As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

sábado, 18 de maio de 2013

A sombra no chão




Marisa Bueloni


     Aqui vai uma tímida e pálida teoria humanística para o tempo, este nosso amigo tão bom quanto implacável e invencível. O tempo vai passar, queiramos ou não. Quer façamos o curso, ou tranquemos a matrícula. Mudemos de país ou fiquemos por aqui. Vai passar. Até o horário de verão já passou. E o outono vem aí.
     Quem nunca leu sobre a virtualidade do tempo? Na verdade, nós é que passamos e envelhecemos. Tal a dialética do nascer do sol: a essência e a aparência. Nós dizemos: “o sol nasce a leste e se põe ao oeste”, ou ainda, “tão certo como o sol vai nascer amanhã”. E a ciência destes fenômenos reside no fato de que existe o movimento de rotação da Terra em torno de seu próprio eixo, o que resulta no dia e na noite. No seu giro, ora uma face do planeta está voltada para a luz do sol, ora está no escuro. Na passagem da noite para o dia, dizemos que “o sol nasceu”.
     Bom, mas e o tempo? Se ele passa para nós e para os super-heróis da tevê, para a moda, para os costumes e o comportamento, passa para a Terra também. Tenho algumas teorias que vou construindo ao sabor de humildes reflexões. Não pretendo ter seguidores, como no twitter da vida; apenas ouso apresentar ao leitor a temporal temática do que é real e irreal: o tempo.
     Para uns o tempo é mera questão de lógica. Além do senso comum que, em geral, poucos questionam. Levantam quando o despertador toca, tomam café, vão para o trabalho, almoçam, retornam ao trabalho e no fim do dia voltam para suas casas. Para outros, o tempo é uma realidade palpável, demonstrável, uma equação bem resolvida. E há os que conseguem a superação da rotina diária.
Mas, certamente, para todos nós, o tempo é um elemento vital. Basta ver a linha da sombra no chão. Ela vai avançando, à medida que as horas passam, enquanto a luz solar vai mudando de tom e de posição. Mas há uma outra inspiração acerca deste tempo que vai além da projeção da parte sombreada.
     Estamos imersos na temporalidade de todas as coisas e isso é irreversível. Tente lutar contra. É impossível. Ontem, éramos jovens, nossa pele era firme, a coluna uma fortaleza e a vida uma valsa eterna. Hoje, conhecemos melhor o ferrão da finitude. Sentimos algumas dores pelo corpo, precisamos de uma ajuda cosmética e nossa energia baixou um pouco. O que houve com o tempo e a linha do sol?
     Estamos em órbita. E há tanto a fazer antes que o tempo passe. Uma amiga querida me diz que nós, as viúvas, não podemos perder uma só oportunidade (a parte bela da vida, sabe?). Pois, argumenta ela, “o tempo está passando”.
     Sim, minha doce amiga, o tempo está passando. E não há nada a fazer. Para os viúvos, idosos, casados, solteiros, jovens e crianças. Para todos os que trilham a sua estrada neste planeta, virá um dia após o outro, na imensidão da nossa galáxia, no brilho da estrela Vega. E lá vai o astro-rei, e lá vamos nós e assim será. Ninguém pode perder nenhuma “oportunidade”. Cada um agarre a sua, aperte bem contra o peito e, à noite, antes de dormir, agradeça a Deus, faça uma prece, porque isso é o que conta na vida. Sobretudo, a oportunidade de amar.
     Ah, que o tempo não passe, sem que tenhamos amado o necessário e o suficiente. Que a inexorável marcha dos ponteiros não nos encontre apáticos e insensíveis, quando ainda há tempo para dar e receber amor, todo tipo de amor. Amar pode deter a passagem do tempo: esta é a minha teoria. Abraçar o outro, saber expressar o amor, beijar a barriga da filha que espera um menino, dizer “pai, eu te amo”, “mãe, você é maravilhosa”, fazer um elogio, tudo isso faz parar o tempo.
     Amar não deixa ninguém envelhecer. O amor é o antídoto para a suposta velhice, o elixir milagroso da juventude eterna. O amor é o remédio ideal que combate todas as dores, as do corpo e as da alma. É a grande descoberta para os seres “que passam”. E estamos todos de passagem.
     Na contagem do tempo, o passado de cada um é algo bem íntimo, enraizado nos fundamentos do coração. Quanto eu amei? Quanto me doei? Quanto abracei, beijei e disse “eu amo você”? Quantas vezes eu soube expressar meu amor, minha fé, minha esperança, não apenas para mim, mas principalmente para o outro?
     É este o tempo precioso, inestimável, digno. O tempo que passamos amando, o tempo gasto no amor. A sombra no chão jamais concorrerá com as horas vividas na plenitude do amor.
     As pessoas dizem que vivemos num mundo sem amor. É porque já não vemos mais o amor como ele era antes. E porque a caridade esfriou em muitos corações. Deus Pai, o que faz o amor! Do que ele é capaz! Poucos conhecem sua têmpera, seu domínio, sua soberania! Cuidado quando forem amar. Prudência com os arroubos do afeto. Cuidado com a força do amor...

sexta-feira, 17 de maio de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

Entrega das Medalhas MMDC

Composição da mesa com várias autoridades presentes
Ivana Negri recebendo a medalha (representando a classe dos escritores piracicabanos)  das mãos do presidente do Núcleo MMDCde São Pedro, junto com Anna Thereza Prado de Almeida, vice- presidente do Núcleo de Piracicaba


Major Adriana e Anna Thereza
Edson Rontani Júnior, presidente do MMDC/32 de Piracicaba

Com a palavra o presidente da Sociedade dos Veteranos de 32-MMDC Coronel Mario Fonseca Ventura
Major e deputado Sergio Olimpio Gomes
Escritoras e membros da Academia Piracicabana de Letras, do GOLP e do CLIP,  Leda Coletti, Carmen Pilotto e Ivana Negri
Historiador e membro da Academia Piracicabana de Letras Cezario de Campos Ferrari recebendo a láurea do presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba, João Manoel dos Santos
Auditório do Armazém da Cultura, na estação da Paulista

A presidente do Museu Histórico Prudente de Moraes, Maria Antonieta Sachs Mendes também laureada
Capitão Silas Romualdo recebendo a medalha de Tarcísio Mascarin

Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba Vitor Pires Vencovsky recebendo  a medalha
Conselheiro Egydio João Tisiani, vice presidente Maria Thereza Prado Almeida e presidente Edson Rontani Júnior
Vereador Pedro Cruz já com sua  medalha e presenteando Edson Rontani Junior com a estatueta do Nhô Quim, personagem criado pelo seu pai, Edson Rontani

Poestisa Ivana Negri lendo o poema de Paulo Bomfim "Os Jovens de 32"



BLOG Voluntários de Piracicaba




segunda-feira, 13 de maio de 2013

TIROS DE GUERRA





                                                           
            Nunca sentimos qualquer atração pela carreira militar, até por faltar-nos os requisitos da obediência e disciplina.
            Como a maioria dos pais, acompanhamos, aos sobressaltos, o alistamento dos filhos, no Serviço Militar Obrigatório, justamente quando do início dos cursinhos pré-vestibular ou de faculdades. A seleção para cumprimento do Serviço tem, para muitos, o vislumbre de danos à carreira estudantil.
            A expectativa e ansiedade dura até a última apresentação, quando é noticiada a dispensa por excesso de contingente ou efetiva incorporação. No período, não faltam boatos de que prefeitos e outros influentes podem indicar nomes à dispensa, o que subverteria a solidez do procedimento e sua própria credibilidade. Grande parte dos custos dos Tiros de Guerra são arcados pelas prefeituras.
            Na verdade, a rotina dos Tiros de Guerra acaba sendo útil a muitos jovens, que podem descobrir algum pendor pela carreira ou frequentar um ambiente de obediência e disciplina, bastante raro hoje em dia. Dizem que os horrores e sofrimentos de outrora ficaram no passado.
            As regras para dispensas e incorporações devem ser claras, evitando o incômodo da expectativa e desconfiança. É direito de todo alistado saber o enquadramento de cada decisão, eis que pública e necessariamente motivada.
            Tarda o Congresso em editar lei que trate do Serviço Civil Alternativo, constitucionalmente previsto, e que teria o condão de aumentar o benefício da prestação e diminuir o stress da ocasião.
            Sentimos, os pais que acompanham os filhos, a penúria que assola as dependências militares, e a mudança no perfil profissional. Militares tratam-nos com urbanidade, enquanto funcionários civis podem tender a hierarquizar os relacionamentos, como se detentores da altas patentes.
            A maioria dos exércitos, outrora mantida como instrumento de guerra, hoje atua como garantidora da paz. Povos desarmados atraem aventureiros os mais diversos.
            Em fases negras da história, alguns exércitos, por legalistas, garantiram regimes espúrios, enquanto outros deixaram de lado a legalidade para fundar ditaduras. Os exércitos, muitos, dedicam-se a cultuar a ciência, a tecnologia, a inteligência estratégica e um conjunto de valores. Possuem estruturas de engenharia, insubstituíveis em algumas regiões, e promovem a integração e socorro a populações distantes.
            No Brasil, os exércitos seguem pouco assistidos, mas legalistas e profissionalizados. A história insiste em creditar-lhes horrores como se a população civil, principalmente policiais e financiadores, não tivesse tido qualquer participação, e como se não houvesse existido uma guerra armada, ideológica. Para evitar uma ditadura, acabaram fundando outra.
            Militares não são clones, e possuem opiniões individuais, como humanos que são. As posturas profissionais são semelhantes, até por dever de ofício, mas cumpre notar que atrás de cada farda reside um cidadão, com direitos e deveres, alegrias e frustrações. Já é tempo de deixarmos de lado os preconceitos ideológicos e passarmos a enxergá-los como auxiliares insubstituíveis, não ameças.
            Não devemos sucumbir ao infantil e irreal sonho de vê-los prendendo corruptos e desnudando teatros políticos enganadores, pois já assistimos tal filme, e sabemos que o final é sempre imprevisto.

domingo, 12 de maio de 2013

Ventre acolhedor




Benedito Daniel Valim
Eu era amado por ela
desde seu ventre acolhedor,
ela era pobre de bens
porém, era rica de amor.
Cada minuto vivido
naquele vivo bercinho ,
ela me alimentava
com seu sangue e carinho.
Mesmo estando no escuro
não tinha medo de nada,
porque a luz daquele anjo
em abstrato iluminava.
Completando nove meses
chegou a hora de nascer,
a dona de amor tão sublime
finalmente eu pude ver.
Era o anjo-mamãe!

A MISSÃO DAS MULHERES E SUA OBRIGAÇÃO EM DAR AO NOSSO MUNDO O RUMO AOS CÉUS



Ruth Carvalho Lima de Assunção

Folclore, aberrações ou verdades inexplicáveis que nos aturdem e nos deixam em permanentes dúvidas, nos levam a considerar que o ser humano, em sua insaciável vivência, só tem acumulado através dos séculos um arsenal de vaidades, onde o poder é o maior dos atributos, que discrimina, enaltece, e joga na vala os destituídos da sorte.
Mas todo este poder aparente vai se desmantelando com a voragem do tempo indeterminável, imune às promessas, juras e saldos bancários.
A mulher, dentro de suas limitações e embargos, desde as cavernas aos dias presentes tem tentado viver duma forma que vá mais honestamente ao encontro de suas diferenças, num olhar mais meigo e generoso, num mundo que poderia ser a antevéspera do paraíso, onde todos amassem a vida
E dentre suas experiências e valores encontrou em si o imensurável e generoso dom da fertilidade, que lhe proporciona o maior dos amores, o amor materno.
A mulher ama ao seu filho sem compromissos, sem obrigações, sem cobranças.
Ama, porque ama, e não poderá haver amor maior, um sentimento que não pede, não exige, não espera recompensa.
E segue pela vida afora seguindo seus passos, orando por ele, aspirando por sua felicidade e inexplicavelmente vivendo suas angústias, acompanhando suas vitórias e fracassos.
Não há neste mundo de diferentes constelações, um ser que mais compreenda o seu filho e por isso mesmo é a ela, mãe, que se deve dar as rédeas da educação, para vivermos em paz e amor.
                                               

sábado, 11 de maio de 2013

O que é ser Mulher



O QUE É SER MULHER
Elda Nympha Cobra Silveira

Homem!
Você germinou e criou vida
No recôndito de um corpo de mulher.
Ao gerar, essa mulher
O acarinhou  em seu regaço
Deu-lhe calma e
Saciou sua fome
Em seu seio generoso.
Norteou seus primeiros passos
Orientou-o a seguir adiante e a
Balbuciar a palavra Mamãe.

Depois, deixando o lar materno,
Encontrou outra  Mulher
Para  cessar sua solidão
E despertar o sentido
Da palavra amor e para,
Através de uma outra mulher,
Saber o significado da palavra Papai.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Convite - Entrega de medalhas MMDC - Dia da Juventude Constitucionalista


Dois acadêmicos da APL receberão a Medalha de Mérito: Ivana Maria França de Negri e Cesário de Campos Ferrari

Núcleo MMDC/Piracicaba

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O SUCESSOR




Henrique Borlina de Oliveira

Elegeu-se prefeito. Diplomado, estranhou a ausência do antecessor na posse. No dia três do primeiro mês do mandato chegou ansioso à prefeitura. Um homem veio abrir a porta. Pediu que entrasse, cumprimentando o prefeito pela eleição e desejando-lhe sucesso na gestão da cidade.
A prefeitura estava vazia e silenciosa, mas achou por bem não comentar nada ao homem que mostrava ao prefeito o caminho do gabinete como se não conhecesse; afinal, pensou que estivesse chegado muito cedo para as atividades.
Caminhou por passos lentos, seguindo o funcionário. As paredes escuras do corredor o espreitavam. A sala onde antes havia a recepção estava desocupada. No chão, os fios soltos do sistema de telefonia.
- O gabinete é ali, doutor! – disse o homem indicando a porta escura e fechada à sua frente. – Pode entrar, não está trancada. Levaram embora a maçaneta.
Empurrou a porta devagar. Estendeu o braço para alcançar o interruptor. O homem adiantou-se.
- Não há luz. Está cortada faz tempo.
E foi puxando uma a uma as lonas escuras que cobriam as vidraças do gabinete.
Não havia móveis algum na sala. Nem mesa, nem computador, nem telefone, nem armários. Apenas uma cadeira com os estofados esturricados fora deixara para trás.
- Deixaram apenas a cadeira – disse o prefeito com a intenção de aproximar-se. O homem o deteve, segurando-o pelo braço.
- Cuidado prefeito, o buraco!
Sentiu um arrepio na espinha quando viu o buraco no meio da sala e por pouco não caíra dentro.
- Pensei fosse o desejo de um mosaico no piso.
Da beirada tentou enxergar o fundo, mas a parede imunda foi escurecendo a medida que se aprofundava até mergulhar de vez na escuridão do buraco.
- Para que serve este buraco aí? – perguntou o prefeito.
- Não me disseram não senhor! Mas ele está aí, do jeito que deixaram.
- Pelo menos ficou uma cadeira – disse voltando-se para o objeto deixado no canto.
- Fosse o senhor, não sentava nela não!
- E por quê? Preciso de um lugar para despachar...
- Esta cadeira, doutor, é amaldiçoada. Quem senta nela, nunca mais quer sair de cima...
O prefeito sorriu olhando novamente para a cadeira.
- Se der uma reformada, fica novinha em folha!
E quando se voltou para o homem já não estava mais ali. Tragado que fora pelo buraco.

Campos da ESALQ



  Esther Vacchi Passsos

Quanta energia e alegria sentimos ao fazer uma caminhada pelos campos verdejantes da ESALQ. Um lugar maravilhoso, onde podemos contemplar a beleza das palmeiras gigantescas, árvores centenárias, viveiros, animais, jardins floridos e várias espécies de aves no lago nadando junto aos peixinhos.
Este local me faz lembrar que no início do século XX, meu avô Marcelo Vacchi contribuiu para o desenvolvimento do cultivo, cuidando dos jardins e viveiro de mudas.
            Luiz Vicente de Souza Queiros, agrônomo e fazendeiro, fez nesta cidade uma escola. Nas terras da ESALQ colocou seus ideais e seu sonho dourado. Amou tanto este lugar, que o doou, deixando como herança aos cientistas este patrimônio para estudos e pesquisas.
Obrigada Luiz Vicente de Souza Queiros por essa atitude.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Convite

CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS 
Rua Boa Morte, 1257 - Centro 
Piracicaba - SP - CEP: 13.400-140 
Tel. (19) 3124-1889 
VISITE WEBSITE: http://www.unimep.br/ccmw 

Pecar por amor *


 Ana Marly de Oliveira Jacobino

 

Preciso muito de amor
Que venha doado ou não!
Feito em forma de canção.
Amor como vício discreto
Feito luz de lamparina
Amor forte, atormentado
Por sua fugacidade
Feito esponja envenenada,
Bebe na taça vulgar da traição
Mulheres manipuladas,
Nos seus versos híbridos
Digere a alma,
Frágil em vícios e virtudes
Exasperada pela ausência do amor.
O amor declara sua plenitude
Pede perdão por não saber amar
Este seu corpo
Eternamente.
Que seja eterno enquanto dure
Escreveu certa vez o Poeta!

*Nota Histórica:
 Eu tive a honra de conhecer Vinícius de Moraes na casa do meu tio, o Maestro Marconi Campos da Silva, um dos integrantes do Trio Marayá, na época eu era muito criança, e não compreendia a força e a magnitude daquela pessoa que estava sentada no sofá da casa dos meus tios e secava as garrafas de uísque, enquanto, conversava sobre a vida. Já na adolescência e depois na idade madura assisti a seus shows junto com Toquinho.

sábado, 4 de maio de 2013

Teatro


Elda Nympha Cobra Silveira

Aquela cortina vermelha,
Como uma mortalha.
Separava-me da plateia e
Como uma bocarra o pano se abriu.

Meu personagem timidamente
Começou a nascer...
Olhei para todos e
Senti que esperavam tudo de mim.
Meu Deus! É agora ou nunca!
Transmudei em persona
Subjugando meu próprio eu.

Com o tempo só ela passou a existir.
De sucesso em sucesso mudaram
Meu nome,
Hoje sou só o personagem,
Encarnando um papel
 No palco e na vida
Que vai se esvaindo de mim

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A DIFERENÇA ENTRE OLHAR E VER



Ivana Maria França de Negri

              Quando eu era criança, ficava fascinada com os vitrais das igrejas, com suas cores, e com as imagens que pareciam mover-se. Encantava-me com brilho que a luz revelava ao atravessar os vidrinhos coloridos colados uns aos outros. Mergulhava naquele mundo de cores, naquela beleza toda e nem ouvia o sermão do padre...
            Ganhei um caleidoscópio, que eu imaginava ser meu vitral particular. Só eu podia espiar dentro dele. Girava-o de um lado, de outro, e ora formavam-se flores, ora figuras geométricas ou o que minha imaginação ditasse. Eu gostava de pensar que eram pedacinhos dos vitrais das igrejas colocados ali, só para mim.
            Como é bom ser criança e enxergar tudo sob lentes róseas! Ver figuras de bichos nas nuvens, arco-íris no caldo da sopa, fixar os olhos na luz até a visão turvar-se.
            Quando a gente cresce, enxerga o mar nos olhos do namorado, vê anjos nos semblantes dos filhos pequenos, até que, finalmente, no final da vida, já quase cegos para as coisas deste mundo, os olhos se voltam para nossa verdadeira essência, e a gente aprende a ver a beleza da alma.

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