As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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sábado, 6 de fevereiro de 2010

A chance - Maria Emília L.M.Redi

A CHANCE
Maria Emília M. Redi

Jaime homem resoluto, trabalhador exemplar, mas, extremamente ambicioso.
Vivia para satisfazer suas vontades, pouco preocupando-se
com os sentimentos das pessoas, as quais ele achava – tinham a obrigação de agradá-lo sempre. Não admitia uma contrariedade sequer, fosse no trabalho, fosse em casa, em qualquer lugar era ele quem dava sempre a última palavra.
Era um sujeito simplesmente detestável.
Estava sempre dizendo: – não deixo faltar nada para minha esposa e filhos, lhes dou tudo o que precisam, casa, comida, educação, clube, conforto, enfim eles não têm do que reclamar.
Porém, nunca tinha um minuto de atenção e carinho disponível para sua esposa ou para a prole. Sua preocupação era garantir-lhes o sustento e o próprio padrão de vida.
Vivia para o trabalho. Não podia perder tempo, pois tempo é dinheiro.
Com esta filosofia de vida, não parava nem para tomar um café da manhã em paz. Fazia tudo correndo. Alimentava-se muito mal. Fumava muito.
Enfim, nunca achava tempo para ser, vivia frenéticamente em busca do ter. Era o protótipo de uma sociedade onde a posse de bens materiais dá “status”.
Assim, Jaime consumia sua vida, sua saúde, seus dias...
Quando a esposa o abraçava ele a afastava ríspidamente e dizia:- que é que você está querendo? A esposa dedicada, mãe extremosa, sentia-se como um objeto sem valor, baixava a cabeça e chorava silenciosamente toda a solidão de afeto.
Os filhos, um casal de gêmeos, nunca podiam dar um beijo ou um abraço no pai, sempre arredio a qualquer aproximação, eram com a mãe que encontravam os braços amigos, a palavra orientadora e o que precisavam para compensar a ausência da figura paterna.
Numa manhã de primavera, uma brisa fresca e suave tocou ligeiramente o coração de Jaime, fazendo aparecer em seu rosto o brilho de um bom dia para os familiares, que, boquiabertos, não entendiam nada; mas, contagiaram-se por esta felicidade improvisada.
Os filhos, saltando no pescoço do pai, beijaram-lhe o rosto barbeado, também lhe desejando um bom e feliz dia.
A esposa, agraciada pelo momento de angelical transformação do homem de sua vida, recebeu um terno beijo e um caloroso abraço. Seu coração foi aquecido pela esperança de dias felizes...
Naquela manhã, onde as flores se fizeram mais perfumadas, pela primeira vez em muito tempo, Jaime em aparente felicidade, despediu-se da esposa e filhos para dirigir-se ao trabalho.
O destino já estava traçado.
No meio do trajeto, Jaime sentindo-se mal, perdeu a direção do automóvel e foi de encontro a um caminhão que trafegava no sentido oposto da pista.
Por entre os escombros uma súplica se ouvia :
- Deus! Só mais uma chance!!!
E, Jaime, ainda com vida, foi levado pelos socorristas...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Sétima Estrela - Marisa Bueloni


A sétima estrela
Marisa Bueloni

A você, que me faz tantas perguntas, dedico o texto desta semana. A você, que me escreve tão lindamente, por favor, não pergunte o porquê deste título - “A sétima estrela”. Eu não sei. Surgiu, assim, de pronto, um título profético, mais ou menos como “O segundo sol”, uma música de Nando Reis.

Com o título desta crônica, estou também homenageando um dos meus autores preferidos, Rubem Alves, quando cita “A terceira margem do rio”, um conto de Guimarães Rosa. Não existe a “terceira margem do rio”, Rubem argumenta. Só conhecemos duas, a direita e a esquerda; a de cá e a de lá. E qual é a terceira? Seria a da palavra? A da literatura?

A você que me criva de indagações, deixe-me pensar. Está bem, vou mandar bala. Você também tem veia literária, pois se expressa com clareza e limpidez. Um texto tem de ser claro, ou não alcança o nosso entendimento. E não me refiro à parte cognitiva e intelectual.

Estou sendo clara? Shakespeare disse que “somos feitos da mesma matéria dos sonhos”. E é isso que move cada um de nós nas suas respectivas direções. Quando rompe o dia, algo tem de transformar a base da nossa alma pequenina. Ou não valerá a pena. Se existem mortes e ressurreições à nossa volta, é porque estamos todos imersos no sonho diário de viver. Isso é tudo que importa: viver um dia de cada vez.

Uns assimilam perfeitamente esta proposta e acolhem, fascinados, o primeiro raio da luz nascitura. Até o momento da reverência à sétima estrela que aponta no céu noturno. Tiveram do tempo uma visão apocalíptica, viveram um dia inteiro. Para outros, esta conversa mística constitui um enigma tolo e pedante. Talvez inútil. Uma linguagem de metáforas improdutíveis.

Mas, ah! E quando se entende a profundidade deste tema cotidiano? E quando capturamos a beleza do invisível, a jactância do que nos arrepia, a sensação de que o corpo ultrapassa a si mesmo, qual um cavalo solto na planície? Então, de minha parte, busco vos dar isso: um texto que represente a redenção. Um poema de vida e de morte. Algo muito óbvio, muito evidente, sob nossas fuças, e que não vemos por cegueira absoluta.

Creio não estar apta a responder todas as suas perguntas. Possuo apenas a competência da minha fé, e preservo este dom espiritual como meu bem mais precioso. Para onde vamos depois da morte? Quem me dera saber! Existem crenças e uma delas é que vamos para o julgamento diante de Deus. Nessa hora crucial, espero ter as mãos limpas, um coração puro, sem muita vaidade e um tantão assim de amor.

Você prefere o texto de rasgar o peito, aquele que beija o assombro, ou as respostas? Sabe, sinto uma profunda gratidão pelas palavras. Com elas, me derramo aqui e em qualquer lugar.Há momentos em que elas são: tomate, queijo, maçã. Depois, mudam para: banho, cabelo, creme. Também podem ser: cama, coberta, sono. Mas me pegam mesmo: tílburi; roldana; anacoluto; inconsútil; ameba; catapulta; solstício... E eu desfilaria aqui um dicionário dessa estripulia vocabular.

Nunca sei se há luz demais no meu texto. Se ele escancara uma boca enjoativa de verbos. Se também preciso depurar esta hemorragia textual, excessivamente feérica, recorrendo à estratégia de pintar alguns sombreados, um pouco de penumbra, para que um bruxuleio misterioso o torne mais poético – a conselho dos sábios poetas.

Estou disposta a negociar tudo isso, em troca da beleza a qualquer preço. Aquilo que nos toca a alma: sabedoria, liberdade, inteligência, beleza. Esta última, por exemplo - a beleza –, habita os lugares mais recônditos. Para que ela apareça é uma luta. Quando quer, se mostra, de graça. E há quem perca essa hora divinal, preocupado com as seduções deste mundo.

Eu não. Monto campana. Estou sempre de vigia, esperando por ela. Não dorme quem guarda Israel. Não durmo eu, sentinela das coisas profundas. Começo pelas mais simples, a imagem da menina empoleirada no galho alto da mangueira, aquele no qual se amarrava um balanço de corda, para o corpo balançar o sonho. Acima da árvore, um céu puríssimo.

Eu sonho, meu anjo. É isso que, afinal, você quer ler aqui? Que eu sonho. E partilho essa ousadia com os leitores. Sonhar faz um bem enorme à alma, ao corpo, à mente, à vida. Se vai nos dar longevidade, não sei. Mas acredito que somos feitos da mesma matéria dos sonhos. Ela não amarrota, não enferruja, não cria vincos. E é eterna.

Portanto, uma existência toda vislumbrando o que habita o invisível, lá no fundo do coração, no reino da esperança, e já não se pode baixar a guarda. Ou esquecer o mais importante. Notou como andamos distraídos? Que triste ir embora sem ter visto o essencial! Não permita, Deus, que eu morra sem ter visto a beleza. Ou o segundo sol. Ou a terceira margem. Ou a sétima estrela.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Gatos do Cemitério - Leda Coletti

Gatos do Cemitério
Leda Coletti

O sol daquela manhã convida os gatos a se esparramarem gostosamente sobre os túmulos do cemitério. Há muito que os jornais da cidade apresentam artigos sobre eles. Muitas pessoas repudiam o abandono desses bichinhos pelos próprios donos, nesse recinto de respeito aos mortos.
Ao adentrar nesse logradouro público vi a bondosa senhora alimentando muitos deles. Ela vem diariamente tratá-los. É uma ação paliativa bem o sabemos, mas enquanto as autoridades constituídas não tomam outras providências e os cidadãos não se imbuem de suas responsabilidades frente aos animais adotados, somos gratas a ela. Mas, continuemos a contar o sucedido. Fui deixar uma rosa no jazigo de Jussara e, me surpreendi com o gato amarelo dormindo tranquilo sobre a lápide. “Sossegado como fora a meiga prima”, pensei. Mais adiante, fui rezar para tia Rosa. Não havia iniciado a primeira ave-maria, quando um bichano branco e preto veio ronronar aos meus pés. Como tentei me concentrar na oração, olhando fixamente para o centro do jazigo, ele mais que depressa se colocou em evidência, acariciando as flores artificiais, resvalando o mato que crescia no vaso de cimento. Devagar veio se aproximando de mim. Instintivamente procurei retroceder e, nesse lapso de segundos, lembrei-me da boa tia, do seu carinho pelos gatos, que de certo modo contagiara a todos da família. Também me vem à lembrança, o último que tivemos no sitio. Era inteiro preto e ganhamos de amiga muito querida. Dizíamos que era “gato de madame”, pois mamãe só o tratava com “wiska” e tinha o seu colo e o de todos nós. Era o seu companheiro mais querido e chegava mesmo a dialogar com ele. Mas, talvez por ser acostumado mais no interior de casa, a primeira vez que saiu (acreditamos que atrás de namorada), nunca mais voltou. Desse dia em diante nossa mãe não quiz ter outro. E este lembra bem o Neguinho (era este o seu nome). Bem que gostaria de levá-lo para o sítio. Aqui na cidade moro em apartamento e constantemente viajo. Com quem irei deixá-lo? E,falando em gato de cidade, vale aqui um comentário sobre o desaparecimento dos gatos urbanos. Uma colega ainda não se conformou, pelo fato do seu lindo gato angorá ter sido envenenado por vizinhos! Que estupidez e falta de amor a um bicho amigo e inofensivo! Muitas pessoas se descuidam da castração e de outros cuidados necessários, optando por desfazerem-se deles. Mas retornemos ao “nosso novo amigo”. Apesar do desejo imenso de adotá-lo, não esbocei sequer um gesto de carinho para o “meu pretendente”, pois temia que me acompanhasse. Dei uma de “indiferente”, me afastando devagarinho. Não é que o bichano veio caminhando à minha frente, miando de mansinho, e de vez em quando entreparando e me fitando! Parecia suplicar que o levasse em minha companhia. Nem mesmo sei como resisti firme, sem corresponder aos seus chamegos.Acompanhou-me até o final do quarteirão. Eu segui adiante. Ao dobrar para nova rua, com receio espiei. Ele se encontrava no mesmo lugar. Pensei: “Deve ser o anfitrião dessa quadra e quis ser gentil para mim, visitante”. Fiquei mais aliviada, quando vi a boa senhora que trata os gatos do cemitério, indo em sua direção e ele todo faceiro vir ao seu encontro!Observação: Essa crônica foi escrita no final do século passado, pois nessa 1ª década do novo, a mama já adotamos dois. Um foi o Corisco, que morreu misteriosamente, e no momento temos uma gatinha, a Nanà, a que só sabe fazer carinhos, arranhando todos nós. Nós a amamos muito!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Meus noventa anos! Lino Vitti


MEUS NOVENTA ANOS
Lino Vitti

São raros os felizardos que alcançam, abençoados por Deus e pela vida, aos generosos e apreciados 90 anos de idade, lúcidos, dotados de uma visão feliz, dando para trincar almoço e jantar sem problemas, com possibilidades de ler 4 jornais diários, caminhar, passear de carro levado pelos filhos ou netos, ao lado de uma amada esposa octogenária, enfim vivendo ainda com todos os direitos e atuações advindos de uma vida memorável e repleta de atos e fatos que perlustram os anos.
Incluo-me entre esses felizes viventes humanos. Observo porém que tenho dois dias de aniversário: um, a dezesseis de janeiro, segundo aquela que me gerou e me trouxe ao mundo; outro, segundo registro do cartório de Vila Rezende, marcado em 8 de fevereiro de 1920. Explico: naqueles longínquos tempos, os que nasciam na roça, eram registrados oficialmente semanas depois ou até meses, quando o pai ou algum parente cioso em prestar favores, vinham à cidade para outros fins, aproveitando a oportunidade para passar no cartório do Mario Telles, da Vila Rezende ou dos Godoys aqui na cidade, e oficializar o nascimento. E nem sempre colocavam a data exata, daí o quid-pró-quó.
Pelo sim, pelo não, estou nos noventa anos, e me sinto uma pessoa grata a quem o Criador concedeu vida longa, sem os traumas que em geral acompanham os que desfrutam de idade avançada.
Alguém, entretanto, poderá perguntar se valeu a pena atingir a provecta idade, e ser agraciado por alguma felicidade por isso? Digo que sim, pois correndo os olhos pelos idos de vida, verifico que muito coisa de útil, de valioso, de importante, de necessário, de social, de religioso, de sonhado, de esperado, de realizado, enfim. Verifico que servi quanto pude e me permitiram as forças humanas à sociedade onde vivi,à terra onde nasci, à Fé que os pais me transmitiram, à cultura onde me envolvi, realizando sonhos e realidades, distribuindo os talentos de cultura com que Deus me dotou, criando uma família numerosa, servindo por mais de 40 anos ao povo de Piracicaba, como servidor municipal (Diretor da Secretaria da Câmara de Vereadores),escrevendo(até hoje) prosa e versos para os jornais da terra, dando instrução superior a todos os meus sete descendentes, todos engajados em altos postos da sociedade, unido em matrimônio a uma única esposa (Professora Dorayrthes S. SchmidtVitti), praticando a mesma religião católica, herdada dos pais e da família) respeitando a sociedade e seus lídimos princípios, preservando a própria família unida e amada, vivendo a felicidade de quem faz o bem e cumpre a vontade de Deus.
Acho assim ( devem outros concordar comigo) que vivi muito bem meus 90 anos, e (sem balofo orgulho) digo quiçá, possa ser imitada e melhorada muito por quem vem caminhando atrás. Quem sabe até ela poderá servir de um apagado modelo, o que me traria felicidade e prazer.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Visita ou novela? Plínio Montagner

Visita ou novela?
Plínio Montagner


As visitas estão na rabeira da tabela de qualquer compromisso.
Está com saudades da vovó? Do cunhado? Telefona, e pronto.
Mas, e o contato, a emoção, a etiqueta e o cafezinho que fortalece relações? Para que vão servir aquelas xícaras e talheres maravilhosos?
Visitar faz bem. Não é como conversar ao redor de uma mesa de bar, com barulho e presença de outros.
É bom conhecer ambientes, a decoração e como vivem seus donos. Isso não é bisbilhotar. É como um abraço social.
Visitar parentes próximos, até nossa mãe, a etiqueta ensina: avise, ou não vá, mesmo seja seu amigo de infância.
Trabalhamos em casa, nossa diversão é em casa, o computador é a ferramenta de nosso trabalho, a internet e a televisão nossa diversão impessoal.
A população sai de casa? Sim! para ir aos shoppings, à padaria, ao açougue, à farmácia, ao banco. A conversa minguou. Conversa de rua não vale, no banco é fria e desatenta, no hospital é triste. As visitas ficaram sem espaço e sem tempo.
O abraço escasseou; o sorriso ficou insosso, e a sinceridade duvidosa. Fofocar é divertido, piadas descontraem e falar sobre coisas boas e engraçadas fazem bem. Mas, onde conversar?
Aquelas salas de visitas lindas, com sofás e poltronas caríssimas, só deixam a sala bonita. Mas vazia. Os tapetes raros, as pinturas caras, os outros poderiam apreciar. Coisas belas e raras, e conforto, são como dinheiro, nada valem se escondidos e sem uso.
A cozinha - ah! A cozinha... Que lugar aconchegante era, cadeiras de palhinha do tempo dos nossos avós. As casas deveriam ser assim: uma cozinha enorme que servisse de sala de visitas, de almoço e de jantar.
Salas de jantar? São usadas só no dia de Natal e Ano Novo. Mas até nesses dias elas ficam intocáveis, e as conversas aguardadas - guardadas.
Como o corpo atrofia pelo desuso, a linguagem e a conversa também, ficam chochas. Estamos tão atarefados, e são tantos os compromissos, que perdemos o ímpeto de sair de casa para visitas; além de não ficar bem constranger um amigo, obrigando-lo, talvez, àquele corre-corre para se recompor e arrumar a bagunça dos netos. Daí, a TV liquida o assunto e a visita fica para depois.
Nossa vida ficou longa, mas socialmente breve.
Temos mais coisas, mas menos espaços; mais diversões, e menos tempo, mais amigos, e menos contatos.
Vemos mais os e-mails, o House, a Ophra, o Faustão, novelas e futebol.
Enturmar é preciso. Se as salas de visitas ociosas não acolhem tanto, nos instalemos então noutras mesas e poltronas para não perdermos o hábito de falar.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

TEMPO II - Maria Lucia Prado Almeida


Tempo II
Maria Lúcia Prado Almeida

“ O tempo é a imagem móvel da eternidade” ( Platão )

Da eternidade não temos compreensão. Como entender o que não teve um começo nem terá fim?
Nossa história não responde a grandes indagações. Nós nos situamos num tempo-espaço determinado e na eternidade não há limites. Seremos moléculas num universo que se expande, mas qual a relação entre ele e a eternidade? Nenhuma? Mas nosso tempo está inserido na eternidade.
Na impossibilidade de entender a eternidade, fazer uso da imagem da antiga ampulheta, do vagaroso e inexorável vazar da areia, marca do nosso tempo que se esvai; mas nem do antes de nós, nem do depois, não há ampulheta, não há imagem.Acode-nos a fé.
Ficar com Platão. Baste-nos pensar como o filósofo, ser o tempo a imagem móvel da verdade maior, da eternidade.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O MONGE - Cássio Camilo Almeida de Negri

(desenho de Cassio F.F. de Negri)
O MONGE
Cássio Camilo Almeida de Negri

Incrustado na montanha estava o templo budista, emoldurado pela neve no Butão.
Recém ingresso, o jovem aspirante a monge, vestindo uma túnica ocre alaranjada, tentava meditar .
Com o pensamento borboleteante, sem conseguir o não pensar, pergunta ao mestre:
­ -Mestre, o que devo fazer para conseguir fixar meu pensamento e meditar?
Responde o doge:
-Filho, para isso, pode pensar no que quiser, nas piores coisas, só não pense em um macaquinho de cara vermelha.
O tal macaquinho de cara vermelha de repente tomou conta da mente do rapaz, que não conseguia pensar em mais nada a não ser nisso.
Foi quando percebeu que, ao tentar lutar contra esse pensamento mais força lhe dava e transformava o macaquinho em um gorila.
Lembrou que durante o treino de artes marciais, a técnica era não tentar barrar o golpe do adversário, pois quando se dá um soco no rosto de alguém, a lei da ação e da reação fará com que o rosto possa quebrar sua mão. O conselho é usar a energia do oponente contra ele mesmo.
Procurou não brigar com seus pensamentos e sim transformá-los, usando suas próprias energias. Então sua mente foi tomada por pensamentos horríveis de que com um bastão de luta destruía todo o templo quebrando as estátuas de Buda, os gongos, mesas, altares, rasgava as túnicas de todos os monges deixando-os nus dentro do templo destruído.
Seus olhos negros dentro das pálpebras puxadas da raça mongólica, deita lágrimas conclusivas de que não servia para monge, pois não conseguia controlar seus pensamentos.
O mestre, percebendo e se inteirando do ocorrido diz ao discípulo que ele havia descoberto como meditar, pois destruindo todos os apegos encontraria finalmente o vazio dos pensamentos.
Então, sua mente aquietou-se como águia voando no silêncio do céu.
O aprendiz usou a energia dos maus pensamentos e imaginou que destruindo todos os apegos ficaria sem nada, vazio ,nem mesmo a ser monge se apegaria .
Assim se descobriu...um monge!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Recicriando - Olga Martins



RECICRIANDO
Olga Martins

Antes de deitar, às vezes, vasculho a grande sala sem janelas. Nela , esparsas , as ideias. A sala é um grande vão. As ideias , uma grande confusão.
Antes de fechar os olhos , já deitada, faço uma coleta seletiva ... Aqui, ali, acolá, pilhas...montes...
E, quando o sono é uma realidade, parte do que foi separado se torna reciclado. Posso reconhecer nos sonhos as ideias com nova roupagem.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Chegamos a um novo fim? - Lino Vitti

CHEGAMOS A UM NOVO FIM?
Lino Vitti


Muitos crêem no fim do mundo, muitos não crêem, embora a sua realidade esteja prevista nos evangelhos e textos bíblicos, com a ressalva feita por Deus de que não será pelo dilúvio de águas, despejadas do céu durante 40 dias e 40 noites, não deverá existir novamente a arca salvadora, nem o Noé construtor e dirigente dela, atopetada de familiares e de casais de todos os animais e aves então criados. Não deverá haver novos pássaros em busca do raminho denunciador, nem um Arará em cujas encostas encalhou a nave carregando os últimos seres humanos que a misericórdia divina entendeu salvar, para recompor a humanidade. Uma nova humanidade, aliás, expungida do pecado e dos vícios a que haviam chegado os filhos de Adão e Eva.
O homem e a mulher e seus descendentes haviam alcançado ao máximo da devassidão e o Criador, aborrecido decerto com a criatura pecadora, decidiu em sua onipotência, eliminar o que tão digna e divinamente criara, mas preservando aquele varão exemplar e seus familiares, para que nova e mais pura descendência viesse povoar a terra, depois de havê-la lavado e purificado com as águas lustrais do batismo diluviano.
E assim foi. Noé e seus filhos repovoaram a Terra com seu exemplo de amor a Deus e à sua obra universal. Restaurou-a e tornou-a agradável aos olhos do Criador. Até quando, porém? Lá se vão milhares de anos e tudo pareceu transcorrer segundo os desígnios de Deus, conhecendo, amando e cumprindo seus mandamentos, cada qual preservado uma vida condigna e digna da graça e da misericórdia do Senhor.
Os séculos, entretanto, têm como sua deferência progredir, criar, inventar, modificar, melhorar, ou, ao contrário, piorar a vida, a história, as religiões, os costumes, transformando a beleza divina da vida em malversações humanas, o que quer dizer, afastar-se de Deus, abandonar a Fé, pecar, transformando o santuário da vida em lupanar de desejos imorais, em ofensas à divindade, em fuga dos deveres e da oração, retornando àquele clima de devassidão que já povoou a Terra e provocou as iras do Senhor.
O que vemos e ao que assistimos hoje, é algo a demonstrar que Deus está descontente, que a humanidade está retornando aos caminhos do ateísmo, do pecado, do abandono da religião, e ingressando pelos caminhos tortuosos dos tempos idos, numa demonstração de que o homem continua ingrato, devasso, desarvorado da fé, fugindo cada vez mais dos ensinamentos, mandamentos, favores divinos e se emporcalhar nos lodaçais de uma vida esquecida de Deus, de consciência desatrelada dos conhecimentos e cumprimentos religiosos, de uma vida feita de imoralidades, integrada numa devassidão sem termos .
Não sei possa ser verdadeiro, mas para este tolo poeta e bisonho escrevinhador, todas as desgraças que o mundo hoje mostra, muitas e terríveis, evidenciam que Deus não está contente e que tudo de mal que acontece pode ser sinal desse descontentamento, rumo a novos dilúvios, por água ou por fogo, segundo os desígnios do descontentamento da divindade suprema e justa. Terremotos, inundações, fogo lavrando sem piedade, guerras, desamor, injustiças, horrores de todos os feitios, que serão senão avisos divinos de que a humanidade está caminhando por ínvios atalhos da imoralidade e da falta de crença na sua Eterna Divindade?
Dá o que pensar, sem dúvida.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Falando um pouco de Maria Cecília M. Bonachella


Falando um pouco de Maria Cecília M. Bonachella
Leda Coletti ( maio de 2007)


M. Cecília escreveu o livro “Três Fases” na Primavera de 1978. Ele se assemelha a essa estação. À medida que vamos lendo suas poesias, sentimo-nos como num jardim enfeitado das flores mais belas. Até os pássaros nós ouvimos e muitas vezes um deles, o que canta tão bonito, parece triste nos seus trinados. Associamos esse jardim paradisíaco e o pássaro cantante, à menina, depois jovem e mulher Maria Cecília. A tristeza é uma constante em seus versos rendilhados por linguagem, na mais das vezes suaves, que demonstram grande sensibilidade artística. Eis como a cantou:
“Tristeza/ fui eu quem te chamou para companheira/ Nunca mais poderei pedir que te vás”... O mesmo sentimento é expresso em “O Outro Eu”: “No fundo de mim mesma/ procuro o outro EU. /Esta que ora vive/ é a que sofre./ A outra_ mais feliz_/ essa morreu”...
Apreciei demais o que Mello Ayres escreveu referindo-se à Poesia - Menina de Maria Cecília, nesse seu 1º livro: A escritora Maria Cecília “ anseia escalar o céu, para depois descer ao seu mundo, enriquecida de estrelas”:..São dela os versos que se seguem: “Voltar com elas/ com aquelas estrelas,/ ó Deus.../ Eu preciso trazê-las /para o meu mundo./ Eu preciso trazê-las...” Apesar desses versos serem escritos na sua fase de menina, vejo neles a Maria Cecília que conheci. Foi aproximadamente em 1993 que tive esse privilégio. Plena, na fase madura. O seu entusiasmo pela poesia era latente. Ela realmente trouxe essas estrelas para nós, através de suas oficinas, das quais tive a felicidade de participar de várias. Em cada uma delas, passava esse encantamento para nós principiantes. Sempre valorizou o pouco que fazíamos e incentivava lendo para os demais, versos que compúnhamos. Que felicidade quando descobria tímidas metáforas! Ela que era pródiga nessas manifestações poéticas tão ricas de significado! Algumas, dentre elas, uma que o próprio título já constitui uma preciosidade: “ Balada do lado errado”:...Quanto menor/ a janela/ menos sol/ a entrar por ela./ Quanto maior/ o silêncio/ tanto mais nítida/ a voz interior...Em “Poema” ...Quem pediu à tarde/ que se despedisse/ para o sono? Foi o mar/ com a sua maneira/ delicada de pedir as cousas,/ que roçou meigamente/ as rochas e as dunas/ apagando as luzes”.
Muito generosa para boa parte dos que gostam de versejar, nunca deixou de semear palavras. Eis o que escreveu para os participantes da coletânea Oficina 13, livrete editado após uma das oficinas ministradas por ela. “Bem aventurada palavra/ crivada mesmo/ de enigmas/ Bem aventurados treze poetas/ artífices do verso/ embora cruzes/ cravos/ credos/ permeiem seus caminhos/ e atalhos. Vésperas de luas/ tardes/ ou poentes/ enfeitam seus trabalhos”.
Nestas oficinas ensinou-nos algumas técnicas poéticas, mas sem quaisquer imposições. Frisava que cada escritor tem o seu próprio estilo e à medida que vai tomando gosto e se aprimorando na arte de escrever adquire o seu próprio e escolhe compor poesias com versos rimados, metrificados, ou livres. E, embora em seus dois livros escritos, predominassem os versos livres, nos últimos tempos ela nos brindou com belos sonetos. Um deles, escrito na última coletânea do CLIP, em 2004:
Decisão (2001):
Não vou mais escrever; é minha escolha.
Hei de deixar os meus papéis em branco.
_ Tirem da minha frente - agora!- a folha
ou eu mesma a rasgo, ou então, a arranco.

Qual garrafa ao mar tendo presa a rolha
ou caramujo enrolado, eu me tranco.
Esta mágoa não mais meu peito molha
estou sendo sincera, o gesto é franco.

Já nem mais quero rimas, ser poetisa;
o verso se despede e agoniza
sem remorso. É o que a alma determina.

Não tem lugar no peito, nada inspira.
Não, nada existe: amor, nem ódio ou ira.
Apenas se extinguiu, secou a mina.

Em “Era Uma Vez Um País” seu 2º livro, escrito em 1992, Maria Cecília expressa a sua maturidade poética. Aborda temas gerais, utilizando-se mais da linguagem cadenciada de versos livres, com destaque a rimas e ricas metáforas. Também vislumbramos em suas páginas a mesma inquietação dos anos da juventude, mas como bem disse o príncipe dos Poetas, Lino Vitti “há uma fuga em perspectiva, mas com vontade de ficar”...Diria que foi uma feliz travessia, detendo-se na história do ser humano, nos seus sonhos, erros e tentativas de acertos, testemunhados em:
“Procuro
O tema certo
e não acerto
a imagem
prisioneira de um sonho:
chego perto”.
E como autêntica cristã não deixava de priorizar “o desfecho de paz e vitória / como filme final de bom enredo”.
Muito teria para falar sobre a querida amiga, mas deixarei para outros colegas, que abordarão outras facetas maravilhosas de sua brilhante personalidade.
Ao término dessa página gostaria de homenageá-la através de trovas, pois devo a ela o gosto por essa manifestação poética, despertada numa de suas oficinas literárias. Inicialmente, com a de sua própria lavra, por ocasião do lançamento do meu livro “Ensaiando Trovas e Quadras”, em 2002, e após, as que lhe dediquei na passagem desta vida terrena, para a celestial.

Leda: mais uma conquista
Mais um livro seu de versos
Isso mesmo, Leda, insista
Nesses temas mais diversos.
Homenagem Póstuma à Escritora e Poetisa Maria Cecília M.Bonachella
(extraído do livrete “É hora de trovar”, de minha autoria, 2007)

Ela me ensinou trovar
O amor, paz, dor e alegria.
Mostrou que soube trilhar
A vida com galhardia.

Na Terra foi sol, brilhou
Semeando muita poesia.
Agora no céu virou
Estrela-luz que irradia.

A fé cristã abraçou
na terrena travessia,
morada nova ganhou
Com Jesus, junto à Maria.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Riqueza Lusitana - Carmen M.S.F.Pilotto


Riqueza lusitana
Carmen M.S.F.Pilotto

Mais do que paisagens ou a arquitetura alguns exemplares de Homo sapiens representam uma centelha de esperança na humanidade. Em qualquer lugar que possamos adentrar ao planeta, cruzar com tal espécie em extinção se transforma em registro único, indelével mesmo após muitos anos de uma viagem realizada.
Recentemente em uma ida a Porto-Portugal, tive o prazer de conhecer a linda Igreja da Lapa. Uma senhorinha de impecável avental de cambraia branca adornava os altares com lindas flores naturais para o advento do Natal, a tradicional Missa do Galo. Em nossos espíritos de consumo ocidentalizado não encontramos mais espaço para tal generosidade em um trabalho voluntário que é a mais pura veneração religiosa.
Cordialidade, gentileza e graciosidade estavam em cada gesto das pequenas mãos que alçavam cuidadosamente cada altar trançando ramos e formando os lindos ramalhetes. Só uma alma feminina com tal grau de espiritualidade despojada poderia idealizar cores e aromas apropriados para cada entidade.
As flores brancas para Maria presenteavam a maternidade do filho recém-acolhido aos braços, brindando a criança com a Paz celestial; o vermelho dos antúrios contemplava o Deus da Paixão, sacrificado por amor a seus filhos terrenos. Numa profusão de cores santos em suas atitudes piedosas eram adornados com lírios, narcisos, dálias, crisântemos, camélias, palmas, cravos e outras flores que nem conheço. Espécies maviosas que anteviam as portas do céu.
E as pupilas espiritualizadas contemplavam seu trabalho artístico com a alegria do dever cumprido. Mais do que um dever cumprido, a realização da fé transformada em atos de adoração explícitos, um verdadeiro primor de glória aos céus em plena natividade de Cristo.
Ao observar o grupo de turistas brasileiros liberou-se de sua catarse, sorrindo, começou a apresentar cada nicho com a gentileza peculiar aos portugueses.

Nos três pedidos que a tradição reza que façamos quando conhecemos uma nova igreja inclui um especial para a senhorinha: que mantivesse e propagasse sua ideologia enfeitando a casa do Senhor.
Ali estava sim o mais lindo retrato da FÉ ...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O vício - Elda Nympha Cobra Silveira

O VÍCIO
Elda Nympha Cobra Silveira

Percebi um vulto esquadrinhado no meio da rua coberta pelo molhado da chuva fina, que naquela noite parecia penetrar até nos ossos. Mas aquele moço, alheio até das intempéries, curtido de bebida, olhava algum lugar distante, com os olhos embaçados, como a garrafa de vodka, esquecida na mão direita. Que triste cena! Moço bonito, tão jovem e já dominado pela bebida, a vagar com passos trôpegos, sem se dar conta da vida negativa em que se encontrava, nem que era uma negação de si próprio, como se estivesse sendo atormentado por algum fantasma, que o possuía para tirar proveito e usufruir desse vício.
Mas para minha tristeza, fui reconhecendo o rosto que se escondia por debaixo daquela barba, parecendo estar estranhamente emoldurado pelos cabelos em desalinho. Como se olhasse uma imagem em negativo, a luz esvaída dos postes, fez que se revelasse diante dos meus olhos o filho de uma pessoa conhecida. Emocionada, levei as mãos ao rosto, fazendo um esforço para conter as lágrimas. No meu espanto emudecido passava um turbilhão de imagens fugidias dentro de mim. E meus lábios, escolhendo alguma palavra compreensível, balbuciaram aquele nome, que ecoou, quase como um gemido difícil de escapar: “Renatinho! O que aconteceu com você, menino?Por que está bebendo desse jeito? E os seus pais? Sabem disso? Meu Deus! Olhe como você está...”
Sem perceber o meu desespero, ele passou por mim, andando de forma brusca e com gestos estudados. Eu ainda limpava as lágrimas do rosto, quando ele virou a esquina e desapareceu como se fosse uma sombra.
Dei partida no carro e no retorno para minha casa fui enumerando vários motivos para que aquele rapaz tão alegre e tão meigo, de repente se transformasse num verdadeiro farrapo humano, alguma razão que pudesse ter motivado aquele mergulho na decadência e na miséria moral mais absoluta.
A razão parecia clara: ele não suportava enfrentar a realidade e por isso usava qualquer subterfúgio para fugir . Seria por comparação o leão do mágico de Oz.
Todos temos força suficiente para seguir um novo rumo na vida. Basta amar a nós mesmos! Toda pessoa tem a responsabilidade de cultivar suas qualidades. Elas são como flores. É só ir regando que elas florescem.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Almas gêmeas - Cassio Negri

(desenho de Cassio Fernando F. de Negri)
Almas gêmeas
Cassio Camilo Almeida de Negri

O casal de velhinhos sentado na sala no dia frio, conversava desanimadamente por entre as dentaduras já folgadas nas gengivas murchas, tão murchas, que a porção superior dos dentes artificiais já não parava no lugar.
Via-se um movimento lateral incessante das mandíbulas dos dois nos intervalos das conversas, que um observador não entenderia a razão.
A pele tal qual colcha de crochê cobria aqueles corpos físicos, já quase em fase de transição para a dimensão etérea.
As mãos estavam cheias de manchas roxas, devido a fragilidade dos vasos. Ele noventa e nove anos, ela noventa e cinco.
Nem mais assistiam televisão, há alguns meses queimada, pois não tinham dinheiro para consertá-la.
Começam a conversar, lembrando que àquela hora da Ave Maria, já havia começado a novela das seis, e eles, sem poder assistir. A singeleza da novela de época, levou os pensamentos dos dois a relembrar os velhos tempos passados, os beijos apaixonados, que hoje, nem pensar, ainda mais com as dentaduras soltas. Podiam até engasgar, quem sabe, até morrerem asfixiados.
Entre lembranças e risos, as mentes foram regredindo no tempo.
O frio aumentou, seus pés estavam gelados.
Lembraram as noites de namoro no portão, no banco branco do jardim da praça, o avanço dele, casa adentro, eles no sofá da sala. Voltaram no tempo e lembraram do primeiro baile quando se conheceram. As pedrinhas na janela para acordá-la e lembrar que ele por ali passava...o primeiro beijo...
A noite esfriou ainda mais, tentaram levantar, mas os corpos pesados, sem forças e frios, já não saiam do lugar, por mais que se esforçassem.
Num ato de desespero e esforço, como em um parto difícil, saltam para fora dos corpos e se sentem novamente no calor da juventude.
Somente o gato deitado sossegado no tapete, levantou a cabeça e ficou arrepiado, assustado vendo os dois novamente jovens, de mãos dadas, felizes, correndo em direção a um cone de luz brilhante.
E o gato?Ah, o gato velho, ficou sem dono...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Agradecimentos


O Grupo Oficina Literária de Piracicaba - GOLP - agradece todos os recadinhos de incentivo postados neste blog.

O objetivo principal , que é a divulgação dos textos literários produzidos durante as reuniões do grupo, foi atingido com êxito.

O blog também está aberto a colaborações de outros escritores que não pertençam ao grupo, pois quem escreve almeja ser lido e publicado.

O Golp é um grupo que se dedica somente à prosa (contos, crônicas, artigos).

Em menos de 4 meses de criação, o blog do Golp recebeu cerca de 5000 acessos - pena que o cronômetro zerou quando estava com quase 2 mil visitas e ficou marcando a menos. Mas o mais importante é a divulgação das ações do grupo e dos textos produzidos.
Que 2010 seja um ano de muita PROSA!!!