As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Para conhecer os amigos...viaje com eles!


Para conhecer os amigos... viaje com eles!
Plinio Montagner

Acontece! Dois amigos, duas amigas que se adoram, dois ou três casais, um grupo da terceira idade, qualquer idade, resolvem viajar.
Sabem daquele lado B que a gente esconde e disfarça, e que só é demonstrado em momentos de fortes emoções? Pois é. No caso de uma viagem esse lado oculto logo se expõe nos primeiros dias. Viajar com amigos significa compromisso de um estar ao lado do outro, fazer compras, passeios, comer, beber etc. E por isso, qualquer viagem pode se tornar maravilhosa, inesquecível, ou desastrosa.
Viajar é bom de qualquer jeito. Mas existem viagens em que se perde tempo, dinheiro e se estressa além do devido.
Num restaurante, por exemplo, estando em grupo, para não haver algum constrangimento e situações embaraçosas é muito importante combinar como serão divididas as despesas. Assim, todos ficarão à vontade para pedir o prato do seu gosto e a bebida preferida.
Fatos engraçados, é claro, acontecem numa viagem.
Estávamos almoçando num restaurante em Viena, lugar maravilhoso, piano ao ar livre, e um amigo faminto encarava o cardápio. Tudo em alemão. Mas para facilitar a vida dos turistas, ao lado da descrição dos ingredientes havia um desenho do prato.
Foi pelo desenho: - Vou querer este aqui.
Quando chegou o pedido, olhou, olhou - tudo verde, e no centro um ovo estrelado - amarelinho, bonito. Devagarzinho nosso amigo começou a levantar o ovo para ver se havia alguma coisa embaixo. Era só aquilo mesmo. Tentou passar o prato problema à sua mulher.
- O que você está fazendo?
- Eu não vou comer isso.
- Foi você que pediu. Coma
Uma fome danada; espinafre e ovo... Comeu.
Turista sofre. Só não sofre o rico que viaja apenas com a bagagem de mão.
A escritora Danuza Leão escreveu em seu livro Na sala com Danuza um parágrafo apropriado:
"Muitos anos atrás eu viajava de Londres a Paris com Grace Kelly no mesmo voo. Quando o avião aterrissou, um Rolls Royce estacionou na pista, bem na porta. Ela saltou com sua bolsinha de mão e foi embora, loura e linda, sem passar por controle de passaportes, esteira de bagagem0, sem ter de trocar dinheiro, nada".
Viajar com amigos é mesmo engraçado, descobrimos comportamentos inimagináveis. Deparamos com o tipo gastador, o "mão fechada", o fotógrafo, quem gosta de piadas, de música, o nervoso, apressado, o intelectual, o distraído, esquecido...
Existe sempre o desconfiado. Esse não consegue ficar sem dar uma checada na soma e nos pedidos.
- Garçom! Tomamos quinze chopes e está marcado dezesseis. E esse prato nós não pedimos.
Essa conferência é apropriada, mas seria bom não voltar ao mesmo restaurante.
A pontualidade é sempre muito importante, principalmente numa viagem com outras pessoas. É imperdoável fazer-se esperar.
Estou entre distraídos e esquecidos. Esqueço óculos, carteira, documentos. Minha memória espacial é horrorosa. Uma vez eu entrei numa loja, dei umas voltas e saí pelo outro lado. É claro que perdi a turma e minha mulher.
Em qualquer viagem a outro país alguém precisa falar o idioma deles. O inglês é universal. Resolve problemas de malas extraviadas, no hotel, passagens, lojas, taxistas etc.
Sempre numa viagem a gente acaba conhecendo os madrugadores. Levantam às quatro da manhã e ficam zanzando pelo hotel e vizinhanças. Ah! O dorminhoco é de matar.
Viajar para ficar dormindo?
Igrejas e museus são lugares maravilhosos. É ver e rever. Mas algumas pessoas exageram.
No grupo sempre tem os tipos atletas e os cansados. Disposição demais, e quem está sempre cansado não dá certo. Confunde a turma.
Quem não fala nenhuma língua sofre muito em outro país. Estávamos num bar em Paris e uma querida amiga pediu-me para ajudá-la a chamar o garçom. Ela não entendia minha explicação. Um barulho danado. Então escrevi num guardanapo como se pronunciava: SILVUPLÉ (s´il vous plaît) - que é o equivalente ao "por favor" em francês).
Aí ficou pior: em vez falar mostrou o papel ao garçom.
Resumindo, antes de combinar uma viagem ou de comprar as passagens devemos ter cuidado para não sermos mala para os outros nem carregar - os malas.
Amigos são maravilhosos, mas às vezes é melhor ficar perto deles e eles de nós por aqui mesmo...
Fim

Decrescência


DECRESCÊNCIA
Carlos Moraes Junior

Se Cristo voltasse seria nerd ou racker? Com a estrutura deificada de sua personalidade, seria tudo isso e ainda teria a solução para os mistérios da matrix e não para os problemas do mundo, com certeza. Como os homens são imperfeitos, animalizados e irracionais, têm problemas insolúveis, que nem uma divindade seria capaz de resolver!
E o ser humano tem a pretensão de ser a imagem e semelhança de Deus. Pobre coitado! Deus não polui, não mata por dinheiro nem em nome de si mesmo. Deus não destrói, não escraviza populações inteiras por causa do lucro. Deus não é egocêntrico e tem sabedoria infinita. E onde está a sabedoria humana, que alicerça a ilusória civilização? Ter sabedoria e contribuir para que milhões morram de fome, subnutridos, é pagar para que milhões sejam dilacerados em guerras inúteis, que apenas satisfazem à testosterona da macheza e da bestialidade. Não tem qualquer animal mais sabedoria que o ser humano, quando mata somente para se alimentar e demonstra sua pacificidade e sua benevolência para os membros da própria espécie?
Se Cristo voltasse seria humano ou uma gaivota, talvez um cavalo-marinho, quiçá um peixe colorido, ou mesmo uma borboleta? Inconformado com tanto genocídio, muitos em nome da fé, inconformado com a destruição do Planeta, antes da extinção da vida, talvez tramasse a continuidade dela impregnando de energia um simples micróbio, ou um esporo marinho. Para que o deserto e a desolação fossem novamente contaminados pelo milagre do ressurgimento.
Não seria tão humano a ponto de tropeçar na mesma pedra duas vezes! Desta vez corrigiria alguns erros e concluiria que o ser humano não precisa de um Mestre, por não lhe ser dado ter o arbítrio, porque o ser humano jamais estará preparado para escolher caminhos que levem à paz, ao amor e à felicidade. Um vândalo, um predador, uma verdadeira praga egoísta e megalômana, ao invés disso, deve ter um Pai severo, que lhe imponha um código rígido de regras e serem seguidas, pois não merece a liberdade, mas sim as rédeas e o cabresto da autoridade, para que, pelo menos, diminua o negror que traz dentro de si.
Quanto tempo ainda temos de vida civilizada, antes que alguma catástrofe nos leve de volta às cavernas? Não temos certeza, mas temos medo. Medo de perder os privilégios que nos levaram às estrelas, ao espaço, ao infinito microscópico, às profundezas do mar. Temor de perder, num décimo de segundo, milênios de caminhada, todo um genoma que nos fez nascer com o occiptal, um ossículo tão sem importância, numa posição privilegiada, o que foi fundamental para as nossas feições humanas. O medo de perder milênios de tecnologia avançada por causa do descrédito e da ignorância.
Porém, se num dado momento a humanidade, por uma lástima ou algum meandro engendrado pelo destino, tiver que habitar em cavernas, e num verdadeiro retrocesso, for obrigada a começar do zero, pelo menos, terá uma segunda chance, outra oportunidade para rever tudo o que a fez chegar à decrescência. O homem terá uma outra oportunidade para conquistar o livre arbítrio, e quem sabe consiga usá-lo com alguma utilidade e sabedoria, se buscar Cristo, não na ganância monetária, nos templos ricamente ostentados, nas verdades absolutas que levam à falácia, ao fanatismo e ao orgulho portentoso, que traz sempre a intolerância e o conflito, mas sim, onde ele verdadeiramente deve estar: embaixo de uma pedra, sob a leveza de uma folha seca ou no estalido de um graveto ressequido!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Encontro entre amigos Paulo Bonfim e Elias Jorge

O escritor e poeta Elias Jorge esteve com o Príncipe dos Poetas Brasileiros, Paulo Bonfim, num encontro entre amigos que ocorreu na última sexta-feira.
Paulo Bonfim integra a Academia Paulista de Letras e já recebeu, entre outros prêmios, o troféu Juca Pato de Intelectual do Ano em 1982.

Sabedoria é um presente! Ou não...


Sabedoria é um presente! Ou não...
Maria Madalena Tricânico de Carvalho Silveira


Lúcia casou-se e foi morar em uma das casas da família de seu marido, que era praticamente o dono de todas as casas do quarteirão. Família de imigrantes italianos que trabalharam muito e investiram em propriedades. Tinham também um sítio muito produtivo.
Aprendeu com sua avó materna, vinda da alta Itália, que mulher honrada não fala mal do marido. Então, todas as vezes que encontrava com as vizinhas ou com as conhecidas, fazendo compras ou nas quermesses da igreja, escutava com “cara de paisagem” o que as vizinhas falavam, principalmente mal do marido ou dos empregados.
Lúcia não retrucava nada sobre as histórias que ouvia, mas não deixava de enaltecer a sua família e principalmente seu marido.
– Na minha casa não tem gritos. Meu marido fala comigo com o maior respeito. Não blasfema como é costume dos homens, não fala nome feio nem quando martela o dedo.
Sueli, a vizinha, escutava e perguntou:
– Ele é miserável, avarento?
– Capaz! Quando recebe o salário traz inteirinho para casa. Sempre decidimos juntos o que vai pagar ou comprar.
Sempre que tinha uma oportunidade elogiava a família e o esposo. Explicava como era a divisão de tarefas. Quem ensinava a lição para os filhos e como tudo era harmonioso.
Tanto elogiou que, um dia, a dona Sueli, a vizinha, que só falava mal do marido e da sogra, lógico, fugiu com o marido de Lúcia, sem deixar rastro.
A família do Onofre, esse era o nome do marido fujão, promessa que sua mãe tinha feito ao santo para não ter filho “bebum”, ficou desolada. Cercou Lúcia de todo o carinho. A sogra deixou bem claro que ela jamais passaria necessidade e muito menos seus três netos. Tudo fizeram para que os filhos não sentissem a falta do pai.
O marido de Sueli mandou buscar sua mãe para cuidar dele e das três crianças, e a vida deles melhorou muito. Bem alimentados, andavam nos “trinques”, bem arrumados e penteados. De marido abandonado passou a ser um solteiro bem alinhado. Vivia nos linhos engomados.
Passados uns seis meses, Sueli, volta e entra na casa de Lúcia como um furacão, gritando: – Sua mentirosa, sua traidora – e lhe dá uma sova. Todos que escutaram os gritos correram para ver e ficaram admirados pois a Lúcia não revidava, só se defendia.
Quando conseguiram segurar Sueli, Lúcia, ainda sentada no chão da sala de jantar e com um semblante de felicidade, começou a se explicar:
– Com a educação que eu recebi, como ia me livrar de um marido folgado, gritador, sovina? Eu não estava aguentando mais, e não podia reclamar, pois a situação ficava ainda pior, então resolvi embrulhá-lo para presente, e a Sueli o levou.

sábado, 31 de julho de 2010

Palavras que são presentes


http://gazetadepiracicaba.cosmo.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1699208&area=26010&authent=64C516EFD69FF7518065BB81AAB222
Palavras que são presentes
Ivana Maria França de Negri

Tive o privilégio de assistir, no mesmo dia, a duas excelentes palestras da mestra indiana Meera Nagananda, diretora da Brahma Kumaris na Ásia.
A primeira foi à tarde, voltada apenas para seleto grupo feminino. Cerca de trinta e cinco mulheres reuniram-se num local agradabilíssimo, uma varanda florida com passarinhos esvoaçando e cantando entre as árvores, acompanhados pelo som do despencar da água numa pequena cachoeira que orquestrou um suave fundo musical para o coro deles.
Acostumados que estamos a frequentar eventos onde sons estridentes nos impedem de conversar e ferem nossos ouvidos, ouvir a voz pausada e harmoniosa da palestrante foi uma bênção.
Conversou calmamente, sempre sorrindo, e a plateia atenta sorvia cada palavra traduzida pela intérprete. Palavras sábias, cheias de sabedoria, que chegavam às ouvintes como presentes preciosos e eternos.
E como se não bastassem as lições que nos foram dadas gratuitamente, ainda recebemos, cada uma, na saída, um mimo pelas suas mãos. Após leve meditação seguida de um delicioso lanche vegetariano regado a sucos naturais, servido gentilmente pela anfitriã Vera Pizzinato, saímos todas com a alma lavada.
Na reunião vespertina, a mestra abordou a arte de desenvolver valores no dia a dia. À noite, nova palestra, novas lições e o mesmo carinho, desta vez aberta ao público que compareceu em massa lotando o anfiteatro da Câmara de Vereadores. Estendeu o assunto, mas a tônica era a mesma, ensinamentos de como lapidar o espírito, mudar e progredir. Muito diferente desses palestrantes que dão receitas para se enriquecer, para o conforto do corpo e de como vencer na vida sem esforço.
Ela ignorou a palavra violência. Falou de amor, de paz, de compaixão, de contentamento, sentimentos que devemos cultivar diariamente para melhorar a aura do mundo que anda muito carregada. Falou da eternidade da alma e da finitude do corpo.
Nas rodas sociais só se fala em dinheiro, depressão, regimes, plásticas, botox, silicone, um culto ao corpo sem precedentes. Parece que só a aparência e o dinheiro têm importância, o que acaba gerando o estresse e a depressão, doenças do mundo moderno.
A mídia invade nossas casas com notícias repulsivas, assassinatos, bestialidades, pedofilia, mortes violentas, e parece que quanto mais chocante o fato, mais os jornais, revistas e programas televisivos dão ênfase e ficam martelando detalhadamente, o dia todo, aquelas matérias indigestas que fazem mal à nossa saúde. É isso que dá audiência e vende jornais. E vai-se criando egrégoras negativas e ruins, nuvenzinhas negras que pairam sobre nossas cabeças empestiando nossas vidas.
Meera falou que a palavra crise tem outro significado. Nela, não devemos ficar nos lamentando, mas é o momento de crescer, de mudar, de melhorar e tomar novos rumos. Ela nos entregou de bandeja a “varinha mágica” que pode mudar nossa vida, acessando a essência interior, nosso verdadeiro “eu”.
Quem esteve numa ou nas duas palestras, teve a oportunidade de repensar sua vida e saiu mais rico do que quando chegou. Uma riqueza diferente da que estamos acostumados a lutar para obter. E saindo da aura grosseira que envolve o planeta, fomos arrebatados para regiões mais elevadas, sutis e puras.
E as palavras-presentes, como sementes plantadas nos corações, certamente germinarão e colheremos preciosos frutos que adoçarão nossa vida.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Eu era assim...

Que é esta garotinha com carinha de sapeca?
É a escritora e poetisa Raquel Delvaje

Miniconto

VISÕES
Dirce Ramos de Lima

Fugindo da morte, fechei os olhos e vi a vida!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Premiação do I Concurso de Contos - Arte Cemiterial

Aconteceu na Estação Cultural da Paulista, a entrega dos prêmios aos classificados no I Concurso de Contos Arte Cemiterial
Carla Ceres recebe o prêmio pelas mãos da jurada do concurso Ivana Negri
Os classificados:Carla Ceres Oliveira Capeleti (1o lugar) Ademir Barbosa (2o lugar) e Marcelo Andrade Nascimento (3o lugar)

Munique


MUNIQUE
Cássio Camilo Almeida de Negri

Sentado em um canto da choperia “Hofbräuhaus”, estava o velho senhor já com seus oitenta e quatro anos.
Bebericando numa grande caneca que cabia um litro de chope, somente seus olhos azuis mantinham ainda a juventude do corpo alquebrado.
O velho alemão vinha ali todas as quartas-feiras relembrar os seus dezenove anos, quando foi separado do seu grande amor, Ana, que por ser judia, fora encaminhada para o campo de concentração Treblinka.
De seus olhos, cor do céu, brotaram lágrimas de tristeza que afogava no chope, e lágrimas de felicidade, pois quanto mais os anos se passavam, mais perto ele se encontrava de Ana.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

No seio da imensidade


http://confrariadacoruja.zip.net/

NO SEIO DA IMENSIDADE
Carlos Moraes Junior

Tem vezes que as palavras criam vida e escapam da pena repartindo-se em milhares de pequenos seres animados, que pairam no ar por um mero instante, antes de se enfiarem novamente dentro das capas que formam suas letras de origem. Tem vezes que os pensamentos aparecem como pequenas luzes que piscam intermitentes, uma de cada vez, numa sucessão infinita de combinações, como se estivessem transmitindo alguma mensagem silenciosa, mas inteligível, cifrada à moda dos códigos, mas capaz de ser decodificada facilmente por olhares atentos, vivos de curiosidade.

Tem vezes que a inspiração acaba justamente no ponto final, nesta marca obscura e acinzentada, que representa a cessação do tempo, como se tudo o que se conhece se condensasse no sinal gráfico definitivo. Cessa o tempo presente e volta o que de maravilhoso aconteceu. Lembranças pequenas, grandes lembranças, fatos engraçados e românticos, sempre entremeados de sorrisos e de palavras de afeto e gestos de amor.

Tem vezes que a lembrança mais importante, aquilo que mais interessa, é o sabor de uma fruta, que retorna ao paladar, após anos de ausência, é o ciciar monótono e mesmerizado dos insetos, que tenta aplacar o calor do meio-dia, ou o delicioso toque de uma água de regato fresquinha e límpida.

Tem vezes que o ar que nos rodeia se irisa, como se a luz que passasse por ele fosse capaz de nos fazer respirar em cores, para que o nosso interior se iluminasse, como se tivéssemos engolido um ar-íris etéreo e diáfano. Tem vezes na vida que olhamos para o céu, marchetado de bilhões de pontinhos luminosos, mas somente nos interessa a luz prateada de uma estrela solitária, que nos olha para desvendar segredos escondidos, coisas que só contamos para nós mesmos, em minutos de solidão absoluta. Tem vezes que o universo inteiro cabe dentro de um olhar de soslaio, que inadvertidamente, lançamos como se fosse um satélite-espião, capaz de trazer de volta léguas de vazio, de frio congelante e escuridão.

Tem vezes na vida que a aragem vem do oceano junto com o sereno e traz no seu arfar cálido e nuançado a fragrância da infinitude natural que nos rodeia. A ramaria da mata, intrincada como se fora quilômetros de cipoama, de todos os tipos e espessuras, a formar na tela do espaço um trançado multicolorido. Espalhados num infinito oceano verde milhares de pássaros, conhecidos, desconhecidos, saúdam a madrugada, despedem-se do dia que se deita na cama púrpura do arrebol, como um coral de trinados harmoniosos e compassados.

Tem vezes que a felicidade me toma por completo e me transformo no menino travesso, que trilhava as capoeiras atrás de passarinhos, de pitangas perfumadas e de jabuticabas madurinhas. Tem vezes que o coração pula dentro do peito, como se fosse uma jaguatirica brincalhona. Tem vezes que as mãos, que passeiam rápidas pelo teclado, processando idéias, escrevem frases que ficam luminosas e se tornam um enxame de pirilampos fluorescentes capazes de clarear a noite mais escura.

Tem vezes que a minha vida parece um passeio de lancha. A velocidade me toma, envolve e agasalha meu corpo E lá vamos, eu e ela abraçados, deixando atrás de nós uma esteira de espuma branca como algodão-doce. Tem vezes que eu me sinto parte do todo que me rodeia. E como um habitante, um espectro ou forma geométrica, que se aproxima do divino, bebo estrelas, mastigo luz, com o mesmo apetite de um bebê que suga o seio da imensidade.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dia do Escritor - 2010 - mais fotos

Alguns dos escritores e poetas presentes com a Lucila, diretora da Biblioteca Municipal
Ana Clara ouve a historinha contada pelo vovô

Atividades infantis, leitura, joguinhos e pintura
Um banco convidativo para a leitura
O avião que pousou por lá, entre os livros

A Fanfarra da Casa do Amor Fraterno que abrilhantou a radiosa manhã sob a batuta do Beto Antiqueira
Os benditos "frutos"
Aracy, Carmen, Leda, Ana Marly e Raquel na montagem do evento

Árvore de livros, cujos "frutos" foram muito disputados

Inimigos da Onça

http://www.youtube.com/watch?v=2FUSbWDuUYw

Inimigos da Onça

Ivana Maria França de Negri

Um bando que organizava safáris para caçadas ilegais de onças pintadas, pardas e pretas, foi apanhado na semana passada. Eles cobravam até US$ 1.500 dólares por pessoa, para caçadores do Brasil e estrangeiros terem o prazer sádico e incompreensível de matar e esfolar os animais. As caçadas ocorriam em fazendas no Pantanal, na Amazônia e dentro do Parque Nacional do Iguaçu (PR).
Eram procurados desde 2008, depois de uma denúncia de uma Ong defensora dos felinos que notificou o sumiço de animais monitorados. Após as denúncias, a investigação teve início.
Integrantes do grupo fingiam-se de protetores, de ex-caçadores convertidos na causa ambiental e conseguiram até a simpatia do Ibama se dizendo preservadores da espécie. Homens pérfidos que agiam sorrateira e traiçoeiramente, portando seus rifles malditos, adentrando nas matas e ceifando a vida de inocentes criaturas selvagens dentro do seu próprio habitat.
O chefe da quadrilha que organizava safáris para caçar onças no Pantanal, o dentista e professor universitário Eliseu Augusto Sicoli em Cascavel (PR), terminava doutorado na área odontológica, na Unicamp. Outro que mantinha atividades como agenciador de safáris ilegais era Antonio Teodoro de Melo, o Tonho da Onça, que foi caçador desde a infância e gabava-se do número de felinos abatidos sob sua mira certeira, cerca de 600. Além de Eliseu e do filho de Tonho da Onça, um açougueiro e um chacareiro foram presos na cidade de Miranda, mas os nomes não foram divulgados.
Fico a me perguntar, que prazer há em matar por matar, apenas para ver um animal majestoso como a onça, ferido mortalmente, agonizar e cair inerte. E também não compreendo esse ritual macabro de arrancar a pele da vítima para transformá-la num troféu de gosto duvidoso pendurado em alguma parede. Depois de um tempo, enche-se de traças, bolor e fungos. A pelagem dos bichos só é linda neles. Depois que morrem, vira apenas um tufo de pelos sem vida
Por que ceifar vidas tão preciosas sem finalidade alguma? Por que essa sede de sangue e de morte que sentem alguns seres humanos?
A onça pintada ainda não está na lista oficial dos animais em extinção, mas quase. Nesse ritmo acelerado de matança, levará pouco tempo para que isso aconteça.
Criadores de gado das regiões onde existem onças, frequentemente as envenenam ou caçam com a desculpa de proteger seu plantel. Mas o que acontece, é que com a expansão da pecuária, os desmatamentos para criação intensiva de bois aumentam assustadoramente. O território dos animais selvagens vai ficando cada vez mais restrito. E as poucas onças que restam, para sobreviverem, acabam invadindo as fazendas e sendo mortas pelos pecuaristas.
As peles dessas criaturas têm alto preço, mas suas vidas, nada valem.
Espera-se que a lei seja fielmente cumprida e esses predadores humanos sejam punidos exemplarmente.
Inúmeras vezes o bicho-homem mostra-se selvagem e cruel, chegando a ser mais feroz do que a própria fera.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dia da Vovó


Na casa da vovó pode tudo!
Ivana Maria França de Negri

De todos os títulos dos quais já fui chamada na vida, nenhum me deu mais prazer e alegria do que ser chamada por minhas menininhas de vovó!
Soa tão doce, vindo de criaturinhas com jeitinho de anjo que a gente ama muito além da paixão.
E quando a experiência dos anos vividos nos lega a sabedoria do que é realmente importante nesta vida, é preciso aproveitar ao máximo.
Na casa da avó inexiste a palavra “não”. Tudo pode, desde que não seja perigoso. Pode fazer bagunça, espalhar brinquedos, pegar as bijouterias para brincar, pode comer chocolate e acabar com o pote de biscoitos (espero que meus filhos, genro e nora não leiam esta pequena crônica...)
Mas os netos sabem que na casa da avó podem ficar à vontade e fazer toda estrepolia que quiserem. Os pais, sim, devem estabelecer normas para a educação. Casa dos avós é só para curtir e brincar. Sempre tem chocolates, balas, ovinhos com surpresas dentro e novos brinquedos. Pode ficar de molho na banheira pelo tempo que quiserem. Vovó não fica brava se molharem o chão e deixa até que mexam no computador.
Tão doce, tão gostosa de ouvir, essa palavrinha pequena, sonora, de uma sílaba só: “Vó”!!!

domingo, 25 de julho de 2010

Vocês já viram árvores que dão livros?


Pois elas floriram e frutificaram hoje, Dia Nacional do Escritor, no Parque da Rua do Porto

"Ó! Bendito o que semeia livros... livros à mão cheia e manda o povo pensar! O livro caindo n'alma é germen - que faz a palma , é chuva - que faz o mar" - Castro Alves in: O livro e a América

Livros - Uma Viagem pelo Sonho!