As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

terça-feira, 31 de agosto de 2010

1o Concurso Literário Guemanisse de Crônicas, Cartas e Trovas


1º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CRÔNICAS, CARTAS E TROVAS / 2010

http://www.guemanisse.com.br/
editora@guemanisse.com.br
concursoliterario@guemanisse.com.br

Objetivando incentivar a literatura no país, dando ênfase na publicação de textos, a GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA. promove o 1º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CRÔNICAS, CARTAS E TROVAS, composto por três categorias distintas:

a) Crônicas – Narrativa breve, sobre a vida cotidiana, podendo ser informal, intimista, familiar, etc.

b) Cartas – Textos reais ou imaginários em forma de missivas.

c) Trovas – No estilo tradicional (composta de estrofes de QUATRO versos, com sete sílabas poéticas, rimadas em ABAB).

o qual será regido pelo seguinte

REGULAMENTO

1. Podem concorrer quaisquer pessoas, de qualquer país, desde que os textos inscritos sejam em língua portuguesa. Os trabalhos não precisam ser inéditos e a temática é livre.

2. As inscrições se encerram no dia 10 de SETEMBRO de 2010. Os trabalhos enviados após esta data não serão considerados para efeito do concurso, e, assim como os demais, não serão devolvidos. Para tanto será considerada a data de postagem (correio e internet).

3. O limite de cada CRÔNICA ou CARTA é de até 4 (quatro) páginas e as TROVAS se prendem ao estilo tradicional. Os textos devem ser redigidos em folha A 4, corpo 12, espaço 1,5 (entrelinhas) e fonte Times ou Arial.

4. As inscrições podem ser realizadas por correio ou pela internet da forma seguinte:

a) Via postal (correio): os trabalhos podem ser enviados em papel, CD ou disquete 3 ½ para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. CAIXA POSTAL 31.530 – CEP 20780-970 - Rio de Janeiro – RJ;

b) Internet: os trabalhos devem ser enviados, em arquivo Word , para o e-mail concursoliterario@guemanisse.com.br (com cópia para) editora@guemanisse.com.br

5. Os textos devem ser remetidos em 1 (uma) via, devendo, em folha (ou arquivo, no caso de Internet) separada, conter os seguintes dados do concorrente:

a) nome completo;

b) nome artístico, com o qual assina a obra e que será divulgado em caso de premiação e/ou publicação;

c) categoria a que concorre;

d) data de nascimento / profissão;

e) endereço completo (com CEP) / e endereço eletrônico (e-mail).

6. Cada concorrente pode realizar quantas inscrições desejar.

7. Para as categorias CRÔNICAS e CARTAS, o valor de cada inscrição é de R$ 30,00 (trinta reais), podendo o autor inscrever até 2 (dois) textos por inscrição. Para a categoria TROVAS, o valor de cada inscrição é de R$ 30,00 (trinta reais) podendo o autor inscrever até 5 (cinco) textos por inscrição. Os valores devem ser depositados em favor de GUEMANISSE EDITORA E EVENTOS LTDA, na Caixa Econômica Federal, Agência 2264 – Oper. 003 – Conta Corrente Nº 451-7

8. A remessa do numerário referente à inscrição, quando feita do exterior, deve ser efetuada através dos correios;

9. Os comprovantes de depósito (nos quais os concorrentes escreverão o nome) devem ser remetidos para Guemanisse Editora e Eventos Ltda. pelo correio, pela internet (escaneados) ou para o fax (21) 3734-2005. Nenhum valor de inscrição será devolvido.

10. Os resultados serão divulgados pelo nosso site www.guemanisse.com.br, pela mídia e através de circular (por e-mail) a todos os participantes, no dia 11 de OUTUBRO de 2010.

11. Cada Comissão Julgadora será composta por 3 (três) nomes ligados à literatura e com reconhecida capacidade artístico-cultural. Ambas as Comissões podem conceder menções honrosas ou especiais.

12. As decisões das Comissões Julgadoras são irrecorríveis.

13. Para cada Categoria (CRÔNICAS, CARTAS e TROCAS), a premiação será nos seguintes valores:

a) Premiação em dinheiro:

1º lugar: R$ 3.000,00 (três mil reais) e publicação do texto em livro;

2º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais) e publicação do texto em livro;

3º lugar: R$ 1.000,00 (mil reais) e publicação do texto em livro.

b) Premiação de publicação em livro:

Os textos premiados, inclusive os que forem agraciados com MENÇÃO HONROSA e/ou MENÇÃO ESPECIAL, serão publicados em livro (sem ônus para seus autores, inclusive de remessa postal) e cada um destes autores receberá dez exemplares, a título de direitos autorais. Os direitos autorais subseqüentes a esta edição são de propriedade dos seus autores, não tendo a Guemanisse nenhum direito sobre os mesmos. Esta edição específica não poderá ultrapassar a tiragem de 2.000 (dois mil) exemplares, e os livros restantes desta edição serão preferencialmente distribuídos por bibliotecas e escolas públicas.

14. A inscrição no presente concurso implica na aceitação plena deste regulamento.

Meninos Cotidianos

MENINOS COTIDIANOS
Carlos Moraes Junior

Impossibilidade de ser... Quando o subjetivo se distorce e o objetivo vai derretendo no meio da lava do egoísmo. Impossibilidade de ser como aquelas pessoas que andam de noite pelas ruas, tiritando dentro do pouco de roupa que tenta cobrir um tanto de gente enjoada de viver, carente de ser. E na verdade eles são tão pouco! Pobres. Somente pobres, inexistentes, invisíveis, porque o dinheiro só dá para matar a fome. Pobres somente que matam a vida em qualquer lugar: embaixo das pontes e dos viadutos.
Meninos mal-vestidos que amanhecem nas ruas fumando crack, mulas humanas cansadas, catadores de papelão, que puxam até tarde seus carrinhos, para poderem juntar uns centavos para comprar pão com mortadela. Impossibilidade de ser, de ter sem nada ser. Utopia dos jogos de loteria e daqueles tênis espantosos brilham nas vitrines das lojas.
Meninos de narizes esborrachados na vitrine só podem ver, sem sentir, sem a possibilidade de concretizar o sonho. E a vida sem presente e sem futuro, a vida sem vida, a morte em vida faz deles poderosos vingadores, que não temem nada porque são heróis que tentam fugir desse moto-contínuo, mas terminam sempre no mesmo lugar e do mesmo jeito.
Meninos que têm hora marcada para nascer e para morrer. Meninos de vida insana, insensata e curta. Meninos pobres que descobrem muito depressa que é o homem e não Deus, quem tem o poder de marcar seu destino e seu tempo final. Meninos pobres, pobres meninos habitantes de um universo sem sentido. Vida vibrante, dissociada e curta. Vida de menino pobre que chegará sempre no mesmo lugar e do mesmo jeito. Enquanto o redor assiste esta representação mal-feita, mal ensaiada e sem talento da violência do nosso cotidiano.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os três nomes do gato


OS TRÊS NOMES DO GATO (*)
Lázaro Barreto

Dar nome aos gatos não é tarefa fácil nem fútil. Muitas vezes quando digo que o gato deve ter TRÊS NOMES DIFERENTES, olham-me de novo, julgam-me biruta.
Mas assim é, por mais que estranhem e gozem. Primeiro o nome corrente, de uso da família, que pode ser Poetinha, Alípio ou Conceição.
Depois o escolhido de pessoas refinadas (extravagantes ou mesmo sóbrias), como Menelau, Polonaise ou Pixinguinha. Por último o mais íntimo e solitário, que ele mais necessita para manter o orgulho e esticar os bigodes, enrodilhar-se na cadeira ou pular o muro como num voo - e que pode ser Diadorim, Caracóia ou Ana Lívia Plurabelle, que nenhum outro gato deste mundo ostenta.

Mas além desses e acima de tudo e de todos, há um nome especial de sua preferência
e esse ninguém sabe e nunca saberá. É o nome que nenhuma pesquisa humana pode descobrir e que só o próprio gato sabe, mas que nunca dirá a ninguém.
Assim, quando se vê um gato em profunda meditação, os olhos abertos e cegos, as unhas em inocente repouso, saiba que a razão é sempre a mesma: sua mente está ocupada na contemplação de seu misterioso e inescrutável e singular NOME.

(*) Paráfrase de Um Poema de T. S. Eliot

domingo, 29 de agosto de 2010

A Bolsa

A bolsa (e continua caindo)
Gabriel Araújo dos Santos

Meu irmão, mais velho que eu — tem 85 anos — mora lá nos confins das Gerais, mil quilômetros daqui. Além de tudo, somos compadres, mas ele nunca me liga.

Sozinho no casarão da fazenda, ele mesmo côa o seu café adoçado com rapadura, e prepara o guisado — como se fala por lá.

Não é ignorante. Um desapegado.

Não consegue lidar com as teclas do telefone que os filhos deram de instalar na fazenda, no intuito de amenizar-lhe a solidão, que ele não sabe o que é isso.

“O duro é a sodade” — às vezes me confidencia — a saudade da companheira de tantos anos...

Nos fins de semana, lá da rua — cidade — vem o filho e vem a nora, e também as duas netas, meninas ainda, suspiro de sua vida, costuma dizer.

Quando liguei pra ele, dei de enveredar para os assuntos da bolsa de valores, ao que ele entendeu que a alça da minha bolsa havia se arrebentado, ou escapulido.

“Pode ficá sussegado, sô, que eu tenho aqui um couro todo ispicial, que curti nem sei mais quando, e na hora cocê vié aqui traz ela, que vou dá um jeito, e tenho até uma fivela, daquelas de prata, e vai ficar uma tetéia, uma belezura!”

Limitei-me a aceitar sua oferta, que era sincera demais, com o que se sentiu todo animado, e está lá, com certeza já aprontando a alça para a minha bolsa e aguardando minha chegada, que não sei quando.

Não me atrevi a corrigir-lhe o engano, enchendo-lhe a mente das balbúrdias do mundo financeiro, logo ele, que às sete da noite já se recolhe para rezar, e dedilhando tranquilo as contas do terço contempla os mistérios da Virgem Mãe de Deus.

Lá fora, na curralama, o gado esterca e muge, ruminando macaúba, enquanto o monjolo retumba forte e grosso, pilando os punhadinhos de arroz para o consumo diário.

Embalado pela sinfonia de sapos e rãs que habitam os brejais, vara sem temor à noite que ali é mais espichada, enquanto o resto do mundo clama por mais tempo, tempo de perdas e ganhos, conquistas e derrotas, poucos ou nenhum sonho realizado, eis que não dormem, e às vezes nem tempo de amar lhes sobra, tais os atropelos e as artimanhas do mundo dito globalizado...

sábado, 28 de agosto de 2010

A Vida é Bela!

A vida é bela!Maria Cecilia Graner Fessel

Domingo! Bom! Ele só acordou com os ruídos que a mulher fazia na cozinha,
preparando o café. Sem a zoeira das crianças chegando à escola defronte a sua casa,
o silêncio acalentara seu sono. Espreguiçou-se. Percebeu que chovera durante a noite, ainda dava para sentir o cheiro de terra molhada. Ficou imóvel alguns minutos, apreciando os odores estimulantes que vinham da cozinha, do café e dos pãezinhos quentes entrando por suas narinas.Sua boca salivou antevendo o prazer da manteiga derretida sobre o pão. Levantou-se e enfiou os dedos nus no carpete, sentindo sua maciez. Lavou-se, passou as mãos pelo rosto, percebendo o contraste entre a pele das faces e a áspera barba crescente. Sorriu. Domingo. Que bom!.
Foi andando descalço até a cozinha, e teve um arrepio com o frio do piso de cerâmica na sola dos pés descalços. Beijou a mulher e, antes de sentar-se, abriu a porta que dava para o gramado interno. Aspirou deliciado o ar matinal: - “Meu bem, a laranjeira floriu, sinta que delícia de perfume!”. Caminhou pela grama ainda molhada, deu uma topada no pé, xingou e comentou :- “Precisamos limpar o gramado , ficou cheio de galhos e folhas secas da ventania de ontem!”Nisso começou o agudo desafio entre os bentevis das árvores da calçada, cada qual improvisando sua própria melodia.
A mulher se aproximou por trás dele, abraçou-o rindo e ele sentiu-lhe o corpo quente e curvilíneo encostado no seu, os cabelos crespos cheirando a xampu roçando em seu pescoço. Um sol forte, ardido, tocou seu rosto e seus braços. Então ele levantou a cabeça, voltando para o céu os olhos cegos, e exclamou:
-“Como a vida é bela!”.

Definindo a Saudade

Definindo a Saudade
Maria Iraci Pinto

Saudade é um cheiro de flor, misturado ao perfume de alguém que está longe.
É o som de uma música que ecoa na lembrança junto com uma voz que só nosso coração ouve.
É a presença constante de um olhar, um gesto, um sorriso, e de um corpo tatuado em nossa pele e em nossa mente.
Saudade é o que sinto de você, meu amor, sempre tão unipresente em minha horas de solidão.
Definição de saudade para mim é a sua ausência em meus dias.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Aprendendo com os Ipês

Aprendendo com os Ipês
Adenize Maria Costa

A florada dos ipês está de encher os olhos... É um convite encantador para a vida! De vez em quando, no ônibus, a caminho do trabalho, escuto alguém reclamando da vida... Da falta de chuva... Do tempo seco... Do calor atípico para essa época do ano... Olho pela janela e vejo os Ipês, em toda a sua majestade, não estão nem aí com o tempo que está fazendo, nem aí com a falta de chuva, nem aí com o tempo seco. Parecem estar numa competição: “Concurso da mais bela copa”. Os passarinhos fazem festa! Imagino os beija-flores, acho que ficam perdidos com tantas flores, com tanta fartura de néctar!
Hoje, mais uma vez, a caminho do trabalho, fiquei apreciando e aprendendo com a beleza dos ipês. Olhei com outros olhos para essa explosão de beleza. Quero a cada dia, trazer esse aprendizado para a minha vida: não importa se está calor ou se está frio, se chove muito ou pouco, se o tempo está seco demais ou úmido demais, quero essa beleza! Viver a vida com todas as dificuldades, os desafios diários... Com simplicidade, com alegria. Alegria que vem de dentro, que vem do Alto... Aprender com as “podas da vida” a florescer n tempo certo do jeito certo!
A florada dos ipês está mesmo de encher os olhos, mas muito mais, o coração!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Alma gêmea


Alma gêmea
Eloah Margoni


Assim como Dora Carrington e Lytton Strachey me sinto em relação a você. Isso sem ser eu pintora nem você gay, e mesmo morando em cidades separadas há tantos anos; às vezes, residindo também em países diferentes... Dentre diversas, várias pessoas tão queridas e chegadas, essenciais em minha vida, você aparece como fonte d` água, uma luz primordial. Não me lembro, e acho isso muito engraçado, do dia ou da hora nem da circunstância na qual nos conhecemos, talvez porque tenha sido algo natural e complementar, ou quem sabe porque você estava metamorfoseado, disfarçado e não o reconheci de imediato. Por outro lado, não nos identificamos por razões sexuais nem eróticas. Penso até que seria impossível vivermos juntos, mesmo só dividindo espaços. Trata-se a ligação importante que tenho com você, de falarmos a mesma linguagem, ou melhor, você traduziu para mim mesma, há tantos anos, desde que era eu jovem, minha própria voz! Tudo o que eu sabia silenciosamente, o montante com o que sonhava, as questões que intuía em relação ao planeta ou tudo que viria a ser como filha deste. Sintonia com a Terra, você a decodificou em mim e a alimenta ainda.

Na época em que o conheci era eu humanista. Depois, com o tempo, percebi que tinha de fazer A Escolha de Sofia. Todos nós, os sensíveis, temos de fazê-la de certa maneira, mas o lado para o qual caminhei foi com sua bússola, seu norte, com seu sextante, seu GPS ou seja lá o que for, modernamente falando.

Incrível que nunca tenhamos sequer discutido, nem nos anos em que convivemos bem amiúde! Mas o discípulo não discute com o mestre. Como pessoa, posso ver-lhe defeitos variados, assim como eu os possuo, mas isso não interessa.

Da última vez em que nos encontramos, foi num setembro um pouquinho friorento, num dia brusco com um ventinho triste e irritante. Jamais eu vira um setembro assim naquela cidade de clima aprazível e quente, mas as mudanças climáticas que tanto anunciamos e lutamos para evitar, finalmente chegaram, e aqui, abro um parêntesis para dizer que, ao constatá-las, bem como à espoliação dos recursos naturais, o que previmos e procuramos, desde há décadas, prevenir, nos está enlouquecendo. Fecho parêntesis.

Naquele dia ao qual me referi acima, sua casa tão querida para você e familiar para mim, agora usada como estúdio ou centro de estudos, me pareceu um pouco desolada. Grande, de boa construção, mostrava-se meio largada e estranhei que a deixasse assim até a desvalorizar enquanto imóvel, mas isso não importava porque você lá estava! A grande biblioteca, cheia de estantes atulhadas de livros de cima a baixo, colocada fora da casa, apertada no seu espaço limitado, me fazia indagar porque a mesma não fora transferida para outros cômodos da residência, que se mostravam quase vazios, mas não era relevante na verdade, pois você se achava entre os livros, numa mesa sem grande conforto ou dimensão, ao lado do computador. De pé, entre as estantes, esperei por você quando o telefone tocou e era uma mulher que tentava seduzi-lo e o aborrecia. Você, que sempre foi amado das mulheres, repelia zangado a insistência daquela, mas ao fazê-lo demorava-se na conversa e até lhe dava, assim, em sua ênfase negativa, certa atenção. Particularmente achava aquilo esquisito, aguardando-o emparedada pelos livros, mas isso pouco me incomodava, pois você permanecia ali. E assim lhe peço agora, encarecidamente, meu amigo e mestre, que aí permaneça por muitos e muitos anos, e definitivamente enquanto eu ainda existir!

Concurso "Arte pela Paz"


“ BARCOS DE TODOS OS TEMPOS ”
Projeto Internacional “Arte pela Paz” - 13ª edição


http://www.amarsp.org.br/amar/8_BTT_BARCOS_DE_TODOS_OS%20TEMPOS.pdf

Movimento Infanto-Juvenil Crescendo com Arte
( The Youth and Child Movement Growing with Art )

Centro Cultural da Marinha em São Paulo

Em novembro de 2010 será realizado o concurso de arte para crianças e jovens do Brasil e do Mundo com idade entre 04 e 16 anos
Professor(a) - Instituição: Realize uma pesquisa com seus alunos sobre o tema, tendo como objetivo o conhecimento da arte e
a importância da construção dos barcos como elementos da paz.
A humanidade deve se desenvolver nas ciências e nas tecnologias, sem esquecer da evolução dos valores de solidariedade,
generosidade e compaixão pelos semelhantes e por todos os seres responsáveis pela existência da vida na Terra. Tais valores,
reformulados a cada geração, constituem a maior tradição de um país que, junto às manifestações populares baseadas no
respeito à vida e à dignidade, mantêm a esperança na conquista da paz entre todos os povos do planeta.
Os barcos, desde os tempos mais remotos, foram responsáveis pela expansão e desenvolvimento das civilizações.
Há muita arte em cada tipo de embarcação: canoas, botes, jangadas, caiaques, caravelas, dracares, galeras, veleiros, escunas,
lanchas, iates, navios, rebocadores, petroleiros, etc...
Sugestões de assuntos que podem ser abordados:
1. A construção de barcos e a navegação levaram ao conhecimento de novos continentes e às trocas entre os povos, fazendo o
mundo se expandir.
2. Barcos utilizados nos esportes, no turismo, no lazer, no comércio, no atendimento às comunidades ribeirinhas e praieiras
isoladas, no salvamento de pessoas e de animais.
3. Barcos dos povos primitivos, barcos das diversas civilizações dos períodos da humanidade, barcos famosos, barcos históricos.
4. Barcos usados em manifestações culturais e folclóricas.
5. Barcos que transportam as mercadorias que cada país produz.
6. Barcos da Marinha de cada país, construídos para garantir a segurança, atuar em salvamentos e fazer pesquisas científicas.
7. Barcos utilizados para alertar e proteger animais e a natureza contra a exploração e a crueldade.
8. Relevante lembrar,que todos os barcos devem ser projetados para o bem-estar da humanidade,para a conservação da natureza
e, atualmente, mesmo que construídos para a defesa de cada país, os barcos devem ser sempre colocados a serviço da paz.
9. A Marinha do Brasil possui barcos para garantir os direitos e os interesses sobre as águas dos mares, rios e lagos
brasileiros, utilizando barcos, também, para o atendimento médico e social às comunidades ribeirinhas e praieiras.
Regulamento
1. Escolha um tipo de barco e represente-o em seu trabalho;
2. Envie apenas 01 (um) trabalho por participante com idade entre 04 e 16 anos;
3. Técnica: Livre - desenho, pintura, sucata, mosaico, dobradura, criações no computador, etc.;
4. Utilizar papel no tamanho A4 ( 21 x 30cm ) colando-o numa base de papel-cartão (ou similar) colorido de tamanho 30 X 40 cm;
5. Na parte de trás da base de papel-cartão, escreva em letra de forma/imprensa o título do trabalho, nome completo (não
abreviar) do autor, idade, endereço e e-mail da instituição ou do participante (quando o trabalho for enviado individualmente);
6. Cada escola/instituição poderá enviar até 30 trabalhos;
7. A instituição deverá juntar uma lista com todos os títulos dos trabalhos, nomes completos dos autores e idades (modelo
anexo) e também o nome completo (sem abreviatura) da escola/instituição ;
8. Serão aceitos trabalhos realizados e enviados individualmente;
9. Não serão aceitos trabalhos realizados por mais de um participante;
10. Não serão aceitos trabalhos que representem barcos que causem, na atualidade, ações de crueldade contra seres humanos,
animais ou qualquer outro integrante da natureza, ou que representem barcos atuando direta ou indiretamente em ações ilícitas.
Seleção
1. Haverá uma seleção prévia para qualificação dos trabalhos que irão compor a mostra/exposição;
2. A seleção será feita por um grupo de professores, psicólogos e artistas;
3. Todos os trabalhos recebidos, quando não selecionados, terão direito a “certificados de participação no projeto”;
4. Todas as instituições, que enviarem trabalhos de seus alunos, também receberão um “certificado de participação no projeto”;
5. Os trabalhos qualificados para a mostra receberão “certificados de participação na mostra”;
6. Para a mostra, haverá uma nova comissão julgadora, composta por profissionais de várias áreas culturais. A essa comissão
caberá escolher, dentre os trabalhos qualificados, aqueles que receberão “menções ouro, prata e bronze” e “menções honrosas”;
7. A decisão do júri será tomada com base nos seguintes critérios: adequação ao tema e materiais discriminados no
regulamento, originalidade e criatividade;
8. A aceitação deste regulamento implica no reconhecimento da soberania da decisão das comissões julgadoras, podendo as
mesmas, não conferir a premiação. Das decisões não caberão quaisquer tipos de recursos.
9.Todos os autores dos trabalhos concordam, assim como seus responsáveis (pais ou tutores) e respectivas
instituições/escolas, por força deste regulamento, em ceder sua imagem e de sua obra em divulgações relacionadas ao evento,
sendo garantidos os direitos autorais, mas sem receber qualquer remuneração pelo uso dessas imagens.
10. Os trabalhos não serão devolvidos e poderão ser usados em outras mostras.
Data limite para recebimento dos trabalhos - 22 de outubro de 2010.
Enviar para este endereço:

Centro Cultural da Marinha em São Paulo
Avenida Nove de Julho, nº 4597
Jardim Paulista
São Paulo - CEP : 01407-100
Brasil
art.mica@ig.com.br
ccmsp@ig.com.br

SAUDADE

SAUDADE
Elda Nympha Cobra Silveira

Ele era o mais famoso, o mais genial de todos os artistas plásticos que conheci. Não poderia ser somente meu amigo, porque estes encontros costumam ser marcados com antecedência, por quem já se conheceu há muitas gerações passadas. Essa gente religiosa diz que as cores, em certos dias de chuva, irisam como num passe de mágica e passeiam por longos minutos acima do seu túmulo. Pode ser que esse fenômeno seja uma reverberação das atividades que ele continua exercendo no além. Talvez, na sua sabedoria infinita, Deus o tenha contratado para melhorar o aspecto das nuvens, para colorir algumas regiões do espaço, ou até para realçar as cores do arco-íris!
Ele era o mais amigo, o mais sincero amigo de todos os que já tive. Tomávamos muita caipirinha juntos, nos botecos sem nome da vida. E batíamos longos papos, filosofando sobre a vida, sobre o mundo e os rumos da arte, tão desprestigiada em nossos tempos. Se ele estivesse vivo, com certeza, seria um dos escolhidos para decorar o muro do cemitério, com sua arte colorida, ressaltada de sentimentos e de grande solidão. A solidão que juntos repartíamos. A solidão de sermos duas pessoas diferentes num só corpo. Uma pessoa fadada a ser genial e a ter o seu dom marcado para sempre nas telas do universo, e a outra fadada a sofrer os revezes da vida, a miséria e o preconceito, a indiferença e o desprezo dos artistas mais afamados.
Mas ele, na sua finitude pessoal, no seu desespero cotidiano, era na sua pobreza, na miséria que o rondava, maior que os de renome, majestoso frente à majestade dos poderosos. Grande, imenso na sua humildade negra.
E foi por isso que convivi com ele até a sua morte precoce, sentida, sofrida e inútil.
Pela sua cor escura sempre foi execrado do convívio social, da elite em que fazem parte muitas vezes os que pouco têm para dar, mas lutam para se sobressair pisando naqueles que verdadeiramente tem seus próprios méritos e talentos.
Certo dia estando juntos num enterro e andando pelas ruas do cemitério, com passadas contidas pelo féretro, ele foi destilando sua amargura:
-Tempos atrás nem aqui eu poderia ser enterrado, se fosse no tempo da escravatura. Perceba como as pessoas se afastam de mim, mesmo sendo do mesmo nível intelectual e talento artístico. Não é só a cor mas também a pobreza. Elas são divisoras de águas numa sociedade.
E lagrimas rolaram pelo seu rosto destacando-se na pele escura, era um misto de sofrimento pela perda de um amigo e pela sua desdita, pela sua incapacidade de ser aceito por uma sociedade elitista.
Todos podem dizer que a morte é oportuna, digna e necessária, mas eu digo que ela é uma passagem sofrida, absurda e amarga. E quando entro num cemitério e vejo tanta ostentação, tanta ânsia de engrandecer os mortos, num culto mórbido e doentio, fico pensando se vale mesmo a pena cultuar alguém depois que morre elevando-o com honrarias e homenagens, se ele foi tão vilipendiado, humilhado e ofendido quando vivo.
Mas esse amigo não sabe, ou melhor pode até estar vendo, que nesse cemitério mandei colocar sobre seu túmulo a escultura que ele havia esculpido, onde um anjo negro carrega uma criança branca.
Bem, mas como a vida é cheia de mistérios!
Aquela escultura beirando a guia da calçada, começou a atrair todos que passavam. O olhar daquele anjo negro direcionado para aquela criança em seus braços, diferia dos demais anjos da necrópole, traduzia um infinito amor, despojado de preconceitos onde o pleno amor altruísta se manifestava naquele velar constante pela criança desfalecida em seus braços.
Grandes mestres das artes sentiram toda a força do talento extravasar daquele mármore frio mas esculpido com tanto carinho, parecendo até que foi aquecido por mãos hábeis.
Seu nome agora reconhecido foi catalogado como um gênio do cinzel e das telas. Ficaram sabendo que durante dias e noites o escultor se esfalfou com grande sacrifício, numa ânsia sempre crescente, para vê-lo terminado. Parecia que tinha urgência, e tinha-a mesmo, pois logo após vê-lo pronto, esgotado pelo cansaço deu por terminado também seus dias.
Na ocasião de sua morte, não houve choro nem vela, somente eu e alguns vizinhos fizemos seu enterro. Sempre o achei um homem solitário mas ali sozinho no caixão com as mão calejadas cruzadas no peito, dentro de uma sala vazia, tive noção do que é a solidão, a indiferença, o ostracismo angustiante de se sentir desprezado, um pária na vida .
O anjo negro de olhar pungente começou a atrair o povo do lugar, pois sentiam
a empatia emanada daquele olhar e começaram a pedir graças para saúde das crianças adoentadas.
Deus em sua grande misericórdia deu-lhe notoriedade após sua morte.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Maria 2010

MARIA 2010
Carmen Maria Fernandes Pilotto

Abraçou as pernas na poltrona esmaecida. Circundou os olhos pelo ambiente em tons pastéis. Premia trocar as cores do estar. Urgenciava-se mudar a rotina. Era necessário repensar a vida.
Jogou o tricô já adiantado e as agulhas metálicas na cestinha do banheiro. O som do estalido causou-lhe uma satisfação ímpar.
Parou em frente ao espelho vaidosa, ajeitou o coque de cabelos ralos, abriu a gaveta e tentou encontrar algum batom que realçasse os lábios descarnados e revigorasse sua alma desvalida. Decididamente, retocou com atenção o rosa esmaecido do contorno da boca.
Reavivada, pegou a sacola com desenhos de margaridas, armou-se de seus oitenta anos e saiu para a aula de hidroginástica.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nos confins do mundo

Nos Confins do Mundo
Leda Coletti

O título acima é de um livro exposto num painel da biblioteca, onde me encontro, em companhia dos colegas da Oficina Literária. Retornamos hoje, após longo recesso. O grupo decidiu escrever tema livre. Bati os olhos nos diferentes títulos e optei por este.
Quando criança ao ouvir as pessoas usarem o termo: “confins do mundo”, pensava num lugar muito distante e também em fatos diversos, aos que vivenciava. Decorridas mais de seis décadas, sendo telespectadora diária dos jornais, que transmitem desde notícias regionais, nacionais e internacionais tenho a impressão de que tudo ficou perto. Pela própria semelhança dos acontecimentos, quer catastróficos, como terremotos, tufões, desastres, acidentes, ou comportamentais, como violências de ordem moral, sexual, racial, religiosa, anomalias mentais, e outros, parece não ter mais sentido essa designação.
Só para citar a questão do tempo por causa da distância, posso usar exemplo pessoal. Na minha infância e adolescência morava na zona rural, perto de Rio Claro e a estrada utilizada para ir até àquela cidade, era a mesma que nos trazia para passeios em Piracicaba. Pelo fato dela ser de terra e cheia de curvas e outros acidentes geográficos, demorávamos de carro, mais de hora e meia para chegarmos à Noiva da Colina. Atualmente, o motorista mais ousado faz esse trajeto em vinte minutos. E o que dizer das viagens aéreas, ligando continentes e outros países? Quando viajamos à noite, dormimos e acordamos de manhãzinha o outro lado do mundo.
Pelos e-mails que recebo, vejo muitas diferenças nas paisagens, nos traços culturais, nas línguas, religiões e, pela nitidez das imagens, remeto-me mesmo à distância, para aqueles lugares desconhecidos.Tenho a gostosa sensação de estar girando dentro da bola-mundo, e sob o forte impacto das cores.
Aqui cabe uma reflexão: quando me deparo com mensagens que mostram só a maldade humana, mesmo com estampas coloridas, a bola-mundo fica escura, nos “confins do mundo;” quando trazem a mensagem da paz, visualizo-a azul e clara. Ao invés de pensar as pessoas em torrões longínquos, sinto-as bem próximas e em sintonia harmoniosa.
Termino essa crônica com alguns versos de uma poesia minha, a qual expressa o desejo de que esse planeta Terra seja realmente um lugar feliz para se morar.
Imensidão deve ser nosso mundo/ Não é o universo/ uma grande,/ uma fantástica bola?/ E bola tem:/ portões de ferro,/ grades pontiagudas,/cercas de arame farpado?/ É tão só roda, / sempre rodando/ girando esvoaçante/ plena, vibrante!

Gênio!?

Gênio!? (miniconto)
Ana Marly de Oliveira Jacobino


Refleti sobre a função dos gênios na sociedade. A racionalidade de uns, com a subjetividade de outros. Razão versus Emoção! Pirei!Quero a Jeannie é um Gênio pra mim! Tenho direito a três pedidos!? Primeiro...

domingo, 22 de agosto de 2010

Eu fui às Touradas em Barcelona

Eu fui às Touradas em Barcelona *
Ferreira Gullar

"O último golpe atingiu-lhe o coração. Estrebucha e morre. Indignado, resmungo: "Coisa bárbara!"


O PARLAMENTO da Catalunha aprovou lei proibindo as touradas na região, mais precisamente em La Monumental, a praça de touros de Barcelona, onde, pela primeira e única vez, assisti a uma tourada.
Até então, de touradas, só sabia o que vi no filme "Sangue e Areia" (1941), com Tyrone Power, que assistira, ainda menino, com meu pai, no cinema Olímpia, em São Luís.
Nele, as touradas eram apenas parte de uma história romântica. Mais tarde conheceria algumas gravuras de Picasso que, em vez do romantismo do filme, mostrava o que há de brutal nas corridas de touros.
Assim que, tourada de verdade, só vi mesmo em Barcelona, em companhia do poeta João Cabral, que era então cônsul do Brasil na Espanha. Convidou-me para almoçar naquele domingo e, em seguida, irmos assistir a uma tourada.
Aceitei o convite com muito interesse, na expectativa de viver uma experiência única, já que, por iniciativa própria, eu jamais entraria em uma "plaza de toros".
Fomos. Mal me sentei na arquibancada, fui tomado por uma espécie de euforia, diante daquela arena ainda vazia onde haveria de desenrolar-se um espetáculo de vida e morte.
Enquanto isso, João Cabral me informava acerca das touradas, contando-me que o touro era mantido por dois dias num cubículo escuro sob as arquibancadas, donde seria trazido, ao começar a tourada, para a arena.
Foi então que homens montados a cavalo entraram, sob o soar de clarins, um "frisson" percorreu aquela massa de espectadores e eis que de um dos portões sai um touro negro aos galopes.
Invade a arena mas logo se detém, como que surpreso diante daquela situação inusitada. Não estava entendendo nada: "que faço aqui, diante de tanta gente?" -terá ele se perguntado, sem imaginar que, de fato, havia sido posto ali para morrer.
Como hipnotizado, eu o seguia com os olhos, temendo pelo que haveria de ocorrer. Os homens montados nos cavalos correm agora em direção ao touro que se mantém parado, indeciso, perplexo talvez.
Tenta afastar-se mas é cercado e decide reagir: acomete sobre um dos cavaleiros, que o atinge com uma bandarilha, no dorso, à altura do cangote. Ele, enfurecido, volta-se contra o agressor mas é atingido por outra bandarilha, lançada pelo outro cavaleiro. O sangue desce-lhe das feridas. Assisto àquilo, chocado, com pena do animal.
Não me lembro se, àquela altura, o toureiro já estava presente na arena. De qualquer modo, vejo-o agora aproximar-se do touro e desafiá-lo.
Provoca-o, agitando a capa vermelha, onde traz escondida uma espada. O animal, sangrando muito, encara-o e parece hesitar, se avança sobre ele ou não. Talvez não saiba direito quem o feriu, bem pode ter sido aquele sujeito que parece bailar a sua frente.
Está furioso, atordoado e certamente não entende por que o agridem daquela maneira, se nenhum mal lhes fez.
Detém-se e o encara. Menos cauteloso, agora, ataca-o, tentando atingi-lo com os chifres, mas vê que se enganou, investiu contra a capa com que se protege e o engana. "Hijo de puta!" Deveria balbuciar, se falasse espanhol e touro não fosse, mas gente. Igual àquela gente que se diverte com seu desespero.
Recua estrategicamente e tenta atingir o toureiro, numa investida fulminante e vã: sente uma dor funda, a vista se lhe turva, perde forças e cai sobre as patas dianteiras, soltando golfadas de sangue.
O último golpe de espada atingiu-lhe o coração. Estrebucha, estica as pernas e morre, diante da multidão que aplaude entusiasticamente o toureiro. Este, sorridente, saca de uma faca, aproxima-se do touro morto, corta-lhe uma das orelhas e a exibe, vitorioso, para o público, que então delira. Indignado, resmungo: "Coisa bárbara!".
João Cabral, surpreso com minha reação, defende a tourada, que seria a vitória da inteligência sobre a força bruta. "Nada disso", respondo. "É a vitória da covardia e do sadismo sobre um animal indefeso".
A esta altura, estamos de novo em sua sala. João me acha demasiado ingênuo para compreender a significação das touradas.
Sirvo-me de vinho, e ele, usando a toalha da mesa como uma capa de toureiro, movimenta-se na sala, a desafiar a fúria de um touro imaginário. Era o poeta acostumado a tourear palavras.
* Texto extraído do jornal A FOLHA DE SÃO PAULO