As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

domingo, 6 de junho de 2010

Reféns do Medo

REFÉNS DOS TEMPOS MODERNOS
Adenize Costa

Não é exagero dizer que a modernidade nos transformou em reféns do medo. Basta olhar para as casas com seus muros e portões cada vez mais altos , algumas com os mais sofisticados circuitos de “segurança”. Os carros independente de marca, ano ou valor todos com seus sistemas de alarmes ... O mundo moderno nos oferece conforto , possibilita , cada vez mais, acesso às tecnologias avançadas e ao mesmo tempo nos deixa vulneráveis, inseguros e prisioneiros.
Apesar de todo o arsenal de segurança oferecido no mercado nos acorrentamos em nossas casas e muitas vezes acorrentamos também nossos afetos. Perdemos a capacidade de olhar para as pessoas como iguais, como o nosso semelhante . Sim as vezes nos esquecemos que o nosso vizinho, o entregador, o trabalhador que passa na nossa rua recolhendo o lixo que produzimos é nosso semelhante e, por vezes, em nome do medo, os tratamos com indiferença.
A velocidade de comunicação, de informação nos dias atuais é algo fantástico. Mas é fruto da pressa, da urgência do mundo moderno. E sem dúvida gera isolamento... Nos comunicamos com velocidade mas perdemos a capacidade de olhar nos olhos.
É muito comum nos dias de hoje nos depararmos com pessoas que tem muitos amigos virtuais mas não tem um único amigo real, próximo com quem possa dividir , ao vivo e em cores, as alegrias e tristezas , as vitórias e as derrotas. Mesmo porque,.geralmente, desconfiamos de todas as pessoas que se aproximam de nós.
Fui criada em colônia onde os quintais não possuíam cercas, conhecíamos todos os vizinhos pelo nome e sobrenome.
Nunca soube na minha infância de qualquer pessoa que sofria de depressão, solidão, estresse... Todos eram imunes à essas doenças porque usavam os antídotos contra todos esses males diariamente; o trabalho duro da roça não impedia que, ao anoitecer, todos saíssem na frente de suas casas para boa prosa, de vez em quando uma roda de viola ,de cururu ...
Mas tudo isso ficou pra trás... Vivemos num outro tempo...
Vivemos num tempo moderno pontuado por grandes descobertas, conquistas, invenções e avanços tecnológicos. Mas pensando bem, deixando o saudosismo de lado, ganhamos velocidade e conforto mas perdemos qualidade de vida, perdemos, em parte, a capacidade se ser humano.
A rapidez do mundo moderno pode superar as distancias mas nada supera o olhar, o diálogo, o abraço.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Menina do Bairro Fria - Luzia Stocco


Olá Ivana e artistas do Golp ! O meu livro "A Menina do Bairro Fria - sonhos e desabrochar" (romance autobiográfico) está à venda nas livrarias Libral, Nobel e na 100% vídeo.Certeza que irão curtir.Em anexo vai a capa do livro. Se puder divulgar a publicação e venda do livro, agradeço.


Abraços
Luzia


Prefácio


A narradora aborda fatos pitorescos da sua infância no Bairro Fria, na região de Piracicaba-SP, e sobre o desabrochar como mulher com o êxodo da família à cidade, cuja atividade era o corte de cana.O romance tem o condão de ligar as fases de uma mulher e sua relação com a sociedade, com as vivências dela e dos circundantes, na matriz caipira que se originou, em diálogos (a autora é atriz e professora de teatro) a palavra escrita segue como pronunciado pelo dialeto vigente na região. Estão presentes também as atividades próprias do campo deantanho, quando não havia toda a maquinaria de hoje ou outrasbenfeitorias como luz elétrica, água encanada, ou rede de esgoto; os banhos eram de bacia e o lazer eram as brincadeiras no riachinho ou na grama ou com as bonecas de milho. A primeira instrução era na escola da Usina. O ambiente é descrito de forma viva e as personagens emergemdo inconsciente de quem realmente viveu na pele da menina do Bairro Fria.Na sua vida adolescente a menina segue em confronto com a vida da cidade, percebendo aos poucos que existem geladeira e outros eletrodomésticos úteis, mas que ainda há entre as pessoas uma selva de pedra. Torna-se vendedora de bolsas personalizadas de porta em porta, faz muitos amigos e advêm histórias dessas peripécias sofridas e alegres, ao mesmo tempo; desta forma custeia o cursinho e o início dafaculdade. Assim vai desbastando a nova realidade, aos poucos encontra outros amigos, ideais, busca, chora, ama e engravida de um mundo informe; sai da república e o casal começa nova vida. Nasce a filha. A relação não perdura. Tem alegrias e decepções, conquista e perda, mas não perde o sonho de ser feliz. Tem de continuar a vida e criar sozinha a menina. Sua luta se dá em várias frentes, não abre mão do estudo, da faculdade e do melhor para a criança. Forma-se professora,licenciada em História, professora de teatro e atriz do Grupo Andaime de Teatro. É uma estrela que brilha num lusco-fusco, tem de dividir-se em mil atividades, inclusive nas domésticas. A menina é mãe, sonha, interpreta e muitas vezes se sente desamparada. Como estudante faz das tripas o coração para pagar o curso universitário e se manter, custeando sua dura vida de estudante e mãe de família, depois professora estadual.Ela mora alguns anos com a mãe e após vai morar a só com a filha, onde tem alguns móveis e...livros, muitos, aos quais lê para a menina.Nessa época, que confessa um dos melhores, ela e a filha, semtelevisão por um ano. A relação com a família se dá sempre que possível.Presença importante na vida da menina e no livro é a mãe Auda, separada do pai na cidade. O pai vendia doces de cesta e tocava gaita em programas de rádio e veio ver a filha e a neta algumas vezes, com alguns doces que vendia, como presente. Era pobre e instável emocionalmente, mas é possível “vê-lo” na infância da menina. A mãeAuda é fonte de força e convicção à menina que se agarra aos estudos e a seus princípios éticos; conforme a mãe que teve condição adversa e sobressaiu como exímia costureira e em todos os afazeres com capricho,vencendo a exaustão para prover o sustento da família. Leitores, a obra de uma vida e não a contarei toda neste prefácio, mas sugiro que agucem os olhos.


Piracicaba


Camilo Irineu Quartarollo

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Prêmio Camões de Literatura

O Prêmio Camões, a mais importante láurea literária da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, ficou com o poeta e dramaturgo Ferreira Gullar, prestes a comemorar 80 anos.
A escolha foi divulgada pela Ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Cavilhas, em cerimônia realizada no Museu Nacional de Arte Amiga em Lisboa. O valor do prêmio é de cem mil euros.
Poeta André Bueno Oliveira, Júnior, Ferreira Gullar e a escritora Ivana Negri durante palestra ministrada pelo escritor na Biblioteca Municipal Ricardo Ferraz de Arruda Pinto em 2008 - Piracicaba

terça-feira, 1 de junho de 2010

Lançamento do livro "Tardes de Prosa"

Ana Marly agradecendo a todos que colaboraram direta ou indiretamente para a concretização do evento
João Baptista Negreiros Athayde, presidente do Centro Literário e um dos prefaciadores do livro, fez breve discurso
O grupo musical que abrilhantou a noite festiva
Ivani Deffende e Cassio Fernando Negri
Leroy e Carla Capeleti e Eunice Verdi
Áurea, Angela Reyes e Lucila CalheirosAthayde, Maria Helena Corazza, presidente da Academia Piracicabana de Letras, e Cassio Fernando Negri

Professor Cornélio e seu filho Preté

Ana Marly entre Thais e Suely Kerches de Mattos

Raquel Delvaje, Leda Coletti, Madalena Tricânico e Elda Silveira

Ana Marly e Durval Jacobino

Ivana e Cassio Negri
Madalena, Raquel e Ana Marly autografando

Ivana Negri e Carmen Pilotto

Silvana, Elda , Wilma Godoy e Lurdinha Sodero Martins

Sonia, Ana Luisa e Maria Lucia

Talita e Mariana de Negri

Elda, Lurdinha e Ruth Assunção

Maria Emília, Darcy Redi e Cassio Negri

Os concorridos autógrafos
Muitos amigos foram prestigiar o evento

O coquetel num clima de descontração


Talita, Isadora e Mariana

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Retrato

RETRATO
Ludovico da Silva

A caixa estava abandonada em um canto qualquer da casa. Bem fechada. Era uma caixa pequena, leve. Apanhei-a, balancei com as duas mãos, encostei aos ouvidos. Não senti nada. Nem ouvi nada. Também, não entendi que tivesse algo misterioso. Mas poderia ter. Não duvidei.
Na verdade, nem sei quem a colocou naquele lugar. Faz tanto tempo que está ali. Isso eu sei.
Assumi uma curiosidade estranha e tentei abri-la. A tampa estava muito bem colada. Era preciso cuidado.
E se fosse uma lembrança que provocasse saudade?
E era. Um retrato de minha mãe!

A Era da Insensatez


A era da insensatez
Ivana Maria França de Negri

Consumo, logo existo. Vivemos a era da insensatez. Somos controlados e manipulados de todas as formas. Pensamos que somos livres, mas seguimos fielmente as regras, sem contestar, como boizinhos passivos, subindo a rampa do matadouro.
Somos escravos dos modismos, do marketing comercial que vende de tudo.
Vidas cada vez mais vazias, mentes ocas, somos clientes, consumidores, telespectadores, apáticos, acéfalos, massa humana que não pensa por si e navega na onda. Não aprendemos a nadar contra as marés, a opinar, a discordar das ditaduras,
Usamos as marcas que nos são sugeridas, seguimos dietas para sermos magros como as garotas das capas das revistas. Assistimos filmes e peças de teatro que a mídia escolhe e impõe para nós. Nem achamos interessante, mas se a maioria elegeu como sendo o melhor, somos obrigados a assistir e a gostar.
Revistas ditam a moda e todos seguem incontestes. Barriga de fora, cintura alta, cabelo liso, cabelo crespo, bolsa grande, bolsa pequena, e vamos gastando dinheiro em supérfluos. Nada é feito para durar.
E as mentes se ocupam com futilidades, com consumismos e excessos. Tudo é descartável e as modas passam cada vez mais rapidamente. Antigamente as roupas e sapatos eram usados “até acabar”, ou até que não servissem mais e eram passados para os irmãos menores. Não existia essa fixação por marcas. As roupas só precisavam ser de boa qualidade para durar bastante. Agora, muitas são fabricadas na China e compradas a preço de bananas e as grandes grifes só se encarregam de colocar suas etiquetas famosas nas peças. E os consumidores pagam caríssimo por peças de gosto duvidoso que não vão durar nada.
Para ter seu lugar na sociedade tem que ter o carro do ano, as roupas da moda, o sorriso estampado com frequência nas colunas sociais.
Consumimos com voracidade e depredamos a natureza. Ler livros, pra quê? Programa preferido? Big Brother, reality show, que de real não têm nada, tudo um grande circo armado para o tolo telespectador.
Somos um bando de consumidores ávidos que se esqueceu do princípio básico da vida que é: simplesmente VIVER!

domingo, 30 de maio de 2010

Guarde no Cofre

Guarde no cofre
Marisa Bueloni

Um céu azul. Ah, meu Deus, se você consegue ver um pedaço de céu azul da sua janela, da porta da cozinha, de algum lugar do seu escritório ou do consultório, guarde no cofre. Esta visão é maravilhosa e não se pode desperdiçá-la. Há que ser fotografada, ampliada, posta num quadro, emoldurada pelo amor.

Uma sala de jantar, destas bem antigas, com o tampo meio sem brilho, em cujos veios da madeira estão gravadas as histórias de toda a família, as reuniões, os Natais, almoços e jantares, gente em volta contando causos, rindo, chorando, suspirando de saudades... Guarde a mesa no cofre.

O seu carro. Que não é novo, mas é a sua cara e raramente dá problema. Você e ele são a mesma pessoa, um é a extensão do outro. Você faz uma baliza de olhos fechados, porque conhece as dimensões do seu carro e ele entende cada manobra sua como se fosse um amigo sincero. Guarde o carro no cofre.

Um rio. Um rio de águas limpas, onde não é jogado nada in natura nele. Ao contrário, as cidades que o circundam tratam o esgoto. O rio tem peixes e você pode vê-los. A mata nativa das margens está preservada. As águas correm brilhando à luz do sol e você crê que seja mesmo o “rio de águas vivas” que espera encontrar um dia. Pegue o rio e guarde no cofre. Tranque bem, memorize o segredo.

Você – homem ou mulher - ganhou de Deus, de presente, aquela alma feminina, altiva e translúcida, das canções do Chico. Guarde esta bênção no cofre.

Uma casa. Ah, uma casa ensolarada, com um recuo salutar nas laterais, de modo que não se ouçam os humores vizinhos. Uma casa com um jardinzinho gracioso na entrada, para plantar ixoras vermelhas. Uma casa onde se dorme o sono dos justos. Onde o coração se alegra e canta. Uma casa de verdade, em cujo terraço acolhedor os anjos fazem a reunião vespertina para o Ângelus. Guarde-a no cofre, pelo amor de Deus, e não a venda por dinheiro nenhum deste mundo.

Uma gravura de Gauguin, a Virgem de vestido estampado, numa paisagem do Taiti, com o Menino sobre os ombros. Ela está ali, no corredor, onde você começou sua coleção de arte, sem querer, garimpando pôsteres e quadros. Guarde Gauguin no cofre. E reveja quando os olhos pedirem a visão do paraíso.

Ele não fala “a nível de”, “menas”, ou “eu vou estar ligando”, tampouco “casa germinada”. É educado, inteligente, sabe usar um blazer quando é preciso, e é a bondade em pessoa. Case com ele e guarde-o no cofre.

Lembra do caderno brochura, usado lá no antigo primário, em cuja capa de trás estava impressa a letra do Hino Nacional? Se encontrou um desses numa caixa de guardados, com aquela sua letrinha primitiva, manuseie com cuidado e guarde no cofre.

Um travesseiro. Ele é maravilhoso, não dá dor no pescoço e acorda-se flutuando em nuvens de algodão. Celebremos esta bênção, sobretudo depois de experimentar uma montanha deles, juntando pilhas no armário do quarto. Este nosso achado precioso, guardemos no cofre.

Você vive uma paixão devastadora, de ficar sem dormir e sem comer, ou, como diria um amigo fugido, de “arrastar o rabo na cerca”? Guarde esta paixão no cofre.

Os sapos dizem muito do que somos - disse a reportagem na tevê. Estamos usando produtos químicos que afetam os mananciais e causam mutações nos sapos. O brejo está silencioso e não produz mais o coaxar típico. O sapo é uma criatura pacífica e está em extinção. Vendo um destes batráquios por aí, pegue-o delicadamente, faça um carinho nele e guarde-o no cofre.

Uma pessoa. Uma pessoa que parece ter saído de um conto de fadas. Além de tudo, ela sabe dizer “por favor”, “com licença” e “muito obrigado”. Guarde esta criatura do Avatar no cofre. Deixe uma aberturinha para ela respirar, tá?

Um amanhecer com uma luz que você nunca viu. A sensação de plenitude na alma no final da tarde. Um pôr de sol estonteante. A contemplação de estrelas profundas no céu, com lágrimas escorrendo pela face. Guarde toda esta beleza no cofre.

Você já tem mais de 70, mas vai ao baile como se tivesse 20 e ainda sabe dançar tango. Misericórdia! Guarde esta habilidade no cofre. Seu cachorro entende tudo o que você fala para ele. Você tem uma foto de quando ela ainda não era loira, com o rostinho transbordando juventude e felicidade. Guarde bem fechado no cofre.

Há uma pracinha arborizada perto da sua casa, onde as crianças correm, brincam e tomam sol. Guarde no cofre. Você tem a pele bonita, sem manchas, que sorri quando você sorri e conta a beleza da sua idade. Guarde no cofre. Você tem um sonho para realizar, uma viagem de navio, morar numa praia deserta, estudar Filosofia. Guarde os sonhos no cofre.

Se você tem o livro de crônicas de Clarice Lispector “A descoberta do mundo”, guarde no cofre. Se tiver o primeiro livro de poesias do Sergio Antunes, “A casa da infância”, guarde no cofre. Você tem um livro autografado por Drummond? Eu tenho (“Para Marisa, que tanto ama e dignifica os livros.”) e guardo-o no cofre!

Você é uma pessoa feliz, bem resolvida, e passa uma bela imagem de integridade. Guarde-se no cofre! Sua fé é inabalável, a ponto de dar a vida por ela. A fé está acima da sua necessidade básica de sobrevivência? Guarde a fé no cofre. Nos dias de hoje, meu anjo, isso não tem preço, você sabe.

sábado, 29 de maio de 2010

Troca de livros, CDs, discos

Participem da VI Feira da Barganha - Trocas de livros, CDs, discos e muitas atrações culturais

Sobre o livro Tardes de Prosa - Comentário do Principe dos Poetas

(Lino Vitti - http://poeta-linovitti.blogspot.com/)
“TARDES DE PROSA”
Por Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Como Príncipe dos Poetas de Piracicaba, como quiçá o mais antigo colaborador e redator aposentado do JP, como autor de 7 livros de poesia e prosa, como leitor diário do matutino de Losso Neto, como admirador da cultura piracicabana, antiga e moderna, não poderia deixar de passar despercebido, o advento de mais um livro, obra e arte de autores piracicabanos, qual seja TARDES DE PROSA, cujo lançamento está marcado para 3l de Maio corrente, na Casa do Médico, um ponto que colabora com a arte escrita desta terra. Desta terra, como afirmou meu ex-colega de Seminário Prof. Hildebrando André, Catedrático aposentado da USP, “ santuário de prosa e poesia sem rival em todo o cenário nacional”, de vez que seus jornais reservam semanalmente uma página para divulgação dos seguidores de Bilac, Castro Alves, Alencar, e outras sumidades na arte de escrever.
“TARDES DE PROSA” foi organizado e vem a lume graças ao trabalho da escritora Raquel Delvaje que nele inseriu a nata dos escritores piracicabanos de hoje, todos laboriosos em levar avante esse tipo de cultura especial que, aliás, mereceu os louvores sinceros e reais do mestre acima referido.
Assim a 3l de Maio, em mais um ponto de encontro de escritores e poetas, nossa cultura dará mais um passo por esse passeio maravilhoso de quem a cultiva com carinho e generosidade piracicabanos, e como um daqueles que abriu caminho da publicação de livros de literatura – prosa e poesia – entre nós, tenho o prazer e o dever de fazer este pequeno e sincero registro, ao tempo em que estendo os parabéns à promotora do evento tão nobre e aos literatos que participam de mais esse lançamento, em continuação ao engrandecimento da literatura, cultura e belezas artísticas com que se destaca Piracicaba, como afirmou o mestre de literatura da USP, meu amigo Hildebrando André.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lançamento da Revista da Academia Piracicabana de Letras


Na noite de 27 de maio de 2010, as portas da Sociedade Beneficente Sírio-Libanesa abriram-se para receber os acadêmicos para o lançamento da 1a Revista da APL e do livro de crônicas de Armando Alexandre dos Santos "A Porto-Riquenha Dentuça e Horrorosa"
Maria Helena Aguiar Corazza, presidente da Academia Piracicabana de Letras, abriu a sessão

O vice-presidente da Academia, Armando Alexandre dos Santos, aproveitou a noite festiva para autografar seu mais novo livro de crônicas

Ana Marly Jacobino, coordenadora do Sarau Piracicabano, Lucila Calheiros Silvestre, diretora da Biblioteca Municipal e o acadêmico Geraldo Victorino de França


Carmen Fernandes Pilotto e Rosaly Curiacos de Almeida Leme

Carla Ceres Capeleti, João Baptista de Souza Negreiros Athayde, André Bueno Oliveira e Leroy Capeleti

Myria Machado Botelho e Elda Nympha Cobra Silveira

Maria Helena, Ivana Negri, Aracy Duarte Ferrari, Monica Corazza Stefani, Leda Coletti, Carmen Pilotto, Madalena Tricânico, Maria Lucia e Elda Cobra Silveira

Tardes de Prosa - Apresentação de João Baptista de Souza Negreiros Athayde


APRESENTAÇÃO

Este “Tardes de Prosa” trazido agora a público pelos seus autores constitui uma contribuição importante para as letras de nossa Terra, e por mais de uma razão.
Primeiro porque, sendo coletânea, permite-nos navegar nas águas da multifária criatividade dos autores, cada um deles trazendo os frutos das inquietações tão próprias dos artistas da palavra, e com isso levando-nos a conhecer um universo variado de sensações, de posturas, de encantos ou desencantos de cada um diante da realidade, ou mesmo diante dos seus próprios sonhos.
Por outro lado, deparamo-nos com um verdadeiro cesto de formas literárias, a permitir-nos trilhar os caminhos da diversidade criadora, fazendo-nos descobrir a beleza da crônica, ou do conto, do ensaio ou do apólogo.
Verdade é que, num primeiro momento, somos levados à leitura mais pelo desejo de descobrirmos o que pensa este ou aquele autor acerca do assunto/título de cada um dos trabalhos que apresenta, sem outra preocupação que não a de buscarmos ali a identificação com nosso próprio modo de ver/pensar/sentir a respeito do mesmo tema.
E nisto se cumpre, penso eu, a finalidade maior da Arte Literária, independentemente da forma em que apresentada, posto ser de sua essência esse abalançar do espírito, quer para buscar respostas às suas naturais inquietações, quer para perder-se na vertigem do impossível de suas idéias, de seus anseios, de seus sonhos.
E, sobretudo por esse aspecto, esta coletânea revela-se um portentoso manancial de excelente literatura, que aqui vem prodigalizado nas multifaces do grupo de autores que entendeu, em boa hora, a necessidade de dividir com o público o colorido do universo de cada um.
Parabéns a esses Artistas da Palavra, por essa significativa contribuição prestada à Arte Literária desta nobre Terra.
Quanto ao público, temos certeza de que haverá de confirmar tudo o quanto aqui foi escrito.

João Baptista de Souza Negreiros Athayde
Presidente do Centro Literário de Piracicaba - CLIP

Prefácio do livro TARDES DE PROSA - Ludovico da Silva


Prefácio

Tenho comigo que Piracicaba é uma cidade privilegiada na área literária. Desde tempos que ficaram longe, é possível registrar a presença de literatos que deixaram seus nomes marcados de maneira notável nos anais da literatura piracicabana.
Citar nomes seria incorrer na irresponsabilidade de esquecimento, uma atitude imperdoável.
No correr dos dias atuais vejo quão apreciável é o número de valores que assinam textos em livros e meios de comunicação, como prova de uma produção literária das mais significativas, não apenas em termos quantitativos, mas, sobretudo, qualitativo, aspecto sempre desejável para quem se aventura na arte de escrever como valorização cultural.
Esses valores estão integrados em entidades e grupos que enriquecem os meios literários piracicabanos e muito amiúde se reúnem para debates e produções, que acabam por se transformar em publicação.
Anualmente, tenho constatado uma média de lançamentos de livros que se aproxima ou até ultrapassa três dezenas, com uma margem de erro – como afirmam pesquisadores de opinião pública – de dois a três percentuais para mais ou para menos.
Agora mesmo, sou honrado para ser prefaciador e manifestar opinião, em poucas palavras, sobre o lançamento de novo livro, reunindo mais de uma dezena de escritores, que, pelo perfil de cada um, não tenho dúvida em afirmar tratar-se de uma obra de conteúdo altamente valorizado.
“Tardes de Prosa” traz em seu conjunto de contos e crônicas que retratam as mais variadas tendências de observações críticas ou enaltecedoras dos assuntos visados, assim como de estilo refinado de cada autor.
É difícil destacar um ou outro texto como centro de maior atenção por parte dos leitores, o que, aliás, para a apresentação, seria um comportamento parcial na apresentação da obra. O certo mesmo é que cada um absorva todo o escrito com interesse e curiosidade.
Uma boa e agradável leitura a todos.

Ludovico da Silva – escritor e coordenador do GOLP (Grupo Oficina Literária de Piracicaba) há 20 anos

Medo!

MEDO!
Dirce Ramos de Lima

Tenho medo das sombras da noite e do silêncio das madrugadas.
Fique comigo, mamãe, e me conte de princesas e de fadas...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cartas de Amor - I


CARTAS DE AMOR – I
Elias Jorge

Querida,

O mês de maio chega ao meio e continua chuvoso. Bem sabes o quanto aprecio a chuva no outono. Ela é meiga e jamais agride. Traz o frio, mas que é gostoso. Neste instante, junto à janela, conto as gotas miudinhas, sobras da chuva, que as deixou de lembrança. Como as recordações que deixaste no meu coração, quando me vem à memória o que fomos um ao outro. Então, indago-me se fui correto na nossa relação e se obedeci ao que o meu coração desejava para ti. Essa é a minha dúvida. Mesmo assim, resta-me a esperança de que o perdão é algo que só a velhice sabe dar e receber, com grata sabedoria. Oh, as gotinhas da chuva já estão se despedindo! É tempo de dizer-te adeus. Com o meu amor.