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segunda-feira, 22 de julho de 2013

C I N E M A S


               Plínio Montagner

Sinto saudades dos tempos em que eu ia ao cinema. Agora me dá uma gastura só de pensar nisso. Quando vou é porque fui levado. Perdi a vontade, a paciência. Tenho medo. Muitas pessoas vão ao cinema só para zoar e atrapalhar os outros.
Um amigo me contou que ele estava assistindo a um filme quando uns adolescentes começaram a rir e falar alto. De repente, uma senhora acompanhada do marido, levantou-se e, aos berros, começou a passar uma severa repreensão nos bagunceiros. Ante a eloquência da mulher o grupo saiu.
A firmeza da mulher não adiantou; os mal-educados não obedeceram, não se curvaram; não ficaram quietos. Foram embora.
Incivilizados de berço não se curvam facilmente. Demonstrações de inconveniência acontecem em todos os lugares. Basta o ser humano não ter a mínima formação de moralidade.
É sempre assim - a certeza da impunidade favorece a desordem e as infrações. Reprimendas brandas não adiantam. O medo diminuído aumenta a coragem.
Assim acontece quando um policial trata energicamente os delinquentes e os professores são duros com alunos licenciosos. Ambos serão execrados, punidos.
Antes não era assim. Quem tem mais de 50 ou 60 se lembra que as pessoas eram mais educadas, e o cinema era uma opção agradável, um acontecimento romântico.
Os filmes também incentivavam a ida aos cinemas. O som e as melodias eram compatíveis às cenas e à história do filme.
Hoje, não sabemos se vamos voltar em paz as nossas casas ou se vamos parar num hospital, num canavial, numa delegacia ou jogado em algum lugar.
No entardecer da vida as pessoas ficam mais sensíveis, mais intolerantes, medrosas, mais exigentes e mais sensatas.
Não é à toa que andam dizendo que aposentados são vagabundos, treinadores de futebol são chamados de professor e analfabetos de excelência.
Os valores estão invertidos. Se um cientista descobre uma vacina que acaba com uma doença, nem a vacina nem ele serão fatos relevantes para a mídia.
Se um policial precisou usar sua força física e ou suas armas para dominar um vagabundo, a mídia coloca lá: Policial abusou da “vítima”. Nem grafam que a polícia imobilizara um bandido. Fazem parecer que os bandidos são coitadinhos.
Ir ao cinema seria agradável se voltasse o tempo em que a juventude sentia medo de burlar a lei, medo de repetir o ano escolar, medo de ser chamado vagabundo ou bandido.
Estou me lembrando dos cinemas do interior dos anos 60, fase dos Anos Dourados, quando o filme começava o namoradinho aparecia e se acomodava ao lado da garota.
Proibido para menores de 18 anos era pra valer mesmo. Havia lugares reservados a autoridades.
Atualmente a indústria cinematográfica luta para atrair espectadores. As produções são mirabolantes, cenas violentíssimas, bizarras. Não há praticamente conteúdo humano nem real. Romantismo zero.
Que é dos clássicos Tarde Demais para Esquecer, Suplicio de Uma Saudade, Doce Vida, Suave é a Noite, Melodia Imortal, Casablanca, Assassinato no Expresso Oriente, Golpe de Mestre, Pic-Nic, Testemunha da Acusação, A Um Passo da Eternidade, Janela Indiscreta, e outros?.
Hoje, marido e mulher só vão ao cinema para levar os filhos e netos.
Ficamos íntimos da TV e do computador, mas vale a pena, pelo conforto e segurança. Isto basta, infelizmente.
É uma pena. Preferiríamos, com certeza, assistir a um bom filme a restaurantes, nossos costumeiros programas familiares.



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