As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

SEGUIDORES

MEMBROS DO GOLP

MEMBROS DO GOLP
FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

sábado, 30 de abril de 2011

MARIA EMÍLIA


Maria Emília, Ivana e Carmen - Paris 2008
Ivana Maria França de Negri

Conheci Maria Emília Leitão Medeiros Redi em 2005, mais precisamente num dia 8 de março, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher.
Eu havia escrito uma crônica no Jornal de Piracicaba sobre a Emília, personagem de Monteiro Lobato. A crônica se chamava “Emília, meu tipo inesquecível”.
O telefone tocou logo cedo e era ela, que se apresentou como Maria Emília, dizendo que, apesar de estar muito triste com a morte do seu cachorro de estimação por aqueles dias, o meu texto conseguiu fazê-la rir, e ela se identificou com a bonequinha espevitada e falante. Conversamos por um bom tempo e ela contou que também gostava de escrever, e eu a convidei para aparecer no Golp. – Grupo Oficina Literária de Piracicaba.
Na reunião seguinte, lá estava ela, extrovertida, falante e alegre, como a boneca Emília. E nunca mais parou de frequentar os grupos literários. Em seguida ela entrou para o Clip – Centro Literário de Piracicaba, mais adiante para o Clube dos Escritores, e mais recentemente, com a reorganização da Academia Piracicabana de Letras, como acadêmica tomando posse da cadeira no 38, tendo como patrono o professor Elias de Melo Aires.
Escreveu um livro infantil “Memórias de Susy”, depois uma coletânea com várias de suas poesias e o último, junto com Carmen, Leda e eu, mais um livro de histórias para crianças que teve duas edições, num total de 4 mil exemplares.
Em 2008 viajamos juntas para a Europa e ela sempre com sua alegria esfuziante e a gargalhada gostosa que se fazia ouvir de longe.
Sua maior felicidade foi ter ficado avó da pequena Maria Emanuella, sua paixão.
Mas a vida sempre nos prega peças e ela partiu cedo deixando muita saudade.
E aquela minha crônica, sobre a impagável Emília, inspirada criação de Monteiro Lobato, terminava assim, citando um trecho de Raquel de Queiroz: “Emília não tem medo de ninguém, nem da vida, porque boneca propriamente não vive, nem da morte, porque boneca não morre. Bruxa de pano com olhos de linha preta, assim mesmo acha que tem tudo, não quer ouro nem fortuna, nem amantes, nem poder. Só quer aventuras e o direito de abrir a boca e opinar sobre o que bem entende. Emília, meu exemplo e minha aspiração, tantas vezes meu raio de sol asneirento, faísca de liberdade, de coragem e de insolência, minha mestra e meus amores - Emília, Marquesa de Rabicó...” .
Vá em paz, amiga, missão cumprida...

Comunicado de falecimento

Faleceu ontem, dia 29 de abril de 2011, a escritora e poetisa piracicabana Maria Emília Leitão Medeiros Redi, que pertencia ao Golp, ao Clip, ao Clube dos Escritores de Piracicaba e à Academia Piracicabana de Letras

Maria Emília em sua última participação em evento literário, autografando livro infantil na inauguração da nova biblioteca de Piracicaba



Lançamento do livro infantil "MEMÓRIAS DE SUSY"


Lançamento do livro de poesias "QUANDO O JARDIM DA MINHA ALMA FLORIU POR INTEIRO""
 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CASAMENTO REAL

Pedro Israel Novaes de Almeida

Foi um alívio não havermos recebido qualquer convite para o casamento Real, na Inglaterra.
O casal certamente ficaria ofendido com um simples telegrama, e seríamos forçados à compra de algum presente, tipo garrafa térmica, cinzeiro, joguinho de xícaras ou aquele famoso pingüim para ornamentar a geladeira.
Sairíamos do casório com fome, pois, nas recepções muito chiques, a comida tem nomes estranhos, ingredientes raros e é servida em minúsculas porções, além de recomendarem, os bons modos, não perseguir o garçom, nem ficar postado à saída da cozinha.
A noiva sairá da igreja em carruagem de luxo, puxada por cavalos afrescalhados, repletos de enfeites por todo o corpo. Para manter a tradição da demora, mesmo na Inglaterra, haverá um proposital atraso de trinta segundos, na chegada.
Minhas acompanhantes estranhariam não poder ir ao quarto da noiva, para ver os presentes, espraiados na cama. Dizem ainda que, no palácio, as convidadas não costumam ir ao banheiro em comboio, tipo romaria.
Nosso inglês, ainda que restrito ao ensino oficial, daria para desejar aos noivos um gud futuro, torcendo para que a resposta seja breve e pausada. A família Real é respeitada na Inglaterra, e exerce grande influência, sem precisar submeter-se a eleições, nem prometer cargos, verbas, concessão canais de radio e TV, etc.
Não é fácil pertencer à Realeza. Só nascendo nobre ou casando no palácio. Antigamente, golpes de Estado e guerras geravam nobrezas, mas agora só geram novos mandatários.
Foram convidadas somente 1.900 pessoas, do círculo íntimo do casal. Nem nós nem o próprio Obama estamos na lista. Será um desfile de grifes e trajes personalizados, com as mulheres usando chapéu, mesmo que o tempo esteja nublado. Pareceríamos palhaços, calçando o número 45 daqueles sapatos tipo bico fino.
Teríamos problemas com a segurança, pois lá nenhum agrônomo porta canivete, e nenhum celular parece um tijolo. É proibido brincar com os cães do palácio, e não poderíamos esboçar qualquer reação, caso um deles julgasse sermos um poste.
A noiva não vai jogar nenhum buquê, nem haverá chuva de arroz. Ninguém se atreverá a colocar latas na traseira da carruagem oficial, e os noivos não deixarão a festa, após a coleta de presentes. Na praça, não haverá as intimidadoras ofertas de guardadores de carros, que por aqui privatizaram os espaços públicos.
O Serviço Secreto cuidou da segurança do príncipe, sondando se não existem obesas na família da noiva. Sondou, ainda, se a eleita não possui parente com mandato, em países emergentes.
Pensando bem, foi bom não havermos sido convidados.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Oficinas de Produção de Textos - Crônicas e Contos da professora Josiane

Encaminho para divulgação, em anexo, o folder das Oficinas de Produção de Texto - Crônicas e Contos - que serão ministradas pela professora Josiane Maria de Souza, em uma parceria do Núcleo Universitário de Cultura da Unimep-NUC, e do Curso de Letras Licenciatura em Português.

A oficina de conto versará sobre o processo de criação do conto com ênfase  nos principais elementos da narrativa: tempo, espaço e personagem

A oficina de crônica tratará do gênero crônica: a crônica narrativa.

N ú c l e o U n i v e r s i t á r i o d e C u l t u r a d a U n i m e p

F C H - L e t r a s - L i c e n c i a t u r a e m Po r t u g u ê s

Oficina de crônicas

14 de maio - 8h30 - Unimep Campus Taquaral

Inscreva-se através dos telefones: 19 3124-1603 e 19 3124-1889,

ou através dos emails: nuc@unimep.br e ccmw@unimep.br

Vagas limitadas. Haverá entrega de certificado.

Oficina de contos

18 de maio - 14h - Centro Cultural Martha Watts

Ministradas pela Profª Drª Josiane Maria de Souza, coordenadora do Curso de Letras - Português da Unimep.

U n i m e p

LETRAS

NUC/2011//arte:FernandoA_B

promovem :

Inscrições a par tir de 2 de maio / 2011

Informações: 19 3124-1603 - 19 3124-1889 - nuc@unimep. b r - www.unimep.br/nuc

 
Outras informações estou a disposição:

Joceli Cerqueira Lazier
coordenadora
Centro Cultural Martha Watts e
Núcleo Universitário de Cultura
fone: (19)3124-1889

terça-feira, 26 de abril de 2011

Relatos de uma tragédia

Camila Giangrossi Meleke

Março 2011, manhã do dia sete, aproximadamente 8h15, entre devaneios e utopias me pego pensando na vida.  A vida segue calma, entediante até, ao longe ouço a professora que, entre A mais B, explica conteúdos que não fazem sentido... Ao longe ouço estrondos, secos, fortes... Talvez sejam fogos, afinal amanhã teremos comemoração, nossa escola fará quarenta anos de existência. Espere! Não são fogos! Tiros, sim são tiros... Socorro! O que está havendo... Não! Não! Espera...
Sem chance de defesa, fui uma das primeiras a fechar os olhos pela última vez, sigo em paz, sou um anjo agora! Um anjo... Antes da hora... Um anjo... Dentro da escola, um anjo! Um anjo que agora devaneia em outro plano! Um anjo...

domingo, 24 de abril de 2011

XIX CONCURSO DE POESIA E PROSA DA ACADEMIA DE LETRAS DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA

PATRONO: Acadêmico Nege Além

Tem por objetivo revelar poesias e trabalhos em prosa, inéditos; aprimorar o gosto pela arte literária; e incentivar novos talentos.

Tornar enaltecidos imortais da Academia de Letras de São João da Boa Vista, que dão nome aos prêmios do primeiro colocado, em cada categoria literária do concurso, bem como o patrono de cada edição.

Poesia - Prêmio Emílio Lansac Toha

Prosa - Prêmio Fábio de Carvalho Noronha


PRÊMIO ESPECIAL – 3ª IDADE- OTÁVIO PEREIRA LEITE

INSCRIÇÕES

Os trabalhos deverão ser enviados para: Academia de Letras de São João da Boa Vista, Rua Bruno Balestrin, 79- Perpétuo Socorro- CEP: 13870-549 – São João da Boa Vista – SP, aos cuidados de Ana Lucia Finazzi. Ou via Internet, pelo e-mail – academiadeletras@alsjbv.com.br  conforme edital anexo.

ACADEMIA DE LETRAS de São João da Boa Vista/SP

Rua Cap. José Alexandre, 355 - São Benedito

13871-000 - São João da Boa Vista/SP - Brasil

Fone: (19) 3623 4155 - (19) 3633-5101

Acesse nosso site:
http://www.alsjbv.com.br/

sexta-feira, 22 de abril de 2011

PÁSCOA


Cássio Camilo Almeida de Negri

A Páscoa para os judeus é a comemoração da fuga do Egito, isto é, a transformação do modo de vida escravo, sob o jugo do faraó, para sua libertação, que seria a ressurreição desse povo.
Quando fogem enfrentam vários obstáculos, como o mar vermelho, que se abre para a passagem, fechando a seguir e matando seus perseguidores.
Após, o povo judeu se vê no deserto, desesperado, mas mantendo sua meta de encontrar a terra prometida.
É como se essa multidão estivesse escravizada à matéria, representada pelos egípcios (os judeus tinham uma vida relativamente boa lá, Moisés era conselheiro do Faraó) mas algo os fazia querer renascer como povo liberto, na Canaã, apesar de terem que sofrer ainda por quarenta anos no deserto.
A Páscoa para os cristãos, é a ressurreição de Jesus, isto é ele morre como Jesus e ressurge como Cristo, pois Cristo em grego significa iluminado.
Isso explica o porquê de Jesus na cruz, em seus últimos momentos, ainda ter dúvidas e perguntar: “-Pai, porque me abandonaste?”
Nesse instante ele ainda não vivenciava ser um Cristo (um iluminado), apesar de toda sua sabedoria.
O significado de ressuscitar é que Ele deixou a consciência de que era um corpo e passou a vivenciar a consciência de que era uma alma, um espírito, uma emanação divina.
Como dizia São Francisco:“-...é morrendo que se vive para a vida eterna”.
Tem que morrer a consciência de que somos o corpo e renascer a consciência vívida de que somos a alma.
Também dizia São Paulo: “-Já não sou eu quem fala, mas o Cristo (o eu iluminado) que vive em mim.
Daí também o significado do ovo de páscoa , o ser que vive dentro preso pela casca (que seriam os desejos, a consciência de que somos o corpo), e consegue com muito sacrifício e com o seu próprio esforço, rompê-la e se libertar dessa prisão.
Por isso, talvez, as crianças não gostam de ganhar ovo de chocolate sem nada dentro, elas preferem o ovo que tem algo no seu interior, pois seu conteúdo, que representa o ser verdadeiro, está no inconsciente coletivo.
Nós pensamos que temos alma , mas alma nos não temos. Temos casa, carro, emprego, filhos, pais, esposa, mas alma nós não temos, nós somos!
As religiões normalmente ensinam que temos alma, o que é errado, pois isso nos faz sentir, inconscientemente, que somos o corpo e que temos um espírito que é outra coisa e não nós mesmos.
Portanto, a Páscoa é um grande momento para meditarmos que nossa consciência de corpo deve morrer e daí ressurgirmos na consciência de que somos a alma e então vivenciarmos isso.
Esse conhecimento é tão simples, está dentro de cada um, mas para vivenciarmos essa verdade devemos enfrentar o mar vermelho, anos de deserto, o sofrimento na cruz da matéria e então, ressuscitarmos como Cristo, um ser iluminado, que não tem alma , pois é a própria alma.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Memórias de um menino

Richard Mathenhauer

Dirce Migliaccio morreu aos 75 anos, dia 22 de setembro. Início de Primavera, aqui no interior paulista, chuvoso, feio, frio, cinza demais. E esse tempo colaborou com minha volta ao passado, sem o pó mágico e as palavras mágicas do pirlimpimpim: vejo-me menino, sentado na poltrona de couro preto da sala menor da nossa casa, em frente à usina, numa tarde fria de um tempo já perdido.
Eu tinha medo da Cuca. O Saci só me punha um certo incômodo com sua risada, e era-me curioso que tivesse uma única perna (e muitas vezes brinquei pulando como ele). O medo da Cuca era estranho, porque, apesar de assustadora, a Cuca me causava um sentimento, talvez de pena. E entre medo e pena (não sei bem se seria pena...), Eu encolhia as pernas na poltrona e aguardava sempre o retorno de Cuca, na sua gruta, com seu caldeirão. Amava Dona Benta e tia Anastásia... não gostava que tomassem o gorro do Saci (apesar da sua risada...)... morria de vontade de comer o que Pedrinho e Narizinho comiam na mesa farta de sítio, e intrigava-me como Emília podia dormir numa caixa de costura... Mas de todos, o que mais me divertia, sem dúvidas, era Emília. Birrenta. A engenhosa e geniosa (e por vezes maldosa, como costumam ser maldosas certas crianças) boneca de pano!
Sem o pó do pirlimpimpim, volto a sentir o frio de algumas tardes, o cheiro típico da safra de cana-de-açúcar, ouço minha avó na cozinha, e no fundo de alguma parte em mim, a música de abertura que me deixava cheio de uma alegria inocente de quem aguarda algo. E Eu aguardava as aventuras, porque me via nelas, Eu era Pedrinho que podia conversar com o Visconde, com Rabicó, q3ue podia brincar com Emília e Narizinho, que podia sentir os braços de tia Anastásia e ouvir as histórias de Dona Benta. Sem fechar os olhos, viajava nas tardes daquele tempo que hoje ressurge como uma ilha rica com a baixa das águas do mar!
“O Sítio do Pica-pau Amarelo” não é uma doce lembrança apenas minha. Milhares de homens e mulheres de hoje, crianças e adolescentes daqueles tempos em que Migliaccio era a boneca geniosa do Sítio de Dona Benta, lembram-se das aventuras da turma do Sítio. Quando Dirce interpretou Emília, a primeira na TV Globo, em 1977, Eu tinha quatro anos; minhas lembranças mais fiéis são, portanto, do início da década de 80 e das reprises. (E quando Dirce saiu do papel, estranhei muito que Emília “não era a mesma”).
Com a morte da atriz Dirce Migliaccio, parece que se perde um pouco do encanto, pensando hoje, como adulto. Vieram outras Emílias, mas nenhuma foi como a primeira - para mim. Não me lembro de Lucia Lambertini que interpretou a primeira Emília na TV (TV Tupi, entre 1952 e 1963), nunca vi um vídeo daquela época, se é que existe. Mas não tenho receios em pecar dizendo que Migliaccio foi a Emília perfeita, aquela que Monteiro Lobato concebeu, assim como não houve um Visconde de Sabugosa como André Valli.
Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo goza da imortalidade que os personagens da literatura têm. Nas minhas memórias (mortais) de menino, Dirce não será Dirce, será sempre Emília. Aquela Emília. E Emília continuará com a mesma cara-feia de quando era contrariada, o mesmo jeito de pular e comemorar quando conseguia algo. Será a verdadeira engenhosa e geniosa boneca de pano de Monteiro Lobato.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim?

Ivana Maria França de Negri
Tão bom ser criança e poder acreditar nas lendas...
Lá no fundo do coração, toda criança sabe que não existe Papai Noel, nem coelhinho da Páscoa.
Mas é tão bom brincar de acreditar! O faz-de-conta precisa coexistir com a realidade dura e cruel.
Coelhinho branco dos olhos de fogo, ah! se tivesses o poder de realizar nossos sonhos... Se pudesses nos trazer a paz, tão branca como seu pêlo aveludado. Se pudesses nos presentear com o calor de uma amizade sincera, sem interesses, e nos dar a pura ingenuidade infantil.
Se tivesses o poder de trazer a esperança, consolo a quem perdeu uma pessoa querida, e paciência, muita paciência, para suportarmos a enxurrada de problemas.
Se pudesses fazer brotar um sorriso em todos os lábios, e a alegria, como uma primavera florindo em todos os corações.
Coelhinho do meu tempo de menina, se pudesses entoar baixinho, canções de amor que tocassem fundo a alma dos homens, para que eles, em vez de se digladiarem como irracionais nas odiosas guerras, assinassem tratados de paz.
Se pudesses trazer um ramalhete de rosas virtuais, que perfumassem o espírito das pessoas para que elas só praticassem atos de bondade.
Se pudesses trazer a verdadeira Justiça para a terra, aquela que não se compra e nem se vende e sacia a alma dos que dela têm sede.
Se pudesses trazer alívio às dores dos que estão sofrendo... Não somente as dores do corpo, causadas por doenças diversas, mas as mais terríveis e insuportáveis, as dores do espírito, que nenhum remédio tem o poder de curar.
Se tivesses o poder de acabar com a corrupção, com o suplício nas prisões, com as milhares de mortes de crianças inocentes causadas pela fome, por falta de vacinas, de remédios e do amor de uma família.
Se pudesses dar voz a quem não tem, e asas a quem não possui, mesmo que fossem asas fantasiosas.
Se fizesses tudo isso, terias o dom de operar milagres...Mas és apenas um mito, um bichinho assustado, vítima do selvagem bicho-homem. Tu és branco como a paz, mas tens medo das trevas do mal também.
Se tivesses o dom de trazer paz, alegria, solidariedade, união, paciência, tolerância, doçura, generosidade, respeito, humildade, honestidade, todas essas virtudes ultimamente tão esquecidas pelos seres humanos, reinaria a harmonia na Terra.
Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim? Nem ovos, nem chocolate, nem a triste memória Daquele que foi pregado numa cruz de madeira num suplício sem fim. Apenas acordas meus sonhos...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Retornando ao Sítio do Picapau Amarelo - Leda Coletti

Leda Coletti


Volto ao Sítio do Picapau Amarelo e o que vejo?

A vó Benta bonachona, na sua cadeira de balanço chama a atenção dos netinhos arteiros, mas na verdade, aceita suas peraltices, que são reforçadas pela tia Nastácia.Esta aprendeu com a primeira, a fazer quitutes deliciosos, que dão água na boca, só em pensar neles!

Pedrinho com aquela mania de caçar o Saci Pererê com a peneira, não escuta Emilia, a boneca falante, que insiste para que o deixe em paz.A teimosia dele era tanta, que acabou se enroscando nela.

E o anjinho da asa quebrada? Narizinho explicava pra todos do sítio, que isso não o prejudicava, pois ele nem reclamava e voava do céu pra terra, como os de asas normais.

Ultimamente Emília andava amolada. Era por causa do seu pretendente, o Marquês de Rabicó, que não sabia se comportar, quando havia visita no sítio.Ficava a roncar e ainda muito descuidado sujava a sala, com o corpo sujo de lama. Chegava a assustar o visitante.

Nessa hora vó Benta ficava brava pra valer:

- Não foi isso que ensinei a vocês! Onde está a educação? As visitas merecem toda nossa consideração!

Mas Emília retruca:

- Vó Benta nós nos comportamos bem. É ele que não segue seus conselhos. As de mais crianças concordam com ela. Combinam então correr atrás do porquinho, que foge para o matagal.

Assim são os dias no Sítio do Pica Pau Amarelo. Eu, costumo visitá-lo todos os anos, em 18 de Abril, dia dedicado ao livro. Por este motivo, levo sempre um para cada morador. Mas, quem gosta mais é vó Benta, que escolhe o que mais gosta e já conta a história para todos.

Depois de comer as gostosas rosquinhas feitas pela tia Nastácia,´até me arrisco a esperar com seus moradores, a ventania que dizem sempre trazer o Saci Pererê, que tem ouvido aguçado e fica rondando o terreiro, quando vó Benta conta história nova.

É muito bom passear no sítio do Pica Pau Amarelo!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

11o Concurso Nacional de Poesias CNEC - Regulamento

11º Concurso Nacional de Poesias CNEC – Unidade de Capivari/SP

R E G U L A M E N T O
1. O 11º Concurso Nacional de Poesias é uma realização da CNEC – Unidade de Capivari/SP, instituição mantida pela Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, com sede à Rua Barão do Rio Branco, nº 374, Centro - Capivari/SP, CEP 13360-000, inscrita no CNPJ sob nº 33.621.384/0587-02, válido para pessoas físicas no período de 11/03/2011 a 10/06/2011.
2. DAS CATEGORIAS CONCORRENTES: O Concurso Literário Cenecista é composto de 5 (cinco) categorias, sendo:
• INFANTIL JOÃO BATISTA PRATA, para concorrentes com até 10 anos de idade.
• INFANTO-JUVENIL HOMERO DANTAS, para concorrentes com idade de 11 a 14 anos.
• JUVENIL RODRIGUES DE ABREU, para concorrentes com idade de 15 a 17 anos.
• ADULTO AMADEU AMARAL, para concorrentes com idade de 18 a 59 anos.
• SÊNIOR TARSILA DO AMARAL, para concorrentes com idade a partir dos 60 anos.

3. DAS INSCRIÇÕES E ENVIO DAS POESIAS:
a) CADA PARTICIPANTE PODERÁ INSCREVER-SE COM ATÉ 2 (DUAS) POESIAS.
b) PESSOALMENTE: de 11.03.2011 a 20.04.2011, junto à Biblioteca Cenecista PROFESSOR RUBENS CASADO, na Rua Barão do Rio Branco, nº 374, Centro, Capivari/SP - CEP 13360-000, de segunda à sexta-feira, das 09h00 às 12h00 e das 13h30 às 22h00.
c) VIA CORREIO: enviadas à referida Biblioteca, no endereço acima especificado, com postagem até o dia 18 de abril de 2011. As poesias recebidas com postagem após esta data serão automaticamente classificadas
O concorrente deve entregar o original e 1 (uma) cópia da poesia, identificada/assinada apenas com o pseudônimo (nome fictício). A poesia deverá ser inédita (entende-se por inédito os textos não publicados em livros, revistas, jornais, Internet ou classificados em quaisquer concursos de cunho literário), de no máximo duas páginas, datilografada ou digitada em um só lado de folha, impressa em sulfite A4, com fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12 ou 14 e espaçamento duplo. A entrega da poesia deve seguir os seguintes procedimentos:
1º - As poesias deverão ser colocadas em um único envelope identificado do lado de fora com o nome, pseudônimo, endereço completos do participante e o nome da instituição educacional de origem (se estudante).
2º - O concorrente também deverá colocar no interior deste mesmo envelope uma folha contendo os seus dados pessoais: nome e endereço completos (não esquecer o CEP), idade, telefone (fixos ou celulares) para contato, nome/endereço/telefone da escola (se for estudante), e-mail (se tiver), o pseudônimo (se tiver) e os títulos das poesias inscritas.

IMPORTANTE - Para a entrega pessoalmente, as poesias e os dados pessoais dos candidatos NÃO deverão vir em envelopes.
Conforme exposto acima, cada participante poderá se inscrever com até 02 (duas) poesias, sendo contemplado apenas uma única vez com prêmio em dinheiro na sua categoria. Cada vencedor poderá, ainda, ter o segundo trabalho selecionado entre as poesias classificadas para publicação no livro. A promotora não fará confirmação das poesias recebidas via correio.
O concorrente é único e inteiramente responsável por garantir que suas poesias sejam inéditas, sendo responsável, civil e criminalmente, em caso de cópia. Todas as poesias recebidas que não estiverem de acordo com o disposto neste regulamento serão automaticamente desclassificadas.

4. DAS POESIAS CLASSIFICADAS:
Serão classificadas 75 poesias para publicação em livro específico do concurso e também no portal de Internet da CNEC – Unidade de Capivari/SP: www.cneccapivari.br. Os originais das poesias inscritas no Concurso não serão devolvidos aos seus remetentes.

5. DOS RESULTADOS:
A comunicação dos autores classificados se fará PRIORITARIAMENTE através do site www.cneccapivari.br ou por telegrama pessoal e/ou telefonema a partir do dia 16/05/2011. A CNEC – Unidade de Capivari não se responsabiliza pelos dados incompletos que possam inviabilizar o contato com os autores classificados.

6. DA PREMIAÇÃO:

A solenidade de premiação acontecerá às 20 horas do dia 10/06/2011, no município de Capivari, Estado de São Paulo. Na oportunidade, os classificados de cada categoria receberão como prêmio 01 (um) volume do livro publicado, além de:

a) 1º LUGAR: troféu e R$ 500,00

b) 2º LUGAR: troféu e R$ 300,00

c) 3º LUGAR: troféu e R$ 200,00

O 11º Concurso Nacional de Poesias distribuirá o total de R$ 5.000,00 (CINCO MIL REAIS) em prêmios nas 05 (quatro) categorias.

Maiores informações pelo site:
http://www.cneccapivari.br/

sábado, 16 de abril de 2011

Crônicas da Escola Catharina - Sarau Cultural e lançamento do livro

Aconteceu na Escola Catharina Casale o lançamento do livro"Crônicas da Escola Catharina", com textos de alunos das 8as séries.
Os livros foram entregues em sacolinhas decoradas
A diretora Christina Negro Silva em sua performance de contadora de histórias
Parte da mesa e auditório lotado
O aluno Gustavo declamando uma poesia
Alunas declamando em homenagem ao "Dia do Índio"
Alunas declamando em castelhano e uma ex-aluna fazendo o fundo musical
Lorraine, aluna que declamou em espanhol, com Ivana Negri e Carmen Pilotto
Camilo Quartarollo, Luzia Stocco,  Claudia Vitti Stênico, coordenadora do ensino fundamental da escola, Leda Coletti e Cassio Negri
Gustavo com as escritoras Leda Coletti, Ivana Negri e Carmen Pilotto
Capa do livro de crônicas

A Arte de Contar Histórias - Curso

Contar histórias é uma arte milenar.
Carmelina de Toledo Piza e Ana Christina Martins ensinam a arte no curso de arteterapia, com turmas às segundas e às terças feiras.
Maiores informações com as contadoras de histórias.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Convite da E.E.Profa Catharina Casale Padovani

A E.E. Profa Catharina Casale Padovani faz o convite para a entrega dos livros da 8a série: "Crônicas da Escola Catharina", hoje, 15/04, às 20h.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

LITERATURA INFANTIL - 18 de abril é o Dia Nacional do Livro Infantil

LITERATURA INFANTIL
Ivana Maria França de Negri


Foi-se o tempo das histórias da carochinha e dos contos de fadas que começavam com “Era uma vez” e invariavelmente terminavam com o célebre “...e foram felizes para sempre!”.
Os conceitos de literatura infantil mudaram bastante nas últimas décadas. Só tenho minhas dúvidas se as mudanças foram para melhor. O que mudou foi a apresentação, ilustrações magníficas e coloridas, imagens computadorizadas que chamam a atenção. Mas isso não deve ser levado em conta na hora de adotar um livro e sim seu conteúdo, as mensagens que traz e como desperta a criatividade na criança.
Estimular o hábito da leitura, desde tenra idade, é fundamental para formar adultos capacitados para discernir e terem sua própria opinião.
Fiz uma leitura crítica de dezenas de livros didáticos infantis adotados por escolas e fiquei espantada com o conteúdo deles. Salvos raras exceções, mesmo com ilustrações belíssimas, a maioria não traz mensagem alguma, reúne um monte de baboseiras e futilidades que nada acrescentam ao intelecto em formação das crianças. Fiquei pensando em como seria feita a seleção, quem faz as escolhas, e quais os critérios para aprovação dos livros didáticos.
Vou comentar o enredo de alguns para exemplificar. Um deles, tragicômico, narra a saga de um avô que comeu demais e, do começo ao fim, gira em torno da sua ida ao banheiro. Uma bobagem só. Noutro, a avó é chamada de velha coroca, e seu neto é um menino que desobedece a mãe e por isso mesmo se dá bem, um incentivo ao desrespeito à autoridade dos pais. O avô, ao invés de ser um sábio que passa aos netos suas experiências de vida, é um abobalhado, e a avó, em vez de ser como era a Dona Benta do Sítio do Pica-Pau Amarelo, aquela que conta histórias, faz bolos, e dá muito amor aos netinhos, é uma pessoa doentia e ausente.
Outros me deixaram pasma frente ao seu conteúdo que incita à violência, a desobediência às normas, sem falar nos que contém forte apelo sexual que não deve ser despertado antes da hora. As crianças nessa faixa etária gostam de aventuras, amizade, natureza, animais, e só mais tarde é que começam a despertar para a sexualidade. Num deles a Chapeuzinho Vermelho usa meias de seda e salto alto para seduzir o lobo, algo completamente dispensável para crianças pequenas.
Outros ainda, trazem noções de perversidade, de como ser arruaceiro e baderneiro, e o conceito de família, a base sólida que deveria ser incentivada, é ridicularizado.
Uma das obras falava sobre um seqüestro, numa trama aterradora. O mundo já apresenta violência demais, não é preciso povoar o imaginário infantil com mais violência. Crianças têm o direito de sonhar coisas bonitas e fantasiar à vontade.
Em outro desses livrinhos, todos adotados por escolas, e editados por editoras famosas, o protagonista corre feito louco numa moto (mau exemplo), causa tumulto depredando ônibus e virando carros. Literatura infantil não precisa retratar essa realidade cruel das ruas, pois só vai reforçar comportamentos negativos.
E, para culminar, um livro de poesias para crianças, já adotado nas salas de aulas de alunos na faixa entre oito e nove anos, foi vetado por conter frases como “nunca ame ninguém, estupre”, e outra, “seja efeminado, isso funciona com estilistas”. Será que ninguém viu antes? Nenhum professor leu antes? Precisou que os pais de alguns alunos, indignados, denunciassem para que se tomassem providências.
Tudo isso é muito preocupante. O assunto é sério e precisa de atenção das autoridades competentes, afinal, são crianças em fase de formação que necessitam ser melhor orientadas para a vida. Escolas devem adotar livros cujos conteúdos reforcem valores morais e éticos, falem de ecologia, preguem o valor do núcleo familiar, transformando as crianças e adolescentes em adultos melhores para melhorarem o mundo.

domingo, 10 de abril de 2011

Feira de Artes

A primeira Feira de Artes transcorreu num agradável clima de confraternização na manhã ensolarada. Artistas plásticos e escritores, expuseram seus trabalhos na praça da biblioteca.

Varal de sacolas do Projeto Poesia na Sacola

Carmen e Ivana idealizadoras do projeto


A artista plástica Gracia Nepomuceno contribuindo com a Ong Viralata Viravida

Mais poesias

Criança confeccionando a própria sacolinha

Carmen, Angela e Ana Marly montando o Varal de Poesias

Ana Clara desenhando e pintando a sua sacolinha

Contribuindo com a Ong Viralata

Na sombra da árvore, o convite à leitura

João Athayde, Arayr Ferrari e Madalena Tricânico

Miriam Miranda da Ong Viralata, Delfim da Rocha  e amigo


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Convite - I Feira de Artes - neste domingo


A Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, em parceria com a Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos (APAP), realizará a I Feira de Artes, no próximo dia 10 de abril (domingo), das 9h00 às 13h00, na Praça Cacilda Cavaggioni, ao lado da nova Biblioteca.
O evento terá exposição e venda de obras de arte de trinta artistas plásticos.
Além disso, a Feira de Artes irá proporcionar às pessoas momentos literários com o Grupo Oficina Literária de Piracicaba (GOLP) e Centro Literário de Piracicaba (CLIP), com distribuição e declamação de poesias, varal de sacolas com poesias e venda de livros, e a Biblioteca organizará um espaço para a troca de livros.
O evento conta com as mais variadas manifestações artísticas, e terá apresentação da Escola de Música Momento Musical.

Feira de Artes

Data: 10 de abril, das 9h00 as 13h00.
Local: Praça Cacilda Cavaggioni (ao lado da nova Biblioteca)
Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”
Rua Saldanha Marinho, nº333 - Centro, Piracicaba - São Paulo
Contato: (19) 3434-9032 / (19) 3233-3674
Organização e Realização: APAP – Associação Piracicabana de Artistas Plásticos
Apoio: Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lançamento do livro de Leda Coletti nexta sexta-feira


Leda Coletti convida para o coquetel de lançamento do seu livro "EU, EDUCADORA", às19h, nesta sexta-feira, 08 de abril, na Biblioteca Municipal "Ricardo ferrz de Arruda Pinto".

domingo, 3 de abril de 2011

Primeiro Cafezinho Literário de 2011

Parte dos presentes na Casa do Médico: professor Zilmar Ziller Marcos, professor Cornélio, Fernando Scopin, Felisbino e Rosaly de Almeida Leme, Esther Vacchi, Eunice Verdi, Ivana Negri, Carmen Pilotto, Angela Reyes, Leda Coletti e William Harris. Faltaram ainda na foto Ana Marly e Madalena Tricânico que saíram mais cedo.
Doutores: William Harris (idealizador do evento) e Cassio Negri .

Quem não foi, perdeu de participar de uma tarde pra lá de agradável.

Mas dia 11 de junho tem mais! Até lá!

sábado, 2 de abril de 2011

Morte em vida


Cassio Camilo Almeida de Negri

O rico mercador, tendo chegado aos sessenta anos, tinha tudo, ou quase tudo o que um homem pode desejar.
Ganhara muito dinheiro vendendo joias, diamantes, rubis, a marajás na Índia e emires árabes, mas apesar disso, sentia-se insatisfeito.
Sentia-se não realizado e, portanto, muito infeliz.
Era rico, saúde perfeita, esposa e filhos maravilhosos, mas, infeliz!
Resolveu, então, fazer doações aos pobres; construiu hospitais, escolas, creches, mas continuou infeliz.
Passou por várias religiões, tentou negociar com Deus, mas ainda continuou infeliz.
Resolveu deixar a família já criada e bem de vida, transformando-se em monge mendicante. Como tal, entendeu que ti¬nha uma alma, não precisando de mais nada, e foi doando tudo o que possuía, até seus bens ficarem reduzidos a uma tanga que protegia o corpo, e a uma tigela, na qual bebia água e onde colocava a comida doada por pessoas benevolentes.
Passou a se sentir melhor, menos infeliz, mas passados poucos anos, voltou a se sentir mais infeliz ainda.
Seu teto era o céu, seu lar o mundo todo, mas continuava triste como se lhe faltasse ainda uma coisa que não sabia o que seria.
Doou a tigela, a tanga jogou fora, pois ninguém aceitou, tão esfarrapada estava, no entanto continuou com aquele vazio dentro de si.
Num dia chuvoso, deitado sob uma árvore, nu, sem saúde, foi tomado de intensa febre, ficando ali jogado sem que nenhum viajante dele tivesse compaixão. O ardor da alta temperatura o fez delirar.
Viu-se leve, luminoso, amarrado a algo por um fio pratea¬do. Tentava arrebentar o cordão e se livrar daquele fardo sujo ao qual estava preso, pois sentiu que era só arrebentar tal amarra e pronto, mergulharia na felicidade
Pulou, esperneou, até voou, mas nada, pelo contrário, foi puxado violentamente em direção daquele fardo sujo, que era seu próprio corpo estendido na lama.
Ao amanhecer, com a chuva já cessada, abriu os olhos e percebeu que ainda faltava doar uma coisa que ele tinha e ainda não havia percebido, seu corpo.
Entendeu que tinha um corpo e não tinha alma, pois ele era a própria alma.
Descobrira que quem morre antes de morrer, não morre ao morrer.
Assim descobriu a felicidade em vida, procurou a tanga jogada, que ainda estava lá na beira da estrada, e desapegado de tudo, voltou sorrindo para casa, pois ainda tinha muito o que fazer.