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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Praças e Pessoas



                                                     Pedro Israel Novaes de Almeida

            Houve um tempo em que as praças eram centros de convívio, e não meros atalhos.
            Em algumas cidades, a banda alegrava o ambiente, e o coreto servia como palco à apresentação de artistas locais. Na maioria dos municípios, sequer as bandas sobreviveram, e com elas a descoberta e incentivo a instrumentistas.
            Os jardins eram mantidos graças aos educativos porretes dos guardas municipais, não raro idosos e dedicados servidores. Fontes luminosas e lagos embelezavam o ambiente, à época bem iluminado.
            A música era irradiada por sofríveis alto-falantes, e entremeada por propagandas, de sorvete a funerária, até que a chegada das 22:00 horas decretasse o silêncio absoluto. Não existiam as sons ensurdecedores e desrespeitosos dos carros, agora transformados em bregas discotecas ambulantes.
           Homens e mulheres formavam diferentes círculos, que caminhavam em direções opostas. Aos poucos, as mulheres mais atraentes eram chamadas pelo interessado para fora do círculo, iniciando a paquera.
           Mulheres feias andavam em bando, evitando o constrangimento de terminarem a noite perambulando solitárias pelo círculo feminino. Homens idem.
            Não existiam cantos de crack, e os raros casos de violência diziam respeito a bandos rivais de bairros distintos. Havia ainda os que julgavam-se proprietários das ex-namoradas, e os irmãos ungidos censores dos relacionamentos das irmãs.
            O comércio dizia respeito à venda de pipoca, sorvete, algodão doce e quebra-queixo, complementado pelo boteco da praça. Crianças brincavam e idosos comentavam feitos nem sempre ocorridos.
            Vez ou outra, a pipoca era premiada, com minúsculo torresmo, enquanto o quebra-queixo indicava se original a dentição do consumidor. Os molhos para pipoca, surgidos ao longo do tempo, figuram como a pior invenção da humanidade. Sorvetes variavam a cor, mantendo a característica de gêlo tingido.
            As praças tinham vida própria e eram repletas de memória. As conversas não eram tecladas e o relacionamento mais pessoal.
            Os locais públicos estão sendo esvaziados, a cada dia menos frequentados, por insegurança ou novos hábitos. A convivência torna-se cada vez mais restrita, com cada grupo escolhendo seu gueto.
            Reurbanizar praças, jardinando-as e garantindo-lhes ambientes seguros, é bem mais importante que construir portais, não raros escandalosos. Praças permitem a convivência, e portais são meros detalhes visuais da chegada.

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