Grupo Moraes Barros, contava sobre seus amados aluninhos, e numa delas, sobre uma visita solene do governador Ademar de Barros na escola, quando ensaiou seus alunos para se apresentarem. Ela mesma inventava os figurinos, as danças e as canções.

            Fernando Pessoa disse certa vez que “todas as cartas de amor são ridículas”, mas ele se enganou, são maravilhosas! As palavras que mais aparecem em todas as cartas são “saudade” e “amor”.

            Eu ficaria aqui horas escrevendo minhas impressões sobre elas.  Falavam sobre as músicas que ouviam, dos sonhos que sonhavam, da contagem dos dias que os separavam para estarem juntos e todas essas doçuras que o amor coloca no coração dos apaixonados.

            Depois se casaram e viveram felizes por quase sessenta anos!

            Agora, a dúvida cruel...Queimo ou não queimo???...


*Texto publicado na Gazeta de Piracicaba

 



 











sábado, 20 de fevereiro de 2021

Silêncio


Elisabete Bortolin

Silêncio quer dizer interiorizar-se.

Aprofundar-se, mergulhar no âmago do seu ser.
EU SOU o silêncio da alma ouvindo a voz de Deus.
EU SOU a plenitude manifestada no silêncio.
EU SOU o silêncio do nascer do sol.
EU SOU o silêncio do entardecer na Ave-Maria.
EU SOU realizada no silêncio conquistado na mente.
EU SOU imaculada no silêncio da pureza.
EU SOU o silêncio da velocidade da luz.
EU SOU o silêncio desvendando mistérios.
EU SOU o silêncio da noite nas profundezas do ser.
EU SOU a Presença manifestada no silêncio do olhar.
EU SOU a meditação no Silêncio.
Silêncio!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Minha língua em sua vida


 


Olivaldo Júnior


Para o "Anjo de Lisboa"

 

Minha língua em sua vida

não importa nem um pouco,

mas eu driblo a despedida,

marco um gol e acabo rouco...

 

Uno as línguas que há no mundo

numa língua condoreira,

que, ao morrer no mar profundo,

funda a língua brasileira...

 

Feito um santo do pau oco,

canto versos para um "anjo"

que me deixa quase louco...

 

Anjo luso, de asas rubras,

traga paz a este marmanjo

e esta língua redescubras!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Motemas



Irineu Volpato


quantas eram as cadeiras na calçada
aos sábados à tarde em nossa porta
- amigas de mamãe amavam celebrá-la

era tão pobre nossa vida ali roça
que havia uma só lamparina em nossa casa

quando voltarão as tardes de nuvens derrubadas
comboiando-se ocaso-sol ?

naquela hora em que sol fica cochilando
sua preguiça despedindo-se do dia

vamos rezar pelos que insistem

enfeitar a vida

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

MESTRE



Shirley Brunelli Crestana

 

Inigualável Mestre

meus olhos já percorreram

o infinito espaço sideral

e já passei

pelas encruzilhadas de muitas vidas...

Revesti-me de muitas formas

ao longo dessa milenar jornada

e vazias continuam minhas mãos

nada tenho para te ofertar

nesse Natal.

Ainda assim

vou te fazer um pedido

algo que afete toda a Criação...

Jesus

silencia o mundo

e coloca

no coração do ser humano

a compaixão!