As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Lidia Sendin falou no CLIP sobre vida e obra de Lya Luft

Quem não foi, perdeu...
Num ambiente descontraído,o café literário dos sábados, com sucos e bolos
Leda Coletti, Raquel Delvaje, Aracy Duarte Ferrari, Lidia Sendin, Madalena Tricânico, Athayde, Irineu Volpato e Silvia Oliveira
 Cafezinho e bolo de fubá  da Madalena tricânico
 Empadinhas, enroladinhos e sucos, sem contar que cada escritor presente ganhou dois livros de Lya Luft!

 Hummm!
Ivana, Raquel, Madalena, Lidia, Aracy, Athayde, Irineu e Silvia
Até a próxima oficina com a Raquel falando sobre  Florbela Espanca

sábado, 27 de julho de 2013

Lançamento dos livros de Irineu Volpato e Silvia de Oliveira na Biblioteca

Autografando para os amigos
Ivana, Lurdinha, Carmen e Leda, prestigiando os amigos na noite gelada.
Cassio e Ivana Negri
A cantora que abrilhantou a noite com seu partner ao violão
Carmen Pilotto lendo um poema
Douglas Simões que além da homenagem ao amigo Volpato, cantou e encantou os presentes

Irineu Volpato, de Sesmarias para Piracicaba
Leroy e Carla  Ceres Capeleti
Irineu e Silvia
Carmen, Maria Cecília Figueiredo e Washington Barbosa Leite Jr.
Vera e João Baptista Athayde e Douglas Simões

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Convite Dia Nacional do Escritor 2013



            Você está convidado(a) a participar do nosso encontro para comemorar o Dia do Escritor, no dia 28 de Julho/2013, às 9 horas, na Área de Lazer da Rua do Porto.(entrada pelo portão do meio, perto do lago). Se tiver contos, crônicas, poesias todos curtos, pode levar para colocar nos varais e oferecermos aos presentes. Também poderão levar livros para vender e outros antigos para trocar ou mesmo doar. Não se esqueça de trazer o seu trabalho para ler, declamar, contar histórias.
            Desde já agradecemos sua presença.
P.S. Se chover o encontro será adiado para o domingo seguinte.

                                   Integrantes das várias entidades literárias de Piracicaba
                                                                                             Leda Coletti

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A extraordinária arte de escrever


Cida Carvalho

A arte de escrever me fascina! Desde menina me encantava com os livros, com os jornais que chegavam a casa embrulhando algum produto comprado na venda do Sr. Mané... Mesmo antes de aprender a ler, eu fingia ler com um livro na mão, no portão de casa. Queria que as pessoas vissem que eu já era uma leitora, achava importante, bonito! Fico encantada com cada texto que leio, ouço e vejo:  num livro, num filme ou num programa inteligente na televisivo. Há tempos me pergunto: Que ser é esse que escreve? Que sensibilidade e inteligência apurada e extraordinária têm um escritor!Podem dizer que escrever bem está relacionado a escrever sempre. Isso é fato, mas não responde e não expressa com valia sobre quem está por trás desta arte intrigante, fascinante que é dar à simples folhas de papel em branco - vidas, amores, emoções, problemáticas; numa harmonia plural, capaz de nos transportar a lugares distantes, numa riqueza de detalhes e impressões que exigem algo mais da nossa inteligência, provocando sentimentos e contemplações. A linguagem pode ser coloquial ou erudita, romântica ou pragmática, política ou humanitária, um retrato da realidade ou uma ficção, não importa! O autor de um bom texto é alguém em sintonia com o macro e microcosmo, sempre para além do imaginado, aquele que nos provoca e nos envolve!
Nas mãos de um escritor uma folha em branco tem em si milhares de possibilidades, isso é sedutor! Uma folha em branco degustará satisfeita: um conto o qual pedirá várias páginas risonhas ou tristes ou ainda temerosas por um final trágico. Uma poesia pode fazê-la suspirar e entrar em estado introspectivo, metafísico. O autor escolhe ver e sentir o mundo diante de uma folha de papel ou do teclado de um computador, ele decide jogar-se por inteiro na dança das palavras, dando ritmo às idéias que chegam espontaneamente ou racionalmente ao papel.
Que ser é esse, o escritor? Ele se atreve chegar ao limiar da loucura, com um desprendimento, que lhe confere a capacidade de criar, permitindo-se transcender o mundo fático. O escritor é aquele que escreve enquanto inspira e respira porque escreve!
Sempre pensei no autor como um ser de um planeta superior, conectado com dimensões paralelas. Como pode tanta idéia se formar a revelia do senso comum, tomar corpo singular em forma de palavras na mente de um ser humano? Imagine, por exemplo, um escritor de novelas, gênero tão difundido aqui no Brasil. Ele cria o enredo, a trama dramática ou cômica da novela, ou as duas; cria cada personagem com o seu perfil psicológico, escreve cada fala e ação da mesma, pesquisa universos distintos do seu dia-a-dia para servir de pano de fundo a narrativa. Não. Definitivamente o escritor não é uma pessoa comum, com faculdades comuns!
Li um conto uma vez, não lembro o título, mas lembro do livro – Contos de amor e morte – do escritor austríaco Arthur Schnitzler, ele viveu a riquíssima transição entre os séculos XIX e XX.  Este autor era também médico, foi muitas vezes comparado a Freud, tinha um estilo no mínimo intrigante, escrevia usando a técnica do monólogo intimo. A psicologia e a psiquiatria muito influenciaram este médico escritor, em seus livros ele mostrava de forma dramática o inconsciente de suas personagens, com tanta intensidade que o imaginário dos seus protagonistas, nada deixava a dever a realidade aos seus pacientes. Bem, voltemos ao conto do qual não me recordo o nome. Nele Arthur Schnitzler, conta a história de um escritor que se apaixona pela protagonista do seu romance, a qual toma as rédeas da trama, chegando a rejeitar o seu enamorado criador, este por sua vez não suportando a indiferença da amada pensa em matá-la, em levá-la a morte para que com ela morresse também a sua indiferença, o  tormento acusador da rejeição no coração dele – o autor. Rejeitado que era, no entanto sem coragem para eliminá-la com a pena, ao final das contas é o autor que morre de amor não correspondido, as mínguas, esperando as migalhas da amada mal agradecida. Fiquei presa a ele, ao autor real e ao autor criado por Arthur Schnitzler, ambos me renderam, me fizeram refém por querer. O bom escritor  é assim, nos faz apaixonados por sua obra, ele  se confunde a ela, e nos prende a ele através dela.
Pensar o impensado faz do escritor um gênio em si mesmo. O escritor faz contato com o mundo externo e interno ao mesmo tempo, contato, com o mundo dos outros e com o seu mundo. Um escritor é antes de tudo um leitor. Sim um escritor lê o que está a sua volta, coloca-se no lugar do seu leitor e decodifica a vida, o cotidiano a sua maneira, com os olhos do seu interior, é também um leitor de outros autores. O interior de um escritor fica exposto e camuflado ao mesmo tempo, assim ele nos alimenta nos acorda, nos faz amantes da leitura, da palavra, nos faz pessoas melhores!
Quero aplaudir apaixonadamente todos os escritores, parabenizo estes encantadores de gente, que com sua sensibilidade e entendimento, nos transportam a mundos inimagináveis, e nos fazem entrar em contato com a nossa complexidade. Ao autor que assume a responsabilidades múltiplas em compromisso com a cultura, como o saber, com a emoção e descobertas, responsabilidade ética e estética.

Cida Carvalho 

Lidia Sendin fala sobre Lia Luft no CLIP


Neste sábado, 27, às15h, na Biblioteca Municipal, Lidia Sendin fala sobre a vida e obra de Lia Luft.
Entrada franca.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Duplo convite - Sílvia de Oliveira e Irineu Volpato



Sílvia de Oliveira e Irineu Volpato contam com a presença de todos para o lançamento dos seus livros Humanity Tessituras e derradeira plumagem na Biblioteca Municipal, rua do vergueiro,145, no dia 26 de julho de 2013 às 20h.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

C I N E M A S


               Plínio Montagner

Sinto saudades dos tempos em que eu ia ao cinema. Agora me dá uma gastura só de pensar nisso. Quando vou é porque fui levado. Perdi a vontade, a paciência. Tenho medo. Muitas pessoas vão ao cinema só para zoar e atrapalhar os outros.
Um amigo me contou que ele estava assistindo a um filme quando uns adolescentes começaram a rir e falar alto. De repente, uma senhora acompanhada do marido, levantou-se e, aos berros, começou a passar uma severa repreensão nos bagunceiros. Ante a eloquência da mulher o grupo saiu.
A firmeza da mulher não adiantou; os mal-educados não obedeceram, não se curvaram; não ficaram quietos. Foram embora.
Incivilizados de berço não se curvam facilmente. Demonstrações de inconveniência acontecem em todos os lugares. Basta o ser humano não ter a mínima formação de moralidade.
É sempre assim - a certeza da impunidade favorece a desordem e as infrações. Reprimendas brandas não adiantam. O medo diminuído aumenta a coragem.
Assim acontece quando um policial trata energicamente os delinquentes e os professores são duros com alunos licenciosos. Ambos serão execrados, punidos.
Antes não era assim. Quem tem mais de 50 ou 60 se lembra que as pessoas eram mais educadas, e o cinema era uma opção agradável, um acontecimento romântico.
Os filmes também incentivavam a ida aos cinemas. O som e as melodias eram compatíveis às cenas e à história do filme.
Hoje, não sabemos se vamos voltar em paz as nossas casas ou se vamos parar num hospital, num canavial, numa delegacia ou jogado em algum lugar.
No entardecer da vida as pessoas ficam mais sensíveis, mais intolerantes, medrosas, mais exigentes e mais sensatas.
Não é à toa que andam dizendo que aposentados são vagabundos, treinadores de futebol são chamados de professor e analfabetos de excelência.
Os valores estão invertidos. Se um cientista descobre uma vacina que acaba com uma doença, nem a vacina nem ele serão fatos relevantes para a mídia.
Se um policial precisou usar sua força física e ou suas armas para dominar um vagabundo, a mídia coloca lá: Policial abusou da “vítima”. Nem grafam que a polícia imobilizara um bandido. Fazem parecer que os bandidos são coitadinhos.
Ir ao cinema seria agradável se voltasse o tempo em que a juventude sentia medo de burlar a lei, medo de repetir o ano escolar, medo de ser chamado vagabundo ou bandido.
Estou me lembrando dos cinemas do interior dos anos 60, fase dos Anos Dourados, quando o filme começava o namoradinho aparecia e se acomodava ao lado da garota.
Proibido para menores de 18 anos era pra valer mesmo. Havia lugares reservados a autoridades.
Atualmente a indústria cinematográfica luta para atrair espectadores. As produções são mirabolantes, cenas violentíssimas, bizarras. Não há praticamente conteúdo humano nem real. Romantismo zero.
Que é dos clássicos Tarde Demais para Esquecer, Suplicio de Uma Saudade, Doce Vida, Suave é a Noite, Melodia Imortal, Casablanca, Assassinato no Expresso Oriente, Golpe de Mestre, Pic-Nic, Testemunha da Acusação, A Um Passo da Eternidade, Janela Indiscreta, e outros?.
Hoje, marido e mulher só vão ao cinema para levar os filhos e netos.
Ficamos íntimos da TV e do computador, mas vale a pena, pelo conforto e segurança. Isto basta, infelizmente.
É uma pena. Preferiríamos, com certeza, assistir a um bom filme a restaurantes, nossos costumeiros programas familiares.



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Auschwitz


Ivana Maria França de Negri

No trajeto entre as cidades de Cracóvia e Varsóvia, na Polônia, passa-se pelo antigo campo de concentração nazista “Auschwitz”.
Todos nós estudamos nos bancos escolares sobre esse período negro da história e sobre o horror do holocausto. Jamais conseguiremos compreender tanta maldade, tanta injustiça, tanto ódio racial e religioso. Humanos massacrando seus próprios irmãos.
Na porta de entrada do campo, a frase irônica: “O trabalho liberta”. Entrar nesse local, que se transformou em museu, e relembrar os acontecimentos é algo aterrorizante.
O inverno lá é rigoroso, com temperaturas bem abaixo de zero, chegando a 40 graus negativos, com muita neve e ventos fortes. Não havia lenha suficiente para todos os aquecedores e nem roupas quentes para os prisioneiros. A lenha ia para os fornos que incineravam os corpos dos milhares de mortos diariamente. E a que sobrava era prioridade para os compartimentos dos oficiais nazistas.
Não há como não se emocionar ao caminhar por aqueles corredores estreitos e escuros, repletos de milhares de fotos dos judeus mortos, homens, mulheres e crianças. Conta-nos o guia, que assim que chegavam, cortavam-lhes os cabelos, davam-lhes a roupa listrada e as pessoas recebiam um número. Sua identidade era literalmente roubada. Eram apenas números, sem família, sem pertences, sem dignidade, vivendo em condições insalubres. A ração diária era de 200 calorias, o que os deixava subnutridos, depressivos e sujeitos a doenças. Homens e mulheres inocentes, destituídos de tudo, que não eram culpados de nada, submetidos à paranóia de um líder insano.
Em Auchwitz a história está presente em tudo, viva, pulsante, nos objetos pessoais dos condenados, nas malas com seus nomes, nas pilhas de sapatos e montanhas de cabelos das mulheres. Disseram-nos que aproveitavam os fios mais longos para colocar nas tramas dos casacos dos oficiais para torná-los mais quentes, pois na Polônia faz frio a maior parte do ano.
Idosos, crianças e deficientes eram logo descartados, assim que chegavam. Só os adultos mais fortes eram colocados para trabalhos forçados. Muitas grávidas e crianças eram enviadas para as terríveis experiências científicas, que não tinham base científica alguma. Melhor sorte tinha quem ia para as câmaras de gás do quem era obrigado a se submeter como cobaia humana às atrocidades. Experimentos feitos sem anestesia, dolorosos, que duravam horas de tortura, como amputação de partes do corpo,  quebra de ossos e retirada de tendões. Pouquíssimos sobreviviam.
Numa ala encontram-se pilhas de malas ainda com os nomes dos seus proprietários. Noutra, são milhares de sapatos empilhados. O mais triste são as montanhas de sapatinhos infantis, botinhas de bebês, sandalinhas, não há como não derramar lágrimas ao imaginar o pavor dos pequenos ao serem separados de suas mães.
O lugar mais arrepiante é a sala dos “banhos”. O guia pede para que entremos em silêncio em memória daqueles que sucumbiram naquele local. Algumas pessoas mais sensíveis passam mal e não entram no compartimento, devido à aura pesada que paira ali, onde se realizavam os extermínios em massa. A porta é estreita e ninguém nunca saiu vivo de lá. Os corpos iam direto para os crematórios. Eram cerca de oito mil incinerados diariamente.
O holocausto é uma página da história que jamais deve ser esquecida, um alerta  para que as futuras gerações fiquem cientes e jamais se repita esse horror na história da humanidade.

Poesia ao Vento - Vida e obra do escritor e poeta piracicabano Fernando Ferraz de Arruda

Nesta sexta-feira, às19h, acontece mais uma edição do Poesia ao Vento na Biblioteca Municipal.
Ivana Negri vai falar sobre a vida e obra do escritor piracicabano Fernando Ferraz de Arruda, seu patrono na Academia Piracicabana de Letras, a convite do coordenador do evento Irineu Volpato.
Entrada franca e aberto ao público.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Je me souviens ou as impressões de uma brasileira sobre Montreal, QC, Canadá


Christina Negro Silva

Tomo emprestado - Je me souviens – traduzindo : Eu me lembro, verso ícone dos québécois de um conhecido poeta da mesma origem , como título desta crônica para homenagear este incrível e imenso país, o Canadá. Eu também me lembro, assim no tempo presente mesmo...porque na minha memória as impressões ficarão sempre ali, remanescendo emoções, cheiros, sabores, imagens fixas na retina das recordações.
 Tiramos ( o marido e eu ) 15 dias de férias para visitar o filho, morador há um ano e dois meses em Montreal. O leitor já deve ter tido algum ente querido distante e pode imaginar nossa expectativa e estado de espírito ansioso para chegar a hora de rever nosso filho. Para nós, o passeio tinha conotação secundária, já que o primeiro objetivo era matar a nossa saudade. Logo, não tínhamos aquele frisson característico dos turistas, talvez, por isso, sinto-me à vontade para relatar aqui tudo o que vi, senti, apreciei nesses dias. Vou dividir este texto, então,  em sensações para organizar meu pensamento ao escrever sobre essa viagem.
A  primeira impressão : VISÃO: Montreal é uma cidade grande – 3 milhões de habitantes, mas nem parece ter tudo isso, haja vista a tranquilidade em metrôs, ônibus, trânsito. Gente nas ruas ( claro, mãe, é verão ! – diria meu filho ), tudo junto, mas não misturado...explico-me – há muitas tribos, se assim posso chamar os grupos diferentes que vi – gente com piercings, tatuagens, cabelos multicores, engravatados, bem vestidas em trajes de festa, etnias diversas em duplas, em turmas, separados e juntos. Também vi muita gente bonita e simpática de lá mesmo ou imigrantes de muitos países, cidadãos canadenses. Vi ruas limpas, flores enfeitando as árvores, os postes, as casas. Prédios imensos só na área central da cidade, as demais construções obedecem a um padrão – blocos de 4 andares, quadrados, com escadas de acesso à porta principal. Tudo igual se não fossem os telhados, pintados em cores berrantes e os detalhes nas bay-windows e portas. Este padrão torna a cidade aconchegante e harmoniosa. Também seguem em simetria os vários parques espalhados pela cidade, grandes gramados , árvores gigantescas, lagos ( que no inverno viram pistas para patinação no gelo ), flores coloridas, muitas variedades, um agrado aos olhos. A estrada margeando o rio Saint Laurent também é outro presente para as cansadas vistas da autoestrada – casinhas lindas, pintadas com cores extravagantes – azul marinho com janelas brancas , laranja com detalhes em marrom, cinza com vermelho e outras combinações agradáveis, assim também na zona rural, os celeiros e seus telhados recortados geometricamente, os cilos imensos em formato de ogiva ou outra comparação menos catastrófica. É certo que no verão, tudo fica mais brilhante e vivaz, por isso, muito bom guardar essas imagens assim tão nítidas. Para tudo, pausa para uma foto , na ânsia de perpetuar em imagens o que me suscitaria sentir as mesmas emoções ao revê-las.
Segunda sensação – TATO. O abraço de meu filho, suas esquisitices em tirar os “cravos” de meu rosto, a grama macia dos parques, uma sensação de seda gelada, refrigério para o calor de 30  graus ! Água potável e de graça para todos os sedentos – em casa, nos parques, nos restaurantes, assim deveria ser em todos os lugares do mundo ( lembro-me de meus 10 anos, morando em Tambaú, um pequeno município do estado de São Paulo, quando disseram que a água, um dia, seria cobrada ! Eu me perguntei – como assim ? como será cobrar por água? Uma dádiva da natureza não pode ter dono ! – santa ingenuidade...hoje quanta água já paguei...). Água pura, saudável, fria, quente, chuva de verão, gostosa de tomar ( mesmo à noite, em Quebec, a caminho do B & B). Toque de apertos de mão – firmes, interpretando-os : sinceros.
Terceira sensação – PALADAR – Não há uma comida típica canadense, há sim uma variedade imensa de outras culturas gastronômicas à escolha do freguês: da Grécia, da Itália, da Tailândia, da Índia, da  China ( em profusão – muitos chineses e outros asiáticos já são cidadãos canadenses ),de Portugal, até do Brasil ...aff ( como diria minha filha ) tanta comida assim daria para alimentar o mundo todo ! desde que paguem por isso, por que não ? pois é, os pratos típicos são  caros, como nos grandes centros do Brasil, mesmo assim os restaurantes estão sempre lotados, e haja local para comer ! Montreal tem muitos restaurantes e a “ Tim Horton’s” – uma franquia de fast-food  que domina este segmento, lanches baratos e os doces –em sua maioria douhghnut ( uma espécie de massa de farinha de trigo, recheada com cremes e uma espécie de geléia de frutas locais- as berries – frutinhas sem graça ao nosso paladar, bem delicadas e bonitas ). Vinhos bons, embora os estrangeiros façam mais sucesso ali. As pizzas são de massa grossa e há aquelas  baratas que são apenas massa e molho de tomate( sem queijo, sem nada - ugh !), claro que se pode acrescentar o recheio, mas eu vi um rapaz comendo um pedaço assim mesmo. Ah, que maldade, estava me esquecendo de mencionar a famosa POUTINE – um petisco ou às vezes, uma guarnição de lanches. Talvez, ela seja o prato típico daquela região do Canadá: batatas fritas e quadradinhos de queijo  tipo frescal, cobertos com um molho especial, parecido com o barbecue. Ao receber o calor do molho, o queijo fica puxa-puxa, mas a batata frita perde sua crocância.  Gostoso e enjoativo. Outra iguaria  típica são as carnes defumadas – de boi, porco, ovelha, peru, frango e até de peixe. Um item de degustação importante para o turista. Bom, forte, cultural ( já que a defumação é conservante alimentar em países castigados por invernos rigorosos ). Café é um susto para os brasileiros – copos grandes de chafé são consumidos pelas pessoas, em toda hora e lugar e até para acompanhar as refeições e lanches.  Para tomar um cafezinho parecido com o nosso, melhor pedir um espresso alleong ( para nós, um expresso longo ). Nos supermercados, há muitos pós de café de regiões produtoras do mundo afora – África, Colômbia, Equador, República Dominicana... do Brasil ? Só em lojas de produtos importados e custam “os olhos da cara” – nunca mais vou reclamar do preço de nosso café quando comprá-lo aqui em nossos supermercados, eu juro ! Para mim, boa gourmant ( e gourmet também ) que sou, a comida é pouco temperada, tanto de sal, açúcar, pimenta ou outros temperos conhecidos por nós – alho, cebola, orégano...Meu filho, que já está adaptado, estranhou eu ter reclamado da falta de alguns deles. Talvez, se ficasse mais tempo, também me acostumaria...Há muita variedade de frutas, legumes e verduras frescas. Carnes, peixes, frutos do mar, leites com tantas derivações que a gente até se perde para escolher – 3%, 2 %,  1 % de gordura, desnatado, semi e tantos etecéteras. País desenvolvido e industrializado é isso – muitas escolhas para o tudo igual.
Quarta sensação – AUDIÇÃO – Os québécois são francófonos e fazem questão de o ser. Também falam  inglês como segunda língua, mas adoram e têm orgulho em falar francês. Nas sinalizações de rua e nas liquidações das lojas – o idioma é o francês. O atendimento aos turistas pode ser bilíngue, mas não se iluda, o inglês é uma segunda opção. É bonito ouvir o povo nas ruas, som harmonioso aos ouvidos latinos, da mesma raiz. No estado do Quebec, há uma resistência à hegemonia britânica – na cultura que relembra sempre a França - na arquitetura, na língua, nos boullevares  charmosos, na religião. Parecem dizer para os demais estados do Canadá – Somos católicos e  falamos francês ! quer queiram ou não, nem ligamos. Uma advertência a quem pretende obter cidadania canadense e morar neste estado – aprenda francês ! Se não, não vai conseguir arrumar emprego facilmente, porém  há sites que ensinam o estrangeiro a falar o idioma de graça, mas é bom pensar em frequentar um curso regular para aprender também a escrever ( os melhores empregos são reservados a quem domina as duas habilidades – falar e escrever bem o francês ). Além do idioma dominante, há muitos sotaques dos estrangeiros que vêm em busca de melhor qualidade de vida – uma orquestra , uma sonoridade fabulosa !
Quinta sensação – OLFATO – Cheiros de todos os tipos, identificando os espaços – de restaurantes , boulangeries ( padarias  sofisticadas com variedades de pães, bolos, brioches, tortas...), de vinhos frutados, de flores – ah, que perfume suave têm as flores do carvalho canadense ! delicadas e fugazes – florescem e em apenas dois ou três dias já perdem seus cachinhos  cor de baunilha. Perfumes finos ( franceses, claro ! ) ou os globalmente conhecidos – Polo, Ralph Lauren, Carolina Herrera, dentre todas as outras marcas. Cheiros acres, doces, fortes, suaves, inebriantes... haja narizes !
Pois então, tentei resumir ou descrever minhas impressões sobre  Montreal e as regiões do Quebec que visitei. Região turística, arrumada para os visitantes, muito limpa, organizada, atraente. A cidade de Quebec é uma lindeza, conquista pela organização e por sua História, um símbolo da resistência francesa ao poderio anglicano. As construções do período de dominação francesa são bem conservadas e focos do turismo local. Os eventos de verão acontecem em áreas abertas, convite ao público, gratuitos. Os restaurantes expandem seus espaços pelas calçadas, enfeitadas todas com vasos de flores, os quais são cuidados pela prefeitura ( os carros passam molhando as flores, quando não chove e faz calor insuportável ) – as ruas são cartões postais ! Conheci a cidade subterrânea  em Montreal, que abriga a população durante o inverno. Dizem seus habitantes que há duas estações do ano ali – o inverno e Julho, quando o verão ocorre em todo o seu apogeu – sol das 5 a.m. às 9 p.m. – calor, tempo para encontros, concertos, passeios, piqueniques nos parques, longas caminhadas por toda a cidade, hora de pedalar as bicicletas que  ficaram descansando no longo inverno, rever amigos, beber cerveja nas muitas cervejarias artesanais espalhadas pela cidade, enfim, viver o verão.
Entrei no país com o propósito único de rever e abraçar meu filho, ver onde mora e como está no seu estudo e trabalho, de lá, porém,  saí gratificada com dois presentes – a convivência familiar e o turismo que veio anexo ao meu intento. Gostei muito dos dois, voltei renovada, feliz, agradecida a Deus por ter tido essa oportunidade de 2 em 1. Não posso deixar de registrar que fomos os primeiros brasileiros a chegar no B & B do “Gile” em Rivière do Loup. Estávamos off road da rota normal para os turistas de nosso país, por isso, colocamos o  primeiro alfinete sobre o mapa do Brasil. Do leste dos EUA, o mapa múndi estava cheio de alfinetes, muitos na Europa e alguns na América Central. O hospedeiro, pai do proprietário, um senhor muito simpático, ficou feliz em ter hóspedes brasileiros ali. No café-da-manhã fomos muito bem servidos com crepes preparados na hora pelas netas gêmeas – recheados com creme patissieur, frutas da época e top de chantilly. Tudo artesanal e chic, muito chic !  

Um dia, daqui a alguns anos, pretendo voltar, tenho mais a conhecer e a viver no Canadá – quero estudar sua história, aprender francês, passear por outras cidades ícones desse imenso país. Je me souviens.

sábado, 13 de julho de 2013

O que você está lendo?


Luzia Stocco

Acabei de ler o livro do piracicabano Niva Miguel Além da Notícia e confesso, ri bastante e emocionei-me também. Eis aí um ponto crucial para que eu admire uma obra: o quanto sou tocada por ela!
Com prefácio de Elias Boaventura, projeto gráfico de Emílio Moretti, editado em 2011 por Sulminas Gráfica e Editora, 168 páginas, o escritor, jornalista, professor (mestre e doutor) Oswaldo Miguel (o Niva) tem uma trajetória de vida muito peculiar e rica de detalhes. De menino pobre e vida sofrida na infância, estudou, lutou, se atreveu e venceu. Toda a sabedoria transparece no humor das crônicas, na ousadia de vivenciar cada situação para dar mais vida à sua reportagem, desafiando o medo e o desconhecido para ficar juntinho dos entrevistados, sentir na pele e em todo o corpo o dia a dia dos anônimos, provando que eles também fazem história; os sonhos e a sensibilidade das pessoas mesmo em condições críticas como a experiência de dormir junto aos moradores de rua e compartilhar a comida, o chão e as amarguras, sentindo o que é ser ignorado e invisível (gostei muito dessa reportagem). Algumas das aventuras de Niva: peregrinar até Pirapora; saltar de paraquedas; acompanhar a patrulha; voar num trapézio; ser coveiro, servente de pedreiro e outras crônicas além da notícia que, creiam, são incríveis! Humilde e sem arrogância, Niva confessa seus receios, suas fragilidades e furos diante de certos desafios e deixa fluir a emoção, o que torna as reportagens muito vívidas e instigantes aos leitores. No capítulo “Meu Deus, que sufoco!” quando acompanhou ciclistas de Piracicaba à Limeira, gargalhei muito com os comentários que ele vai tecendo, falando a si mesmo de forma tão espontânea ...quando saí da garagem todo animado empurrando o “dinossauro” morri de vergonha. Ele estava todo equipado, com uma bicicleta que mais parecia uma “Mercedes...Nessa subida, Carlos Iwamoto, 22, o Japonês, também resolveu dar uma força e começou a me empurrar. Que mico! Agora tinha um de cada lado” (p 73).
“Versátil, o autor afirma estilo próprio de realidade e ficção. Seres desfilam em sua reportagem onde a notícia é a própria vida”, afirma Emílio Moretti.
Ah, e obrigada, Niva, pelas dicas das músicas que você ia ouvindo nas viagens de Piracicaba a Assis, onde leciona, pesquisarei algumas delas pois me geraram curiosidade. Faltou aquela reportagem que você fez quando acompanhou a procissão no personagem de festeiro ao lado do meu personagem marinheiro, do Chapéu, do Carlos ABC e toda a turma na peça “Lugar onde o Peixe Para”, do Grupo Andaime de Teatro Unimep, que está completando 25 anos, tenho as fotos guardadas e a sua visão dos bastidores. Alegro-me por ver aquele amigo curioso e competente, hoje também escritor e ainda humano.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eu e a Poesia



 Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos



        Meus primeiros versos, escritos a medo, pois o seminário religioso não admitia alunos poetas porque a poesia de nada servia para a vida sacerdotal, foram de cunho religioso e dedicados a Nossa Senhora. Não os guardei, mas lembro perfeitamente que agradaram a um clérigo poeta vindo de outra congregação de religiosos para a dos Padres Estigmatinos, e que vaticinou-me: o senhor vai ser um poeta de verdade.
Profecia cumprida. Há mais de 60 anos assumi o grato dever de poetar, publicando meus sonetos e poemas nos jornais, revistas e semanários da terra piracicabana, cuja conseqüência foi a edição de 7 livros de poesia e contos, distribuídos aos milheiros ao povo de Piracicaba e, ao que sei, aprovados por ele, tanto que a Academia Piracicabana de Letras me honrou com o significativo título de “Príncipe dos Poetas Piracicabanos”. Guardo-o com carinho, com alegria, como troféu e prêmio maravilhoso aos meus longos e felizes anos dedicados à arte escrita e rimada dos Bilacs, dos Raimundos Correia, dos Guilhermes de Almeida, dos Gustavos Teixeira, dos Franciscos Lagreca, das Marinas Tricânicos e de outros mais que dignificam a poesia desta terra, chamada que foi, de Atenas Paulista.
O professor universitário de literatura de São Paulo, Hildebrando de André, meu companheiro de seminário no Colégio Santa Cruz de Rio Claro, em correspondência trocada entre nós, afirmou sempre que Piracicaba era uma terra privilegiada, uma terra de poetas verdadeiros, um santuário de poesia – dizia ele – que tem a graça de contar com a cooperação feliz dos seus jornais matutinos, semanários, ou revistas, aqueles oferecendo semanalmente uma página de sua edição à poesia dos seus poetas, como podemos ver na sexta-feira, em A Tribuna e aos sábados( foi suprimido) no Jornal de Piracicaba, a cargo dos escritores Ivana Maria F. de Negri e Ludovico Silva.
Poucos têm a felicidade de ver seus poemas e ou sonetos publicados durante seis décadas para mais, por isso me julgo honrado pelos nossos jornais, dignificado pelos leitores da minha terra, realizado na arte dos versos, estrofes e rimas, graças à compreensão dos diretores, editores, paginadores, distribuidores, leitores e todos quantos trabalham para nos entregar a cada manhã, um nobre jornal como o Jornal de Piracicaba, a Tribuna de Piracicaba e o semanário Folha Cidade, todos acolhedores incontestes de minhas elucubrações poéticas de mais de 60 anos.
E diante de tão flagrante acolhida, diante do respeito que em Piracicaba a Poesia merece, diante da proliferação da arte que dignificou poetas como Dante, Shakespeare, Victor Hugo, Olavo Bilac, Gustavo Teixeira, Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Camões, e uma infinidade de nomes gloriosos e reais poetas, eu me curvo em dar graças a Deus, Poeta Criador do Universo, do Homem e do Amor, por haver premiado o mundo de Poesia e Poetas, e agradecer igualmente aos poetas do mundo e do universo por terem aprendido a Poesia de Deus, e por lhe darem continuidade até a consumação dos séculos, com tanta dedicação e tanto carinho como merece essa graça de Deus.
A Poesia é a história dos povos, escrita em estrofes, em versos, em baladas, em sonetos, em poemas, em rimas. Numa linguagem sublimada, figurada, sintetizada, onde falam mais a alma e o coração do que as datas, os fatos, as personalidades, a ciência. Ser poeta é ser beija-flor: sugar o mel da vida, ao librar das asas sempre no espaço e sem tocar o desencanto do solo. É sonhar que se é angelical e não ser nunca envolvido pelo pó. Ser beija-flor, cujos beijos pousam sobre qualquer tipo de flor, sem olhar para a cor, sem olhar para as alturas em que ela bebe a luz do sol, buscando sempre o dulçor melífluo que se esconde no âmago de cada uma delas. Ser poeta é isso: buscar sempre o que é belo, cantar sempre as harmonias das coisas e da vida, ter os pés na terra, mas o olhar nas alturas do  infinito. Poesia há de ser alegre, pois se for triste não será poesia, será dor.
São mais de 60 anos que poetizo. São mais de 60 anos que me sinto feliz, pois a minha poesia rendeu frutos, foi lida, foi julgada, foi amada. Haja vista que se tempos atrás os poetas eram raros como os diamantes, hoje eles florescem como seara e a poesia deles espalha um perfume de beleza, de sonhos, de encantamento.
        Graças a Deus, a picada que tentei abrir está transformada em caminho florido.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Vestido de anjo



Raquel Delvaje
     Quando Querubina completou 70 anos achou que já era hora de morrer. Porém, não queria ser enterrada com qualquer roupa, pensou então em fazer o que imaginara. Numa sexta feira cedo foi à feira na banca da Rosalda:
        - Filha, me dá uns metros de um tecido bem branquinho.
        Rosalda  já a conhecia, pois ela estava sempre comprando em sua banca, ora um pano, ora uma linha, ora uma agulha. E Querubina sempre aproveitava para contar seus causos, que era um verdadeiro deleite.
        - Olha esse tecido vó, branquinho como as roupas dos anjos. E vou lhe dar um bom desconto.
        A avó sorriu, satisfeita com a comparação.  Em posse de seu pano, foi para a casa e em dois dias estava pronto seu vestido: simples, longo e de mangas compridas. Vestiu e se sentiu um anjo. Estava pronta para morrer. Chamou as filhas e comunicou que queria ser enterrada com aquela roupa, não aceitaria outra.
        Naquela semana, a doce velhinha recebeu a visita de sua netinha, ainda um bebê, que logo ela se apaixonou e ficou tão feliz ao lado da menina, que esqueceu de morrer. Foram anos de muito companheirismo e muita luta, mas enfim de muitas felicidades vendo aquela criança crescendo. Passado um tempo, ela precisou reajustar a roupa, havia engordado. Depois mais uns anos e teve que diminuir, havia emagrecido. Enfim, os anos passavam e a criança crescia e o vestido ia sofrendo inúmeros reajustes.
        Após 25 anos, uma surpresa para a doce vovó. O vestido de morrer estava amarelado. Ficou muito preocupada, pois os anjos se vestem de branco e não de amarelo, mas acabava indo fazer outras coisas e por fim esquecia do vestido, tomou um susto quando percebeu que já passara mais de um ano que viu o vestido amarelo e não fez nada, resolveu que faria outro.
        Dessa vez não foi mais à feira, pois essa já não tinha mais banca de tecidos e Rosalda havia falecido. Foi à loja, uma singela moça a atendeu, muito simpática e chamando-a de vó, assim com a feirante.
       - Vó, eu vou pegar o tecido mais branco que eu tiver na loja. – Disse isso após ter recebido o pedido.
       Muito tranquila a doce velhinha aguardou e ela chegou com o pano.
       - Olha vó, esse tecido é branquinho como as roupas dos anjos!
        Ao ouvir essas palavras os olhos de Querubina marejaram. E uma doce lágrima verteu em seus olhos. Lembrou-se das palavras de Rosalda, foram exatamente as mesmas. Sabia que estava pronta. Sua neta estava com 27 anos e já era mãe.
        Fico aqui imaginando Querubina chegando ao céu e os Querubins a rodeando , todos encantados com a brancura de suas vestes. É que quando ela chegou ao céu, seu vestido ficou mais alvo ainda, da cor de sua alma.

domingo, 7 de julho de 2013

9 de julho

Heróis de 32
Ivana Maria França de Negri

Nas tumbas dos bravos soldados
Tremulam bandeiras ao vento
Braçadas de flores perfumam
Lembrá-los nos traz novo alento

Foram gente assim como nós
Movidos por fortes ideais
Deram a vida pela pátria
Mas heróis não morrem jamais!