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segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Rainha e a Plebeia (diferentes formas de ser)


Richard Mathenhauer

Recentemente uma declaração da Rainha Silvia da Suécia, para quem não sabe, filha de uma brasileira, Alice Soares de Toledo (de família radicada em Porto Feliz , SP) e do empresário alemão Walther Sommerlath, causou polêmica na Europa. A filha de brasileira tornada Rainha após casar com Carl XVI Gustaf em 1976 disse que o pai, Walther Sommerlath, que viveu com a família algum tempo no Brasil e depois retornou à Alemanha, era membro filiado do Partido Nazista, porém, não tinha atividade no partido. Segundo os meios de comunicação internacionais, tanto a família Sommerlath quanto a Família Real Sueca pretendem, a pedido da Rainha Silvia, abrir processo que investigue o passado do próprio pai para tentar esclarecer sua participação no Partido Nazista, tanto quando esteve no Brasil como quando retornou à Alemanha.
A participação de Sommerlath como nazista, que faleceu em 1990, não era muito difundida, ganhando espaço na mídia após sua morte. Para a Rainha Silvia, que dentre outras atividades, mantém obras assistenciais no Brasil, país que admira (ela fala Português com fluência), esclarecer o passado do pai é algo importante, não apenas para a família, mas também para a história e para o seu próprio passado. Como Rainha, ela poderia, considerando ainda o fato de que o pai é falecido e ela não teve culpa se ele fora ou não membro do nacinal-socialismo, a Monarca Sueca poderia simplesmente se limitar às declaração feitas. Pôr um ponto final e deixar às especulações à imprensa. Mas, não. Ela quis esclarecer um fato que sabe não se restringir apenas à esfera familiar, mas, certo sentido, à História, particularmente européia.
Enquanto no Reino da Suécia a Monarquia não teme os fantasmas do passado e faz questão de esclarecer os pontos nebulosos, mesmo que não impliquem em repercussões políticas, no Brasil, esclarecer episódios nebulosos é matéria tratada com outra modalidade. A do “abafa”. É o caso do enriquecimento milagroso de Antonio Palocci. Se Lula blasfemou dizendo que Jesus e Judas teriam de fazer acordo para governar o Brasil, Palocci certamente é um fenômeno de multiplicação.
Claro que não se está a comparar o episódio de Palocci ao passado nazista do pai da Rainha Silvia. A comparação, ainda que possa ser vista como imperfeita, está no campo da coragem de investigar e prestar contas. A Rainha Silvia não deve politicamente prestar contas sobre seu pai já falecido sobre o qual não tinha responsabilidade, mas, um Ministro deve prestar contas, e quem deve dele comprar, em primeiro lugar, é sua chefia imediata, ou seja, a Presidente (que gosta de ser chamada de Presidenta), Dilma. Por que a Presidente não é a primeira a exigir que Palocci explique a sua fortuna milagrosa? Afinal, em quatro anos acumular uma fortuna que permita adquirir um apartamento de pouco mais de 6 milhões de reais não é para qualquer um não! (Ou diria ele, como um político de antanho, que ganhou várias vezes na Loteria?).
Se na Suécia (claro, estamos falando de um governo de primeiro mundo que tem um senso moral e ético mais avançados e um respeito maior pelo povo, mesmo quando os assuntos não dizem diretamente ao povo, mas à vida privada da Soberana) a Rainha não fugiu ao dever de consciência, já no Brasil, há muita gente fugindo do dever de ofício e para com o povo contribuinte. Palocci, que anos antes já havia se envolvido em saias justas voltou faceto ao Governo, é um dos homens mais poderosos da República, e como não querer dar satisfações ao povo? Afinal, quem não deve, não teme.
O que diferencia a Rainha e a Plebeia não é a origem, o Governo, o caso que cada qual tem de lidar. O que diferencia é que na Monarquia Sueca eles preferem tratar as coisas com transparência e responsabilidade (volto a dizer, mesmo que politicamente saber se W. Sommerath foi um ativo nazista ou não), enquanto no Brasil, país de plebeus (e falo de um estado de plebeu de espírito, como Platão falava de uma aristocracia de espírito), não se dá a mínima ao povo. Tudo fica como está. Logo cai no esquecimento até um novo escândalo, e, enquanto Josenildos da vida são massacrados (lembram-se do caso Palocci e da violação do sigilo bancário?), os grandes continuam sem se sentirem minimamente obrigados a prestar satisfações. E para que o fariam se seu (sua) chefe não os cobra? Eis a diferença que faz verdadeiros nobres e lamentáveis plebeus.

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