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domingo, 27 de setembro de 2009

Coisas de criança
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

Encontro-me no Rio do Sul, Santa Catarina. Não tenho lido muito durante este período como gostaria. No entanto, tenho contado e ouvido as mais variadas histórias, todas estimulantes.
Ao lado dos meus netos não sinto o tempo passar. São horas e horas de comprometimento e muita energia. Novidades não faltam. Saímos a passear quase todas as manhãs, exceto nos dias de muito frio. A cidade é tranqüila e hospitaleira, o povo educado e atencioso. Durante as andanças vamos “pesquisando” e descobrindo coisas interessantes.
Gabriel, com cinco anos, é um garoto alegre e curioso. Pergunta sobre tudo e espera por boas e verdadeiras respostas. Temperamos as atividades sérias com brincadeiras do “faz de conta”. Às vezes ele inventa que é turista e se põe a falar em “outro idioma” Faz-me bem presenciar sua participação espontânea, é bonito ouvi-lo falar “cantado” com o sotaque e a forma de linguagem da região sul. Geralmente, ele vai pilotando sua motoca, com diz, e eu vou empurrando o carrinho de bebê com uma linda princesa a bordo. Isadora é seu nome e nos seus cinco meses já ri à solta, principalmente quando Gabriel graceja ou lhe faz micagens. Se alguém se aproxima e nos sorri gentilmente, ele se apresenta e diz:_ “Esta é minha mana Isadora , eu protejo ela. Tu não sabes?”
Tendo acompanhado a gestação de sua mãe, acabou assimilando que em toda grande barriga existe um nenê. Outro dia, no elevador, olhou surpreso para um senhor muito barrigudo. Perguntou-lhe de supetão: “-Tu estás esperando bebê?” O “grávido” não teve reação... Gabriel, por sua vez, completou: -“O da minha mãe já nasceu!”
Numa manhã morna, convidativa, e céu bem azul, saímos a caminhar com o propósito de examinar os jardins da redondeza. Mostrei-lhe uma bromélia florida e disse a ele que seu avô gostava muito daquela planta/flor... Argumentou prontamente: -Eu também, vovó. Adoro suco de bromélia! Admirada, percebendo algum “mal entendido” disse-lhe que nunca provara tal suco e gostaria de experimentá-lo. Com o semblante iluminado respondeu-me: -“ Vou pedir à mamãe para preparar um suco para ti.”
Voltamos para casa, como eu havia desconfiado, tratava-se do suco de graviola. Gabriel, sem qualquer constrangimento encerrou o episódio:
“Mas, são nomes parecidos , tu não achas, vovó?”
Um dia desses, ao atravessarmos uma pracinha demos de frente com uma senhora muito loira, toda vestida de preto, inclusive o gorro e as luvas e óculos escuros. Aguçado pela curiosidade, Biel, como às vezes o chamamos, dirigiu-lhe a palavra: -“Tu és espiã?” Rimos as duas, tomadas de espanto. A “espiã”, com certeza uma criatura sensível e segura atuou de forma simpática e convincente. Dirigiu-se a ele com semblante misterioso e perguntou: -“ Como tu sabes? Como adivinhaste que sou espiã?”
Perplexo, num misto de temor e felicidade pela sua “tremenda” descoberta, respondeu rapidamente: -“Ah! Pelo seu jeito, sua roupa, está na cara!”
Pois saibas, guri, eu estava te espionando e descobri que és um menino inteligente e espirituoso. Gostei muito de ti, muito prazer!
- Obrigado, “Espiã”! Mas, o que é espirituoso?

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