As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

sábado, 14 de setembro de 2013

CHUVAS SAGRADAS


Elda Nympha Cobra Silveira

A cidade entardeceu em incertezas, como as brumas dum futuro alvissareiro que se tem de espreitar de perto, enquanto o governo não se toca e nem satisfaz os anseios de um povo esperançoso.
Fiquei filosofando sobre o desgaste impaciente dessa vida, na coragem dos jovens enfrentando a polícia por qualidade de vida, no jogo de vaidades, de ambições, dos desencontros, das incertezas, na fixação pelo ganhar e conseguir suas metas de consumo desenfreado.
A cidade nesse domingo estava vazia! No terraço do meu apartamento olhava para as ruas! Um cão vira uma esquina e desaparece. Será que tem dono, ou é mais um solitário sem teto perambulando pela cidade?  
Pensei em sair para ver minhas netinhas, mas o edredom macio e aconchegante despertou um langor preguiçoso que me levou a uma soneca. E o dia foi  nublando de repente, e tão de repente a chuva despencou numa turbulência insólita, para nós piracicabanos, acostumados à calidez dos dias suados que expurga nossos miasmas do cotidiano, e que se alteraram pelos fatos desenrolados  a olhos vistos, para o bem ou para o mal.
De repente, os ventos uivantes têm o poder de me despertar para ir até o terraço me inteirar do barulho. Através da vidraça vejo um temporal dantesco, com ventos ululantes e embravecidos, rasgando os ares, acompanhado de uma chuva de granizo, que salpicava a vidraça  e forrava o chão do terraço de granito.
A noite cai e eu sem TV, sem computador, sem telefone sem o celular, sem elevador!Como a eletricidade faz falta! Como tudo depende dela!
Quero sentir-me indiferente, mas não consigo. Penso na família, nos amigos, no próprio prédio, no trânsito, nos desastres que ainda vão acontecer... E a preocupação se instala! Não tem choro, mas tem vela e pus-me a tricotar, até à meia noite, para desanuviar pensamentos negativos.
Vi no dia seguinte a avaria e dispêndio que muitas pessoas e a cidade sofreram e agradeci a Deus por sua misericórdia para comigo. Esse cataclismo não escolhe nem ricos nem pobres porque vários bairros foram afetados. Ele não escolheu lugar nem pessoas. Veio como um rolo compressor arrancando árvores com raízes a mostra e derrubando muitas, que danificaram muros, carros e casas. A ventania foi tão forte, que até postes de concreto foram arrancados.
Será que Deus enviou essa chuva para deixar tudo limpo, até nossos corações?
 O Papa Francisco mobilizou tantos jovens, com sua força carismática e a juventude, força viva da humanidade, veio de todos os países do mundo, para enfrentar chuva e frio, e ouvir do Papa, que a cólera, a indiferença ao nosso próximo, a desesperança, o medo de conhecer um futuro promissor, não abata aqueles que se preparam para tomar conta do amanhã, e conclamou para que tenham fé e que com boas atitudes marquem presença nessa década como peregrinos da esperança.
A chuva desencadeada com fúria, para mim é uma metáfora a ser entendida como um alerta para nos fazer pensar mais profundamente na fé do Altíssimo, no batismo da esperança, mais profundamente na nossa vida espiritual e eterna para lavarmos nossas idéias de desamor, de vícios, da desigualdade, do culto ao poder, ao dinheiro; enfim que todas as palavras do Papa entrem nos corações limpos e abertos ao amor de Deus, que só está esperando que abramos as portas para Ele entrar:

-“Eis que estou à sua porta e bato.” 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

AMIGOS DE VERDADE




Daniela Daragoni Alves

Não quero nada impossível                                          
Um milagre ou coisa assim
Só quero gente de bom coração e alma pura
Perto de mim.

Não quero ganhar na mega sena
Não preciso de tanto dinheiro
Só preciso de pessoas que queiram ser amigos
E possuam sentimentos verdadeiros.

Quero amizades sinceras
Pessoas que não julguem pelas aparências
Pessoas que não têm vergonha de demonstrar sentimentos
Que expõem toda a sua essência

Não preciso de gente ruim perto de mim
Pessoas que sorriem na frente e atacam pelas costas
Preciso dos que sabem  usar as palavras certas
No momento em que mais preciso de respostas.

Preciso de olhares sinceros, sorrisos verdadeiros
Chega de gente superficial e sem conteúdo
Preciso de amigos leais
Para enfrentar a solidão desse mundo...

E por favor
Não finja amizade, nada dói mais
Quero amigos verdadeiros, amigos pra vida toda
Chega de pessoas superficiais...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Prana Vital


Clarice Villac

Existe em nós
uma passagem
íntima, invisível
entre o real e o sensível

alcança nossas intuições,
sonhos, imaginações...
viagens que fazemos
ao dormir

Quando voltamos
através dela,
trazemos inspirações,
flashs que podem nos ajudar
a compreender
nossa interação
com esta vida cotidiana...

Pois o dia a dia
se renova ao prana
do amanhecer,
mas precisamos perceber
que este prana brilha
em nós também,
e que podemos acrescentar,
espalhar ao nosso redor,
Vida,
todo dia !...

sábado, 7 de setembro de 2013

ESTILINGUE E COMPUTADOR


Plinio Montagner

Onde se vive melhor, no campo ou na cidade? Casa ou apartamento? Casa com ou sem quintal? Apartamento com ou sem sacada? Prédio com ou sem quadras esportivas?
Essas perguntas não levam a nada. Cada caso é um caso, depende do morador, da fase da vida, da cidade, do país etc.
Aprendemos uma coisa: na vida tudo tem um preço, e que não há derrota ou desgraça que não traga algo bom também, não importa o tempo que leva.
Voltando ao estilingue e ao computador.
O computador é uma escola universal; ensina, diverte, promove relações sociais, alivia tristezas e outras mil coisas; basta-lhe uma mesa, uma cadeira e uma fonte. E o estilingue precisa de liberdade, ar livre, espaço e alvos; é uma invenção sem a menor importância, mas proporciona emoções verdadeiras, e ao vivo,
O computador, ninguém vive sem ele. É igual ao celular. Quem não tem os dois está nu. Mas a turma do estilingue toma sol, caminha, respira ar puro, come goiaba no pé, sobe em mangueiras, pula valetas, rola na grama, na areia, no chão vermelho, brinca na enxurrada nos dias de chuva, caça passarinhos, roda pião, empina pipa; tudo de graça, e não engorda.
E as crianças do computador? Ficam estáticas e arcadas diante da telinha, sem piscar, durante horas, e comendo porcarias. Nunca viram de perto uma vaca ou um bode. Ver bicho na tela não é a mesma coisa.
Com certeza muita gente repetiria a infância, sairia dos centros urbanos e voltaria aos lugares de sua infância, como cantou em versos o célebre Casimiro de Abreu - Meus Oito Anos: “Oh que saudades eu tenho da aurora de minha vida, de minha infância querida que os anos não trazem mais...”
As crianças dos sítios e fazendas eram mais felizes, muito felizes. Tinham liberdade, havia espaços e segurança. Na cidade é perigoso andar a pé e também de carro, e por isso os pais levam filhos à escola, mesmo seja a dois quarteirões.
Medo é bom e ruim, pode prejudicar o desenvolvimento. Crianças que crescem nas cidades são meio enjoadas, medrosas, não comem isso e aquilo, ficam limpando cebolinhas, salsinhas do prato, enquanto as da roça comem bigato de árvore, goiaba bichada, fritam rolinhas, bebe água da torneira.
Leite? No sítio o leite tem de ser gordo, com nata boiando no caldeirão, e os amiguinhos protegidos da cidade tomam leite zero, aguado.
Fomos felizes sem computador. É verdade. Andávamos a pé e de bicicleta sem marcha.
Agora é muito nhenhenhém! Tênis de marca, roupa para judô, uniformes de times de futebol, chuteiras coloridas, piscina de água morna, touca e óculos de natação, os brinquedos vêm prontos ou são de montar, cheios de luzinhas, controle remoto. Os carrinhos correndo e as crianças sentadas.
Têm graça sim, os brinquedos modernos, são bonitos, coloridos. Mas vêm prontos. Hoje as crianças não sabem inventar brinquedo e jogam bola dentro do apartamento.  Antes, brinquedo era coisa rara, bola era laranja, chinelos eram limites do gol, ramos de mandioca eram revólveres, e jogo de botões era com tampinhas de garrafas.
Saudades do tempo em que as crianças na rua puxavam feixes de cana da carroceria dos caminhões; - até as meninas participavam da farra.
Casa ou apartamento? Mil vezes casa, com jabuticabeiras, mangueiras, bananeiras, pessegueiros, ipês...

É, mas os vizinhos vão reclamar das folhas, dos galhos... 

O CONFINAMENTO


Henrique Borlina de Oliveira

Bastou o pombo pousar no duto do ar condicionado para me descobrir um homem confinado.
Há muito programas de televisão mostram a vida de pessoas confinadas, sejam em ônibus, casas, apartamentos, fazendas ou prisões propriamente ditos.
Os programas pontuam extraordinária audiência injustificada pelo conteúdo apresentado. Justificada, entretanto, pela simbiose inerente a casa pessoa; sem desmerecer a curiosidade sobre a vida alheia, mas por se encontrar como igual confinado.
Sem participar de um reality show, estamos todos confinados. Confinados entre quatro paredes no décimo terceiro andar de um edifício, onde trabalhamos. Estamos confinados diante da tela do computador, sem ouvir a chuva ou sentir o vento escorrer pelo rosto. Somos confinados pela preocupação do dia a dia. Pela moeda instável, pela inflação dando o ar da graça, pela violência no lado de fora. Quando não, somos confinados dentro de nossos carros em meio à balbúrdia de um trânsito caótico.
Estamos presos, isolados pelo conhecimento de massa, enlatado, que a cada segundo nos é empurrado goela abaixo, sem tempo para digeri-lo ou degustá-lo. Não temos tempo de formar opinião própria e somos atropelados por outra informação que sobrepõe àquela; que por sua vez será contestada por outra em seguida.
Não concorremos a qualquer prêmio milionário. Nem temos nossa figura exposta em tudo quanto é meio de comunicação. Nem chamamos atenção em nosso humilde confinamento.

O pombo arrulhou atrás do ar condicionado. De repente lembrei-me da vida lá fora. Não contive o desejo de descer os treze andares que me afastavam do chão. Passei pela portaria às pressas. Ganhei a rua. Vi os pássaros brincando solitários nos bancos vazios de um jardim próximo ao prédio. O vento forte despenteou-me. Senti intensa felicidade ao ver as flores do ipê despregando de seus galhos. Uma chuva de flores na tarde abandonada. O sol reanimou minha pele fúnebre de escritório. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vida digital




Nathalia Prado – aluna do DBA, aulas de redação – profª Christina A. Negro Silva

As redes sociais entraram definitivamente no dia-a-dia das pessoas, seja por diversão, amizade ou motivos profissionais. O certo mesmo é que a internet trouxe o mundo para dentro de nossas casas.
Hoje em dia, é fácil criar relações de afinidade, fazer novas amizades, compartilhar sentimentos, pertencer a grupos e dividir intimidade com estranhos. Através dessas tecnologias, tudo é mais fácil. Nesses termos a própria palavra “intimidade” perde sentido.
Essa maneira rápida de se comunicar que a internet proporciona aproxima quem está longe, assim como pode distanciar quem está perto. Ou seja, além de unir pessoas e criar laços, também pode servir de palco para confusões, fofocas, intrigas, desfazer namoros e até casamentos. Tudo depende do uso que dela se faz.
Pois bem, infelizmente, hoje percebe-se a exagerada exposição virtual de algumas pessoas. O que anda acontecendo?... de repente, certas pessoas acham natural indicar passos de suas vidas e suas localizações 24h por dia! Parece que o fato de não ficarem olho no olho faz com que ignorem os perigos e acabem publicando informações demais. Não dá para entender. De que adianta erguer muros altos em volta da casa, cercar-se de alarmes e dispositivos de segurança e deixar o livre acesso à vida pessoal através dos meios virtuais? Sobram informações sobre rotina diária, compras e até, por vezes, fotos íntimas. Qualquer um pode acessar tais informações. Ninguém anda pela rua distribuindo abertamente cartões, telefones e endereços a desconhecidos. Então por que divulgar  tudo sobre sua vida na internet? Existem histórias de pessoas que sofreram ameaças de sequestro que podem ter vindo de qualquer lugar do mundo. Ou seja, tanto no mundo virtual, como no real, é necessário preservar a própria privacidade. Afinal, o  virtual faz parte do mundo real. Não é um “universo paralelo”.
Não saber os limites da nossa exposição nas redes virtuais pode nos custar caro e colocar em risco a integridade da nossa imagem frente à sociedade. A  partir do momento em que colocamos informações na rede, foge do nosso controle a consequência das dimensões de até onde elas podem chegar. Sendo assim, apresentar informações pessoais em  redes pode nos tornar muito mais vulneráveis. Temos que tomar consciência das nossas atitudes, das nossas opiniões publicadas nos meios  digitais, o que requer cuidado e bom senso para que nem a nossa imagem e nem a do outro possam ser prejudicadas.



terça-feira, 3 de setembro de 2013

MORATÓRIA...


Ana Marly de Oliveira Jacobino

Sentado na cadeira esmaecida
Pela força das intempéries
Deflagradas pela suas mãos
Gordurosas, sujas pela aspereza
Da vida passada ao conduzir
O trabalho na terra.
Sempre gostou de ler...
Um sopro de vida, o abate
Como o faisão no seu último voo,
Morre com a bala transfixada no peito.
Palavras incandescentes
Fosforizam seus neurônios.
Ela sabe...
Fluir o rio das dúvidas
No leitor emburrecido pela mídia
Comparsa do mal que afeta
A todos; robotização!
Lispector mostra um sopro de vida

Mesmo, depois de morta!

domingo, 1 de setembro de 2013

Altos papos com Danuza

Altos papos com Danuza*
Ivana Maria França de Negri

Movida pela curiosidade acerca da socialite mais famosa das décadas de 50/60, fui com uma amiga assistir ao talk show de Danuza Leão.
Uma mulher linda que viveu uma vida recheada de glamour, jóias, vestidos assinados por costureiros de renome, rodeada de personalidades, que curtiu festas, viagens, flertes, casamentos, casos, que fumou a vida toda, o que lhe rendeu uma voz grossa e rouca, que bebeu litros e até experimentou algumas drogas na juventude.
Enquanto ia abrindo o leque de sua vida, por alguns momentos a vi como uma senhora decadente, fútil, frívola e um tanto egoísta, com muita plástica e botox, aconselhando as mulheres presentes a serem sóbrias na maquiagem (?) e na maneira de se vestirem. Uma mulher que se nega a ser chamada de avó, refere-se à neta como “filha da minha filha” e diz que sua casa nunca foi feita para crianças, que só tem água na geladeira e que preza a sua privacidade, não gosta de visitas e sim de estar só. Não conta a idade em hipótese alguma, mas a mediadora do bate-papo deu a entender que tinha o dobro da idade da Loba, ou seja, 80 primaveras muito bem vividas.
Mas aos poucos fui deduzindo que essa capa de aparente frieza é apenas uma maneira de defender-se dos percalços da vida para não sofrer em demasia. Analisando suas vivências, deu para perceber que ela foi forjada no aço, passou por muita coisa que a maioria dos mortais nem imagina, criada por um pai de personalidade forte que emancipou as filhas muito cedo e incutiu nelas o valor da liberdade e independência numa época em que as mulheres eram criadas para serem donas de casa, casar e ter muitos filhos, e uma mãe que se anulou e pouco influiu em sua vida.
Avessa às modernidades como celular, telefone sem fio, redes sociais, IPADS, usa um telefone de fio e refugia-se em seu apartamento em frente à praia.
Assim como se mostrou extremamente sincera, dizendo o que pensa sem se importar se agrada ou não, me sinto à vontade para externar minhas impressões.
Casou-se muito cedo com um homem influente, que tinha o dobro de sua idade e teve 3 filhos. Mas isso não a impediu de ser independente e fazer sempre o que quis.
Viveu glamurosamente, mas acontecimentos trágicos deixaram indeléveis e doloridas marcas, como a morte prematura do filho num acidente, o suicídio do pai, que era seu ídolo, a morte da irmã caçula, a cantora Nara Leão, de um tumor maligno inoperável que a foi consumindo e por fim, o falecimento da mãe, extenuada pelo  sofrimento. Em seu livro de memórias, conta que quando foi enterrar a mãe, no mesmo jazigo do filho, do pai e da irmã, orou a Deus para nunca mais ter de levar ninguém àquela sepultura.
Gostei e guardei uma citação dela, que dizia mais ou menos isso: “a gente passa metade da existência adquirindo bens, juntando coisas e passa a outra metade tendo o trabalho de se desfazer delas, de destralhar-se,  para ter uma vida mais leve”.
Uma mulher inteligente e culta que diz que a vida é “algumas coisas melhorando e outras piorando” e vencer é a capacidade de aceitar o que é ruim e aproveitar o que é bom,  uma das poucas pessoas que pode se dar ao luxo de fugir, sempre que necessita, e sem data para retornar, às cidades que aprendeu a amar: Paris e Veneza.

Sem sombra de dúvida, Danuza foi e é uma mulher admirável, que viveu intensamente, sempre à frente do seu tempo, experiências boas e outras extremamente ruins, uma vida permeada de altos e baixos, alternando tristezas e alegrias, e ainda teve a ousadia de ser feliz e fez por merecer o lugar de destaque que conquistou.

*Texto publicado na Gazeta de Piracicaba

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A internet e seus males



Tema: Benefícios e malefícios da internet na vida do jovem brasileiro
              Natália Bertolini, aluna do 2º ano do DBA, aulas de redação da profª Christina A.Negro Silva        

A internet na vida dos jovens brasileiros está muito presente, mudando drasticamente seu dia-a-dia, ocupando seu tempo, distraindo ou educando.
O tempo gasto com a internet hoje é de uma à cinco  por dia. Isso é muito se comparado às necessidades essenciais em nossas vidas. O uso da internet é bom, mas também é prejudicial. Sua versatilidade e praticidade é útil em nosso cotidiano, pois os sites para pesquisa ajudam todas as pessoas, não só os jovens. Por outro lado, também existem as redes sociais e sites inadequados. Esses ocupam o tempo das pessoas com o nada. Pois o jovem e qualquer outra pessoa não adquire conhecimento só usufruindo das redes sociais.
Na internet é possível ter acesso à redes terroristas, sites de pesquisas, redes sociais, entre outros. Essa gama de possibilidades que a internet possui é de fácil acesso e visualização, fazendo com que mais pessoas sejam bombardeadas com opiniões e informações.
Hoje as redes sociais são as mais acessadas na internet. O saber ficou para trás e o culto ao físico e às ”caras e bocas” está tomando conta do mundo atual;  uma nota 10,0 na escola não vale 300 curtidas em uma foto no facebook ou instagram, o mundo, infelizmente, está dependente dessas futilidades.
Tanto a internet, quanto a mídia são responsáveis por divulgações de opiniões, as quais manipulam as pessoas, fazendo com que o senso crítico de cada um vire senso comum. A proposta ideal para evitar os malefícios e usufruir dos benefícios desse fantástico veículo de divulgação de tudo, deveria ser : utilize  a  internet com moderação, como advertem os especialistas de outras áreas que lidam com o prazer e a dor de certos produtos consumidos por nós.


domingo, 25 de agosto de 2013

Ventos de agosto


Maria de Fatima Rodrigues

... que trouxeram
sementes
de flor,
de fruta,
de amor.

... que levaram,
folhas secas
de mal
de mágoas
de dor.

... deixe ficar
o perfume,
a alegria.

E do beijo,

o sabor.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Poesia ao Vento - Vida e Obra de Erotides de Campos por Silvia Oliveira


EROTIDES DE CAMPOS



Nascido em Cabreúva, interior de São Paulo, em 15 de outubro de 1896 e falecido em 20 de março de 1945. Compositor de marchinhas, sambas, choros, pianista e tocador de vários instrumentos, foi professor de física e química e passou parte da sua vida na cidade de Piracicaba. Em algumas composições, Erotides costumava assinar com o pseudônimo de Jonas Neves o que induziu muitas pessoas acreditarem que esse Jonas seria outro compositor, quando na verdade era o próprio.

No universo da música constam várias peças com o nome Ave-Maria. Muitos célebres são as de Charles Gounoud, de Franz Schubert, Giuseppi Verdi, Bonaventura Somma, Giacomo Puccinni. Tratam-se de melodias que  ultrapassaram as fronteiras dos países de origens e tornaram-se canções do mundo musical.  A França, Itália e Áustria presentearam o mundo através dos seus compositores, com estas canções clássicas.
O Brasil também contribuiu com a sua Ave-Maria, não no campo clássico mas no popular. Falamos da célebre Ave-Maria composta em 1924 e gravada em disco de cera por Pedro Celestino, irmão do cantor e ator Vicente Celestino.






Na época não obteve consagração popular mas em 1939 o cantor Augusto Calheiros (nascido em Maceió em 05 de junho de 1891 e falecido no Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 1956) de voz afinadíssima e dono de agudos peculiares gravou esta valsa e tornou-a conhecida nacionalmente. 
Nossos avós e nossos pais cantaram muito esta canção. Depois desta outras Ave-Marias enriqueceram o cancioneiro popular brasileiro, como por exemplo: Ave-Maria no Morro, de Herivelto Martins; Ave-Maria dos Namorados, de Jair Amorim/Evaldo Gouveia e Ave-Maria Sertaneja, de Júlio Ricardo/O. de Oliveira, tão bem interpretada por Luiz Gonzaga.  Aqui, uma oportunidade para você que porventura tenha ouvido seus pais e avós cantarem esta canção ou mesmo tê-la ouvido no tempo do rádio sadio, vale a pena cantá-la. (letra completa no final deste estudo) Realmente, as músicas de Erotides de Campos tem o toque imortal da genialidade.

Foi piracicabano por escolha e vivência. Ainda menino veio morar em Piracicaba em companhia do tio, Luis da Silveira Neves, em 1908. Desde criança sua vocação para a música despertou a atenção de professores e da família. 
Aos pais, músicos e muito pobres, não escapou o talento precoce do filho que aos 8 anos já estudava piano com Francisca Júlia da Silva, poetisa de renome e pianista, ao mesmo tempo em que cursava escola municipal.
Em 1905, um padre salesiano, ouvindo falar dos dons do menino, levou-o a estudar no Liceu Coração de Jesus em São Paulo. O seu virtuosismo na flauta, apesar da tão pouca idade, surpreendeu a todos.  Mas, passando as férias em Cabreúva, em 1907, Erotides foi atacado por tifo e teve que abandonar os estudos em São Paulo.

Chegando a Piracicaba, Erotides integrou a já famosa orquestra piracicabana que se apresentava nos cines Iris e Politeama.





A orquestra entre outros, contava com a participação de Osório de Souza, Melita e Carlos Brasiliense, João Viziolli, Renato Guerrini. Participou também da banda União Operária. Estudou na Escola Normal, atual "Sud Mennucci" onde chamou a atenção do também músico Honorato Faustino que passou a estimulá-lo.
Formou-se em 1918 e foi lecionar na escola da estação de Monjolinho em São Carlos. Conseguiu a segunda nomeação retornando a Piracicaba onde lecionou no Grupo Escolar de Tanquinho e depois no de Dois Córregos. Em 1921 casa-se com Maria Benedita Germano.

Por alguns anos, de 1923 a 1932, ficou em Pirassununga atendendo ao convite do então prefeito e futuro interventor de São Paulo Fernando Costa. Mas volta a Piracicaba em 1932 nomeado como professor de Química do Curso Complementar, anexo à Escola Normal.  Destacou-se não apenas como professor e músico mas também como homem voltado à caridade. Ele com sua mulher Tita foram os criadores do "Culto à Saudade" que criou o costume de os vicentinos, no Dia de Finados, postarem-se à porta do cemitério colhendo donativos.

São mais de 230 as composições de Erotides de Campos, entre peças editadas e não editadas. São berceuses, canções, choros, dobrados, charlestons, elegias, valsas e outras formas musicais.  Suas partituras foram ilustradas por desenhistas famosos como Belmonte, Carnicelli, Valverde e Vantik.  Entre os parceiros de Erotides, quase sempre autores dos versos, estão Benedito Almeida Júnior, Elias de Mello Ayres, Francisco Lagreca, Leandro Guerrini, Newton de Almeida Mello, Silvio Aguiar Sousa entre outros.
Usando pseudônimos Erotides de Campos acabou sendo vítima de um grande equívoco: a sua mais famosa composição, a "Ave Maria", foi composta com o nome de Jonas Neves, na verdade parte de seu nome, Erotides Jonas Neves de Campos. 



Isso lhe custou a retenção, após sua morte, dos direitos autorais  pela SBAT - Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.    Apenas em 1985 o jornalista Luiz Thomazi conseguiu desfazer o equívoco permitindo à viúva Tita usufruir dos direitos autorais.
Entre as centenas de composições destacam-se além da "Ave Maria", "Murmúrios do Piracicaba", Alvorada de Lírios, Uma Barquinha Azul.
Erotides de Campos morreu repentinamente em 20 de março de 1945 quando elaborava a capa do "Cancioneiro Escolar" com músicas suas. Homem humilde, recatado, mulato, recebeu a homenagem de Piracicaba num enterro em que se revelou a comoção popular.
Seu nome foi dado a uma rua da cidade, ao grupo escolar de Paraisolância e a uma sala de música do I. E. "Sud Mennucci".  No cemitério da Saudade, foi erguido um mausoléu com as primeiras notas musicais da "Ave Maria". (Também recentemente, em 27 de março de 2012, um teatro foi construído nas dependências do antigo Engenho Central às margens do Rio Piracicaba em sua homenagem)
Em Piracicaba foi instituída a Semana Erotides de Campos (conforme lei promulgada em 1996; de 09 a 15 de outubro acontecem apresentações musicais) e que tem sido esforçadamente levada à frente pelo biógrafo de Erotides, o engenheiro agrônomo José Carlos de Moura.
Bibliografia
Memorial de Piracicaba 2002/03, de Cecílio Elias Neto
Alvorada de Lírios Obra musical de Erotides de Campos. Publicação da FEALQ Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiróz 1996 Coordenação José Carlos de Moura

Sugestão de Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música Popular Brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Minha Rua


              
 Leda Coletti

Minha rua é tão bonita!...

Gosto de apreciá-la das alturas.
Do alto do prédio, carros, motos,
 parecem brinquedos eletrônicos sincronizados.
Nela os pedestres apressados
são como soldadinhos de chumbo
acertando passos ritmados.
( 1,2,... esquerdo, direito ).

      Desde a infância eu a quero muito.
Lembro-me do bonde fazendo dlim...dlim,
zigue-zagueando nos paralelepípedos,
subindo até chegar à Estação da Paulista,
fim de rua, chegada, partida dos trens,
passageiros com sorrisos, lágrimas nas despedidas.
(cenário  dos pracinhas da Revolução Constitucionalista)

Minha rua é tão bonita!

Tem início na praça José Bonifácio
onde fica a Catedral de Santo Antonio,
padroeiro da cidade, protetor dos namorados,
em treze de junho comemorado
 com trezena, procissão, bolo, muita festa,
pão bento, quermesse e bucólica seresta.
 (famílias relembram bons momentos)

Próximo à Catedral aparece imponente
o Colégio Piracicabano, com tijolo à vista
enfeitando a frente do quarteirão.
Ladeira acima, o Colégio Assunção
perto do Lar Escola, todos esteios
da boa  instrução e formação.
(berços de grandes intelectuais e artistas)

            Minha rua é tão bonita!

meio-dia de sexta-feira: tem música na praça,
fanfarras, banda nos atos cívicos e dias festivos. 
 Nos dias ensolarados do alto dos prédios
aprecia-se o sol sumindo  além da Ponte do Morato,
deixando rastros luminosos nas águas do Piracicaba.
E ao findar da tarde, os sinos da Catedral repicam festivos.     
 (é hora de encantamento na Noiva da Colina)


Quando é dia, o sol a bronzeia,
de noite, a lua cheia rodeada de estrelas meninas,
apaixonada a contempla no silêncio da madrugada.
Gosto de dizer que ela é minha,
mas bem sei que é de todos, rainha
“cheia de flores, cheia de encantos.”
( é tão bom sabê- la querida e partilhar essa dádiva)
                                                                                                       
Esta rua, referência para a população
 da nossa  Piracicaba, torrão bendito,
é mais um cartão postal bonito
e, embora seu nome fale de morte
ela só transmite vida e muita sorte,
abençoada por Nossa Senhora da Boa Morte.
 (Seu manto azul a cobre com muitas graças)

Minha rua é tão bonita!...



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Conversa com Deus



Daniela Daragoni Alves

Hoje eu tive uma conversa com Deus
Uma conversa decisiva
E entendi finalmente
Que ele está a par de tudo que acontece na minha vida.

Ele sabe das minhas forças
Dos meus limites e das minhas fraquezas
Ele conhece as dores mais profundas
Aquelas que quando apertam, minha alma fraqueja...

Hoje tive uma conversa com Deus
Dessas conversas que a gente não esquece jamais
Por isso decidi não perturbá-lo de novo
E compreendi que Ele sabe o que faz...

Eu olhei para o céu hoje à tarde
E pude sentir tudo o que Ele me dizia
Por isso não vou mais pedir, nem implorar nada
Que seja feita a vontade Dele, não a minha...

E permaneço em silêncio, numa oração que Ele consegue entender
Nada precisa ser dito
Deus sabe as dores e as alegrias de cada um
Deus sabe o que eu preciso.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Lançamento do livro de Edson Rontani Junior

Junto com a premiação dos selecionados no Concurso de Microcontos de Humor acontece o lançamento do livro de Edson Rontani Junior