CENTRO LITERÁRIO DE PIRACICABA - CLIP: Um ano de Poesia no Blog - Mara Bombo Quadros
Oi Mara, não poderia deixar em branco esse 1º aniversário do blog do clip, tão bem coordenado por você. O incentivo que você nos dá e especialmente à minha pessoa, é digno dos mais sinceros aplausos e elogios. Você procura nos promover, e como uma paciente educadora vai expondo nossas produções,propiciando um intercâmbio cultural-literário educativo, que permite um entrosamento sadio entre nós amantes da arte literária.Muito obrigada por esse desvelo e carinho. Abraços poéticos, Leda
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MEMBROS DO GOLP
FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP
GOLP
Com o escritor Ignacio Loyola Brandão
GOLP
Reunião na Biblioteca
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Convite
Limeira, 07 de maio de 2010A diretoria da Academia Limeirense de Letras, tem a honra de convidar Vossa Excelência e Excelentíssima família para a 7ª Sessão Solene de posse dos novos membros honorários.
A referida Sessão Solene acontecerá dia 21/05 sexta-feira na Câmara Municipal de Limeira.
A sua presença é muito importante para esta Instituição.
Mais informações: simoneprfdra@hotmail.com ou simone.porteella@hotmail – 19 3039 – 7757.
Saudações Acadêmicas,
Profa. Dra. Simone Portela
Presidente
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Convites
domingo, 16 de maio de 2010
Porta-bênçãos

Porta-bênçãos
Adenize Maria Costa
Vocês já ouviram falar em porta-bênçãos ??? Pois vou lhes contar .
Hoje , por volta das 06:30da manhã, um beija-flor de cor azul entrou na minha casa. Esse é o lado bom de morar no interior, de vez em quando somos surpreendidos por alguns visitantes ilustres.
Minha filha saiu correndo do quarto pra ver , minha mãe estava comigo na cozinha e começou a conversar com ele dizendo: " Que coisa, mais linda! Veio falar bom dia pra Vó?". Eu estava pondo a mesa para o café da manhã e de repente , todas nós , paramos para observar e também para não assustá-lo ... Foi surpreendentemente lindo ! Sobrevoou nossas cabeças ameaçou pousar no vitrô da cozinha .. deu mais algumas voltas , voou em direção dos quartos e saiu por uma das janelas que já estava aberta ...
Durou poucos minutos mas tempo suficiente para me fazer pensar que esse pequeno beija-flor seria pra nós , hoje, portador de boas notícias.
Sentamo-nos tomamos o café da manhã comentando a visita inusitada .Logo cedo estávamos numa prosa animada.
A caminho do trabalho fiquei pensando , brincando com a palavra : Portador - ser porto, ser porta , portar dor ...
Não quis ficar com a impressão de que o lindo beija-flor azul seja portador de dor ... prefiro acreditar que ele seja portador de bênçãos ... por isso hoje batizei essa visita inusitada de porta-bênçãos !!!
Desejo a todos vocês um dia abençoado !
Adenize Maria Costa
Vocês já ouviram falar em porta-bênçãos ??? Pois vou lhes contar .
Hoje , por volta das 06:30da manhã, um beija-flor de cor azul entrou na minha casa. Esse é o lado bom de morar no interior, de vez em quando somos surpreendidos por alguns visitantes ilustres.
Minha filha saiu correndo do quarto pra ver , minha mãe estava comigo na cozinha e começou a conversar com ele dizendo: " Que coisa, mais linda! Veio falar bom dia pra Vó?". Eu estava pondo a mesa para o café da manhã e de repente , todas nós , paramos para observar e também para não assustá-lo ... Foi surpreendentemente lindo ! Sobrevoou nossas cabeças ameaçou pousar no vitrô da cozinha .. deu mais algumas voltas , voou em direção dos quartos e saiu por uma das janelas que já estava aberta ...
Durou poucos minutos mas tempo suficiente para me fazer pensar que esse pequeno beija-flor seria pra nós , hoje, portador de boas notícias.
Sentamo-nos tomamos o café da manhã comentando a visita inusitada .Logo cedo estávamos numa prosa animada.
A caminho do trabalho fiquei pensando , brincando com a palavra : Portador - ser porto, ser porta , portar dor ...
Não quis ficar com a impressão de que o lindo beija-flor azul seja portador de dor ... prefiro acreditar que ele seja portador de bênçãos ... por isso hoje batizei essa visita inusitada de porta-bênçãos !!!
Desejo a todos vocês um dia abençoado !
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Escritores amigos - Adenize Maria Costa
quinta-feira, 13 de maio de 2010
À Procura de um Momento Mágico
À PROCURA DE UM MOMENTO MÁGICODulce Ana da Silva Fernandez
Pendurada no cabide de madeira há quinze anos. Bem guardada, uma bela blusa. Carinho todo especial!
A palavra é esta mesma “guardada”, uma vez que não me aconselhavam a usá-la.
A minha filha, quando eu falava em colocá-la, logo me fazia desistir da ideia, dizia que era muito vistosa. Enfeites dourados! E a ocasião! Não requeria tantas luzes...
Sempre que arrumava os vestidos nos cabides do guarda-roupa, dava uma doce olhada para ela que, intacta e com aquele brilho cintilante, me fitava. Maravilhoso olhar de festa! Esperava, esperava o momento certo de usá-la, que, pelos acontecimentos, parecia nunca chegar.
A famosa blusa preta era de paetês brilhantes, com belo desenho dourado e florido na frente. A manga japonesa e o decote em “V”. Eu tinha uma saia preta meio longa, que, junto com ela, formava atraente e charmoso conjunto.
E, como será que a blusa havia chegado ao guarda-roupa? Tudo tinha acontecido em 1989, quando fui passear na Espanha. Numa das compras, na galeria Preciados, no final da viagem, queria levar com os famosos leques espanhóis, uma peça de roupa bem diferente das do Brasil. Logo que cheguei à galeria, a encontrei. Bati os olhos nela, gostei. Foi amor à primeira vista. Sem ligar para o preço, um pouco puxado, comprei-a.
Surgiram novas ocasiões de usá-la e as insistentes recomendações: “Todo mundo vai ficar olhando. Vão tecer comentários maldosos: Uma velha assanhada que trajava uma blusa cintilante!!!, vistosa!!! “Se eu fosse a senhora, ainda, não a usaria”.
Bem, eu encontrava-me um pouco idosa, mas tão jovem de espírito... Por que as mães têm que ter tanta paciência?
Os dias corriam do calendário, meses, anos e eu pensava tristonha: “Será que nunca irei usar aquela blusa? Acho que nem mesmo depois de morta”...
De vez em quando a experimentava e pensava na escolha dos complementos: A saia preta ou seria conveniente a bege? Sapatos pretos fechados, de salto, ficariam mais elegantes; brincos escuros e discretos, combinando com a blusa, mas sem o colar. E o cabelo? Pintado e cortado uns dias antes, penteado para trás, mostrando parte das orelhas. Pensava também na maquilagem que deveria ser discreta.
Ensaiava por diversas vezes, como se fosse uma peça de teatro. Pois a imagem que os outros têm da gente, nem sempre confere com o que enxergamos...
E, assim... Continuava guardada, quase não se falava mais nela.
E tem mais, há quanto tempo a coitada esperava lá no cabide do guarda-roupa por uma chance. Um aplauso! Tomar um banho de festa! Extravasar seu brilho...
E, nada! Ela fora do esconderijo era tudo que eu desejava.
O que fora uma teteia lá na Espanha, tornara-se um pesadelo aqui no Brasil. Acho que a blusa não ia servir nem para ser usada no carnaval. Será que o rei Momo também acharia que não era naquele momento uma boa ideia?
O tempo foi passando, até que chegou a data do lançamento do meu primeiro livro cujos textos iam contar histórias dos familiares... Oba! ótima ocasião para usá-la.
Preparativos para o evento! Entusiasmada! Aproximei-me dela. Olhei os brilhantes paetês. Passei a mão, senti a leveza do tecido e recordei novamente da voz da vendedora atrás de mim: “Se te gusta corre-la ya. És la derradera. El precio es bueno”.
Naquele instante da compra, pensara que a blusa teria uma boa finalidade, seria mais inteligente, portanto, levá-la. Ela iria à festa comigo... Experimentara, caíra como uma luva. Que linda!... Bom o resultado da escolha, eu estava em alto astral!
O devaneio fora- se embora...
Cuidadosamente, coloquei a blusa com todo carinho sobre a cama e, novamente, chegaram os comentários: “Esta não é uma boa! Sabe, a cidade é pequena e o lançamento do livro é um importante acontecimento. As fotos da senhora, com certeza, vão sair nos jornais. A roupa tem de ser discreta. Use aquele conjunto cinza de linho”...
A blusa tão tristonha voltou para o antigo esconderijo, talvez somente sairia com uma ordem oficial. Meu Deus do céu! Outra vez sendo guardada! Mas que confusão! Ingenuamente, comprara-a encantada com seu brilho e leveza! Será que ela possuía um encanto especial e não poderia ser vista por ninguém?
A coitada continuava escondida. Se ela tivesse lágrimas, não teria mais nenhuma para chorar. Se tivesse pernas, estaria cansada de espernear...
Assim, se passaram 14 anos, quando resolvemos ir à Argentina.
Nada falei aos familiares. Decidida, abri a porta do guarda-roupa “Psiu! você vai passear” sibilei instintivamente para a blusa que me olhou com aqueles luminosos olhos festivos. Era como se dissesse:
- Repita comigo: Eu sou bela, você não é uma pessoa desequilibrada, foi muito feliz na escolha. Sabia que você não se esqueceria de mim na hora de arrumar a mala.
Será que no meu coração canta um rouxinol de asas e bico dourados? Quem sabe? Gosto de ramos cintilantes e quentinhos do sol, tenho que ter algo brilhante, aproveito até papéis festivos de embrulhos...
À vontade de usá-la foi crescendo dentro de mim. Resolvi não pensar muito. Para que esquentar a cabeça? Coloquei a blusa bem acondicionada com um carinho todo especial no fundo da mala. Resolvera usá-la e fim de papo... Chegara a hora de superar inseguranças. Levaria tudo na esportiva. Corajosa! Sem ficar refém de preocupações.
Ela havia me visto pela primeira vez com 54 anos, quando a comprara na Espanha e, na ocasião da viagem, eu estava com 68 anos. Um pouco idosa! Mas usaria a blusa cintilante de qualquer jeito.
Viajei satisfeita! Acertara em cheio tê-la levado-a à Argentina.
Numa noite especial, fui assistir a um espetáculo de tango. Entusiasmada! Usei-a. Eu já imaginava que a sensação seria deliciosa. Estávamos quatro pessoas: meu esposo, eu, a minha filha e o genro e, mal sentamos à mesa, chegou um senhor pronto para nos fotografar. Nessas alturas, eu já tinha tirado o casaco e a blusa toda radiante, agarrada a mim como uma tábua de salvação... Aquela noite, regada a delicioso vinho branco, me levou às alturas: Uma senhora vivendo intensa alegria... Me senti como Scarlett O Hara em E o Vento Levou...
Final do espetáculo. Nitidamente percebi minha condição de pobre e humilde criatura quando não consegui comprar a bela foto. Preço exorbitante! Tinha coisas mais urgentes para serem compradas. Cabeça tocando estrelas, mas os pés, no chão. O quê?! Que desaforo! Não aceitaram o pagamento em reais...
Calma lá! Não fiquei triste, pois no final da viagem, em um dos passeios, fui agraciada com uma bela foto numa cena de tango. Havia sido feita uma montagem, usaram somente as nossas cabeças e embora a blusa não tivesse saído, a foto era muito sensual, linda!!
Finalmente, com um prazer todo especial, havia usado aquele traje extravagante e me senti poderosa rainha, cheia de entusiasmo, com belos pensamentos... Guardei doces recordações e dentro da blusa, com certeza, ficaram restos de estrelas do inesquecível espetáculo de tango.
Paciência! Mais um ano, e ela enfeitando o guarda-roupa à espera de outra oportunidade? Nova viagem? Não. Pois, trajes enfeitados com paetês, entraram na moda. Tudo brilhante! Sendo assim, usei-a por diversas vezes... Acabara-se o encanto.
Hum! A única coisa que eu lamento é de não tê-la usado em outras ocasiões. Assim, a blusa tão querida, teria saído da mesmice do dia-a-dia... Confesso que tomei birra de roupa de paetês, tudo igual, tem de ficar guardada para momentos especiais ... ( como a fábula da raposa que não conseguia alcançar as uvas...)
Agora, penso eu, embora minhas ideias não estejam tão ousadas como antes, não devo dar mais tanto crédito às opiniões... Será?
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Escritores amigos - Dulce Ana da Silva Fernandez
Concurso Literário
VI CONCURSO NACIONAL DE POESIA “MARCAS DO TEMPO”
PREFEITURA MUNICIPAL DE DESCALVADO
Secretaria de Educação e Cultura
Avenida Guerino-Osvaldo, 446- Centro
13690-000 Descalvado, São Paulo, Brasil
Foine/Fax (19) 3583.3934 / seecpmd@gmail.com
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Concursos
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Mãe Negra

Mãe Negra
Leda Coletti
A velha escrava cansada pelos anos de trabalho cochilava na cadeira de balanço. Já não tinha a vivacidade nos movimentos, como no passado. Felizmente os filhos do patrão, o sinhozinho e a sinhazinha, já se tornaram adultos e não precisam mais dos seus cuidados. Ambos estão casados e distantes da fazenda que os viu nascer. Não a levaram para tomar conta dos filhos pequenos. No seu íntimo entende que, a “ preta velha não serve mais para olhar crianças; nem mesmo para os serviços mais leves tem condições físicas para fazê-los”.
Entre um rápido cochilo e o despertar, mãe negra deixa que as lembranças lhe façam companhia. Algumas não gosta de evocar, como por exemplo a sua viagem no convés de um navio (merecia o nome de cargueiro), pois ali se amontoavam velhos, adultos e crianças, todos chorando e já saudosos da África, que foram forçados a deixar.Chegando a um dos portos do Brasil foram vendidos pelos atravessadores, aos fazendeiros de café, cana, que detinham o poder econômico do país.
Comparando seu destino a de muitas outras mulheres, até que teve sorte, pois ficou pouco tempo compartilhando com os demais escravos, a escura senzala daquela extensa fazenda de café. Logo foi levada para servir os senhores no casarão.
Já moradora da casa grande ouvia os gemidos dos compatriotas sendo açoitados nos pelourinhos, pelos capatazes impiedosos. Nesses momentos, uma vontade imensa se apoderava dela: a de poder evitar tais castigos, mas não tinha coragem suficiente para enfrentar o patrão. Só restava chorar e rezar no escuro do seu quarto.
Não podia reclamar, desde que se afeiçoara à patroa e principalmente às crianças, que amava como se fossem seus filhos: passou a cuidar deles como verdadeira mãe. Casar não casou. Bem que gostou de um irmão de sangue, mas este foi vendido para um senhor de engenho, distante deste local. Nunca mais soube do seu paradeiro.Vivendo isolada dos seus, permaneceu solteira.
Agora já idosa recebeu dos patrões uma pequena casa para morar, em pagamento do muito que fez. “ Seria esse o prêmio que mereceu por causa de uma tal lei Áurea?” Ouviu qualquer coisa sobre isso, mas como é analfabeta, não entende bem o significado da mesma.
E sem muito ambicionar se sente feliz assim: ficar balançando na sua cadeira, relembrando as peraltices das lindas crianças, seus filhos do coração. “Como era bom aquele tempo” fala baixinho, deixando antever um sorriso misto alegria-tristeza!
Leda Coletti
A velha escrava cansada pelos anos de trabalho cochilava na cadeira de balanço. Já não tinha a vivacidade nos movimentos, como no passado. Felizmente os filhos do patrão, o sinhozinho e a sinhazinha, já se tornaram adultos e não precisam mais dos seus cuidados. Ambos estão casados e distantes da fazenda que os viu nascer. Não a levaram para tomar conta dos filhos pequenos. No seu íntimo entende que, a “ preta velha não serve mais para olhar crianças; nem mesmo para os serviços mais leves tem condições físicas para fazê-los”.
Entre um rápido cochilo e o despertar, mãe negra deixa que as lembranças lhe façam companhia. Algumas não gosta de evocar, como por exemplo a sua viagem no convés de um navio (merecia o nome de cargueiro), pois ali se amontoavam velhos, adultos e crianças, todos chorando e já saudosos da África, que foram forçados a deixar.Chegando a um dos portos do Brasil foram vendidos pelos atravessadores, aos fazendeiros de café, cana, que detinham o poder econômico do país.
Comparando seu destino a de muitas outras mulheres, até que teve sorte, pois ficou pouco tempo compartilhando com os demais escravos, a escura senzala daquela extensa fazenda de café. Logo foi levada para servir os senhores no casarão.
Já moradora da casa grande ouvia os gemidos dos compatriotas sendo açoitados nos pelourinhos, pelos capatazes impiedosos. Nesses momentos, uma vontade imensa se apoderava dela: a de poder evitar tais castigos, mas não tinha coragem suficiente para enfrentar o patrão. Só restava chorar e rezar no escuro do seu quarto.
Não podia reclamar, desde que se afeiçoara à patroa e principalmente às crianças, que amava como se fossem seus filhos: passou a cuidar deles como verdadeira mãe. Casar não casou. Bem que gostou de um irmão de sangue, mas este foi vendido para um senhor de engenho, distante deste local. Nunca mais soube do seu paradeiro.Vivendo isolada dos seus, permaneceu solteira.
Agora já idosa recebeu dos patrões uma pequena casa para morar, em pagamento do muito que fez. “ Seria esse o prêmio que mereceu por causa de uma tal lei Áurea?” Ouviu qualquer coisa sobre isso, mas como é analfabeta, não entende bem o significado da mesma.
E sem muito ambicionar se sente feliz assim: ficar balançando na sua cadeira, relembrando as peraltices das lindas crianças, seus filhos do coração. “Como era bom aquele tempo” fala baixinho, deixando antever um sorriso misto alegria-tristeza!
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Texto de Leda Coletti
A paciência nossa de cada dia
A paciência nossa de cada diaIvana Maria França de Negri
Paciência é uma virtude, um dom maravilhoso que poucos possuem. E temos diversas oportunidades de praticá-la no dia-a-dia. Mas acabamos não exercitando. Temos “pavio curto”, explodimos por nada e desferimos dardos para todos os lados, não importa quem atingimos.
Temos de ter paciência quando vemos as pessoas agindo como não deveriam agir por ignorarem certas verdades: “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem...”.
Temos que ter paciência para ouvir as pessoas, mesmo que das suas bocas saiam só asneiras – “Pai perdoai-lhes, eles não sabem o que dizem...”.
Temos que exercitar a paciência, mesmo quando nos sentimos injustiçados, quando lemos inverdades, acusações, blasfêmias, palavras cheias de mágoa, de rancor, de ódio, irmão lutando contra irmão: “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem ser benevolentes e nem perdoar...”.
E quem foi o sábio que pronunciou essas palavras? Isso mesmo, Jesus, um inocente que a própria humanidade, essa mesma, dona da verdade, acabou esfolando, açoitando e pregando na cruz com uma coroa de espinhos fincada na fronte. Por não concordarem com sua verdade, calaram sua voz. Mas ela permaneceu inalterável por séculos, porque a verdade não se apaga com a morte do corpo. Ela é eterna.
E haja impropérios, maledicências, como se tudo fizesse parte de uma grande guerra. E cada um quer sair vitorioso, dar a palavra final. E de que adianta ganhar uma guerra de palavras? Assim como nos combates reais de artefatos bélicos, na guerra das palavras todos perdem, todos fracassam, ninguém sai vitorioso.
A vida lateja, pulsa em sangue vivo. Buscamos a verdade numa luta insana. O homem nem sabe mais o que quer, nem sabe ao menos o que procura. E grita, agride, joga seu ácido, seu veneno sob a forma de palavras e mata com seu fel a bondade, a beleza, o respeito, a poesia que ainda teima em sobreviver sob esse manto escuro, isento de luz que é a nossa cegueira mental, nossa ignorância a respeito das leis universais e eternas.
Por que plantar só a discórdia? Por que não espalhar fachos de luz? Por que não disseminar a paz?
É dessa maneira, com os ânimos acirrados que se iniciam as guerras. E nessa hora, os homens se esquecem de tudo e só desejam ver a aniquilação do “inimigo”. Que tristeza ver as pessoas se digladiando por nada. A humanidade tem muito ainda o que aprender.
O homem está preso sob o jugo da inveja, do egoísmo, da truculência, do desamor. A liberdade, as asas angélicas, um dia, cada um as alcançará. Até esse dia, haja paciência para aturar as sandices que grassam neste mundo.
Por que enxergar somente os espinhos e não sentir o perfume da flor?
Por que só ver as pedras no caminho e não ouvir o canto dos pássaros?
Por que não espalhar o amor e o perdão ao invés do ódio e da discórdia?
Paciência...Que Deus nos dê muita paciência! Amém.
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Texto de Ivana Maria França de Negri
terça-feira, 11 de maio de 2010
De Ciprestes Solitários e suas Confidências

De ciprestes solitários e suas confidências
Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Ciprestes são árvores altaneiras, que habitam penhascos com os olhares voltados para o infinito e de raízes entranhadas em ínfimos pedaços de terra, retirando seus nutrientes do orvalho das madrugadas.
Naquela última árvore da Califórnia vivia Bhumi, único druida da terra em 2020. Desde os primórdios de Atlândida e Lemúria seu povo já havia previsto a destruição do planeta. Seu amigo Trhon tentara em vão na década anterior apresentar evidências, sinais que os homens simplesmente ignoravam: ciclones, tsunamis, alterações climáticas, terremotos, entre outros.
Ano a ano a terra gradativamente alinhava-se ao sol, em solstícios que alteravam o centro da galáxia em decorrência dos danos causados. Ações isoladas como as do Greenpeace ou as de alguns parcos políticos pareciam inócuas.
No início do século 21, o penúltimo druida, Gemini, insistia em incutir nas mentes, usando a voz dos ecologistas, pequenas atitudes de preservação: consumo de energia apropriado, economia de recursos naturais, descobertas pelos governos de alternativas de energias limpas. Propagava que riqueza e prosperidade sem um pensamento sustentável não teriam o melhor sentido.
Os efeitos devastadores eram observados ao olhar alienado dos humanos, que tratavam a Natureza como fonte inesgotável: o aumento do nível dos oceanos, o derretimento das calotas polares, a extinção de animais e plantas, as catástrofes climáticas e os altos níveis de dióxido de carbono. Na última década a fragmentação da Amazônia, o último reduto verde da terra, teve um efeito avassalador.
Com a partida de seus dois últimos amigos, Bhumi, entoava, para espantar a solidão, os antigos cânticos sagrados lembrando rituais e colheitas. Sua memória sensorial estava melancólica pela saudade das plantas e dos animais extintos do planeta.
Bhumi voltou o olhar para o Absoluto cismático. Sabia que tudo em breve se transformaria em poeira cósmica. Milagrosamente naquele penhasco o último cipreste resistia bravamente diante de um braço de mar com um velho e desalentado druida que carregava em seus ombros a triste derrocada do planeta dos insensatos...
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Texto de Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Andarilho
AndarilhoCarmen M.S. F. Pilotto
Sua esquizofrenia o faz caminhar léguas intermináveis. É como se um roteiro estivesse delineado em sua mente, entretanto, sem ponto de partida ou chegada. Em rumo ao nada e ao vazio. Segue sem ater-se aos seus pares que o fitam interrogativos. Descaso? Não tem a hipocrisia dos que se justificam pelo destino tomado. Simplesmente vai, incansavelmente. O itinerário é repetitivo, como num ritual, das oito da manhã até das dezoito, com suor compulsivo traça sempre o mesmo riscado, sinistramente cumpre um mister determinado em seu doentio perfil.
Tenho temor da logística do esquizofrênico. De seguir sistematicamente o mesmo comportamento compulsivo. A tênue divisa entre nós é que não palmilho calçadas e ainda me justifico pelo destino cotidiano tomado.
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Texto de Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
As Bailarinas

AS BAILARINAS
Leda Coletti
Um farfalhar de roupas transparentes, esvoaçantes perpassa no palco daquele circo recém-chegado na cidade. Está totalmente lotado nessa noite quente.
Com garbo de gazelas esbeltas, as bailarinas desfilam, correm nas pontas dos pés, fazendo o público ovacioná-las com entusiasmo.
Iniciam a apresentação do espetáculo. Ao rítmo da banda dançam, ensaiam cambalhotas, enfeitam a coreografia com seus trajes multicores.
Quando os tambores rufam, elas abrem as sombrinhas coloridas e se equilibram em escorregadios arames. De repente, um assobio estridente se faz ouvir, e a banda silencia por instantes. De novo há o espocar dos tambores, tentando acompanhar os passos arrojados das garotas, que ora dançam resvalando os pés nos fios, ora se jogam balançando todo corpo.
Um oh!... é ouvido na platéia, quando uma das moças morenas escorrega e ameaça cair. Mas, num lance surpreendente se recompõe e com as demais se prepara para a apoteose.
Agora cada uma delas segura um arco e rodeando o palco, o colocam em suportes, não muito distantes do solo.
Como que despertando com o som forte dos instrumentos da banda, cada círculo se transforma em halo de fogo crepitante. As bailarinas parecem alçar vôo e atravessam todas as bolas circundantes de luz. Os expectadores juram estar vendo o sol com todas as cores do arco-íris e não param de aplaudir, até as artistas desaparecerem, atrás das pesadas cortinas.
O show e a vida continuam!
Leda Coletti
Um farfalhar de roupas transparentes, esvoaçantes perpassa no palco daquele circo recém-chegado na cidade. Está totalmente lotado nessa noite quente.
Com garbo de gazelas esbeltas, as bailarinas desfilam, correm nas pontas dos pés, fazendo o público ovacioná-las com entusiasmo.
Iniciam a apresentação do espetáculo. Ao rítmo da banda dançam, ensaiam cambalhotas, enfeitam a coreografia com seus trajes multicores.
Quando os tambores rufam, elas abrem as sombrinhas coloridas e se equilibram em escorregadios arames. De repente, um assobio estridente se faz ouvir, e a banda silencia por instantes. De novo há o espocar dos tambores, tentando acompanhar os passos arrojados das garotas, que ora dançam resvalando os pés nos fios, ora se jogam balançando todo corpo.
Um oh!... é ouvido na platéia, quando uma das moças morenas escorrega e ameaça cair. Mas, num lance surpreendente se recompõe e com as demais se prepara para a apoteose.
Agora cada uma delas segura um arco e rodeando o palco, o colocam em suportes, não muito distantes do solo.
Como que despertando com o som forte dos instrumentos da banda, cada círculo se transforma em halo de fogo crepitante. As bailarinas parecem alçar vôo e atravessam todas as bolas circundantes de luz. Os expectadores juram estar vendo o sol com todas as cores do arco-íris e não param de aplaudir, até as artistas desaparecerem, atrás das pesadas cortinas.
O show e a vida continuam!
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Texto de Leda Coletti
domingo, 9 de maio de 2010
Sina de Mãe - Conto

Sina de mãe
Ivana Maria França de Negri
Ivana Maria França de Negri
Ainda na infância, ela já se preparava para o seu destino. Ao brincar com as bonecas, instintivamente, treinava para se tornar mãe. Ninava-as, acalentava-as, era toda ternura. Cresceu, adolesceu, tornou-se linda jovem. Apaixonou-se, namorou e se casou com o grande amor de sua vida.
O tempo passou célere, e o primeiro fruto do amor se fez semente em seu ventre. A barriga volumosa, como uma lua cheia, trazia o sentimento da plenitude. Quando o filho nasceu, um vazio tomou conta dela ao sentir o útero oco, mas logo a criança preencheu-lhe os braços, sugando os seios, ávida pelo seu leite, e voltou a sentir-se plena.
Outros vieram, saudáveis, risonhos, queridos, carne de sua carne, sangue do seu sangue. Tudo tão rápido! Logo caminhavam pelas próprias pernas, falavam e pensavam por si. E a jovem mãe continuava a mimá-los, a preocupar-se com seus resfriados, com os esfolados nos joelhos, com os “galos” na testa, com suas roupas, com as tarefas escolares.
A adolescência chegou de repente e eles já não precisavam de sua presença constante, nem de seus cuidados excessivos. Preferiam a companhia dos amigos. Estavam descobrindo o mundo e ela já não era tão necessária como antes.
Um dia seus rebentos deram o grito de independência e, um a um, foram embora. Iam estudar noutras cidades, noutros estados e até fazer cursos em outros países. E ela, sempre contando os dias que faltavam para os fins de semana, para as férias, quando se esmerava nas comidas preferidas e ficava a lavar, passar e a pregar botões nas suas roupas.
Num belo dia, eles se afastaram para sempre de seu convívio. Nem finais de semana, nem férias. Chegara a sua vez de serem pais e mães de seus próprios rebentos. E ela sentia os braços vazios, a casa silenciosa. Convivia apenas com os ecos das vozes infantis que povoaram aqueles espaços e ainda preenchiam seus sonhos.
Mas chegaram os netos, verdadeiros oásis de felicidade no deserto que se tornara sua vida, quando vinham para ela cuidar. Parecia que seus filhos eram crianças novamente e se enchia de alegria. Repetia o carinho, os cuidados e dedicava-lhes imenso amor.
Mas o tempo cruel, roubava-lhe as forças, a saúde, a agilidade e a memória às vezes fugia. O caminhar tornava-se cada vez mais lento e a visão piorava a cada dia. Os braços cansados, já não seguravam o bebê com firmeza, as pernas trêmulas, não obedeciam. Ela já não servia mais para cuidar dos pequenos e babás mais jovens vieram para substituí-la.
O marido, fiel companheiro de tantas alegrias e também dos percalços, faleceu, e a casa ficou enorme, vazia, insuportável. Como um ninho abandonado quando as avezinhas criam asas e alçam vôo para não mais retornar.
Um dia colocaram-na num carro e a levaram para um lugar arborizado, bonito até, mas nele não havia calor humano, parecia um depósito de velhos imprestáveis como ela, e o inverno parecia estacionado naquele local frio, sem vida e sem cor.
Não reclamou. Dava razão a eles. Tinham muito trabalho, faziam muitas coisas e não tinham tempo para gastar com ela. Dos olhos baços verteram lágrimas, mas secou-as rapidamente com as costas da mão para que ninguém visse. Conseguiu armar um sorriso e, num último esforço, levantou os braços e acenou com as mãos deformadas pela artrose e os abençoou: “Vão com Deus, meus queridos, ficarei bem. Venham me visitar quando der”.
E sua vida restringiu-se a longos dias cinzentos de espera inútil. O que ocupava seu tempo eram as recordações. Estas sim, eram fartas, coloridas, e aqueciam e preenchiam seus derradeiros dias e jamais a abandonaram até o último suspiro.
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Texto de Ivana Maria França de Negri
quinta-feira, 6 de maio de 2010
O que seria do mundo sem as mães!
O QUE SERIA DO MUNDO SEM AS MÃES!Plínio Montagner
Mamãe! Mãe! Manhêêê...
São tantos os pedidos: de socorro, aconchegos, apelos, lamentos, abraços e lágrimas.
Cadê meu lanche? Pão com goiabada de novo? Não quero quiabo...
Quantas idas e vindas ao colégio para falar com a professora e levar o livro esquecido. O uniforme limpo. O tênis desamarrado. Pegou o agasalho?
Para os filhos - de qualquer idade, tamanho, profissão e estado civil – as mães não têm aposentadoria.
Filhos marmanjos, filhas casadas, bem resolvidas na vida, para eles as mães não podem envelhecer. Têm de ter a mesma disposição dos seus 20 ou 30 anos. Mãe não envelhece.
É triste, mas muitas mães só são notadas quando suas pernas, braços e coração baqueiam.
Mãe é banco, é supermercado, é conselheira. Filhos pedem, emprestam e tomam coisas – e seu tempo (dela).
Mães perdem maridos, e estes perdem as esposas – porque ficaram mães – e mais tarde, de novo – ficaram avós. Ambos passam a ser acessórios um do outro. Filho é a razão da vida. O resto é resto.
Filhos são sócios do carro e de tudo. Mães são cozinheiras e motoristas sem remuneração. Mais tarde? Que delícia! Continuam enfermeiras e o que sempre foram: babás. Não tem fim!
Mãe não tem idade nem fim; nem filho tem fim. Eles duram muito! Para sempre! Vou contar pra minha mãe! Vou pedir pra minha mãe. Isso não é comigo. Fale com sua mãe.
Mãe! Passei no vestibular! Mamãe, meu namorado... Vou casar. Mamãe, a senhora vai ser avóóóóóó´...
Estou com fome! Quero leite. Começa tudo novamente.
Mamãe, cadê a roupinha do nenê? E vestidinho? O macacãozinho? Tudo é “inho” de novo. Arrumou o lanchinho? E a lancheirinha?
Filhos podem ter 60 anos e as mães jamais esquecem suas idades. Levantam para agasalhá-los. No dia seguinte: Tome cuidado! Dirija devagar.
E agora - Dia das Mães?
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Escritores amigos - Plínio Montagner
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