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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Alguns dias no Chile

       

Eloah Margoni

      Em adolescente não aprendi direito geografia.  Aliás, nada. Mapas em papel e linhas coloridas ou pretas mostrando estradas, mares ou rios, vistas numa sala de aulas, nunca me disseram bulhufas. Daí a vontade de ir aos locais, para verificar aquilo que as pobres linhas não me podiam mostrar. 
     Digo-lhes que, no passado, para viajar, sem exagero fiz verdadeiras loucuras, considerando-se minha idade à época, a limitada grana que possuía e meu sexo. E mesmo mais recentemente as fiz.
     De tudo isso me lembrava ao sobrevoar os Andes. E  em relação aos Andes em si tenho a dizer da minha decepção . Sempre achei que os picos seriam nevados durante o ano todo... Nos verões, de agora ao menos, não o são. Dar de cara com uma cadeia de montanhas muito áridas, desoladas, era assustador.  Perder-se ali, em qualquer época, há de ser acontecimento mortal.
    Vi rochas absurdamente grandes, antes e depois desta viagem, mas tanta falta de vegetação, tal ausência de plantas e a própria constituição das mesmas confrangiam-me o coração, inspirando medo. Não têm aspecto vulcânico aquelas montanhas e nada semelhante a negras, lisas pedras gigantescas, como as que se veem na Ilha da Madeira ou como numa cidade da Grécia chamada Meteora e em diversos outros lugares. Eram inóspitas ondulações calcárias amareladas, prontas para se deixarem lixiviar devagar, por águas que possam passar por ali, tingindo-as com seus detritos, lembrando-me mesmo, vistas do alto, as corcovas de uma infinidade de camelos imensos, aglomerados, parados, como se não tivessem porque nem para onde ir. Não se parecem nada com os Alpes ou com Apeninos tampouco aqueles montes.
   A aridez confirmou-se ao chegarmos à cidade. Muito baixa umidade do ar, e fazia bastante calor naquela época do ano; era fevereiro.  Acontece que nós mesmos, abominando a secura que tomava conta da região sudeste de nosso país em pleno verão antes chuvoso, não ficamos felizes com isso; mas Santiago em si descortinou-se muito arborizada e bonita. Metrópole de sete milhões de habitantes, porém com uma organização muito diferente das nossas grandes cidades, se bem que simpaticamente poluída, igualmente. Pode-se observar bem isso do alto Cerro de San Cristobal. Dali vê-se uma cortina opaca pairando sobre a cidade.
     Trânsito equacionado, limpeza das ruas amiúde, solicitude das pessoas em geral, certa calma e ordenamento da metrópole, bairros bonitos com fontes pequenas nas esquinas, muitos bancos cuidados nas ruas e em avenidas para que as pessoas possam sentar-se, e transportes públicos abundantes chamam atenção.
    Pela arquitetura apaixonei-me completamente. O lado moderno da cidade mostra arrojo, criatividade, harmonia e beleza.  Fachadas cheias de plantas. Voltei odiando mais do que nunca os feios caixotes, pouco imaginativos que são os prédios por aqui.
     A catedral de Santiago, é preciso mencionar, mostrou-se deslumbrante! Mais bonita do que Santa Maria Maior, que é a segunda igreja mais importante de Roma. E há outra igreja que se deve mencionar, a de São Francisco. Bem antiga essa última, mantendo paredes originais de pedra. E fica numa rua central, bem popular e movimentada.
     Nos arredores da cidade, sempre rodeada pelos Andes, surgem-se aqui e ali vinícolas, nichos de plantações, que são oásis no meio da aridez. O oceano Pacífico, muito agitado por sinal, com seus rochedos onde leões marinhos gritam de modo impressionante não nos deixa indiferentes, nem a famosa cidade de Viña Del Mar, onde se planejou o terrível golpe militar que sacrificou e fez sangrar o país, com a morte de Allende. Também nos afeta a estranha Valparaíso, áspera e nua, onde as queimadas anuais acabam com os arvoredos...  Ainda em Valparaíso, na parte portuária, uma placa adverte: região de tsunamis.

    O espanhol é uma língua que me encanta, possivelmente por se parecer tanto com a nossa. Gostaria de conhecer-lhe as variadas cadências de muitos países das Américas, porém esses países, pobres muitas vezes, com moedas mais fracas ainda que a nossa, têm custo de vida muito caro. De assustar. Então, por essas e outras, a gente, quando pode viajar e optar, nem sempre os escolhe para visitas... Pena (eu acho).

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