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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

NÃO FIQUEMOS CHATOS PELA IDADE



Plinio Montagner

Está aposentado? Acabou o dinamismo? Ficou sem plateia e não tem mais em quem mandar? Se vire! Só não faça uma coisa: não se aposente se for para ficar aporrinhando a família. A velhice é dura mesmo.
O Elixir da Longa Vida - de Irving Wallace, é um excelente de ficção. O protagonista era um cientista que havia inventado um remédio que prolongava a vida, mantinha a beleza e o dinamismo. Nem imaginem os perigos que ele passou.
Ficar velho, doente, e feio, ninguém quer. Mas fica. O tempo é inexorável e não tem sentimentos. Só no plano da ficção a juventude é eterna.
Não há quem conteste, mas o elixir da juventude e da longa vida é o amor, a fé, a família, o dinamismo, o trabalho, uma ocupação, mesmo seja o melhor da vida: os prazeres (de repente não era pecado...).
Quem tem um mínimo de energia deve consumi-la, fazer um jardim, regar as plantas, brincar com os netos, dançar, fazer compras, cozinhar, lavar pratos.
O pior que pode acontecer ao aposentado, fora a doença, é a perda de amigos e a indiferença; daí a melancolia toma conta da pessoa. Aposentar e ficar parado não é bom para ninguém.
Não quero nem pensar em instituições – Lar dos Idosos,  Melhor Idade, Terceira Idade, Melhores Anos, Pedaçinho do Céu, Anos Prateados, Lar disso e Lar daquilo, os nomes são bonitos, mas só amenizam a tristeza.
No entanto, essas instituições, quando boas, podem ser um lugar melhor para morar do que com uma família sem condições de ficar ao lado do idoso.  
Os melhores anos da vida são os da infância e da juventude.
As cidades têm clubes e praças onde há diversão e se joga de tudo: truco, vinte e um, tranca, mexe-mexe, dama, e também onde se joga conversa fora. Mas não são lugares para morar.
Para reconquistar a liberdade, o idoso precisa reconquistar sua independência afetiva, voltar a gostar de si mesmo, e talvez fosse bom morar um pouco distante da família, noutra casa. Suas coisas ficariam no mesmo lugar, o radinho, a lanterna, o canivete, o cortador de unhas, a tesourinha, as revistas e jornais não iriam parar no lixo, ouviria as músicas do seu tempo, assistiria à TV e dormiria a qualquer hora. E ainda poderia zanzar pela casa à vontade.
Se a família vive num apartamento fica mais difícil. Se possível o idoso deve viajar e parar de ficar economizando.
O idoso deve se vestir bem. Nada roupas e chinelos gastos, óculos antiquados. Deve ficar diferente. Comprar perfumes caros. Deixar a barba crescer se tiver vontade e tomar todos os chopes e vinhos que não foram tomados (se o médico concordar...).
 Quem perdeu a vontade para essas coisas boas é porque a melancolia já chegou. Agora precisa ser enxotada com urgência.
Ninguém vai se preocupar também se você vai ou não à missa, ou, se de repente, ficou ateu ou achou seu Deus. Tenha o melhor plano de saúde. Isso é importantíssimo para não empobrecer a família.
Cultivar a arte da amizade é importante. Quem se sente velho, ou se for mesmo, deve conversar bastante, ler, contar piadas, e às vezes, se refugiar onde existe silêncio. Se de repente se sentir só, vá à casa de um amigo, mesmo sem ser convidado. Dê presentes. Se puder, esteja atento a datas de aniversários.
A Internet é uma amiga que põe o mundo diante do nosso nariz. E é mais fácil mexer com o computador do que se imagina.
Não seja daqueles tipos de velhos mal cheirosos, relaxados. Corte o cabelo no melhor barbeiro e frequente a manicure. Seja elegante. Aposente suas bermudas velhas e os óculos antiquados. Use óculos escuros, da moda. Não pare de dirigir. Faça implantes, pinte o cabelo caso não se sentir bem com os seus; seus amigos não vão ligar.
Implicância? Zero! Deixe o cachorro do vizinho latir à vontade nem implique com o lixo fedorento que deixaram na porta de sua  garagem.
Quer viver feliz com sua família? Se for para criticar ou dar conselhos, feche a boca. Não se intrometa na vida do genro, da nora, da sogra, nem de ninguém.
Existe um vício que se torna pior na velhice. É a presunção. Presunção para tudo, sem saber que muitos chegam ao fim da jornada tão ignorantes quanto eram no início dela.
A velhice é momento da reflexão e deixar a razão para os outros mesmo se tiver certeza de que está certo.

Os anos vividos não são privilégios para sermos donos da verdade, nem ranzinzas nem repetitivos. E quando estiver batendo papo conte só uma vez suas histórias...

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei sua crônica!
Muito real, como tudo que tem escrito.
Por mim acrescentaria apenas duas coisinhas mais:
1- Ninguém muda com a idade. Quem era "chato só fica mais chato ainda, quem sempre foi simpático a simpatia aumenta e ilumina:
2 Lugar de idoso é sempre com a família!!!!!!

Dirce Ramos de Lima