“Eu
só sei que nada sei”
Ivana Maria França de Negri
Essa frase
antológica é atribuída a nada mais nada menos do que a Sócrates, um dos maiores
filósofos que a humanidade conheceu.
Passava noites em claro estudando, lendo, tentando desvendar enigmas
complicados. Entrava em estado de arrebatamento
e sua mente efervescia.
Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse fazendo,
ficava imóvel por horas, meditando sobre algo que pretendia decifrar. Certa vez
o fez descalço sobre a neve, segundo os escritos de Platão, sem perceber que
seus pés estavam congelando.
Num desses
momentos de transe, Sócrates criou a célebre frase “eu só sei que nada sei”,
pois quanto mais se aprofundava nos estudos, via o quão pequeno era diante da
grandeza da Sabedoria Universal, das verdades atemporais. Sua sabedoria
despertou a inveja dos poderosos que o acusaram de corromper os jovens e foi
condenado a beber cicuta, potente veneno, sua pena de morte.
Quando vejo
pessoas que, por terem algum estudo, se acham num patamar acima das outras,
penso que essa arrogância denota que nada aprenderam. Os maiores sábios da
humanidade eram extremamente humildes.
Essa é a prova de que são realmente sábios, a humildade.
Lembro
perfeitamente de quando eu tinha sete anos, já alfabetizada, sabendo ler, escrever e fazer contas, na minha tola e
pueril arrogância, pensei que já sabia tudo, e achava que nos tantos anos
escolares ainda pela frente, nem teria mais o que aprender! Só quando os anos
vão passando é que a gente reconhece nossa imaturidade e ingenuidade e o quanto
ainda temos de aprender. Até o último dia de vida, estaremos aprendendo.
Ninguém sabe mais
do que ninguém, apenas estão em estágios diferentes de aprendizado. E não são
apenas os bancos escolares que ensinam, a Vida ensina muito mais! Se não
aprendemos pelo amor, teremos de aprender através da dor. A dor, sábia mestra, faz
a vida parar, e todas as coisas inúteis passam para segundo plano. É a hora do
despertar, quando a pessoa passa a se olhar por dentro, procura sua essência e
quer se encontrar, decifrar os porquês da existência, e por isso ela cresce e
evolui.
Os maiores sábios
da história, Jesus, Buda, e santos como São Francisco, eram humildes, mesmo com
sua vasta sapiência.
Se formos
comparar, sempre haverá alguém que sabe mais e alguém que sabe menos do que a
gente. O que ainda está na ignorância, vai aprender mais cedo ou mais tarde,
pelo amor ou pela dor. É a Lei Universal da evolução. E a cada passo do saber
que se dá, não se volta mais ao anterior.
A poetisa Cora
Coralina muito aprendeu com a vida e é a autora da frase:” Feliz aquele que
transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Ela via a educação como uma troca
enriquecedora, pois quem ensina não apenas transmite conhecimento, mas aprende
também, ao interagir com o outro.
E concluo que não
importa o quanto sabemos e sim o que fazemos com o saber. Jesus ensinava
através de parábolas, historinhas que chegavam ao coração daquelas pessoas
simples, histórias que falavam de semeadores, de pescadores, de tudo o que eles
entendiam. Platão era discípulo de Sócrates e Aristóteles foi discípulo de
Platão, santo Agostinho adaptou a filosofia de Platão para a doutrina cristã; e
assim, sucessivamente, a sabedoria universal foi sendo repassada para as
gerações. Quem sabe e guarda para si é egoísta, e toda sabedoria que adquiriu, será
inútil e desperdiçada.








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