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quarta-feira, 9 de março de 2016

MULHER


Luzia Stocco

“Não vamos mais obrigar nossas meninas-mulheres a esconderem seu corpo sagrado, os homens bestializados é que devem cobrir seus olhos.”
Provocações dos sentidos ou descontrole?
Ainda me lembro quando minha filha, estudante adolescente, ia a pé à escola usando uniforme (normal) e todos os dias tinha seu direito legal de ir e vir negado, pois precisava desviar de dois bares no caminho que ali sempre alguns se sentiam no direito de "mexer" com ela, sendo obrigada, então, a mudar para uma rota mais longa. Este é só um exemplo que compartilho entre centenas que conheço vindos de amigas, parentes, estranhas.
E, como sempre, eu indago: até quando uma parcela do sexo masculino vai continuar acreditando que as mulheres são extraterrestres? que são seres de outro planeta, sempre estranhas aos olhos e tato do sexo oposto? sempre, sempre lhe causando estranhamento e a necessidade de dar uma olhadinha pra trás, como se nunca tivesse visto ou sentido a sexualidade? Homens desta parcela citada, por favor: apreciar o belo é muito mais que isso; pesquisem, conheçam além de suas limitações, enfrentem seus medos e os tabus que lhes foram impostos por seus pais e mães (essas mesmas mulheres que não reconhecem seus direitos e que negam os próprios corpos, que não buscam conhecimento, ou que foram educadas para esse fim: propagar a soberania masculina do sistema patriarcal, remoto na história), sintam mais, acariciem mais, beijem mais, conheçam o corpo da mulher, despertem o prazer nela, valorizem-na, assim como ela é “obrigada” pela mídia e sociedade atual a conhecer e valorizar o corpo masculino.
Tenho pensado ultimamente: “a maioria deles depende do sexo feminino para quase tudo, até para o ato solitário. E cozinhar para a própria sobrevivência então, nem se fale, aí já é tabu ou burrice mesmo, pois é algo que se faz desde a pré-história e que, com a descobetrta do fogo e a invenção da agricultura pela mulher, facilitou um pouco para os machos o acesso à comida. Se essené o princípio básico para mantermo-nos vivos – o ato de alimentar-se – como pode hoje ser encarado com um "eu não sei cozinhar"? Neste caso, ele ou ela já estaria morto se vivesse sozinho. Bom, só por isso já considero grandioso pertencer à espécie das fêmeas, e diria, sábio é aquele que vê isso e por isso é grato. Grato a terra e aos que cozinham.
Até o século XIX a moda cobria o corpo da mulher com a intenção de esconder sua forma, com arames embaixo das saias longas, mesmo nos climas tropicais, e mangas longas e cabelos longos, tudo para esconder, escravizar; espartilhos que a sufocava, porém agradava no âmbito da sensualidade masculina. Além de subtrair-lhe a liberdade de escolha e de defesa pois era tolhida de movimentos rápidos... tente você correr? e isso se aplicava também às meninas crianças. Será que os olhos daqueles homens, o que chamam de instinto (e eu chamo de outro nome) não suportavam ver, não respeitavam o corpo da criança também? é para se pensar, ou melhor, não pensar. Sem liberdade de caminhar, de se expressar, de ser cidadã (lembremos que a mulher só conquistou o direito ao voto no Brasil em 1934). E hoje, o que somos? para onde vamos? querem que cubramos o rosto e o corpo todo como muitas muçulmanas o fazem? Tudo é banal, a violência é banal, extirpar clitóris também é banal? Será que a mulher terá que anular-se e esconder suas formas e curvas naturais para não “assustar” esse tipo de homem?
Que tal, se ao invés da mulher cobrir seu corpo “exótico” o homem passasse a pôr um lenço pra vendar os olhos?
 “Não vamos mais obrigar nossas meninas-mulheres a esconderem seu corpo sagrado, os homens bestializados é que devem cobrir seus olhos.”
Quem pratica a maior parte da violência? Além da violência da fome, do preconceito, da humilhação, que ambos praticam, refiro-me agora à violência física, psicológica, sexual: o homem! Criado nem um pouco com a imagem e semelhança aos deuses. Criado sim, pela ignorância das mulheres suas mães e homens seus pais, num círculo vicioso de geração. Sabemos que as pesquisas hoje apontam que os maiores índices de violência sexual ocorrem dentro de casa, com parentes próximos, e que a maioria das crianças e “pré-adolescentes” não sabe disso e ninguém (nem mesmo a mãe e a escola) lhes conta. Que as mulheres e namoradas pobres que residem nos bairros periféricos são espancadas e nem sequer vão à uma delegacia. Nem B.O, nem processo e ainda acabam agradecendo o agressor por ter se arrependido e estar pagando os tratamentos para sarar logo os ferimentos. Vejo isso no bairro onde trabalho. É ainda a ideia e crença consciente e inconsciente de "propriedade", “patrimônio privado” advinda do patriarcalismo.
E por acaso a mulher se acha no direito de agir assim com um menino ou homem só por que ele estaria com pouca roupa?
Se a mulher deve ser a responsável por tudo de negativo e positivo no tangente à família e filhos segundo apregoa o senso comum, como engravidar, abortar ou abandonar o bebê por vários motivos que ninguém quer saber, fugir de casa, apanhar, cuidar de toda a casa, cuidar ou não dos filhos, cuidar dos alimentos, educar bem ou mal, tornar a cria um cidadão,  acompanhar ou não sua vida escolar, etc e etc, gostaria de saber - se assim o deve ser - por que então ela não é tratada pelas leis e por todos como um ser supremo especial? Com salários, benefícios, cuidados e respeito maiores que o homem? Parece-me haver aí uma contradição. E tanto.
Chega da antiga e famosa frase “Prendam suas cabritas por que meu bode tá solto”, mas “Prendam seus bodes porque minhas cabritas estão soltas”; prendam, segurem, amarrem seus ímpetos descontrolados e doentios porque os nossos ímpetos estão saudáveis e libertados, somos livres, finalmente, rumo à felicidade. 
            Por mais que o sexo feminino erre ao tentar copiar o homem no que ele tem de pior, e erre ao sustentar o mesmo modelo de educação imposto pelas suas mães, posso ver que a mulher está refletindo e tentando algo novo há menos de cem anos (refiro-me ao movimento mais coletivo e de massa) - enquanto o homem vem fazendo o que faz há milhares de anos.
Até quando a sociedade vai nos negar o direito de manifestarmos os nossos sinceros e belos desejos em relação ao sexo masculino? De lhes apreciar sem sermos criticadas ou taxadas por ideias preconceituosas.  Sim, é verdade, pra quem não sabe, sentimos ou podemos sentir tesão, ter orgasmo, sim (pesquisas mostraram que o índice que vivencia um orgasmo é bem abaixo dos 50% ). Assumir e reconhecer que quando estamos ovulando, nosso corpo libera o muco que facilita o ato e que a sensibilidade está no ápice do desejo, e que nessa fase podemos engravidar sim, e que precisamos da ajuda de vocês para que isso não ocorra fora de nossos planos. E que somos muito diferentes de vocês, sim. E que, não podemos decidir e nem arcar com as consequências desses atos sozinhas. E que, fora desse período fértil que dura uns quatro a seis dias mensais precisamos de outras formas de carinhos para nosso corpo lubrificar-se e se preparar para uma sexualidade gostosa e motivadora; diferente do corpo de vocês?  Amigos nas horas boas e ruins?
Outro detalhe: por que a mulher ainda adiciona o sobrenome do marido ao seu ao se casar se a legislação permite que se preserve a sua identidade ou que se faça o contrário também, acrescentando o dela ao dele? Não tem ela individualidade e luz própria? Esta prática fazia sentido quando não havia o pertencimento da mulher por si mesma, mas como propriedade do marido, como já fora citado. Tantas as transformações nas relações familiares  - talvez nem tantas - que não se atentou a outro detalhe: continua-se acrescendo o sobrenome do pai no final do nome dos filhos, em descrédito à mãe. Neste país, quantos pais abandonam o lar para sempre, ou esporadicamente lembram-se dos filhos? Rápido fabricam outros em distintos lugares e quando a criança ou a mãe vai preencher uma ficha ou compartilhar algum prêmio dos filhos depara-se com o seu sobrenome abreviado e em destaque o sobrenome daquele que nem sabe a idade e a série escolar em que o mesmo se encontra. Ela leva um choque. Desde a promulgação da última Constituição do país em 1988 não há mais o termo chefe do lar só para o homem, ambos são os responsáveis pela família. Temos um grande aumento de lares chefiados somente por mulheres. Sua força e resistência foram fundamentais para a construção da sociedade, ainda que obscura pra História. E ainda temos que concordar em generalizar as palavras femininas pelos vocábulos masculinos; todos ou todas? Oque mais podemos suportar? Ouvir o termo pejorativo “comer” sendo que as mulheres  é quem possuem uma boca que os devora; ouvir “ela deu” sendo que quem dá, recebe, uma troca ou uma submissão? As palavras têm força. Pra reforçar estereótipos de gênero ou pra encantar-se com a vida. É só escolher.
             Quem vai mudar tudo isso? Quem terá essa coragem? Que possamos, homens e mulheres, compartilhar de uma busca lado a lado! Talvez investindo num sistema educacional e numa mídia mais ética que ajudem a prevenir abusos e tantas desigualdades e sofrimentos. Que não se atire a primeira pedra quando a mulher se engana, falha, mas que se pergunte onde está o pai? O garoto que não fez a sua parte? Evitemos julgamentos, pois quando nós - homens e mulheres - permitimos que corpos e imagens sejam vendidos em out-door, mídias, redes sociais como mercadorias e nós as compramos, a figura feminina surge estereotipada e manipulada.

·         Ver o movimento “Chega de Fiu Fiu!” no site Think OLGA e nas redes sociais.           

                           "MULHERES DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!"

             E como sempre, eu indago: até quando uma parcela do sexo masculino vai continuar acreditando que as mulheres são ETs? são seres de outro planeta, sempre estranhas a seus olhos e tato? sempre, sempre lhes causando estranhamento e a necessidade de dar uma olhadinha pra trás, como se nunca tivesse visto ou sentido a sexualidade? Homens do 65%, apreciar o belo é muito mais que isso, pesquisem, estudem, entendam, vivam de verdade, enfrentem, sem camuflagem, sem mentiras, seja você, e se não puder ou não gostar do que se é, busque dentro de si, leia mais, sinta mais, acaricie mais, beije mais, e, sinceramente, o resto só é importante para você e não para ELA, em geral.
              E de vez em quando ultimamente tenho pensado: ... a maioria deles depende do sexo feminino para quase tudo, até para o ato solitário; e cozinhar para a própria sobrevivência então, nem se fale, aí já é tabu ou burrice mesmo, pois algo que se faz desde a pré-história, e depois com a invenção da agricultura pela mulher facilitou um pouco o acesso à comida para os machos; e como algo que dependemos totalmente como princípio básico para manter-se vivo: alimentar-se, pode ser encarado com uma negativa "eu não sei cozinhar"? Nesse caso, ele ou ela já estaria morto, então, se vivesse sozinho. Bom, e só por isso já considero grandioso pertencer à espécie das fêmeas, e diria, sábio àquele que vê isso e por isso é grato. A mãe-terra e a grande-mãe, geradoras e provedoras de todos esses 65% dos homens. É pouco.
              Até o século XIX a moda cobria o corpo da mulher com a intenção de esconder sua forma, com arames embaixo das saias longas, mesmo nos climas tropicais, e mangas longas e cabelos longos, tudo para esconder, escravizar a bel prazer patriarcal; além de subtrair-lhe a liberdade de escolha e de defesa, pois tolhida de movimentos rápidos, tente você correr? e isso se aplicava às meninas crianças também; será que os olhos desses homens, o que chamam de instinto (e eu chamo de outro nome) não suportava, não respeitava o corpo da criança também? é para se pensar, ou melhor não pensar. Sem liberdade de caminhar, expressar, ser cidadã...assim o era; e nós, hoje, o que somos? para onde vamos? você tem liberdade de ir e vir ou a Constituição atual está desatualizada? querem que voltemos a usar os saiotes, saias com armação até os pés, espartilhos que sufocam porém agradam no âmbito da sensualidade masculina? querem que cubramos o rosto e o corpo todo como muitas muçulmanas o fazem? extirpar clitóris também é banal? pensemos, amigos.
                    E por acaso uma mulher se acha no direito de agir assim com um menino ou homem só por que ele estaria nu ou seminu próximo à ela? às favas!!
 Nas entrevistas e leituras atuais ou mais remotas que tenho visto, esse fato está ligado à perpetuação e banalização da ideia de "propriedade", advinda do patriarcalismo, “patrimônio privado”, basta olhar para a história!
Ver o movimento “Chega de Fiu Fiu!” nas redes sociais, e outros.


“INFELIZ? DIA DAS MULHERES”

Parabenizo a todas mulheres vereadoras (só temos uma), e às deputadas, senadoras e governadoras, a minoria de saia em meio aos pinguins de terno e gravata escuros, e, portanto não me sinto representada, assim como provavelmente se sentiam as mulheres até 1930. Parabenizo as mulheres cujos companheiros partilham os afazeres da casa, a minoria; às mulheres que possuem faxineiros e empregados domésticos e pajens masculinos, mas cadê?  Às que cuidam do lar e recebem um bom salário por parte do marido e filhos por cuidarem deles, algo com raras exceções; às que assistem televisão, leem livros e jornais ou ficam de barriga para o ar enquanto seus maridos trabalham na casa, pra quê? Àquelas que são satirizadas no volante de seu carro, embora raramente causem acidentes pois a atenção e sabedoria andam lado a lado; Àquelas que choram, sensibilizam-se, FRÁGEIS COMO UMA ROCHA, embora sejam esteios dos lares e fortalezas, que resolvem tudo; Enfim, não quero apenas criticar, mas instigar a sociedade a pensar seus valores e estereótipos a respeito do sexo feminino visando mudanças, que ainda não ocorreram.

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