As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

terça-feira, 19 de maio de 2015

LUA DE MAIO


Carmen Pilotto


Ela me espia
Sorrateira sorri
Me abduz ao sonho
E embora os místicos insistam
Que traz má sorte
Eu me envolvo
E flutuo no delírio noturno
Da solidão dos poetas
Que não dormem
Mas devaneiam nas palavras...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sinceridade


Maria Madalena Tricânico

Brinco  com  as  palavras e  com  as  pessoas
Como  se  a  vida  fosse  um  tabuleiro  de  xadrez
Envolvo  as  pessoas  no  que  elas  têm
De  mais  puro  e  sincero...
Seus  sentimentos.

Hoje  estou  triste,  muito  triste,
Não  tem  sol  e  sinto-me  órfã.
Cai  uma  chuva  mansinha  e 
Renova  os  mais  puros  sentimentos.

Sou  a  poesia,  a  trova,
O  poema  e  o  soneto...
Sou  as  palavras  que  tanto
Tanto  você  quer  ouvir
Para  viver  um  grande  amor. 


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Vida sem sentido


Elda Nympha Cobra Silveira

Empunhando sonhos,
Empurrando anelos,
Viver mais um dia representam elos
Que vão se esgarçando como tramas frágeis,
Como grandes farpas desgastando sonos.
Insones noites de fantasmas ágeis,
Que vão sugando anseios e desesperanças
Serão tormentos de outras priscas eras
Que já vivi sem rumo e sem alento
Para prosseguir nessa empreitada
Que me parece sem fim...
Inacabada... e  permanece  assim,
Estendendo-se demais pela madrugada.



domingo, 10 de maio de 2015

Poema para as mães


Olivaldo Júnior
 
Para as mães que foram pais
de seus filhos desde cedo
e aprenderam que, no mais,
vencem logo todo o medo...
 
Para as mães que dão no pé
quando a coisa fica feia,
mas retornam quando a fé
fica firme e nos clareia...
 
Para as mães que são raiz
para os pés de seus meninos,
dando a eles um país
para a volta, pequeninos...
 
Para as mães que são avós
educando seus netinhos,
cujas mães as deixam sós
para a cria dos filhinhos...
 
Para as mães que foram luz
para os "Cristos" desde ontem,
que as alcance o bom Jesus,
nenhum mal jamais lhe contem!

Persistência de mãe


Lídia Sendin

Filho, você não sabe as tristezas, quantas
E quantas das várias feridas
Que nasceram de tantas
E tantas noites não dormidas.
Imagine você quantas
E quantas esperanças, sumidas.
E tantas sonhadas e perdidas.
Ninguém saberá quantas
E quantas vozes não ouvidas
De conselhos, tantas e despercebidas.
Muitas vidas, já foram perdidas.
E mães sem consolo, tantas!
Você não imagina quantas.
E quantas orações seguidas,
Foram muitas e tantas
Noites e noites repetidas.
No entanto, nem um dia sequer, arrependida,
Parei para contá-las quantas.
Apenas, continuo humilde e confiante,
A rogar a Deus até meu último instante,
Tudo o que meu coração tem desejado,
Que na sua bondade eterna santa,
Conserve você sempre ao meu lado

segunda-feira, 4 de maio de 2015

FILHOS DO CORAÇÃO


Lídia Sendin


Junto ao seu corpo a mulher embala,

O filho amado, com total desvelo,

Imagem bela, que ao mundo fala,

De meses pra gerar e dores para tê-lo.

 

Quando se pensa que da carne veio,

Gentil rebento ao seio aconchegado,

Não se imaginam as noites de anseio,

E de esperança de ele ser gerado.

 

Essa criança que agora acalenta,

Não como tantas que não se escolhem,

Se em seu peito não a amamenta.

É com carinho que afaga e acolhe.

 

Pois se não foi por ela concebida,

Nem em seu corpo feita a gestação,

Foi, com certeza, sempre bem querida,

E, naturalmente, nasceu do coração!



sexta-feira, 1 de maio de 2015

CANSAÇO


Olivaldo Junior


        Na verdade, estou cansado. O que é o cansaço senão uma vontade da alma se libertar e estar além, com as aves e com os anjos, que a entendem mais que os homens? Não sei falar de tudo o que falam os homens, nem tenho WhatsApp. Estou meio fora do mundo, em outro mundo. Não sei jogar cartas e nem blefo com a vida. Estou por fora, perdi a hora, e já vem a aurora, sem ninguém que seja amigo o bastante para estar comigo em uma simples caminhada, ou me pergunte como é ser eu mesmo na jornada. Os jornais já falam de mim, mas tem gente que se lembra de que, um dia, fui "alguém". Ninguém me conta a verdade que vai em seu peito, e eu, por despeito, já não falo muito de mim. Estou cansado. Meus pés, doídos, na salmoura de um salmo, refrescam-se todos e eu sou todo ouvidos para o vento, que anda mudo e, à moda dele, ainda me fala. Calo-me. Estou cansado. Isso é tudo. Quase nada. Ah, se eu bebesse o suficiente, se eu cantasse mais alto!... Mas voo baixo e, cabisbaixo, vejo as pedras que me emperram cada passo. O espaço, pequeno, é o que tenho para mim. Ontem, sexta-feira, foi-se embora o meu sonho. O mundo é mais real do que eu quero. E não quero muito mais do que eu tenho. Na verdade, o cansaço é na alma, na palma de quem ama e se inflama.

domingo, 26 de abril de 2015

Juízes



  • Daniela Daragoni Alves
    Juízes Sem diploma, sem salário Juízes julgando e condenando Sem serem chamados
    Destruindo vidas, difamando pessoas Machucando corações Juízes que nunca estudaram para isso Mas que se acham os donos da razão...
    Aumentando histórias Inventando se for preciso Só para ter o prazer de estragar o dia de alguém Para atrapalhar um sorriso.
    Julgue em silencio Guarde para você... Opinião é um direito seu Mas ninguém precisa saber...
    Julgue em silencio Pode julgar Se afaste Mas tem que respeitar
    Ou estude, se forme pra isso E vá julgar quem realmente merece ser julgado Políticos corruptos, estupradores, assassinos Aí vou te considerar um ser humano honrado.
    Fofoca não é trabalho É amaldiçoada, traz sofrimento e dor Não julgue para não ser julgado Seja uma pessoa digna... e espalhe só o amor.


terça-feira, 21 de abril de 2015

O homem triste



Olivaldo Júnior


            Era uma terra em que todos sorriam bastante. Menos um homem, o homem triste. Aquele homem, apesar de o sol nascer e morrer no horizonte, de a lua surgir e esmaecer ao sol posto, aquele que havia sido menino era triste. A tristeza tem jeito de traça e corrói a alegria do peito que a deixa roer. Quando menos se espera, a danada já roeu um orifício e fez morada em seu peito. A partir daí, difícil, bem difícil despejá-la. Foi assim com o homem triste, que deixou a tal tristeza roer o peito em que somente a alegria morava, roendo-o também. Triste.
            Um dia, no entanto, já triste de tanta tristeza, o homem viu passar um grande circo na estrada da terra em que morava. Era um daqueles circos enormes, com muitos palhaços, bailarinas, trapezistas e nenhum animal, enfim, um circo que apostava na arte. A arte é por si mesma itinerante e, assim como a inspiração, planeja voos para os lugares mais loucos, no dentro dos dentros do mundo. “A alegria passava!”, pensou o homem triste, quase sem crer na alegria. Um palhaço com carinha de estrela o convidou a segui-lo. Reticente, não sabia se queria.
            O homem triste, beirando a estrada de terra em que passava o circo, ficou em dúvida se seria alegre caso fosse embora. O circo era uma festa. Por último, animando o povo, vinham músicos com violões, violinos e meias-luas, num lirismo só. Alegre, o homem triste cedeu à música que o convidava a ser alegre como um sabiá que conseguiu voltar para o seu lugar. Um dos palhaços o tomou finalmente pelas mãos e ele se foi com o circo para outras terras, numa estrada para o horizonte. As caras alegres de ali nunca mais veriam o homem triste.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

SIMPLICIDADE


Daniela Daragoni Alves

Um abraço forte e sincero,
uma palavra amiga
Atitudes simples
mas que fazem diferença na vida.
                                                                      
Uma música que acalme o coração,
ter com quem contar;
O barulho da chuva caindo,
ensinar os filhos a rezar.

Acordar com o sorriso deles a seu lado na cama
Receber uma noticia boa, a ligação de alguém especial,
o cãozinho esperando no portão ansioso,
todo mundo reunido na ceia de Natal...

Coisas simples que o dinheiro não compra
mas que me fazem imensamente feliz,
uma pessoa melhor...
Que me fazem esquecer que lá fora
há injustiça e dor...

Simplicidade é isso
É entender que o muito não é nada
quando não se tem sentimento envolvido
E não importa quão pobre você seja,
ter paz de espírito te faz um ser humano rico!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Gaiolas, jaulas e prisões


Ivana Maria França de Negri

Hoje não vou falar sobre a privação da liberdade dos pássaros em gaiolas, nem dos animais de circo e de zoos, confinados em diminutas jaulas. Abomino tudo isso, pois entendo que todo ser vivo tem direito a ser livre.
Quero falar sobre as prisões e algemas que os próprios homens se impõem,  amarras invisíveis, mas não menos fortes do que as prisões reais.
Existem mães que não deixam seus filhos seguirem seus rumos, os querem sempre junto delas e dependentes do seu amor. Fazem chantagem emocional para que se sintam culpados se saírem da barra da sua saia para seguirem em busca de seus sonhos.
O egoísmo é um cárcere cruel.
Maridos existem, que não deixam suas esposas crescerem como pessoas, não as deixam realizarem-se profissionalmente. As expõem como troféus e elas deixam-se enclausurar em troca do conforto material e da segurança.
E esposas há também, que por sentirem ciúmes possessivos, perseguem os maridos, rastreiam seus celulares, não os deixam livres por medo de perdê-los e acabam perdendo-os por isso mesmo.
Muitos são escravos do dinheiro, vivem só para ganhá-lo, estão sempre descontentes reclamando de tudo, e por mais que ganhem, nunca é o suficiente.
Há mulheres que são escravas da beleza. Fazem de tudo para esticar a juventude, e evitar a velhice, gastam muito dinheiro em plásticas e outras práticas. Mas chega um momento em que não é mais possível impedir que as rugas e a flacidez se apoderem de seu corpo e elas entram em depressão, ao invés de aproveitar uma fase da vida que é mais amena, fase de curtir os netos, a aposentadoria, há mais tempo para viajar, participar de ações voluntárias e fazer novos amigos.
Outros ainda, vivem sob os grilhões do trabalho. Para eles a vida é só trabalho. Arranjam vários empregos em diferentes turnos, fazem hora extra, não tiram férias, não viajam, trazem mais trabalho para fazer em casa. E enquanto isso, a vida acontece, com todos os seus encantos e maravilhas.
Existem os escravos do relógio, os escravos da moda, os escravos das convenções, os que se preocupam demais com o que os outros vão pensar, e os que querem agradar a todo mundo – sendo que isso é impossível!
Só quem tem a alma livre pode usufruir e enxergar as belezas da vida.
A infância é cada vez mais curta e logo chegam os compromissos, as obrigações, e a vida passa a ser uma prisão. As portas encantadas se fecham e a pessoas se sentem aprisionadas em grilhões que elas mesmas criaram.

Um dia, todos serão alforriados, quando a alma se libertar das algemas da carne. Mas enquanto isso não acontece, por que não ser livre e curtir a vida como as crianças?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

“EIS TEU FILHO” João 19:26-27


Lídia Sendin

Cristo entoa pra Maria
Como se fora estribilho
E lhe diz em agonia:
“Mulher, eis aqui o teu filho”.
O mesmo diz a João,
Seu discípulo amado:
“eis sua mãe”, sua missão,
Ao vê-lo desconsolado.

Quantos com prata e com ouro,
Em meio a muita fartura,
Não pensam neste tesouro,
Em forma de criatura,
Não saem do seu egoísmo,
Só andam na contramão,
Construindo um abismo
Na mais doce relação.

Mas Cristo, mesmo na dor,
Não se esquece de Maria,
Entrega a mãe ao amor
De sua melhor companhia.
Não conhecemos a história
Da abençoada união,
Mas terá sido uma glória

Essa primeira adoção!