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sábado, 11 de outubro de 2014

12 de outubro

                            


                                                                       Pedro Israel Novaes de Almeida

Poucos reparam, mas 12 de outubro é também o dia do Engenheiro Agrônomo.
            As atenções parecem voltadas às crianças e N.S. Aparecida, homenageadas na mesma data. O comércio explode em promoções voltadas ao público infantil, e devotos reverenciam a padroeira.
            Não podendo competir em popularidade, resta ao agrônomo alegrar crianças e aplaudir a Santa. O comércio não faz campanhas voltadas à venda de botinas, nem lança games onde o objetivo é a produção de alimentos.
            Ninguém faz promessas nem paga penitências ao agrônomo, que segue operando milagres pouco reconhecidos. Quando a safra é boa, o milagroso foi São Pedro, mas quando a produção é pouca, o culpado é o engenheiro.
            Houve um tempo em que a humanidade não comia flores, nem cuidava adequadamente do meio ambiente. Ninguém ousava pesquisar a diferença de produtividade, animal e vegetal, segundo o tipo de música que embala a criação ou área cultivada.
            Hoje, carnes, leite e ovos são analisados segundo o grau de conforto e bem estar vivido pelos animais, e a composição de produtos de origem vegetal depende do stress vividos pelas plantas.  Aos poucos, surge a psiquiatria agronômica.
            Já não basta produzir alimentos em quantidade. Os alimentos devem nutrir de maneira saudável, sem qualquer mácula à natureza.
            Se alguma lebre, pássaros ou qualquer outro habitante do planeta resolver comer a plantação, o agrônomo é forçado a conviver com o intruso, dando-lhe de comer, e ainda restar algum produto para ser vendido. Muitas vezes, é forçado a deixar a água doce escorrer para o oceano, enquanto morre de sede a plantação. O direito ambiental passa, com razão, a integrar o currículo da agronomia.
            Se grupamentos humanos invadem a plantação ou criação, só uma ordem judicial pode determinar-lhes a saída, após intermináveis negociações, enquanto plantas e animais padecem.  O engenheiro tenta explicar aos radicais que o eucalipto, soja, milho, capim e outros vegetais não possuem filiação partidária, nem estão a serviço de interesses escusos de dominação. Acabam especialistas em sociologia e comunicação rural.
            Agricultura e pecuária deixaram de ser compartimentos solitários e isolados da atividade humana, e hoje integram o turbilhão de inovações, crenças e precauções da sociedade. A boa e farta produção de alimentos ainda é o principal ingrediente da popularização de governos e pacificação dos povos.
            O agrônomo não possui o poder e candura da Santa, nem a pureza das crianças,  mas compete com professores a irrisoriedade dos salários e desvalorização da atividade. Enquanto professores enfrentam a pouca educação de alguns alunos, com ou sem apoio oficial, aos agrônomos resta a adaptação e entendimento das rebeldias da natureza, provenientes ou não da ação humana.

            Doze de outubro é, de fato, uma data especial.

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