As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Convite - Entrega de medalhas MMDC - Dia da Juventude Constitucionalista


Dois acadêmicos da APL receberão a Medalha de Mérito: Ivana Maria França de Negri e Cesário de Campos Ferrari

Núcleo MMDC/Piracicaba

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O SUCESSOR




Henrique Borlina de Oliveira

Elegeu-se prefeito. Diplomado, estranhou a ausência do antecessor na posse. No dia três do primeiro mês do mandato chegou ansioso à prefeitura. Um homem veio abrir a porta. Pediu que entrasse, cumprimentando o prefeito pela eleição e desejando-lhe sucesso na gestão da cidade.
A prefeitura estava vazia e silenciosa, mas achou por bem não comentar nada ao homem que mostrava ao prefeito o caminho do gabinete como se não conhecesse; afinal, pensou que estivesse chegado muito cedo para as atividades.
Caminhou por passos lentos, seguindo o funcionário. As paredes escuras do corredor o espreitavam. A sala onde antes havia a recepção estava desocupada. No chão, os fios soltos do sistema de telefonia.
- O gabinete é ali, doutor! – disse o homem indicando a porta escura e fechada à sua frente. – Pode entrar, não está trancada. Levaram embora a maçaneta.
Empurrou a porta devagar. Estendeu o braço para alcançar o interruptor. O homem adiantou-se.
- Não há luz. Está cortada faz tempo.
E foi puxando uma a uma as lonas escuras que cobriam as vidraças do gabinete.
Não havia móveis algum na sala. Nem mesa, nem computador, nem telefone, nem armários. Apenas uma cadeira com os estofados esturricados fora deixara para trás.
- Deixaram apenas a cadeira – disse o prefeito com a intenção de aproximar-se. O homem o deteve, segurando-o pelo braço.
- Cuidado prefeito, o buraco!
Sentiu um arrepio na espinha quando viu o buraco no meio da sala e por pouco não caíra dentro.
- Pensei fosse o desejo de um mosaico no piso.
Da beirada tentou enxergar o fundo, mas a parede imunda foi escurecendo a medida que se aprofundava até mergulhar de vez na escuridão do buraco.
- Para que serve este buraco aí? – perguntou o prefeito.
- Não me disseram não senhor! Mas ele está aí, do jeito que deixaram.
- Pelo menos ficou uma cadeira – disse voltando-se para o objeto deixado no canto.
- Fosse o senhor, não sentava nela não!
- E por quê? Preciso de um lugar para despachar...
- Esta cadeira, doutor, é amaldiçoada. Quem senta nela, nunca mais quer sair de cima...
O prefeito sorriu olhando novamente para a cadeira.
- Se der uma reformada, fica novinha em folha!
E quando se voltou para o homem já não estava mais ali. Tragado que fora pelo buraco.

Campos da ESALQ



  Esther Vacchi Passsos

Quanta energia e alegria sentimos ao fazer uma caminhada pelos campos verdejantes da ESALQ. Um lugar maravilhoso, onde podemos contemplar a beleza das palmeiras gigantescas, árvores centenárias, viveiros, animais, jardins floridos e várias espécies de aves no lago nadando junto aos peixinhos.
Este local me faz lembrar que no início do século XX, meu avô Marcelo Vacchi contribuiu para o desenvolvimento do cultivo, cuidando dos jardins e viveiro de mudas.
            Luiz Vicente de Souza Queiros, agrônomo e fazendeiro, fez nesta cidade uma escola. Nas terras da ESALQ colocou seus ideais e seu sonho dourado. Amou tanto este lugar, que o doou, deixando como herança aos cientistas este patrimônio para estudos e pesquisas.
Obrigada Luiz Vicente de Souza Queiros por essa atitude.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Convite

CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS 
Rua Boa Morte, 1257 - Centro 
Piracicaba - SP - CEP: 13.400-140 
Tel. (19) 3124-1889 
VISITE WEBSITE: http://www.unimep.br/ccmw 

Pecar por amor *


 Ana Marly de Oliveira Jacobino

 

Preciso muito de amor
Que venha doado ou não!
Feito em forma de canção.
Amor como vício discreto
Feito luz de lamparina
Amor forte, atormentado
Por sua fugacidade
Feito esponja envenenada,
Bebe na taça vulgar da traição
Mulheres manipuladas,
Nos seus versos híbridos
Digere a alma,
Frágil em vícios e virtudes
Exasperada pela ausência do amor.
O amor declara sua plenitude
Pede perdão por não saber amar
Este seu corpo
Eternamente.
Que seja eterno enquanto dure
Escreveu certa vez o Poeta!

*Nota Histórica:
 Eu tive a honra de conhecer Vinícius de Moraes na casa do meu tio, o Maestro Marconi Campos da Silva, um dos integrantes do Trio Marayá, na época eu era muito criança, e não compreendia a força e a magnitude daquela pessoa que estava sentada no sofá da casa dos meus tios e secava as garrafas de uísque, enquanto, conversava sobre a vida. Já na adolescência e depois na idade madura assisti a seus shows junto com Toquinho.

sábado, 4 de maio de 2013

Teatro


Elda Nympha Cobra Silveira

Aquela cortina vermelha,
Como uma mortalha.
Separava-me da plateia e
Como uma bocarra o pano se abriu.

Meu personagem timidamente
Começou a nascer...
Olhei para todos e
Senti que esperavam tudo de mim.
Meu Deus! É agora ou nunca!
Transmudei em persona
Subjugando meu próprio eu.

Com o tempo só ela passou a existir.
De sucesso em sucesso mudaram
Meu nome,
Hoje sou só o personagem,
Encarnando um papel
 No palco e na vida
Que vai se esvaindo de mim

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A DIFERENÇA ENTRE OLHAR E VER



Ivana Maria França de Negri

              Quando eu era criança, ficava fascinada com os vitrais das igrejas, com suas cores, e com as imagens que pareciam mover-se. Encantava-me com brilho que a luz revelava ao atravessar os vidrinhos coloridos colados uns aos outros. Mergulhava naquele mundo de cores, naquela beleza toda e nem ouvia o sermão do padre...
            Ganhei um caleidoscópio, que eu imaginava ser meu vitral particular. Só eu podia espiar dentro dele. Girava-o de um lado, de outro, e ora formavam-se flores, ora figuras geométricas ou o que minha imaginação ditasse. Eu gostava de pensar que eram pedacinhos dos vitrais das igrejas colocados ali, só para mim.
            Como é bom ser criança e enxergar tudo sob lentes róseas! Ver figuras de bichos nas nuvens, arco-íris no caldo da sopa, fixar os olhos na luz até a visão turvar-se.
            Quando a gente cresce, enxerga o mar nos olhos do namorado, vê anjos nos semblantes dos filhos pequenos, até que, finalmente, no final da vida, já quase cegos para as coisas deste mundo, os olhos se voltam para nossa verdadeira essência, e a gente aprende a ver a beleza da alma.

CulturAllMind

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Abertas as inscrições para o VIII PRÊMIO ESCRIBA DE CONTOS – 2013



REGULAMENTO DO VIII PRÊMIO ESCRIBA DE CONTOS – 2013



1 – O VIII PRÊMIO ESCRIBA DE CONTOS, oficializado por Lei Municipal, é promovido pela Prefeitura do Município de Piracicaba, através da Secretaria Municipal da Ação Cultural e da Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, com o apoio das Instituições Literárias de Piracicaba, com objetivo de dar oportunidade de expressão e manifestação a todo segmento de público.

·          Os concorrentes deverão ter a idade mínima de 15 (quinze) anos.

2 – Os contos serão inscritos mediante o cumprimento das seguinte exigência


2.1 -  Somente  pelo site:

 Os candidatos deverão mandar os três trabalhos inscritos somente para o site: http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/premioescriba

                a) Os arquivos deverão ser enviados no formato DOC (Word)

                b) No e-mail deverá constar  quatro  anexos: um para cada um dos contos, somente com título, totalizando 3 anexos. E outro anexo (4º) deverá constar a identificação do participante conforme o item 3.

                c)Serão aceitos somente os trabalhos enviados com a ficha de inscrição disponível para download no site. Outras formas de inscrição que não sejam a oficial serão imediatamente desclassificadas.

3 – Fica assegurada, com o máximo rigor, a confidencialidade dos dados pessoais dos concorrentes. Os arquivos com os dados pessoais dos candidatos ficarão resguardados, sendo absolutamente desconhecidos dos membros da Comissão Julgadora.

4 – As inscrições estarão abertas de 29 de abril  de 2013 até 31 de maio de 2013, no seguinte endereço eletrônico: http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/premioescriba

5 – Os autores do primeiro, do segundo e do terceiro trabalhos classificados receberão um troféu, um diploma e, respectivamente, os valores de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), R$ 3.000,00 (três mil reais) e R$ 2.000,00 (dois mil reais).

6 ─ Excetuando-se os três primeiros trabalhos premiados em 1º, 2º e 3º lugar , o melhor trabalho de escritor local (natural do município de Piracicaba ou nele residente há mais de dois anos) será premiado com a entrega de um  TROFÉU especial, que se constitui do mesmo troféu do Prêmio Escriba com a seguinte descrição “ Melhor de Piracicaba – Homenagem a Leo Vaz  e da quantia de R$ 1.500,00.

7 – Os trabalhos terão a seguinte classificação:
Os três primeiros lugares; o melhor de Piracicaba; 7 menções honrosas e 10 selecionados.

8 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural indicará um júri constituído de 05 (cinco) intelectuais de reconhecida capacidade, atuantes na área da literatura, os quais procederão à seleção dos trabalhos inscritos, classificando os 21 (vinte e um) melhores contos. Os trabalhos não classificados serão deletados após a seleção e premiação.

9 – Os 21 (vinte e um) contos selecionados serão reunidos numa Antologia, que será editada pela Secretaria Municipal da Ação Cultural e oferecida aos participantes e entidades culturais sem custos adicionais.

10 – Aos classificados não será paga taxa monetária alguma a título de direitos autorais.

11 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural se reserva o direito de veicular a Antologia da maneira que melhor lhe aprouver, sem fins lucrativos.

12 – Os prêmios serão conferidos em cerimônia previamente marcada, a ser realizada no mês de outubro de 2013. Todos os classificados receberão diplomas e 10 (dez) exemplares da antologia.

13 – O julgamento será realizado até o mês de agosto de 2013.

14 – Os concorrentes serão notificados do resultado  por e-mail, e por divulgação na Imprensa a partir da segunda quinzena de setembro.

15 – O simples envio dos contos implica na aceitação direta deste regulamento.

16 – Os trabalhos remetidos em desacordo com este Regulamento (falta de dados precisos ou de difícil identificação e aqueles corrompidos ou infectados etc.) serão sumariamente desclassificados.

17 – A decisão do júri é irrecorrível e não caberão recursos.

18 – Os trabalhos enviados com teor preconceituoso, pornográfico ou que possa ser considerado ofensivo serão desclassificados.

19 -  Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora e a de seleção e Premiação e pela Coordenadoria do VIII Prêmio Escriba de Contos.

Informações na Biblioteca Municipal
 telefone 3433 3674 / 3434 9032, com Junior, Josy ou Clara

domingo, 28 de abril de 2013

NOSSO AMIGO, SEO JOSÉ MARCENEIRO

Angel Raid


Maria Cecília Granner Fessel

Conheci seo José marceneiro por indicação de outras pessoas, quando precisei fazer novos arranjos após uma mudança.
Um senhor claro de baixa estatura, sexagenário magro de pouca fala. Uma dessas pessoas cautelosas que primeiro ouvem e avaliam para depois opinar ou sugerir.    Seu trabalho para nós foi tão perfeito, seu respeito por prazos e datas previamente combinadas tão constante, que até passamos a recomendá-lo para outras pessoas, quando nos perguntavam quem fizera tal serviço. Imaginem que ele até conquistou a confiança de nossa velha gata Mila, que ficava junto dele enquanto trabalhava...
Depois, falando de filhos e netos, ficamos sabendo que ele se casara com uma jovem nissei, filha de imigrantes japoneses da região noroeste do estado.
Os anos passaram, ele atendendo pacientemente nossos pedidos, até que viramos amigo a trocar histórias de vida.
Foi então que ele, com espontaneidade e seu jeito brincalhão, nos contou a história de seu casamento, quando tinha apenas 18 anos e apaixonou-se pela nissei ainda mais nova, tendo que enfrentar a família da moça, que vivia cercada e vigiada por pais, irmãos, tios e primos. Sendo ela menor de idade, ele se arriscava ainda mais, pensando até que teria de enfrentar a polícia ou um processo judicial para conseguir casar-se com ela. Mas o sentimento dos dois era forte e ele uma pessoa decidida- como é ainda hoje- então eles foram se arriscando, arranjando formas de se encontrar, até que houve um confronto decisivo...
Num certo domingo, foi ele até a praça da cidade onde morava a moça, resolvido a levá-la consigo, pois assim tinham previamente combinado as escondidas. Segundo ele, estava mesmo disposto a tudo, não tinha mais como desistir de ficarem juntos, seja o que for que acontecesse...Então, de repente, ele viu chegar uma Kombi -daquelas primeiras que apareceram- cantando pneus e parando perto dele no jardim. A porta se abriu e começou a despejar na praça uma pequena multidão de japoneses de todas as idades e tamanhos, com todo o ar de quem está pronto para a briga, vindo na sua direção!
Ele ria enquanto nos descrevia a cena, dizendo:-
-O que eu podia fazer? Já tinha chegado até ali, me preparei para apanhar, mas também não ia deixar barato!
Aí a turma toda me cercou, todo mundo falando e gritando ao mesmo tempo, num português misturado com japonês, até que o chefe da família ordenou silencio e começou a conversar comigo do seu jeito meio atrapalhado. Eu, meio sem entender, fui ouvindo, concordando, até que chegamos num acordo. Tempos depois, fui buscar a moça e nos casamos, tivemos filhos e um deles até foi trabalhar no Japão durante algum tempo... Mas, antes dos filhos, aconteceu me aconteceu coisa pior...
- O que foi, seo José?- perguntamos ansiosos...
Pois é, logo que casamos, ainda em tempo de lua de mel,fui consertar o telhado e caí lá de cima, fraturei a coluna e tive que ficar 30 dias de bruços, imóvel e esticado sobre duas cadeiras, para ter uma chance de me recuperar..
Eta gente de pensamento forte!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Palestra no CLIP - Monteiro Lobato

Neste sábado, 27, a escritora Cecília Figueiredo vai falar sobre a vida e a obra de Monteiro Lobato às 15h na Biblioteca Municipal

quinta-feira, 25 de abril de 2013

EMOÇÕES



Helena Curiacos Nallin

O meu interior é uma casa
Com muitas portas fechadas
Só se abrem quando lá dentro
Batem fortes sentimentos.

Nesta casa tem um quarto
Com muitas jóias guardadas
E para abri-lo nem penso
Só uso o meu sentimento.

O maior dos sentimentos
É o amor que já temos
Quando ele se revela
Explodimos de emoção

 As jóias quando tiradas
Devem ser bem usadas
Com muita sabedoria
Para nos dar só alegrias

Não devemos ter lá dentro
Negativos sentimentos
Para não aflorar emoções
Que nos tragam arrependimento
Um dia ouvi de meu pai
Quando tinha pouca idade
“só o que tens dentro de ti
Dar-te-á  felicidade”.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Poesia ao Vento no SESC teve como convidado Armando Alexandre dos Santos


Leda Coletti, Cassio e Ivana Negri, Armando Alexandre dos Santos, João Athayde, Madalena Tricânico, Carmen Pilotto, Silvia Oliveira e Irineu Volpato
Uma divertida exposição no SESC sendo bastante apreciada pelos escritores presentes.
Momentos de descontração antes da palestra ministrada pelo acadêmico Armando Alexandre dos Santos sobre  a vida e a obra de Brasílio Machado
 Carmen e Ivana
Silvia e Irineu
Armando Alexandre
Carmencita
Cassio Negri se divertindo
Carmen e seu novo amigo
Athayde também curtindo fiscalizado por Irineu
Leda Coletti e o garoto das flores
Vista geral da exposição "BOTEQUIM" que vale a pena ser visitada
Carmen e Cassio


sábado, 20 de abril de 2013

DAS AREIAS PALMILHADAS NA INFÂNCIA INVASIVOS HABITANTES DE NOSSOS CALÇADOS DE ADULTOS



Carmen M.S.F.Pilotto

Nas ondas banhadas pela lua ternas recordações
de um mar enfurecido vomitando milhões de conchas
mantos dos moluscos que já partiram adultos
descartes imaculados que se confundem à areia
como fóssil reverberado pelo oceano febril

incrustadas nas saliências provocadas pelas marés
invasivas pegadas infantis surrupiam as carcaças
no ir e vir das espumas vultuosas

um micro-apocalipse que desperta a inércia dos banhistas
lavando a alma da escassez de emoções da rotina
camadas e camadas do precioso nácar cristalizadas
onde os bicos das gaivotas não conseguem degustar

Netuno espreita com seu tridente o ocaso do planeta
do Homo sapiens que destrói seu próprio mundo
e rouba a concha  que apoiada no tajer da sala
seca de vida perdeu o brilho do nácar
como enfeite estático  de energia roubada
sem  o lindo som  dos ecos do oceano...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Premiação




A poesia Luz na Alma de Lídia Sendin ganhou primeiro lugar no Concurso Nacional do CNEC (Campanha  Nacional de  Escolas da  Comunidade) Unidade de Capivari, na Categoria Sênior. 
A poesia Corpo Água ganhou prêmio de Edição no mesmo Concurso e foram publicadas numa coletânea.

Lidia Sendin

Eu vi o sol raiar, parece incrível,
Em noite de tormenta e raios mil,
É fato que ninguém acha possível,
É coisa de pessoa já senil.

Tomada do pavor do impossível,
Senti o estremecer da alma febril,
Pois sol em noite negra não é plausível,
Assim como o verão no mês de abril.

Só mesmo procurando achar a calma
Na brisa que refresca após a chuva,
Que encontro no horizonte a clara cor.

E a descoberta é feita mais na alma,
Que vibra quando o ódio ela derruba
E brilha em nós o bem que faz o amor.



CORPO ÁGUA 
Lídia Sendin

Como é bom ser água, ser adaptável
A qualquer caminho.
Elemento instável,
Vai comendo a pedra
Abrindo veredas, procurando um ninho,
Penetrando rochas, encontrando um veio,
Ser da vida a seiva.
Ser dura de gelo, ser leve no céu.
Ser o mar na terra.
Ser bruma e véu.
E após o ciclo santo
Voltar ao natural,
Ao seu primeiro encanto,
Ser sempre eu mesma,
Ser de novo igual.