As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto


Ouvindo e refletindo com Ignácio de Loyola Brandão
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto

(abril/2009)


Brilhante a idéia do SESC de comemorar os vinte anos do Grupo Oficina Literária – GOLP trazendo o escritor que deu origem ao projeto com suas oficinas criativas. O SESC tem incentivado a ARTE em Piracicaba com programas de alta qualidade em todos os segmentos, o que só contribui com a população no desenvolvimento das potencialidades espirituais de cada um. Especificamente sobre o Loyola, que abordou o tema Memória, percebemos em suas reflexões como todo artista é parecido na alma. Pelas afirmações dele trazemos em nosso interior muito de nossos entes queridos e somos, em grande parte, reflexo da aldeia de onde viemos ou estamos. A maturidade do artista, que sempre viveu de literatura, confirma-se na constatação de que tem grande pretensão de escrever livros infantis para melhorar a qualidade intelectual das crianças brasileiras – sábia decisão. Particularmente, me senti especialmente comovida quando o escritor revelou uma lembrança de seu avô que havia esculpido um carrossel. Imediatamente me transportei para minha própria história, meu avô Paschoal, de apelido Nhô Ca que foi também um fabricante de alegria na cidade de Tietê. Homem criativo e de muitos talentos, não teve oportunidade nos estudos, entretanto, confeccionava em sua oficina toda espécie de artefatos para Parques de Diversão: gôndolas de roda-gigante, cavalinhos e carrinhos lindos para carrossel, cadeirinhas para o brinquedo chapéu mexicano e outros. Nós, os netos, adorávamos porque tínhamos entrada permanente nos parques. Além de confeccionar, se ocorria algum problema nas engenhocas, lá ia meu avô para sanar a questão. E não era só isso. Na casa dele, todos os utensílios eram de sua própria manufatura: a máquina de lavar-roupas, o ventilador, o liquidificador, o chuveiro e tudo mais. Como se não bastasse, confeccionou uma ferramenta especial usada para limpeza das ruas de pedras da cidade evitando que os senhores se curvassem constantemente. Até hoje, engenhos para mexer tachos de doce são utilizados nas docerias da cidade. Uma das peças mais raras de seus engenhos foi certamente um carro que ele construiu. O fato se tornou notícia que mereceu destaque na Folha de São Paulo, edição de 7 de abril de 1962: “Com as próprias mãos pedreiro construiu carro – Ser pedreiro não é obstáculo para quem deseja construir um automóvel... Basta firmeza de propósito, meia dúzia de ferramentas e o uso das próprias mãos.” O carro de Nhô Ca, motor Ford, chassis Lincoln e uma carroceria que projetara foi atração por muito tempo e até transportou pessoas famosas, como Adhemar de Barros quando esteve em Tietê. Assim, Loyola, concluo que todas as famílias e aldeias se parecem, trazemos muito do código genético de nossos ancestrais. Aqui, lá e acolá nossos corações são repletos de afetivas e saudosas memórias que precisam virar palavras escritas, como disse você na palestra, para registro apropriado de nosso tempo...

2 comentários:

Daniel Henrique (Cuco) disse...

Olá Carmem, em pesquisa no Google sobre Nho Cá, encontrei esta postagem e fiquei muito comovido ao ler sobre nosso grande vovô Nho Cá!
Somos primos, meu nome é Daniel, meu pai é o João Henrique. Se tiver alguma foto dela ou da vovó Maria se puder me enviar ficarei muito feliz!
dhnsilva@gmnail.com

Daniel Henrique (Cuco) disse...

Olá Carmem, em procura no google sobre Nho Cá, encontrei essa sua postagem e me emocionei ao ler histórias sobre vovô Nho Cá. Somos Primos, meu nome é Daniel sou filho de João Henrique!
Se tiver alguma foto ou lembrança dele ou da vovô Maria e puder me mandar eu agradeceria muito. Manda um abraço para tia Dulce e tio Zé.
dhnsilva@gmail.com