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sábado, 26 de dezembro de 2015

DESEJOS PARA O ANO NOVO


Plínio Montagner

Adeus Ano Velho... Feliz Ano Novo... Que tudo se realize no ano que vai nascer: - muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender...
É! Tudo isso é bom, mas muito pouco para quem já viveu muito, trabalhou, sofreu.  Portanto, desejemos que o futuro seja perdulário. Que se abram caminhos e haja mais festas, mais carinhos, mais amizades sinceras, e até novas paixões para abrandar a contemplação do infinito e de refletir sobre o nada.
            Imploremos então, supliquemos, façamos promessas até, para que no Ano Novo estejamos novamente cantando e dançando. Chega de pensar no futuro, basta de trabalhar para os outros. Importemo-nos menos com datas de aniversários.
As dores? Elas vêm e vão. Então, não vamos falar mais de cirurgias, internações, arritmias, tristezas. E não vamos dar bola às indiferenças. Estamos velhos e sozinhos e ninguém gosta de compaixão.
Numa noite de insônia assistia a um filme antigo - “Zorro e a Cidade de Ouro Perdido”. No início me entusiasmei com um diálogo delicado e sutil, entre um idoso e uma linda mulher:
- Não estou importunando?  Dizia ela.
- A senhora é um colírio para os olhos cansados de um velho!
- Nenhum homem é velho quando sabe fazer elogios a uma mulher...
Disto é feita a vida. De momentos. Não importa quantas vezes copiamos frases de poetas.  Quando se sente que nosso tempo útil está acabando é hora de viver intensamente o momento do agora.  Colher o dia, “carpe diem”. O tempo foge.  “Tempus fugit”.
 O crepúsculo da vida chega para todos. Queiramos ou não, nesse momento tomamos consciência do apito final do jogo da vida, que com muita sorte será prorrogado.
Nesses momentos, quem não amou - não viveu. Quem não pediu perdão - vai chorar! Quem não perdoou... nem é bom pensar.
Num capítulo sobre a velhice, o escritor Rubem Alves –“Ostra Feliz Não Faz Pérola” – lança um diálogo com a plateia numa palestra:
- “Senhoras e senhores, vocês estão chegando finalmente à idade em que podem se dar ao luxo de ser totalmente inúteis”...
Após um início de confusão e protestos, continuou, com o propósito de explicar a metáfora de seu discurso:
- “Uma sonata de Mozart é inútil, não serve para nada. Mas uma vassoura é muito útil. Vocês preferem a companhia das vassouras à companhia da música de Mozart?”
“Uma poesia de Fernando Pessoa não serve para nada, é inútil, mas o papel higiênico é muito útil. Vocês acham o papel higiênico mais importante que a poesia do Fernando Pessoa”?
Boa comparação entre a aparente inutilidade da idade da reflexão e a utilidade do óbvio, do banal. Os velhos, sábios ou não, têm permissão e licença para a contemplação, mas sem exagero, que a vida continua, e têm o direito perene de se deliciar com sua falsa inutilidade como um livro fechado numa estante, de ficar sentados numa cadeira de balanço - ou de rodas - ou da maneira que quiserem.
 Nada é ensinado sobre a velhice. Todas as atenções são para a infância, à adolescência e à juventude.
O foco do interesse da sociedade segue as linhas de produção de utilidades e inutilidades. Nenhum projeto contínuo existe para atender as necessidades dos homens da “terceira idade” (eufemismo: velho, idoso, doente, solitário...). Nas escolas não se ensina como cuidar do homem improdutivo.
A velhice não e o destino de todos nós? Então por que os idosos são tratados com menos zelo? O Papai Noel que se cuide. A velhice sempre foi será responsabilidade da família. Sorte de quem tem.
 A sociedade se interessa pelo produto e pelo retorno financeiro. Retorno humano zero! Quem não produz ou não for útil de algum modo à sociedade (ou aos seus cuidadores)  é tratado como uma bola de futebol suja e furada ou a um grampeador quebrado que vai para  o lixo.  É a vez do pragmatismo. O que deixa de ter utilidade perde a identidade, é enjeitado e dá seu lugar ao novo.
Idosos, fiquem com seus próximos, que são os únicos que os amam!
Feliz Ano Novo! Tomara!

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