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domingo, 21 de fevereiro de 2010

A vida na cidade grande e no campo - Leda Coletti

(desenho de Matheus de França Cabrini)
A vida na cidade grande e no campo
Leda Coletti

É madrugada. A cidade e a maioria de seus habitantes ainda dorme. No entanto, vão saindo aos poucos dos barracos, das casas populares, seus moradores ainda sonolentos, com mochilas desbotadas às costas.Nelas levam as marmitas de comida. Misturam-se aos companheiros de jornada, nos trens de subúrbios ou metrôs.Muitas vezes coincidem os horários de “picos” e grande parte vai em pé, corpo grudado a outros. Quando isso acontece no retorno é sufocante, pois o cheiro de suor chega a provocar mal-estar nas pessoas mais sensíveis. O destino desses trabalhadores: patamares altos de prédios, indústrias, comércio, etc.Há também os de cidades interioranas, os quais muitas vezes se utilizam de ônibus, ou das conduções das indústrias em que trabalham. Isso sem contar os liberais, que se servem de seus próprios carros.
Também não têm vida diferente os trabalhadores do campo, os bóias-frias. Levantam-se muito cedo e enfrentam muitos quilômetros em ônibus rurais, em péssimas condições, para chegarem às fazendas e sítios. Em cada região do país se dedicam aos diferentes setores da agricultura: cana,cereais, frutas, granjas, hortas,etc.Nas primeiras décadas do século XX, até à metade dele, a situação rural era outra. Essa população morava no próprio campo de trabalho. Uma série de fatores sociais provocou o êxodo rural, sobretudo a introdução de grandes latifúndios, em detrimento das pequenas e médias propriedades rurais.
Diferentes são as funções dessas categorias. Os trabalhadores do campo ajudam a preparar, semear o solo, o qual fecundado dá vazão ao cio da terra, propiciando o milagre do grão, que se transformará em pão na mesa de todos nós.
Já os que se ocupam de afazeres industriais, muitas vezes chegam a ser vítimas das engrenagens das máquinas, quer do ponto de vista físico, quer psicológico. Um infeliz tropeço, um cochilo fora de hora, pode levá-los a um fim trágico.Dizem muito, as palavras da música de Chico Buarque de Holanda, completando esse meu pensamento: “...tropeçou no céu como se ouvisse música/ e flutuou no ar como se fosse sábado/ e se acabou no chão feito um pacote tímido”...
Mas, a vida continua e como diz outro grande compositor da música brasileira- João Bosco-“ a esperança, equilibrista/ sabe que o show de todo artista/ tem que continuar”.E nós que ficamos de fora, como expectadores e consumidores dos seus serviços, mas executando outros – os chamados imateriais- e ligados à cultura, não podemos deixar de exaltá-los e nos darmos as mãos nessa difícil, mas fascinante corrente da vida. Exultemos pois os trabalhadores do Brasil!

2 comentários:

Blog de Ana Marly Jacobino disse...

Caríssima Leda: parabéns pela lembrança dos "operários"que fazem e trazem as bençãos das suas mãos para toda a população. Muito bom ler você Ivana.

Abraços Poéticos Piracicabanos

Ana Marly de Oliveira Jaco

Blog de Ana Marly Jacobino disse...

Caríssima Leda: parabéns pela lembrança dos "operários"que fazem e trazem as bençãos das suas mãos para toda a população. Muito bom ler você Ivana.

Abraços Poéticos Piracicabanos

Ana Marly de Oliveira Jaco