As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

terça-feira, 25 de maio de 2010

Convite da Academia Piracicabana de Letras


A Academia Piracicabana de Letras convida para o lançamento da primeira revista e do livro de crônicas de Armando Alexandre dos Santos, vice-presidente da APL, nesta quinta-feira, 27 de maio 2010 na sede da Sociedade Sirio-Libanesa.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Mistério daquela noite


O Mistério daquela noite...
(Adaptação de texto apresentado numa das Oficinas do GOLP)
Leda Coletti


Jorge alugou um quarto na casa de um casal de velhos, em Ipanema. Estes não tinham filhos. Talvez por essa razão o tratassem como tal.
O rapaz por sua vez retribuía com atenção, procurando se adaptar aos costumes da casa, sobretudo quanto à entrada e saída do local.
Como ele saía quase todas as noites, ficou combinado que deixariam as lâmpadas acesas e a porta da frente após ser fechada com chave, seria trancada por dentro. Essa última medida fora tomada, por Jorge ter percebido numa de suas chegadas noturnas, um vulto fugindo pelo quintal do vizinho.
Numa noite, chegando mais cedo, constatou que o casal apagara as luzes. Também fecharam a porta com o trinco.
Para poder entrar chamou-os pelo nome. Demoraram a aparecer. Incrédulos por o verem, contaram que ele, Jorge, já havia chegado horas antes e que se incumbira de apagar a luz da sala e fechar a porta.
- Mas como? Jorge perguntou atônito. Estava assustado e percebia o mesmo, na fisionomia dos velhinhos.
Combinaram de subir juntos e verificar se o “outro”, se encontrava no quarto. Entre surpresa e alívio, constataram que não havia ninguém.
Depois do ocorrido, tudo mudou naquela casa. Jorge foi convidado “delicadamente” a se mudar.
Ele o fez e nunca mais ouviu falar do casal de velhinhos.

Eu era assim...

Eu era assim aos 5 anos. E tenho essa boneca até hoje!
O tempo passa...a gente cresce, envelhece, mas continua a sonhar...

domingo, 23 de maio de 2010

Vegetariano Enrustido


VEGETARIANO ENRUSTIDO: AS RECEITAS
Milton Martins

Você torce pelo touro todo ferido com aqueles espadins, odiando o toureiro com aquela roupinha ridícula? Ai, o touro acerta o toureiro e você grita como se fosse um gol do seu time num momento de decisão? Espera ai. E a violência que você rejeita filosoficamente?- Bem a violência gera a violência, especialmente quando há atos brutais de covardia, como se dá com o touro acuado - esses toureiros efeminados só merecem chifradas mesmo.Mau sinal. Ai você considera um negócio até desonesto os rodeios, pela brutalização dos animais e um bando de idiotas aqueles montadores? Que podem se arrebentar no chão com os saltos do touro sofrendo pelas amarras na sua genitália? E você pensa alto: - Tomara que se arrebentem, sabe.Sinal de “perigo”. Você é um forte candidato ao vegetarianismo. Mas, saiba, você pode pensar ou tentar sem chegar a tanto. Porque o caminho é árduo. Mais fácil deixar de fumar mesmo que você nunca tenha fumado.Começa assim:Rejeita um bife de vez em quando, pensando no sofrimento da vaca, fala para o garçom passar reto com os espetos, se enche de salada, no queijinho assado e guarnições e disfarça.Pergunta que ainda não vai calar:- Você não está comendo carne? Esta picanha sangrenta está uma delícia.Você mente:- Sabe, hoje não estou me sentindo bem. Meu médico me recomendou não comer nada gorduroso.Com o tempo você abole a carne vermelha e seguramente terá que explicar porque você assim decidiu e deverá estar preparado para responder os motivos:Religioso? Filosófico? Regime especial? O quê, o quê, hem?Você já começa a ser o diferente nos almoços de trabalho e sociais.Nem uns hambúrgueres no McDonalds? Ah, tentação, com aquelas fritas sequinhas e um copo imenso de guaraná. Difícil, hem.No churrasco com os amigos você fará “churrasco” de pão e molhinho. Conseguirá (mesmo) rejeitar a linguicinha e o coraçãozinho de frango no espeto?Epa, mas o coraçãozinho é de frango, carne branca. Acho que vou avançar...- Será que não vai mais comer nem frango, nem nada, você se questiona?E responde:- Sei não, acho que não vou, até porque a “produção” é também de imensa crueldade.E a partir daí não tem jeito. Você se assume, quase vegetariano, não radical, porque não rejeita um peixe (já pensou o “filhote” assado, tentação!), uns nacos de bacalhau, uns frutos do mar, uns camarões...Até que um dia no mercado você encara os olhos de peixe morto te assediando. Ah, não o peixe não!E devagar você começa a se questionar. Afinal, o peixe não é de carne? Mas tão saborosa, tão cheia de vitaminas! E vagarosamente começa a rejeitar o peixe:- Será possível? Com vou explicar isso em casa? E nas minhas viagens, vou comer o quê?A resposta vem espontânea:- Avance nas saladas, no grão-de-bico, na soja temperada. Massa, meu amigo, mas cuidado com a barriga! As pizzas estão por aí, em qualquer canto tentando de dia e de noite.Pronto, agora você é consumidor de brócolis, couves, abobrinhas refogadas e a milanesa, pimentões, quiabos e jilós, quibes e estrogonofe de composto (carne) de soja...e por aí vai! E frutas em profusão.Que mudança, hem? Ai, nos coquetéis você se obriga a perguntar ao garçom qual o recheio da empadinha com jeito apetitoso:- É de palmito?- Palmito e frango, responde exultante o garçom ávido por presenciar a gula coletiva. Você rejeita a empadinha porque botou na cabeça que frango desfiado cheira pena molhada. Você pode degustar uns canapés de conteúdo não identificado. Feche os olhos e arrisque. Ou fique só no guaraná e na coca-cola...Renúncias são renúncias.E se prepare. Você faz uma visita a um velho amigo e em sua homenagem ele prepara língua ao molho pardo. Você faz tudo para não jogar o estômago no prato e dá uma desculpa a mais esfarrapada possível e só fica no arroz branco e no tomate da salada. A esposa do seu amigo, constrangida, sugere fritar uns ovos, uma omelete. Não, no ovo você ainda não chegou e não quer nem pensar! Você aceita, toma uns goles de vinho e tudo acaba bem. Todos alegres, contando causos e piadas. Exageros e gafes com os efeitos do vinho avançando.Ainda bem, ainda bem. Eta dificuldade!Com o tempo esses percalços deixarão de ocorrer. Não estranhe se você deixar de ser convidado para aqueles grandes encontros e reuniões regados a churrasco e linguicinhas. E chope, é claro.Todos os seus amigos, seus familiares, descobrem que você é um chato.Mas um chato feliz que torce pelo touro, sempre, sem crises de consciência.Talvez você até entre em estudos filosóficos sobre o enigma da existência dos animais, o amor e o respeito que merecem. Aí você atingiu o clímax.

sábado, 22 de maio de 2010

Cortejo dos Pirilampos

CORTEJO DOS PIRILAMPOS
Dulce Ana da Silva Fernandez

Cochilando sobre velhos tempos vividos na casa da minha avó, a noite manda vagalumes circularem-me, com doce luminosidade, pela janela aberta:
Préadolescente, nos meus 10 anos de idade, cheios de aventuras, sonhos...
Mamãe, para alegrar vovó, mandava-me passar os finais de semana lá na chácara. E eu gostava muito: casa antiga, acolhedora, espaçosa; quintal imenso com pomar e horta jardim; anjos sobrevoavam as camas, espantavam os monstros com suas mágicas asas brancas; lamparinas oratórias iluminavam santos protetores...
Dias estafantes, cheios de atividades! À tarde, ali na sala da frente do casarão da chácara, sentada ao lado da maquininha manual de costura, vovó acertava, com alfinetes retalhos coloridos. A cada colcha, distribuía os pedaços quadriculados e recortados de panos numa bela combinação de cores. Introspecção. Recolhimento. Silêncio. Histórias de verdades, vivências nos seus retalhos!
A minha avó sempre contava a história de um casal de vagalumes que voava pela sala. Espreitava retalhos coloridos da colcha. Ela sorrindo misteriosa, dizia que os quadrados recortados e irisados eram simples peças aladas que atraíam seres...
Vinham visitá-la à noite quando entravam pela janela semiaberta. Com o canto dos olhos, via quando os vagalumes chegavam, fingia continuar a arrumar os moldes, ou costurar, enquanto, embevecida, seguia o belo voo que iluminava o silêncio.
Ouvi-a contar isso dezena de vezes, antes mesmo da época em que costumava passar os finais de semana lá na chácara. E, logo os conheci.
Vovó, silenciosa lá na grande sala, mas os pensamentos, apressados. Recordava-se do vovô. Felizes por muitos anos, até que ele decidiu partir para a Itália, tomar conta de um irmão doente (promessa que fizera à mãe), e nunca mais voltou.
A partir dessa data, ela se trancou dentro de casa. Solidão? Sim. Enquanto costurava, recordava da fala mansa e agradável do esposo em seus momentos antes da partida. Só renasceu, depois de passado quase um ano em que ele, ainda na Europa, falecera. Como uma fênix, novamente vivia, mas era pelos filhos e netos.
Numa bela noite, eu estava lá na chácara, silencioso e entretido num quebra cabeça, quando o casal de pirilampos apareceu. Até que enfim pude vê-los.
2/2
Depois da saída deles, mandou que eu a seguisse até a cozinha. “Ah! O que há na cozinha? Eu quero ficar aqui na sala”. Comentei tristonho.
Atendera ao meu pedido. Deixou-me sentado na poltrona e só fui chamado quando terminara de fritar os bolinhos de chuva.
Surpresa! Com os olhos meio fechados, ela viu na pequena abertura um dos vagalumes no canto da caixa de retroses. “Ainda está ai dentro?” Com voz baixa e magoada, respondeu: “Está feliz? Pois ele se encontra aí”. Continuei o comentário:
- Sabe vovó. Deixei uma fresta para a entrada de ar. Coloquei farelinho de bolacha para alimentá-lo. Agora, estou à espera do seu companheiro para caçá-lo também. Vou tentar amarrá-los. Já peguei o carretel de linha, pois os vagalumes são espertos, entram e saem da sala com a luz acesa, quando querem. Você me ajuda?
Vovó, de pronto respondeu: “Você não devia se alegrar em destruir um deles, o outro agora não vai mais aparecer nem para me fazer companhia”...Tarde demais. Desde que o colocara ali, ele, parado! não apagava a lanterninha. Com certeza a pilha ia se acabar... A intenção de atrair o outro tornou-se ideia fixa para mim.
Trocarmos um sorriso cúmplice. Apertamos as mãos e fomos comer os bolinhos.
Comemos num silêncio enervante. Os bolinhos não tinham mais sabor? Será?
Dois dias após, já havia me esquecido da caixinha com o pirilampo sobre a mesa de canto, brincava com meu jogo de botões. Admirado, após erguer a cabeça, vi, semeando luz viva ao redor da lâmpada da sala, alguns vagalumes. Vovó pediu silêncio. Olhei na caixinha, o vagalume não estava lá No chão, algumas formigas de comprida carreira, carregava-o com dificuldade até um buraco na madeira da janela.
- Com certeza, vieram acompanhar e iluminar o funeral do amigo, que morrera antecipado, na solidão de uma caixa de retroses. Vovó comentara baixinho. E, ao ver lágrimas rolando por minhas faces com graça e ternura, veio enxugá-las e me abraçar na busca do perdão ...
Agora, o conto de fadas virou saudades. Ao caminhar, em direção ao futuro, uma parte do meu coração permanece naquele “tempo”.
Envolventes lembranças que jamais se apagarão.

De que são feitos os sonhos?

De que são feitos os sonhos?
Ivana Maria França de Negri

“A vida é feita da mesma matéria de que são feitos os sonhos” (Shakespeare)



Toda realidade já foi sonho algum dia. Mas, o que acontece com os sonhos que não foram realizados? Onde ficam alojados? Voam para qual dimensão?
Dizem que os sonhos não realizados cristalizam-se e vira e mexe condensam-se e voltam, como fantasmas, assombrando a vida das pessoas, querendo realizar-se de qualquer maneira.
Alguém disse que o homem é o sonho de Deus materializado. Temo que a humanidade tenha se tornado o seu pesadelo... Ao outorgar-nos o livre-arbítrio, deixou por nossa conta as decisões e começamos a sonhar alto demais. E as asas da arrogância, tal como no sonho de Ícaro, derretem-se ao sol.
Uma música diz que “sonhar não custa nada”. Outra letra diz que “sonho que se sonha junto vira realidade”. Poetas vivem de sonhos. Crianças vivem entre o real e o imaginário, num mundo só delas, a Terra do Nunca onde vive Peter Pan. Quando se cresce, nunca mais se acha a porta de entrada desse lugar.
De que são feitos os sonhos? De que matéria etérea eles se compõem?
Todos sonhamos, sonhos grandes, sonhos pequenininhos, sonhos realizáveis e sonhos impossíveis (digamos difíceis, pois nada é impossível).
Poetas, loucos, profetas, visionários, crianças, apaixonados, todos sonham com igual intensidade.
Dizem que uma pessoa só começa a morrer no dia em que para de sonhar...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Lançamento da Revista da Academia Piracicabana de Letras - APL


A Academia Piracicabana de Letras, com a colaboração da Sociedade Beneficente Sírio-Libanesa, da Equilíbrio Editora e da Funerária Bom Jesus, convida V. Sa. e Exma. Família para o lançamento do primeiro número da “Revista da Academia Piracicabana de Letras”
e do livro “A porto-riquenha dentuça e horrorosa” (crônicas de Armando Alexandre dos Santos, vice-presidente da APL).

O ato será realizado na sede da Sociedade Beneficente Sírio-Libanesa, à rua Governador Pedro de Toledo, 1045, Centro, na 5ª. feira, dia 27 de Maio de 2010, às 20 horas.

Maria Helena Corazza
Presidente

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Microconto

Edward Munch: O Grito

Microfonia
Carmen M.S.F. Pilotto

Ensurdeceu-se com o eco da própria voz...

Papo de avó para a neta

PAPO DE AVÓ PARA A NETA
Maria Sanz Martins

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de vinho do Porto, dizer a minha neta:

- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar. E assim, dizer apontando o indicador para o alto:- O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração! Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.

Por isso, vou colocar mais ou menos assim: É preciso coragem para ser feliz. Seja valente. Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão. E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação. Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você. Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes. Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.

Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..." Tenha uma vida rica de vida. Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível. Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela. Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor. E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status. A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco! Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
]
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia. Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim. Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor. Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.(Perdoe sempre) Era só isso minha querida. Agora é a sua vez.

Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte!

Prêmio Sesc de Literatura 2010


http://www.sesc.com.br/premiosesc/

PRÊMIO SESC LITERATURA 2010
O Prêmio SESC de Literatura está com as inscrições abertas para a sua 8ª edição.
O edital está disponível online e nas unidades do SESC em todo o Brasil.
As inscrições vão até 30 de setembro de 2010
Revelar novos talentos e promover a literatura nacional são propósitos do Prêmio SESC de Literatura.
Lançado pelo SESC em 2003, o concurso identifica escritores inéditos, cujas obras possuam qualidade literária para edição e circulação nacional. Além da divulgação das obras, o Prêmio SESC também abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados pela editora Record e distribuídos para toda a rede de bibliotecas e salas de leitura do SESC e SENAC em todo o país.
Aos autores iniciantes, que ainda não tiveram chance de mostrar ao público suas ideias e sua criação, este é o caminho.
As inscrições para o Prêmio SESC de Literatura são gratuitas e aceitas em todo o Brasil. Basta procurar a unidade mais próxima do SESC na sua cidade. Cada concorrente pode participar com uma obra, nas categorias conto e romance. O vencedor terá seu livro publicado e distribuído pela editora Record. Participe! Esta pode ser a chance de sua obra chegar às principais livrarias do país. Confira as regras do concurso no edital.
Mais do que oferecer uma oportunidade a novos escritores, o Prêmio SESC de Literatura cumpre um importante papel na área de cultura, proporcionando uma renovação no panorama editorial brasileiro.


PARA INFORMAÇÕES GERAIS ACESSE:
www.sesc.com.br/premiosesc/index.html
Comunicação
SESC Piracicaba
(19) 3437.9252
http://www.sescsp.org.br/

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O bóia-fria


O bóia-fria
Leda Coletti

Ainda é madrugada, com cerração fechada. Na velha jardineira os bóias-frias sentados nas poltronas estragadas, aproveitam o trajeto até o sítio de cana arrendado pela usina de açúcar, para continuarem o sono interrompido.
José, itinerante, chegou do estado de Minas Gerais, para a nova safra de cana. Fica alojado numa das casas grandes de fazenda de uma usina de Piracicaba.
Sente medo e ao mesmo tempo alívio, quando recebe o eito de cana pelo fiscal. Imediatamente derruba-as uma a uma com o facão que recebeu bem afiado, as quais serão içadas nos treminhões por aquele enorme garfo da carregadeira.
Já é hora do almoço. Pega sua marmita e come a comida que já está fria. Estava terminando sua refeição, quando viu aquela bóia- fria chegando. Vestia em cima da calça comprida de brim desbotada, uma camisa xadrez e saia de algodão. Ouviu quando seu vizinho chamou-a pelo nome. Atendeu pelo de Antonia. José teve um sobressalto, pois era o mesmo de sua mulher. Não pôde deixar de enxugar uma lágrima. A saudade está aumentando cada vez mais, principalmente dos filhos menores. Não sabia como iria se comunicar com eles, pois moravam em local retirado da cidade. Também por carta é impossível, pois não sabe ler e muito menos escrever. Foi interrompido nos seus pensamentos pela chegada de Antonia:
- Aceita água fresca ? Fui buscar na mina que nasce no capão do mato próximo daqui. Aceitou, pois a que trouxera já estava quente. Conversaram um pouco, o suficiente para deixar José reconfortado. Soube que ela chegara do estado do Paraná e morava com os tios num Conjunto Habitacional, construído em forma de mutirão pelos interessados, nos finais de semana. Também cursava o Curso Supletivo e contava com orgulho que já redigia suas cartas, aos pais distantes. Ao saber da dificuldade de José para entrar em contacto com a família, se prontificou em escrevê-las, “isso até você aprender “, dissera ela, tentando incentivá-lo para também estudar.
Naquela noite José sonhou com sua Antonia e as crianças. Viu-os bonitos, com roupas muito limpas, dentro de uma casa de tijolos, com um jardim florido na frente e uma horta repleta de verduras no quintal, todos estudando, inclusive ele.
Seu sonho foi interrompido pela sirene próxima do alojamento, chamando a todos para mais um dia de trabalho.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lançamento do livro TARDES DE PROSA



Nesta terça-feira,18 de maio, acontece o pré-lançamento do livro Tardes de Prosa- editora Equilíbrio - no Sarau Literário Piracicabano, às19h30 no Teatro Municipal Dr. Losso Netto com sorteio dos livros.

E no dia 31 de maio, o coquetel e lançamento oficial na Casa do Médico, às 19h30.

Com prefácio de Ludovico da Silva e apresentação de João Baptista de Souza Negreiros Athayde, o livro conta com as seguintes participações: Ana Marly de Oliveira Jacobino, Aracy Duarte Ferrari, Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto, Cássio Camilo Almeida de Negri, Dirce Ramos de Lima, Dulce Ana da Silva Fernandes, Elda Nympha Cobra Silveira, Ivana Maria França de Negri, Leda Coletti, Lidia Sendin, Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins, Maria Mdalena Tricânico de Carvalho Silveira, Raquel Delvaje e Ruth Carvalho Lima de Assunção.

Isolada

Isolada
Francisco Carlos Groppo Filho

- Como vai?
- Estou melhor.
Foi o que disse após uma de minhas crises, quatro dias atrás. Quando ainda estava viva. Voltando no tempo, uns três anos atrás, me lembro vividamente de estar junto de minha mãe, na sala de espera de um consultório, aguardando o resultado do exame de sangue que havia feito. O medico se aproximou, e pediu para que o acompanhássemos a uma salinha.
Logo que entramos, o médico fechou a porta e disse que tinha péssimas notícias. Ele se chamava Miguel, e acho que nunca me esquecerei deste nome, pois foi ele quem me passou os resultados do exame, com resultado positivo em AIDS.
Eu e minha mãe saímos do consultório devastadas, e ficamos no ponto de ônibus, esperando. Sentia-me excluída, isolada do resto do mundo. Minha mãe foi, desde o consultório até nossa casinha, murmurando “minha filhinha” e “tão jovem”. Não sei quanto a ela, mas não dormi a noite inteira, pensando em como minha vida era cercada de tragédias. Meu pai morreu quando eu tinha apenas dois aninhos, junto com meu avô e minha avó, em um acidente de trânsito. E agora, eu entrei para a amaldiçoada coleção, com a minha AIDS. Senti-me uma completa idiota.
Quando me levantei da cama, para me arrumar para a escola, já considerava suicídio.
Cursava o 1º colegial, mas meu namorado era do 3º. Na escola, conversei com ele e expliquei-lhe a situação. Ele ficou bravo e disse que nunca mais queria me ver. Acho que foi este o choque que me fez passar os últimos três anos de minha vida na cama do hospital. Minha companheira era minha mãe, que apenas saiu do meu lado quando morreu, dois anos antes de mim, devido a uma leucemia descoberta tarde demais. Passei estes anos sozinha, no canto de um quarto, pensando, pensando e pensando, em como estraguei minha vida.