As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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MEMBROS DO GOLP

MEMBROS DO GOLP
FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

sábado, 31 de julho de 2010

Palavras que são presentes


http://gazetadepiracicaba.cosmo.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1699208&area=26010&authent=64C516EFD69FF7518065BB81AAB222
Palavras que são presentes
Ivana Maria França de Negri

Tive o privilégio de assistir, no mesmo dia, a duas excelentes palestras da mestra indiana Meera Nagananda, diretora da Brahma Kumaris na Ásia.
A primeira foi à tarde, voltada apenas para seleto grupo feminino. Cerca de trinta e cinco mulheres reuniram-se num local agradabilíssimo, uma varanda florida com passarinhos esvoaçando e cantando entre as árvores, acompanhados pelo som do despencar da água numa pequena cachoeira que orquestrou um suave fundo musical para o coro deles.
Acostumados que estamos a frequentar eventos onde sons estridentes nos impedem de conversar e ferem nossos ouvidos, ouvir a voz pausada e harmoniosa da palestrante foi uma bênção.
Conversou calmamente, sempre sorrindo, e a plateia atenta sorvia cada palavra traduzida pela intérprete. Palavras sábias, cheias de sabedoria, que chegavam às ouvintes como presentes preciosos e eternos.
E como se não bastassem as lições que nos foram dadas gratuitamente, ainda recebemos, cada uma, na saída, um mimo pelas suas mãos. Após leve meditação seguida de um delicioso lanche vegetariano regado a sucos naturais, servido gentilmente pela anfitriã Vera Pizzinato, saímos todas com a alma lavada.
Na reunião vespertina, a mestra abordou a arte de desenvolver valores no dia a dia. À noite, nova palestra, novas lições e o mesmo carinho, desta vez aberta ao público que compareceu em massa lotando o anfiteatro da Câmara de Vereadores. Estendeu o assunto, mas a tônica era a mesma, ensinamentos de como lapidar o espírito, mudar e progredir. Muito diferente desses palestrantes que dão receitas para se enriquecer, para o conforto do corpo e de como vencer na vida sem esforço.
Ela ignorou a palavra violência. Falou de amor, de paz, de compaixão, de contentamento, sentimentos que devemos cultivar diariamente para melhorar a aura do mundo que anda muito carregada. Falou da eternidade da alma e da finitude do corpo.
Nas rodas sociais só se fala em dinheiro, depressão, regimes, plásticas, botox, silicone, um culto ao corpo sem precedentes. Parece que só a aparência e o dinheiro têm importância, o que acaba gerando o estresse e a depressão, doenças do mundo moderno.
A mídia invade nossas casas com notícias repulsivas, assassinatos, bestialidades, pedofilia, mortes violentas, e parece que quanto mais chocante o fato, mais os jornais, revistas e programas televisivos dão ênfase e ficam martelando detalhadamente, o dia todo, aquelas matérias indigestas que fazem mal à nossa saúde. É isso que dá audiência e vende jornais. E vai-se criando egrégoras negativas e ruins, nuvenzinhas negras que pairam sobre nossas cabeças empestiando nossas vidas.
Meera falou que a palavra crise tem outro significado. Nela, não devemos ficar nos lamentando, mas é o momento de crescer, de mudar, de melhorar e tomar novos rumos. Ela nos entregou de bandeja a “varinha mágica” que pode mudar nossa vida, acessando a essência interior, nosso verdadeiro “eu”.
Quem esteve numa ou nas duas palestras, teve a oportunidade de repensar sua vida e saiu mais rico do que quando chegou. Uma riqueza diferente da que estamos acostumados a lutar para obter. E saindo da aura grosseira que envolve o planeta, fomos arrebatados para regiões mais elevadas, sutis e puras.
E as palavras-presentes, como sementes plantadas nos corações, certamente germinarão e colheremos preciosos frutos que adoçarão nossa vida.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Eu era assim...

Que é esta garotinha com carinha de sapeca?
É a escritora e poetisa Raquel Delvaje

Miniconto

VISÕES
Dirce Ramos de Lima

Fugindo da morte, fechei os olhos e vi a vida!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Premiação do I Concurso de Contos - Arte Cemiterial

Aconteceu na Estação Cultural da Paulista, a entrega dos prêmios aos classificados no I Concurso de Contos Arte Cemiterial
Carla Ceres recebe o prêmio pelas mãos da jurada do concurso Ivana Negri
Os classificados:Carla Ceres Oliveira Capeleti (1o lugar) Ademir Barbosa (2o lugar) e Marcelo Andrade Nascimento (3o lugar)

Munique


MUNIQUE
Cássio Camilo Almeida de Negri

Sentado em um canto da choperia “Hofbräuhaus”, estava o velho senhor já com seus oitenta e quatro anos.
Bebericando numa grande caneca que cabia um litro de chope, somente seus olhos azuis mantinham ainda a juventude do corpo alquebrado.
O velho alemão vinha ali todas as quartas-feiras relembrar os seus dezenove anos, quando foi separado do seu grande amor, Ana, que por ser judia, fora encaminhada para o campo de concentração Treblinka.
De seus olhos, cor do céu, brotaram lágrimas de tristeza que afogava no chope, e lágrimas de felicidade, pois quanto mais os anos se passavam, mais perto ele se encontrava de Ana.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

No seio da imensidade


http://confrariadacoruja.zip.net/

NO SEIO DA IMENSIDADE
Carlos Moraes Junior

Tem vezes que as palavras criam vida e escapam da pena repartindo-se em milhares de pequenos seres animados, que pairam no ar por um mero instante, antes de se enfiarem novamente dentro das capas que formam suas letras de origem. Tem vezes que os pensamentos aparecem como pequenas luzes que piscam intermitentes, uma de cada vez, numa sucessão infinita de combinações, como se estivessem transmitindo alguma mensagem silenciosa, mas inteligível, cifrada à moda dos códigos, mas capaz de ser decodificada facilmente por olhares atentos, vivos de curiosidade.

Tem vezes que a inspiração acaba justamente no ponto final, nesta marca obscura e acinzentada, que representa a cessação do tempo, como se tudo o que se conhece se condensasse no sinal gráfico definitivo. Cessa o tempo presente e volta o que de maravilhoso aconteceu. Lembranças pequenas, grandes lembranças, fatos engraçados e românticos, sempre entremeados de sorrisos e de palavras de afeto e gestos de amor.

Tem vezes que a lembrança mais importante, aquilo que mais interessa, é o sabor de uma fruta, que retorna ao paladar, após anos de ausência, é o ciciar monótono e mesmerizado dos insetos, que tenta aplacar o calor do meio-dia, ou o delicioso toque de uma água de regato fresquinha e límpida.

Tem vezes que o ar que nos rodeia se irisa, como se a luz que passasse por ele fosse capaz de nos fazer respirar em cores, para que o nosso interior se iluminasse, como se tivéssemos engolido um ar-íris etéreo e diáfano. Tem vezes na vida que olhamos para o céu, marchetado de bilhões de pontinhos luminosos, mas somente nos interessa a luz prateada de uma estrela solitária, que nos olha para desvendar segredos escondidos, coisas que só contamos para nós mesmos, em minutos de solidão absoluta. Tem vezes que o universo inteiro cabe dentro de um olhar de soslaio, que inadvertidamente, lançamos como se fosse um satélite-espião, capaz de trazer de volta léguas de vazio, de frio congelante e escuridão.

Tem vezes na vida que a aragem vem do oceano junto com o sereno e traz no seu arfar cálido e nuançado a fragrância da infinitude natural que nos rodeia. A ramaria da mata, intrincada como se fora quilômetros de cipoama, de todos os tipos e espessuras, a formar na tela do espaço um trançado multicolorido. Espalhados num infinito oceano verde milhares de pássaros, conhecidos, desconhecidos, saúdam a madrugada, despedem-se do dia que se deita na cama púrpura do arrebol, como um coral de trinados harmoniosos e compassados.

Tem vezes que a felicidade me toma por completo e me transformo no menino travesso, que trilhava as capoeiras atrás de passarinhos, de pitangas perfumadas e de jabuticabas madurinhas. Tem vezes que o coração pula dentro do peito, como se fosse uma jaguatirica brincalhona. Tem vezes que as mãos, que passeiam rápidas pelo teclado, processando idéias, escrevem frases que ficam luminosas e se tornam um enxame de pirilampos fluorescentes capazes de clarear a noite mais escura.

Tem vezes que a minha vida parece um passeio de lancha. A velocidade me toma, envolve e agasalha meu corpo E lá vamos, eu e ela abraçados, deixando atrás de nós uma esteira de espuma branca como algodão-doce. Tem vezes que eu me sinto parte do todo que me rodeia. E como um habitante, um espectro ou forma geométrica, que se aproxima do divino, bebo estrelas, mastigo luz, com o mesmo apetite de um bebê que suga o seio da imensidade.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dia do Escritor - 2010 - mais fotos

Alguns dos escritores e poetas presentes com a Lucila, diretora da Biblioteca Municipal
Ana Clara ouve a historinha contada pelo vovô

Atividades infantis, leitura, joguinhos e pintura
Um banco convidativo para a leitura
O avião que pousou por lá, entre os livros

A Fanfarra da Casa do Amor Fraterno que abrilhantou a radiosa manhã sob a batuta do Beto Antiqueira
Os benditos "frutos"
Aracy, Carmen, Leda, Ana Marly e Raquel na montagem do evento

Árvore de livros, cujos "frutos" foram muito disputados

Inimigos da Onça

http://www.youtube.com/watch?v=2FUSbWDuUYw

Inimigos da Onça

Ivana Maria França de Negri

Um bando que organizava safáris para caçadas ilegais de onças pintadas, pardas e pretas, foi apanhado na semana passada. Eles cobravam até US$ 1.500 dólares por pessoa, para caçadores do Brasil e estrangeiros terem o prazer sádico e incompreensível de matar e esfolar os animais. As caçadas ocorriam em fazendas no Pantanal, na Amazônia e dentro do Parque Nacional do Iguaçu (PR).
Eram procurados desde 2008, depois de uma denúncia de uma Ong defensora dos felinos que notificou o sumiço de animais monitorados. Após as denúncias, a investigação teve início.
Integrantes do grupo fingiam-se de protetores, de ex-caçadores convertidos na causa ambiental e conseguiram até a simpatia do Ibama se dizendo preservadores da espécie. Homens pérfidos que agiam sorrateira e traiçoeiramente, portando seus rifles malditos, adentrando nas matas e ceifando a vida de inocentes criaturas selvagens dentro do seu próprio habitat.
O chefe da quadrilha que organizava safáris para caçar onças no Pantanal, o dentista e professor universitário Eliseu Augusto Sicoli em Cascavel (PR), terminava doutorado na área odontológica, na Unicamp. Outro que mantinha atividades como agenciador de safáris ilegais era Antonio Teodoro de Melo, o Tonho da Onça, que foi caçador desde a infância e gabava-se do número de felinos abatidos sob sua mira certeira, cerca de 600. Além de Eliseu e do filho de Tonho da Onça, um açougueiro e um chacareiro foram presos na cidade de Miranda, mas os nomes não foram divulgados.
Fico a me perguntar, que prazer há em matar por matar, apenas para ver um animal majestoso como a onça, ferido mortalmente, agonizar e cair inerte. E também não compreendo esse ritual macabro de arrancar a pele da vítima para transformá-la num troféu de gosto duvidoso pendurado em alguma parede. Depois de um tempo, enche-se de traças, bolor e fungos. A pelagem dos bichos só é linda neles. Depois que morrem, vira apenas um tufo de pelos sem vida
Por que ceifar vidas tão preciosas sem finalidade alguma? Por que essa sede de sangue e de morte que sentem alguns seres humanos?
A onça pintada ainda não está na lista oficial dos animais em extinção, mas quase. Nesse ritmo acelerado de matança, levará pouco tempo para que isso aconteça.
Criadores de gado das regiões onde existem onças, frequentemente as envenenam ou caçam com a desculpa de proteger seu plantel. Mas o que acontece, é que com a expansão da pecuária, os desmatamentos para criação intensiva de bois aumentam assustadoramente. O território dos animais selvagens vai ficando cada vez mais restrito. E as poucas onças que restam, para sobreviverem, acabam invadindo as fazendas e sendo mortas pelos pecuaristas.
As peles dessas criaturas têm alto preço, mas suas vidas, nada valem.
Espera-se que a lei seja fielmente cumprida e esses predadores humanos sejam punidos exemplarmente.
Inúmeras vezes o bicho-homem mostra-se selvagem e cruel, chegando a ser mais feroz do que a própria fera.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dia da Vovó


Na casa da vovó pode tudo!
Ivana Maria França de Negri

De todos os títulos dos quais já fui chamada na vida, nenhum me deu mais prazer e alegria do que ser chamada por minhas menininhas de vovó!
Soa tão doce, vindo de criaturinhas com jeitinho de anjo que a gente ama muito além da paixão.
E quando a experiência dos anos vividos nos lega a sabedoria do que é realmente importante nesta vida, é preciso aproveitar ao máximo.
Na casa da avó inexiste a palavra “não”. Tudo pode, desde que não seja perigoso. Pode fazer bagunça, espalhar brinquedos, pegar as bijouterias para brincar, pode comer chocolate e acabar com o pote de biscoitos (espero que meus filhos, genro e nora não leiam esta pequena crônica...)
Mas os netos sabem que na casa da avó podem ficar à vontade e fazer toda estrepolia que quiserem. Os pais, sim, devem estabelecer normas para a educação. Casa dos avós é só para curtir e brincar. Sempre tem chocolates, balas, ovinhos com surpresas dentro e novos brinquedos. Pode ficar de molho na banheira pelo tempo que quiserem. Vovó não fica brava se molharem o chão e deixa até que mexam no computador.
Tão doce, tão gostosa de ouvir, essa palavrinha pequena, sonora, de uma sílaba só: “Vó”!!!

domingo, 25 de julho de 2010

Vocês já viram árvores que dão livros?


Pois elas floriram e frutificaram hoje, Dia Nacional do Escritor, no Parque da Rua do Porto

"Ó! Bendito o que semeia livros... livros à mão cheia e manda o povo pensar! O livro caindo n'alma é germen - que faz a palma , é chuva - que faz o mar" - Castro Alves in: O livro e a América

Livros - Uma Viagem pelo Sonho!

sábado, 24 de julho de 2010

Folhas de Ouro


Folhas de ouro
Ana Marly de Oliveira Jacobino

Uma amiga escritora me presenteou com “Contos Leves” de Monteiro Lobato da Companhia Editora Nacional de 1941. As páginas amarelas parecem folhas de ouro.
Acarinhei, abri, olhei e dei um beijo. O gosto do passado trouxe as ideias do escritor para a minha boca. Engoli para ver se um pouco da sua escrita fixa morada em mim!

Dia do Escritor - Escrever, por quê?

http://www.tribunatp.com.br/modules/publisher/item.php?itemid=1443

Escrever por quê?
Ivana Maria França de Negri

Por que e para quem os escritores e poetas escrevem? E por quais motivos? O que move suas mãos para a pena que, enlouquecida, não pára de deslizar no papel? Enquanto tentam coordenar as ideias que surtam como pipocas estourando uma após outra, os dedos percorrem os teclados procurando avidamente as letras que formarão as palavras que irão traduzir seus pensamentos.
É um momento mágico, sublime! Só os que já passaram madrugadas insones com as ideias latejando na cabeça sabem do que eu estou falando. É uma espécie de febre gostosa , é sentir o espírito verdejante e a alma florida. Aprende-se a ouvir o silêncio e a enxergar a verdadeira essência das coisas. E enquanto não se coloca a emoção para fora, fica uma espécie de dor, de sufocamento, de angústia, que só se afasta quando as palavras fluem, quando a obra vai tomando forma.
E o que dizer do poeta, que vê tudo com olhos de paixão, extasia-se com coisas frugais e coloca a alma na ponta da caneta para trazer à luz seus tesouros ocultos? Feliz dele que consegue acordar os sonhos, comungar as belezas da vida e traduzir a voz das plantas e dos animais. Às vezes enxerga o mar inteirinho dentro de uns certos olhos verdes.
Poetas não costumam passar sua obra pelos filtros da razão. E ainda conseguem a proeza de encaixar toda cadência do universo infinito no espaço restrito de um só verso.
Com o esboço pronto, vem a sensação de saciedade, de paz, de missão cumprida. Compara-se ao gesto de um famoso escultor italiano, que ao ver sua obra acabada, em êxtase exclamou: “parla!”. Ou ao pintor quando dá a última pincelada no quadro e sente-se um deus diante da obra-prima. E o poeta, assim que termina o poema, se apaixona perdidamente pela musa.
Que coisa fascinante é trazer à luz um texto como se fosse um filho querido. E depois dividi-lo com o mundo, dar-lhe asas, e deixá-lo voar livremente, para que pouse nas mentes de quem os lê e frutifique. Escrever é como adejar asas sem tirar os pés do chão. O escritor possui nadas, mas ao mesmo tempo é dono do mundo.
Escrever é um ato fascinante. Desde tempos imemoriais, nossos antepassados já careciam dessa comunicação com outras cabeças pensantes e queriam dividir suas ideias com amigos ou deixar de herança aos descendentes o que levavam em suas almas, suas experiências, suas sagas. De maneira rudimentar “escreviam” com tintas vegetais nas rochas, com gravetos na areia, e onde mais sua imaginação indicasse. Eram os primeiros e incipientes passos da literatura antes do surgimento dos papiros e da pena, precursores da era da informática, quando o mundo se tornou pequeno e globalizou-se.
Para se escrever bem é preciso ler muito. E para isso é necessário que haja bons escritores. As ideias vão se entrelaçando e cadeias de pensamento coletivo vão se formando
Depois da criação do alfabeto e da literatura, nunca mais a humanidade foi a mesma.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Convite Cultural - 1a CAFIART


NÚCLEO CULTURAL
APRESENTA:

1ª CAFIART


DIA 24/07/2010 - SÁBADO
HORÁRIO: Das 13:00h às 17:00h

PROGRAMAÇÃO:

Horário: Das 13:00h às 15:00h
Anfiteatro:
Apresentações de Dança de Salão, Ballet, Banda e Sapateado


Horário: Das 13:00h às 15:00h
Refeitório:
Oficinas de Teatro e Poesia
..............................................................................

Horário: Das 15:30h às 17:00h
Sala de aula de danças:
Workshops de Sapateado e Ballet
Área externa:
Workshop de Banda

Horário: Das 15:30h às 17:00h
Anfiteatro:
Apresentações de Poesia e Teatro

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dia do Escritor 2010 - Árvore Cultural


Venham participar das comemorações do Dia Nacional do Escritor. Tragam seus livros para pendurar na Árvore Cultural!
Muitas atrações nessa festa. Das 8h às 12h na Área de Lazer da Rua do Porto neste domingo, 25 de julho.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia Nacional do Escritor neste domingo - Convite

DIA NACIONAL DO ESCRITOR

No dia 25 de julho comemora-se o Dia Nacional do Escritor e os grupos literários de Piracicaba estão organizando, em parceria com a Biblioteca Municipal, um evento na Área de Lazer, na Rua do Porto, no local junto ao ônibus da Biblioteca .

Haverá apresentações musicais, contação de histórias, declamação de poesias, varal de minicontos e textos ilustrados e distribuição de livros-frutos, que serão pendurados em árvores e as pessoas poderão apanhá-los e levá-los para casa.

As atividades vão das 8h às 12h do domingo e são abertas ao público com entrada franca. Caso chova, o evento será transferido para o próximo domingo que estiver com sol.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Fingimento


Fingimento!!
Luiza Gosuen


É noite lá fora, a lua, as estrelas, o mundo enfim…
Só, em meu leito, retiro as máscaras que vestem
um falso amor à vida, e um sorriso à minha alma triste e sem esperanças,
E encontro comigo mesma, entrego-me ao desespero,
às saudades infinitas de um tempo distante, de um sonho desfeito.
Sozinha com minhas mágoas, não preciso mais fingir, não luto contra a lembrança que vem me torturar, porque apesar de fazer-me triste, traz-me tantas recordações felizes dos momentos que juntos tivemos.
Nunca mais fitar seus olhos, ouvir sua voz e sentir a carícia de suas mãos em meus cabelos revoltos… choro por este “nunca mais”…
É preciso deixar as lágrimas rolarem, porque apesar de tudo, elas dizem o que sinto e que sou na verdade.
Amanhã será um outro dia, como tantos outros, em que novamente terei de usar a “mascara de meu fingimento”.

Lições de Pompéia


Lições de Pompéia
Cassio Camilo Almeida de Negri


Assim como os vasos quebrados, os corpos humanos petrificados pelo Vesúvio nos ensinam que não somos o invólucro e sim o conteúdo...

domingo, 18 de julho de 2010

OCNI: Objeto Caseiro Não Identificado

OCNI: Objeto Caseiro Não Identificado
Lidia Sendin

Sentado em sua poltrona predileta, o senhor de cabelos brancos lê atentamente o jornal. Sossegado, imagina um dia inteiro só pra ele, sem vigilância da mulher que foi passar o dia fora com as amigas, nem da empregada, que estava de folga.
Já estava quase cochilando quando foi perturbado pela campainha da porta que trinava insistentemente. Era o entregador de encomendas que, deixando uma grande caixa nas mãos do homem e uma interrogação maior na cabeça, partiu sem maiores explicações.
Voltando para sua poltrona, tentou ler novamente, mas nem leitura, nem cochilo, a caixa parecia chamá-lo parada em cima da mesa. Resolveu fazer uns consertos na garagem, mas não conseguiu. O que teria na caixa? A eterna pergunta que não quer calar.
Foi para a cozinha na tentativa de comer alguma coisa e esquecer a tal caixa, mas não conseguiu. Ligou a televisão para ver o jornal, mas só visualizava a estranha caixa sobre a mesa.
Enfim sucumbiu à curiosidade e abriu a caixa. Olhou, observou, apalpou, porém o que conseguiu foi apenas mais curiosidade. Não sabia o que era. Foi ficando cada vez mais nervoso e o que almejava era a volta da mulher.
Quando finalmente ela chegou, já era noite, encontrou o marido de pé ao lado da caixa aberta, com os olhos interrogativos ansiando por uma resposta.
Muito brava com a curiosidade do marido, colocou as mãos na cintura, perguntando indignada: – O que você pensa que vai fazer com a minha máquina de...

sábado, 17 de julho de 2010

II Prêmio Literário Cidade Poesia - ASES


http://www.asesbp.com.br/

II Prêmio Literário Cidade Poesia

REGULAMENTO:

Com o objetivo de revelar e divulgar novos valores literários e, ao mesmo tempo, sedimentar a perífrase Cidade Poesia do município de Bragança Paulista, a Associação de Escritores de Bragança Paulista- ASES - em parceria com a Prefeitura Municipal de Bragança Paulista, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Bragança Paulista - promove o II Prêmio Literário Cidade Poesia, o qual no presente ano prestigiará a modalidade CONTO.


TEMA: LIVRE

1- Poderão participar escritores brasileiros ou não, desde que os trabalhos sejam apresentados em língua portuguesa;
2- Cada participante deverá apresentar um único conto, absolutamente inédito, tanto na forma impressa ou virtual, pela internet. O conto, com no máximo 6 laudas, deverá ser datilografado ou digitado em papel sulfite A4, apenas de um lado da folha, fonte times new roman, 12, espaço duplo, em três vias, margens de 2,5cm, contendo o título e o pseudônimo do autor;
3- Um envelope menor, anexo, deverá trazer do lado de fora o título do trabalho e o pseudônimo do autor. Dentro deverá conter a ficha de inscrição e autorização para publicação, conforme modelos abaixo, um CD ou disquete 3½ contendo o conto inscrito e o currículo do autor.
4- Os escritores nascidos ou residentes em Bragança Paulista poderão fazer constar no lado de fora do envelope maior a expressão: ESCRITOR BRAGANTINO, no caso de desejarem concorrer nessa categoria;
a) O trabalho deverá ser entregue pessoalmente ou via correio na sede da ASES: Rua Cel. Leme, n° 35 – CEP 12900.340 – Bragança Paulista – SP;
b) Prazo final para a inscrição: 29 de outubro de 2010 (valerá o carimbo da postagem como comprovante da data de inscrição);
c) A ASES indicará uma comissão julgadora de reconhecida capacidade intelectual e idoneidade, cuja decisão será irrevogável, não cabendo nenhum tipo de recurso;
b)Estão impedidos de participar sócios da ASES ( efetivos e correspondentes) e funcionários da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Bragança Paulista;
e) Serão selecionados vinte contos. Os três primeiros colocados receberão:
1° lugar: R$ 2.000,00 + troféu Cidade Poesia +certificado + 10 exemplares da antologia
2° lugar: R$ 1.000,00 + certificado + 5 exemplares da antologia
3° lugar : R$ 500,00 + certificado + 5 exemplares da antologia
Do 4° ao 10° colocado serão atribuídas Menções Honrosas, além de receberem 5 exemplares da antologia.
Os demais classificados receberão 3 exemplares da antologia.
5- Os participantes de Bragança Paulista concorrerão em faixa especial, desde que especifiquem no envelope de envio essa condição, com a seguinte premiação:


Melhor conto de autor bragantino:

R$ 500,00 + troféu+ 10 exemplares da antologia.

6- Os prêmios serão atribuídos em sessão solene em data e horário que serão divulgados posteriormente;
7- Casos de plágio comprovados, bem como a comprovação do não-ineditismo do poema, são de inteira responsabilidade do concorrente, sendo este automaticamente excluído da seleção, com as sanções legais cabíveis;
8- Os concorrentes classificados serão notificados, através de correspondência pessoal, sobre o resultado do concurso, o qual também estará disponível no site da Associação de Escritores de Bragança Paulista- www.asesbp.com.br - a partir do dia 22 de fevereiro de 2011;
9- O simples envio do conto implica a aceitação total deste regulamento;
10- Casos omissos serão resolvidos pela Diretoria Executiva da ASES;
11- Os trabalhos enviados não serão devolvidos;
12-Informações complementares no site: www.asesbp.com.br ou pelo e-mail: asesbp@gmail.com ou ainda com
Cida Moreira (11) 4032-7163 – appmoreira @yahoo.com.br
Henriette (11) 4033-3609 – henriette2007@terra.com.br
Marina Valente (11) 4032-0238 marinavalente@terra.com.br

O inesperado!


O inesperado! (in Tardes de Prosa)
Maria Madalena Tricânico de C. Silveira

Ari cuidava com dedicação do túmulo de seus antepassados, para agradar sua mãe e conservar os valores da família.
Uma semana antes do dia dos finados, estava tudo reluzente. Ari tinha mandado colocar uma imagem de Santo Antonio, de mais ou menos 25 centímetros de altura, e quatro vasos ornamentais com flores da melhor qualidade.
Qual não foi a surpresa de Ari e sua mãe, dona Sofia, quando depararam com a imagem de Santo Antonio encapuzada por um objeto estranho.
– Ari! O que significa isto aí?
O filho levou um susto. Como explicar para sua mãe, uma senhora austera, que aquilo era preservativo?
– Mamãe, talvez a zeladora do túmulo tenha colocado para conservar o polimento do metal.
– Meu filho! Não brinque comigo, eu sei muito bem que isto é um preservativo. Que falta de respeito com o santo.
– Não moço! Não senhora! Isto é uma bexiga de aniversário, aqueles balões que depois de cheio as meninas fazem cachorrinhos e flores, entre outros atrativos para crianças, falou uma jovem, que não era mais tão jovem assim, que saia detrás do túmulo toda tremendo com medo por ter sido descoberta.
– Eu venho aqui ao cemitério rezar para meus antepassados me ajudarem a formar uma família, pois os idosos já se foram e os meus contemporâneos já formaram as suas.
– Explique-se melhor! Vamos. O Santo...
– Calma. Estava rezando para o Santo Antonio e admirando a imagem tão linda e reluzente, quando, está vendo esta árvore aqui em frente? Então, um inconveniente pássaro deu uma “cuspida” bem em cima do santo. Eu limpei com meu lenço, veja só a sujeira, quando peguei o lenço vi o balãozinho dentro da minha bolsa e tive a ideia de proteger o Santo, mas jamais pensaria parecer outra coisa! Mil desculpas e foi tirando a cobertura do Santo.
– Calma moça, não precisa ficar apavorada, a minha mãe já entendeu. Como é mesmo o seu nome? Onde você mora?
Então Dona Sofia tirou o rosário da bolsa e começou a agradecer a Santo Antonio por mais um milagre, seu filho haveria de desencalhar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Brincadeiras de Crianças

Brincadeiras de Crianças
Dirce Ramos de Lima

As crianças que conheço (neta e sobrinhos menores de três anos) continuam preferindo brincadeiras que imitam a vida real, no eterno e reciclado “faz de conta”.
Pré-fabricados mesmo, ainda predominam apenas as bolas e bonecas.
As meninas querem limpar a casa, fazer comidinha, lavar e passar roupas, dar banho, trocar, alimentar e colocar bebês pra dormir. Também gostam de chutar bolas, fazer gols, comemorar, festejar e gritar!
Embalados pela babá-TV, elas cantam, dançam, marcham, fazem gestos, rodam, riem e caem. Levantam-se, seguram as mãos e continuam.
Onde há criança, não falta alegria. Nossa vida começa com magia, fantasia, descobrimento, inocência, afeto, cumplicidade, carinho.
Alguns adultos, mal preparados para a responsabilidade de cuidadores de crianças, chegam a encarar essa ingenuidade como imbecilidade nata e riem dos erros dos pequenos como se fossem piadas de gosto duvidoso. Alguns até confun¬dem o “não sei o que faço” e castigam como se fosse o “faço por maldade”...
Desviei-me do assunto! Quero lembrar apenas coisas boas que acontecem nesse mundo especial de início de aprendizado.
Minha neta adora brincar de fazer compras.
Às vezes, logo de manhã,quando ainda mal me recupero da noite mal dormida (assisto TV até tarde), ela adentra meu quarto com uma sacola plástica, uma caixa de bugigangas, um velho teclado de computador e pergunta:
– Vovó, vamos brincar de compras?
Claro que aceito! Ela é meu anjo, minha luz, minha fonte de felicidade!
Bem, a brincadeira consiste em espalhar tudo sobre a cama. Numa mesinha de refeições, ao lado, fica o teclado que será o computador do caixa. Então, seguro a sacola e vou pegando os trecos (carrinhos, caixinhas, panelinhas, peças soltas de quebra- cabeças, embalagens vazias, etc.).
Pego, um por um, e pergunto: Quanto é?
Com uma vozinha encantadora e um brilho especial nos olhos ela vai dizendo aleatoriamente: um real, três reais , cinco reais, vinte , cinquenta, enquanto finge digitar no seu caixa.
Vou dizendo: Nossa, como está caro? Ou, este está barato, e assim, vou comprando arroz, feijão, sal, batata, leite, bolacha, tudo que existe numa casa e usamos todos os dias.
Quando a sacola está cheia, a cama vazia e as compras terminam, ela pergunta: Vai pagar com dinheiro ou cartão?
Como pode uma criaturinha tão pequena lembrar-se de tudo com tantos detalhes?
Daí, ela muda de personagem , passa a ser minha companheira e diz: – Vovó, vamos embora de ônibus ou de táxi?
Ela sempre prefere voltar de táxi (as compras são pesadas, papai e mamãe esperam ansiosos em casa, etc.) e fazemos, andando pela casa, todo o trajeto de volta.
Chegando em casa, guardamos tudo cuidadosamente (entre os velhos brinquedos).
Até que, com imensa alegria, ela pede;
– Vovó, vamos de novo?
Repetimos nossas cenas várias vezes. Comprando, pa¬gando, enchendo e esvaziando a bendita sacola... Mudam os supermercados, os preços, os gêneros, o trajeto de volta, e até o clima (chove, faz muito calor, está escurecendo; o ônibus demora, o táxi não para) e vamos revezando, entre comédias e tragédias, nossas compras cotidianas... O tempo passa, a gente brinca!
Fico imaginado o dinheiro gasto naquelas bugigangas ele¬trônicas e caras, abandonadas pela casa ou esquecidas no cantinho de brinquedos!
Um velho e pequeno radinho de pilha é uma câmera digital.
–Vovó, dá um sorriso que vou tirar sua foto. Fica quietinha! Olha pra mim! Assim, vovó. Você está linda! Clique! Quer ver?
Ah! Como é bom estar nesse mundo maravilhoso de companheirismo e amor: ela e eu, eu e ela, sonhando, brincando e andando pela casa : marcha soldado, cabeça de papel...
Somos todos filhos de Deus e netos de Papai Noel!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Entre Barbatanas

Entre Barbatanas (in tardes de Prosa)
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto

Fernando Sabino lamentava o fato de haver perdido diversos amigos. Em virtude da idade começava a se sentir solitário e mantinha longos papos com aqueles que haviam partido. A conversa rolava animada sobre situações que vivenciaram juntos... Afinal, declarava, com os mais jovens tudo que se conta passa a ser história, não tem sensação. Como descrever, com a emoção de quem esteve lá, a imagem de Jânio com uma vassoura dizendo que iria varrer os políticos corruptos?
Deus me livre de me tornar prolixo com o passar dos anos. Posso pedir aos meus que controlem minha oratória, entretanto, fica impossível reavivar a memória, estabelecer novas conexões de neurônios ou mesmo delimitar exageros espontâneos.
Tento lembrar o nome de um sanduíche dos meus tempos de juventude, uma associação de ideias me faz recordar de dois Bs escritos com giz no quadro negro da lanchonete naquele supermercado. Sombras delineadas em minhas reminiscências explodem em uma imagem de um tamanho enorme de lanche que se associa à figura de uma Baleia. Realmente, o primeiro B é de um animal grande, enorme, disso tenho certeza. E o segundo nome: bacia, balde, balaio, barco? Memória curta... vocabulário prodigioso...Bolsa, brasa, baia, bandeja. Realmente, não posso externar minha dificuldade pois todos perceberão minhas limitações humanas. O importante é reavivar sensações olfativas que proporcionem devaneios sinestésicos. Ópio que alimente a alma. Quanto ao nome correto, deixe para lá!
Mais do que a memória degustativa, meu coração se enche da presença de um grande amigo que me acompanhava naquelas experiências juvenis. Posso ficar prolixo, esquecido, exacerbado e enrugado, mas que Deus conserve o quão possível minhas amizades. Ao longo dos anos, o que realmente alegra nossa rotina é compartilhar pueris aventuras, além de enxergar nas lentes dos óculos de nossos convivas o reflexo de uma cumplicidade de quem não ficou só sabendo das histórias, mas que pode ser também personagem durante um longo período de nossas vidas.
Estou realmente convicto de que a meia idade está me tornando piegas, camuflo habilmente umas lágrimas furtivas. Ah, lembrei! Baleia na balsa...

Quem somos?


Quem Somos? (in Tardes de Prosa)
Ruth Carvalho Lima de Assunção


Em nossa caminhada vamos deixando marcas que indelevelmente, como num espelho de cristal, refletem o perfil de nossa imagem.
Seria a imagem que fazemos de nós mesmos com seus altos e baixos, em momentos que resultam em angústias ou momentos de euforia.
E vai se traduzindo em gestos o despertar para a luz do ser que se inicia, descobrindo um mundo novo, num comprometimento de fazer ou não adaptações para viver em conformidade com o modelo preestabelecido.
Que seria esse equilíbrio entre o indivíduo e o disparatado mundo que o envolve, senão o intrincado metabolismo de seus neurônios?
E aí vêm as barreiras sociais, religiosas ou econômicas tentando moldar o comportamento, fazendo valer suas regras.
E nessa disciplina globalizada, onde sobrevivem comandos e comandados, o ser humano se sobressai, deixando marcas de seu perfil, a sua individualidade sempre discutida no critério do outro, do outro ser que convive com o seu dia-a-dia, imaginando conhecer o seu próximo.
Somos feitos da mesma liga, da mesma argamassa, mas de diferentes comportamentos que nos levam a mostrar imagens diferenciadas num mundo de valores desiguais.
E a confusão se estabelece ao querermos situar a imagem de um ser que existe por traz do espelho, de um ser que não prescinde de suas máscaras e fugas.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

XX Prêmio Moutonnée de Poesia


http://www.salto.sp.gov.br/noticia_2010-05-10_05.html


Abertas as inscrições para o XX Prêmio Moutonnée de Poesia

Com o objetivo de revelar novos poetas, valorizar o gênero poético e incentivar talentos literários, a Prefeitura da Estância Turística de Salto, por meio da Secretaria da Cultura e Turismo e da Biblioteca Pública Municipal promove a 20ª edição do Prêmio Moutonnée de Poesia.

Os temas dos poemas são totalmente livres e neste ano, também receberá trabalhos que versem sobre a Rocha Moutonnée. São três as categorias: a ADULTA, a JUVENIL (de 12 a 16 anos de idade) e a INFANTIL (até 11 anos de idade). Cada concorrente pode inscrever até dois poemas inéditos (sem publicação ou premiação, sob pena de desclassificação). Poderão participar quaisquer pessoas de todos os estados da federação.

Cada poema concorrente deverá ser enviado em três vias digitadas, em papel formato ofício, com espaço dois e utilizando apenas uma das faces da folha. Os trabalhos do concorrente deverão ser assinados com pseudônimo e colocados em um envelope grande. Dentro do mesmo deverá vir outro envelope, pequeno, contendo uma via de cada poema concorrente e a identificação do poeta (nome completo, pseudônimo utilizado, endereço, data de nascimento, RG, CPF, telefone para contato e e-mail se houver). A falta de dados completos implica em desclassificação. Quando a divulgação e inscrição forem feitas pela escola, os dados do estabelecimento devem ser indicados.

Enviar até 10 de agosto de 2010 (valendo a data da postagem). Endereçar para: XX Prêmio Moutonnée de Poesia/2010 – Biblioteca Municipal de Salto (Rua Monsenhor Couto nº 127 – Centro – Salto/SP – CEP 13.320-210).

Os trabalhos serão julgados por cinco docentes ou literatos competentes para tanto. A premiação ocorrerá no dia 06 de novembro, às 20h30, na Sala Palma de Ouro – Centro de Educação e Cultura Anselmo Duarte, em Salto. Em sua vigésima edição, o Prêmio promoverá um dia de encontro entre poetas e interessados objetivando lazer, cultura, troca de experiências e atividades que associem poesia com outras artes. A partir das 10h, do dia 6 de novembro, acontecerão diversas manifestações artísticas, programadas para fazer parte do dia festivo, incluindo palestra, workshop, passeios turísticos, sarau, exposição e música. A programação completa estará disponível no neste site a partir de julho de 2010.

Na categoria adulta, serão oferecidos prêmio em dinheiro – R$ 1.500,00, R$ 1.000,00 e R$ 500,00 – 1º, 2º e 3º colocados respectivamente, brindes e troféus, esculpidos em granito similar ao da Rocha Moutonnée, aos cinco primeiros colocados. Serão ainda atribuídos de 10 ou mais troféus de menções honrosas, a critério do júri.

Na categoria juvenil, serão oferecidos prêmios em dinheiro – R$ 800,00, R$ 500,00 e R$ 300,00 – 1º, 2º e 3º colocados respectivamente, troféus para 4º e 5º colocados, além de 5 menções honrosas.

Na categoria infantil, apenas uma premiação com troféus, livros e brindes aos três primeiros colocados, bem como mais cinco menções honrosas. As escolas que inscreverem alunos classificados também ganharão troféus. Cada escola poderá participar com até 10 trabalhos. Sugere-se que as escolas também tenham uma participação mais intensa promovendo concurso interno e uma seleção de trabalhos. Os melhores, encaminhados para a inscrição no Prêmio Moutonnée de Poesia.

Trabalhos que versem sobre a Rocha Moutonnée entrarão em classificação à parte e o melhor deles receberá um troféu especial e o prêmio em dinheiro de R$ 500,00.

Cada participante receberá apenas uma premiação.

O resultado somente será divulgado no dia da solenidade de premiação. Os trabalhos premiados serão publicados em uma antologia, juntamente com os trabalhos premiados em 2009, uma vez que a publicação é bianual.


Rocha Moutonnée - Seu nome divulga uma raridade geológica, única nas Américas, existente na Estância Turística de Salto: a Rocha Moutonnée, um granito cuja superfície arranhada testemunha a passagem das geleiras, na era das glaciações, há cerca de 270 milhões de anos. Ela também comprova a existência do enorme continente de Gondvana, formado pelas terras da América do Sul, África e Antártida. A rocha é tombada pelo Condephaat e localiza-se num parque municipal especialmente criado para sua preservação.

10/05/2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Despedida de uma árvore

Despedida de uma árvore
Angela Reyes

Nasci no século passado em Piracicaba, onde fui plantada por meus pais. Fui batizada e recebi de nome “seringueira”. Fui me alimentando dia a dia com a seiva rica em nutrientes que a terra brasileira é capaz de fornecer. Dessa forma cresci e fiquei grande e formosa.
Todas as manhãs eu cumprimentava o sol. A noite namorava a lua quando ela estava cheia. Os anos iam passando com muita tranquilidade até que um dia me condenaram à morte, sem direito a um julgamento e sem alguém para defender-me.
Eu perguntei: Por que isso? Alguém me disse sussurrando: “Árvore, o motivo chama-se progresso.” Fui sentenciada a “receber uma injeção letal”, porque não existia cadeira elétrica para mim. Recebi uma injeção mortal em minhas principais artérias. Ai começou uma agonia cruel e lenta. Estou morrendo e me acompanham lembranças de cem anos. Fui descartada por ser velha e obsoleta. Parecem esquecer as vezes que servi de proteção para enfrentar tempestades, assim como, outras tantas vezes em que meu corpo foi usado como abrigo no inverno e no verão. As aves me amavam e reproduziam-se sem temor no meio dos meus galhos, borboletas assanhadas me paqueravam e nas cálidas tardes de verão as cigarras cantavam. Minhas irmãs e eu oxigenávamos o ar de Piracicaba.
Em meus galhos foram pendurados balanços para crianças brincarem cheias de felicidade. Fui testemunhas de numerosos primeiros beijos e promessas de amor de casais de namorados. Mas também fui utilizada como banheiro, obrigada a suportar dejetos de cães e gatos. Agora me resta pouco tempo, a seiva parece estar parando de circular no meu tronco e em meus galhos. Estou quebrando, as minhas folhas não conseguem respirar, estão secas. Mas, antes de partir gostaria de deixar uma mensagem: “O homem vai deixar de existir quando cortar a última árvore”.
Perdoai Pai, porque não sabem o que fazem. Palavras do Divino Mestre.

Cartas de Amor

CARTAS DE AMOR III
Elias Jorge

Querida minha, o resfriado anual escolheu este finzinho de junho e se juntou às dores do meu nervo ciático, para me castigar. Fisicamente, o pior, desses momentos, acontecia às 4 horas da madrugada, desta segunda-feira. Desde tua partida, ninguém cuida de mim. Não há mais o chá bem quente, tampouco o carinho de ti junto a mim. O silêncio, que tem sido um bom convite, me provoca. Então reajo. Livro-me do ededrom, um tanto pesado, que já me aborrecia, e escolhi a poltrona, frente à televisão, para nela me acomodar. Não demorou muito, sentindo-me aquecido com a lembrança do teu amor, adormeci. Quando a claridade matinal, que sempre invade o meu quarto, chegou aos meus olhos, despertei. Percebi, então, que as dores que sentia e o resfriado já não me incomodavam. Abri a janela, voltei meus olhos ao céu, que estava lindo, e beijei o espaço, imaginando que o meu beijo chegaria a ti, meu amor.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

VI Concurso de contos e crônicas - Unicult


CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS
Rua Boa Morte, 1257 - Centro
Piracicaba - SP - CEP: 13.400-140
Tel. (19) 3124-1889
VISITE WEBSITE: http://www.unimep.br/mostraacademica

domingo, 11 de julho de 2010

Futebolices

Futebolices
Laerte Levai

Na época da Copa do Mundo, como bem analisou o colunista Dagomir Marquezi, o futebol leva multidões a um estado de catarse coletiva, demonstração de um suposto patriotismo jamais visto em nosso país. O dramaturgo Nélson Rodrigues conseguiu mostrar isso nas crônicas de A Pátria em Chuteiras e À Sombra das Chuteiras Imortais, expressando em sua literatura um pouco do êxtase popular relacionado ao esporte das massas. Se o barulho, na atualidade, já é grande nas partidas decisivas dos campeonatos estaduais ou nacionais, ele torna-se incontrolável quando a seleção brasileira entra em campo, faz gols ou sai vencedora. Basta dizer que, na Copa da África, as chamadas vuvuzelas pouparam tão somente a cantora Shakira, soando depois ensurdecedoras em todos os jogos. Essas trombetas tornaram-se a marca registrada desta Copa, reverberando também no Brasil. Basta o expectador ligar a TV para ser inundado por anúncios patrocinados pela mídia consumista e, por vezes, preconceituosa. Cada jogo canarinho torna-se motivo para uma saraivada de bombas, rojões e cornetas, promovendo-se – após o apito final – sangrentos churrascos regados a latas de cerveja. E olha que muita gente bebe até cair.

Não bastassem as consequências desastrosas desses festejos perante a sociedade humana – embriaguez, brigas, acidentes de veículos e até mortes – há um outro aspecto da questão que é pouco considerado. Trata-se do pânico e sofrimento ocasionado aos animais, sobretudo aos cães que têm pavor de rojões. Quem possui animal de estimação sabe o que é isso. Alguns cães até que reagem bem ao foguetório, enquanto outros ficam fora de si a ponto de correrem para qualquer direção, pular de varandas, atravessarem grades ou se enfiarem não se sabe onde. Basta dizer que na Copa de 2002, vencida pela Brasil, as estatísticas oficiais revelaram numerosos casos vitimando cães: enforcamentos na coleira, lesões em portas ou janelas e atropelamentos em via pública. Se nessas ocasiões os motoristas costumam sair alucinados ao volante, dirigindo perigosamente e sem qualquer atenção ao tráfego, o que não dizer em relação aos cães perdidos na rua? A maioria acaba, infelizmente, sob as rodas.

Será que seleção brasileira justifica tamanha comemoração carnavalesca em que prevalece o vale-tudo generalizado? Penso que não. Já faz tempo que o futebol-arte desapareceu do nosso cenário esportivo. A equipe de 1982, com Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e outros craques da bola, foi a melhor que já se viu jogar, embora não tenha trazido o título. A de 1986, também comandada pelo mestre Telê Santana, ficou no meio do caminho, apesar do bom futebol. Paradoxalmente, o time de 1994 foi campeão nos pênaltis, com um feio esquema tático defensivo do qual se salvou apenas a genialidade de Romário. Técnicos provenientes de clubes, como o foram Saldanha, Telê e Scolari, pensavam antes no espetáculo do que no resultado. Já os técnicos biônicos, impostos pela CBF, sempre convocaram a quatro mãos, transformando nossa seleção em um reduto de atletas “estrangeiros” supervalorizados no mercado europeu, em detrimento dos bons jogadores que atuam no Brasil, e que, certamente, poderiam fazer menos feio do que o time de Dunga.

Mas voltando aos rojões e às trombetas do inferno, valendo-me aqui da expressão de Dagomir, já é tempo de a sociedade questionar esse costume popular em face do princípio da precaução, de relevância ambiental. No final dos campeonatos ninguém se importa com a lei do silêncio, com o sossego dos pássaros ou com o respeito entre os próprios seres humanos. E causa espanto só de pensar que em 2014 o circo será aqui, depois de o governo investir bilhões na construção ou reforma de estádios. Há, portanto, muito barulho ainda por vir. O ideal seria que as pessoas não soltassem bombas para comemorar conquistas ou extravasar sua alegria. Mas também se deveria considerar a possibilidade de o Legislativo propor leis restritivas ao uso e à comercialização desses produtos, permitindo tão somente os fogos de artifício silenciosos, aqueles que explodem em cores e se derramam em cascatas de luz. Fica aqui a sugestão.

sábado, 10 de julho de 2010

Miniconto

Encontro
Ana Marly de Oliveira Jacobino


As prateleiras, verdadeiros sacrários esfumaçados pelo incenso da escrita. Cada folha conduz a um mistério. O amor envereda pelas crônicas, contos, poesias e nutre o encontro das eras: Andrade, Lispector, Meireles, Neruda, Woolf e Saramago..., se encontram em um sebo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Óleo no Golfo

http://www.youtube.com/watch?v=oDUzxXmKR-0
Óleo no Golfo
Ivana Maria França de Negri

A hemorragia negra não se estanca nos mares. O desastre de grandes proporções no Golfo do México se alastra levando preciosas vidas em seu rastro de horrores.
Em pleno ano da Biodiversidade, na Semana Mundial do Meio Ambiente, paisagens encantadoras são tingidas de cinza e o verde desaparece. Somente o azul do céu ainda resiste à irracionalidade humana.
Santuários sagrados, cheios de vida e cor, que existem há milênios, são profanados. A hemorragia cinzenta não cessa e a natureza adoece gravemente.
Anêmica, Gaia perde as cores. Seu verde é sequestrado. Alvas areias tingem-se de ébano e tornam-se gordurosas e grudentas.
As águas, que já foram ora esverdeadas, ora azuladas, tornam-se viscosas e escuras. Já não existe oxigênio e as criaturas marinhas agonizam lentamente. Milhões de corpos inchados bóiam na superfície das águas petroleadas formando uma camada fétida e putrefata de visão dantesca.
Aves de olhos enlameados e vítreos fitam o horizonte, agora inatingível. Suas asas envoltas no óleo pegajoso já não podem mais alçar voo. Seu grito de socorro é mudo, ninguém pode fazer nada por elas.
Imensas áreas, a perder-se de vista, vão dia a dia sendo consumidas pela maré negra. Rios e mares mortos. O homem não consegue deter a hemorragia e o paraíso do Criador se aniquila.
O óleo nefasto se espalha pelos continentes atingindo locais intocados, desvirginando-os. A natureza é cruelmente invadida em seus mais íntimos recônditos. Até quando poderá suportar? Até quando resistirá bravamente? Até quando ressurgirá, qual Fênix, das cinzas?
Os céus derramam lágrimas em forma de chuva fina, choram silenciosamente pela devastação, pela agonia e morte de criaturas inocentes.
Será que esse ser, ávido pelo vil metal, que se auto intitula rei da criação, ignora o tamanho da tragédia que causou? Será que sua consciência não o acusa?
Tantas guerras deflagradas pelo ouro negro, tanto ódio e conspirações entre as nações, e de repente, o motivo das discórdias é todo lançado às águas, não vai enriquecer ninguém, ao contrario, vai consumir muito dinheiro para tentar, em vão, consertar o inconsertável.
Ah, insensato bicho-homem, não vês que herança sórdida estás a deixar à tua descendência? Não enxergas que destruindo a natureza estás a destruir-te a ti mesmo e decretando teu próprio fim?
Infelizmente, o vaticínio é monstruoso. É sombrio o futuro da humanidade: natureza mártir do bicho-homem, sem animais...sem vegetação... sem vida...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Inferno das Queimadas

Inferno das queimadas
Marisa Bueloni

Campestre, domingo, dia 4 de julho, 8 horas da noite. Ouço o crepitar da queimada de cana. Saio lá fora e vejo ao longe o clarão do fogo. Pela direção do vento, imagino "de que lado" a fuligem iria cair. Eram 11 da noite, quando saí na varanda, nas áreas externas da chácara, com esguicho na mão, para tentar limpar parte daquela imundície negra que caiu sobre tudo. Era algo inacreditável. Um carvão grosso, de pedaços grossos de queimada e restos de palha, caiu como praga do Egito sobre nós.
É um contrasenso dos piores. Pede-se que economizemos água. Não, senhores das trevas, tocadores de fogo nos canaviais de Piracicaba: não há como economizar este bem precioso. Infelizmente. Nós o usamos com dor na consciência, para limpar a fuligem desgraçada que cai sobre a cidade. E este produto da natureza poderá faltar um dia para os senhores, queimadores da palha da cana. Um dia, os senhores irão implorar por um copo de água - esta água cuja nascente pode ser morta pela prática criminosa da queimada de cana. Vós, senhores do fogo, ireis chorar por um copo de água. Essa água que somos obrigados a desperdiçar, durante mais de 6 meses ao longo do ano, para limpar a desgraça negra que desce dos céus.
Com a sanha da vossa fogueira, matais a própria nutrição da terra para o cultivo da cana e de outras espécies vegetais. Tirais dela os nutrientes necessários, empobrecendo a qualidade do produto, a colheita. Não temos nada contra a cana, senhores incendiários. Nossa luta é contra esse ato criminoso que praticais durante os meses de queimada. Há uma poesia intrínseca na vocação da cana, sobretudo quando a plantação tomba ao vento das tardes campesinas. Eu mesma já celebrei em versos a beleza do verde canavial!
Contudo, no combate à fuligem, são horas a fio gastando a preciosa e finita água, senhores das trevas e do fogo. São centenas de litros de água gastos na limpeza da varanda, das áreas externas, do piso de pedra na entrada da casa, na calçada lá fora. Sim, são horas com o esguicho na mão, usando o jato como vassoura - exatamente como nos é indicado para não fazer. NÃO USE O ESGUICHO COMO VASSOURA. Pois é assim que todos agem. É assim que vejo as donas de casa ou as funcionárias domésticas lavando as calçadas. Usamos o jato do esguicho para "varrer" essa porcaria imunda que assola nossas casas, nossa roupa no varal, nossos pulmões, nossos amores, nosso ar, nossa vida. Para limpar este inferno do qual não conseguimos nos livrar.
São milhares de litros de água gastos na limpeza da fuligem quase todos os dias da semana. Eu vejo pela minha chácara e multiplico isso pelo número de chácaras do meu condomínio. Multiplico depois pelo número de ... Pelo amor de Deus! E isso numa região onde os rios estão à míngua, num grau criminoso de veneno e poluição. Nossas bacias hidrográficas estão entre as mais degradadas do Estado, necessitando de investimentos vultosos em programas de despoluição dos rios e obras para tratamento de esgoto e saneamento básico. A água é um bem finito, ela está se tornando escassa em muitas regiões da Terra e pode acabar.
Portanto, continuem tocando fogo no canavial, senhores das trevas. Queimem à vontade, sujem o meio ambiente, o ar, os nossos pulmões, deixem-nos doentes. Afinal, estamos mesmo num país de Terceiro Mundo. Nem a lei - já regulamentada - da distância de 1 km da última casa, para executar a queimada, tem sido respeitada. Ou seja, não se poderia mais queimar cana aqui no Campestre. A lei já não foi regulamentada?
Queimadas de cana. Por que temos de suportá-las? Com que direito isso é praticado contra uma cidade inteira? Onde estão os homens de visão desta terra? Onde estão os homens de espírito intrépido? As nossas autoridades, para defender a qualidade de vida e a saúde da população? Nós queremos votar em vós!
Queimadas de cana. Algo desta natureza e desta indigência é bem típica de um país como o nosso, onde as autoridades fecham os olhos para os crimes ambientais, para a prática contra o meio ambiente que mata a fauna e a flora e afeta a saúde da população. Dane-se o povo. Que morra envenenado na poeira tóxica do lucro e da ganância. Da falta de sensibilidade e do desrespeito às leis. Da falta de amor à vida.

Plásticas ou o Fim dos Idosos

PLÁSTICAS OU O FIM DOS IDOSOS
Inácio de Loyola Brandão

Quando ela chegou, não a reconheci. A mulher que há décadas é minha amiga e tem hoje 60 anos tinha desaparecido.
Em seu lugar havia um arremedo de uma jovem. Um rosto no qual fizeram tudo para que parecesse jovem, tirando bolsas sob os olhos, esticando a pele, dando um retoque no nariz, arredondando o queixo, colocando silicone nas bochechas, engrossando ligeiramente os lábios. Ou ela pediu ligeiramente, o médico teve mão pesada, ou não entendeu.
O que eu via era um rosto falso, maquiagem malfeita. Como essas máscaras em que há a caricatura dos rostos de famosos. Senti a incômoda sensação de estarmos em dublagem malsincronizadas, em que há um descompasso entre a voz e o movimento dos lábios.
-O que foi?
-Desculpe, não te reconheci.
-Ficou boa assim a cirurgia? Porque sabe que fiz, não sabe?
-Sei.
-Ficou boa?
-É outra mulher.
-É o que eu queria.
Não soube em que sentido ela disse isso. Outra mais jovem, outra mulher por dentro, diferente daquela com quem convivi como amiga por 45 anos? Que outra? Quem era aquela mulher que parou à minha frente? Não restava nela nenhum traço de minha amiga de tantos anos.
-Você está contente? Feliz?
-Estou achando que você não gostou de mim assim!
-O que importa não sou eu. É você. Gostou?
-Confesso que ao me olhar no espelho, às vezes, me pergunto quem é a mulher refletida. Meu médico disse que é apenas um periodo de adaptação. Fiquei mais nova,sinto que sou nova e, ao mesmo tempo, fico confusa. Sou nova com a mesma cabeça que eu tinha quando era mulher de idade?
-Deve ser uma das muitas perguntas que você a se fazer.
-Se sou nova, preciso me comportar como gente nova.
-Gente nova de hoje ou gente nova de quando éramos novos?
-Gente nova de hoje. Porque gente nova do nosso tempo era diferente em tudo.
-Acho que você procura a mulher que foi.
-Mas se me comporto como a jovem que fui, não serei a jovem atual. Será que tem um curso para adaptação de idade?
Há tantos cursos hoje.
Eu estava aturdido. Porque minha amiga é apenas mais uma daquelas pessoas que anseiam pela juventude nas academias, nos cosméticos e agora na cirurgia. Uma ansiedade que não sabemos onde vai chegar. No que as pessoas estão se transformando? Como deve ser a foto da carteira de identidade? Dentro de algumas décadas, as plásticas terão demolido toda a noção de idade, todos os rostos dissolvidos no tempo. Todos terão de usar crachás, para que reconheçamos. É isso o que desejamos? Cancelar totalmente a idade? Ao chegar aos 40, queremos voltar aos 20. Mas, quando estivermos com 40, nessa nova fase, na realidade teremos 60. Nova plástica para descermos aos 30, ou seja, à metade. De etapa em etapa, até sermos crianças de novo? Vivemos a época do infantilismo? Sinto-me perdido, voltando aos 30, mas tendo na realidade 60, vivendo mais 20 e me plastificando, terei 80. Todavia, onde ficaram meu rosto e meu corpo real? A humanidade idosa tende a desaparecer?
Espantado, nem ouvia minha amiga explicar que está em busca de um jovem namorado, com quem possa sair,dançar, ir ao cinema, transar. Sim, mas aos 60 -ou seja, com 30-, ela tem energia para uma balada das boas? Suporta uma rave que atravessa a noite e termina ao meio-dia? Malhando durante o dia e na balada à noite, onde encontra forças?De repente, pensei: que atitude mais careta? Sou careta? Dinossauro, fora do meu tempo. Pensar em caretice já é caretice. Deve ter outra palavra com o mesmo significado no vocabulário jovem. Não sei e isso me atemoriza.
Por que me atemoriza? Não mudei, não sou jovem, não vou a nenhuma balada, não malho durante o dia, não fiz plástica, aliás, nenhuma correção no rosto. Até já pensei em tirar alguma coisa, esticar embaixo do queixo, mas quando me olho, vejo as marcas de minha vida. A cicatriz pequena na cabeça foi aquele momento 14 anos atrás, quase morri, enfrentei um aneurisma cerebral e passei. Deixei a marca, é a prova de que viver é bom. Mesmo com esta idade que tenho. Todavia, minha atitude não demontra um ideal anacrônico, obsoleto? Por que não fazer um lifting, dar uma esticada, consertar o nariz? Por que não quero ter 40 anos? O que aconteceu aos 40 que foi ruim, para que eu evite esta idade? Confesso que eu me sentiria perdido, num labirinto, distante de mim mesmo, da mesmice diária, ainda que esta mesmice seja apenas o rosto, o corpo que desgata.
Estou perdendo amigos e conhecidos, porque não mais os reconheço em suas casas, nas ruas, restaurantes, bares, sorveterias, praias. Não só removeram os sinais do tempo, como permitiram que deformassem suas linhas, seus traços, subtraíssem suas rugas, cancelassem a linha da boca que precisará ser preenchida por botox de tempos em tempos.
Alguns parecem monstros. Acho que vou ficar isolado nesta obstinação de querer continuar a ser eu. Eu que, como a maioria das pessoas, nem sei quem sou. E procurar saber é o meu ideal de vida, de escritor. Descobrir um sentido para mim e para a vida.
-Ficou mudo, de repente, disse minha amiga.
-Penso em um problema! Não vale a pena!
-Não pense em problemas! Não vale a pena!
E ela se foi. Atravessei a rua, entrei na padaria. Minha sobrinha Letícia, de 20 anos, saiu com um sanduíche na mão,
acompanhada de uma amiga da PUC.
-Tio, conhece a Du? Olhe como ela ficou bem. Nem se percebe o rosto, não é? Esse medico é legal!
Du tem 22 anos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Tesouro

O Tesouro (in Tardes de Prosa)
Cassio Camilo Almeida de Negri


Setembro de 1936. Nathan, um judeu alemão muito rico, residente em Berlin, pressentia as dificuldades que viriam com o chanceler alemão Adolf Hitler.
Sorrateiramente, vendeu todos seus bens, transformou-os em ouro e dólares, reuniu-os em um pequeno avião e em uma manhã triste e chuvosa, prenunciante da segunda guerra mundial, partiu levantando voo, ele, o piloto e seu tesouro.
Desviou o avião para o sul, pois não pretendia despertar atenções indo em direção ao norte da África; sobrevoou o deserto do Saara e seguiria rumo oeste, alcançando a América. Olhava para baixo e sorria, como quem tivesse driblado o destino. Via dunas e mais dunas, espalhando suas sombras arredondadas ao por do sol africano. Pareciam até uma dessas pinturas modernas que admiramos, mas não sabemos o que são.
No entanto, o vôo baixo permitiu que uma ave se chocasse com o motor e o avião, deixando um rastro de fumaça negra, caiu na areia quente.
O piloto morreu, o tesouro se espalhou e Nathan se viu com a perna quebrada, sob o sol que morria no horizonte.
A areia ainda estava quente e no céu já brilhava a lua quarto crescente, junto com uma grande estrela, como aquele símbolo do islamismo.
O grande negociante e empresário ajeitou alguns sacos de dólares como colchão e ali passou a noite. Dormia e acordava alternadamente, pois o frio intenso do deserto já se fazia sentir junto com a dor na perna quebrada.
O céu claro e repleto de estrelas, naquele momento foi apreciado como nunca havia sido antes. Assim passou a noite.
O horizonte avermelhado anunciava o sol, que durante o dia o castigou. Conseguiu esconder-se sob os sacos de dinheiro. A sede o assediava, a dor judiava e, no céu, o astro rei fazia a areia quase enrubescer.
Deitado, sua mente voltou à época da infância, lembrou-se dos dias felizes de menino rico, do pai já falecido, da mãe e dos irmãos que abandonara na Alemanha.
Conforme a sede o castigava, pensava que daria todo aquele dinheiro por um copo de água, mas não tinha ninguém com quem negociar. Então, negocia com Deus, prometendo que daria parte do seu tesouro para os pobres.
Mais um dia se passa e parece que Deus não queria aceitar o negócio.
Ofereceu todo o tesouro, mas o negócio não se efetivou.
Passaram-se quatro, cinco dias, e via miragens de copos de água gelada, riachos refrescantes onde enfiava as mãos e ...jogava areia quente na cabeça.
Delirando, recordou-se que, quando garoto, seu maior tesouro era um pião que não saía do seu bolso. Depois, foi uma bicicleta que ganhou do avô, mais tarde uma motocicleta BMW e o Mercedes Benz que ganhou do pai.
Anos depois, seu maior tesouro foi a joalheria montada com o próprio trabalho, o banco do qual era o principal acionista, o ouro e dólares que juntara. Seus tesouros foram ficando mais e mais valiosos e, naquele momento, trocaria tudo por um copo de água. Fechou os olhos e imaginou um copo, que nem precisava ser de água tão cristalina.
Anos mais tarde, um tuaregue encontrou um tesouro em barras de ouro, os dólares nem mais existiam. No meio deles, um esqueleto parecia sorrir. Teria Nathan encontrado finalmente seu verdadeiro tesouro?

Convite Cultural - Exposição


CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS

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Conto Premiado no Concurso de Arte Cemiterial


ACREDITE - 3o lugar
Marcelo Andrade Nascimento

Fazia frio na primavera, e o novo coveiro deste cemitério olhava espantado para as belas estátuas em sua frente. Intrigado ele me olha e pergunta:
- Senhor, essas duas estátuas estão me deixando curioso. Eu gostaria de saber o por que delas estarem assim.
- Há uma história fascinante por trás delas que virou atração para essa pequena cidade do interior – respondi amigavelmente ao homem.
- Mas senhor, eu nunca ouvi falar dessa história antes, eu vivo aqui desde pequeno.
- Isso é porque você sempre viveu do outro lado da cidade, meu amigo. De todo o jeito, é uma história muito longa, que de maneira alguma deve ser resumida. Talvez eu te conte outro dia.
- Ande e me conte agora! Estou morrendo de curiosidade para saber.
-Tudo bem, mas não me interrompa por nada. Este conto é tão emocionante!
Então eu comecei a falar.
Era quase noite, neste mesmo cemitério. Maiara, pequenina que era, agarrava-se à mão do pai. Não podia culpá-la pelo medo que sentia desse local, era uma garotinha tímida de apenas seis anos. Ela odiava a idéia de ter que vir a cemitérios. No ano passado ela se safou, quando sua mãe disse que era pequena demais, e poderia se assustar aqui. Mas esse ano, o pai, o doutor Joel Matos insistiu para que viesse, que já era uma mocinha, que não devia mais temer o local onde a família Matos descansa. Para o doutor Joel sua mãe sempre fora uma boa avó para Maiara.
A pequenina que olhava pelo canto dos olhos para a foto da avó no túmulo, lembrava o modo severo que era tratada, nas visitas nos fins de semana na casa da avó Alice.
-Você é só uma garota ingênua que vai se encher de filhos. Eu disse para Joel ter mais filhos homens, mas a única herdeira é você, que vai entregar a fortuna dos Matos ao primeiro vagabundo que roubar seu coração”. Eram as palavras frias que a senhora Matos dizia para Maiara todas as vezes que ela aparecia por lá.
- Vai Maiara, vai saudar a memória de sua avó, que já está escurecendo e devemos ir embora – mandou o doutor Joel soltando a mão da menina.
Olhando para a ponta de seus sapatos marrons, a garotinha caminha em passos leves em direção à foto em que sua avó está sorrindo.
- Reze um pouco para a pobre coitada, eu já volto. E o doutor Joel sumiu pelas ruas do local.
Quando ela abriu os olhos, após terminar de rezar, um blecaute havia acontecido, a escuridão era a única que ali prevalecia. Ninguém ouviu sua voz, seu pai estava longe dela naquele momento. Foi então que ela sussurrou algo, tão baixo que era quase impossível a compreensão.
- Por favor, não me deixe aqui.
- Não tenha medo, a luz vai voltar, ela sempre volta. A voz que respondia o sussurro de desespero da garota não era de ninguém conhecido pela mesma. Quem lhe respondia, e lhe trazia conforto, era um garotinho apenas dois anos mais velho que ela.
- Estou mais calma agora porque sei que não estou sozinha. Obrigada por estar aqui. Você é um fantasma bonzinho. Eu sou Maiara, e você, tem nome?
- Me chamo Mario, mas não sou um fantasma! Ele riu e ela riu junto.
Os dois pequenos ficaram ali, divertindo-se na escuridão deste lugar, sorrindo e se tornando amigos. Mas quando a luz voltou, e o doutor Joel encontrou Maiara junto com um garoto vestido com roupas rasgadas e sujas, ele se enfureceu e gritou:
- Nunca mais chegue perto de minha filha de novo, seu negrinho.
Em seguida saiu pisando duro, arrastando a garotinha que não entendia a fúria do pai. Triste com a ofensa, o pequeno Mario se pôs a chorar. Mas acendia ali uma pequena chama de paixão, que se estendeu dez anos mais tarde.
Mario já tinha seus dezessete anos, sempre viveu nas ruas, mas tinha um lar humilde e simples num bairro periférico da cidade. Morava junto de sua mãe.
Numa tarde comum de verão, o garoto estava lá pelo seu segundo dia, trabalhando num desses lava-rápidos de automóveis. Estava feliz, pois finalmente havia encontrado um trabalho honesto e poderia ajudar a sua mãe com as despesas da casa, mas não desistia da luz e da esperança de um dia rever aquela garotinha que um dia o deixou apaixonado, Maiara.
- Faça um serviço completo e bem feito – ouvia uma voz na entrada do recinto.
-Pode deixar, aqui é o senhor quem manda, doutor Joel, vou cuidar bem do seu carro – respondia o patrão de Mario.
Empolgado, o rapaz começou com a limpeza do veículo. Bisbilhotando dentro do porta-luvas, encontrou uma foto de uma linda garotinha abraçada ao doutor Joel. Era Maiara, seu coração sabia disso. Ela havia se tornado uma moça tão sublime. Os olhos do rapaz se encheram de lágrimas, seu corpo tremia pela sensação de encontrar uma outra vez seu amor e seu coração pulsava fora do normal. Ele estava feliz olhando o retrato, muito feliz.
- Mas que diabos você está fazendo? Mexendo nas minhas coisas, seu bastardo? Eu havia esquecido uma pasta dentro do carro, e é isso que eu vejo quando volto para apanhá-la? – a voz furiosa pertencia ao doutor Joel.
-Me desculpe senhor, eu só estava fazendo a limpeza interna.
- Eu vi muito bem, esses seus olhos ridículos admirando minha família! Dê-me de volta a chave para que eu possa sair deste lugar imundo. Se soubesse que pessoas da sua cor trabalhavam aqui, não teria vindo. Vocês malditos estão por todo o lugar nessa cidade!
O resultado foi que Mario perdeu seu emprego e toda esperança de que poderia ajudar sua mãe, desapareceu.
Maiara, pobre coitada, já estava há uma semana numa febre terrível. Enferma, foi levada para a casa de campo da família Matos. A garota, que ainda se lembrava daquele menino fantasma a ajudara uma certa vez “neste cemitério”, da forma em que ele cuidou para que ficasse calma, da maneira que ele enfrentou seu próprio medo do escuro para poder ajudá-la.
Motivada por esta saudade e por esta paixão, Maiara se empenhou em escrever uma carta para que quando estivesse curada, iria procurar por Mario e lhe entregar a carta pessoalmente. A luz lhe foi concedida com a esperança.
Seis de outubro, um ano mais tarde, a doença de Maiara apenas se prolongou e não foi curada. Nesse mesmo dia a garota, que já completava dezessete anos, veio a falecer. Foi um choque terrível para toda a família. A mãe da menina, quando encontrou em seus pertences a carta que ela escreveu para Mario, chorou de emoção. Doutor Joel não se conformava com a morte de sua pequenina – como ele carinhosamente a chamava. Foi em um desses tantos bares e se embebedou. A desventura se espalhou rápido pela cidade e, quando chegou aos ouvidos de Mario, foi como se estivesse recebendo a notícia da sua própria morte.
Desesperado, ele corre atravessando a cidade, em lágrimas, rumo à casa de campo dos Matos. Seu coração não queria acreditar, seu corpo mexia-se sozinho na direção da casa de Maiara.
Então, veio o acidente. Um homem embriagado que estava no volante, dirigia em alta velocidade, tão rápido que não deu tempo para os freios quando Mario cruzou seu caminho. Um acidente terrível que fez mais dois mortos: Mario e doutor Joel.
A esposa do doutor Joel não aguentava a dor de duas perdas no mesmo dia. Então, um dos oficiais encontrou junto ao corpo de Mario uma carta, que ao ser lida pela viúva, causou-lhe a mesma rica emoção que a carta de Maiara. Era formidável como as cartas se respondiam, mesmo que os jovens só tivessem se visto uma única vez e há tanto tempo. Ela estava fascinada, e então, a senhora Matos pediu para que Maiara e Mario fossem enterrados em túmulos próximos e longe do restante da família Matos que só causara dor àqueles dois jovens apaixonados.
O senhor prefeito, que acabara de saber de toda a história, mandou fazer uma estátua sobre cada túmulo dos jovens. Eis que aqui estão eles: Mario e Maiara, sobre seus túmulos, de mãos dadas, se olhando e sorrindo um para o outro.
- Eita! Que história mais linda! – disse o coveiro para mim.
- Essas são as únicas estátuas de todo este cemitério que estão sorrindo. Como se pode estar feliz num lugar desses?
- Esses dois jovens nunca se encontraram em outro lugar que não seja aqui. Eles só se viram uma única vez. Pode até parecer estranho, mas foi neste cemitério que estes jovens foram felizes, mesmo que tenha sido uma única vez.
- Agora quero saber o que estava escrito naquelas cartas.
- As cartas foram reescritas nas lápides dos garotos como eu indiquei. Abaixou-se e começou a ler a forma incrível como cada frase da carta respondia a outra. As palavras cravadas nas pedras eram as seguintes:

Maiara


Alma tempestuosa, possuída pela vontade de o encontrar,
Quero seguir nossa lembrança juntos, esta que nunca se desvanece.
O tempo passa e ainda estou esperando por você,
Pois é você quem deve me salvar dessa escuridão,
O desejo do destino pode ser diferente do meu
Se há justiça neste mundo cruel, ela parece evitar você
Perdida, leve-me para lá, onde eu o verei novamente
Vehga, voe comigo para o céu através dessa dor,
Juntos estaremos quando eu for livre para sempre.
Eu apenas vivo porque acredito.


Mario

Uma noite, eu estava sonhando, pereceu-me realidade, era tão claro.
Na verdade, era nossa lembrança que nunca se apagou de minha mente.
O tempo passa e ainda estou procurando por você,
Pois é você a luz que eu quero alcançar, livre-me da escuridão
Há um fogo em seu coração queimando, brilhante, como a glória de uma rainha
E quando a noite abraçar minha orla com suas mãos frias e escuras
Eu tenho certeza de que uma estrela irá iluminar meu caminho
Perdido, leve-me para lá, onde a verei novamente
Juntos estaremos quando eu for livre para sempre.
Acredite.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Conto premiado no Concurso Arte Cemiterial - Requiescat in Pace

REQUIESCAT IN PACE
(descanse em paz) 2o lugar
Ademir Barbosa

O que me encanta no cemitério são os anjos. Minha mãe, que nada entendia de latim, mas sabia tudo de anjos, dizia que nos pergaminhos suspensos pelos anjos se escrevia PAX porque no tempo em que foram criados por Deus era essa a grafia. Minha mãe foi enterrada num túmulo azulzinho, mas sem azulejos e anjos. Contudo, ao seu lado, o anjo atlético do túmulo da baronesa abana as asas sobre o jazigo de mamãe nos dias de verão. É uma companhia e tanto esse anjo.
O túmulo de mamãe é da família. Lá estão outros parentes, mortos há muito tempo. Dentre eles, vô Genésio, mais conhecido como Dom Eunuco. O velho ganhou no jogo do bicho, comprou um bar, cercou com arame farpado e bebeu até morrer. Antes, porém, havia morrido Virgulino, seu cão, e o cadáver havia ficado embaixo do balcão do bar, fedendo para ninguém entrar. Dom Eunuco ganhou esse apelido porque foi expulso de casa pelo sogro, que o ameaçou capar porque ele havia dormido com todas as cunhadas e a sogra. Foi salvo pelo pároco, que lhe deu o número de telefone de um primo distante, de Minas, e morreu na mesma noite. Dom Eunuco fez combinações com os algarismos, jogou e ganhou. Deu um sino novo para a igreja e mandou fazer um mausoléu para o pároco, enterrado no centro do cemitério, para onde acorrem famílias aflitas, pedindo-lhe paz, saúde, e inspiração para jogarem no bicho, na loteria, no bingo da paróquia, na quermesse da catedral.
Além de vô Genésio, dividem espaço com mamãe o primo Batuíra, menino morto porque sua bicicleta foi pega por um caminhão, e Zia Carmela. Quando Batuíra morreu, o túmulo tinha algumas rachaduras. A mãe dele não dormia, pensando que goteiras poderiam molhar os cabelos do filho morto. Então, apesar do período de chuvas, o marido foi ao cemitério e restaurou todo o túmulo, pintando-o de azul, o azul original sobre o qual vieram outros azuis (mas nenhum azulejo) ao longo do tempo e dos mortos.
Zia Carmela era o retrato da alegria, e mesmo no santinho da missa de sétimo dia ela estava sorrindo na foto. Aliás, no caixão ela sorria. Fazia doces em formato de animais:vaquinhas, esquilos, baleias e até centauros coabitando numa lata de panetone vinda da Itália. Fazia também cachecóis coloridos para os sobrinhos e pulôveres para os vizinhos, caminhos de mesa para as comadres e bolsinhas para as netas que estudavam fora e moravam sozinhas. Gostava de contar histórias, em especial quando trabalhava com as agulhas. Lobisomens de sítio, sacis, caixeiros sem cabeça, aparições de santos, trapalhadas de Mussolini, cachorros falando latim, padres vampirizados e uma famosa enchente do século passado eram alguns dos seus temas prediletos. Não saía de casa sem passar batom. Dizia que seu amor (não o falecido, mas um soldado inglês morto de tifo havia quase cem anos) a espreitava nas esquinas e às vezes a beliscava na padaria. Queria estar pronta para quando ele viesse buscá-la. Numa tarde de sol e algum vento, ele finalmente veio.
Dos outros parentes que jazem no mesmo túmulo, não vale a pena falar, pois não viveram.
A baronesa certamente serviu de modelo para o anjo que protege e enfeita seu túmulo. Embora não haja registro disso nos arquivos do velho Fabretti, que gostava de ser chamado de escultor de mausoléus, vi muitas fotos da baronesa que correspondem ao anjo (a cintura sempre apertada, os seios proeminentes sob os vestidos, os olhos verdes, um tanto tristonhos, o sorriso de quem organiza obras beneficentes), e ela também já me apareceu em sonhos. A foto mais famosa é a do rosto, a mesma que ornamenta o túmulo, sobre as letras douradas do votivo Requiescat in pace. Mas há outras tantas nos arquivos da cidade, a baronesa sempre trajando cores fortes, como o vermelho e o amarelo. Em meus sonhos, geralmente não traja nada.
Foi estrangulada pelo marido porque gostava de nadar nua na cachoeira da fazenda, o que ele não permitia. Saía de manhãzinha, auxiliada por duas mucamas, e mergulhava na piscina natural formada pelas pedras. Secava-se ao sol, acariciando o corpo deitada na pedra maior. Dizia para o marido que ia à missa. Ele acreditava e ia visitar as escravas na sensala no mesmo horário. Um dia ela cochilou distraída na pedra grande, esqueceu-se do tempo enquanto as mucamas conversavam sob uma árvore. O marido, que resolvera campear a propriedade, passou pela cachoeira, viu a cena, e estrangulou a mulher. As mucamas choravam. Arrependido, encomendou o túmulo e o anjo ao velho Fabretti. Morreu louco, sem filhos, nem escravos e foi enterrado na capela da fazenda. Depois de sua morte, cúria diocesana, e depois a prefeitura, passou a cuidar do túmulo da baronesa, sempre impecável em seu mármore lustroso, local de peregrinação de mulheres em busca de cura para frigidez.

Um dia, o corpo sob a terra, saberei os segredos dos meus mortos, cujas histórias, vidas, datas, se misturam no mesmo pó. Por ora, devo conhecer-lhes o destino (mesmo para evitá-lo), saber que baronesa não mais existem e que nunca foram anjos. Mas que os anjos podem ser mulheres, lá isso podem, desde que Deus os criou, num tempo em que, nuas, nadavam e descansavam nas pedras, em paz.