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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Perfeição e excelência

Plínio Montagner

Buscar a perfeição, fazer algo perfeito, é perda de tempo, e cansa. Esperar que os outros sejam perfeitos, também é ruim.
A perfeição aflige, faz sofrer, e nunca será alcançada pelos mortais. Os filósofos da antiga Grécia diziam que perfeição não existe, é uma utopia; pois, se o perfeito pode ficar mais perfeito, na realidade não era.
Quem faz um bolo, um dia, mesmo sem querer, vai fazê-lo melhor, ou uma amiga aparece e diz que o dela é mais gostoso; um campeão sempre deseja superar sua marca; quem escreve um livro, na segunda edição muda alguma coisa.
Como tudo é relativo, e não existem parâmetros nem instrumentos nem normas para se chegar à perfeição, é estranho querer julgar alguém ou avaliar um trabalho.
O lado positivo da perfeição é que pelo desejo de se chegar a ela saem ganhando o aprimoramento do homem e de sua obra. Há de se considerar, sendo a perfeição uma impossibilidade, a excelência não é.
O que se aproxima do perfeito é o quase perfeito, que pode ser chamado de excelência, que é factível, pode ser melhorada. É diferente da perfeição, que é estática, imutável.
Ficar nervoso, emburrado, sentir-se inferior porque alguma cosa não deu certo ou se não soube resolver um problema, é bobagem.
É da natureza humana a imperfeição. E tudo que ele constrói tem algum defeito e acaba. O que é errado é desistir por causa das derrotas, porque acha que não vai conseguir fazer melhor.
Quem age assim vai passar a vida toda fazendo tudo mais ou menos. Vai tocar violão mais ou menos; cuidar do filho mais ou menos; ter amizades mais ou menos; fazer um arroz e feijão mais ou menos.
Não consegue aprender o inglês, nem tocar violão? Que se danem o violão e o inglês. Há outros idiomas e outros instrumentos. Ou esqueça isso e fale e cante do seu jeito. Ninguém vai reparar.
Se a perfeição existisse, ela não teria graça; tudo seria feito do mesmo jeito e o mundo não evoluiria. A perfeição só serve de modelo e de parâmetro na busca da excelência.
Imaginemos o homem das cavernas e o romântico João-de-Barro, que canta e faz suas casas sempre do mesmo jeito.
A perfeição é transcendental, é algo além dos limites da natureza humana. Havendo um criador, este sim, teria o privilégio da perfeição.
O “inimigo” do bom, não é o melhor? E o do melhor, não é o excelente? E do péssimo, não é o regular? O regular de hoje não pode ser o melhor de amanhã?
Há uma verdade que dura quase 300 anos, defendida por um dos maiores filósofos da humanidade: Arthur Shopenhauer (Danzig, Alemanha, 1788):
“Cada um tem de ser e de fazer para si, qualitativa e quantitativamente, o mais que puder. E quanto mais qualidades tiver, e mais encontrar em si a fonte dos prazeres, tanto mais feliz será”.
E justifica, citando Aristóteles: “a felicidade pertence àqueles que bastam a si próprios, pois, com efeito, todos os mananciais exteriores de felicidade e de prazer são, por natureza, incertos, equívocos, fugidios, transitórios, ocasionais e, portanto, sujeitos a desaparecer”.
O tempo, como uma árvore que seca, assim nos abandonam o amor, os amigos e parentes, a alegria, o gosto das viagens, o jeito para a convivência social, restando-nos apenas a envelhecência e uma cruel melancolia.
É por isso que quanto mais uma pessoa tem em si, menos precisa de fora e menos serão algo para ela os outros e as coisas.

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