As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Golp - reuniões 2010

As reuniões do Golp são sempre às segundas-feiras, sendo uma na segunda segunda-feira de cada mês, realizada nas dependências da Biblioteca Municipal (rua do Rosário, 833) às 19h30 e a outra, na última segunda-feira de cada mês, na Casa do Médico ( av. Centenário, 546) no mesmo horário.

Fevereiro

Dia 8 - Biblioteca
Dia 22 - Casa do Médico

Março

Dia 8 - Biblioteca
Dia 29 - Casa do Médico

Abril

Dia 12 - Biblioteca
Dia 26 - Casa do Médico

Maio

Dia 10 - Biblioteca
Dia 31 - Casa do Médico

Junho

Dia 14 - Biblioteca
Dia 28 - Casa do Médico

Julho
recesso

Agosto

Dia 9 - Biblioteca
Dia 30 - Casa do Médico

Setembro

Dia 13 - Biblioteca
Dia 27 - Casa do Médico

Outubro

Dia 11 - Biblioteca
Dia 25 - Casa do Médico

Novembro

Dia 8 - Biblioteca
Dia 29 - Casa do Médico

Dezembro
recesso

Anos sessenta


ANOS SESSENTA
Ivana Maria França de Negri

Folheando o livro do amigo Ludovico, “Diário de Um Ano Bissexto”, descobri que o dia 30 de janeiro é o dia da Saudade. Como se fosse possível sentir saudade só num determinado dia do ano! Ela pousa em nosso coração sem ser chamada, quando menos esperamos. Às vezes machuca, incomoda, mas na maioria das vezes é muito agradável.
Quem já passou dos quarenta e vivenciou o apogeu da mocidade nos anos sessenta, lembra-se muito bem daqueles anos incríveis, pincelados com as tintas róseas da juventude. Sonhadores e românticos, testemunhamos o movimento hippie, os protestos contra a ditadura e os costumes da época, a chegada do homem à Lua, o lançamento da nave espacial Vostok, que colocou no espaço o primeiro homem, Yuri Gagarin, pois na década anterior, o Sputnik só havia feito o trajeto com cães e macacos. Marcou também o surgimento do videoteipe - antes todos os programas eram ao vivo.
Era o auge da moda da minissaia e da calça boca-de-sino, dos cabeludos que se confundiam com as meninas quando vistos de costas, do sabor azedinho dos dropes Dulcora que a gente levava para saborear no escurinho do cinema e dos bailinhos e brincadeiras dançantes – a gente dançava de rosto colado, ao som do rock and roll. As meninas tinham pavor de tomar “chá de cadeira” e sempre existiam as mais disputadas que não paravam de dançar.
Todo mundo tinha suas coleções de discos de vinil, os “bolachões” negros que a gente chamava de long-play, ou simplesmente LP - nossa, como isso soa antigo!
Foi a época de ouro da Jovem Guarda, da Tropicália e de outros movimentos de rock e música popular. Bons tempos, tudo tão inocente, escrever diários às escondidas, driblar as freiras no colégio que proibiam as meninas de usar esmalte vermelho. Não podíamos nem pintar os olhos com lápis preto, quanto mais usar as “indecentes” minissaias.
Guerras no mundo, sempre houve, e o garoto que foi à guerra do Vietnã e amava os Beatles e os Rolling Stones, foi o símbolo da geração “Paz e Amor”, do “faça amor, não faça a guerra”, a liberdade sexual apenas começando.
Muita gente nem acreditou naquelas imagens do homem pisando em solo lunar. Como era possível aquilo? E a Lua dos namorados e dos poetas nunca mais foi a mesma.
Os festivais de música popular descobriram talentos que até hoje continuam fazendo sucesso. Não eram artistas “produzidos” e apadrinhados como acontece atualmente, esses cantores fabricados que se tornam descartáveis em tempo recorde, e sim artistas de verdade, nascidos com dons musicais e talento indiscutível.
Os anos sessenta não foram melhores nem piores que os anos cinquenta, setenta ou noventa. Apenas são lembrados com emoção por quem viveu seus anos dourados naquela época, pois dourados serão sempre os anos da nossa juventude. Ai que saudade...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Uma poeta à procura da Poesia

Uma poeta à procura da poesia
Marisa Bueloni


Nem o computador “aceita” que poeta seja substantivo feminino (como ocorreu no título, “uma poeta”). A frase recebe aquele risquinho verde sublinhando os termos. Ah, se eu fosse ligar para o gênero, o número, o grau e a sintaxe do computador! Não escrevia uma linha.
Não existe mulher poeta. Machismo aceitável? Vá lá. O termo “poeta” é substantivo masculino. Mulher é “poetisa” e acabou. Mas parece haver o mito de que, quando a mulher é muito boa na poesia, então ela tem permissão para ser chamada de poeta. Do contrário, continua poetisa. Adélia Prado, por exemplo, já virou poeta. Assim como Florbela Espanca. E tantas outras que chamamos simplesmente de “poetas”.
Sou alguém à procura de uma poesia que mate minha fome e aplaque minha sede. E permita-me, numa divertida molecagem, escrever “poeta” no campo dos formulários onde se pede o quesito “profissão”. Com toda humildade. Perdão, Drummond! E também porque registrar-se como “poeta” sempre desperta algum tipo de espanto, causa uma curiosidade agradável.

Uma vez, era noite, eu voltava da faculdade e uma moto bateu atrás do meu carro. O rapaz vinha em alta velocidade e a namorada, na garupa, foi atirada ao chão, batendo a cabeça. Prestei socorro e levei a moça ao hospital. E tive de fazer um Boletim de Ocorrência. O escrivão perguntou: “Profissão?”. Respondi: “Poeta”. Ele digitou lá. Quando terminamos tudo, chegou para mim, todo respeitoso, e disse: “É a primeira vez na minha vida que faço um B.O. de poeta”.

De qualquer forma, preciso de uma poesia que conte coisas, as que vão além dos boletins da vida. Que me despedace por dentro, porque preciso chorar. Uma poesia na medida exata de loucura e de lucidez. Quero narrar num poema que a xícara sem o pires é de uma solidão só. Que um vasinho de violetas foi visto caindo da janela sem peitoril. Ninguém entendeu ainda que certos elementos reclamam os seus pares, seu suporte e seu apoio.

Sabe aquela poesia que pergunta assim: onde estavas quando eu crescia sem parar? Ou ainda: como terminam seus dias as pessoas que não vemos mais? E também: o canário não liga se é abril; eu ligo. E formalizar num poema um gesto consolador: assim como fazer um sacrifício, carregar o esquecimento por ofício.
Quando é o tempo da poesia? Não sei... Nem sei mesmo quando é chegado o tempo exato das coisas. Ouço dizer: tal fruta tinha sua época, agora dá o ano inteiro. Quem sabe a gente plante um pé de quadras, para colher rimas três vezes por ano?
Lá fora, o mundo é dos que riem, certamente. E é preciso deixar de ser poeta da melancolia. Mas se chegar o tempo de ser triste, paro e peço um café, tomo um cálice de vinho, puxo dois dedos de prosa, me viro, compadre. Se vai doer, se será penoso demais, deixo para pensar depois. Depois que tiver passado este pesado tempo de ser triste...
Que situação sem saída, meu Deus, é um poeta à procura da poesia. Nem com todo o dinheiro do mundo. Nem sabendo como Noé construiu a arca daquele tamanho. Existirá o prodígio que celebra todas as coisas numa só? Onde pulsa a palavra que une os céus e a terra? Em que página habita uma estrofe de salvação? Quero vos dizer, caro leitor, que estou à procura disto e gostaria de vos dar de presente algo que valesse a pena neste mundo decaído.
Ah, eu queria vos entregar um texto fatal. De rasgar a alma e sangrar o amor. Um poema, súbito e dócil - ou aquele dificílimo de achar, escrito à foice. Venha esta poesia em chagas, venha o verso que é uma rosa orvalhada e, neste amálgama de dor e alegria, brote um lenço branco para acenar na plataforma da vida. Como eu queria estar lá.
Não sei se luto para escrevê-lo, até a morte, ou desisto. Escrevê-lo, no pressentimento da beleza a minha volta. No silêncio das folhagens paradas, um astro riscando o céu noturno, acendendo a antiga profecia. Quando? Quando o retrato da parede fala comigo; quando é meia-noite; quando julgo ter encontrado todas as respostas ou quando passo perfume?
Ah, que sublime é procurar pelo momento. A que horas, meu amor, é hora de escrever um poema?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SOBREMESA (Microconto)

Sobremesa
Carmen M. S. F. Pilotto

Maria ofereceu o lábio sequioso de ternura. João absorveu o gesto e deliciou-se da fruta madura.

O cravo de bronze e a borboleta ferida

O cravo de bronze e a borboleta ferida
Maria Iraci Pinto

Era uma vez um lindo cravo vermelho, que num dia de janeiro desabrochou para a vida em um jardim público, mas um desses artistas excêntricos da modernidade derramou sobre ele uma fina camada de uma mistura de bronze e líquido para imortalizar-lhe a beleza, transformando-o em uma estátua muito bonita.
Por um desses mistérios, que a mente humana jamais desvendará, o coração da planta não endureceu e nem desapareceu o seu perfume, assim, quanto mais triste o cravo se sentia, mais seu perfume se espalhava pelo jardim. Porém, em seu íntimo, ele se tornou frio, e em sua tristeza solitária, sentia em seu interior um prazer mórbido vendo as abelhas e borboletas confundir-se e buscar em suas pétalas condensadas, o néctar que já não existia.
Foram longas manhãs desse prazer vazio com o engano das abelhas e borboletas, e a agonia com o descaso dos pássaros que faziam questão de ignorá-lo.
Até que numa ensolarada manhã de um sábado de verão, caiu sobre as pétalas rígidas do cravo de bronze, uma linda borboleta cor de ouro escuro com listras marrons, e ele percebeu que ela estava machucada, com as asas quebradas.
A pobre borboleta se debatia tanto tentando alçar vôo e bailar no ar como as outras borboletas, que o frio coração do cravo começou a doer, e ele chorou, derreteu o bronze, e formou-se uma película da camada de bronze que colou as frágeis assa do inseto ferido.
Num ímpeto, a borboleta pensou em voar, mas vendo o lindo cravo de bronze, estático, que tristemente exalava sua fragrância no ar, voltou e pousando em sua pétala chorou também.
Então um anjo, que voava por ali, bateu as asas fortemente e o vento que esse gesto provocou, secou as lágrimas deles e a película de bronze que se formou, endureceu, colando para sempre a borboleta e o cravo.
Até hoje, ninguém sabe o nome do escultor que fez esta proeza, criando esta nova obra e questionam: seria Deus ou o Amor?
Pensem, humanos...pensem...

Águas de Janeiro

ÁGUAS DE JANEIRO
Leda Coletti

A tarde está quente, sem qualquer brisa. Pudera, é janeiro, mês das águas!
Não passa um dia sem cair uma pancada de chuva. Os campos estão encharcados e as estradas rurais dos sítios mais parecem pistas de patinação de barro, tanto para os pedestres como para os veículos. Os canaviais com novo viço exibem um verde reluzente; gotículas prateadas balançam em suas folhas.
Os rios estão cheios com águas barrentas que cobrem pedras e invadem as areias das prainhas. Elas carregam galhos de árvores e o lixo plástico, decorrente da cultura contemporânea e da miséria instalada às suas margens. Ali perto elas se avolumam e provocam catástrofes, invadindo e perturbando a vida de pobres e ricos indistintamente.
Nesse verão, água e sol estão disputando o seu espaço. Há momentos que ambos aparecem, como está acontecendo agora. A terra está avermelhada assim como o asfalto das cidades coberto pela lama.
Um tímido arco-íris forma uma ponte colorida tentando aproximar as águas dos riachos com o sol. Estas continuam seu caminho, velozes e alheias à vontade e ao sofrimento humano, em direção ao mar.
O sol se escondeu. O vento chega forte e balança as árvores e canaviais, trazendo presságios de novos estragos aos moradores da cidade. O que antes era dourado, virou escuridão.
Nova pancada forte chegou !

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Microconto - Viagem

Viagem
Rosaly Ap. Curiacos de Almeida Leme


Saiu sozinha e voltou consigo mesma.




Navigare necesse est...


Navigare necesse est...
Richard Mathenhauer

Matando o tempo, antes que o tempo me enterre (lembrando Machado de Assis): assim fiquei navegando neste mar não menos perigoso, que é o mar "virtual". Porque também neste mar se faz preciso navegar... talvez viver não, embora, neste mar, naveguemos para viver, por viver! E Eu queria viver e por isso navegava.
Então, num Bojador qualquer você surgiu com seus olhos azuis, e fez-se azul o céu desta tarde nublada do primeiro dia. Dois olhos azuis como se fossem o céu pousado sobre mim, não o céu de Bandeira, que Bandeira só fez pôr no papel o que o Coração sentia. E é assim mesmo, sentia como se o Céu nos (me) olhasse...
Uma pena que, assim como o céu se anuvia, os seus olhos se fecharam e se foram... Não digo que fiquei à deriva, porque voltei, e estou aqui, e escrevo. Eu penso agora é em jogar garrafas com mensagens (a quem? A um nome, e que é um nome?), como faziam os náufragos, porque naufraguei no azul dos seus olhos, que não são apenas do Céu - agora o sei -, mas deste imenso Mar Português!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amizades

Amizades
Dorayrthes S.S. Vitti

Sentada no banco, sob meu caramanchão, aspirando o perfume das flores do jardim, observava o céu azul onde nuvens brancas passavam, ora firmes como flocos de lá, ora desfazendo-se vagarosamente.
Meu pensamento voou longe, bem longe, tão distante trazendo lembranças de quem passou pela minha vida.
Amigas de infância tive muitas, Companheiras dos brinquedos e das aulas escolares.
Vieram as companheiras mais velhas compartilhando das horas boas e más, horas de tristezas e alegrias. Aconselhando-se, confortando-se e até chorando juntas.
Ainda tenho muitas amigas da minha idade e por incrível que pareça outras mais jovens. Digo sempre : adoro estar no meio das jovens senhoras trocando experiências de vida, eu já idosa e elas na flor da juventude com idéias das quais eu também já tive.
Outro dia mesmo fomos a um chá da tarde e nos deliciamos na sombra das árvores. Esquecemos dos maridos, dos filhos, dos problemas da casa. Foi delicioso, um luxo.
Já tivemos um grupo que se reunia em casa de uma e de outra. Que saudade, Du! Será possível fazer isso de novo?
Muitas amigas já se foram junto a Deus, outras continuam neste mundo. De todas que já partiram, tenho certeza estarão gozando da felicidade eterna. Duas delas foram muito especiais. Amigas das quais jamais me esquecerei e se Deus me ajudar espero estar um dia com elas no Paraíso.
Foram verdadeiras heroínas. Maravilhosas, lindas, anjos escolhidos por Deus para nos deixar exemplos e sabedoria. Não consigo deixar de dizer os seus nomes: Mabel e Olívia, recebam minhas homenagens e afeto.
Deixemos de tristezas e falemos de coisas mais amenas.
Sete amigas ainda meninas brincavam juntas em nossa casa, no quintal e nas calçadas (naquele tempo ainda podia). Já jovens continuaram a participar de festas, cinema, matinês, carnaval e até namoriscos.
Assim passaram junto com o tempo. Hoje, adultas, casaram e cada qual tomou o seu rumo. Outras casaram, tiveram filhos, hoje já adolescentes.
Continuam um grupo de lindas mães que nem parecem casadas e mais jovens do que são.
Essa amizade que dura 40 anos continua ainda hoje. Reúnem-se quando podem numa gostosa tarde e parecem um bando de papagaios rindo e falando.
Sinto-me orgulhosa dessas jovens.(Para mim são sempre jovens) porque dela fazem parte minhas duas filhas queridas: Lina e Rita.
Fica aqui minha homenagem a: Leni, Iana, Liliam, Sandra, Rita, Lina e Bernardete.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sarau Literário Piracicabano - calendário 2010


Recado da Ana Marly

Cronograma do Sarau Literário Piracicabano/2010
(sempre às terças-feiras, na sala 2 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto)


09 de fevereiro

16 de março

13 de abril

18 de maio

15 de junho

13 de julho

17 de agosto

14 de setembro

16 de março

16 de novembro

14 de Dezembro

Taça de cristal


Taça de Cristal

Leda Coletti

Saíam borbulhas da taça de champanhe e, por segundos, Tânia esqueceu o salão de festas onde se encontrava, os companheiros da mesa reunidos para o “reveillon”. Reviveu o passado.
Como a taça de cristal tão transparente, os momentos bons afloraram com muita nitidez. Talvez isso aconteceu, por terem sido tão poucos. Mas eram diferentes dos que jaziam no fundo da peça. Pareciam pesados e não se movimentaram. Trocou-a por outra e nesta só enxergou situações novas e agradáveis.
Acordou desse doce enlevo, quando alguém a chamou pelo nome. Assustou-se, quando sua colega sentada ao lado apontou-lhe o vestido novo, todo molhado. Entornara nele quase toda a bebida da taça. Não se importando muito com o ocorrido, volta sua atenção para o alvoroço da orquestra e a alegria de todos os presentes. Conta em voz alta com os demais, os minutos que restam para o raiar do novo ano.
Nos cumprimentos eufóricos dos participantes para saudar os primeiros minutos, dos trezentos e sessenta e cinco dias que aconteceriam , sobressaltou-se, quando o viu à frente.
Abraçaram-se. Não se lembra de tê-lo visto antes no clube, mas num relance, sua intuição feminina vislumbrou dias felizes no futuro. Selaram aquele inesquecível encontro, bebendo champanhe nas taças de cristal.

domingo, 3 de janeiro de 2010

As pessoas podem mudar...

As pessoas podem mudar...
Leda Coletti

Tinha um ar humilde nas mínimas ações. Procurava servir a quem dele se aproximasse. Até parecia adivinhar os desejos das pessoas. Quando convidado para uma festa, cerimônia social ou religiosa, não pestanejava e se preciso fosse arregaçava as mangas e se dispunha a qualquer trabalho. Fiquei sabendo por algumas pessoas que em certa ocasião foi em surdina matricular no curso preparatório para vestibular um rapaz inteligente, mas sem recursos financeiros. Isso ocorreu quando adulto e em boa situação econômica, acompanhava um trabalho comunitário num dos bairros periféricos e ficou conhecendo esse adolescente estudioso e capaz. Hoje este é pessoa de destaque na área econômica do estado.
Nas horas em que não vivia para seu negócio, ou os trabalhos sociais, entregava-se ao seu hobby predileto: cuidar do seu jardim. Nele se destacavam lindas rosas, lírios, margaridas, crisântemos, folhagens no meio do gramado verde que se estendia à frente da espaçosa e confortável residência, onde vivia com a esposa rodeado dos netos.
Mas afinal quem era esse cidadão tão exemplar que todos admiravam?
Sua trajetória na juventude não seguiu esses mesmos passos. Filho de pais pobres, favelados e separados, logo cedo aprendeu o caminho das drogas, convivendo com moleques de rua, com histórias parecidas. Participou de pequenos roubos, geralmente em supermercados, para matar a fome; até de um assalto participou funcionando como “olheiro”. Chegou a ser preso e novamente em liberdade teria continuado nesse caminho, se não encontrasse um anjo protetor, na pessoa de um voluntário preocupado com a juventude abandonada. Este o levou para uma fazenda, onde pessoas abnegadas cuidaram dele, com muito amor e o transformaram nesse cidadão respeitável. Alguém mais atento teria percebido no seu gesto de dar oportunidade àquele jovem e a outros que beneficiou, buscando sempre promovê-los, o agradecimento por ter tido um dia, uma pessoa amiga que lhe estendeu as mãos e fez dele um homem bom e feliz.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Microconto

O ATOR
Jaime Leitão

Transformou-se nos seus personagens e desapareceu de si.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Por um momento...


POR UM MOMENTO...
Ivana Maria França de Negri


Por um momento eu era o sol, iluminando as trevas, espargindo luz e abraçando calorosamente todos os seres vivos.
Por um momento eu era o pássaro, asas diáfanas em leque, planando no céu azul e observando tudo do alto, nada me atingindo pois estava acima das nuvens.
Por um momento eu era o peixe, dominando as águas, nadadeiras ágeis, submerso nos verdes e azuis dos rios e oceanos, serpenteando nas águas serenas das lagoas.
Por um momento eu era a larva, perfurando túneis, me arrastando nas profundezas da terra, aguardando o tempo da grande metamorfose.
Por um momento eu era a árvore, raízes emaranhadas no solo, tronco suculento, um organismo vibrante onde corria a seiva que alimentava as folhas e as flores.
Por um momento eu era tudo e ao mesmo tempo era nada. Sem corpo, liberta da matéria, apenas etérea fagulha de luz, essência divina a trilhar caminhos milenares.