As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

O príncipe-gato (in Tardes de Prosa)


O PRÍNCIPE-GATO
Dirce Ramos de Lima

Comparar homens bonitos com gatos é uma discrepância sem limites: os gatos são muitos mais lindos, dedicados , carinhosos e..melhor companhia!
Certo é que existem gatos e gatos. Tive um que chamamos de Mocorongo. O coitado era meio besta mesmo.Não parava em casa, não via obstáculos pra sair. Quando lhe batia a vontade de vadiar ninguém o segurava. Um monte de pessoas na calçada e lá ia ele correndo entre as pernas de estranhos.
Quantas vezes voltava esfolado, machucado, sem a gente saber o que lhe acontecera.Certa vez entrou na máquina de lavar roupa da vizinha, num buraco, por baixo.E, foi o maior sufoco pra fazê-lo sair...
Era preto, pretinho de olhos verdes. Gordo igual o Garfield. Guloso, comia de tudo,macarrão, frango, ração.Tinha um miado especial , tão bonito! E, como todo felino que se preza, sabia quando e como ganhar toda atenção e carinho que merecia.Só tinha o defeito de ir e vir e tanto foi que de repente não veio mais.Que Deus o tenha como bom companheiro!
O gato que vive comigo agora é diferente. Um príncipe! O que marcava o outro como vagabundo, sobra neste em nobreza.Jamais andou pelas calçadas: nem de casa sai.Quando muito arrisca um olhar superior sobre os transeuntes .
Passem, passem, desfilem e sigam seus caminhos.Do terraço ou da sacada da janela, tudo vê e tudo sabe.Depois arrisca um bocejo, volta pra sala,calado, vagaroso deita-se no sofá e dorme tranquilo.
Não lhe falta educação e higiene.Comer? Só ração e olhe lá, se não lhe apetece, enjeita.Sabe muito bem do que gosta, Toda vez que pára e me olha
interrogativamente, já entendo: alguma coisa de anormal está acontecendo.
Brinca muito! Caçador, pega baratas , lagartixas e até insetos voadores. È bonito vê-lo saltar e caçar mosquitos em pleno voo. Necessidades só faz na caixa de areia.A não ser, é claro,que eu o esqueça e distraidamente o abandone por algum tempo.Dai é capaz até de fazer xixi no meu colo e então a mocoronga sou eu.
Percebe qualquer novidade na casa e dá logo sua opinião; eu sou mais importante! Foi assim que quase sofreu uma cirurgia desnecessária. Não é que ao invés de urinar em qualquer lugar, negou-se.Quero dizer: ameaçava, me olhava, olhava, ameaçava , ia, voltava e nada.
Comecei a me preocupar. Estranhei também que ele não miava diferente, nada. Só ameaçava fazer e não fazia.Consultei o veterinário, por telefone, que , mesmo sem vê-lo, diagnosticou. E combinamos vir buscar o gato pra colocar uma sondinha no pipizinho dele. Ai! Que horror! Mas, se for necessário...( não foi! Era só charminho novo: ciúmes do computador...)
Apiedei-me. Tão pequeninho, tão delicado. Logo ele que nem suporta a aproximação de homens!E o coraçãozinho, então! Dá pra senti-lo aos saltos quando ouve os malditos rojões. Esconde-se onde pode, e muitas vezes, no meu colo. Se a campainha tocar e for homem ele se afasta e se esconde como se dissesse: nada a declarar!
Bom , se chegar um homem e ele não se retirar é porque o homem não é homem de verdade. Só engana!Dizem que ele fareja o tal de hormônio masculino...
Se chegam mulheres ele faz a corte: vai se aproximando devagar, miando baixinho, olhando , conquistando.
Já tem oito anos e é puro. Tenho certeza. Nunca foi á rua, nunca teve onde procurar gatas, nunca sai de casa, nunca namorou. Pensei, muitas vezes, em lhe arrumar uma companheira.Tive medo de perdê-lo. Ele pode passar a me odiar por encará-lo como um gato comum e castigar-me, sei lá como( desconheço todos seus trunfos!).
Bem, terminadas as devidas apresentações, entendam agora o fato acontecido.
Por sua própria culpa e vontade, geralmente levanto-me de madrugada. Ele prefere o ar puro da manhã para suas pesquisas exteriores. E logo cedinho começa o desfile da plebe ( o povo vai trabalhar...)
Molho as plantas( gerânios, samambaias...) e deixo o príncipe divertir-se.Muitas vezes me pedem mudas daquilo que nem mesmo sei cultivar.Só planto e deixo a natureza agir. Algumas crescem tanto e ficam tão lindas que me surpreendem...Graças á Deus !
Mas, qual não foi minha maior surpresa quando uma senhora que por aqui passa diariamente fez o pedido mais estranho que poderia imaginar!
Ela quer um filhote do meu precioso gato!
Impossível! Jamais conseguiria! Ele é único, original, sem descendentes! Seu reinado termina aqui . Não há, nunca houve nem haverá filhotes!
Cobicem, invejem e se contenham. Alegrem-se comigo ao vê-lo de manhãzinha exibindo-se e miando suavemente pelas sacadas das janelas.Educado, mágico, misterioso, nobre: "ele, só ele: é o príncipe dos gatos!"

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Eu não quero ser chique!


http://www.tribunatp.com.br/modules/publisher/item.php?itemid=1337
Eu não quero ser chique!
Ivana Maria França de Negri

O inverno chegou. A temperatura cai alguns dígitos e as pessoas já começam a procurar nos armários os abrigos, mantas e cobertores.
Com o clima mais ameno, o vestuário mais pesado como blazers, paletós e as lindas estolas de crochê, última moda, faz com que as pessoas fiquem mais charmosas.
Mas certas peças usadas no inverno, que os estilistas insistem em ressuscitar todo ano, os casacos de pele, são no mínimo de gosto duvidoso, e o fato de usá-las, um ato antiecológico.
O que há de belo em envolver-se com a carcaça de um animal que foi morto com crueldade para a retirada de sua pele? Deus criou para ele a linda pelagem e ninguém tem o direito de lhe tirar a vida apenas para se apossar de sua pele. E todos sabemos a maneira desumana como isso é feito.
Focas filhotes são mortas a pauladas diante das mães desesperadas, que nada podem fazer para salvar as crias. Em época de matança, as areias das praias se tingem de vermelho. Correm por elas rios de sangue. É uma selvageria que não dá para compreender, pois vem dos humanos, ditos racionais, apenas para que algumas mulheres fiquem mais “chiques” no inverno, pagando preços altíssimos para obter peças desse mercado oriundo da morte.
Nas criações de chinchila e de outros animais de pequeno porte, são necessários dezenas deles, em alguns casos, centenas, para se fazer uma única estola. Os animais são colocados em compartimentos molhados e em seguida eletrocutados. Alguns são mortos por asfixia. Outras indústrias mais cruéis, não querem gastar um tostão a mais para dar morte menos dolorosa e mais digna, e despelam o animal vivo. Cortam as quatro patas e descarnam a pele, jogando o que resta dele ainda em convulsões, em câmaras incineradoras, como se fossem meros objetos e não seres vivos, de sangue quente, que sentem dor, medo e pavor como os nós, humanos (?). A ganância em obter lucro nesse comércio fala mais alto do que a ética.
Na idade das cavernas era admissível o uso de peles porque existiam apenas o homem primitivo e o animal, num confronto de igual para igual, naquele mundo restrito.
Não vejo graça alguma em usar peles de animais. Tantas damas chiquérrimas, que não deixam seus filhos terem animais de estimação porque dizem que pêlo dá alergia, guardam bichos mortos em seus armários ou os tem sob os pés como tapetes. Peles emboloradas, cheias de ácaros, cheirando a mofo e naftalina. Talvez elas nunca tenham parado para pensar nessa insensatez. O que há de belo na morte cruel de um ser que tinha um coração semelhante ao dos humanos pulsando dentro do peito, apenas para roubar a sua pele?
As pessoas são muito incoerentes. Às vezes, morrem de dó de um cachorrinho na rua, mas fecham os olhos para outras atrocidades e são coniventes com esses crimes.
Se o preço de ser “chique” é esse, não quero ser chique não! Mil vezes usar tecidos e peles sintéticas que não trazem embutidos em sua história sofrimento, sangue e dor.
Terceiro milênio. O costume pré-histórico de se usar peles não tem mais razão de ser. A tecnologia avançada cria tecidos das mais variadas texturas e cores, de beleza e praticidade incríveis. O preço da vaidade é alto demais. Custa muitas vidas inocentes e causa sofrimentos que poderiam perfeitamente ser abolidos, ainda mais quando temos a consciência de que muitos desses animais estão na lista negra da extinção.

terça-feira, 15 de junho de 2010

TORCIDA - Ludovico da Silva


TORCIDA
Ludovico da Silva

O que seria das praças esportivas sem a presença da Torcida? Claro, nem sempre tudo sai às mil maravilhas. Principalmente, quando o time para o qual se dedica deixa de marcar uma estrondosa vitória.
Todas as modalidades reúnem adeptos que fazem de tudo para estar presentes aos jogos e aplaudir freneticamente os atletas, mesmo em condições desfavoráveis, pois o objetivo é sempre a busca do melhor para as cores que bate mais forte no coração.
A Torcida faz um espetáculo diferente e apoia os participantes dentro do campo, na busca da vitória e na consagração da equipe com a conquista de títulos, o objetivo maior de uma disputa.
Os maiores feitos dos atletas fazem a torcida se emocionar, traduzindo a felicidade na alegria que expressa, tanto quando ri ou quando chora.
Por ouro lado, os participantes das partidas se sentem felizes com os estádios e ginásios lotados, pois fixam no interesse da Torcida o incentivo maior para se dispor a uma conduta elevada e brindá-la com uma atuação das melhores.
É por isso que é necessária a presença da Torcida nos eventos esportivos, proporcionando uma mensagem especial, de incentivo, cores e evoluções.
Esportes sem Torcida são como um jardim sem flores. Perdem a beleza.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O inverno está chegando...


Inverno - Pintura de Anna Kostenko


O inverno está chegando ...
Adenize Maria Costa

Daqui a alguns dias estaremos em pleno Inverno ...
A natureza é mesmo muito sábia. Nosso clima tropical não favorece que observemos os detalhes sui geniris das estações do ano. É sabido que no Outono, na América do Norte, na Europa, por exemplo, as árvores perdem as folhas, no Inverno tudo fica cinza, parece que a vida deixou de existir. Fosco, seco. Na verdade a seiva da planta fica condensada nas raízes para possa suportar as baixas temperaturas durante o Inverno. Depois quando chega a Primavera o que se observa é uma explosão de cores, explosão de vida.
Fico pensando nas tantas vezes que desperdicei minhas energias tentando manter “meus galhos”,”minhas folhas” intactos, do jeito que eu queria. Capricho? Talvez. Falta de maturidade? Com certeza.
As vezes nos prendemos às pessoas e às situações que nos causam sofrimentos, tristezas, angústias... Prendemo-nos em detalhes bobos e nos esquecemos que é só uma estação... Logo vai passar!
Aproveito esse clima transitório , entre Outono e Inverno, para lhe recordar e para dizer: “Não tenha medo em perder as suas folhas, mesmo que o Inverno seja rigoroso não se esqueça que a passagem pelo Inverno é necessária para que possamos chegar à Primavera ".

domingo, 13 de junho de 2010

Santo Antonio Milagreiro

MILAGREIRO
Ludovico da Silva

Por pura curiosidade, olhem o pedestal da imagem de Santo Antonio, no altar. Está todo corroído, pipocado, sem a cor das tintas. A mulher que se dirige ao Santo, primeiro encosta os dedos nos seus pés, faz o sinal da cruz e em seguida ora. Às vezes, deixa uma flor. Outras, uma moedinha no cofre ao lado. É tanta a fé que o Santo está com os pés feridos. É difícil saber se porque atendeu aos pedidos de casamentos, e recebe um agradecimento, ou não, e aceita passivo uma unhada.
Mas, Santo Antonio atende a outros pedidos e não apenas arranja namorados às desesperadas. Talvez, na sua própria casa você já viu sua amantíssima esposa fazer-lhe um apelo para encontrar um objeto perdido. Ou não viu? Se não viu preste mais atenção. Esse comportamento das mulheres, como das moças, é corriqueiro. Um brinco que caiu da orelha, um anel que desapareceu, um broche que foi esquecido em um lugar qualquer, um cinto dourado e mal fechado que se desprendeu do vestido e tantos outros objetos de valor ou estimados, que somem sem deixar rastro algum. Uma rápida oração, que não precisa ser em frente à imagem, mas uma evocação ao Santo e em pouco tempo a peça é encontrada. Muitas vezes em lugares inesperados.
São poucos os que têm ciência dos grandes milagres de Santo Antonio. Mas ele atende a todos e por mais simples que sejam os pedidos

sábado, 12 de junho de 2010

Concurso de microcontos

Enviar os microcontos, que devem ter até 400caracteres com espaços, para:blogue.coletivo@gmail.com

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dia dos Namorados

SOBRE O AMOR E A PAIXÃO
Ivana Maria França de Negri

Há quem diga que o amor é aquilo que resta depois que a paixão termina.
Enquanto a paixão é devastadora como um temporal de verão e deixa em seu rastro marcas e cicatrizes doloridas, o amor é sublime, sensato, altruísta.
Nos tribunais existe até uma atenuante para crimes cometidos durante o apogeu de uma paixão. O ato passional - do francês, passion - abranda a pena porque a pessoa que está sob o domínio desse sentimento arrasador fica fora de si, torna-se irracional, age comandada por instintos, como um bicho. Se um crime é cometido no auge de um estado desses, a pessoa pode ter sua liberdade assegurada pois se diz que agiu por impulso num momento de insanidade temporária.
A paixão sufoca, oprime, é egoísta. O amor dá liberdade, compreende, perdoa.
Paixão é algo visceral, da carne. Amor é algo sublime, da alma.
Paixão é doença e o corpo padece. Amor é remédio e cura todos os males.
Paixão é um trunfo da natureza para a perpetuação da espécie. Os corpos se atraem como ímãs, se unem freneticamente para procriarem. Passageira, efêmera, a paixão enlouquece por um período, cega por completo a razão e apaga o discernimento. Eterno, o amor transcende o tempo, ignora barreiras e distâncias e alarga a visão.
Existem pessoas que sentem enorme prazer em viver em estado permanente de paixão. Mudam constantemente o objeto de sua adoração para se sentirem sempre apaixonadas. Conforme uma paixão esfria, substituem por outra e assim ficam em constante estado de arrebatamento. Essas, não amam ninguém, amam apenas o fato de estarem apaixonadas, querem a euforia que a serotonina traz, a falsa sensação de felicidade. São eternos insatisfeitos e nada ou ninguém irá preencher seu vazio existencial.
Neste dia dos namorados, desejo que cada um viva intensamente e em plenitude o seu amor, mas com uma pitadinha de paixão...

11o Prêmio Escriba de Poesias 2010


REGULAMENTO DO XI PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA – 2010

1 – O XI PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA, oficializado por Lei Municipal, é promovido pela Prefeitura do Município de Piracicaba, através da Secretaria Municipal da Ação Cultural e da Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, com o apoio da Academia Piracicabana de Letras, com objetivo de dar oportunidade de expressão e manifestação a todo segmento de público.
Está aberta, este ano, a possibilidade de as inscrições serem por e-mail.

2 – As poesias serão inscritas mediante o cumprimento das seguintes exigências:
a) Os concorrentes deverão ter a idade mínima de 15 (quinze) anos.
b) Os participantes deverão apresentar 3 (três) poesias originais (não há necessidade de ineditismo) em português, de autoria própria, sobre tema livre, digitados em papel A-4 (sulfite), de um lado só, com o máximo de 2 folhas, com letra tamanho 12, fonte Times New Roman ou Arial, espaço entre as linhas 1,5, em 5 (cinco) vias (inclusive para poesias modernas cujo estilo exija uma estética diferenciada). Os trabalhos pornográficos ou eróticos serão sumariamente excluídos.

3 – Trabalhos enviados pelo correio ou entregues na Biblioteca Municipal:
a) Cada poesia deve ter somente o seu título e o pseudônimo do seu autor.
b) Em envelope anexo, lacrado, deverão vir os dados confidenciais do autor: nome completo, pseudônimo, idade, endereço completo, inclusive CEP, DDD, telefone, RG, CPF, o título dos trabalhos inscritos. No mesmo envelope lacrado deve ser colocado CD ou DVD com os trabalhos devidamente digitados. Por fora do envelope, devem apenas constar o pseudônimo usado e o título dos trabalhos inscritos. Se o envelope dos dados confidenciais vier aberto, ou se não estiver acompanhado de CD ou DVD com o texto dos trabalhos digitados, o candidato será sumariamente eliminado.

4 – Trabalhos enviados por e-mail: Nesse caso, os candidatos deverão mandar os três trabalhos inscritos somente para o e-mail premioescriba@piracicaba.sp.gov.br.
a) Os arquivos deverão ser enviados no formato DOC (Word)
b) No e-mail deverá constar 4 anexos: para cada uma das poesias um anexo, somente com título e pseudônimo. Em outro anexo (4º) deverá constar a identificação do participante conforme o item 3, alínea b.

5 – Fica assegurada, com o máximo rigor, a confidencialidade dos dados pessoais dos concorrentes. Os envelopes com os dados confidenciais somente serão abertos depois de conhecidos os trabalhos premiados, e os arquivos com os dados pessoais dos candidatos que optarem pela inscrição on-line também ficarão resguardados, sendo absolutamente desconhecidos dos membros da Comissão Julgadora.

6 – As inscrições estarão abertas de 07 de junho de 2010 até 23 de julho de 2010, na BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DE PIRACICABA, RUA DO ROSÁRIO, 833, CEP 13400-183, CENTRO – PIRACICABA, SP, TEL e FAX. 0XX19 3433 3674, ou pelo e-mail premioescriba@piracicaba.sp.gov.br. No caso das inscrições feitas pelo correio, valerá a
data do carimbo postal como data da inscrição. As postagens por e-mail serão válidas até o dia 23 de julho de 2010 às 23 horas e 59 minutos.
7 – Os autores do primeiro, do segundo e do terceiro trabalhos classificados receberão um troféu, um diploma e, respectivamente, os valores de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), R$ 3.000,00 (três mil reais) e R$ 2.000,00 (dois mil reais).

8 ─ O melhor trabalho de escritor local (natural do município de Piracicaba ou nele residente há mais de dois anos) será premiado com a entrega de um diploma especial, do “Troféu Maria Cecília Machado Bonachella” e da quantia de R$ 1.500,00. Se esse trabalho de autor local for um dos três primeiros colocados no concurso geral, os prêmios serão somados.

9 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural indicará um júri constituído de 05 (cinco) intelectuais de reconhecida capacidade, atuantes na área da literatura, os quais procederão à seleção dos trabalhos inscritos, classificando as 30 (trinta) melhores poesias. Os trabalhos não classificados serão incinerados/deletados após a seleção e premiação.

10 – As 30 (trinta) poesias selecionadas serão reunidas numa Antologia, que será editada pela Secretaria Municipal da Ação Cultural e oferecida aos participantes e entidades culturais sem custos adicionais.

11 – Aos classificados não será paga taxa monetária alguma a título de direitos autorais.

12 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural se reserva o direito de veicular a Antologia da maneira que melhor lhe aprouver, sem fins lucrativos.

13 – Os prêmios serão conferidos em cerimônia previamente marcada, a ser realizada no mês de novembro de 2010. Todos os classificados receberão diplomas e 10 (dez) exemplares da antologia.

14 – O julgamento será realizado até o mês de setembro de 2010.

15 – Os concorrentes serão notificados do resultado pelo correio ou por e-mail, e por divulgação na Imprensa a partir da segunda quinzena de outubro.

16 – O simples envio das poesias implica na aceitação direta deste regulamento.

17 – Os trabalhos remetidos em desacordo com este Regulamento (falta de dados precisos, ou de difícil identificação, número incompleto de cópias, envelope confidencial aberto, falta do CD ou DVD e aqueles corrompidos ou infectados etc.) serão sumariamente desclassificados.

18 – A decisão do júri é irrecorrível e não caberão recursos.

19 – Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora e a Julgadora e pela Coordenadoria do XI Prêmio Escriba de Poesia.

A Lua ainda é dos Namorados?


A lua ainda é dos namorados?
Ivana Maria França de Negri

Em tempos de namoro virtual, quando as pessoas se conhecem através das salas de bate-papo pela internet, será que a lua ainda exerce alguma influência nos casais de namorados?
Desde que a deusa de prata foi desvirginada pelo primeiro homem que pisou em seu solo, fincando nele a bandeira de seu país, ela já não é a mesma. Na era espacial, o sacrário celeste começou a ser profanado. Conseguiram fotografar o seu lado oculto. Foi perdendo o ar misterioso. Máquinas potentes atingiram o tão desejado alvo. Até que no fatídico dia 21 de julho de 1969, a lua foi desmistificada perante o mundo. Era estéril, escura, sem entes fantásticos, sem água, um deserto árido e pedregoso.. Nada de cavaleiros, dragões, apenas um solo desértico. A luz misteriosa e envolvente, apenas reflexo da estrela maior, o sol. Perdeu a magia secular. Deixaram-na desnuda e boa parte do encanto se quebrou.
E também, no último século, seu brilho foi ofuscado e perdeu feio para a concorrência das luzes artificiais e néons. E quem, hoje em dia, tem tempo para ficar olhando um céu estrelado em noite de luar?
As pessoas, cada vez mais, cumprem uma agenda diária estressante. Madrugam, engolem um café apressado, entram no elevador, deste seguem para o carro, e do carro para a garagem subterrânea do local de trabalho. Pegam outro elevador e ficam o dia todo enclausurados em locais fechados, sob luzes artificiais, ar-condicionado ligado ininterruptamente, com janelas de vidros escurecidos. Nem ficam sabendo se está chovendo ou é um dia de sol. E à noitinha, retornam com os vidros dos carros fechados para não serem assaltados. Se há uma lua no céu ou estrelas a cintilar, eles nem enxergam, ansiosos por chegar em casa, tomar uma ducha, ver o noticiário ingerindo rapidamente comida congelada requentada e em seguida vão direto para a cama dormir e recomeçar a rotina no dia seguinte.
Os poetas mais antigos, ainda tomam a lua por musa e continuam a lhe fazer versos. Já as novas gerações, preferem poesias críticas, políticas e de protesto.
A lua já foi muito cantada em verso e em prosa. Já foi a Deusa de Prata que reinava nas noites estreladas, envolta nos enigmas da sua face oculta. Foi eternizada em letras de músicas em suas várias nuances como nas músicas Blue Moon, Luna Rosa, Lua Branca, Lua de Cristal, Banho de Lua, entre outras.
O sol, majestoso e imponente, nas lendas mitológicas, sempre foi retratado como uma entidade masculina, doador de luz, calor e vida. Já a lua, sempre aparece emoldurada por um fluido misterioso, eterna Dama da Noite, essencialmente feminina em suas várias fases, ora minguando até sumir completamente, ora ressurgindo crescente até tornar-se esfera brilhante, plena em todo seu glamour .
Mas tenho certeza que, ainda hoje, mesmo com toda parafernália eletrônica, enquanto perdurar o amor e a ardência de uma paixão, os casais de enamorados guardarão ainda dentro dos seus corações uma lua encantada e um sol abrasador.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Paixão em Verona

Paixão em Verona
Cássio Camilo A. de Negri

Caminhando só, pelas estreitas ruas de Verona, lá vai ele cabisbaixo e sofredor.
Perambula há cinco séculos em busca da amada. Pensara que estava morta, e num ato tresloucado de paixão, se suicida, pensando encontrá-la breve.
Mas, oh! Num ato desatinado, bebe veneno, e desde então, toda noite perambula à sua procura.
Quando o sol nasce, lá vem ela, também a buscá-lo, em seu corpo sutil, vestido branco, manchado de sangue no peito, onde o punhal trespassou. Passa etérea, flutuando entre os transeuntes, que nem a percebem.
Triste sina da paixão em Verona!
Afinal, quando Romeu e Julieta vão se encontrar ?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Portão


O PORTÃO
Elda Nympha Cobra Silveira

Um portão foi colocado como se fosse um vigia na entrada de uma mansão, num bairro residencial paulistano bem no centro da cidade. Era todo de ferro fundido com arabescos, onde se destacava em dourado o monograma do proprietário. O portão tinha muito orgulho do seu trabalho. Através dele podia-se ver um lindo jardim cheio de primaveras, prímulas, agapantos, alamandas derramadas nos caramanchões e passeios circundados de amores-perfeitos.
Quando os donos, Carlota e Adriano se casaram, o portão se escancarou totalmente para dar passagem ao carro dos noivos apaixonados. Aquela mansão transbordava de felicidade, ainda mais quando nasceram os filhos Mauro e Gaby. Os pássaros no jardim cantavam mancomunados com aquele idílio, os arbustos e flores se abriam alegremente quando alguém passava, porque naquele lugar havia uma aura de felicidade.
O portão não tinha sossego, pois era um tal de abrir e fechar constante para os dois jovens e seus amigos, que chegavam para nadar na linda piscina, jogar xadrez ou festejar seus aniversários. Mas eis que num dia funesto o portão teve que se abrir para dar passagem a um carro fúnebre, pois Adriano, acometido por um infarto fulminante, apareceu morto na beira da piscina. Ninguém mais naquela mansão entrou ou saiu sorrindo como tantas vezes ele chegou a ver. Passavam taciturnos e Carlota quase nem saía mais, só ficava sentada num balanço, perdida em suas recordações do amor constante do casal. De como viviam um para o outro, se compreendiam apenas pelo olhar, prescindindo de palavras.
Mas a tristeza dominou a tudo e a todos, pairando no ar e empanando a paisagem. As heras começaram a dominar as paredes externas da casa, entravam por todas as frestas, como que procurando a família dentro da casa, pois elas não eram mais cuidadas. Até o portão já rangia, como num lamento e não havia mais possibilidade de ter empregados pela crise financeira que se abateu sobre aquela família. Os filhos foram estudar na Europa e por lá ficaram deixando sua mãe triste e solitária.
Os anos se passaram e Carlota se despede da vida e um outro carro fúnebre passa pelo portão levando sua patroa para sempre. Dos muitos amigos que tinham, poucos vieram se despedir dela. A mansão foi vendida pelos filhos, antes que ela se depreciasse ainda mais.O portão agora era obrigado a se abrir para pessoas que só entravam para negociar, pensando apenas em dinheiro, porque a mansão se transformou num Banco Europeu.
O portão foi pintado, reformado e mudado o monograma com o nome do Banco e lá dentro tudo se transformou, tudo moderno e bonito, mas frio, impessoal, sem espiritualidade, sem flores, sem gritos de crianças, sem animais latindo, gatinhos subindo em árvore e amigos rindo e festejando. Só útil, sim... apenas útil. Assim o portão deve ter pensado: “Vou continuar me abrindo e me fechando, mas nem sei até quando!...”
Vários anos se passaram e o Banco Europeu começou a passar por problemas que não se esperava, a guerra embora fosse fora do Brasil abalou as estruturas econômicas e comerciais e não havia lastro para honrar compromissos com os clientes do Banco. Antes que precisasse fechar, Mauro, filho de Adriano e Carlota, gerente do Banco na Europa é designado como Presidente do Banco Europeu no Brasil.
Mauro, ao chegar, se lembrou de todo seu passado naquela mansão e agarrando com mãos fortes o portão falou:
“O bom filho à casa torna!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Convite Cultural

Prezado amigo

Esperamos você na abertura da exposição “Mestres da Pintura Brasileira” – Mostra 2010 do Acervo Art Collection, na próxima quarta-feira, 9.

Ficaremos muito honrados com sua presença.


Cordialmente,


CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS

Rua Boa Morte, 1257 - CentroPiracicaba - SP - CEP: 13.400-140

Tel. (19) 3124-1889

Só as Borboletas?


SÓ AS BORBOLETAS?
Elda Nympha Cobra Silveira

Num jardim florido as rosas sorriam e as orquídeas abraçavam com carinho o tronco do coqueiro que fazia pose, e com toda aquela elegância, se derretia com aquele enlevo.
Bem no meio deste jardim as águas límpidas de um chafariz aspergiam milhares de gotas reluzentes, enquanto jorravam para o alto em jatos transparentes.
As borboletas fizeram do lugar sua morada, construindo uma comunidade com leis, seus lideres e operários e princípios próprios. Para aquela comunidade voadora, que se divertia volitando e pousando nas madressilvas, petúnias, papoulas, calêndulas e demais flores multicoloridas, e que sedentas, se saciavam dos mais variados sabores de néctar, por exemplo, a expectativa era de que todas as novas borboletas nascidas fossem belas.
A cada primavera, sentia-se o ar carregado de apreensão quando as famílias nidificavam naquele paraíso, botando cuidadosamente seus ovos, num berço fofo e perfumado construído de grama e de pétalas macias. Os casulos iam rompendo e nasciam lindas borboletinhas, que já voavam libertas ao lado de suas mamães, que ensinavam de tudo, para que suas filhas se destacassem das demais.
Matriculavam-nas em escolas de vôo, de boa postura, elegância, cultura, onde eram avaliadas, e faziam esforços inaudíveis para ficarem perfeitas, para quando se apresentassem para a bancada legal, que cuidava de escolher aquelas que seriam aceitas pela comunidade. De acordo com a legislação vigente, as mais bonitas seriam aquelas que tinham leves asas azuis e amarelas, asas de cores bem contrastantes, manchadas em magenta e preto, e até algumas com pintas negras que pareciam olhos esbugalhados, que causavam bastante impacto.
As borboletas que não se enquadrassem em beleza, elegância e no ruflar perfeito das suas asas, eram relegadas ao ostracismo. Isso gerava depressão, insegurança e perda da auto-estima nas condenadas, que se tornavam adolescentes que perderam toda a ilusão e nada mais esperavam da vida. Verdadeiras párias da sociedade, viciadas em néctares alcoólicos e tóxicos, que se isolavam nos esgotos, nos bueiros, e em outros lugares impregnados de cheiros nauseabundos. Com o tempo, acabaram formando um gueto apartado da comunidade, onde acorriam, pela afinidade do infortúnio, outras borboletas, vindas de outros jardins, e que foram, como elas, também desprezadas.
Como nenhum mundo pode ser perfeito, em compensação, as borboletas inseridas nos padrões sociais e instigadas pela comunidade alada para o sucesso, começaram a competir entre si, ao despertar sentimentos de inveja, usura e luxúria, desejos que as faziam procurar elogios das outras borboletas para alimentar os egos exacerbados. Apresentavam-se numa alameda do jardim florido, em desfiles que aconteciam numa passarela acarpetada de folhas verdes brilhantes. Na passarela, abrindo e fechando suas asas, ora languidamente, ora num vôo rasante, as concorrentes se entreolhavam com rancor e falta de amizade, enquanto encenavam coreografias de top model, preocupadas só com seu sucesso, para o deslumbramento da multidão, que a tudo assistia, empolgada com a performance, que iria revelar quem era a mais esguia e elegante, quem voava mais alto, quem se vestia melhor e quem morava no local mais belo do jardim.
Assim a fraternidade que havia entre elas foi sendo anulada, porque seus pais, seus amigos e o povo, todos cobravam esse desempenho para suas vidas, pois todo mundo ali vivia pela Lei de Gerson! Uma borboleta não contava para outra amiga onde havia uma nascente de água fresquinha ou o néctar mais abundante de certa flor rara. Esse não era mais seu objetivo. Seu objetivo era o preconceito de raça, de cor, beleza, peso, idade, cultura e por aí afora.
Muitas borboletinhas se sentiam frustradas na vida, por não se enquadrem nos padrões, nos anseios que essa lei impunha àquela comunidade.
Por isso, todas almejavam um lugar ao sol e assim, perdiam o melhor da vida no afã de competir, ao invés de viverem tranqüilamente, usufruindo do amor recíproco e repartindo as delícias da natureza dadivosa que Deus lhes oferecia.
Assim, como a vida delas era efêmera, perderam-na sem proveito algum, sem usufruir do amor fraterno, sendo levadas a cometer os pecados capitais.Nasceram para melhorar o mundo e assim não fizeram. E nós?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Namorados


NAMORADOS
Ludovico da Silva

Ah, o Dia dos Namorados! Que coisa linda para os jovens sonhadores e apaixonados! Dia de muito amor e alegria.
Mas e aqueles que não encontraram ainda alguém para fazer sua felicidade? E quantos não passam o dia de hoje sozinhos, sem ter com quem multiplicar senti-mentos de paixão!
Bem, mas não precisam também ficar se lamentando, chorando mágoas, maldizendo a falta de sorte, reclamando do azar. É só pensar um pouco e partir seguro para algumas simpatias para resolver o problema. E quem não faz isso?
Como conquistar namorado ou namorada? Acender uma vela e deixar derreter um pouco de cera no fundo de um prato, com água. Deixar o prato no sereno e, no dia seguinte, aparecerá a figura de letra com a inicial do futuro pretendente.
Pode-se, também, escrever os nomes de três paqueras em pedaços de papel separados. Deve-se dobrá-los e colocá-los em uma vasilha com água. No dia seguinte, um dos papéis estará aberto, que apontará o futuro namorado. Se os três pedaços de papel aparecerem abertos, sorte sua. Escolha o seu par predileto.
Dos pedaços de papel tem mais uma. Escrever três nomes de preten-dentes, separadamente. Dando voltas em uma fogueira, jogue dois. O que sobrar vai ser o seu príncipe encantado. Agora, se essas simpatias não derem certo, apele para Santo Antonio, o Santo casamenteiro. Se nem isso adiantar, paciência.