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terça-feira, 15 de maio de 2012

No Parque da ESALQ



Antonio Carlos Fusatto

(Monólogo escrito por ocasião dos 100 anos da
 Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”)

Rebuscando meus alfarrábios, encontrei anotações, de um tempo não muito distante, de uma das últimas caminhadas que o “destino” me permitiu fazer pelo parque da ESALQ, em busca de vigor físico e harmonia espiritual.
Cenário deslumbrante!
Aqui, ali, acolá, estouros de cores balouçantes ao vento ameno. É primavera, gargalhando flores em toda parte, tornando a natureza um poema de bucólica beleza, um painel multicor que somente o Grande Arquiteto do Universo sabe pintar.
Sol em ouro escaldante incendeia a terra, embora a manhã apenas esteja começando.
Grande quantidade de pessoas, divididas em pequenos grupos ou casais, caminham tagarelando pelo parque, indiferentes à misteriosa magia que as cerca, jovens estudantes, alegres e brincalhões, caminham para as aulas “num ritual cotidiano”, afinal estão vivendo a “primavera” de suas existências.
Inconstantes ventos tépidos parecem carregar ânforas de perfumes sobre os vergéis, inundando tudo com a fragrância da estação. Céu azul e nuvens gigantescas emolduram a paisagem multicor, onde flores jovens por toda a campina tremulam ao suave toque de audaciosos insetos.
Caminho mais um pouco; paro, observo, sinto a inconstância do vento batendo em meu rosto como a segredar alguma coisa, tento entrar em sintonia com esta Egrégora Cósmica... Mais adiante, o velho e saudoso bonde, ainda bem conservado em seu “pedestal” no meio de um jardim.
O pensamento vagueia pelo tempo e direciona a atenção para o passado: ouço seu ruído inconfundível sobre os trilhos da Rua São João, sinto seu balanço, carregado de irrequietos e até irreverentes agricolões, revejo as normalistas do Normal Rural, em seus uniformes impecáveis, os calouros (bichos) caras-pintadas, saltando dos estribos para fugir dos veteranos, e ouço o sino tocado pelo cobrador a cada passagem recebida.
Essas recordações fazem vibrar a sensibilidade de minh’alma, tocam-na até o âmago. Recomponho a mente e observo que não estou mais sozinho neste local pictórico; jovem nubente posa feliz para as câmaras de prestigioso fotógrafo.
Enquanto filhotes de pássaros chilreiam num ninho que balouça em baixo ramo, expondo a doçura da penugem que guarnece suas gargantas, do alto das árvores, trinados dos sabiás e arrulhos das rolas completam a sinfonia da vida, aumentando a magia do parque.
Mais acolá, a antiga casa do diretor, hoje o bem cuidado museu da ESALQ, onde relíquias históricas da velha escola são conservadas com carinho e devoção quase religiosa. No lago à frente, a nostalgia profunda de uma solitária garça pousada à beira.
O tempo passa lento, continuo minha caminhada, a maioria dos habituais caminheiros do parque foi embora.
A grandeza majestosa das enormes árvores plantadas durante décadas por turmas de formandos ergue-se para o céu em constante e silenciosa oração; lembrança viva daqueles que aqui passaram...
A orquestra da natureza não pára; emite acordes sonoros, provocando neste uma emoção misteriosa, sou espectador e protagonista deste belo espetáculo de vida. Não muito longe, sob a melodia inconfundível da cascata do Piracicamirim, bandos de pássaros bailam pelas nuvens, formando desenhos no ar.
O bem cuidado parque da ESALQ Piracicaba é um santuário ecológico no coração da cidade.

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