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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Eu erro, tu erras, ele erra



Ivana Maria França de Negri

            Erros, erratas, revisores, um assunto que sempre vem à baila nas reuniões literárias. Para um escritor, constatar um erro numa publicação, quer seja de digitação, descuido ou falta de revisão, é motivo de muita angústia, já que um deslize publicado é praticamente impossível de consertar. Mesmo que erratas sejam providenciadas posteriormente, nem todos as leem, e o erro perpetua-se quando impresso em livros com centenas ou milhares de tiragens.
            Há anos coleciono recortes de jornais, revistas e outras publicações com erros de todo tipo, até em textos de autores consagrados e famosos, e dos mais conceituados jornais como o Estadão e a Folha.
Antigamente o serviço de um revisor era de primordial importância e os deslizes, imperdoáveis. Já hoje, com o corretor de texto do Word - nem sempre confiável - e com a ajuda de programas instalados para esse fim, tornou-se dispensável o trabalho do revisor.
            Nas redes sociais a rapidez da digitação faz com que as pessoas abreviem ao máximo as palavras, e surge uma nova linguagem, totalmente deturpada e indigerível para quem gosta de um texto bem elaborado.
            Para os poetas, erros em poemas são um martírio, pois podem mudar  completamente o sentido de um verso.
            Lembro-me de um poema meu que foi publicado com um erro de quem o digitou. Uma simples inversão de letras, e saiu “olhos da lama”, quando o correto seria “olhos da alma”. Foi um desastre porque mudou totalmente o sentido da poesia. Fiquei mortificada.
            Desastre maior aconteceu quando faleceu a grande poetisa piracicabana, Maria Cecília Bonachella, e a página que ela coordenava teve edição especial em sua homenagem com poemas dos inúmeros amigos poetas. Por uma falha, até hoje não sei por qual razão, todas as palavras acentuadas desapareceram. O resultado foi catastrófico. Ninguém se conformava. Um amigo poeta, que compôs um poema especialmente para a data, me ligou logo pela manhã, assim que leu o jornal, dizendo: “não sei se rio ou se choro!”. O poema dele tinha o título “Poetando no céu”. Retirem a letra acentuada para terem a real dimensão da tragédia...
Outros poemas tinham títulos como “O vôo da poetisa” e saiu publicado “O vo da poetisa”. No dia seguinte republicaram a coluna, desculpando-se com uma pequena errata, mas a tragédia já tinha se consumado e ninguém nunca se esqueceu do episódio.
Erratas à parte, sei que eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais e eles também erram. É claro que todo mundo tem o direito de cometer um vacilo, pois somos humanos e falíveis. Mas depois deste artigo, tenho a alma (e não a lama!) lavada.
E que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um só deslize no manejo da nossa “última flor do Lácio inculta e bela”. E viva Bilac!

Ivana Maria França de Negri é escritora
(Texto publicado na Gazeta de Piracicaba)

Um comentário:

Maria de Fátima Rodrigues disse...

Rs... Ivana eu não sabia que as publicações em homenagem à Maria Cecília haviam sido tão tumultuadas. Ainda bem que em meu poema não houve problemas. Mas, vc tem razão, fico horrorizada com tantos erros que existem nos textos atualmente, e propositais, não se importam mesmo!! E.. os revisores de textos, se é que contratam profissionais especializados (?) estão muito à desejar.Bjs.