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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Carta aberta para Simone de Beauvoir*


Olivaldo Junior


            As mulheres aí estão, Simone, ainda sofrendo abusos, sinais de um tempo que parece eterno, o da subjugação do sexo feminino pelos homens. Soltam-se as amarras, mas a marca da violência se incorpora nos braços que embalam as crias da humanidade. Humano não é sinônimo de compaixão. Humano é sinônimo de barbárie, quando muito controlada, pois o mundo, embora fêmeo na essência, se deixa externar sob a máscara infértil dos homens da Terra. A Terra, a vida, a alma, tantos substantivos de raiz feminina, mas o mundo, Simone, quer a marca dos falos, a mística falsa dos grandes senhores em terras de escravos e de “mulherzinhas”, suas senhoras. Ora, ora, o tempo é uma bússola que se encabula. E, mesmo que as vírgulas sobre os prós e os contras de um e de outro sexo se despetalem da Filosofia, um e outro, Simone, deveriam ser grandes, porque ambos são unos, mas muitos não entendem que as mulheres são donas e mandam na casa que a Vida forjou. Forjara sua vida, Simone, com as tábuas de um amor que perdurou toda a existência. Experimentou as pessoas e fora experimentada por elas, num banquete explícito de vida, vida e mais vida, que só a vida aos vivos cabe. Coubera no quarto das mulheres que a leram, na sala dos homens que a souberam, na rua dos tantos movimentos, feministas e contra o oposto sem nexo que oprime, subtrai e maltrata a quem os dera à luz. Luz, Simone, é de que o mundo, ensolarado e sem óculos, precisa e precisará por um bom tempo. O tempo é a bússola de que se deve abusar, para que se aprume o rumo das musas que descem do Olimpo e querem só ser.

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