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sexta-feira, 25 de maio de 2012

A CANÇÃO DO VENTO



Ludovico da Silva

Os amanheceres da vida não são todos iguais. As diferenças se manifestam a cada dia que nasce e a força da reação traduz os sentimentos de cada pessoa. Manhãs de sol fazem o astral das pessoas atingir elevação de espírito, tornam-nas alegres, comunicativas, fazendo-as transpirar ares de felicidade. Transmitem euforia nos encontros com amigos. Curtem com prazer uma prosa descontraída. Experimentam uma sensação diferente e comunicativa. Até os passarinhos reagem com alegria, transmitindo com seus cantos uma manifestação de contentamento. Trocando encontros em voos delicados, as andorinhas simulam, ao seu jeito, conversas em gorjeios poéticos. No alto de um prédio, cercado pelo movimento incessante de veículos, o sabiá transmite a dor de uma prisão impiedosa, sentindo o prazer escondido no seu trinar melancólico. Pombos da praça arrulham momentos amorosos. Até os pardais, quando se recolhem em seus aposentos nas árvores, iniciam uma sinfonia estridente, mas que envolvem, igualmente, momentos que encerram com sua música os entardeceres diários.      
Se os dias amanhecem chuvosos, carrancudos e macilentos provocam uma reação de tristeza, sempre fugindo pelos contornos das ruas, enroscando nos guarda-chuvas que se chocam a cada passo apressado. As pessoas até se sentem frustradas pela falta de reuniões informais em lugares comuns para jogar conversas fora É uma melancolia total.
Muito mais alegre e proporcionando uma felicidade sem fim é ver o céu todo azulado, sem nuvens, tempestades ou raios riscando os ares ameaçadores, provocando sensação de medo. Daí não dá.
Mais gostoso é quando um vento suave sopra delicadamente o rosto, permitindo às pessoas sentirem o prazer de uma vida cercada de bons augúrios, tornando os corpos leves, o andar no encontro de um amigo que há muito tempo não vê, na saudade que o tempo traz.
Abrir a janela e olhar que o dia desponta cheio na esperança para um mundo sem tristezas.
Na cidade, às vezes, o vento assusta, porque transita pelas ruas que o cercam. Canaliza sua força em vãos estreitos e embrutece o seu passar nos embates aos obstáculos à sua frente. Não oferece uma música suave no toque às flores e no farfalhar dos ramos das árvores. O bom é senti-lo nos campos abertos à sua passagem, quando emite uma sonoridade de um canto envolto em uma melodia que encanta. Pode até, em manhã inesperada, chegar de mansinho e acariciar as flores de um jardim. Alegres e agradecidas, as flores ensaiam um bailado. O vento vai embora, mas promete voltar. E volta.
O tempo passa e das flores despertam sementes viçosas. O vento as leva para dar vida a outro jardim.
Faça como o vento: semeie flores no jardim de sua vida.

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