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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sobre arte e liberdade de expressão *


Quadro que fazia parte da mostra encerrada

Ivana Maria França de Negri

Tempos sombrios estes, quando não se pode manifestar livremente a própria opinião e já mil dedos são apontados em nossa direção nos condenando sem perdão: fascista, golpista, homofóbico, nazista, ignorante, falso moralista, intolerante, reacionário, racista, carola, hipócrita, opressor, fundamentalista, entre outros adjetivos menos nobres, sendo que não nos encaixamos em nenhum. Somos julgados, condenados e fuzilados virtualmente!
É essa democracia que pregam? Colocando mordaças nas bocas? Impedindo o outro de ter opinião diferente? Onde fica o livre pensar dessa tal democracia?
O que me fez escrever este artigo foi a malfadada exposição que um Banco do Rio Grande do Sul patrocinou usando verba pública, quase um milhão de reais. Exposta,  uma cesta com hóstias, e nelas escrito nomes impublicáveis. Quadros com imagens de pessoas praticando zoofilia explícita e figuras de crianças mostradas de maneira vulgar, práticas que se enquadram como crimes pelo código penal vigente. Várias escolas levaram alunos para ver essa exposição, pois não havia classificação de faixa etária para visitá-la, mas devido à enxurrada de críticas, e de clientes encerrando suas contas, o Banco resolveu fechá-la antes do prazo determinado. Certamente, mais pelo encerramento de contas do que preocupação com as críticas e crianças. Mas mesmo que houvesse restrição de idade, nada apagaria as ofensas e a falta de respeito.
Nas redes sociais, quem ousou ser contra, foi taxado de hipócrita. Claro que até no Vaticano existem obras de arte com nus. Mas nu artístico é bem diferente de bestialidade. O que mais chocou foi a aberração, usar imagens de inocentes, crianças e animais, que não podem se defender.
Sou a favor da liberdade de expressão em todas as suas manifestações, mas antes de tudo, há que se ter respeito e bom senso para não ferir ou magoar ninguém. E ainda bem que nessa exposição não atacaram a religião muçulmana, senão, ao invés de apenas perder milhões de correntistas, esse Banco já teria sido detonado pelos radicais, como aconteceu com o jornal francês Charlie Hebdo, que  publicou charges ofensivas ao Islamismo e ao Profeta Maomé e doze pessoas foram mortas num atentado.
Claro que matar é abominável em qualquer circunstância! Mas para que mexer com vespeiro? Pra que ofender e satirizar a fé que os outros professam? Quem semeia guerra, colhe morte. Se quer atacar, ainda que com palavras ou através de imagens, saiba que virá uma reação de igual intensidade. É a lei da ação e reação.
Liberdade de expressão tem limites, sim! E isso não reporta à ditadura, tampouco à censura, mas ao respeito, palavra bastante esquecida hoje em dia, principalmente nas redes sociais, onde os dedos apontam de todos os lados e as línguas são mordazes. O que vai passar pela cabecinha das crianças, em idade de formação ainda, que viram aquela imagem de dois adultos contendo um animal para fazer sexo com ele? Que é uma atitude normal? E o desrespeito às hóstias?
Ninguém é obrigado a concordar com o que você pensa ou fala, mas tem a obrigação de respeitar seu ponto de vista sem agredi-lo. Não sei porque as pessoas colocam tudo dentro do campo da política, no mesmo balaio. Eu não pertenço a grupo nenhum, me decepcionei com a política e políticos e quero distância. Essa militância fanática dividiu as pessoas em dois grupos: esquerda e direita, e há um discurso horrendo de ódio vindo de ambas as partes. Ninguém é dono absoluto da verdade, mas cada um deve respeitar a verdade que o outro acredita e tem como sagrada. Deve-se debater com elegância, jamais com palavras de baixo calão. Argumentar e não atacar. E bom senso e respeito devem imperar sempre!
Hóstias com palavras ofensivas à religião católica

* Texto publicado na Gazeta de Piracicaba 22/09/2017


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