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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Língua Judiada


Pedro Israel Novaes de Almeida

Não será fácil erradicar alguns atentados à língua pátria, pois os erros já fazem parte do dia-a-dia da população, inclusive de sua parcela letrada.
Políticos são especialistas em conclamar os pares a evitarem as cadeiras. Vivem, com orgulho, propondo que todos sentem na mesa, para conversar.
A omissão de uma simples crase pode transformar um prefeito assistencialista em pedófilo, caso o anúncio oficial noticie que o prefeito deu de comer as crianças. No português corrente, é comum o lamento pelas percas, que ocasionaram menas disposição para produzir.
Nas receitas culinárias e conselhos domésticos, é comum a existência de utilidades embriagadas, pois, não raro, é sugerida a utilização de panos de prato embebedados em álcool. São muitos os plenários municipais onde os oradores confessam que vévem auxiliando o povo.
No trânsito, a utilização de termos indevidos pode soar estranha, se o cidadão alegar que foi atropelado enquanto passava pela faixa de pederastas. O novo modismo envolve o afetuoso beijo no coração, procedimento fatal.
Existem casos em que não há maltrato à língua, mas ofensa ao senso. Assim, portar uma mensagem de que Deus é fiel é como bradar que a água é molhada.
Vez ou outra, algum entendido resolve declarar que alguma expressão que usamos, à exaustão, não é correta, e não é fácil modificar um antigo hábito. Assim, sempre dissemos que há risco de vida, quando na verdade o risco é de morte.
Grande parte dos brasileiros busca fortalecer o sentimento de grupo, e acaba atropelando a língua, com expressões do tipo “a gente vamos”. Algumas colocações sempre deixam dúvidas, como a notícia de que determinada pessoa suicidou-se. Ora, o suicídio só pode ser contra si próprio.
Os corretores de textos, automáticos nos computadores, mais corrigem que ensinam, e continuamos escrevendo errado, na certeza de que haverá a providencial correção. Outrora, em presença de dúvida quanto à grafia correta de Bahia, mudávamos a história para o Paraná, e os corretores de texto aboliram tal martírio.
É enorme a distância entre o idioma escrito e a língua falada, e todos estranhamos o cidadão que fala da mesma maneira que escreve. O correto seria nossos ouvidos estranharem o português mal manejado, mas, em nossa ignorância, tendemos a considerar pernóstica a boa fala.
Mal falávamos o português do Brasil, e trataram de modificá-lo, buscando igualá-lo ao utilizado por outros povos. A medida é estressante e desnecessária, pois força a derrocada de antigos hábitos, já presentes em nosso dia-a-dia.
Enquanto professores de português buscam desmistificar o idioma, diversas emissoras de rádio e TV tratam de cultivar erros grosseiros. Enquanto isso, o MSN cuida de popularizar tais erros, em versão abreviada.
Não somos versados no idioma, e, quando alguém diz haver comprado a vista, ficamos em dúvida se adquiriu um olho ou fez alguma compra em parcela única. Certo ou errado, o idioma acabou salvando o articulista, em semana sem assunto.

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