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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

TER E MANTER NÃO É FÁCIL


Plinio Montagner

Se a felicidade pudesse ser comprada, e fosse fácil, todo mundo entraria no céu para comprar. Mas seria em vão porque a alegria se dissiparia rapidamente na busca de outros desejos.
Na verdade, é uma utopia o caminho da felicidade, e como querer chegar ao final do horizonte, que ao chegar, vê-se outro, e depois outro, e assim por diante.
A felicidade não aparece como um presente de aniversário, basta pedir. E não adianta procurá-la. Ela vem sem hora marcada, como as tristezas e os tsunamis da vida.
O mais sensato é aguardar. Felicidade é isso, ela chega sem avisar. E quando é breve e rápida a gente nem percebe.
Há momentos maravilhosos que não são aproveitados. Um conselho sábio é aproveitar a vida enquanto se está bem.
O silêncio, por exemplo, é algo que conforta, e não custa nada. O sorriso, gesto tão simples, acalma. A delicadeza, um carinho, um abraço confortam. Um bilhetinho inesperado - “eu te amo”, faz chorar. Um minuto de felicidade pode ser uma vida.
Ninguém é arauto a defender ideias e definições, muito menos de felicidade. Muita gente não percebe a diferença entre lar e casa, como escreveu o poeta, talvez Cruz e Souza, não me lembro:
Um lar é coisa que não se compra; pode-se comprar uma casa, mas só uma mulher pode fazer dela um lar”.
Esse aforismo ensina que a pessoa amada tanto pode remir pecados como instigar a arrependimentos.
O impulso da posse, e do ter, deixam de ser perdulário quando a posse for um bem material necessário e que custa as economias da vida. Nessas circunstâncias as pessoas ficam perturbadas e confusas.
Um corretor de imóveis contou-me que um cliente ganhou um apelido no primeiro dia que apareceu na imobiliária para comprar uma casa. Deu uma canseira danada aos corretores. Não havia explicação que o deixasse seguro. Não parava de retrucar: - E se o dono não comparecer para assinar? E se a esposa se arrepender? E se o financiamento não sair?
Era só esse “e se..., e se,..., e se...”.
O apelido pegou na hora:  - Fulano, o “Essê” chegou.
Somos tentados a gastar. É um comportamento atávico estimulado pelas ofertas de necessidades inexistentes. Daí a máxima atribuída a Sêneca (56 -d.C.): “Nada será bastante para quem acha pouco o suficiente”.
Ninguém discordaria também desta: “Os perdulários nunca serão felizes, pois o pouco, que é suficiente, nunca será o muito, para a conquista da felicidade.
Bens materiais caros e supérfluos são as primeiras tolices que fazem os ricos emergentes que ganham montanhas de dinheiro da noite para o dia. E depois, se os negócios falirem, ou o corpo emperrar, ou a beleza esvair-se e o dinheiro acabar, o luxo esnobe se transforma nas fantasias dos despojados.
É o tema da fábula atribuída a Esopo, A Formiga e a Cigarra, recontada pelo francês La Fontaine (1621), embora atualmente contaminada pelas paráfrases de humor.

Tudo se resume: não somos nada, viemos do nada e vamos para o nada. E a felicidade se torna uma coisa simples quando basta o que é necessário.

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