As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal!



            Se você me permite, hoje quero falar de saudades, em meio das festas.
            Quando chega o Natal, ...eu sinto uma pena enorme de ter crescido,
porque o Natal é festa da inocência.
            Olho, então, para trás e vejo que fui deixando pelas esquinas da vida muito de minhas crenças, fantasias, esperanças, alegrias pueris.
            Mas, o tempo passou, muita coisa mudou e, no entanto, o natal vive ainda e se repete a cada ano, numa tentativa de despertar os corações para a alegria, o amor, a solidariedade, o verdadeiro sentido desta festa santa.
            Lembro-me de que junto ao presépio, cantávamos, com mamãe,além de Noite Feliz, o velho "parabéns a você".
            Que nesta data, o mundo ceda espaço para celebrar o aniversariante do dia com os cânticos e hosanas a que Ele faz jus; e, ao nos aproximarmos do presépio, símbolo eterno da gruta de Belém, peçamos em prece, que todas as crianças possam ser felizes e sorrir, agarrando seus presentes, saboreando guloseimas, experimentando a ternura de um abraço.
            Que nós, gente grande, possamos nos alegrar com suas alegrias e continuar trocando abraços e presentes, avaliados tão somente pelas moedas do coração.
            Em reverência ao Natal que aí está novamente, quero desejar-lhe uma festa santa, de paz e de bênçãos, que se repita em cada um dos dias do novo ano que aí vem a galope, para mudar mais uma vez a folha do velho calendário.

            Abraços, com carinho,


                        T. S. Malta     

sábado, 21 de dezembro de 2013

NATAL NO ORIENTE


Elda Nympha Cobra Silveira

Olho para o céu...
Que tristeza!
Papai Noel não vem aqui
Ele não dá mais presentes?
Ele não ouve meus pedidos?
Implorei o ano inteiro
Apenas um pai e uma mãe
Que me ame,
Água e comida.

De brinquedos não preciso!

Tenho cápsulas de fuzis e
Brinco de pular minas escondidas
Só anseio poder viver

Sem levar um tiro entre ruínas!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Boas Festas

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CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS 
Rua Boa Morte, 1257 - Centro 
Piracicaba - SP - CEP: 13.400-140 
Tel. (19) 3124-1889 
VISITE WEBSITE: http://www.unimep.br/ccmw 



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Soneto de Natal


Esio Antonio Pezzato

Natal! Na terra há um hino de alegria
Anunciando a chegada de Jesus.
Em Belém, uma pobre estrebaria,
Envolve-se no brilho que seduz.

Tudo vibra de encanto e de harmonia,
A salvação do mundo jorra a flux.
Humilde serva – a celestial Maria! –
Sabe que a um Deus Divino deu a luz.

Num instante o Menino aflito chora,
E, Maria nos braços, sem demora,
Acolhe-O com carinho divinal.

Dá-Lhe o peito o nos braços ela O aquece.
Logo após em silêncio Ele adormece
Inocente no colo maternal.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Confraternização de final de ano dos grupos literários

(Fotos de Ivana Negri para o GOLP)

 Madalena sempre inventando novidades
 Uma poesia declamada ao "pé do ouvido" do Cassio 
 Esther lendo um poema de Clarice Lispector para Ivana
 Silvia e Irineu, sempre "in love"
 Carmen lendo um poema para Madalena
 A mesa natalina com os deliciosos quitutes







 Leda, Raquel, Lidia, Madalena e Lurdinha no jogral


 Angela Reyes lendo um conto de Natal

 Brindando com Coca Cola!
Angela, Ruth, Raquel e Leda
 O aniversariante
 Lidia, Madalena, Elda, Aracy, Esther e Raquel
 Abraço dos amigos secretos já revelados: Aracy e Irineu
 Elda e Leda
 Leda e Ruth
 Lurdinha e Lidia
 Carmen e Madalena
 Raquel e Angela
Ivana e Lurdinha
 Surpresa da Aracy, os livros dos amigos e as diversas coletâneas

domingo, 15 de dezembro de 2013

XII Concurso “Fritz Teixeira de Salles de Poesia” de Monte Sião

Veja como se inscrever aqui

XII Concurso “Fritz Teixeira de Salles de Poesia”
Promoção “Fundação Cultural Pascoal Andreta”
1) Haverá premiação para os três melhores trabalhos, na categoria GERAL:
a. 1º lugar: R$ 1.500,00 (Mil e quinhentos reais)
b. 2º lugar: R$ 1.000,00 (Mil reais)
c. 3º lugar: R$    800,00 (Oitocentos reais)

2) Para os três melhores trabalhos de autores da cidade de Monte Sião:
a. 1º lugar: R$ 500,00 (Quinhentos reais)
b. 2º lugar: R$ 300,00 (Trezentos reais)
c. 3º lugar: R$ 200,00 (Duzentos reais)

3) Menção Honrosa para 05 (cinco) trabalhos, na categoria GERAL.

4) Menção Honrosa para o concorrente mais jovem.

5) Todos os classificados, bem como aqueles contemplados com Menção Honrosa, receberão um livro contendo as poesias premiadas (edição comemorativa), editado por “Acervo Edições”, Diploma personalizado e assinatura do Jornal “Monte Sião” por um ano (12 edições).

6) A entrega dos prêmios acontecerá no dia 22 de março de 2014, sábado, às 20h.

7) Para os classificados do 1º ao 3º lugares, que não sejam de Monte Sião, haverá hospedagem com café da manhã.

8) No caso do não comparecimento de qualquer dos vencedores na noite da premiação, o prêmio respectivo deverá ser procurado dentro de 30 (trinta) dias, a partir da data da entrega, 22 de março de 2014. Findo este prazo o valor será devolvido ao patrocinador e o ganhador perderá o direito ao prêmio.

9) As festividades da noite serão dedicadas à memória de Segismundo Gottardello (Cid), um dos fundadores da Fundação Cultural Pascoal Andreta e do Museu Histórico e Geográfico de Monte Sião.

10) Os vencedores poderão declamar sua poesia ou, se desejarem, indicar outra pessoa para fazê-lo.


11) Os resultados do concurso serão publicados no site da Fundação Cultural Pascoal Andreta – www.fundacaopascoalandreta.com.br – no dia 23 de fevereiro de 2014.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Lançamento do livro de Luzia Stocco no Ponto de Cultura Garapa

 No Ponto de Cultura Garapa aconteceu o lançamento do livro de poesias ATEMPORAL de Luzia Stocco, com prefácio de Ivana Negri e apresentação de Leda Coletti
Luzia declamando um poema

Os Silva Cantam Roberto Carlos dando um show aos presentes
Amigas escritoras prestigiando o evento: Madalena Tricânico, Ana Marly de Oliveira Jacobino, Leda Coletti, Raquel Delvaje e Ivana Negri
Luzia autografando o livro para Ivana

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Convite - Comemoração dos 10 anos do Centro Cultural Martha Watts


Declamação de poesias natalinas pelas poetisas Carmen Maria Fernandez Pilotto, Maria Helena Corazza, Ivana maria França de Negri e Lurdinha Sodero Martins
Recital de piano -  alunos de Cecília Bellato
Canto - Rodrigo Bombach representando o Coral da UNIMEP

CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS 
Rua Boa Morte, 1257 - Centro 
Piracicaba - SP - CEP: 13.400-140 
Tel. (19) 3124-1889 
VISITE WEBSITE: http://www.unimep.br/ccmw 

Programação completa:


O Centro Cultural Martha Watts abre suas portas para mais um evento comemorativo aos seus 10 anos de atividades. Desta vez, a programação conta com recital de piano, apresentação de coral, poesia e também com o lançamento do 10º capítulo do documentário “10 anos do CCMW”, realizado pela TV UNIMEP.
Ao longo de 2013, várias atividades já foram realizadas pra comemorar uma década desse importante espaço da cultura piracicabana envolvendo teatro com o Grupo Cochichonacoxia da Unimep, pintura ao ar livre com artistas da Apap e convidados, exposição com funcionários da instituição e recital de piano com a participação da pianista Cecília Bellato e também dos seus alunos. Além de exposições em outros espaços da cidade contando um pouco da história do CCMW.
O Centro Cultural Martha Watts é um espaço de múltiplas atividades culturais, de pesquisa e preservação de acervos históricos significativos de Piracicaba. Localiza-se em um edifício tombado pelo patrimônio histórico, construído e inaugurado em 1884, que tornou-se o segundo local de funcionamento do Colégio Piracicabano, fundado em 1881, pela missionária americana Martha Hite Watts. Reinaugurado como Centro Cultural Martha Watts, em 27 de junho de 2003.
Desde sua inauguração, promove exposições de arte (esculturas, fotografias e telas de técnicas e estilos distintos), cursos artísticos, visitas monitoradas individuais ou em grupo gratuitas; lançamento de livros; audições musicais; apresentações teatrais; saraus, consulta e pesquisa em acervos históricos (Rocha Netto, João Chiarini, Poder Judiciário, “O Diário”, Jair Toledo Veiga e IEP); reuniões e seminários de grupos e preservação de acervos fotográficos.
O CCMW está de portas abertas à comunidade, escolas e visitantes em geral. A entrada é gratuita.
Mais informações: 3124-1889
Chorinhos e Companhias com Cecília Bellato e alunos
Cecília Bellato
E. Nazareth – Espalhafatoso
W. Azevedo – Brasileirinho
Alunos do Colégio Piracicabano:Marcos A. Santana Cruz
F. Russo -1ª Valsinha
Bárbara Duarte Gonçalves
F. Russo – O Batalhãozinho Passa
Bruna Duarte Gonçalves
M. Negris – Prelúdio para Margareth
Maria Paula Ferreira da Silva
A. Rovira – Romance de Amor
Carolina Palanch Matos
Chiquinha Gonzaga – Não Insistas Rapariga …
Companhias:
Isadora Sodero Pincelli
J.S.Bach – Musette
Caio Valezin Delarco
Mark Nevin – Miniatura em Jazz
Ayla Coelho Lacerda Bonelli
Matthew Wilder – Reflection
Estela Carneiro Revesz
Chiquinha Gonzaga – Lua Branca
Fernanda Kobayashi
M. Mascarenhas – Férias na Espanha
Lucas Lopes
Marcelo Tupinambá – Tristeza de Caboclo
Caíque de Oliveira Kobayashi
Zequinha de Abreu – Sururú na Cidade
Bruna Bressan Belan
Zequinha de Abreu – Não me Toques
Glauce C. Ferrari Pachane
E. Nazareth – Brejeiro
Declamação de Poesias com:
Carmen M.S.F.Pilotto – “Reciclagem de Natal”
Ivana Maria França de Negri – “Os dois Natais”
Lourdinha Sodero Martins – “O Sonho da menina só”
Maria Helena Corazza – “Rima para um amor sem fim…”
Canto com o aluno Rodrigo Bombach, representando o Coral Unimep
Canto Della Terra
Music by Ennio Marricone / Italian lyrics by Chiara Ferran
O Infante Jesus
Pietro Ayon (1917 / Fredderich H. Martens / tradução JMF (1952).
TV Unimep apresenta o décimo episódio da série: “10 anos em 10 capítulos” -Documentário sobre os 10 anos do CCMW

PIRACICABA EM FESTA

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

AS PESSOAS NÃO ESQUECEM...


Plinio Montagner

A vida é assim. Tudo que você disse, fez, pagou, emprestou, doou, presenteou, parece que não vale nada. A maioria das pessoas ignora bens materiais e o passado dadivoso, mas não esquece como foram tratadas, seja bem ou mal.
Então, se você fez algo que alguém não gostou, um não, um leve deslize, a ofensa será registrada, e não aquilo que você lhe fez de bom a vida toda.
Por isso não adianta oferecer um emprego ao filho de um amigo, dar um presente caro a alguém, pagar uma conta astronômica numa festa com seus amigos. Esse tipo de investimento pouco valerá se o objetivo for tirar algum proveito.
Mimos materiais são logo esquecidos, o que não acontece quando tratamos as pessoas com delicadeza e respeito. E vice-versa. Aí seremos inesquecíveis, seja para o bem, seja para o mal.
Perguntemos às mulheres se elas se lembram mais dos presentes que elas receberam, ou das delicadezas e grosserias do namorado.
Aquele que só pratica o bem e se dedica a uma amizade, basta um não, um só, uma indelicadeza, para ser considerado vilão. Ingratidão é isso.
Um amigo me contou que ele e sua esposa mantinham uma amizade há mais de 30 anos. Bastou um “não’, o primeiro e único - um pedido de fiança -, para a amizade acabar definitivamente.
Essa amizade, com certeza, não era verdadeira.
A regra melhor é esta: não pedir nada a ninguém, dinheiro, casa da praia nem bicicleta.
Amigo, amigo mesmo, abraça com gosto, forte, aperta a mão da gente inteira, não com a ponta dos dedos como se estivesse com medo de se contaminar.
A verdade é que ninguém é responsável pela felicidade e os erros dos outros.
Com a vida aprendemos que nosso trabalho, nosso carro, nosso cão, nosso trabalho, nunca irão cuidar da gente se ficarmos doentes, mas nossos amigos e nossa família, sim.
Família é diferente; não importa o tipo de relacionamento que temos, por exemplo, com nossos pais, porque, com certeza, vamos sentir falta deles quando partirem.
Essa história de felicidade vem de muito longe. Não há definição perfeita. Só sabemos que quem a procura se ilude.   Lembrando Sócrates (470- a.C.): “Todo meu saber consiste em saber que nada sei”. E para arrematar este texto, segue uma máxima de sabedoria nos relacionamentos:

“Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Você quer ser feliz para sempre? Perdoe” .(Tertuliano - (0155), Cartago – Tunísia. (escritor eclesiástico).

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Se minha mesa falasse


Esther Vacchi Passos

Nestes mais de trinta anos que estamos juntos, muitos fatos aconteceram entre nós e aqueles que tiveram o prazer de sentar com você nos cafés da manhã, almoços, lanches da tarde, jantares, confraternizações, festa de aniversários, ceias de natal, viradas de ano.
Tivemos, e ainda temos, muitos momentos agradáveis ao seu lado e também divergências, debates, discussões acaloradas durante nossos encontros. Pessoas de outras nacionalidades já cearam com você, trocando ideias e costumes.
Hoje, você já está desbotada pelo tempo, mas os netos aproveitam para brincar com jogos, fazer lição escolar, pintar desenhos e comer a comida gostosa da vovó. E a família toda ainda se reúne ao seu redor.
A mesa é um lugar sagrado, onde as pessoas ficam à vontade, conversando e crescendo através da convivência e do amor, e também se deliciando com os quitutes caseiros e trocando receitas de vida.

Querida amiga mesa, que esse nosso costume seja mantido e que a correria e  a modernidade vigente na sociedade atual não nos separe. Que a partir deste Natal e festas de final de ano, todas as famílias possam ter essa oportunidade de conversar e se reunir ao redor de sua mesa.

domingo, 8 de dezembro de 2013

RESTO DE NADA



Lídia Sendin

Buscando a multidão
Quando estou ensimesmada,
Faz-me falta a solidão
Pra mergulhar no meu nada.

A vida é muito mais sonho
Do que pensa a realidade.
Tudo proponho,
Mas faço só a metade.
Sou quase inteira:
Uma parte é conteúdo
A outra é só besteira,
A tal de “encher linguiça”.
Nunca faço tudo,
Boa parte é só preguiça.

Parte descuido, parte conserto,
Vislumbro algo no todo invisível.
Mas...
Como não há nada certo,       
Ainda me resta o impossível.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Poesias premiadas de Lídia Sendin



Poesias participantes do 13º Concursos de Poesias de Capivari CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade)
Entraram na Coletânia duas poesias:

1º Lugar

Felicidade: o que dizem dela
Lídia Sendin

Procurei por aí, pelo Universo,
O que dizem os poetas sobre a felicidade,
O que dela falam em seus versos.

Li Bilac, Drummond, Mario de Andrade
E todos se inspiram muito mais,
Não na felicidade, mas nos seus ais...
Vinícius diz que ela é uma “pluma”
Que voa leve, mas tem “a vida breve”.
Vicente de Carvalho diz que ela existe,
Mas nunca “a pomos onde nós estamos”...
Que coisa triste...

Nem Salomão, em toda a sua glória,
Soube dizer com certeza e precisão,
Teve o maior número de mulheres da história
E talvez por isso mesmo, não resolveu a questão.
Já Francisco Otaviano, patrono da Academia,
Não achava necessário ser feliz.
Com apenas dois versos de poesia,
Eis o que nos diz:
 “quem passou pela vida e não sofreu,”
...”Só passou pela vida, não viveu.”

e Premio de edição

Nada se Cria
Lídia Sendin

Sou a poeira
Das grandes estrelas,
O pólen da flor,
A lua cheia
Que inspira o amor,
O grão de areia
Que puxa o mar.

Vim de um vazio
Tão grande que
Só Deus pode entrar.

Sou a bruma do rio,
Sou o vento no frio
E o sangue na artéria.
Eu fui tudo e sou nada,
Apenas matéria

A ser reciclada.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Lançamento do livro de Luzia Stocco


Local do lançamento:
PONTO DE CULTURA ARTE GARAPA
ÀS 20H
13/12 (SEXTA-FEIRA)
RUA D PEDRO II, 1313, atrás do Terminal Central de Integração.
Haverá declamações de poemas e show musical "Os Silva cantam Roberto"(também selecionado pelo FAc 2013) com o grupo do Chapéu.
 Prefácio de Ivana Negri e Apresentação de Leda Coleti



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

DIFERENÇAS


Elda Nympha Cobra Silveira

As horas tardias, em decrescência, foram transmutando a cor do aposento, antes moldado pela penumbra da noite. A luz solar, coada nas tramas da cortina de voile transparente, foi transformando o ambiente em lindo dia de sol e insolente foi despertando a linda jovem ainda insone que, abrindo os olhos sonolentos contra a claridade, sorriu. Um sentimento de felicidade invadiu sua alma ao constatar que esse seria mais um dia pleno, na somatória de sua vida, pois ao receber de Deus o presente do sol, ganhou de brinde um friozinho para se aconchegar nas cobertas de lã de carneiro, nos lençóis perfumados de lavanda e uma mesa farta de iguarias à sua espera. O cheirinho de café coado impregnou suas narinas e aguçou seu paladar. Tudo lhe vinha de graça sem esforço nenhum, como dádivas merecidas, mas na verdade, porque merecidas? Saindo das cobertas, e tomando seu lauto café da manhã começou a pensar: - O que farei de útil nessa minha vida que passa insípida e sem valor para ninguém, pois sou como água desperdiçada escoando de uma jarra de cristal? Estou me sentindo inútil! Esse viver foi-me dado por alguma razão!
Que diferença entre o viver dela e o viver de outras moças, que fazem da rua sua moradia, negociando seus corpos, outras ou outros usando jornais como cobertor para enfrentarem o frio, que vai enregelando, não só seus membros, mas também suas almas. São muito diferentes dela, que não espera nem um minuto para saciar a fome, estar agasalhada e nem espera para receber amor. Tudo vem de graça, sem esforço nenhum, como presentes divinos.
- Meu Deus! Por que as pessoas têm vidas tão diferentes? O que teria acontecido para seguirem por caminhos tão diversos? Por que uns já nascem com privilégios e recebem dos familiares carinho, afeto e amor, enquanto outros nascem para sofrer?
Ela começou a chorar, e uma serviçal querendo consolá-la foi dizendo:
- Todos têm que evoluir na escala espiritual: uns estão permeando “caminhos nunca dantes navegados”, outros, pelos seus merecimentos, já galgaram uma posição espiritual melhor e têm outros tipos de desafios para moldar seu espírito. A meta é alcançar o divino, porque todos podem ser santos e a vida é muito breve. Vale a pena! Afinal, a vida não finda com a morte, continua num outro plano espiritual.
- Diga-me o que devo fazer? – respondeu a moça - Agradeço a Deus por essa minha vida, mas Ele deve esperar que eu tenha um objetivo mais condizente com o que Ele espera de mim. Ele me deu tantas condições materiais boas, e, portanto, tenho tempo para dedicar-me aos outros. Sou muito instruída e prendada, você sabe, devo empregar esses talentos para uma vida mais pratica, porque para mim só servem de verniz, para ser elogiada por todos e provocar o aumento do meu ego.
A serviçal a abraçou com ternura, pois a conhecia desde pequena e sorrindo disse-lhe:
- Quando você der amor, o amor virá ao seu encontro. Não espere mais, procure onde seu coração se contentará, pois “é dando que se recebe”. Deus lhe deu talentos para serem usados, da forma como preferir.
Essas palavras nortearam sua vida, e ela foi se sentindo útil.