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quarta-feira, 21 de maio de 2014

CORRER RISCOS


Plinio Montagner

Correr riscos tem muito a ver com liberdade. Quem tem medo, e mesmo assim tem coragem de correr riscos, é realmente uma pessoa livre.
Convém explicar: Ninguém é totalmente livre, e assim deve ser. Sem leis, códigos e regulamentos para limitar o comportamento do homem, não haveria paz nem harmonia na terra, e o caos se instalaria.
O tema do texto é outro.  Estou me referindo a correr riscos para viver melhor e ter sucesso na vida. E para que isto aconteça, além de estudar e trabalhar, o homem precisa ousar, ser um pouco atirado, atrevido, ser diferente, sair de vez em quando da mesmice.
Vejam estas colocações: Quem não diz o que pensa ao chefe, e fica quieto porque tem medo de ser despedido, não é uma pessoa livre. Segue seu bom senso e fecha a boca. Quem não retruca para não comprometer uma amizade, está freando sua liberdade. Quem não diz a verdade sobre a qualidade de um produto para não perder uma venda, e com isso deixar o patrão feliz, sua individualidade fica diminuída. Quem não abandona um emprego ruim, é escravo de si mesmo.
Assim é a vida, seguir preceitos, e aprendendo, que às vezes é preferível ser derrotado a vencer uma discussão.
 Deixamos muitas vezes de fazer coisas boas por medo, por complacência, devido a dificuldades de locomoção, falta de companhia, falta de dinheiro, roupa adequada, melancolia, e assim vai.
Correr riscos é dizer o que pensa, é retrucar, é ser traído, criticado, amado, ouvir nãos, ficar frustrado, passar vergonha, mostrar a cara.
Essas ponderações lembram o filme “Perfume de Mulher”, com Al Pacino e Gabrielle Anwar – Às vezes uma linda mulher está pertinho da gente, a sós, uma música tocando, e não tomamos nenhuma atitude. De repente, do nada, aparece um cara feio e a tira para dançar.
No filme, Al Pacino ousou, e após o vacilo da jovenzinha, retrucou: - “Um minuto pode ser uma vida”. E a diva sorriu.
Sêneca (Séc. I – D.C.), escritor, filósofo e pensador estóico romano, é dele estas citações: Riscos devem ser corridos, pois o maior perigo que o homem corre é não arriscar nada. Quem não arrisca, arrisca tudo.
Já perceberam que em algumas reuniões festivas ou não, sempre há alguém que não diz nada, nem ri? Esse tipo segue o velho ditado: Feche a boca que você passa por doutor.
Rir é correr o risco de parecer tolo, e chorar é correr o risco de parecer sentimental. Não devemos ter medo de ser diferentes.
Escrever? Eu não sei escrever. Nunca fui bom em redação...
Mentira!
Não escreve porque a escrita e a oratória revelam sentimentos, fraquezas, defeitos, e o nosso eu. Esses medrosos, ou espertos, economizam palavras e sorrisos com medo de serem mal interpretados.
Podem estar certos nesse ponto, pois muita gente confunde simpatia e civilidade com vulgaridade e licenciosidade.
Outro fator que leva as pessoas a não correr riscos é a confiança. Quem não confia é porque tem medo de se decepcionar. Mas quem nunca teve decepções na vida?
E, o que há de errado estender a mão a alguém? Muitos não fazem isso, não por aversão, mas porque acham que esse ato significa envolvimento.
E chorar? Choramos escondidos só para não parecermos sentimentais e fracos. Ora, gritos não vencem batalhas nem lágrimas enfraquecem os bravos.
Amar é uma das coisas mais lindas da vida. Mas há quem não ama para não correr o risco de ser correspondido.
Bobalhão!

Lembrete: Viver é correr o risco de morrer.

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