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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

FAMÍLIA, FILHOS, ÁRVORES E LIVROS


Plinio Montagner

Atribui-se ao poeta cubano José Martí (1778/1850) a frase: “Há três coisas que um homem deve fazer em sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.”
É antiga essa citação. Mas agora os tempos mudaram e as pessoas morrem de velho.

FAMÍLIA
Filhos? Não basta tê-los, o que vale é o desempenho dos pais a vida toda. Fazer um filho não é nada, é um breve contato. Filhos duram muito, a vida toda, deles e a dos pais.
Na relação familiar os pais ajudam a prole desde que nascem, e param quando não dá mais. É um comportamento natural.
Então, pela lógica, quando os pais envelhecem, ou ficam doentes, ou não podem mais cuidar de si, seria natural que os filhos os ajudassem, como retribuição pela atenção e cuidados que receberam.
Mas isso não acontece sempre porque nas gerações passadas os filhos se davam melhor. Logo que se formavam saíam de casa, arrumavam emprego e decolavam na vida. Ficavam ricos, sábios e patrões, e em pouco tempo ultrapassavam os pais em conhecimento e independência financeira E os velhos continuavam do mesmo jeito, mas felizes pelos filhos.
Agora não acontece isso com nossos descendentes. Os pais não param de ajudar seus filhos.
Por que não é como antes? Será que antes a vida era mais fácil? Ou porque os pais eram enérgicos? Ou o ensino era primoroso e os alunos ficavam mais bem preparados? Porque foram abolidas as avaliações de aprendizagem? Os professores antigos eram melhores? O ensino era seletivo e não democrático como agora? Ou porque a ética não estava tão conspurcada?
A democratização exagerada das universidades e a distribuição de vagas pelo critério dos famigerados índices de cotas que subtrai vagas dos alunos melhores deixaram o saber como café aguado.  Hoje a maioria dos jovens se esforça e não consegue nem se igualar aos pais.

LIVROS
Escrever um livro? É tarefa difícil, e fácil. O papel aceita tudo. Qualquer um pode escrever. Mas se o escritor for talentoso seu livro será lido prazerosamente.
A arte da escrita anda um pouco banalizada, principalmente se o autor for uma celebridade, como diz o comentarista esportivo Neto, da TV  e Rádio Bandeirantes, “Hoje todo mundo joga bola”.
Em verdade os valores da sociedade andam estremecidos. Pais e  professores não sabem se devem preparar os aprendizes para viver bem ou para se dar bem.
Escrever é algo admirável e extenuante. É uma arte, precisa de talento. Em verdade, arte não é coisa que se aprende. Ela transcende o homem comum. É capacidade inata. Um bom livro dura gerações, faz bem às pessoas, instiga à reflexão e deixa os leitores tristes quando a leitura termina.

ÁRVORES
Plantar uma árvore é um ato de civilidade. É fácil seu plantio. Crianças fazem isso em dias de festas escolares; os passarinhos e o vento também. As árvores são maravilhosas.  Nossa vida dela depende. Dão sem olhar a quem, e não cobram nada.
Dão sombra, espaços para aves e outros animais, material para construção de casas, frutos, e, têm tudo a ver com o ar que respiramos.
Por isso elas devem ser superprotegidas para que a burrice do homem não desnude o planeta.
Uma árvore precisa ser plantada com planejamento e cuidada a vida toda, como filhos. Por isso é que cortar ou podar uma árvore é bem diferente do que cortar bananeira que já deu cacho.
Uma árvore é plantada em local inadequado compromete a segurança das pessoas e bens materiais. Solucionar o problema é difícil, dono é afrontado pelo excesso de burocracia para conseguir a autorização. É provável que o requerente morra e a árvore ficar lá.


Família, filhos, netos, amigos, árvores, festas, animais, livros, trabalho, viagens, alegria, amar, comer e beber, e boa saúde, disto é feito a vida: de momentos, lembrando o poeta argentino Borges.-(Instantes).

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