As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Oficina ensina a linguagem dos contadores de histórias




Formar multiplicadores potenciais na arte de contar histórias para crianças. Esse é o objetivo da oficina “A arte de contar histórias” que a Companhia As Meninas do Conto realiza neste domingo, dia 9, às 9 horas no Teatro Municipal Dr. Losso Netto.
A oficina é aberta a todos os interessados, independente de possuir ou não iniciação teatral. A linguagem envolverá a conversação através de jogos dramáticos, conscientização corporal, pesquisa de jogos e brincadeiras tradicionais que fazem parte da nossa cultura. Um dos objetivos é definir a figura do contador de histórias, trabalhando a presença, o olhar, a credibilidade, a voz e o corpo.
A partir de uma história narrada, o grupo definirá um “plano de estudo”, ressaltando a importância de análises prévias de histórias, assim como criar um momento de sensibilização com as crianças antes da narração de histórias.
A coordenação da oficina será de Simone Grande, diretora da Cia. As Meninas do Conto. Terá duração de três horas. O programa consiste na realização de exercícios de sensibilização, atenção e concentração como requisitos básicos, a pessoa neutra e o personagem narrador, desdobramento do narrador e a centralização, exercícios com histórias e narração de uma história.
A realização é do Serviço Nacional de Aprendizagem ao Cooperativismo de São Paulo com apoio da Uniodonto Piracicaba, Credsaúde e Teatro Municipal.
Serão disponibilizadas 30 vagas e as informações podem ser obtidas pelo telefone 3424-3730 (Coopep com Eliana) ou pelo e-mail comunicacao@uniodontopiracicaba.com.br

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

EIS-ME



Richard Mathenhauer 
(Pelo Meu Natalício)


Deveria começar como David Copperfield, “Eu Nasci”? Que importa é que nasci! E prova disto, é estar sentado escrevendo o que para muitos nada mais é do que nada. Embora nada seja uma grande coisa, como o meu nascimento foi para mim e para os meus. Primeiro filho homem, primeiro neto homem... Essas coisas. Que importa é que nasci... A – chamemos de química – de meu pai atraiu a de minha mãe e vice-versa, e passados os intróitos e indo para os prosseguimentos, obedecendo a Natureza o espermatozóide mais ligeiro, ansioso sabe lá pelo que, fecundou o óvulo, e o resto todos sabem. Presumo não ter sido o Anjo Gabriel, mas o médico (que poderia chamar-se Gabriel) que anunciou a minha mãe a vida que ela albergava. E passados os meses da gestação, nem mais nem menos, a dor anunciadora como trombetas alardeando a chegada de alguém de significativa importância, “Eis-me!, deveria ter dito se já pudesse dizer algo tão logo saído do útero. “Eis-me, mundo!”, era uma boa frase, porém, mal saído e mal tendo tempo para qualquer esboço de exclamação, admiração ou tempo para cumprimentar os presentes pelo excelente trabalho, veio-me um tapa (dizem que é um tapinha de nada... dizem...) justificado como sendo para que o pequerrucho tome fôlego. E a bem da verdade se há de ter muito fôlego neste Mundo, tantos são os tapas na jornada de nascido.

Deve, quem perde tempo lendo-me, perguntar-se por que cargas d’água estou falando do meu nascimento, posto não ser Ministro, Prefeito, Papa, Pop-star, Jogador de Futebol, etc. É que nesta semana comemoro meus... bem, comemoro mais um ano de nascido desde aquele primeiro tapa. Pensar no nascimento faz-nos pensar na vida presente, na passada, na futura (embora esta não exista em termos reais). E fiquei a pensar na minha, como sói acontecer uma vez por ano desde que, depois de nascido, pude pensar...

Dizem que nasci pesado e grande, fato que comprova que nem sempre o começo sugere o fim. Foi em um 21 de setembro, numa sexta-feira às 9h00. Não sei se chovia, fazia frio, sol, se ventava como ventava quando algo importante acontecia a Ana Terra. Curioso escrever sobre o tempo daquele dia, porque, justamente eu que sou tão dado a observar e a falar do tempo, “sem a responsabilidade de meteorologista”, não perguntei a minha mãe como estava o dia. Provavelmente a coitada estivesse em dores, e fizesse calor senegalesco, frio siberiano ou uma agradável manhã de setembro, isso seria tão irrelevante que nem registro na memória ficou! Da minha parte, assim que nasci, não me interessou o tempo, mesmo porque, depois de um tapa de boas-vindas qualquer interesse fica relegado a segundo ou terceiro plano, e somado ao tapa, o fato de a luz quase me deixar cego, o barulho deixar surdo, ter a pele lesada com tantos toques estranhos e de estranhas texturas...!

Não foi meu pai quem me foi buscar à Maternidade. Conta a lenda que estava a contribuir com as pesquisas etílicas. Delegado à função de conduzir o recente nascido, foi titio Wolfgang (gosto do seu nome, “aquele que caminha com lobo ou como lobo”... enfim). E assim, nascido, buscado e entregue, passados os primeiros dias de beija-mãos, já fui tratando de aprender a me conduzir sozinho para não ter de pegar carona, haja vista que na vida tem-se de andar com as próprias pernas. Então, desenvolvi a técnica peculiar às crianças: engatinhar. Incentivado por mamãe que me botou no chão e bradou: “Vais encontrar o mundo... Coragem para a luta” (mais ou menos como em “O Ateneu”) eu fui. Fruto do tirocínio ia e vinha pelo chão da casa, porém, por cansaço ou por características atávicas, embora não tendo Morato no nome, era-o de sangue - e como bom Morato - gostava de dormir. E dormia debaixo do sofá, debaixo do armário da cozinha, no vão formado pela quina da geladeira e da parede. No princípio houve desespero; seqüestrado não podia ter sido porque não se seqüestra filho de pobre. Poderia ter sido um rapto, uma mulher invejosa de outra cujo filho tinha lindos cabelos negros encaracolados e pele clara e já sabia engatinhar e filosofava... Depois, perceberam que era o sangue. E tornou-se um hábito puxar-me pelas pernas para retirar-me de debaixo de algum móvel. Assim, todos sabiam que silêncio reinante, era sono dominante. Ou... Veja bem como sofre um nascido, sobretudo quando antes dele outro havia chegado. No caso, outra. Minha irmã. Um ano e meio antes de mim, ela sentia-se com aquela típica sensação de que o uso faz a posse. E como a inteligência é uma virtude de família (perdoem-me a falta de modéstia, mas as coisas devem ser ditas conforme são), minha irmãzinha era uma adepta de Charles Darwin, e sentia-se no direito de testar freqüentemente a tal teoria da sobrevivência dos mais fortes. Grosso modo, claro. Então, como dizia lá encima, quando não era o silêncio pelo sono, era por uma banana inteiramente introduzida na minha boca pela maninha cientista que considerava esta minha cavidade que prestava para algumas coisas, como berrar, babar, chorar, emitir uns grunhidos (e num belo dia, dando um bom salto na história, descobriria o Beijo), enfim, que considerava minha boca uma centrífuga, ou Buraco Negro, não hesitava em ir introduzindo tudo o que viesse pela frente. Em decorrência deste seu espírito empírico é que quase mal chegado, quase tive de voltar. Como sucedeu noutra experiência, desta vez com elementos líquidos, verificando quanto tempo um espécime da Ordem Primata, Família Hominidae e Gênero Homo conseguiria ficar sem respirar debaixo d’água: numa lúdica tarde no clube de campo, ela se sentou sobre minhas costas dentro da piscina, e como todo cientista (sobretudo com o gélido sangue alemão) tem um lado disciplinado que sabe esperar pacientemente, esperou pelo resultado, baldadas minhas esperneadas e braçadas. Não fosse uma Alma Cristã passar e notar que o pequeno Sapiens-sapiens já não se debatia mais, não estaria agora contando tais coisas. Claro que não digo que esperava matar-me. Não! Não me passa Caim entupindo a boca de Abel com bananas, nem se sentando sobre as costas do irmão dentro de um ribeirão! Mas, é bom deixar registrado que uma criança pode ser letal.

E os anos se foram passando, uns após outros, e muitos eventos de pequena, média e grande importância ocorreram, uns parentes nascendo, outros morrendo, uns tapas a mais, outras provas de resistência, livre da lupa e do bisturi da irmã, e acabei chegando aqui. Uma quarta-feira de setembro, de clima ameno, com tímidos ensaios de que vai chover como foi muito comum chover em muitos vinte e um de setembro... Mais velho, um bípede já cansado que aprendeu a dormir na cama – embora perdendo aos poucos o típico sono de Morato -, mais inteligente, usando a boca mais para comer que beijar. Presente de mãe desde o princípio em que um presuntivo Gabriel me anunciou... E ainda ausente de pai. Como diria outro nascido que já partiu (sem interferências de irmãs, diga-se de passagem), foi “dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor”: Eis-me!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

PALAVRAS E GESTOS


Ludovico da Silva

É conhecida uma frase popular que define a situação de um cidadão, sobretudo, com respeito à condição financeira: “de mãos abanando”. A pessoa tinha uma situação econômica apreciável e acabou ficando na pior. Perdeu tudo. No carteado, maus negócios ou qualquer outro motivo, relevante ou não. Daí ter ficado de mãos vazias.
Mas as mãos usam de outros meios para transmitir mensagens entre as pessoas, que perdurarão, ao que tudo indica, por toda a vida. Aliás, maneira de agir que não depende de nenhuma tecnologia avançada, nenhum estudo de pesquisadores, porque é uma expressão que decorre de forma natural, espontânea. Nasce com a pessoa e se desenvolve ao passar do tempo, como uma manifestação que surge diante da necessidade de uma explicação pormenorizada. Refiro-me aos gestos, prática utilizada com frequência, uma vez que é muito mais fácil no momento que se faz necessário um detalhamento completo da finalidade proposta.
Nos encontros fortuitos entre as pessoas os gestos são comuns no bate-papo para matar o tempo. Dificilmente deixam de completar uma palavra sem utilizar as mãos, mexer os braços, o corpo e até a cabeça e os olhos para expressar ideias e sentimentos. São gestos que completam uma informação. Funcionam como ligação para entendimento ou esclarecimento de uma situação. Observem quando alguém num ponto qualquer da cidade pede uma informação. Nem precisa ser um visitante. Mesmo alguém que mora na periferia e vai para o centro ou bairro distante isso acontece. Quer saber onde fica uma rua, uma instituição pública ou uma loja comercial. É que a cidade se desenvolve por todos os cantos. O informante fala e com as mãos faz um traçado, contornando ruas, passando por esquinas, para a pessoa chegar onde deseja.
É interessante observar uma pessoa falando ao telefone. A impressão que causa é que ela está à frente de seu interlocutor, olhando no seu semblante, ou até mesmo aguardando qualquer alteração, tanto são os gestos que faz. É claro que esse comportamento ocorre em pensamento que quer indicar e facilitar a compreensão de quem está do outro lado da linha. É feito nesse sentido, ainda que seja apenas uma tentativa de transformar o imaginário em realidade.
Mesmo na conversa frente a frente é comum os interlocutores usarem as mãos na explicação de qualquer assunto. Os gestos esclarecem de maneira bem definida a interpretação que o ouvinte deve ou quer ter.
Colocar laço com nó em um dos dedos da mão para se lembrar de algo a fazer é uma boa recomendação. Mas nem sempre isso funciona ou ajuda. Primeira manifestação da pessoa ao se lembrar de que esqueceu o que devia fazer é exatamente bater com a mão na testa e exclamar: diabos, esqueci!
Entrevistas através de canais da televisão são uma boa amostra na observação de detalhes dessa natureza. Instado a responder a uma pergunta de fácil manifestação, o entrevistado se prolonga por largo espaço de tempo e com a ajuda das mãos tenta esclarecer minuciosamente o assunto em tese. Se necessário, o entrevistador fica apenas na observação ou, caso contrário, intervém delicadamente e “corta” o papo.
O locutor de rádio, solitário no estúdio, não deixa de utilizar esse expediente quando quer mandar um recado ao ouvinte, lendo as anotações publicitárias à sua frente. Da mesma maneira quando deseja curtir um abraço com seu amigo encostado ao balcão de uma lanchonete, saboreando uma bebida gelada, batendo com as mãos às suas próprias costas.
É comum alguém com algum problema pessoal ou de família sair gesticulando no andar pelas ruas da cidade. Nem sempre se trata de algo emocional que toma conta do indivíduo, mas pode ser que ele esteja resolvendo a situação com a sua própria maneira de ver as coisas. Ou, então, para ele, sei lá, nada tenho a ver com isso. E segue em frente.
As mãos servem como ajuda indispensável para um esclarecimento.
Não são só italianos que gesticulam em prosa animada e, para que não pairem dúvidas, sou de descendência italiana. Por isso não tenho do que reclamar. Faço parte.

texto publicado no Jornal de Piracicaba em 27/09/2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lançamento de livro infantil

O escritor e poeta Otacílio César Monteiro convida para o lançamento do seu livro infantil dia 01/10/2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Escolas de datilografia



Ludovico da Silva

Houve um tempo em que saber escrever à máquina fazia parte do currículo de todo jovem que almejasse ingressar no mercado de trabalho e que diretamente envolvesse atividades ligadas a escritórios ou empresas com atenção voltadas à administração como um todo. Por isso mesmo, havia não poucas escolas ligadas a instituições de ensino ou mesmo particulares que se dedicavam a essa especialidade, espraiada pela cidade.
Ao que parece, essas escolas não existem mais. Talvez alguma funcionando em residência particular, o que é um pouco difícil. Tudo em razão do advento do computador, tecnologia que revolucionou o sistema de comunicação entre as pessoas e empresas de um modo geral.
Esses detalhes registrados em poucas linhas são em razão da Escola de Datilografia "Moraes Barros", que por muito tempo funcionou na Rua XV de Novembro, entre as Ruas Governador Pedro de Toledo e Boa Morte. Essa escola era dirigida pela senhora Rosa Orlando do Canto, carinhosamente chamada de Dona Rosinha. Uma senhora tão atenciosa quão simpática, que cuidava dos seus alunos com muita dedicação.
Claro que o aluno iniciava o programa completamente alheio a qualquer conhecimento em relação às atividades. Ademais, não adiantava nada ser esperto pensando em olhar o teclado da máquina. Uma papeleta grossa era colocada de maneira que não pudesse visualizar as letras e também para evitar o chamado "catador de milho". Devia sair formado como bom datilógrafo. A orientação da professora começava indicando o uso de cada dedo das mãos nas letras certas e a peça de espaços. Os parágrafos e as margens, bem como a tecla em que se passava das minúsculas para as maiúsculas. No começo se ouvia aquele teque-teque lento. Com o passar do tempo a agilidade dos candidatos tornava o ambiente bastante movimentado, mas que não atrapalhava em nada, pois cada um cuidava do seu trabalho com toda atenção.
O curso tinha como objetivo o ensino prático de correspondência comercial, em cujo texto de apresentação estava escrito que "o conhecimento da língua que se escreve é a condição primária para um correspondente". Assim se aprendia o significado de termos comerciais mais usados no dia a dia, além da feitura de balancetes e de balanço final do ano comercial, bem como inventário do patrimônio.
Cursei a Escola de Datilografia "Moraes Barros". Não tenho de memória a duração do curso, que contava com apreciável número de jovens, mas me lembro de que para receber o atestado de conclusão o interessado precisava passar por uma série de atividades práticas e alcançar determinada porcentagem de toques, registrados em encadernação muito bem feita, com o nome gravado na capa.
Além de aprender a escrever à máquina, o curso ensinava, também, como usar letras e símbolos para produzir desenhos os mais diversos. Essa prática consta do livreto e até o embelezam. Naturalmente, dependia, é claro, da habilidade de cada datilógrafo para tornar as figuras bem caracterizadas. Delas consta uma fileira de soldados em sentido de prontidão, empunhando armas. Uma cabeça de cão e outra de pássaro. Em fios entre postes, dando conta de transmissão de energia elétrica, aparecem passarinhos em descanso. A balança, símbolo da justiça, está bem delineada. Em página destacada aparece uma moldura, para realçar uma obra de arte, moldada com cabeças de criança.
Não é só isso. As letras e os símbolos possibilitavam a formação de outras figuras, tudo dependia da imaginação do datilógrafo.
Está aí um pouco da história da Escola de Datilografia “Moraes Barros”, que por muito tempo funcionou no centro da cidade e que guarda fortes lembranças de quem a cursou.

sábado, 24 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ciranda Online - Criança em Versos


A Ciranda online já começou.
Vários poetas já enviaram os seus trabalhos.
Entre nesta Ciranda com a sua trova, quadra, hai-cai, soneto, cordel ou poesia livre.

Tema: Criança (a palavra-tema deverá constar no trabalho literário).
Término Ciranda pelo Brasil e pelo mundo: 25/09/2011.
Apresentação da Ciranda on-line ‘Criança em versos’ com todos os participantes: 12/10/2011 (Dia da Criança).

Enviar para Heloisa Crespo
Trabalho literário: Fonte Arial – Tamanho da fonte 12

Nome completo: _________________________________________
Nome literário: __________________________________________
Endereço: Rua ______________________ Nº:___ Bairro:_______
CEP:_________ Cidade:______________ Estado: ___ País: _____
E-mail:_____________________________Tel.: _______________

Participe e divulgue!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

FECUNDAÇÃO

Ivana Maria França de Negri


Estavam de namoro há tempos. Acordou-a do sono letárgico e secular.
Havia nela uma beleza bucólica, serena.
Esperava dele apenas um gesto para sair daquele torpor. Silenciosamente, ansiava que a fecundasse e deixou-se seduzir.
Ele ajoelhou-se febrilmente sobre ela, venerando-a, e a fecundou, colocando as sementes em seu interior.
A plantação estava garantida. Fecundara a terra e acabaria com a aridez daquele vasto deserto. Uma densa mata haveria de brotar.
Do romance entre o homem e a terra, nasceu imenssa floresta.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É puro horror!


(Carta aos amigos)
Eloah Margoni

Alguns dos meus mais caros amigos são desenvolvimentistas. Enxergam nosso caminho de modo diverso do meu, uma ecologista rematada. Creem eles que, para termos simples óculos ou cirurgias avançadas ou internet, tudo tem de ser como é, ambientalmente falando, nas sociedades! Penso que não. Talvez seja excesso de imaginação minha, e o mundo moderno venha num pacote como a “Net Combo”, afinal.

Esses amigos e eu discutimos amiúde, pois sempre defendemos fortemente nossos pontos de vista. Fico parecendo arrogante, mas não é arrogância minha, garanto. É um medo visceral, um completo desânimo, muita angústia, um terrível, imenso desespero! Algo que me toca na raiva e também por isso soa realmente antipático o que digo, sei; eles têm razão nisso. Mas são os primeiros (e puros) sentimentos mencionados que dominam, cortam, fazem sangrar tanto e maltratam. É muito triste.
Sim, diálogo neste ponto é difícil entre quem enxerga ângulos tão diferentes de um assunto (desenvolvimentismo tradicional x ecologismo), pois quase não nos parece mais questão de falar ou de conversar sobre... É questão de agir, é coisa prática, sendo muito doloroso para nós, ambientalistas, vermos tudo andando na contra mão daquilo em que acreditamos (embasados numa linha da ciência e da tecnologia). Não podem me pedir calma.
A nosso (meu) favor, o que digo é que se estiver(mos) errados, nossa linha de raciocínio não ameaça as pessoas nem as nações, até porque existe em lei (só em lei, no papel) o "Princípio da Precaução", e o contrário já não se pode dizer. Ou seja, se o desenvolvimentismo por acaso estiver errado, será grave.

Por outro lado, quem está feliz, com sua linha de visão do país, não precisa da concordância de ninguém, de nada mais necessita, além da grande vitória que já tem! Por que querer tudo? Não entendo. Não permitir que os grandes derrotados desta época em sua ideologia (nos quais me incluo), manifestem seu enorme sofrer de algum modo, é irrazoável, parece-me até cruel. Não se pode pedir que "o homem elefante" ponha terno, que se sente elegantemente à mesa, pois isso não é possível para ele.
Talvez, nós ecologistas e ambientalistas sejamos apenas loucos aberrantes, mas verdadeiros e autênticos. Existimos, o que fazer? Como se sabe, é assim o mundo, “que se chamasse Raimundo”, como disse Drummond, “seria rima, não seria solução”.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Thales Castanho de Andrade - Espaço Poesia - Ésio Pezzato


Esio Antonio Pezzato

Se Thales não cresceu e sempre foi criança,
Por que tivemos nós de nos tornar adultos,
Perder do coração a efêmera esperança
E dos sonhos pueris esmagar nossos cultos?

Hoje dias sem sol nublam nossa lembrança
E fantasmas de dor arrastam os seus vultos.
A ciranda morreu e sepultou a dança,
Nossos sonhos azuis hoje seguem ocultos.

Se Thales mesmo adulto era um simples menino
E de cores povoou nossos sonhos dourados,
Em qual atalho foi que erramos o destino,

E crescemos sem fé, entre dores e miasmas,
Sem sorrisos de sol e sem sonhos alados,
E colamos em nós, máscaras de fantasmas?


domingo, 18 de setembro de 2011

Dia do livro infantil e a obra de Thales Castanho de Andrade





Ivana Maria França de Negri

Alguns locais da internet indicam 2 de setembro como o Dia Internacional do Livro Infantil. Em outros, a data é marcada como sendo o Dia Nacional do Livro Infantil.
Independente de a data ser comemorada nacional ou internacionalmente, o importante é lembrar que as crianças devem ser sempre estimuladas à leitura de bons livros, elas que representam o futuro.
A literatura infantil, quer escrita quer contada, é fascinante. Crianças adoram ouvir, ler e também contar histórias.
Minha neta de quatro anos tem predileção pelo livro El Rei Dom Sapo de Thales Castanho de Andrade. Meu marido contou certa vez a historinha e ela gostou tanto que pede que ele a reconte todos os dias. O personagem Agapito é o seu preferido.
Certa vez, passeando no Shopping, estávamos na livraria Nobel e duas moças, contadoras de histórias, entretinham um pequeno grupo de crianças. Com roupas coloridas, trejeitos e gestos espalhafatosos para dar ênfase a cada frase, as contadoras pareciam mesmo encantadoras de crianças.
Ana Clara se interessou pelas histórias e sentou-se no tapetinho com as outras crianças para ouvir também. Quando as moças terminaram, pediu: - “Conta agora a história do Agapito!”. As duas contadoras de histórias se entreolharam. E ela continuou: -“meu avô sabe!” Ao esclarecermos que era um personagem do livro de Thales Castanho de Andrade, elas confessaram não conhecer nem a história e nem o autor.
Fiquei triste. Como duas piracicabanas contadoras de histórias desconhecem quem foi Thales Castanho de Andrade? Alguma coisa deve estar errada. Thales é considerado o fundador do gênero infanto-juvenil, que antes era atribuído a Monteiro Lobato. Constatou-se que Thales publicou o livro “A Filha da Floresta” em1919 e Lobato editou “Reinações de Narizinho” três anos depois, em 1922. Lobato foi destituído do título que passou a ser de Thales.
Ele viveu em Piracicaba toda a sua vida. Estudou e formou-se no Sud Mennucci, lecionou lá por muitos anos e também no Colégio Piracicabano e em outras escolas da zona rural. Inclusive, foi vereador da Câmara Municipal de Piracicaba. Editou dezenas de títulos da Coleção Infantil “Encanto e Verdade”, hoje ausentes das livrarias.
Eu penso que os livros de Thales deveriam ser mais divulgados e reeditados para que as novas gerações tivessem acesso a sua obra.
Numa época em que nem se falava em ecologia, Thales foi precursor da luta em prol da natureza e era mesmo um ecologista nato.
Sua obra “A Filha da Floresta” fala sobre a devastação das florestas. “El Rei Dom Sapo” conta a história do Agapito, menino rejeitado e de má índole, mas que depois de vários acontecimentos, muda suas atitudes e passa a ser um defensor da natureza. São obras belissimamente ilustradas pelo artista Alípio Dutra e publicadas pela Editora Melhoramentos, dignas de serem adotadas por escolas de todo o país, e divulgadas mais amplamente para que contadoras de histórias piracicabanas se inteirem delas e passem a contá-las.
Uma sugestão ao fundo de apoio à cultura da cidade, reeditar o rico acervo de Thales Castanho de Andrade para que seu legado, de cunho ecológico e educativo, seja conhecido pelas novas gerações. Afinal, esse gênio, idealizador do gênero infanto-juvenil, esteve muito além do seu tempo, e seus livros são conhecidos internacionalmente. Pena que santo da casa não faça milagres.


sábado, 17 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

CURIOSIDADE


Pamela Roberta Esposte - 8º C

A curiosidade é algo realmente interessante, e engraçado também quem nunca quis espiar algo da pessoa ao lado, ou ate mesmo ler o diário de uma amiga?
Na verdade, todos somos curiosos, não é exclusividade de ninguém. Era uma quarta-feira, estava eu sentada no ônibus tocou meu celular, e como sempre não deixo de atender, pude notar umas 3 ou 4 pessoas me olhando, pareciam estar ouvindo tudo o que eu dizia. Acabei a conversa e pararam de olhar, mas a expressão de seus rostos era como se agora tivessem um objetivo, de analisar o assunto. Mas não me contentando, abri um livro e percebi que o olhar da mulher ao lado esticou, era um livro engraçado, com algumas piadas envolvendo pessoas famosas, achei que logo perderia o interesse, me enganei, pois, de repente ela riu. A mulher desceu do ônibus e eu que só desceria no ponto final, continuei minha saga sorrindo.
Sentou um rapaz ao meu lado, e não demorou muito para que ele se interessasse pelo que eu estava fazendo e dar uma esticadinha no olhar. Acho que não gostou muito, porque logo levantou e sentou do outro lado do banco. Continuando minha viagem, dessa vez liguei o radio em um programa que adoro ouvir, mais percebi que não era só eu que gostava, sou meio surda e por isso aumento o volume do fone, e quando percebi o rapaz estava quase deitado no meu ombro pra tentar ouvir o programa; quando mudei de estação, olhei para ele, estava respirando forte, como se estivesse bravo, como se eu fosse errada em mudar a estação do meu próprio rádio.
Tentei voltar a ler o livro, não sozinha, porque o rapaz ao lado também estava lendo, mas como as ruas de São Paulo são muito boas, não consegui mais ler por causa do “balanço”.
Agora tinha que me concentrar em permanecer em cima do banco, fico pensando se ele também ficou bravo porque fechei o livro.
Fico imaginando que qualquer dia vou estar lendo um livro, e quando virar a página a pessoa ao meu lado vai pedir para eu voltar e esperar um pouco.
Agora falando a verdade, quem nunca deu uma esticadinha de olho, não é mesmo? Eu confesso, sou curiosa, e também continuarei esticando o olho caso alguém abra um livro perto de mim.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

RESULTADO 11º CONCURSO DE POESIAS CNEC CAPIVARI

Resultado do Concurso de Poesias de Capivari

CATEGORIA ADULTO  – 18 A 59 ANOS

1º LUGAR
Poesia: OSTRACISMO
Autor: JÚLIO CESAR DA SILVA
Idade: 32 ANOS
Pseudônimo: O VELHO LOBO DO MAR
Cidade: MONTE MOR/SP

2º LUGAR
Poesia: COMO NÓS
Autor: LETTÍCIA CECY CORREIA
Idade: 22 ANOS
Pseudônimo: BAMBINA
Cidade: PARANAGUÁ/PR

3º LUGAR
Poesia: SE EU MORRER
Autor: ANDRÉ TELECAZU KONDO
Idade: 35 ANOS
Pseudônimo: TAKEZO MATSUSHITA
Cidade: JUNDIAÍ/SP

CLASSIFICADAS (POR ORDEM ALFABÉTICA DE TÍTULO)

Poesia: CARTA DE UM ÓRFÃO
Autor: JOSÉ CARLOS DA SILVA
Idade: 38 ANOS
Pseudônimo: LIMOEIRO PEDRA BONITA
Cidade: MAUÁ/SP

Poesia: CONTRAPRODUCENTE
Autor: LUIZ OTÁVIO MOREIRA OLIANI
Idade: 34 ANOS
Pseudônimo: SANDINO ASTOVANE
Cidade: RIO DE JANEIRO/RJ

Poesia: DA MORTE
Autor: IGOR ROSA DIAS DE JESUS
Idade: 24 ANOS
Pseudônimo: MERCÚRIO CROMO
Cidade: RIO DE JANEIRO/RJ

Poesia: ESCRITO NAS ESTRELAS
Autor: FERNANDO CATELAN
Idade: 44 ANOS
Pseudônimo: EU INTERIORANO
Cidade: MOGI DAS CRUZES/SP

Poesia: FILHOS DE EMBARCADOS
Autor: JOSÉ FASUTINO PEREIRA DOS SANTOS
Idade: 51 ANOS
Pseudônimo: ANJO ADAMASTOR
Cidade: ITAJAÍ/SC

Poesia: FRASCO DE PERFUME
Autor: REGINALDO COSTA DE ALBUQUERQUE
Idade: 47 ANOS
Pseudônimo: BONECA DE SABUGO
Cidade: CAMPO GRANDE/MS

Poesia: MEDIDA
Autor: JACQUELINE LOPES SALGADO SOARES
Idade: 36 ANOS
Pseudônimo: SIMPLÍCIA DE ACADÊMICA
Cidade: BELO HORIZONTE/MG

Poesia: NOSTALGIA
Autor: TATIANA ALVES SOARES CALDAS
Idade: 44 ANOS
Pseudônimo: LUNA
Cidade: RIO DE JANEIRO/RJ

Poesia: PASSEIO PELO BULLEVARD
Autor: LETTÍCIA CECY CORREIA
Idade: 22 ANOS
Pseudônimo: BAMBINA
Cidade: PARANAGUÁ/PR

Poesia: POETA OU PALHAÇO?
Autor: ELIÉZER ROBERTO RODRIGUES
Idade: 27 ANOS
Pseudônimo: LééHh RODRIGUES
Cidade: ITAJAÍ/SC

Poesia: SILÊNCIOS
Autor: IVANA MARIA FRANÇA DE NEGRI
Idade: 56 ANOS
Pseudônimo: SCHERAZADE
Cidade: PIRACICABA/SP

Poesia: SONHADORA?
Autor: SOLANGE FIRMINO DE SOUZA
Idade: 39 ANOS
Pseudônimo: FÊNIX
Cidade: RIO DE JANEIRO/RJ

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PRESENTES





Pedro Israel Novaes de Almeida

Não é fácil presentear.
O presente é a consequência natural do comparecimento, em substituição ao antigo telegrama, atual e-mail ou telefonema, justificando a ausência. É fácil presentear pobres, pois qualquer lembrança é útil, e sobra-lhes educação para não medir em cifrões o valor da homenagem.
Difícil é presentear idosos, quando ultrapassam os 90 anos. As mercadorias que necessitam costumam habitar as prateleiras das farmácias, mas recebem de bom grado chinelos, livros, CDs e cosméticos.
Ricos possuem poucas necessidades materiais, e devem ser presenteados com originalidade, como artesanato, bebidas extravagantes, objetos raros e, também, livros. Crianças, ricas ou pobres, ficam encantadas com qualquer presente que não seja roupa, sempre vista como obrigação dos pais.
Quando de casamentos, os presentes visam equipar a nova residência. Com as listas de compras à disposição dos convidados, nas lojas, os casais puderam refrear a avalanche de garrafas térmicas, cinzeiros, joguinhos de xícaras e pingüins de geladeira, que chegavam às centenas.
Os noivos em geral aderiram à moda de nomear dezenas de padrinhos, artifício para melhorar o valor médio dos presentes. A tendência é termos mais padrinhos que convidados comuns.
Existem padrinhos de geladeira, de fogão, de TV, de viagem de lua-de-mel, etc. Até para a comemoração de bodas estão nomeando padrinhos.
São poucos os presentes, quando o convite informa que os noivos despedem-se na igreja. Em pequenas cidades, todos investigam se a comemoração foi, de fato, restrita a parentes e padrinhos.
Nem sempre os presentes agradam. Ninguém fica alegre ao receber um estimulante sexual, creme anti-rugas ou manual de boas maneiras.
Sovinas usam calculadoras para decidir se comparecem ou não a alguma festa. O valor das guloseimas não pode ser inferior às despesas de transporte, somadas ao eventual presente. Só contrariam a regra quando a recepção oferecer vantagens de relacionamento comercial ou político.
É comum, nas capitais, os aniversários com despesas rateadas, sem presentes. Os provenientes do interior estranham tal modalidade de comemoração.
Os livros continuam sendo lembranças universais, da primeira à maior idade, sendo conveniente a prévia sondagem das preferências do homenageado. Para jovens, é difícil fugir dos eletrônicos e roupas de grife.
Existem categorias que devem ser presenteadas mesmo quando não aniversariam ou nada comemoram, pela presença em nosso dia-a-dia, como os lixeiros e carteiros. Um amigo, Madaleno, certamente emendaria: também os poetas.
Presentes são lembranças, e como tais devem ser recebidos. Presentes também preenchem a pauta da semana, quando a falta de assunto atormenta o articulista.

sábado, 10 de setembro de 2011

Prosa & Verso (página literária do jornal A TRIBUNA PIRACICABANA)

(clique para ampliar)
Prosa & Verso é a página literária publicada aos sábados na TRIBUNA PIRACICABANA

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

XXVII Concurso de Poesias Brasil dos Reis


XXVII Concurso de Poesia Brasil dos Reis

Mais uma edição do Concurso de Poesia Brasil dos Reis, realizado pelo do Ateneu Angrense de Letras e Artes.

Regulamento:

terça-feira, 6 de setembro de 2011

CIDADES DE OUTRORA


Pedro Israel Novaes de Almeida

Eram curiosas as cidades de outrora.
As casas começavam já nas calçadas, com janelas que abriam para fora, e não raro atingiam em cheio o pedestre, forçando-o a recitar, um a um, todos os palavrões disponíveis e aprendidos. Eram raras as garagens, e pouquíssimos os veículos.
Os quartos davam para as salas, e qualquer ida ao banheiro era notada pelas visitas. Tal situação pode justificar a presença de penicos, mesmo em residências que contavam com banheiro interno.
O penico constituiu o mais estranho e anti-higiênico utilitário doméstico, afortunadamente desconhecido pelas novas gerações. Pode ser considerado idoso, bem idoso, o cidadão que o conheceu.
As calçadas eram minúsculas, corroborando o hábito do marido seguir na frente, secundado, à distância, pela mulher e filhos. Sovinas cultuam até hoje o hábito, evitando que a família estacione perante vitrines e acabe tentada ao consumo.
As ruas eram igualmente estreitas, não permitindo ultrapassagens na área urbana. Era grande o número de carroças e charretes, obrigando à colocação de bebedouros, para os animais, que deixavam as vias repletas de estrumes.
As charretes funcionavam como táxis, enquanto as carroças possuíam espaços para o transporte de cargas e pessoas. Circos e parques, itinerantes, animavam as cidades.
Os lixeiros já eram heróis, posição que ainda ostentam. Apanhavam as latas depositadas nas calçadas e as vertiam em caminhões abertos, devolvendo-as, em seguida, à inicial localização.
Haviam guardas noturnos, vestindo capas e portando porretes, que perambulavam e manejavam apitos capazes de anunciar a presença e roteiro de qualquer estranho ou suspeito. Ao sinal combinado, todos convergiam ao mesmo ponto.
Leite e pão eram entregues de porta em porta, e o óleo comestível, arroz, feijão e ovos eram vendidos a granel. Toda casa tinha um depósito de lenha, que servia os fogões e esquentava os chuveiros.
Os partos eram caseiros, e as cesarianas impossíveis. As casas mais ricas contavam, invariavelmente, com um piano. As moças eram educadas para serem esposas e mães.
As praças fervilhavam, reunindo multidões, sob o som de alto-falantes que davam recados, além de irradiar propaganda e música. O silêncio noturno começava às 22:00 horas.
Nos quintais, latas, tijolos e madeira serviam de escada para as fofocas entre vizinhas, pelo muro. Eram autoridades o prefeito, o médico, o dentista, o professor, o juiz, o delegado, o dono do cartório e o grande fazendeiro.
Haviam sapateiros, alfaiates, amoladores de facas e ferreiros. As cidades pouco interagiam, as notícias eram tardias e as novidades raras.
A ascensão social era um milagre, e a pobreza confinada.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O VÍCIO


Elda Nympha Cobra Silveira

Percebi um vulto esquadrinhado no meio da rua coberta pelo molhado da chuva fina,que naquela noite parecia penetrar até nos ossos. Mas aquele moço, alheio até das intempéries, curtido de bebida, olhava algum lugar distante, com os olhos embaçados, como a garrafa de vodka, esquecida na mão direita. Que triste cena! Moço bonito, tão jovem e já dominado pela bebida, a vagar com passos trôpegos, sem se dar conta da vida negativa em que se encontrava, nem que era uma negação de si próprio, como se estivesse sendo atormentado por algum fantasma, que o possuía para tirar proveito e usufruir desse vício.
Mas para minha tristeza, fui reconhecendo o rosto que se escondia por debaixo daquela barba, parecendo estar estranhamente emoldurado pelos cabelos em desalinho. Como se olhasse uma imagem em negativo, a luz esvaída dos postes fez que se revelasse diante dos meus olhos o filho de uma pessoa conhecida. Emocionada, levei as mãos ao rosto, fazendo um esforço para conter as lágrimas. No meu espanto emudecido passava um turbilhão de imagens fugidias dentro de mim. E meus lábios, escolhendo alguma palavra compreensível, balbuciaram aquele nome, que ecoou, quase como um gemido difícil de escapar: “Renatinho! O que aconteceu com você, menino? Por que está bebendo desse jeito? E os seus pais? Sabem disso? Meu Deus! Olhe como você está...”
Sem perceber o meu desespero, ele passou por mim, andando de forma brusca e com gestos estudados. Eu ainda limpava as lágrimas do rosto, quando ele virou a esquina e desapareceu como se fosse uma sombra.
Dei partida no carro e no retorno para minha casa fui enumerando vários motivos para que aquele rapaz tão alegre e tão meigo, de repente se transformasse num verdadeiro farrapo humano, alguma razão que pudesse ter motivado aquele mergulho na decadência e na miséria moral mais absoluta.
A razão parecia clara: ele não suportava enfrentar a realidade e por isso usava qualquer subterfúgio para fugir. Seria por comparação o leão do mágico de Oz.
Todos temos força suficiente para seguir um novo rumo na vida. Basta amar a nós mesmos! Toda pessoa tem a responsabilidade de cultivar suas qualidades. Elas são como flores. É só ir regando que elas florescem.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Palavras e Imagens da Itália - Exposição no CCP


Parte dos expositores: Ivana Negri, Carmen Pilotto, Gracia Nepomuceno e Miriam Miranda


Quadros, textos e fotos compõem a exposição Palavras e Imagens da Itália no Clube de Campo de Piracicaba até 15 de setembro
 


Carmen fazendo a aberturada exposição
 

Hermes Petrini abrilhantando o evento com um poupurri de músicas italianas

Que trio!

Contadora de histórias conta lendas italianas para as crianças

Aracy Ferrari ouvindo com seus netinhos as histórias do folclore italiano