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sábado, 5 de janeiro de 2013

O CANTO DO CISNE (Em homenagem ao Maestro Egildo P. Rizzi)


Uma das últimas fotos do maestro Egildo Pereira Rizzi com sua esposa Silvia ( no lançamento do livro da escritora Myria Machado Botelho - na Biblioteca Municipal - foto arquivo de Ivana Negri)

                                                                   Zilmar Ziller Marcos

UMA FRAÇÃO DE SEGUNDO, este é o intervalo entre comando do maestro e a resposta dos músicos da orquestra sinfônica. Esse pequeno lapso de tempo tem, no público já concentrado para apreciar as músicas do programa, o efeito de gerar, em suas mentes, uma premonição do que os seus ouvidos e sua visão captarão em seguida. Não há extensão de tempo suficiente para que esse registro subliminar se manifeste como uma expectativa consciente. Mas é esse pequenino intervalo, entre cada uma das combinações dos movimentos dos braços e mãos do maestro que, na sua continuidade e harmônica coerência com a sequência de notas produzidas pelos instrumentistas da orquestra, capta a atenção dos ouvintes e os coloca como cativos até o gesto final de conclusão da peça executada.
Esse efeito é sentido em sua plenitude pelas pessoas presentes que têm, já registradas em sua memória, as informações necessárias para interpretar os gestos do maestro. . O ouvinte já educado forma uma ligação com a sonoridade da orquestra através da “mis-em-scene” do maestro.
Aos seus movimentos de marcação de compasso, somam-se os movimentos do corpo, indicadores de ritmo e da expressividade que solicita continuadamente dos músicos.
E o apreciador, já sintonizado, vai captando esses estímulos, de cujo somatório resulta, no mais profundo do seu ser, no reduto de suas experiências anteriores, a sensação de estar vivendo um momento de sublime devaneio, que dificilmente poderá ser recontado a quem não o experimentou pessoalmente.
Já estive presente em diversos concertos, apreciei condução de orquestras e conjuntos regidos por diversos condutores. Todavia, ainda não me havia ocorrido interpretar a natureza da ligação que se estabelecia entre o público e a orquestra, e nem, também, questionar porque nem sempre essa parceria ocorria.
Essa fração de segundo, mencionada no título acima, tomou forma, como caminho para o entendimento, no dia 20 de dezembro passado, assistindo ao concerto “A Noiva da Colina”, no Teatro do Engenho “Erotides de Campos”. O programa, reunindo obras de destacados compositores piracicabanos, foi executado pela Orquestra Sinfônica de Piracicaba, com coral de vozes mistas e solistas para alguns números, sob o comando do Maestro Egildo Pereira Rizzi. Alias, entenda-se que, adrede à sua subida ao pódio para reger os músicos, já havia o Maestro laboriosamente preparado a decoração (arranjos orquestrais) de todas as peças do programa e os ensaios para o aprimoramento do recital.    
Conheço o maestro Egildo Pereira Rizzi há muitos anos, por isso não me surpreendeu vê-lo adentrar o palco com suas passadas cautelosas e exalando modéstia em doses desproporcionais à sua estatura. Percebo agora, que o que me surpreendeu, e provocou estas reflexões, foi vê-lo crescer e criar a impressão de que tinha o peso e o volume da orquestra em seus braços. Qual Davi transmutado em Adamastor, colocou o público todo em plena sintonia com as músicas apresentadas, pois nem uma só vez os aplausos espocaram inoportunos, foi sempre na deixa do maestro Rizzi. Todavia, oh Dor! Qual cisne ferido deu-nos sutilmente, ao final, um indício de que seria este o seu último canto.  

Um comentário:

Anônimo disse...

Realmente, perdemos nosso grande maestro. As palavras de Zilmar, certamente, ecoam por toda a urbe e traduzem o ardor com que todos consagravam à estatura músico-cultural do nosso querido Professor Rizzi.
Anivaldo Pedro Cobra